Pedro e Paulo

Pedro e Paulo

André Ricardo de Souza (1)

Simão Pedro, como bem sabemos, foi o líder dos apóstolos – assim designado pelo Nosso Senhor Jesus Cristo – tendo ele se redimido da negação do mestre divino após a crucificação e conduzido a primeira comunidade cristã, retratada no livro bíblico Atos dos Apóstolos e na obra do espírito Emmanuel Paulo e Estêvão, psicografada por Francisco Cândido Xavier.

Nesse livro, tal comunidade é chamada de Casa do Caminho. Paulo Tarso, notoriamente, foi o convertido de Damasco, conforme as duas obras acima, que, de perseguidor se fez propagador do cristianismo, formando várias comunidades cristãs entre os povos pagãos, mediante suas viagens missionárias e a elaboração das epístolas bíblicas, sob orientação espiritual de Estêvão, de modo a tornar-se conhecido como o apóstolo dos gentios.

Neste pequeno escrito, queria relacionar esses pilares do cristianismo com dois homens contemporâneos, a meu ver, bastante especiais, cuja amizade tive a felicidade de desfrutar e que merecem reconhecimento.

O primeiro é Pedro Santini (1933-2018), que nasceu em uma família com doze irmãos na cidade paulista de Cafelândia. Foi agricultor, depois mecânico de automóveis e metalúrgico em São Paulo, onde participou muito ativamente, como liderança de fato e também dirigente, de dois centros espíritas na Zona Norte da cidade. Estes são: o Núcleo Espírita Segue a Jesus (NESJ) existente desde 1939 no bairro da Casa Verde, onde ele ingressou em 1965; e o Núcleo de Estudos Espíritas Apóstolo Mateus (NEEAM), fundado em 1953 na Vila Nova Cachoeirinha, que, junto com sua esposa Duzolina, ele conseguiu fazer retomar as atividades em 1989. O casal deu contribuições relevantes também em dois centros espíritas de diferentes municípios, igualmente paulistas: Juquitiba e Iguape.

O outro é Paul Singer (1932-2018), que com oito anos de idade veio de Viena, Áustria, ao Brasil com sua mãe costureira em fuga do nazismo por serem judeus. Tornou-se metalúrgico, depois professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) e gestor de políticas públicas importantes na prefeitura paulistana (1989-1992) e no governo federal (2003-2016). Foi idealizador e dedicado a um conjunto de práticas fraternas de produção, consumo e crédito chamado de economia solidária, experiência que se encontra em alguns outros países também e tem registro no cristianismo nascente conforme Paulo e Estevão, que é a principal obra trazida a público por Chico Xavier, conforme dito por ele próprio (2).

Tal como o pescador de Cafarnaum, “seo” Pedro era também, caridosamente, muito acolhedor, alguém em quem boa parte das pessoas do NEEAM reconhecíamos uma espécie de “paizinho”. Vale dizer que efetivamente deste modo era chamado Simão Pedro pelos “filhos do Calvário” na Casa do Caminho. Certa vez, enquanto eu e minha mulher Margareth estávamos com ele e sua esposa na casa de ambos, em Ilha Comprida, “seo” Pedro e eu fomos pescar num riozinho e rimos bastante por não apanhar um só peixe e também nos lembramos dos irmãos pescadores: Simão Pedro e André.

Semelhantemente ao convertido de Damasco, o professor Singer ou Paulo Singer, como muitos o chamávamos,foi um operário que se tornou intelectual. Se aquele – que dominava as culturas: judaica, grega e romana – deixou de ser rabino para voltar a trabalhar como tecelão, este deixou de ser metalúrgico para se tornar um grande docente e pesquisador, porém sem perder a simplicidade operária. Tal como o jovem Timóteo foi para Paulo de Tarso, eu também, felizmente, pude ser para o professor quanto à economia solidária, tema sobre o qual organizamos um livro e atuamos juntos. Enfermo, pude visitá-lo várias vezes, até duas semanas antes do seu falecimento.

“Seo” Pedro e Paul Singer só estiveram juntos, no mesmo ambiente e com suas respectivas esposas, quando me casei com Margareth, mas nós não tivemos oportunidade de apresentar um ao outro.

Com um ano de diferença, ambos nasceram no mês de março: “seo” Pedro no dia 24 e Paul Singer em 28, tendo eu, felizmente, podido falar por telefone com aquele e presencialmente com este nessas datas em 2018, quando desencarnaram. Tenho dito e já escrevi que Singer, que se dizia ateu, foi muito generoso e a pessoa mais espiritualizada conhecida por mim nesta existência. Pouco depois da desencarnação de “seo” Pedro, conversei outra vez com sua esposa dizendo que ele foi a pessoa mais amorosa que conheci.

Aquele, com semelhanças a Simão Pedro e este a Paulo de Tarso, são para mim, realmente, grandes referências e amigos espirituais.

Notas:

1) Professor de sociologia da UFSCar, colaborador do paulistano Núcleo Espírita Coração de Jesus (NECJ), com origem e formação no Núcleo de Estudos Espíritas Apóstolo Mateus (NEEAM).

2) Página eletrônica do GEECX: http://grupochicoxavier.com.br/a-economia-solidaria-no-livro-paulo-e-estevao/

 

O Livro dos Médiuns completa 160 anos

O Livro dos Médiuns completa 160 anos

Antonio Cesar Perri de Carvalho

As informações sobre o lançamento de O livro dos médiuns foram publicadas em Revista espírita1, periódico mensal administrado por Allan Kardcec.

Na edição de janeiro de 1861 o Codificador informa sobre o lançamento, e, no mesmo ano, na edição de do mês de novembro, a Revista espírita traz duas notícias sobre O livro dos médiuns. A queima desse livro no “Auto de Fé de Barcelona” e o lançamento da 2ª edição da obra. Kardec considera a segunda edição “muito mais completa que a precedente: encerra numerosas instruções novas muito importantes e vários capítulos novos. Toda a parte que concerne mais especialmente aos médiuns, à identidade dos Espíritos, à obsessão, às questões que podem ser dirigidas aos Espíritos, as contradições, aos meios de discernir os bons e os maus Espíritos, a formação das reuniões espíritas, às fraudes em matéria de Espiritismo, recebeu desenvolvimento muito notáveis. No capítulo das dissertações espíritas, adicionamos várias comunicações apócrifas, acompanhadas de observações adequadas a dar os meios de descobrir a fraude dos Espíritos enganadores, que se apresentam com falsos nomes. Devemos acrescentar que os Espíritos reviram a obra inteiramente e trouxeram numerosas observações do mais alto interesse, de sorte que se pode dizer que é obra deles, tanto quanto nossa. Recomendamos com instância esta nova edição, como guia o mais completo, que para os médiuns, quer para os simples observadores.”1

Para o Codificador O livro dos médiuns é “o complemento de O Livro dos Espíritos e encerra a parte experimental do Espiritismo, assim como este último contém a parte filosófica.” Inclusive, ele colocou como subtítulo: “Guia dos médiuns e dos evocadores”.2

Nessa obra aniversariante, na 1a Parte, Kardec desenvolve “noções preliminares”, estabelecendo uma relação com temas tratados nas conclusões de O livro dos espíritos. Na 2a Parte desenvolve as informações, estudos e recomendações sobre as manifestações espíritas. Incluiu muitas instruções espirituais, inclusive marcantes mensagens de orientação assinadas por Erasto e por Timóteo. No capítulo que trata da “Formação dos médiuns”,

Kardec apresenta uma clara e incisiva conceituação sobre a finalidade da prática da mediunidade de acordo com o Espiritismo: “Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para o fim da sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade.”2

Ao completarmos 160 anos do lançamento de O livro dos médiuns, estão válidas as recomendações de Kardec expressas na obra que ele considerou “guia” para os médiuns e evocadores”.

No movimento espírita de nossos dias, é necessária a manutenção da Campanha “Comece pelo Começo”, que enfatiza o papel do estudo e da divulgação das Obras Básicas do Espiritismo: as cinco obras principais de autoria de Allan Kardec.

Fonte:

Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos médiuns. 2a Parte, Cap. XVII, item 220. FEB.

Kardec. Allan. Trad. Abreu Filho, Júlio. Revista espírita. Ano 4. 1861. São Paulo: EDICEL.

Centenário do Espiritismo em Araçatuba

Centenário do Espiritismo em Araçatuba

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Embora há 31 anos residindo fora de Araçatuba, mantemos alguns vínculos com nossa terra natal, inclusive com o movimento espírita local e regional. Afinal de contas desde tenra idade por lá militamos nas ações espíritas de assistencial social, mocidades, centros e de união durante algumas décadas.

Neste ano acontece o Centenário do Espiritismo em Araçatuba e vêm à tona muitas lembranças dos pioneiros que chegamos a conhecer, de várias lideranças e das diversas instituições espíritas da cidade.

No início de 1975 foi editado pela União Municipal Espírita de Araçatuba o primeiro livro de nossa autoria – O espiritismo em Araçatuba, contando com apresentação de Francisco Martins Filho. Nessa obra historiamos a origem dos núcleos espíritas, das ações assistenciais, dos movimentos jovens e dos esforços de unificação em Araçatuba.

Nessa publicação incluímos os dados biográficos dos vultos espíritas da cidade e uma entrevista com o pioneiro Gedeão Fernandes de Miranda (1894-1991), na época com 80 anos de idade, fundador da primeira instituição da cidade, aos 21 de abril de 1921, a União Espírita Paz e Caridade. A cidade contava apenas 13 anos de fundação. O referido Centenário é assinalado pela data de fundação dessa instituição, que mantém o Abrigo Ismael.

Assim, tivemos contatos com vários vultos pioneiros e seus familiares. Entre esses, além de Gedeão Fernandes de Miranda, conhecemos Ugolino Dall’Oca (1883-1968), imigrante italiano que chegou em Araçatuba em 1916. Sua família teve ação destacada no movimento espírita da cidade. Não chegamos a conhecer Benedita Fernandes, mas desde a infância ouvíamos referências a esse vulto benemérito no seio de nossa família e no movimento espírita local.

Como comemoração desses 100 anos do Espiritismo em Araçatuba, embora limitada pelo distanciamento social em virtude da pandemia, a USE Regional de Araçatuba, a editora Cocriação e o canal de internet “Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes”, promovem palestras e entrevistas virtuais, colunas espíritas no jornal local Folha da Região, e foi lançada a Agenda Chico Xavier 2021 – Araçatuba, 100 anos de Espiritismo.

Essa “Agenda”, inovadora publicação de Araçatuba, além dos espaços para anotações diárias, contém mensagens e textos inspiradores de Chico Xavier, e, as principais datas comemorativas das Casas Espíritas de Araçatuba. Nas datas alusivas às instituições, há informações históricas e fotos significativas. Conta com miolo principal e capa dura espiralada da Editora EME. Uma edição especial limitada com 416 páginas.

Atualmente, o Espiritismo em Araçatuba dispõe de um bom número de instituições, vários livros publicados alusivos ao movimento local, antena retransmissora da TV Mundo Maior (FEAL) e conta com várias formas de divulgação.

(*) foi dirigente espírita em Araçatuba; presidente da USE-SP e da FEB.

QUEM, SEM SABER, TEM MAIS DE UMA RELIGIÃO

QUEM, SEM SABER, TEM MAIS DE UMA RELIGIÃO

José Reis Chaves

A Igreja do passado, porque a humanidade era ainda pouco evoluída, dizia que fora da Igreja não havia salvação. E isso criou uma crença de que todo mundo tinha que ser exclusivamente, somente católico.

Porém, posteriormente, a referida frase da Igreja foi dada, por ela mesma, como “vencida”. E o ensino de que as crianças que morriam sem o Batismo iam para o Limbo, caiu também em descrédito e foi anulado, igualmente, por ela própria.

Tomara que essas mudanças sejam prenúncios de outras novas e urgentes mudanças na Igreja, para que ela não continue diminuindo, levando muitos católicos, principalmente do Primeiro Mundo, à indiferença religiosa e à fuga para outras religiões.

É claro que os líderes religiosos têm que pregar apenas a sua religião, o que ocorre nem sempre por consciência, mas por conveniência, pois, sem isso, podem perder seu privilegiado emprego.

Assim também, por exemplo, os líderes religiosos a que nos referimos, se eles crerem na reencarnação, como sabemos de muitos desses casos, eles não podem falar, publicamente, que creem nela, uma vez que vão ter complicações profissionais.

É, pois, uma questão semelhante à do celibato obrigatório dos padres. Muitos são contrários a ele, mas não podem expressar, publicamente, essa sua opinião, antes de ela vir das altas autoridades eclesiásticas do Vaticano.

Mas o fato de religiosos ou não, pública ou ocultamente, crerem em outras doutrinas que não pertencem à sua religião, mesmo que seja apenas uma só doutrina, eles estão tendo mais de uma religião, pois, estão com um pé numa e outro pé noutra.

E, valendo-nos, outra vez, do exemplo da reencarnação, se vocês, meus queridos leitores, que me estão lendo, descobrem que ela é, realmente, uma verdade, mas que sua religião não professa, vocês, como já foi dito, de algum modo ou parcialmente, passam a ter outra religião, mas, às vezes, até mesmo inconscientemente!

E, nesse caso, vocês deixam de ser numa doutrina religiosa passivos para serem ativos. É o que acontece também com as crianças a respeito do Papai Noel. Antes, elas, passivamente, sofrem a ação de crerem nele. Depois, mais amadurecidas no entendimento da verdade sobre ele, elas desbancam o Papai Noel de ser ativo para ser passivo, já que ele, de presenteador, se torna o próprio presente, e até sem que elas o percebam, pois, isso acontece como se fosse automaticamente!

E, com a aceitação de outras doutrinas religiosas estranhas à nossa religião, ocorre também fato semelhante, pois, as próprias verdades doutrinárias novas se impõem, por si mesmas e, às vezes, até mesmo sem que percebamos que elas são contrárias à nossa religião. E são essas pessoas que estão mais próximas do verdadeiro rebanho de um só Pastor!

PS: 1) Tradução do Novo Testamento completo por este colunista, contato@editorachicoxavier.com.br (31) 3635-2585; 2) e, com ele também: “Presença Espírita na Bíblia” na TV Mundo Maior.

O novo ano

O novo ano

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O início de um novo ano sempre enseja esperanças de melhorias e expectativas de num mundo melhor. Esse é sempre o desejo natural de todos, mas há de se convir que um novo ano é uma mudança formal no calendário e naturalmente, na prática, é uma sequência de fatos e compromissos que vêm se desenrolando.

O ano de 2020 foi assinalado pela terrível pandemia do COVID-19. Um fato inimaginável que provocou o maior distanciamento social e as crises advindas dessa situação, que abrangem todas as áreas do mundo, gerando crises ainda nem todas plenamente mensuráveis.

Nos últimos meses do ano surgiram as vacinas, fruto do acelerado desenvolvimento científico e tecnológico. Mas a aplicação delas nos vários países está sujeita a questões políticas, econômicas e de logística. Já se sentiu que as estratégicas políticas nem sempre estão compromissadas com o bem estar geral das populações. Fica claro que as campanhas nacionais de vacinação em massa e das consequentes imunizações poderão ultrapassar o período do novo ano.

A essa altura já podemos imaginar que no novo ano apenas será iniciado um processo de controle da pandemia pelas vacinas. Sem dúvida advirão consequências e busca de soluções nas áreas políticas, econômicas, sociais, educacionais, de saúde, e, com relações com o próprio movimento espírita.

Em todos os cenários, são homens encarnados os responsáveis pelas decisões e ações. E estão imbricadas as questões vinculadas aos limites da compreensão humana.

A leitura atenta da obra “A Gênese”, de Allan Kardec contém considerações significativas sobre decisões relacionadas com o movimento espírita e a Civilização em geral.

No Cap. I encontra-se a anotação: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem”.

No final da obra, no Cap. XVIII, ao abordar “Sinais dos tempos”, o Codificador destaca: “A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres.”

Na base de tudo, podemos afirmar que o livre-arbítrio e o real compromisso de aprimoramento moral e espiritual dos homens serão os definidores das esperadas transformações que poderão se fortalecer num novo e melhor ano.

Que o ano novo seja melhor para todos nós!

O Espiritismo e o Natal de Jesus

O Espiritismo e o Natal de Jesus

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Por ocasião das comemorações do nascimento de Jesus vem à tona a visão espírita sobre Jesus. O Espiritismo, fundamentado nas Obras Básicas de Allan Kardec, é a chave interpretativa para compreendermos o papel do “tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”, de acordo com O livro dos espíritos.

O espírito Emmanuel, no livro A caminho da luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, esclarece sobre o preparo para o nascimento de Jesus, notadamente nos comentários sobre “O século de Augusto”.

O evangelista Lucas registra o anúncio do nascimento de Jesus: uma informação espiritual. Aliás, como muitos episódios assinalados nas ações e as chamadas curas praticadas por Jesus. E essas relações prosseguiram e foram registradas pelos evangelistas ao descreverem a atuação de Jesus. Allan Kardec analisa os “milagres” na obra A Gênese. As aparições do Cristo após a crucificação representaram um marco de fundamental importância para a valorização e consolidação de seus ensinos e também para reanimar os discípulos e seguidores que ficaram abalados e até temerosos após a condenação e a execução do Mestre. Vários autores são unânimes na afirmação de que os episódios das aparições foram fatores impactantes para se firmar as propostas cristãs.

Um dos principais divulgadores do Espiritismo na França – Léon Denis -, entre várias obras, escreveu Cristianismo e Espiritismo, onde destaca fatos marcantes – as relações com os espíritos dos mortos – ligados aos discípulos do Cristo.

No conjunto da obra de Francisco Cândido Xavier, o exegeta Emmanuel e o espírito Humberto de Campos claramente elucidam a significação do Cristo para nós e do marco que ele representa para a Humanidade: “a porta”, “caminho, verdade e vida” e a “luz do mundo”!

Interessante o registro de João sobre a colocação do Cristo: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, encontrará a pastagem.”

Ao apresentar O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec comenta: “Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral só são ininteligíveis, parecendo alguns até irracionais, por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido.”

As duas figuras – porta e chave – foram reunidas e comentadas em significativa mensagem do espírito Emmanuel, concluindo: “Jesus, a porta. Kardec, a chave”. Que o Natal de Jesus contribua para se evocar a essência dos seus ensinamentos à luz do Espiritismo!

Fonte:

Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. Cap.1.2. Matão: O Clarim. 2020.(com citações de Kardec, Denis, Herculano Pires, Humberto de Campos, Emmanuel).

Os preparativos para o Natal de Jesus

Os preparativos para o Natal de Jesus

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Às vésperas das comemorações do nascimento de Jesus são oportunas algumas lembranças relacionadas com sua ação e ensinos.

A sua romagem terrena foi planejada. O espírito Emmanuel, no livro A caminho da luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, faz a análise sob a ótica espiritual e destacamos do item designado “O século de Augusto”:

“[…] eis que ia cumprir-se a missão do Cristo, depois de instalados os primeiros Césares do Império Romano. A aproximação e a presença consoladora do Divino Mestre no mundo era motivo para que todos os corações experimentassem uma vida nova, ainda que ignorassem a fonte divina daquelas vibrações confortadoras. Em vista disso, o governo de Augusto decorreu em grande tranquilidade para Roma e para o resto das sociedades organizadas do planeta. Realizam-se gigantescos esforços edificadores ou reconstrutivos. Belos monumentos são erigidos. O espírito artístico e filantrópico de Atenas revive na pessoa de Mecenas, confidente do imperador, cuja generosidade dispensa a mais carinhosa atenção às inteligências estudiosas e superiores da época, quais Horácio e Vergílio, que assinalam, junto de outras nobres expressões intelectuais do tempo, a passagem do chamado século de Augusto, com as suas obras numerosas.”1

Na mesma obra, Emmanuel assinala um momento importante da evolução terrestre:

“Examinando a maioridade espiritual das criaturas humanas, enviou-lhes o Cristo, antes de sua vinda ao mundo, numerosa coorte de Espíritos sábios e benevolentes, aptos a consolidar, de modo definitivo, essa maturação do pensamento terrestre.”1

E considera como fatores: “[…] os pródromos do Direito Romano e a organização da família assinalavam o período da maioridade terrestre. […] A Terra não podia perder a sua posição espiritual, depois das conquistas da sabedoria ateniense e da família romana.”1

Era chegado o momento para a vinda do Cristo:

“[…] As legiões magnânimas do Cristo aprestam-se para as últimas preparações de seus gloriosos caminhos na face do mundo. O Evangelho deveria chegar como a mensagem eterna do amor, da luz e da verdade para todos os seres.”1

No tocante à “maioridade terrestre” alcançada no período de Augusto, Emmanuel se refere aos progressos da família romana e lamenta a posterior decadência: “Que gênio maldito imiscuiu-se nessa organização sublimada em seus mais íntimos fundamentos, devorando-lhe as esperanças mais nobres, corrompendo-lhe os sentimentos, relaxando-lhes as energias?”1

O “século de Augusto” e o momento da “maioridade terrestre” foram períodos marcantes na história da Humanidade e como uma preparação para a atuação do Cristo.

Nos dias do nascimento de Jesus, os espíritos – identificados como “anjos” -, anunciaram:

“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2, 10-11).

O nascimento – Natal de Jesus -, foi assinalado com informação de natureza espiritual. E essas relações prosseguiram e foram registradas pelos evangelistas ao descreverem a atuação de Jesus. Que a preparação para o nascimento e o anúncio de grande alegria possam nos inspirar a buscarmos nossa maioridade espiritual e representar momentos de expectativas e esperanças para todos nós!

Fonte:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. Cap.1.2. Matão: O Clarim. 2020.

Cenários do movimento espírita

Cenários do movimento espírita

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Os estudos sobre acordos de união devem se relacionar com a avaliação e análise de cenários do movimento espírita atual. O movimento requer reflexões continuadas. Afinal de contas são sempre válidas algumas indagações: o que pretendemos? para onde vamos?

Algumas situações identificáveis em instituições espíritas de nossos dias merecem ser analisadas:

- Como se desenvolver valores como os da simplicidade, fraternidade e solidariedade legítimos andam pouco valorizados.

- Nos Centros Espíritas, como se desenvolve o atendimento espiritual dos que chegam? Como ocorre o acolhimento, consolo, esclarecimento e orientação?

- Mesmo sendo indiscutível a necessidade do estudo doutrinário, não poderia estar ocorrendo uma espécie de ambiente de escolarização formal na oferta e na relação entre os vários cursos doutrinários disponibilizados nas instituições espíritas? E o que dizer dos casos em que ocorrem certificações, como emissão de certificados?

- Algumas nuances da escola de Alexandria em geral e do Didaskaleion (escola para catequistas), do século III, não poderiam estar sendo reavivadas em formas de preparo de evangelizadores para a infância e de “instrutores” de cursos sobre mediunidade?

- Em relação à prática da mediunidade e a pretexto do preparo com base no estudo, de certa forma não estaria sendo cerceada por muitas normas e pré-requisitos?

- Não haveria o risco de se criar uma espécie de hierarquia entre os que completaram uma sequência de cursos doutrinários para poderem assumir coordenação de atividades e participação na gestão de grupos e de instituições espíritas?

- Até que ponto o trabalho apenas em nível cognitivo é válido? Ou são cabíveis propostas e ações efetivas para o cultivo de valores e sentimentos?

- As polêmicas a respeito da natureza do Cristo – à semelhança do docetismo –, não poderiam ser substituídas pela ênfase ao objetivo do ensino moral que Allan Kardec define em O evangelho segundo o espiritismo?

- No caso de livros espíritas, há situações em que as citações de versículos do Novo Testamento (ou de partes deles, as perícopes), originalmente utilizadas em obras nacionais e estrangeiras, foram substituídas por outras traduções bíblicas de diferentes das adotadas pelo autor. Isso não lembraria as alterações dos copistas religiosos do passado?

- Poderia estar ocorrendo uma eventual tendência de comercialização dos chamados “produtos espíritas”, como os livros e até de ingressos pagos para seminários doutrinários?

- Muitas instituições estariam perdendo o caráter espírita, inclusive em textos dos Estatutos, para assegurarem convênios com governos. Deve-se lembrar que – pela Constituição – o Estado brasileiro é laico, portanto ações assistenciais e promocionais subvencionadas por governos não podem ter características religiosas. O que seria mais importante, o compromisso espírita ou o atrelamento a projetos de governos?

- Parece estar havendo tendência de idolatria a médiuns, expositores e alguns dirigentes?

- Com referência aos congressos espíritas, há vários indícios de tendências de elitização, ou, pelo menos, de dissociação da realidade do movimento espírita. Escolha de recintos, muitas vezes pomposos e de alto custo de locação. Existência de “salas vip” para atendimento de convidados. Em alguns casos, até agentes de segurança cercando convidados. Comercialização de muitos produtos, lembrando até “feiras”, incluindo livros não necessariamente espíritas. Eventos planejados para gerar fonte de receita para a entidade promotora. Valores de taxas de inscrição altos, em geral acima das condições do espírita em geral. O ambiente de fraternidade, simplicidade e espontaneidade ficam diminuídos.

- Qual o critério, como se processa a escolha de representantes das instituições espíritas para a composição de conselhos e direção das entidades federativas?

Face a essas questões surge a indagação maior: qual o papel das entidades federativas estaduais, do Conselho Federativo Nacional da FEB e da própria Federação Espírita Brasileira, no sentido de favorecer ou de promover a profilaxia dessas situações apontadas? Como cidadãos do século XXI, observamos que no mundo dinâmico em que vivemos sucedem-se mudanças e inovações. Especialistas em gestão e transformações recomendam a valorização de novos talentos, nova cultura e novas formas de fazer as coisas, inclusive não se desprezando receios e preocupações.

Transcrito de:

Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? Cap. 6.1. Capivari: EME. 2018

Um imprescindível esclarecimento feito por Denis e Singer

Um imprescindível esclarecimento feito por Léon Denis e Paul Singer

André Ricardo de Souza (*)

Após a desencarnação de Allan Kardec, em 1869, León Denis (1846-1927) se tornou talvez o maior propagador do espiritismo, tendo sido este francês da aldeia de Foug, próxima à cidade de Tours, fiel à codificação do grande compatriota de Lyon.

Por sua vez, o economista Paul Singer (1932-2018), judeu austríaco de Viena e emigrado ao Brasil com sua mãe aos oito anos de idade, devido à perseguição nazista, foi docente da Universidade de São Paulo e também gestor de relevantes políticas públicas. Tendo sido meu professor e amigo próximo, Singer foi a pessoa mais espiritualizada que conheci nesta existência. Foi também o grande ideólogo e incentivador de um amplo conjunto de experiências de produção, consumo e crédito pautadas por princípios igualitários e democráticos. Tal conjunto tem o nome de economia solidária.

Uma experiência desse tipo é relatada no principal livro psicografado por Francisco Cândido Xavier, de 1941,conforme apontado por ele próprio: Paulo e Estêvão . [1]

Ambos, Denis e Singer, nasceram em famílias materialmente pobres, trabalharam ainda muito jovens, como operários, antes de se tornarem intelectuais. Também se dedicaram à causa do cooperativismo autogestionário, marcado pela distribuição tão equitativa quanto possível dos ganhos entre todos os membros (Nobre, 1982; Soares, 1984; Souza, 2018; Santos; Nascimento, 2018). Contudo, não creio que este tenha sido reencarnação daquele.

Outra semelhança entre eles é a crítica ao pensador e ativista alemão Karl Marx (1818-1883). León Denis rejeitou peremptoriamente a ideia marxista do “ódio entre classes sociais”, enfatizando a educação, em vez do conflito, como caminho para a positiva transformação da sociedade. Por seu turno, Paul Singer – que estudou profundamente,junto com outros pesquisadores uspianos, os textos de Marx -veio a apontar, já em sua maturidade, que eles não davam conta das condições necessárias para a equilibrada e perene transformação social.

Abro aqui um fundamental parêntese para dizer que a palavra cristianismo ainda causa temor e ojeriza em pessoas de determinados lugares do planeta devido às terríveis ocorrências históricas: Cruzadas e Inquisição, além do intolerante fundamentalismo que subiste. Continua, portanto, representando algo destruidor nesse imaginário.

Todavia, como bem sabemos, o cristianismo – tal como iniciado pelo Nosso Senhor Jesus Cristo e revivido por grandes missionários como Francisco de Assis, Matinho Lutero, Allan Kardec, Bezerra de Menezes, Marthin Luther King, Teresa de Calcutá, Chico Xavier e Papa Francisco – nada tem de destruidor, muito pelo contrário.

É preciso também dizer com todas as letras que tanto León Denis quanto Paul Singer dedicaram seus escritos e, mais que isso, suas vidas à busca de algo que também gera, ainda hoje, grande confusão interpretativa: o socialismo. Cada qual a seu modo escreveu a respeito e buscou efetivamente o socialismo fraterno, aquele que prima pela liberdade e é necessariamente democrático. Isso está presente no livro de Denis, decorrente de artigos editados na Revista Espírita em 1924: Socialismo e Espiritismo, publicado em 1982 no Brasil .[2] Trata-se de uma obra realmente importante e bela que ainda é negligenciada por parte do movimento espírita devido ao enviesado conhecimento do tema.

E está presente também no principal livro de Paul Singer: Utopia militante: repensando o socialismo, de 1998. Nesta obra, com base em dados históricos bem documentados, ele rejeita a ideia de socialismo centralmente planejado e autoritário, que é implantado mediante revoluções políticas. Como alternativa, Singer delineia o processo de‘revolução social’ que levou à passagem do feudalismo ao capitalismo industrial. E aponta para a possibilidade de um caminho de transformação lenta – com base em mudanças culturais – para o socialismo democrático, que ainda não existe e no qual o mercado seguirá tendo papel social importante, mas não tirânico e excludente, dado seu equilíbrio com o Estado e havendo nele destaque para a economia solidária. É preciso dizer que, tanto no pensamento de Denis quanto no de Singer, não está presente a ideia de igualdade absoluta entre todos os indivíduos e tampouco a privação da liberdade de nenhum deles.

Em consonância ainda, cabe lembrar que Emmanuel, o mentor espiritual de Chico Xavier, também tratou desse tema em quatro importantes obras, chegando a usar a expressão “socialismo cristão do porvir” . [3]

Danosas distorções, práticas infelizes e o decorrente medo, como visto, tornaram o cristianismo erroneamente interpretado, sendo que o mesmo – guardadas as devidas proporções – ocorreu em relação socialismo, termo, equivocadamente, abominado ainda por grande da população. Tal medo, muitas vezes, gera hostilidade e, grosso modo, prossegue sendo instrumentalizado politicamente. Mas, graças a Deus, os também missionários León Denis e Paul Singer, além de Emmanuel, nos auxiliam decisivamente na desmistificação e no esclarecimento a respeito.

Referências bibliográficas:

DENIS, León. Socialismo e Espiritismo. Matão, O Clarim, 1982.

NOBRE, Freitas. Prefácio. In: DENIS, León. Socialismo e Espiritismo. Matão, O Clarim, 1982.

SANTOS, Aline Mendonça; NASCIMENTO, Claudio. Paul Singer: democracia, economia e autogestão. Marília, Lutas Anticapital, 2018.

SINGER, Paul. Uma utopia militante: repensando o socialismo. Petrópolis, Vozes, 1998.

SOARES, Sylvio Brito. Páginas de León Denis. 2ª edição. Brasília, FEB, 1984.

SOUZA, André Ricardo de. Professor Paul Singer e a economia solidária. P2P & Inovação, v. 5, p. 43-52, 2018.

Notas:

[1] http://grupochicoxavier.com.br/a-economia-solidaria-no-livro-paulo-e-estevao/;

[2] Vale destacar um trecho do prefácio por quem foi marido de médica Marlene Nobre (1937-2015) e eminente deputado federal José Freitas Nobre (1921-1990): “Espiritismo e Socialismo estão unidos por laços estreitos, visto que o primeiro oferece ao segundo o que lhe falta a mais, isto é, o elemento de sabedoria, de justiça, de ponderação, as altas verdades e o nobre ideal sem o qual este último corre o risco de permanecer impotente ou de mergulhar na escuridão da anarquia.”

[3] Livros: Emmanuel, de 1938 (capítulo 21, terceiro parágrafo); A caminho da luz, de 1939 (capítulo 24, segundo item); O Consolador, de 1941 (questões:55 a 57); Caminho, verdade e vida, de 1949 (lição 61).

 

(*) O autor é professor de sociologia da UFSCar, colaborador do paulistano Núcleo Espírita Coração de Jesus e organizador, com Pedro Simões, dos livros: Espiritualidade e espiritismo (Porto de Ideias, 2017) e Dimensões identitárias e assistenciais do espiritismo (Appris, 2020). 

Problemas sociais, institucionais e pessoais na pandemia

Problemas sociais, institucionais e pessoais na pandemia

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A pandemia do COVID-19 provocou alterações em todos os níveis do cenário mundial. As prudentes orientações sanitárias de distanciamento social são indispensáveis e em algumas situações chegam ao nível de blecaute.

Em consequência surgiram problemas pessoais, sociais e familiares, envolvendo questões psicológicas, espirituais, educacionais, econômicas e financeiras.

A prolongada reclusão doméstica, a enorme quantidade de mortos e contagiados, a natural insegurança e até medo da morte, culminam levando a um cenário de “luto”. As teorias e propostas de solidariedade e fraternidade sugerem equacionamentos adequados, mas a prática permanece complicada dentro de contexto tão sério e comprometendo as pessoas em todos os seus ambientes de convivência.

Parcela considerável da população tem dificuldades de sobrevivência física e de acesso à saúde. Muitas famílias entraram em dificuldades em função de desempregos, diminuição e quase ausência de rendas.

Por outro lado, sente-se claramente as posições de autoridades negacionistas das questões básicas de prevenção de contágios e alguns até com imagem de indiferença com a dor provocada pelas mortes ou pelos pânicos em torno das mesmas. Até as providências de vacinações vem sendo objeto de polêmicas e de disputas políticas, desfocando-se das medidas técnicas e científicas.

Ou seja, falta apoio e orientação à população em geral e o cenário é muito conturbado.

Em função desse quadro preocupante e às vezes desolador, há problemas vividos pelos espíritas como cidadãos, no contexto de suas famílias, e também à vista das necessidades de subsistência das instituições a que são vinculados.

Se numa grande cidade, alguém fizer uma caminhada à guisa de exercício, se defrontará com abordagens seguidas de pedintes solicitando-se auxílios. Pelo whatsapp e pelas redes sociais em geral, há campanhas de instituições de várias regiões. Algumas chegam a solicitar compartilhamentos e indicações de espíritas de várias partes para encaminharem suas campanhas. No fundo, não percebem que todas instituições dos vários Estados e países certamente também enfrentam dificuldades financeiras.

E, sem dúvida, alguns frequentadores e colaboradores de centros podem estar passando por momentos delicados, além de estarem isolados da antiga salutar convivência fraterna. Há apelos e até pressões de todas as formas e em todos os momentos. Será que as instituições não deveriam se circunscrever a campanhas viáveis interna corporis, sem divulgação pelas redes sociais?

Por outro lado, as novas alternativas para os vários tipos de comunicação – reuniões e estudos – on line, multiplicam-se, mas devem respeitar valores morais e espirituais.

Fato interessante é que agora se concretiza a alternativa das instituições economizarem, sem o ônus financeiro para se garantir viagens e hospedagens de expositores convidados.

Todavia, as novidades levam a exageros. A nosso ver, as “lives” de caráter pessoal merecem uma análise especial. Isso porque surgem aquelas com recursos de “impulsos” e “turbinamentos” pagos para se ampliar a disseminação de mensagens nas redes sociais, e, observamos com muitas reservas e dúvidas os objetivos desses procedimentos que visam o crescimento numérico de “seguidores” e o emprego de plataformas do chamado marketing digital, muito empregado em meios empresariais.

Frente a questões tão delicadas, cabem muitas reflexões e avaliações. Para isso o Espiritismo dispõe de subsídios infindáveis, mas é necessária uma atenção na mensagem prevalente em O Evangelho segundo o Espiritismo. Evidentemente que há orientações e recomendações gerais para as premissas da fraternidade e da solidariedade, mas o saberes sobre o sentir, ouvir, adequar e agir serão muito importantes para se analisar caso a caso as problemáticas das pessoas e das instituições espíritas.

Dentro dos parâmetros espíritas e cristãos há meios para se rever posturas e ações, do âmbito pessoal até o social, mas as doses e o “timing” são variáveis e não se pode generalizar ou se padronizar.

Tempos difíceis: momentos para análises, avaliações e reflexões!

Como reflexão sugestiva para as superações: “As dificuldades de qualquer natureza são sempre pedras simbólicas, asfixiando-nos as melhores esperanças do dia, do ideal, do trabalho ou do destino, que recebemos na glória do tempo. É necessário saber tratá-las com prudência, serenidade e sabedoria” – Emmanuel1 .

1) Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Vida em vida. Cap. Pedras. São Paulo: IDEAL.