O SACRIFÍCIO DE ESTEVÃO

J. Martins Peralva

 

“Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado.” – Atos, 7:60.

 

O comportamento de Estêvão, no supremo instante do martírio, constitui um dos mais tocantes episódios da História do Cristianismo, narrado em Atos dos Apóstolos e descrito com rara beleza em Paulo e Estêvão, majestoso romance que Emmanuel nos ofertou, por monumento extraordinário, através da mediunidade ímpar de Francisco Cândido Xavier.

Saulo, que a Visão de Damasco transformaria, oportunamente, em Paulo de Tarso, hercúlea figura dos fastos evangélicos, comandava o massacre do moço grego, no apedrejamento cruel. Cenário: o pátio do Templo.

Saulo que, di-lo a narrativa de Lucas, “assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere”.

Há muita literatura, religiosa e não religiosa, aconselhando o perdão, louvando a misericórdia, exaltando o espírito de renúncia, concitando-nos ao amor para com os adversários.

A experiência de Estêvão, contudo, é bem diferente.

É a própria vítima, cruelmente apedrejada de todos os ângulos, que intercede pelos desumanos algozes, junto à Divina Misericórdia: Senhor, não lhes imputes este pecado.

É um jovem, quase uma criança, no verdor dos anos, inflamado de ternura, convertido num monte de carne ensanguentada, o belo rosto dilacerado pela pedras, que sobrepõe o entendimento, que gera o perdão sublime, à sua própria amargura, buscando compreender, na justificação carinhosa, o espírito voluntarioso, embora sincero, de outro moço, noivo de sua irmã, que defende princípios de justiça que a Mensagem do Carpinteiro de Nazaré indicava como respeitáveis, mas contrários à suavidade dos Céus.

As escrituras falavam, realmente, de justiça.

E Saulo, ardoroso defensor da Lei Antiga, fiel servidor de Moisés, assimilara-lhe a interpretação dogmática, nos encontros do Sinédrio, o famoso tribunal israelita, onde a hegemonia da letra, em detrimento do espírito, era uma constante nas longas discussões de rabinos eruditos.

Estêvão, alma sensível, coração meigo e delicado, conhecia, desde as primeiras horas da existência, no lar em Corinto, a mensagem antiga, cultivada com acendrado amor por seus honrados e nobres antepassados; sua alma, todavia, sublimava-se em manifestações de ternura e bondade, de que se opulentavam os ensinos de Jesus.

Na concepção de Saulo, matar aquele moço, irresistível e fascinante em sua humildade, significava extinguir a influência do Carpinteiro Galileu.

Estêvão, no entanto, entendia que se imolar por amor a Jesus, simbolizado na mensagem de eterna ressurreição por Ele trazida, significava a glória maior para um ser humano: oferecer tributo de reconhecimento àquele que viera ao mundo para redimi-lo.

Saulo era, assim, o paladino da Justiça.

Estêvão, o suave jardineiro do Amor.

O primeiro, vinculado à tradição, apegara-se a Moisés, o enérgico legislador hebreu, que se lhe instalara no cérebro privilegiado, incendiando-lhe o coração na arena dos conflitos religiosos.

O segundo, respirava paz interior. Alimentava-se no clima de Amor com que o Mestre aquecera a Terra, desde o primeiro momento da manjedoura singela.

Saulo queria a morte de um homem, em sua expressão corpórea, na ilusão de que se perderiam com ele, no pó da sepultura, eternos conceitos de fraternidade.

Estêvão aceitava o desprendimento físico, a libertação do Espírito, na certeza de que a Imortalidade brilharia em favor dos homens, para todos os tempos, em função dos sublimados ideais que o Divino Emissário, sacrificado à ira humana aos trinta e três anos, deixara na Terra como régio presente do Céu.

A morte de Estêvão, em circunstâncias extremamente bárbaras, enfrentada com um estoicismo que somente mais tarde Paulo viria a entender, marcaria, para sempre, o espírito e o coração daquele moço ardoroso, que, anos depois, amadurecido na luta e no sofrimento, encarnaria a mais notável figura do Cristianismo nascente.

Dos despojos de Estêvão, o jovem mártir, no pátio do Templo, nasceria o indomável Apóstolo da Gentilidade.

A vítima pedir em favor dos algozes?!…

A indagação alojara-se no espírito do moço tarsense, à maneira da semente que fecunda o trato de solo, fendido pelo golpe do lavrador, para se converter depois em frondosa árvore.

Saulo, que durante longo tempo “respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor”, não resistira à lembrança do pedido de clemência de Estêvão: Senhor, não lhes imputes este pecado.

Suas últimas resistências desmoronar-se-iam na ensolarada estrada conducente a Damasco, quando, enfurecido, buscava “os homens do Caminho”, para infligir-lhes a humilhação e o açoite, o cárcere e a morte.

O gesto de Estêvão, rogando compreensão para Saulo e seus agressivos companheiros, reeditando o “Pai, perdoa- -lhes porque não sabem o que fazem”, preparava o encontro pessoal do tapeceiro de Tarso com o próprio Senhor, a quem combatia, desesperada e incessantemente.

Imolou-se, realmente, uma grande vida, no apedrejamento insano.

Dilacerou-se, na verdade, um corpo jovem, em plenitude vital, para que uma alma idealista e generosa, calejada em milenárias experiências, ressurgisse no Plano Espiritual, triunfante em sua gloriosa missão, enquanto Paulo, no Plano Físico, nascia para a Verdade e a Luz.

Milhões de almas, espalhadas nos continentes terrestres, recolhem, hoje, as bênçãos da semeadura evangélica, realizada com destemor pelo ex-verdugo dos cristãos – semeadura que revelava não apenas a sabedoria de suas inolvidáveis epístolas, a ação valorosa e constante no disseminar as claridades da Boa-Nova, mas, igualmente, plena identificação com os ideais do Senhor: Já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim!

Quem ama, perdoa.

Estêvão amava a Jesus, a Saulo, a humanidade inteira.

Só o amor, em sua mais elevada expressão, pode conduzir-nos aos páramos da Glória Imarescível.

Fonte: Reformador, ano 88, n. 3, mar. 1970, p. 11(55)-12(56).

Guillon Ribeiro – Visão e ação

Guillon Ribeiro, há 76 anos, em palestra proferida no ano de 1939 discorreu sobre a finalidade da FEB, com a percepção de "casa espiritual" e seu papel nos laços de fraternidade e da caridade sob a proteção da "árvore do Evangelho".

Os 140 anos de nascimento de Guillon Ribeiro foram comemorados entre janeiro e março de 2015 em São Luís (sua terra natal) e nas dependências da FEB em Brasília, Rio de Janeiro e Santo Antônio do Descoberto.

Guillon foi tradutor de várias obras, presidente da FEB (1920-1921 e 1930-1943) e durante sua gestão, com atuação de Manuel Quintão, ocorreu o apoio e o início das publicações das obras de Chico Xavier.

Homenagem do GEECX

Acesse:

– A palestra de 1939     (Acesso ao arquivo: Guillon-FEB-jan.1939);

– www.youtube.com/watch?v=ojLP8XpCfLs

– http://www.souleitorespirita.com.br/reformador/noticias/guillon-ribeiro-alem-das-traducoes/

DIVULGAÇÃO DO EVANGELHO

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No final do ano de 2011, a diretoria da FEB aprovou por unanimidade a criação de um novo curso “Reunião de Estudo de O Evangelho segundo o Espiritismo”, por proposta nossa como diretor da instituição. O então presidente Nestor J.Masotti foi um entusiasta e esteve presente em algumas reuniões do citado curso, nos momentos iniciais nos primeiros meses de 2012, antes de se afastar da presidência, e depois, no final de 2013 e início de 2014, depois de retornar dos tratamentos a que se submeteu em São Paulo. Neste ínterim foi criado o NEPE, que contou até a pouco, com uma grande equipe e muitas ações diversificadas e abrangentes.

O conjunto de esforços pela difusão de O evangelho segundo o espiritismo chegou ao ponto máximo durante o ano de 2014, com as comemorações dos 150 anos de publicação do livro de Kardec, e a realização simultânea do bem sucedido 4º. Congresso Espírita Brasileiro, em quatro regiões do país, tendo o importante livro como tema básico.

Em nossos dias temos constatado em viagens e contatos que há grande interesse pelo esforço de se estudar e difundir o livro básico de Kardec.

Em diferença de poucos dias, estivemos em pontos extremos do país, em eventos relacionados com o tema do estudo do Evangelho à luz do Espiritismo.

No extremo nordeste, em Parnaíba (Piauí), depois de evento em sessão solene da Câmara de Vereadores de Parnaíba tivemos sessão de autógrafos do livro “O Evangelho segundo o Espiritismo. Orientações para o Estudo” (edição FEB) e desenvolvemos seminário sobre Estudo do Evangelho, nas dependências de uma escola, contando com a presença de representantes dos centros locais. E, na sede da Federação Espírita Piauiense, em Teresina, proferimos palestra sobre tema evangélico.

Poucos dias depois, com promoção da União Municipal Espírita de Volta Redonda foi efetivado nessa cidade do Estado do Rio de Janeiro, uma sequência de palestras e seminários onde abordamos temas similares dentro do projeto do projeto local “Evangelho para todos”.

É crescente e muito oportuno o interesse pelo estudo e pela compreensão do livro de Kardec que trata do ensino de moral de Jesus.

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“Espiritismo é Cristianismo e Cristianismo quer  dizer Cristo em nós para estender o Reino de Deus e servir em seu nome” – Emmanuel (Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Livro da esperança. Uberaba: CEC. Cap. 73).

 

Informações: https://www.facebook.com/centroespiritacaridadeefe; https://www.facebook.com/UMEVOR; https://www.facebook.com/gestudoschicoxavier; www.grupochicoxavier.com.br

Junto aos simples nas montanhas da Guatemala

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Em viagem a convite da Cadena Heliosophica Guatemalteca, membro do Conselho Espírita Internacional, na condição de dirigente da FEB e do CEI, comparecemos em junho de 2014 juntamente com a esposa, a eventos na Guatemala, em sua capital Ciudad de Guatemala e na cidade de San Marcos.

Além de nossa atuação na capital, na sede da Escuela Luz y Caridad e da Obra Assistencial Bezerra de Menezes, participamos do IV Congresso Espírita Guatemalteco, com desenvolvimento de temas sobre a educação moral, e realizado em San Marcos. Esta cidade se localiza nos chamados altiplanos guatemaltecos e durante a viagem se vislumbram vários vulcões. Na região há predomínio de descendentes dos maias.

Num dia frio e chuvoso, chamou-nos a atenção que os frequentadores do Congresso, descem das montanhas, muitos a pé, e chegam aos grupos, com suas famílias. Alguns chegam com vestes típicas e com as crianças pequenas presas em suas costas. Permanecem atentos às palestras o tempo todo. Seus filhos, crianças e jovens, tiveram participação artística e doutrinária, relacionadas com o tema do evento. 

Ao cumprimentarmos ou dialogarmos com os moradores da região, sentíamos que demonstravam um grande respeito pelos visitantes. E de nossa parte sentíamos um forte impacto, motivado pela extrema simplicidade deles e as manifestações de intenso interesse pelos assuntos espíritas. Aliás, um conhecimento ancestral, ligado à tradição dos nativos – os maias -, daquele país.

Ao final, cada familia levava livros espíritas para casa, doados pela equipe do Congresso. Houve farta distribuição de livros espíritas em espanhol, ofertados pelo Conselho Espírita Internacional, e, em grande quantidade, pela Mensaje Fraternal/IDE. Esta última, há mais de 35 anos, tem efetiva atuação na região, doando livros editados em espanhol de Chico Xavier e de Allan Kardec.

Ressaltamos que o apoio aos habitantes dos altiplanos daquele país da América Central é um trabalho sistemático e continuado, de décadas, efetivado por equipes da organização espírita nacional, a Cadena Heliosophica Guatemalteca.

Essa atuação na Guatemala, como outras que participamos em vários Estados de nosso país, despertam nossa percepção para a necessidade do Movimento Espírita de chegar às bases – ao pretender atuar em todas as faixas sociais -, e, provavelmente, à grande maioria da população, ao se considerar a “pirâmide social” do país.

Torna-se oportuna a evocação das experiências do cristianismo primitivo como meios de incentivo a essas reflexões e adequações em todas as áreas de atuação. No livro “Boa Nova”, psicografado por Chico Xavier, há oportuna crônica sobre o Sermão do Monte e que antes de proferir as Bem-Aventuranças – pobres e aflitos; sedentos de justiça e misericórdia; pacíficos e simples de coração – Jesus teria dialogado com interlocutores de Cafarnaum: “É também sobre os vencidos da sorte, sobre os que suspiram por um ideal mais santo e mais puro do que as vitórias fáceis da Terra, que o Evangelho assentará suas bases divinas.”1

Também são marcantes as recomendações do Doutor da Lei – Paulo de Tarso – que se transformou em homem do povo: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador dele” (I Coríntios, 9:22-23).

A experiência guatemalteca também nos faz meditar na epopéia de Francisco de Assis e na ação rotineira de Chico Xavier em Pedro Leopoldo e em Uberaba.

 

Fonte:

  1. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Humberto de Campos. Boa nova. 36. ed. Cap. 11. Brasília: FEB.

Transcrito de “Revista Internacional de Espiritismo”, edição de setembro de 2015.

 

Bezerra de Menezes e Chico Xavier – O Médico e o Médium

Jorge Damas Martins (*)

 

O nobre Dr. Eurico Branco Ribeiro, a maior autoridade sobre a vida do Evangelista Lucas – Médico, Pintor e Santo -, discorre com propriedade sobre o sacerdócio na medicina, na Antiguidade e na Idade Média, no seu livro Lucas, o Médico Escravo:

Naquela época, bem como ainda no Século XV, o médico não podia casar-se. Tinha de ser celibatário. Era a tradição que assim impunha. Como é notório, o exercício da Medicina era feito pelos clérigos ou sacerdotes e esses não contraíam matrimonio. Assim, quando, ao tempo dos romanos, os escravos gregos eram encaminhados às escolas médicas, tiravam-lhes o direito de constituir família, pois deviam consagrar-se, inteiramente, a exemplo dos sacerdotes, aos cuidados assistenciais dos enfermos da carne e do espírito. Daí veio a concepção de que a prática da Medicina é um sacerdócio (capítulo 3, p. 18).

            Tal jugo foi abolido em 1452, continua o Dr. Eurico Ribeiro, numa bula apresentada pelo Cardeal Destouville na França, em que se permitia o casamento dos médicos.

            O nosso Dr. Bezerra de Menezes – o Médico dos Pobres – foi casado, e muito bem casado por duas vezes, mas concebia a Medicina como um sacerdócio, onde se podia exercer, da forma mais ampla, a divina caridade.

Bezerra, então, vai surpreender a sua tradicional família, de ricos fazendeiros, políticos e advogados, ao decidir de forma determinada o seu destino profissional: Quero ser médico!

            Alguns, porém, do seu círculo mais íntimo tentaram demovê-lo da Medicina – inclusive seu pai (A Casa Assombrada, p. 124[1]) -, e, galhofando, replicavam o provérbio citado por Jesus sobre as dificuldades de aceitação, tanto dos profetas como dos médicos em sua terra natal: Médico, cura-te a ti mesmo (Lc., 4:23). E, insistiam:

Desgraçada profissão! Pode o que adotou empenhar o maior esforço e o maior saber por salvar da morte um ente querido dos que o chamam. Desde que a Ciência não vence o mal, porque o mal, é invencível, porque as fontes da existência se têm esgotado, maldições lhe chovem em cima. Foi o médico que matou o doente! Se, pelo contrário, a força de saber e solicitude, arranca à morte e aos vermes uma vida preciosa, nenhum merecimento se lhe reconhece. Foi Deus quem salvou o doente! (A Casa Assombrada, p. 118).

            Então – continuavam – por que estudar a Medicina?

            O nosso Adolfo perseverava:

Por duas razões do maior alcance, direi eu: a primeira é que o médico goza da maior independência; e não é coisa de pouca valia ter-se garbo de abusar da sua autoridade. A segunda é que o médico, muito mais que o sacerdote, tem meios de exercer a divina caridade. Eu falo daquele que faz de sua profissão um sacerdócio, e não do que a utiliza como indústria rendosa (p. 118).

            Mais tarde, o Dr. Bezerra vai traçar com precisão cirúrgica o verdadeiro perfil da medicina missionária:

O médico, o verdadeiro médico é isto: não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se está longe ou perto o gemido que lhe chega aos ouvidos, a pedir-lhe, ao menos, o bálsamo da consolação, que já é suma caridade. O que não acode, por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, por ser alta noite, ou ser mau o tempo, ou ficar muito longe e muito alto o lugar para onde é chamado; o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem com quem pagar a receita, como meio de se esquivar ou de sondar se o chamado, lhe rende, e, na falta, diz ao que lhe chora à porta: “chame outro”; esse não é médico, é um negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros do que gastou para se formar. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e que lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riquezas de seu espírito, porque é a única que jamais perderá na carreira de suas vidas, embora os vaivéns de todas elas (Casamento em Mortalha, capítulo XV, Reformador, 1° de setembro de 1898, p. 3, col. 3).

* * *

            A Mediunidade missionária também é um sacerdócio!

            A principal referência sobre a mediunidade caritativa está alicerçada na rocha granítica das palavras do Médium de Deus, Jesus de Nazaré: De graça recebestes, de graça daí (Mt., 10:8). A única ressalva feita pelo Mestre é quando o médium se encontrar em visita fraterna ou em viagem de divulgação missionária, onde poderá receber hospedagem e comer e beber o que vos derem (Lc., 10:7). Esse é o único salário que merece o médium trabalhador.

            Chico Xavier é o maior exemplo do daí de graça…

            Vejamos um pouco de história…

Na Grécia antiga a pitonisa ou médium do Templo de delfos, o mais famoso de todos, era chamada de sacerdotisa. Ela era treinada para o serviço da transmissão mediúnica passando por purificações que incluíam da abstinência sexual ao jejum.

O oráculo de Delfos funcionava em uma área específica, o adito ou área proibida, no núcleo do templo – hoje são as salas de reunião medianímica no centro espírita -, e por meio de um orientador específico, a pitonisa era escolhida para falar, como um médium de incorporação, em nome de Apolo, o deus da profecia. A pitonisa era mulher, algo surpreendente se levarmos em conta a misoginia grega. E, contrastando com a maioria dos sacerdotes e sacerdotisas gregas, a pitonisa não herdava sua posição pela nobreza de seus vínculos familiares. Ela poderia ser velha ou jovem, rica ou pobre, bem-educada ou analfabeta.

O nosso Chico Xavier foi treinado durante séculos, em inúmeras reencarnações, para o serviço da sensibilidade fenomênica. Sua entrega foi total ao serviço do mandato mediúnico, chegando mesmo à abstinência do casamento, não por restrição biológica ou preconceituosa, mas para uma dedicação exclusiva a tarefa que o Alto lhe traçou.

Escreveu mais de 400 livros, muitos best sellers, tendo todos os direitos autorais revestidos ao serviço da caridade sem limites. Não tinha hora para levantar nem para dormir, para mais servir seus semelhantes.

Ele dizia que sua felicidade era ser médium:

Eu me sinto feliz de ser obstinadamente médium. Eu gosto de ser médium, gosto dessa palavra. Quero ser médium. É tudo que eu sempre quis ser.

Não posso ser vaidoso de mim mesmo, pois tudo que fiz, não foi feito por mim, mas pelos espíritos.

Sei que a obra é de Jesus, que o serviço é do Alto, mas não ignoramos que os Mensageiros Divinos precisam de mãos humanas. (100 Anos de Chico Xavier – Fenômeno Humano e Mediúnico, p. 433)

            É, um dos Mensageiros que se serviu da mediunidade abençoada de Chico Xavier foi o Dr. Bezerra de Menezes, coordenando duas quartas partes das atividades do grande medianeiro: O atendimento médico com receituário homeopático e a chamada escola mediúnica do além, de onde os desencarnados das mais diversas procedências, viam consolar mães, pais, parentes e amigos, fortalecendo-os na fé inabalável da eternidade da vida…

Bibliografia:

Ribeiro, Eurico Branco. Lucas, o Médico Escravo.  Livraria Martins Editora, São Paulo (SP), 1974.

Martins, Jorge Damas. Os Bezerra de Menezes e o Espiritismo – A Família, o Médico, o Político, o Empresário e o Espírita. Novo Ser Editora, 1ª Edição, Rio de Janeiro (RJ), 2011.

Martins, Jorge Damas. Entrevista “Paulo, Bezerra e Chico Xavier”. Reformador, março de 2015.

Menezes, Adolfo Bezerra. A Casa Assombrada.  Editora Camille Flammarion, 2ª edição, novembro/2001, Rio de Janeiro (RJ).

Baccelli, Carlos A. 100 Anos de Chico Xavier – Fenômeno Humano e Mediúnico. 2ª edição, LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo, Uberaba (MG), 2010.

——. A Casa Assombrada. Editora Camille Flammarion, 2ª edição, 2001, São Paulo (SP).

——. Evangelho do Futuro. FEB, 2009, Brasília (DF).

 

(*) – Autor do livro Bezerra de Menezes e Chico Xavier – O Médico e o Médium. Rio de Janeiro: Ed. Ideia Jurídica, 2014.

 

1] Bezerra de Menezes tinha no estudo do Direito a “sua principal distração” (Evangelho do Futuro, p. 385). Ele também escreve: “estudava diariamente por duas horas, as matemáticas, que eram meu estudo favorito” (A Casa Assombrada, p. 121).

A edificação na 1a Epístola aos Coríntios

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A 1ª. Epístola aos Coríntios é considerada a quarta carta de Paulo e foi escrita entre os anos 52/55 d.C. quando ele se encontrava em Éfeso.1,2,3 Consta que a primeira carta (I Cor., 5:9) teria se perdido2, o que levou à elaboração desta 1ª. Epístola aos Coríntios. O autor aborda várias questões éticas e práticas, como as ligadas à conduta ética na vida diária da população daquela cidade e que estariam sendo incorporadas na agremiação cristã nascente, e, interferências de uma variedade de crenças e práticas aberrantes.2

Daí a razão do estudioso Champlin1 registrar que seria a “história de uma querela” e citar a situação dos “ataques dos legalistas, dos falsos mestres e dos detratores do apóstolo Paulo, que ameaçavam destruir não somente a obra realizada ali por Paulo, mas também a sua reputação e autoridade como apóstolo do Cristo.” Nos cultos de Corinto claramente surgiam facções, “cada uma das quais com o seu suposto líder ou herói, como Paulo, Pedro, Apolo e Jesus Cristo”1 e havia a influência dos que exaltavam dons espirituais miraculosos. Paulo destaca a fidelidade ao Cristo e incita à união.

Entre os vários temas abordados por Paulo, destacamos um trecho relacionado com a conduta e sempre lembrado e citado na seara espírita.

 

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.” (I Cor., 10:23)

Paulo inicia por citar o chavão da época, em Corinto: “todas as coisas são lícitas”, todavia aponta para o fato de que muitas não teriam conteúdo moral e não seriam edificantes. A colocação de Paulo se adequa perfeitamente ao mundo de nossos dias quando há predominância de ambientes de liberdade de pensamento, de contextos legais e dos meios de comunicação. A mensagem essencial da Boa Nova fortalece princípios e o cultivo de virtudes.

O versículo de Paulo é importante no contexto da Doutrina Espírita com o conceito do livre-arbítrio, dentro dos parâmetros conceitos que emanam do conhecimento de vida imortal e de reencarnação, e, dos compromissos do ser espiritual consigo mesmo e com a sociedade.

Ou seja, muito diferente das posturas do passado de proibições e condenações, a edificação ocorre com base no conhecimento e na conscientização espiritual.

Sobre o tema, entre outros comentários em diversas obras, destacamos de Emmanuel:

“Em ação espírita evangélica é preciso saber, antes de tudo, que nos achamos na edificação do Reino de Deus, a começar do burilamento de nós mesmos”.4

 

Bibliografia:

1. Champlin, Russel Norman, O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 4. Introdução, Cap.12 e 13. São Paulo: Hagnos, 2014.

2. Ryrie, Charles C. A Bíblia de Estudo Anotada/Expandida. Trad. Klassin, Susana. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007.

3. Walker, Peter. Pelos caminhos do apóstolo Paulo. Trad. Mariz, Andréa. Introdução e Cap. 9. São Paulo: Ed.Rosari. 2009.

4. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Bênção de paz. Cap. 42 e 47. São Bernardo do Campo: Ed. GEEM. 2010.

 

(Trecho parcial e adaptado do artigo do mesmo autor: 1a Epístola aos Coríntios – edificação, dons espirituais e amor. Revista Internacional de Espiritismo. Ano XC. N.7. Edição de agosto de 2015)

 

 

Evangelho para os simples

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Conheci o Espiritismo na infância, acompanhando minha mãe e um tio (Bebé e Rolandinho Perri Cefaly) em reuniões espíritas em Araçatuba e em Biriguí. Também participava de atividades de visitas a instituições e hospitais, quando levávamos lanches. Nos idos de 1961, adolescente ainda, acompanhei o início de funcionamento da Instituição Nosso Lar, no então bairro nascente e periférico – o loteamento do Planalto, em Araçatuba. Frequentava a reunião pública dos domingos, com explanações sobre “O Evangelho segundo o Espiritismo” e o “O Livro dos Espíritos” e passes. Lembro-me do salão bem simples, onde havia também a oferta de sopa aos frequentadores. O lugar era mesmo bem singelo, com suas salas sem forro e mobiliário recebido por doações.

Nas décadas seguintes, visitei outros ambientes que também me marcaram bastante. Um deles foi um grupo espírita dirigido por Gedeão Fernandes de Miranda, no bairro do Goulart, pioneiro do espiritismo em Araçatuba, então nonagenário. Localizava-se em um sítio, no Bairro do Goulart. Outra experiência foi assistir às reuniões de Chico Xavier, no Grupo Espírita de Prece, e participar dos atendimentos da chamada “peregrinação”, em Uberaba. Também vêm à minha lembrança o centro dirigido por Langerton Neves, num sítio de Peirópolis (MG) e o Centro Espírita Fé e Amor, fundado por Sinhô Mariano – tio de Eurípedes Barsanulfo –, na Fazenda Santa Maria, em Sacramento (MG). A simplicidade ficou em evidência, no grupo espírita de Manaquiri (AM), localizado a duas horas de barco de Manaus, e que se reunia em um ambiente tipo choupana indígena, sem energia elétrica, às margens de um pequeno rio amazônico.

Uma experiência marcante no exterior foi nossa participação no IV Congresso Espírita Guatemalteco, com temas sobre educação moral, e realizado em San Marcos. Esta cidade se localiza nos chamados altiplanos guatemaltecos e durante a viagem se vislumbram vários vulcões. Na região há predomínio de descendentes dos maias. Num dia frio e chuvoso, chamou-nos a atenção que os frequentadores do Congresso, descem das montanhas, muitos a pé, e chegam aos grupos, com suas famílias. Alguns chegam com vestes típicas e com as crianças pequenas presas em suas costas. Permanecem atentos às palestras o tempo todo. Seus filhos, crianças e jovens, tiveram participação artística e temática, relacionadas com o Congresso. Ao dialogarmos com os moradores da região, demonstravam um grande respeito pelos visitantes. E de nossa parte sentíamos um forte impacto, motivado pela extrema simplicidade deles e as manifestações de intenso interesse pelos assuntos espíritas. Aliás, um conhecimento ancestral, ligado à tradição dos nativos maias daquele país. Ao final, cada familia levava livros espíritas para casa, pois houve farta distribuição de livros espíritas em espanhol,

É assim que me permito recordar também as experiências do cristianismo primitivo como meios de incentivo a essas reflexões e adequações em todas as áreas de atuação. No livro “Boa Nova”, psicografado por Chico Xavier, há oportuna crônica sobre o Sermão do Monte e que antes de proferir as Bem-Aventuranças – pobres e aflitos; sedentos de justiça e misericórdia; pacíficos e simples de coração – Jesus teria dialogado com interlocutores de Cafarnaum: “É também sobre os vencidos da sorte, sobre os que suspiram por um ideal mais santo e mais puro do que as vitórias fáceis da Terra, que o Evangelho assentará suas bases divinas.”

Entre elas, as recomendações do Doutor da Lei – Paulo de Tarso – que se transformou em homem do povo: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador dele” (I Coríntios, 9:22-23).

Antonio Cesar Perri de Carvalho residiu em Araçatuba até 1989. Foi presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e da Federação Espírita Brasileira.

Artigo publicado em Folha da Região, Araçatuba, 5/8/2015, p.2.

 

O Céu e o Inferno – Relações França-Brasil

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O Codificador Allan Kardec viveu no Século XIX – época grandes luzes que provocou grandes resultados, descobertas e teorias que modificaram o modo de vida do homem sobre a Terra, sua própria concepção e o papel que ele representa no planeta e no universo. Rivail viveu num período de muitas polêmicas e choques em todos os setores da vida francesa, choques entre momentos de autoritarismo, de liberalismo e de democracia, convivendo também com o surgimento de propostas socialistas e muitos impasses no âmbito da religião.

No seio da própria igreja católica da França surgem esforços importantes por parte de religiosos como: Félicité Robert de Lamennais e Jean-Baptiste-Henri Lacordaire, ambos idealistas liberais, e, Jean-Marie Vianney, o Cura da cidade de Ars, exemplo de caridade, gentileza, e estimulador da crença e fé em Deus, “o bom Deus”, Interessante é que os três religiosos assinaram textos de “Instruções dos Espíritos” em O evangelho segundo o espiritismo.

Vencendo todas as dificuldades de um contexto atribulado e dinâmico, no século e na cidade das luzes, Allan Kardec exerceu o importante papel de elaborador humano de um conjunto sistematizado de informações espirituais que representaram o surgimento de um poderoso facho de luz para os caminhos humanos. No bojo da cultura e da disseminação mundial do idioma francês, o Espiritismo se difundiu rapidamente para várias partes do mundo.

No dia 1º. de agosto de 1865 Allan Kardec lançou em Paris a monumental obra O céu e o inferno. Trata da Justiça Divina segundo o Espiritismo e, de forma inédita, analisa mensagens espirituais, com destaque para seus estados de alma. É o primeiro livro que faz estudo de casos sobre as manifestações espirituais. As obras do Codificador surgem no momento de um grande esforço espiritual para se restabelecer a fé, e, em bases racionais.

A tradução e edição das obras de Allan Kardec para o português completam 140 anos! Foram traduzidas pelo médico Joaquim Carlos Travassos, que integrou a primeira diretoria do pioneiro Grupo Espírita Confúcio, na cidade do Rio de Janeiro. Informou à “Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec”, de Paris, a sua fundação e a aceitação das obras do Codificador, o que foi divulgado pela “Revue Spirite”, em 1874.

No começo de 1875, dr. Travassos mantém correspondência com Pierre-Gaétan Leymarie, dirigente da Sociedade citada e redator de “Revue Spirite”, com o objetivo de traduzir as obras de Kardec. Cita o “amigo Sr. Casimir Lieutaud, um dos propagadores do Espiritismo neste canto do mundo chamado Brasil, empreendi a tradução, para a língua nacional, das obras do Mestre”, carta que foi publicada pela “Revue Spirite”, na edição de agosto de 1875. Desse modo, dr. Joaquim Carlos Travassos, sob o pseudônimo de "Fortúnio", traduziu: “O Livro dos Espíritos”, a qual converteu Bezerra de Menezes ao Espiritismo; “O Livro dos Médiuns”; “O Céu e o Inferno” e “O Evangelho segundo o Espiritismo”. As quatro obras vieram à luz nos anos 1875 e 1876 por intermédio da Editora B. L. Garnier, da cidade do Rio de Janeiro.

As obras de Kardec chegaram rapidamente ao Brasil e encontraram terreno fértil para a sua disseminação!

 

(*) – Síntese de palestra proferida na abertura do 12º. Colóquio França-Brasil, na UERJ, Rio de Janeiro, no dia 31 de julho de 2015, transmitida pela WebTV Espírita Nova Luz. Informações: https://www.facebook.com/internationalspiritistcouncil?fref=ts

 

O céu e o inferno: 150 anos do lançamento por Kardec – 140 anos de lançamento no Brasil

O céu e o inferno-original-1865

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Allan Kardec lançou a obra O céu e o inferno em Paris no dia 01/08/1865. A versão considerada final – 4ª. edição – surgiu em 1869 e sem o prefácio de Kardec.

No Brasil, dr. Joaquim Carlos Travassos manteve correspondência com Pierre-Gaétan Leymarie, dirigente da Sociedade citada e redator de “Revue Spirite”, com o objetivo de traduzir as obras de Kardec. E lançou em 1875, pela Editora B. L. Garnier, O Céu e o Inferno, traduzido da 4ª edição francesa, sem o nome do tradutor. Em nosso país, com exceção da tradução pioneira e da realizada por Manoel Quintão, em 1904 (FEB), a maioria contém o Prefácio de Kardec, inclusive a mais recente tradução, de Evandro Noleto Bezerra.

Com as obras da Codificação, surge uma maneira de racionalismo espírita, com destaque para as colocações em “O evangelho segundo o espiritismo”, de que “Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as etapas da humanidade”. Herculano Pires comenta que coube a Allan Kardec, a serviço do Consolador, libertar da letra que mata o espírito que vivifica. Ou seja, a religião dedutiva faz Deus baixar à terra e materializar-se em ritos e objetos; a religião indutiva faz o homem subir ao céu e desmaterializar-se, em razão e amor, para encontrar Deus.

No Prefácio, ausente na 4ª. edição francesa (1869) e em muitas traduções, Kardec comenta: “O título desta obra indica claramente o seu objetivo. Nela reunimos todos os elementos destinados a esclarecer o homem quanto ao seu destino. Como em nossas publicações  anteriores sobre a Doutrina Espírita, nada colocamos neste livro que seja produto de um sistema preconcebido ou de concepção pessoal, que aliás, não teria nenhuma autoridade. Tudo foi deduzido da observação e da concordância dos fatos”.

Em outro trecho esclarece: “As mesmas razões que nos fizeram omitir os nomes dos médiuns em O evangelho segundo o espiritismo, levaram-nos a omiti-los também nesta obra, tendo em vista mais o futuro do que o presente.”

A 1ª. parte trata de Doutrina, em 12 capítulos, contém o exame comparado das diversas crenças sobre: O porvir e o nada; Temor da morte; O céu; O inferno; O purgatório; As penas futuras segundo o Espiritismo; Os anjos; Os demônios; Intervenção dos demônios nas modernas manifestações. Com as penas eternas na visão espírita caem naturalmente as consequências que se acreditavam tirar de tal doutrina. Como as penitências, indulgências, e complexos de culpa.

Na 2ª. Parte, o Codificador analisou “Exemplos” e há numerosos casos que sustentam a teoria. A autoridade deles se baseia na diversidade dos tempos e dos lugares onde foram obtidos, porquanto, se emanassem de uma fonte única, poderiam ser produto de uma mesma influência. De início Kardec esclarece como se desenvolve o processo da desencarnação. Detalha algumas circunstâncias, lembrando que “A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida”. Em seguida, realizou um trabalho pioneiro de estudo das manifestações espirituais, cotejando-as com dados sobre a existência do manifestante, enquanto encarnado. Trata-se, portanto, do primeiro estudo de casos, de análise das manifestações espirituais, e de estudo de sobrevivência.

Sem pieguismo e adotando método de estudo, como em seus trabalhos em geral, analisa as manifestações dentro de uma classificação que estabeleceu de: Espíritos felizes; Espíritos em condições medianas; Espíritos sofredores; Suicidas; Criminosos arrependidos; Espíritos endurecidos; Expiações terrestres. Torna-se muito importante a compreensão dessas distintas situações de espíritos desencarnados. Esta classificação genérica formulada por Kardec chama atenção para essa relação entre a vida e morte corpórea e seus desdobramentos. O importante é o estado de alma e o nível e profundidade de como “a lei divina se encontra escrita na consciência” de cada um.

Por ocasião do centenário de O céu e o inferno, o espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, homenageou esta obra do Codificador, escrevendo Justiça divina, “com o propósito sincero de reafirmar-lhes os conceitos, […] no serviço interpretativo da palavra libertadora de Allan Kardec”. Com base nos itens do livro agora sesquicentenário, Emmanuel tece considerações de orientação para a vida cotidiana. Entre outras afirma: “[…] prevenindo-nos para compreender as realidades da Natureza, no grande porvir, ensinou-nos Jesus, claramente: ‘O Reino de Deus está dentro de vós”.

O Espiritismo responde às dúvidas existenciais mais freqüentes. E à pergunta insistente que brota na alma humana: “para onde vou após a morte?”. O livro O céu e o inferno – que completa 150 anos de lançamento – é a resposta clara e fundamentada!

Fontes:

Kardec, Allan. O céu e o inferno. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB. 2010.

Pires, Herculano. O espírito e o tempo. Introdução histórica ao espiritismo. 1.ed. São Paulo: Ed.Pensamento, 1964.

Xavier, Francisco Cândido. Justiça divina. 13. ed. Pelo espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB. 2008.

Wantuil, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB. 1969.

(Transcrito de “O Consolador” – revista semanal digital, no 425, 2/8/2015)

 

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE O OBJETIVO E O CARÁTER DA SOCIEDADE

Revista espírita — Ano III — Abril de 1860

 

SEXTA-FEIRA, 9 DE MARÇO

(Sessão Particular)

Leitura do projeto de modificações a ser introduzido no regulamento da Sociedade. A respeito, o Sr. Allan Kardec apresenta as seguintes observações:

CONSIDERAÇÕES SOBRE O OBJETIVO E O CARÁTER DA SOCIEDADE

“Senhores,

“Algumas pessoas parecem equivocadas quanto ao verdadeiro objetivo e o caráter da Sociedade. Permiti-me relembrá-los em poucas palavras.

“O objetivo da Sociedade está claramente definido em seu título e no preâmbulo do regimento atual. Esse objetivo é, essencialmente e, pode-se dizer, com exclusividade, o estudo da ciência espírita. O que queremos, antes de tudo, não é nos convencer, pois já o estamos, mas instruir-nos e aprender o que não sabemos. Para tanto, queremos nos colocar nas mais favoráveis condições. Como esses estudos exigem calma e recolhimento, queremos evitar tudo quanto seja causa de perturbação. Tal é a consideração que deve prevalecer na apreciação das medidas que vamos adotar.

 

Texto completo – Acesse:

http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/considera-es-sobre-o-objetivo-e-o-car-ter-da-sociedade