Doutrina Espírita com base na Bíblia

Doutrina Espírita com base na Bíblia

José Reis Chaves

- Resposta a um comentário de uma coluna no portal do jornal

O Tempo -

Abordaremos um comentário, no ‘espaço dos comentários’ dessa coluna, no Portal de O TEMPO. Como as matérias dela demonstram o que é a doutrina espírita com base na Bíblia, ela incomoda muito os adversários do espiritismo. Quero esclarecer que não sou um aventureiro nas minhas abordagens bíblicas, pois estudei para padre Redentorista e, para fazer o trabalho que faço hoje, procurei me aprofundar mais ainda no estudo da Bíblia e da Teologia Cristã, mas sem as ideias preconcebidas sobre as interpretações de ambas.

Os paradigmas novos sempre incomodam os adeptos conservadores dos antigos, principalmente os religiosos. Mas a verdade religiosa se concretiza exatamente com a sua evolução. E ninguém consegue barrar a evolução. E, por causa dessa coluna em O TEMPO, desde o ano de 2.000, meus livros, programas na Rádio Boa Nova e na TV Mundo Maior, ambas em SP, tenho feito palestras e seminários, em vários Estados do Brasil, e em Portugal. Alegro-me muito, por ela ser muito lida não só pelos espíritas, mas também, por padres, bispos e pastores e que frequentam também aquele espaço dos comentários do citado fórum na Internet.

E repito que não sou um aventureiro que fala sobre a Bíblia sem ter dela um estudo sério, mas sem os abusos comuns de suas interpretações pelos estudiosos dela, ora alegóricas, ora literais, que tanto dividem os cristãos. E falo com convicção que a Bíblia não é a palavra de Deus, pois nela há muitos erros e contradições que é até uma blasfêmia atribuí-los à autoria de Deus. Aplaudo o que diz hoje a Igreja Católica: a Bíblia é a palavra de Deus escrita por homens.

No espiritismo encontramos também ensino semelhante a esse da rainha das igrejas cristãs. Com relação à coluna “A modernização da Bíblia é para tirar dela as ideias espíritas”, de 18/6/2018, esclareço que quando a Bíblia fala que Deus castiga, premia ou perdoa, na verdade é a lei de causa e efeito que funciona. Colhemos o que semeamos!

Na citada coluna, entre outros exemplos, citei Êxodo 20: 5, em que se lê, nas Bíblias antigas até a década de 1930:

“Visito a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira (netos) e quarta (bisnetos) gerações,” como está também na Vulgata Latina de são Jerônimo. Isso significa que é o mesmo espírito do pai pecador (primeira geração) que paga o pecado reencarnando nos seus descendentes, o que sugestiona a ideia da reencarnação. É que o autor bíblico do texto vê como pecador o espírito do pecador e não o seu corpo e os corpos descendentes dele. E os tradutores modernos, percebendo essa ideia da reencarnação do espírito pecador que retorna, passaram a traduzir a preposição ‘em’ mais o artigo ‘a’ (na) por ‘até’ mais o artigo ‘a’ (até a). Aí sim, é que aparece a ideia de descendentes pagarem os pecados de um seu antepassado, o que é contra a Bíblia. A alma que pecar é que paga seu pecado. (Ezequiel 18: 20).

E um comentarista evangélico radical, no fórum citado, na internet, para despistar a ideia da reencarnação do texto antigo mencionado, teve a ousadia de dizer que o pecado é de idolatria. Ora, na coluna, não interessa o tipo de pecado, mas o pagamento pelo mesmo espírito pecador do passado, do ponto de vista espiritual bíblico e não material, ou seja, dos corpos! Esse comentarista evangélico, em vão, engana seus seguidores, tentando esconder mais uma ideia da reencarnação na Bíblia!

(J.Reis Chaves, Belo Horizonte: jreischaves@gmail.com)

HERDAR A TERRA

HERDAR A TERRA

Richard Simonetti

– Crime horroroso cometeu aquele sujeito! Embriagado, avançou o sinal, atropelou e matou três inocentes! Devia existir pena de morte para essa gente!

– Seria pouco! Se eu estivesse ali participaria com satisfação de um linchamento. O miserável merecia morrer junto com suas vítimas!

– Mundo violento este em que vivemos! Você leu sobre a mulher que agrediu o amante que pretendia deixá-la? Aproveitou o momento em que dormia para dar-lhe uma violenta martelada na cabeça! O infeliz não morreu mas terá seqüelas que complicarão sua vida.

– É um horror estarmos sujeitos às loucuras de gente dessa laia, que por um nada pensa em matar. Deviam cortar-lhe a mão para aprender a respeitar as pessoas.

– Seria um castigo exemplar!… E há os desonestos que nos enganam para tirar proveito…

– Estou bem atento a esses salafrários. Comigo não tiram vantagem. Noutro dia falei poucas e boas a uma mulher sacudida que pedia esmola à minha porta, a pretexto de comprar leite para seu filho.

– Não sei onde vamos parar! O problema está em nossos próprios lares. Minha filha apaixonou-se por um mau caráter que se atreveu a beliscá-la, movido por ciúmes. Dei-lhe umas boas bordoadas para aprender a respeitar as pessoas.

– Não raro tenho ganas de fazer o mesmo com alguns subordinados, em minha atividade profissional. São incompetentes e relapsos! Contenho-me, mas não deixo de dar uns bons berros para que cumpram seus deveres.

– É o que faz minha mulher na escola. Diz ela que os alunos são tão impertinentes que ao final da aula está afônica de tanto gritar. Impõe disciplina com braço de ferro.

– Creio que a Terra só vai melhorar quando houver a separação do joio e do trigo de que fala Jesus e essa gente for banida de nosso planeta. Então viveremos melhor, como ensina a Doutrina Espírita.

– Deus o ouça. Espero que aconteça logo. Detesto gente agressiva! Não gostaria de reencarnar num mundo tão violento como o nosso!

***

Interessante diálogo, bem ilustrativo das tendências do homem comum, não é mesmo, amigo leitor?

E quanto a Jesus, o que diria?

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.”- Sermão da Montanha, Mateus, 5:5.

Extraído de: Boletim Notícias Espíritas do dia 04 de Julho de 2018.

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Desdobramentos iniciais

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Desdobramentos iniciais

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Em continuidade ao artigo inicial sobre Instituição Nosso Lar, de Araçatuba (http://grupochicoxavier.com.br/historico-da-instituicao-nosso-lar-primeiros-tempos/), onde resumimos a história de seus primeiros tempos, agora destacamos o desenvolvimento e desdobramentos da mesma.

Aos 7/9/1962 foi inaugurada uma extensão de Nosso Lar, que recebeu o nome de Casa Transitória, situada à rua José Domingues de Almeida no. 410, sendo um local também destinado a albergar transitoriamente famílias. Neste local era realizada uma reunião pública de explanações, como na Instituição Nosso Lar, às 3as. feiras à noite.

Com a desencarnação de Emília Santos, ocorrida aos 26/9/1964, as Aulas de Moral Cristãs foram assumidas por Antonio Cesar Perri de Carvalho que já colaborava com ela. Em 15/11/1964, este fundou a Mocidade Espírita Irma Ragazzi Martins, sendo seu primeiro presidente, congregando dezenas de jovens ligados às famílias dos colaboradores e de frequentadores do bairro, integrando-os nas atividades da Instituição, inclusive de visita em apoio a lares do bairro. Os jovens passaram a realizar mensalmente na cidade a “Campanha do Quilo”, para angariação de alimentos para a Instituição. Veio a ser a primeira mocidade como departamento de uma instituição, pois até então elas eram autônomas. Do início desta Mocidade emergiram vários futuros dirigentes e colaboradores de Nosso Lar e de outras instituições e também expositores como, na turma de fundadores: Ismael Gobi, Neusa Gobi, Sônia Gobi, Barcelo Ângelo Cintra, Olga Ângelo Cintra, Eloína Ângelo Cintra, Fernandina Pedroso, Antonieta Maria Cristina Perri de Carvalho Barcelos, e, em seguida, Paulo Sérgio Perri de Carvalho, Osvaldo Rodrigues da Fonseca Filho e Hélio Poço Ferreira. A Instituição Nosso Lar foi sede de vários eventos de jovens, reunindo as Mocidades Espíritas da cidade.

No dia 1º de janeiro de 1966, em reunião festiva proferida pelo confrade José Rubens Braga da Silva, e com convidados da cidade, foi inaugurada a Casa da Sopa Emília Santos, sita à rua São Vicente no. 336. Esta instituição passou a oferecer sopa diariamente a pessoas sem lar, moradores de rua e hospedados no Albergue Noturno da cidade. Foram dedicados zeladores o casal Auzília e Pedro Gobi. Como campanha em benefício da construção da Casa da Sopa, foi editado em 1965 um pequeno livro – Gotas espirituais -, uma coletânea de frases espíritas, realizada por José Rubens Braga da Silva, e impresso na Gráfica Araçatubense, de propriedade do casal Edwiges (Bijú) e Honório de Oliveira Camargo, tios dos irmãos Rolandinho e Bebé. Colaboramos com o desenho da capa.

Ainda no final dos anos 1960, a rua “R”, onde se localiza a Instituição Nosso Lar, passou a ser designada Rua Emília Santos.

Com a aposentadoria de Rolandinho, por motivo de saúde, este passou a se dedicar em tempo integral à Instituição. Rolandinho realizava campanhas para doações para a Instituição e contava com apoio de famílias da cidade e amigos dos seus tempos de juventude. Entre os colaboradores destacamos Abílio Fernandes da Silva, recém vindo Portugal, tornou-se espírita e amigo de Emília Santos, participou da criação do Grupo de Estudos Evangélicos João Luiz dos Santos, simples e discreto, e até sua desencarnação foi um fiel apoiador de Rolandinho.

O ano de 1972 assinalou o aparecimento de duas novas atividades. Em 15 de novembro de 1972 foi inaugurado o Centro Espírita Luz e Fraternidade, ao lado da Casa da Sopa Emília Santos, o qual veio tornar pública as reuniões do Grupo de Estudos Evangélicos João Luiz dos Santos, que vinham se realizando na residência de Rolando Perri Cefaly e da qual também participávamos. Inicialmente somente havia uma reunião pública às 6as. feiras. Assim, o antigo Grupo de Estudos originou no Centro nascente. Uma semana depois, no dia 2 de dezembro de 1972, foi inaugurada a Creche e Lar João Luiz dos Santos como departamento e nas próprias dependências da Instituição Nosso Lar. Bebé, já aposentada do magistério, veio a coordenar as atividades da creche. A essa altura já estava desativada a atividade de oferecer casas/lares a necessitados na Instituição Nosso Lar e na Casa Transitória.

Na realidade existiam apenas duas instituições com personalidade jurídica: a Instituição Nosso Lar, incluindo a Casa Transitória e a Creche, e, a Casa da Sopa Emília Santos, incluindo o Centro Espírita Luz e Fraternidade. Assinalamos que as construções da Casa da Sopa, do Centro e da Creche foram de responsabilidade de Albino Marinelli, antigo construtor credenciado pelo CREA, e tio de Rolandinho e Bebé.

Essa é a síntese do esforço intenso de Rolandinho, Emília Santos, Bebé e vários colaboradores dedicados que fundaram a Instituição Nosso Lar, e que num prazo curto de tempo resultou nos desdobramentos: Casa Transitória, Casa da Sopa Emília Santos, Creche João Luiz dos Santos e Centro Espírita Luz e Fraternidade.

Observação – Fontes:

Os dados sobre as instituições e as biografias de várias pessoas citadas encontram-se em:

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. Histórico da Instituição Nosso Lar. Primeiros tempos: http://grupochicoxavier.com.br/historico-da-instituicao-nosso-lar-primeiros-tempos/

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. O espiritismo em Araçatuba. Araçatuba: UMEA. 1975;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol I). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 1999;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol II). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 2000.

Extraído do home page da Instituição Nosso Lar: http://nossolararacatuba.com.br/?page_id=8

(*) Foi um dos dirigentes da Instituição Nosso Lar, do Centro Espírita Luz e Fraternidade, presidente da USE-SP e da FEB.

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Primeiros tempos

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Primeiros tempos

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Apresentamos uma síntese sobre a origem, fundação e os desdobramentos iniciais da Instituição Nosso Lar.

Momentos prévios à fundação da Instituição No ano de 1957, em São Paulo e em seguida, ao retornar de mudança a Araçatuba, Josefina Perri Cefaly de Carvalho (Bebé) tornou-se espírita, e passou a frequentar a residência do casal Irma Ragazzi Martins e Francisco Martins Filho. Irma era médium espírita ligada à Aliança Espírita Varas da Videira. Logo depois Bebé convidou seu irmão Rolando Perri Cefaly (Rolandinho), que também se mudava da capital para Araçatuba, para conhecer as reuniões com Irma.

Nessa situação conheceram Emília Santos que visitava Irma, já enferma. Emília, embora residente em Araçatuba, há alguns anos atuava no Centro Espírita Amor e Caridade, da vizinha cidade de Biriguí. Iniciou-se uma sólida amizade entre os dois irmãos e Emília Santos. A convite desta passaram a frequentar reuniões do Centro Espírita Amor e Caridade, de Biriguí.

Rolandinho iniciava seu trabalho como propagandista (viajante) dos medicamentos da Parke Davis e viajava por toda a região Noroeste do Estado de São Paulo. Bebé havia se transferido como professora primária da capital para Araçatuba, e, coincidentemente, no mesmo Grupo Escolar onde atuava o prof. Lauro Bittencourt, espírita militante e que foi ligado a várias instituições espíritas de Araçatuba. Rolandinho e Bebé passaram a integrar uma atividade já realizada por Emília Santos e amigos em duas oportunidades do ano: época do dia de São João e do Natal, de distribuição de sanduíches na Santa Casa de Misericórdia, Casa da Criança e Cadeia Pública da cidade de Araçatuba.

Aos 30 de dezembro de 1959, na residência de Emília Santos (uma casa de fundos sita à rua 15 de Novembro), tiveram início as reuniões do Grupo de Estudos Evangélicos João Luiz dos Santos. Este Grupo que, embora criança, tivemos a oportunidade de frequentá-lo desde o início, acompanhando minha genitora Bebé e seu irmão Rolando Perri Cefaly, mais tarde veio dar origem a várias obras. O nome do Grupo homenageava o genitor de Emília Santos, espírito que se manifestava pela psicofonia da filha. Neste Grupo se estudava: O livro dos espíritos, O evangelho segundo o espiritismo, e obras de André Luiz (pelo médium Chico Xavier), então recentes; ocorriam manifestações espirituais e passes. Ao final, Emília Santos oferecia um jantar aos que pudessem permanecer no local.

Surge a Instituição Nosso Lar A equipe que se formava foi se solidificando. Em 1960 houve a experiência de levar sopa a famílias carentes em bairro periférico e surgiu a ideia de se criar uma entidade assistencial. Assim, em 7 de outubro de 1960 foi fundada a Instituição Nosso Lar, numa reunião simples que foi registrada em Ata, com a finalidade de abrigar transitoriamente famílias necessitadas e para centralizar tarefas assistenciais do citado Grupo. Registrou-se como seus primeiros dirigentes: Presidente – Rolando Perri Cefaly; Vice-presidente – Emília Santos; 1º secretário – Josefina Perri Cefaly de Carvalho; 2º secretário – Walter Perri Cefaly; Tesoureiro – Pedro Perri.

Rolandinho adquiriu uns terrenos num loteamento que era lançado em Araçatuba, na época distante da cidade, o chamado bairro Planalto, na rua “R”, travessa da extensão da rua Marcílio Dias. Ali ele providenciou uma construção bem simples. Nos primeiros anos, a Instituição era composta de um pátio interno, de forma quadrada, rodeado de casinhas muito simples e geminadas, unidas por uma varanda coberta. No lado esquerdo e atrás de uma das casas havia um pequeno salão. Ao fundo do pátio havia uma sala para a diretoria, uma pequena farmácia e uma cosinha.

A nova obra foi inaugurada aos 2 de junho de 1961 com convidados espíritas da cidade. Nas casinhas eram albergadas transitoriamente famílias que tinham necessidade de apoio para manutenção, tratamentos e obtenção de ocupação para o casal. Em função de se existirem pequenas casas/lares a Instituição era chamada carinhosamente de “vilinha”.

Aos domingos iniciou-se uma reunião pública num pequeno salão da Instituição, das 10 às 11h30. Era dirigida por Rolando, ocorriam: explanações sobre O livro dos espíritos e O evangelho segundo o espiritismo, manifestação do espírito João Luiz dos Santos pela médium Emília Santos e passes. Os expositores sobre os livros citados, respectivamente, eram Francisco Martins Filho e Lauro Bittencourt. Poucos anos depois José Rubens Braga da Silva substituiu Francisco por quase dois anos, e na sequência passou a falar Antonio Cesar Perri de Carvalho. Lauro Bittencourt foi expositor até sua desencarnação em 1970, sendo substituído pelo próprio Rolandinho. No último domingo de cada mês, ocorria a palestra de um convidado da cidade, oportunidade em falaram Sálvio Costa, Orlando Ayrton de Toledo, Alfredo Yarid Filho, Brasil Nogueira, Aurélio Luiz de Oliveira e outros companheiros. Havia apresentação de poesias e músicas de crianças e adolescentes preparados por Emília Santos. Após a reunião pública, no pátio interno ainda descoberto, era servida suculenta sopa aos moradores da Instituição e frequentadores do bairro. Por ocasião do Natal havia uma reunião festiva e oferta de um almoço especial aos frequentadores, lotando o pátio da Instituição.

Emília Santos deu início às Aulas de Moral Cristã Neio Lúcio, para crianças, realizadas antes da reunião pública. Pouco tempo depois foram adquiridos terrenos vizinhos o que veio permitir a expansão da Instituição. A Instituição era muito visitada por espíritas da região de Araçatuba. Em abril de 1962 recebeu a visita de Divaldo Pereira Franco que era um dos conferencistas de um grande conclave de jovens espíritas efetivado em Araçatuba.

Observação – Fontes:

Os dados sobre as instituições e as biografias de várias pessoas citadas encontram-se em:

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. O espiritismo em Araçatuba. Araçatuba: UMEA. 1975;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol I). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 1999;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol II). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 2000.

Extraído do home page da Instituição Nosso Lar: http://nossolararacatuba.com.br/?page_id=8

(*) Foi um dos dirigentes da Instituição Nosso Lar, presidente da USE-SP e da FEB.

Anestésico esférico

ANALGÉSICO ESFÉRICO

Francisco Habermann (*)

A história se repete. Nesta semana de abertura da Copa os olhos mundiais se voltam para a Rússia, um país que esconde enorme população vivendo abaixo do nível de pobreza.

Como aconteceu aqui, enorme investimento faz parecer o que não é ou o que não tem. Sugere, como sempre, ser oportunidade de visualização política. A experiência brasileira é amargamente sentida por todos até hoje. Ficamos com os saldos negativos da aventura dita esportiva.

Digo assim não para desestimular o entusiasmo coletivo, mas para sugerir reflexão diante de tantos problemas nacionais que emergem a cada dia em nossas vidas. Algo se esconde ainda aos nossos olhos de simples torcedores inocentes (ou bobinhos) que somos. Cito alguns. A enorme disputa pelos direitos de transmissão, envolvendo milhões; a escancarada e bilionária disputa de patrocinadores que anunciam seus produtos sem nenhum cuidado com a saúde populacional; as enriquecedoras permutas prévias de jogadores entre clubes trilionários; os escândalos já descobertos envolvendo inúmeras personalidades do meio futebolístico brasileiro e internacional. A lista é cansativa. E, ainda assim, estaremos interrompendo nossas atividades cotidianas para pregar os olhos lá na tela mágica da TV e acompanhar os nossos milionários ‘ídolos’. Parece brincadeira.

Para falar a verdade, sinto que merecemos mesmo este intervalo diante de tantos problemas nacionais que enfrentamos no dia-a-dia. Acho até que a bola rolando no campo funciona como um santo analgésico para nossas dores de cabeça. É sensação esquisita, mas é assim que funciona com nosso povo.

Acalma-nos. Isso seria suficiente? Voltaríamos mais dispostos após?

Não vejo problema na torcida, só acho que convém pensarmos bem nos nossos tão desejados êxitos outros que aguardam solução aqui nesta terra. Especialmente se tivermos a oportunidade de vencer um adversário (com a bola esférica) por sete a qualquer coisa. Seria, então,a nossa glória?

Ainda assim, resta uma pergunta perturbadora. E as outras modalidades esportivas? Teriam o mesmo entusiasmo nacional? Hummm!

É melhor deixar a bola rolar…pois gostamos de ser auto iludidos. Goool!

(*- Da Associação Médico Espírita de Botucatu)

DE: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/analgesico-esferico?xg_source=msg_appr_blogpost

Sementes

Sementes

RIchard Simonetti

Aquele homem arrojado dispôs-se a realizar portentosa façanha: medir a circunferência da Terra, pelo Equador. Obviamente, impraticável usar a fita métrica. E não contava com conhecimentos científicos avançados, nem aparelhos sofisticados ou quaisquer outros recursos tecnológicos. Não obstante, conseguiu, com relativa facilidade, realizar a proeza.

Em pleno solstício de verão, na cidade de Alexandria, verificou que ao meio-dia o Sol estava a pino. Um mastro de alguns metros de altura, não projetava sombra alguma. Naquele horário, na cidade de Siene, que fica no mesmo meridiano, constatou que o Sol estava ligeiramente perpendicular. Um mastro projetava sombra correspondente a pequeno desvio: nove graus. A partir daí, com elementar regra de três, matou a charada. Se para uma distância de mil quilômetros, que separava as duas cidades, havia um desvio de nove graus na incidência solar, a que distância corresponderia os trezentos e sessenta graus da circunferência terrestre? Resultado: quarenta mil quilômetros. Muito simples! Assombroso, se considerarmos que o autor da proeza, Erastóstenes (276-194 a.C.), matemático e geólogo grego, viveu há perto de dois mil e trezentos anos, numa época em que as pessoas sequer imaginavam que nosso mundo é uma esfera a girar.

Antes dele, filhos da mesma Grécia realizaram prodígios de inteligência e habilidade, acumulando espantosos conhecimentos: Tales de Mileto (625-546 a.C.), definiu o mecanismo das marés e dos eclipses. Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.), antecipou Darwin (1809-1882), com sua teoria das mutações das espécies. Pitágoras (580-500 a.C.), descobriu a esfericidade da Terra e seu movimento de translação. Platão (428-348 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.), e Sócrates (470-399 a.C.), estabeleceram as bases da Ciência e da Filosofia.

Misteriosamente, no espaço de algumas gerações, os gregos parecem ter perdido a fórmula para o nascimento de homens geniais. Tão avançado foi o conhecimento acumulado naqueles séculos de esplendor intelectual, que seus sucessores não conseguiram assimilá-lo, como crianças impotentes diante de um tratado de física. A esplendorosa civilização definhou e morreu.

É um desafio para os antropólogos definir as causas determinantes daquele surto breve de genialidade, que marcou para sempre a cultura helênica. Fatores climáticos, políticos, geográficos, étnicos e outros são evocados. Esforço inútil, porquanto situações semelhantes ocorreram em outros países, sem que fossem atingidos os píncaros da civilização grega.

Caberia à Doutrina Espírita decifrar o enigma, explicando-nos que reencarnaram em seu seio Espíritos dotados de grandes potencialidades intelectuais. Situaram-se muito adiante de seus contemporâneos. Superaram as limitações de sua época e deixaram aquele legado cultural que nos espanta. Houvessem vivido na mais remota província africana e, ainda assim, haveriam de pontificar. A cultura grega permaneceu latente, como sementeira em solo inculto.

Somente a partir do século XVIII, quando a Humanidade atingiu um desenvolvimento intelectual compatível, criaram-se condições para o desabrochar do legado grego, com seus frutos prodigiosos de conhecimento. Freud (1856-1939), Darwin (1809-1882) e Marx (1818-1883), que alavancaram grandes transformações sociais e científicas, abeberaram-se na cultura grega.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec situa Sócrates e Platão como precursores do Espiritismo. Muito do que a Doutrina Espírita explica hoje estava no pensamento desses dois gigantes da Filosofia, envolvendo princípios básicos como a pluralidade das existências, a imortalidade da alma, a interferência do plano espiritual, a existência de Espíritos protetores, os mecanismos da evolução…

Na abertura – Prolegômenos –, em O Livro dos Espíritos, Kardec destaca algumas orientações que recebeu de Espíritos luminares que participaram da Codificação. Dentre eles, Sócrates e Platão. Certamente, cuidavam para que suas sementes fossem aproveitadas adequadamente!

Transcrito do Boletim Notícias do Movimento Espírita: http://www.noticiasespiritas.com.br/2018/JUNHO/08-06-2018.htm

ALGO no AR

ALGO no AR

Francisco Habermann (*)

É nítida a percepção de que há algo pairando no ar além do vital oxigênio. Refiro-me às sensações ligadas ao nosso comportamento e não aos componentes gasosos da atmosfera.

São sentimentos intrigantes, aqueles que geram expectativas nos seres viventes. Parece que circulam no ar, estão em toda parte, qual poeira fina em tempo seco e frio. Percorrem nossa alma. Não arrisco hipóteses descabidas, mas há algo, sim, no ambiente nacional, algo que desconfio seja o inicio de nova era.

Um tempo de maior responsabilidade e que exige atitudes decisivas, não mais ‘jeitinhos’ tão a nosso gosto.

Embarco na ideia que aprendi lá em casa que é o tríduo basal da vida honesta: ética, moral e caráter. Tão necessário hoje quanto sempre. Mas, como está difícil ver e sentir essas qualidades entre nós, não?

Não desanimemos, entretanto. Por tudo o que já passamos nesse país, considerado o Coração do Mundo – pelas características de nosso povo –o fato de enfrentar crises emergenciais surpreende-nos a todos, induzindo um clima persistente de incertezas.

Algo que deveríamos – como coletividade civilizada – aprender a evitar as causas ou, então, prevenir,treinar antecipadamente os caminhos alternativos, amenizando consequências. Japão e Suécia, além de outros povos organizados, fazem isso de rotina. Treinam a população para urgências inevitáveis, em geral, por eventos súbitos e incontroláveis da natureza.

Aqui, não temos essa tradição e, felizmente, nem aquelas catástrofes naturais. Mas temos outras produzidas por nós mesmos.

A vida do brasileiro é enganosamente tida como tranquila, mesmo diante das maiores dificuldades pessoais ou coletivas; o país é claramente rico de recursos, mesmo quando o povo transita na dificuldade ou na miséria; nossa consciência não inclui o próximo mesmo quando este implora ajuda.

Constata-se entre nós um panorama contrastante. Tem-se a impressão – hoje – que algo haverá de acontecer para nos acordar. Não dá mais para permanecermos deitados eternamente em berço esplêndido, claro.

Aquele algo que sentimos no ar está a nos dizer da urgência em renovarmo-nos. Renovar-nos para mudar com ética, moral e caráter.

É nossa esperança. O Brasil se transformará.

(*) – Atua em Botucatu (SP): Associação de Educação e Cultura Espírita 'Gabriel Delanne'; Associação Médico Espírita de Botucatu- AME; Núcleo Assistencial 'Joanna de Ângelis'.

Extraído de: http://www.fmb.unesp.br/#!/noticia/2139

Espíritas na política

Espíritas na política

Na noite de 22 de maio de 2018, ocorreu uma reunião para se tratar do tema "Espíritas na Política", realizada no Centro de Cultura, Documentação e Divulgação do Espíritismo (CCDPE), em São Paulo. Mediaram a reunião Júlia Nezu e Paulo Francisco, ambos do CCDPE, que destacaram "a grande responsabilidade espiritual do homem público – e a necessidade dessa conscientização". Ficou claro que o espírita como cidadão – pessoa física -, pode contribuir para a solução dos problemas políticos e sociais vivenciados na atualidade, sem necessariamente comprometer-se com legendas ou organizações partidárias, mas ciente de que esse é também um direito que cabe a cada um. Também concluiu-se que deve ocorrer um esclarecimento amplo para que o espírita apóie candidatos que sejam coerentes e concordantes com os princípios do Espiritismo. Definiu-se a realização de uma mesa redonda no dia 28 de julho, em São Paulo, e depois a divulgação de relação de candidatos espíritas a cargos legislativos.

Além dos mediadores citados, estavam presentes: Antonio Cesar Perri de Carvalho, Afonso Moreira Júnior, Miguel de Jesus Sardano, Terezinha Sardano, André Marouço, Aparecido Onofre Belvedere, José Luiz A. Marchesan, Ademir Mendes, Jorge Reis, Rui Luiz Barboza, Benedito Figueiredo, Rodrigo Gonçalves da Costa, Augusto José D Moreira, Luciano Daniel Melidoni, Ana Paula Calvo, Daniane Postal e Arthur Luiz Caramel; e os políticos Dario Arantes, Fernando Petiti, Edson Sardano, Rubens Calvo e Marcos Papa (à distância).

Eis alguns fundamentos: Aylton Paiva, no seu livro “Espiritismo e Política” (Ed, FEB, 2014) anotou: “[…] jamais o Espiritismo, como Doutrina, e o Movimento Espírita, como prática, poderão dar guarida a um partido político em seu seio…[.] Porém, as implicações dos princípios e normas políticas contidas na Terceira Parte — Das Leis Morais — d’O livro dos espíritos, ditado pelos Espíritos e organizado por Allan Kardec, são muito amplas e profundas na sociedade humana. Por isso, o espírita deve ser consciente e lúcido na compreensão dessas normas e princípios, a fim de que sua participação na sociedade seja consentânea com tal visão política, que, necessariamente, impõe exercitar a justiça, o amor e a caridade.

De Kardec:

“A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com ela no mesmo terreno. Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo” (A Gênese, cap. XVIII, it. 24, p. 368).

“O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas pela amplitude de suas vidas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados” (A Gênese, cap. XVIII, it. 25, p. 368).

André Luiz:

“Ser útil e reconhecido à Nação que o afaga por filho, cumprindo rigorosamente os deveres que lhe tocam na vida de cidadão” (Conduta Espírita).

Alguns líderes espíritas, já desencarnados, que tiveram mandatos políticos (níveis federal, estadual e municipal):

Bezerra de Menezes (Federal, RJ), Bittencourt Sampaio (Federal, RJ e Pres.Província ES), Cairbar Schutel (Municipal, SP), Eurípedes Barsanulfo (Municipal, MG), Aristides Spínola (Federal, RJ e Pres.Província Go), Camilo Chaves (Federal, MG), Campos Vergal (Federal, SP), Francisco de Castro Neves (Federal, SP), Emílio Manso Vieira (Municipal, SP), Eurípedes de Castro (Estadual, SP), Freitas Nobre (Municipal e Federal, SP), Alberto Calvo (Estadual, SP), Jorge Cauhy Júnior (Estadual, DF).

De: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/espiritas-na-politica?xg_source=msg_appr_blogpost

Cristianismo e Espiritismo: riscos de desvios

Cristianismo e Espiritismo: riscos de desvios

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Ao fazermos um recorte na trajetória do marcante Apóstolo Paulo destacamos um momento crucial na história do cristianismo nascente: o registro sobre o ex doutor da Lei Saulo de Tarso, que ao visitar a Casa do Caminho após sua conversão sentiu-se: “[…] torturado pela influência judaizante. Tiago dava a impressão de reingresso, na maioria dos ouvintes, nos regulamentos farisaicos. Suas preleções fugiam ao padrão de liberdade e do amor em Jesus Cristo.”1

Saulo de Tarso optou em deixar a tradicional e pioneira ecclesia de Jerusalém, iniciando sua grande tarefa de divulgador do Evangelho.

Esse episódio decisório para os rumos do cristianismo tem sido um foco de estudos nossos com diferentes enfoques, sempre com objetivo de compreensão de fatos históricos e de balisamentos para o presente e futuro.2,3

Ao comentar a vida e obra de Paulo, Herculano Pires destaca a posição clara e marcante do Apóstolo: "Ele libertava a religião da política e do negócio. Para ele, a religião tinha que ser vivida em si mesma e vivida com toda a independência moral". A propósito de trecho de Atos sobre “muitos milagres e prodígios entre o povo pelas mãos dos apóstolos” o autor aponta que ali se encontra "uma das mais belas confirmações evangélicas da realidade e da verdade do Espiritismo e das suas práticas como continuação do cristianismo em espírito e verdade aqui na terra."4

Embora distanciado da FEB até sua desencarnação, o ex-presidente Leopoldo Cirne (que foi vice e sucedeu Bezerra de Menezes) permaneceu atento ao movimento espírita. Escreveu a portentosa obra: Antichristo. Senhor do Mundo, tendo dois subtítulos: “O Espiritismo em falência” e “A obra cristã e o poder das trevas”. Concluída no dia 3/10/1934, impressa por Bedeschi e lançada no Rio de Janeiro em 1935, não foi reeditada.5

Na 1ª Parte, Cirne analisa em detalhes a trajetória do Cristianismo e na 2ª Parte focaliza o Espiritismo.

Leopoldo Cirne comenta a ação do Cristo e de seus seguidores, com citações dos evangelistas, de Atos e de epístolas de Paulo. Considera que o Cristo empreende a obra de educação e redenção da humanidade e raciocina: “o princípio oposto – de separatividade e de egoísmo – que forma o substrato da natureza inferior do homem e constitui, na quase totalidade da espécie humana, o motivo preponderante de seus atos e impulsos? […] esse princípio deverá chamar-se o Anticristo. Somos todos assim, enquanto consentimos em nós o predomínio do egoísmo com todos os seus derivados – ambição, vaidade, orgulho – e pelejamos denodadamente pela obtenção e acréscimo dos bens, posições e vantagens pessoais, com sacrifício dos outros e violação da lei de solidariedade…”5

Na 2ª Parte, Leopoldo Cirne focaliza os momentos predecessores e concomitantes ao Espiritismo, de eclosão de muitos fenômenos mediúnicos e com notável trabalho de vários pesquisadores. Descreve o cenário dos primeiros grupos espíritas do Rio de Janeiro e as dificuldades da novel Federação Espírita Brasileira que segundo ele “Havia, em 1895, atingido o limite de sua capacidade máxima de resistência,…” Depois de focalizar várias questões do movimento espírita até a elaboração do livro, em 1934, nos últimos capítulos do livro Antichristo. Senhor do Mundo, comenta as obras de Allan Kardec e os cuidados do Codificador, exaltando seu trabalho. Entre outras considerações finais, indaga Cirne: “Exageramos? – Percorrei a história de todos os séculos e nos sucessos, coletivos e individuais, em que haja violação do preceito básico formulado pelo Cristo – ‘amai-vos uns aos outros’ – encontrareis a intervenção reacionária do Anticristo. […] Não importa o prazo. […] a nossa humanidade, liberta finalmente do poder das trevas, raiará cedo ou tarde a aurora de sua definitiva redenção.”5

Os rumos do movimento espírita e a questão da união devem merecer atenção e reflexão. No último discurso de Allan Kardec, em novembro de 1868, há colocações muito pertinentes para as reflexões sobre religião e laços ou união dos espíritas:

"O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas."6

Referências:

1) Xavier, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. Ed. Esp. Brasília: FEB, 2012. 488p.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais: aspectos históricos e visão espírita. Matão: O Clarim [no prelo].

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? Capivari: EME. 2018. 147p.

4) Pires, José Herculano. Org. Arribas, Célia. O evangelho de Jesus em espírito e verdade. 1.ed. Cap. 15. São Paulo: Editora Paidéia. 2016.

5) Cirne, Leopoldo. Antichristo. Senhor do Mundo. 1.ed. 2ª. Parte. Rio de Janeiro: Bedeschi. 1935. (Resenha em: Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo, Espiritismo e o Anticristo. Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCII. No. 9. Outubro de 2017. P. 474-477).

6) Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Ano XII. FEB. 2005.

 

(*) Foi presidente da FEB e da USE-SP.

O filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”

O filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O filme americano com o nome original “Paul, Apostle of Christ”, encontra-se em exibição em vários cinemas brasileiros. É dirigido por Andrew Hyatt, tendo como produtora a Sony Pictures. Duas figuras centrais no filme são o apóstolo Paulo, vivido por James Faulkner, e, o evangelista Lucas, protagonizado pelo ator Jim Caviezel, que atuou no filme “A Paixão de Cristo”.

O enredo se desenvolve principalmente no período em que Paulo de Tarso viveu seu segundo aprisionamento em Roma, detido na prisão Mamertine. Enquanto vivia seus últimos tempos à espera da execução já definida pelo imperador Nero, Paulo de Tarso recebeu a visita de Lucas, seu discípulo, autor de um Evangelho e médico. Lucas teve um papel destacado no filme, como uma ponte entre os seguidores de Jesus em Roma, liderados pelo casal Áquila e Priscila (ou Prisca) e o apóstolo prisioneiro.

O enredo do filme, como uma “licença cinematográfica”, mostra encenações relacionadas com o prefeito da prisão que, apesar do rigor no cumprimento da legislação romana, acabou reconhecendo o valor de Paulo e de Lucas, sendo sua filha curada por este último. Nas constantes visitas de Lucas, este convenceu Paulo a relatar os primeiros tempos do cristianismo e sobre sua própria trajetória. Muitas encenações do filme surgiram em função das memórias de Paulo ao discorrer sobre suas experiências. Surgia o registro de Lucas, conhecido como Atos dos Apóstolos. Os seguidores de Jesus se dispuseram a realizar várias cópias manuscritas que foram enviadas para diversos agrupamentos cristãos.

Pouco antes de ser executado Paulo é incitado a escrever uma carta, que ficou conhecida como 2ª. Epístola a Timóteo. Inclusive, trechos dessa última foram lidos nas encenações momentos finais da existência de Paulo, culminando com o versículo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (1).

Interessante que a seara espírita tenha a informação que se encontra em fase final de edição o filme “Paulo de Tarso”, um docudrama dirigido por André Marouço e produzido pela TV Mundo Maior. Neste, ficará clara a visão espírita sobre os momentos iniciais do cristianismo.(2)

Paulo de Tarso foi o maior divulgador dos ensinos de Jesus e responsável pela consolidação dos agrupamentos pioneiros que reuniam os seguidores do Mestre. Valorizamos seus registros com destaque para as recomendações morais contidas nas suas Epístolas, sem se valorizar polêmicas do contexto da época ou pontos de discussão que posteriormente se constituíram em fundamentos para algumas correntes de pensamento religioso e até para justificativas de futuros dogmas.(3)

O momento enseja a leitura do livro “Paulo e Estêvão”, do espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.(4)

Referências:

1) 2 Timóteo 4, 7.

2) http://tvmundomaior.com.br/videos/filme-espirita-paulo-de-tarso-palestra-de-divulgacao/

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do espiritismo. Matão: O Clarim, 2016.

4) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. Brasília: FEB.

(*) Foi presidente da FEB e da USE-SP.

Extraído de: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/o-filme-paulo-ap-stolo-de-cristo?xg_source=msg_appr_blogpost