Chico Xavier, a USE e a união

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Por ocasião do 17o Congresso Estadual de Espiritismo, em que a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, comemora 70 anos de sua fundação, há muitos fatos históricos que merecem ênfase. Todavia, destacaremos alguns episódios ligando Chico Xavier e suas psicografias, com a USE-SP.

Um ano após a fundação da USE-SP, esta promoveu o 1o Congresso Brasileiro de Unificação Espírita de 31 de outubro a 05 de novembro de 1948, em São Paulo. Chico Xavier foi convidado, e como não poderia comparecer, enviou a mensagem assinada por Emmanuel – “Em nome do Evangelho” -, e dirigida aos participantes do citado Congresso, psicografada no dia 14 de setembro de 1948, em Pedro Leopoldo (MG). Enfatizamos que foi a primeira psicografia de Chico Xavier sobre união e unificação! E de conteúdo marcante comentando João (17, 22):

“Para que todos sejam um…” Emmanuel destaca: “[…] espírito de serviço e renunciação, de solidariedade e bondade pura que Jesus nos legou.”1

Na obra USE – 50 anos de unificação2 aparecem registros de outros acompanhamentos de Chico Xavier. Temos conhecimento que o ex-presidente da USE Luiz Monteiro de Barros era ligadíssimo ao médium Spártaco Ghilardi, um grande amigo de Chico Xavier, frequentador assíduo das reuniões de Chico, em Uberaba, e fundador do Grupo Espírita Batuíra, em São Paulo.

Texto de Bezerra de Menezes, aliás pouco divulgado, foi psicografado por Chico Xavier no dia 23 de abril de 1976, em função de visita de companheiros da União Municipal Espírita de Marília (atual USE de Marília, SP). Em “Mensagem de União”, Bezerra:

“[…] Solidários, seremos união. Separados uns dos outros, seremos pontos de vista. […] Mantenhamos unidos, em Jesus, para edificar e acender Kardec no caminho de nossas vidas, porque unicamente assim, agindo com a fraternidade e progredindo com o discernimento, é que conseguiremos obter    os valores que nos erguerão na existência em degraus libertadores de paz e ascensão.”3

          No ano de 1977 os diretores da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, Merhy Seba, Antonio Schilliró e Nestor João Masotti (presidente) entrevistaram Chico Xavier, em Uberaba, por ocasião do cinquentenário de suas atividades mediúnicas, de onde extraímos os trechos:

          “P – Caro Chico, gostaríamos de levar sua mensagem aos nossos irmãos da USE que prestam sua colaboração, em várias áreas de trabalho que o Centro oferece.

          R – Caro amigo, o seu desejo muito me honra, mas sinceramente, a meu ver, não temos qualquer mensagem maior que o convite à divulgação e ao conhecimento da Doutrina Espírita, vivendo-a com Jesus, interpretada por Allan Kardec. Penso que, nesse sentido, deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustentá-las e cultivá-las com respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamam amparo, socorro, esclarecimento e rumo. […] Não consigo entender o Espiritismo, sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que propõem".1

          Em diversos diálogos, inclusive conosco, em visitas a Uberaba e em eventos no Centro Espírita União, em São Paulo, Chico Xavier sempre externou ponderações cuidadosas a propósito de algumas maneiras de se operacionalizar a unificação.

    O entendimento de Chico Xavier e de seus orientadores espirituais sobre união e unificação devem merecer nossa atenção em cotejo com observações de Allan Kardec sobre os laços morais.4

Referências:

  1. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: Ed. USE, 2016.

  2. Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE – 50 anos de unificação. São Paulo: Ed. USE. 1997.

  3. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Bezerra de Menezes. Mensagem de união. Unificação. USE. Ano XXVII. No. 309. São Paulo. Novembro-dezembro de 1980.

  4. Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Ano XII. Rio de Janeiro: FEB. 2005.

 

(*) – Ex-presidente da USE-SP e da FEB.

A verdadeira edificação

Izabel Vitusso

Como é bom lembrar que no Brasil podemos contar com um sem- -número de casas espíritas, oferecendo socorro espiritual, acolhimento fraterno, oportunidade de estudo e orientação. Quem já precisou de socorro neste quesito fora do país entende o valor desta grande oferta de núcleos espíritas ao nosso dispor.

A forma como cada um deles teve iní- cio é a mais variada. Alguns surgiram ainda no século 19. Os registros apontam para o ano de 1865 o marco da fundação da primeira casa espírita do Brasil, o Grupo Familiar de Espiritismo, na cidade de Salvador, BA. Hoje, somam-se cerca de 15 mil em todo o Brasil (1) .

Os vínculos espirituais também são os mais variados. Frequentemente eles acontecem pela identificação do centro com um grupo de assistência do plano espiritual, capitaneado por trabalhadores expoentes do movimento espírita e sua equipe, missionários que abraçaram a causa e se mantêm incansáveis na tarefa de assistência na crosta terreste.

Quando não, o inverso. O planejamento da fundação da casa espírita vem como consequência dos anseios da espiritualidade maior. Impossível generalizar.

Mas o que importa é saber da grande responsabilidade que envolve a fundação de uma casa espírita, de mais um foco de luz na grande ciranda da fraternidade.

O que aconteceu com o casal Francisco e Nena Galves a partir de 1959 ilustra isso muito bem e evidencia todo o cuidado dispensado pela espiritualidade maior junto ao núcleo que se forma para servir na seara do Jesus.

Nena e Francisco Galves já frequentavam algumas casas espíritas na cidade de São Paulo e tiveram derpertada a vontade de conhecer o médium mineiro Chico Xavier. Partiram os dois com um grupo de vinte frequentadores e dirigentes espíritas para Uberaba, MG. Só não imaginavam o impacto que teriam e um novo mundo que se abriria depois daquela viagem.

É Nena quem conta:

“Maio de 1959 é data que recordamos com imensa alegria. O encontro com o médium fez florescer na memória atual reencarnações passadas na Espanha e na França. Chico nos confidenciou que nos reconheceu imediatamente. Galves e eu sentimos uma atração imensa, uma grande afeição, e quando Chico tomou as mãos de Galves e as minhas entre as suas e as beijou, tivemos a certeza de que elas já haviam estado unidas num passado distante.”(2)

“A força do amor materializava-se em forma de homem de pequena estatura e de gestos lentos, ensinando-nos a andar certos e seguros, sem tropeços. (…) Está- vamos longe de imaginar que aquela aten- ção representava trabalho e alegria futuros. (…) Nesse dia, senti-me mais esposa, mais mãe, mais filha. Um ser que renascia diante de um pai espiritual que acabava de reencontrar, enfim.”

Nas visitas constantes de Nena e Francisco Galves ao médium (acabaram se tornando amigos íntimos), as orientações da espiritualidade foram chegando, com o respeito próprio da espiritualidade superior à condição de cada um, observando o tempo de maturação do casal e de todo o grupo que aos poucos se estruturava.

Em 1965, Bezerra de Menezes orientaria:

“A ideia do grupo íntimo com a finalidade de desobsessão é um plano feliz, para cuja execução rogamos o amparo da providência divina”.

“O conjunto pequeno, como é necessário à formação de corações fraternos, poderá reunir-se uma vez por semana, à noite, e pouco a pouco as diretrizes virão, de vez que é aconselhável dar tempo ao tempo e verificar o desenvolvimento da nova planta de amor fraternal na terra do Cristo.”

Em outra mensagem, Bezerra atenta para o esforço necessário no desenvolvimento moral e no sentimento de fraternidade para a sustentação de uma obra para o bem. Antes de erguidas as paredes da casa espírita, há que se ter a edificação mental:

“É preciso nos decidamos levantar a construção íntima, aquela que se baseia no ajuste dos corações fraternos em uma obra de elevação espiritual em comum.”

“Continuemos na tarefa da edificação mental, na certeza de que já podemos contar com o amparo da construção externa.”

E, por fim, a orientação que revela a sutileza da presença da espiritualidade na base dos trabalhos de uma casa espírita, que nos apoia de maneira incondicional, mas que respeita sempre o direito de fazermos nossas escolhas.

“Através da inspiração, trocaremos ideias todos juntos acerca dos alicerces espirituais do conjunto em via de se formar.”

Dois anos depois, o Centro Espírita União (3) abriria suas portas no bairro Jabaquara, com um significativo trabalho de assistência social e espiritual, e até hoje, cinquenta anos depois, o laborioso casal continua à frente, junto com o grande tarefeiro, dr. Bezerra de Menezes, assistindo necessitados e despertando corações para a verdadeira ciranda de amor e de luz.

Referências:

 1) Estimativa segundo a FEB.

2) Até sempre, Chico Xavier, Nena Galves, CEU, 2008.

3) www.centroespiritauniao.org

(Transcrito de Correio Fraterno do ABC. Ano 50. No. 475. Edição maio-junho de 2017, p. 7)

Jesus, uma trajetória singular!

Ismael Gobbo

Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita, indaga aos espíritos na questão 625 de “O Livro dos Espíritos”: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”. A resposta veio numa só palavra: “Jesus”.

Ainda que nem todos os homens se declarem cristãos, a obra do discreto nazareno vem alcançando os quadrantes do mundo não como mais uma crença religiosa, mas como um exemplo de vida construído no cadinho da humildade, que haveria de se expandir e perpetuar.

Mesmo consciente de sua condição de Espírito Superior, Jesus soube conviver em clima de harmonia com os intolerantes religiosos, suportar com compreensão a pecha de excêntrico no próprio seio da família, estender as mãos aos pobres e oprimidos, curar enfermos do corpo e do espírito, experimentar o látego e as cusparadas dos algozes, e enfrentar altivo o madeiro infamante.

Reiterou a certeza da imortalidade, no episódio da ressurreição e nas aparições “post-mortem”, aos continuadores de sua obra. Portador de um reinado que busca responder às mais íntimas indagações do ser humano, legando-lhe calma e serenidade nos momentos difíceis, Jesus é, sem dúvida, ao lado do Pai Celestial do qual se fez o mais expressivo representante no mundo, a entidade de escol mais requisitada pelos homens. Pobres, ricos, encarcerados, abandonados, enfermos, arrependidos, todos que vislumbram uma tábua de salvação, nos momentos difíceis, a Ele se dirigem.

Sua grandeza e fama crescem a cada minuto de forma exponencial, distanciando-se cada vez mais de seus contemporâneos “famosos”. Imaginemos se neste exato instante pudéssemos ter os números de todos aqueles que pensam ou pronunciam o nome de Jesus para louvar, agradecer ou pedir alguma coisa, seja numa igreja, num hospital, na via pública ou nos lares. Inumeráveis milhões, com certeza.

Nunca, ninguém – em tempo algum – foi mais biografado e retratado por escritores e artistas. Que o digam, além dos Evangelhos, as obras de celebridades como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Ernest Renan. Sem bens materiais ou mesmo uma residência fixa, Jesus comprovou para a posteridade que a verdadeira grandeza pode ser construída sem ouro e prata, sem a preocupação de fazê-la visível aos olhos humanos pelo exibicionismo e exaltação ao amor próprio.

O “Rei dos reis” se inscreve como o mais emérito dos professores na singeleza de suas parábolas, que portam os mais aprofundados conceitos de filosofia, ciência e religião.

Ele conseguiu, no Sermão da Montanha, expender pela sua oratória eloquente a bela peça literária que sintetiza o escopo de sua missão: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Médico, filósofo, advogado, juiz, e em todas outras atividades humanas, das mais simples às mais completas, pode-se enxergar o brilho impoluto de Jesus. Todos lhe homenageiam.

Como corolário, nos legou a mais concisa e sublimada oração que o mundo todo conhece e dirige ao Criador: “Pai Nosso que estai nos céus…”

Obrigado por tudo, Jesus, nosso modelo e guia.

 

(Publicado originalmente no jornal Folha da Região, Araçatuba, SP, 24-05-2017. 

Texto transcrito de: http://www.folhadaregiao.com.br/ara%C3%A7atuba/ismael-gobbo-jesus-uma-trajet%C3%B3ria-singular-1.339927)

Ética e moral na atualidade

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Os momentos vividos no país provocam impactos na sociedade em geral e diversas abordagens têm sido realizadas para se compreender o cenário atual.

As análises com base na ética e na moral são sempre pertinentes.

Há muitos estudos acadêmicos que discutem os conceitos e a aplicação da ética e da moral, porém parece-nos oportuna a reflexão fundamentada na concepção espírita e de maneira mais simples.

Em geral, aceita-se que a ética procura distinguir o bem do mal, o justo do injusto, o certo do errado, o que é permitido e o que é proibido, tendo em vista o conjunto de normas adotadas por uma sociedade; seria mais especulativa. Já a moral se refere às normas ou regras que regem a conduta humana e envolve o dever e prática consciencial. A chamada consciência moral é a capacidade de decidir diante das alternativas possíveis, de distinguir o bem do mal. Portanto, a ética é o fundamento e a moral é a prática. Muitos entendem que ética e moral são inseparáveis.1

Allan Kardec, em suas obras, não empregou a palavra “ética”, mas o conceito e o objeto desta estão implícitos em O livro dos espíritos e O evangelho segundo o espiritismo. No livro inaugural do Espiritismo, o Codificador analisa as “Leis Morais”2, e na Introdução de O evangelho segundo o espiritismo, ele define o ensino moral como o objetivo desta obra.3

A ética cristã está fundamentada nos ensinos do Cristo, sintetizados na “regra de ouro”: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mateus 7, 12). Em suas memoráveis Epístolas, Paulo de Tarso definiu diretrizes de ordem comportamental das quais destacamos alguns versículos4:

“Examinai tudo. Retende o bem" (1 Tessalonicenses 5, 21); Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (I Coríntios 10, 23); "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos 12, 21); "[…] já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas 2, 19-20).

O fato de Paulo citar o chavão da época referente à cidade de Corinto – “todas as coisas são lícitas” -, aponta para uma situação que o afligia. Os cristãos dos nascentes grupos de Corinto sofriam influências do contexto da época daquela cidade. O sábio grego Estrabão, no século anterior, já havia descrito a devassidão moral que grassava na importante cidade portuária e entroncamento para várias nações e culturas. A expressão “viver como um coríntio” referia-se a desregramentos comportamentais e que eram considerados “normais” naquela cidade. Essa questão ética e a tendência de adoção de práticas aberrantes, motivaram o apóstolo da gentilidade a elaborar a 1a Epístola aos Coríntios.4

Em seus textos Paulo desenvolveu o raciocínio de que alguns princípios que eram defendidos na sociedade local e da época precisavam ser observados através de diretrizes ligadas à conduta cristã, não se restringindo às normas que eles adotavam, e das quais dependiam tanto.

Respeitadas as diferenças, em tese, parece-nos que a colocação de Paulo está adequada ao mundo de nossos dias, e com predominância de ambientes de liberdade de pensamento, de legislações liberais e da facilidade de comunicação.4

No conjunto – Constituição do país, Leis e normas -, define-se o que é legal, o que é “lícito” no dizer de Paulo de Tarso.

Como ficariam as ideias de conveniência e de edificação que Paulo emprega na citada Epístola?

A mensagem essencial da Boa Nova fortalece princípios e o cultivo de virtudes. Sobre isso, o Espiritismo traz à tona a ideia do livre-arbítrio dentro dos conceitos que emanam do conhecimento de vida imortal e de reencarnação, e, dos compromissos do ser espiritual consigo mesmo e com a sociedade.

Nessa visão ampliada sobre o mundo, podemos também raciocinar sobre o que seria conveniente. O estudioso bíblico Champlin comenta que “conveniente” envolve “ajuda”, “benefício”, “proveito”, “utilidade”, “vantagem”, e, ao mesmo tempo relaciona com a ideia de “edificação”.5

A literatura espírita é muito rica de textos que se fundamentam na ética e na moral cristã.

Em O livro dos espíritos as abordagens são referentes à moral, como as questões abaixo2:

 “Que definição se pode dar da moral?

– A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”

“Como se pode distinguir o bem do mal?

– O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringí-la.”

Allan Kardec, nas Leis Morais de O livro dos espíritos, destaca que a lei divina ou natural, a Lei de Deus, é “a única e verdadeira a conduzir o homem à felicidade e que lhe indica o que ele deve ou não fazer” e que essa “lei está escrita na consciência do homem.”2

A ética espírita está bem definida no livro inicial de Kardec ao examinar a Lei de Deus no tocante ao bem e o mal e ao apresentar esta lei subdividida em: leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. Para Kardec "essa última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras." Sobre essa lei moral, Kardec enfatiza em O livro dos espíritos: "O progresso da Humanidade tem seu princípio na aplicação da lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro."2

A ética espírita baseia-se nas máximas morais do Cristo e busca o conhecimento da verdade.

A partir dessas colocações doutrinárias podemos analisar algumas situações de nossos tempos.

O comportamento ético-espírita não pode se limitar ao ambiente interno da instituição espírita ou no atendimento das carências do próximo e deve se constituir no nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da vida. Inclui os esforços de melhoria pessoal e no relacionamento dentro do contexto em que vivemos.

Os problemas morais do mundo são a miséria, a corrupção, a ambição, cuja matriz está no egoísmo. A propósito, Emmanuel discorre que “no mais desenfreado egoísmo, que provocou a crise moral do mundo, em cujos espetáculos sinistros podemos reconhecer que o homem físico, da radiotelefonia e do transatlântico, necessita de mais verdade que dinheiro, de mais luz que de pão.”6

O citado autor espiritual também alerta: “As vossas cidades não se encontram repletas de associações, de grêmios, de classes inteiras que se reúnem e se sindicalizam para determinados fins, conjugando idênticos interesses de vários indivíduos? Aí, não se abraçam os agiotas, os políticos, os comerciantes, os sacerdotes, objetivando cada grupo a defesa dos seus interesses próprios?”6

[…]

Na turbulência política e institucional que o país vive fica clara a debilidade de valores éticos e morais em vários níveis da sociedade brasileira. Todavia, num sistema democrático o povo tem muita responsabilidade na escolha de seus líderes. Assim, há indícios de que a enfermidade ética e moral tem raízes desde a base da sociedade.

[…]

Evocamos mais uma vez o apóstolo Paulo com seus marcantes registros. Anota a situação dele e, pode-se dizer de muitos, que adotam princípios ético-morais no contexto de nosso mundo:

“Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” (Gálatas 6, 17)

Porém, deixa claro que a consciência tranquila e o dever cumprido são as melhores recompensas espirituais:

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” (2 Timóteo 4, 7)
 

Referências:

  1. Souza, Sonia Maria Ribeiro. Um outro olhar: filosofia. 1.ed. Cap. 10. São Paulo: FTD. 1995.
  2. Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. 70.ed. 3a Parte, cap. II a XI; questões 629 e 630; Conclusão IV. Rio de Janeiro: FEB. 1989.
  3. Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. 131.e. Cap. XI, item 11. Brasília: FEB. 2013.
  4. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do espiritismo. 1.ed.
  5. Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 4. São Paulo: Hagnos, 2014.
  6. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. O consolador. 29.ed. Questões 68, 127, 148, 170, 204, 345, 365. Brasília: FEB. 2013.

(*) Ex-presidente da FEB e da USE-SP.

Obs.: Transcrição parcial de artigo publicado na revista digital A Senda, da Federação Espírita do Estado do Espírito Santo: https://issuu.com/feees_oficial/docs/revista_para_revista

O ENSINO MORAL LEGADO POR JESUS, OS ROMANCES ESCRITOS POR EMMANUEL E NÓS

Flávio Rey de Carvalho (*)

No início da introdução de O evangelho segundo o espiritismo, Allan Kardec delimitou que é possível dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes, destacando-se, entre elas, o “ensino moral”, por não ser objeto de controvérsias e se manter inatacável. Conforme ele explicou:

 

Diante desse código divino a própria incredulidade se inclina; é terreno onde todos os cultos podem se reencontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam as suas crenças, porque jamais foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda parte levantadas pelas questões do dogma; aliás, discutindo-as, as seitas encontrariam aí sua própria condenação, porque a maioria está mais interessada na parte mística do que na parte moral que exige a reforma de si mesmo. Para os homens em particular é uma regra de conduta abrangendo todas as circunstâncias da vida, privada ou pública, o princípio de todas as relações sociais fundadas sobre a mais rigorosa justiça; é, enfim, e acima de tudo, o caminho infalível para a felicidade esperada, um canto do véu levantado sobre a vida futura.

 

Mais adiante no texto, destacando o importante papel desempenhado pelos espíritos no restabelecimento do sentido verdadeiro do ensino moral legado por Jesus, Kardec vaticinou:

 

Graças às comunicações estabelecidas, de hoje em diante de um modo permanente, entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica, ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado a praticá-la pelos conselhos de seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.

 

É no cumprimento dessa previsão feita por Kardec que se insere a obra do médium Francisco Cândido Xavier (1910-2002), que, sob a supervisão do Espírito Emmanuel, publicou, enquanto encarnado, 427 livros psicografados, abrangendo vasta gama de autores espirituais. Entre estes, destaca-se o próprio Emmanuel, autor de mais de uma centena de livros que tocam, sobretudo, temáticas ligadas à difusão e à compreensão do evangelho à luz do espiritismo. Sua produção é bastante ampla, abrangendo desde a elaboração de obras compostas de comentários a trechos do Novo testamento - como, por exemplo, os títulos que compõem a Série fonte viva -, livros de perguntas e respostas – entre eles, O consolador (1940) -, textos ensaísticos – como A caminho da luz (1938), entre outros -, até a escrita de cinco romances históricos, em torno dos quais se centra o presente artigo.

São eles: Há dois mil anos (1939) – centrado no século I -, Cinquenta anos depois (1939) – retratando fatos ocorridos no século II -, Paulo e Estevão (1941) – detalhando acontecimentos que se deram no século I -, Renúncia (1942) – abrangendo vivências que perpassaram a segunda metade do século XVII e o início do XVIII – e Ave, Cristo! (1953) – envolvendo experiências de vida ligadas ao século III. Esses cinco livros, em termos centrais, têm o objetivo de nos sensibilizar para a importância de se assimilar a essência do ensino moral, legado por Jesus, no nosso proceder cotidiano. Neles são narradas histórias de vida, que retratam, em termos práticos e bastante detalhados, como se deram as relações de personagens “reais” – cada qual conforme o seu grau de amadurecimento e conscientização espiritual – com os princípios morais cristãos.

Por meio da evidenciação dessas relações, Emmanuel objetivou apresentar exemplos de vivências, para nos servir de roteiro e fonte de inspiração, para que possamos – cada qual em seu devido tempo de maturação e segundo suas próprias possibilidades – aclimatar e cultivar a flor viva do evangelho em nossas mentes e em nossos corações. Além de apresentar a vida de personagens portadores de uma conduta moral exemplar, já bastante iluminados e conscientes da necessidade de se viver alinhado ao bem e à vontade de Deus, são também descritas algumas trajetórias reencarnatórias de espíritos que, assim como nós, estão imersos em processos depurativos de resgate e reparação. Tais trajetórias, por estarem mais próximas da nossa condição espiritual, nos auxiliam, em função da evidenciação dos acertos e dos erros praticados por esses espíritos, a detectar, por meio do estabelecimento de uma comparação analógica, aspectos negativos e positivos, passíveis de serem modificados e aprimorados, que podem (ou não) integrar nossa personalidade.

Nesse sentido, é por meio da evidenciação dos mecanismos da lei de causa e efeito, que tais histórias nos convidam a refletir acerca de nós mesmos, assim como da nossa situação espiritual, estimulando-nos à realização da reforma íntima, de modo a acelerar a nossa marcha ascensional em termos espirituais. Sob esse prisma, os romances escritos por Emmanuel emergem como obras de estudo que auxiliam na compreensão e na operacionalização da essência do ensino moral, legado por Jesus, em nossas vidas. Desse modo, ao estudá-los, cada um pode fazer um exercício de auto-análise, buscando se situar, empaticamente, nas situações vivenciadas pelos personagens com os quais nos sintamos mais identificados.

Para explicar melhor o modo de se estabelecer essa relação de empatia com os personagens descritos nas narrativas, recorre-se ao livro Luz imperecível – coordenado por Honório Onofre de Abreu (1930-2007) –, no qual consta a seguinte explicação:

 

Incorporando-nos às figuras do próprio texto, habilitamo-nos a detectar em nós próprios, padrões ou atitudes, de ordem positiva ou negativa que lhes eram peculiares [(àqueles personagens que viviam naquelas épocas]), a nos sugerirem [(hoje)] implementação de recursos ou mudanças de base, nas profundezas da alma. A partir daí o texto vivifica. Pela auto-análise e na aplicação do “conhece-te a ti mesmo” levantamos caracteres peculiares àqueles personagens e que podem ou não estar presentes em nossa intimidade, tais sejam: hipocrisia, extremismo fanatizante, conhecimento não acionado, cegueira, paralisia ou surdez espirituais, ou quem sabe, nossa posição cadaverizada na indiferença ou na cristalização ante a dinamização da via.

 

Por meio dessa introspecção nos é facultado, dentro dos parâmetros do livre arbítrio, promover mudanças em nossa mente e em nosso coração, afinando-os – em tudo aquilo que estiver dissonante – pelo diapasão da lei de amor, que é a força que rege e harmoniza o universo. Salvo exceções, tratar-se-ia de algo ainda por se fazer entre nós, pois, segundo consta explicado em A caminho da luz, o desenvolvimento do “homem espiritual” – ligado à esfera do sentimento – jaz estacionado em seus surtos de progresso, grosso modo, desde o século IV, quando houve a adaptação dos ensinamentos de Jesus às conveniências e aos interesses do mundo, apartando-os da sua essência divina e redentora. Mas, conforme afirmou Emmanuel, “[…] é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos.”

Diante dessas explicações e à guisa de conclusão, reitera-se a importância de se realizar o estudo dos romances escritos por Emmanuel, tidos como obras que – assim como outras tantas produzidas por esse autor espiritual – confirmam, ao menos em termos potenciais, aquilo que Kardec previra na introdução de O evangelho segundo espiritismo, isto é, o intercâmbio entre os homens e o mundo invisível daria condições para que cada indivíduo pudesse compreender e praticar o ensino moral contido na lei evangélica. Quando isso ocorrer, a lei evangélica deixará de ser “letra morta”, pois, extrapolando as páginas dos livros nos quais está contida, passará a viver na mente, no coração e nas atitudes das pessoas. Para tanto, conforme aconselhou Paulo de Tarso, na Carta aos Efésios, é necessário que “[…] vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Ef, 4:22-24).

 

(Artigo transcrito de: Revista internacional de espiritismo. Ano XCII. No. 3. Abril de 2017. P.146-148)

(*) Doutorando em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Membro fundador do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho da Federação Espírita Brasileira (NEPE-FEB). Integrou a Comissão Administrativa do NEPE-FEB, entre setembro de 2012 e março de 2015.

 

KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 365. ed. Araras: IDE, 2009, p. 6, grifo nosso.

 

Ibid., p. 8, grifo no original.

 

Os livros mencionados, incluindo os cinco romances, cujos títulos estão listados no parágrafo seguinte, são editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB).

 

Para a datação dos livros supracitados – incluindo os títulos mencionados no parágrafo anterior -, optou-se por considerar o ano em que cada um deles foi concluído pelo autor espiritual, conforme consta indicado no final de cada uma das introduções presentes nessas obras.

 

ABREU, Honório Onofre de (Org.). Luz imperecível: estudo interpretativo do evangelho à luz da doutrina espírita. 6. ed. Belo Horizonte: UEM, 2009, p. 23, grifo nosso.

 

Cf. XAVIER, Francisco Cândido. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 37. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008, p. 256-257.

 

A BÍBLIA SAGRADA: contendo o Velho e o Novo Testamento. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original. São Paulo: SBTB, 2013.

 

A alegria de viver de Divaldo

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Um fato marcante ocorrido em 2016 foi  a entrevista com Divaldo Pereira Franco no programa de Jô Soares, na TV Globo, na passagem do dia 1o para dia 2 de setembro. O midiático Jô Soares é conhecido por interferir e às vezes até deixar que o entrevistado fale pouco. Com Divaldo, houve até uma brincadeira entre ambos, sobre “o baiano que fala, fala…” E Divaldo falou aproveitando muito bem o tempo disponível. Conseguiu registrar fatos desde a origem espontânea e precoce de sua mediunidade até os momentos atuais. Claramente Jô Soares demonstrou surpresa com o vulto do trabalho liderado pelo entrevistado, em função do vídeo apresentado pela produção sobre a Mansão do Caminho.

Dos 70 anos de oratória, nós o conhecemos no período de 55 anos.

Conhecemos Divaldo Pereira Franco por ocasião de sua palestra na XV Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo (COMBESP), efetivada em abril de 1962, em Araçatuba (SP). Na oportunidade, ele também visitou a Instituição “Nosso Lar”, na época recém fundada por familiares nossos. Desde essa época, já mantínhamos correspondência com Divaldo e recebíamos os folhetos impressos pela Mansão do Caminho contendo mensagens psicografadas. Nos anos imediatos, encontramo-nos nas históricas I Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil (COMJEB), realizada em abril de 1965, em Marília (SP) e na 1a Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Estado de São Paulo-COMJESP (Ribeirão Preto, 1967), em diversas palestras em cidades do interior paulista e em Araçatuba.

Acompanhado de nossa esposa visitamos pela primeira vez o Centro Espírita Caminho da Redenção (então na Calçada)  e a Mansão do Caminho (em Pau da Lima) nos idos de1972. Divaldo foi nosso convidado para participação em vários eventos do movimento espírita de Araçatuba, como as Semanas e Mês Espíritas. Desde 1972 passamos a organizar os roteiros de Divaldo pela região de Araçatuba. Essa atuação era feita porque além de amigo do conferencista, entre 1971 e 1986 éramos dirigente do órgão da USE local (então chamada União Municipal Espírita de Araçatuba). Divaldo passou a ser hóspede de nossa genitora – Bebé – e nosso também, após nosso casamento. Durante 30 anos juntamente com nossa genitora, fomos anfitriães de Divaldo. Nossos filhos nasceram e cresceram acostumados com a visita do “tio”. Foram momentos proveitosos, alegres e fraternos, estes em que Divaldo tinha disponibilidade de atender à região. Nos dois lares citados sempre havia uma refeição com convites para os dirigentes e amigos da cidade, reunindo grande número de participantes e bate-papos informais.

Outro fato é que, em várias visitas de Divaldo, houve momento de prece conjunta em nossos lares – também com presença de convidados -, momentos em que o médium psicografou mensagens de Benedita Fernandes e de nosso tio Lourival Perri Chefaly. Nossos livros Dama da Caridade (1982) e Em Louvor à Vida (em parceria com Divaldo, edição LEAL, 1987) incluem algumas destas psicografias. Outra obra que surgiu desse período foi Repositórios de Sabedoria (Vol. I e II, edição LEAL, 1980), coletânea de pensamentos de Joanna de Ângelis, extraídos das primeiras obras da Autora Espiritual, e que elaboramos em forma de abecedário.

Em todas as visitas de Divaldo organizávamos alguma entrevista com os dirigentes locais e/ou com a imprensa (rádios, jornais e TV). Estas foram transformadas em publicações que fizemos nos jornais de Araçatuba, onde mantínhamos “coluna espírita”, como Tribuna da Noroeste, A Comarca e Folha da Região, e também em periódicos espíritas, como O Clarim, Revista Internacional de Espiritismo, Unificação, Anuário Espírita e Presença Espírita. Divaldo sempre fez muitas referências a Benedita Fernandes, que incluímos no nosso livro Benedita Fernandes. A dama da caridade.(1)

Várias dessas publicações foram reunidas em “Divaldo em Araçatuba”, coletânea que elaboramos por ocasião da solenidade em que Divaldo recebeu o título de “Cidadão Honorário” de Araçatuba, em 1984, evento que atuamos na organização juntamente com a Edilidade local.

Com nossa mudança, por razão profissional, para a cidade de São Paulo no ano de 1989, e, mais tarde, para Brasília, Divaldo voltou a ser hospedado em Araçatuba, por nossa genitora até próximo à desencarnação dela. Mesmo assim, voltávamos a Araçatuba, para acompanhar os eventos com atuação de Divaldo. A convivência com Divaldo em Araçatuba foram momentos significativos, proveitosos, de boas recordações e bem aproveitados para a difusão do Espiritismo!

Além das ações em Araçatuba, com freqüência estávamos presentes em eventos com Divaldo em cidades paulistas e vários Estados brasileiros. Em Uberaba, estivemos  em momentos de encontros conjuntos com Chico Xavier. Também estivemos junto com Divaldo em eventos do CEI e promovidos por vários países.

Em eventos da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, em São Paulo, atuamos em entrevistas e eventos com Divaldo, originando livros editados pelo USE-SP, como Diálogo com Dirigentes e Trabalhadores Espíritas (2a edição) e Laços de família. Em livros editados pela FEB, tivemos atuação em Conversa Fraterna e Em Nome do Amor: a Mediunidade com Jesus. Incluímos alguns trechos em Centro Espírita. Prática espírita e cristã (Ed.USE, 2016).(1)

Por ocasião da Reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, em novembro de 2014, na nossa gestão como presidente da Federação, houve a promoção do Movimento Você e Paz, iniciado por Divaldo, nas dependências da Câmara dos Deputados e no anfiteatro da FEB. Na oportunidade, foi inaugurada no Espaço Cultural da FEB, uma Exposição sobre a Mansão do Caminho e a obra de Divaldo Pereira Franco. Em outubro de 2016, estivemos com Divaldo no Movimento Você e a Paz, realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

No diálogo descontraído com Jô Soares, já citado, transpareceu em Divaldo a alegria de viver e de servir, vencendo dificuldades e impasses, e, deixando o entrevistador impactado com a informação que Divaldo tem todo um vigor com idade avançada, agora alcançando os 90 anos de idade e 70 anos de oratória!

 

Referência:

1) Entrevistando Divaldo Pereira Franco. Revista Internacional de Espiritismo. Ano LVII. Abril de 1982, p. 365-368; Do autor: Centro Espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: Ed.USE, 2016; Benedita Fernandes. A dama da caridade. Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 2017.

(*) – Foi dirigente espírita em Araçatuba, presidente da USE-SP e da FEB, e, membro da Comissão Executiva do CEI.

 

Extraído do Boletim Notícias do Movimento Espírita – Ismael Gobbo – dia 5/5/2017:

http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/MAIO/05-05-2017.htm

 

NAS AÇÕES DO BEM, O PASSADO É SEMPRE PRESENTE

Célia Maria Rey de Carvalho (*)

Como espíritos imortais, nosso destino é o bem, o amor, com esforços individuais. Jesus orientou que ele se faria presente no socorro aos necessitados. Pela lei da cooperação entre os homens que ele estaria conosco. Ninguém cruza o nosso caminho em vão, aproveitando-se ou não a oportunidade.

Esse raciocínio se aplica à história de uma senhora desequilibrada que perambulava por Penápolis. Pelo sentimento de cooperação, foi acolhida e tratada espiritualmente de uma obsessão contumaz que sofria há anos. Curada, se lembrou de seu nome: Benedita Fernandes. Praticou em Araçatuba a ajuda aos semelhantes, como haviam feito com ela.

Não a conheci e chegavam aos meus ouvidos de jovem os seus feitos. Conheci um jovem que mais tarde tornou-se meu marido – Cesar Perri. Pesquisador nato, estudioso, escritor de “fácil letras” como se dizia, que desde cedo interessou-se pela figura de Benedita. Quase não havia registros sobre a vida dela. O desejo incansável em conhecer aquela personagem não lhe deu tréguas. Reuniu dados e fatos e os publicou em singelo opúsculo. Isso não o satisfez. Mensagens espirituais de Benedita revelaram que sua preocupação continuava sendo as crianças e os obsediados. Quem era esse Espírito, que de forma inteligente, amorosa e sábia enviava essas mensagens do além?

Para Cesar, novos desafios e pesquisas prosseguiram durante anos. Após a publicação do opúsculo, ele fez palestras sobre a vida daquela personagem que passou a ser conhecida como a “Dama da Caridade”. Núcleos de assistência e Centros Espíritas passaram a homenageá-la dando-lhe seu nome. Era vista por médiuns do Brasil e do exterior.

Passados mais de 50 anos nesse afã do Cesar em compreender Benedita Fernandes, sem conhecê-la pessoalmente, perguntamos o que está por trás disso?

A espiritualidade esclarece sobre a parentela material e a espiritual e que esta, remonta milênios e é sustentada pela afinidade, pelo bem querer, e se solidifica ao longo dos tempos. Também há um revezamento nos processos reencarnatórios: alguns espíritos afins retornam ao corpo físico e os demais ficam na espiritualidade velando por eles, ora a situação se inverte. Presumo ser essa a história espiritual entre Benedita Fernandes e Antonio Cesar Perri de Carvalho, são espíritos da mesma família espiritual, mas com evoluções espirituais distintas.

Agora é acessível a história dessa mulher ímpar. Para Cesar, a gratidão continua norteando suas ações em prol da divulgação do vulto Benedita, que por “coincidência” desenvolveu sua obra em Araçatuba. União de dois trabalhadores de Jesus, com os mesmos ideais de ajuda aos semelhantes e divulgação da sua Doutrina. Se não fosse o esquecimento das reencarnações passadas, saberíamos que são milenares caminheiros, com ajudas mútuas pelos caminhos de Jesus. São as afinidades da família espiritual cultivadas aqui e no além, solidificando mais e mais os caminhos do amor e do bem comum.

 

(*) Mestre em Educação e professora aposentada; foi atuante no movimento espírita de Araçatuba; ex-diretora da USE-SP e da FEB.

(Artigo publicado no jornal “Folha da Região”, Araçatuba (SP), 3/5/2017. Lido na cerimônia de lançamento do livro “Benedita Fernandes. A dama da caridade”, no dia 6 de maio, em Araçatuba.)

Corporativismo mediúnico?

RIE-Corporativismo mediúnico

Verifica-se a incompreensão do que seja mediunidade, anexada ao desejo do autoritarismo.

Roberto Vilmar Quaresma | robertovilmarquaresma@gmail.com

Estruturas espíritas tornam-se inabaláveis quando são cercadas pelos apontamentos, insofismáveis, da Codificação da Doutrina Espírita. Qualquer desvio, o mínimo traço fora das recomendações do Espírito de Verdade, acarreta sensíveis transtornos, com a permissibilidade de graves interferências perniciosas, levando, irremediavelmente, para caminhos impróprios os movimentos que se mantinham fertilizados pela certeza do progresso espiritual, assegurado pelas orientações da Doutrina dos Espíritos.

Grupos e indivíduos em desalinho, portanto, não preparados evangelicamente por se encontrarem à margem de estudos das orientações doutrinárias, em conformidade com a atualidade terrena, têm promovido turbulências em grandes proporções em inúmeras casas espíritas, implantando a desarmonia e abrindo a “porta larga”[1].

Todavia, tal acontece porque nessas casas encontram as facilidades impostas pelos seus dirigentes que, por sua vez, também, colocam-se afastados das verdades da Codificação do Espiritismo, e dos aconselhamentos trazidos, constantemente, pelos benfeitores espirituais.

Não compreenderam que os Livros da Codificação traduzem orientações e instruções de Jesus e, em sendo Jesus nosso guia e modelo, nada deve ser modificado; contudo, as essências neles contidas precisam ser condicionadas à luz dos dias atuais, entretanto, mantendo os mesmos princípios da verdade; esta jamais deve sofrer quaisquer alterações ou interferências.

Os conteúdos desses livros, para que não sejam promovidos desvios, precisam ser observados e estudados, constantemente, com a vontade de entendê-los, para penetrar nas energias contidas nas estruturas verbais, e adaptá-los e qualificá-los para as horas hodiernas. Este procedimento constrói barreiras magnéticas capazes de anular quaisquer influências descompostas, que se aventurem a mobilizações impróprias às razões evangélicas; e mais, além da proteção fluídica o Ser permanece em sintonia com os benfeitores espirituais que o assistem, operando na intimidade dos pensamentos.

Observam-se, nos momentos atuais, comunidades formadas por pessoas inabilitadas, cujo degenerado teor perceptivo é obscurecido pelo orgulho e desmedida vaidade, que aventam; tornando-se joguetes de espíritos detratores, fomentam ideias equivocadas no intuito de induzir pessoas no circuito em que atuam à famigerada implantação de um possível corporativismo mediúnico. Isto é, os grupos mediúnicos das casas espíritas passariam a obedecer às regras traçadas por um Comando Central. Ora, a casa assim como cada médium têm mediunidades específicas a serem desenvolvidas e trabalhadas; jamais se pode atrelar casas espíritas e médiuns a regras únicas, pois, assim como não há espíritos iguais, obviamente não existem mediunidades iguais. Semelhantes, sim. Porém, o que é semelhante contém detalhes específicos e variados, e precisam ser observados e respeitados; nunca cumprirem determinada formatação e regidos por lamentáveis regras delimitadoras.

Verifica-se a incompreensão do que seja mediunidade, anexada ao desejo do autoritarismo, pois, ambicionar padronizar o que é específico e único em cada espírito, é o mesmo que impor a todos os espíritos assumirem exatamente o mesmo nível evolutivo, situação plenamente impossível.

Mediunidade é condição especialíssima em cada Espírito. Allan Kardec revela: “Não há nenhum sinal pelo qual se reconheça a existência da faculdade mediúnica; só a experiência pode revelá-la”[2]. Sem este propósito não há quem seja capaz de identificá-la; e mais, como já dito, a mediunidade opera na intimidade do pensamento, para, após, manifestar-se corporalmente, quando necessário. Em muitas ocasiões a comunicação apenas se dá na profundeza do médium, sem qualquer exteriorização que a identifique. O médium agirá com ações comuns, viabilizando a orientação recebida, ou não.

Evidentemente, estas percepções somente serão sentidas pela sensibilidade dos estudiosos. Aqueles que simplesmente fazem uso da observação sem os conhecimentos já trazidos à luz pelo Espiritismo mergulham no abismo do erro, porque mediunidade não é vestimenta exterior, mas sim, faculdade que tem os seus mecanismos no âmago da alma, com seus efeitos transferidos para o perispírito e com a informação apresentada pelo corpo físico; todavia, com certos detalhes, porque nem tudo o que a mediunidade revela nas informações é a totalidade do processo nos eventos. Muitas revelações são destinadas ao trabalho do médium, e estas ficam em segredo para as suas devidas ações, sem a necessidade de ser expostas ou comentadas.

A mediunidade, como já visto, é individualizada e não carece de padronização, como esperam conseguir pessoas que ambicionam impor seus domínios em casas espíritas que apresentam a falta de conhecimento, assim como elas.

Ora, como imprimir um mesmo desenvolvimento a faculdades que se apresentam segundo a evolução e as necessidade de cada alma? Se bastante não fosse, o organismo físico foi biologicamente estruturado para determinado tipo de mediunidade, de acordo com as necessidades a serem manipuladas na presente encarnação, e estas foram pautadas quando da elaboração da programação reencarnatória ou mapa de provas úteis, como cita André Luiz em Missionários da Luz, capítulo 13[3]. Se tal condição, perniciosa, é acionada, é o mesmo que querer impor ao Universo que os mundos obedeçam a uma única pauta exclusiva de desenvolvimento, sem ser considerado o nível evolutivo no qual se encontrem. Obediência completamente inaceitável, jamais seria cumprida; nunca obteria êxito.

Situação facilmente compreensível: cada mundo está em um patamar na escala da lei do progresso; e mais, lá encontra-se uma população hospedada onde cada membro ostenta um grau espiritual de desenvolvimento. Não há a mínima condição para estabelecimento de uma única pauta educativa; a movimentação é complexa e somente planejada e colocada em execução por espíritos, encarnados ou desencarnados, estudiosos e especializados em diagnosticar estruturas íntimas.

Pois bem, os grupos ou aqueles que individualmente vêm tentando estabelecer um corporativismo mediúnico, para que possam ter o domínio das ações e concretizarem os seus critérios perniciosos de comando, é bom que desistam da alçada, porque mediunidade é faculdade doada por Deus de acordo com as necessidades de cada alma, como já verificado, e ninguém é capaz de modificar as características configuradas; poderá sim, prejudicar suas investidas, desviando-as, fazendo com que aconteçam de maneiras indevidas e equivocadas. Porém, se alguém assim agir, assume a responsabilidade do mal proporcionado, e assinala em sua pauta reencarnatória as ações controvertidas, para, futuramente, com novas ações eliminar os efeitos maléficos construídos, corrigindo-se.

Mediunidade é faculdade da alma que se projeta nos seus instrumentos de trabalho – perispírito e corpo físico –, predisposta para a sua ascensão na diretriz do progresso a caminho da perfeição. Por estes principais motivos, a atenção à manifestação da qualidade mediúnica deve ser respeitada sem quaisquer imposições para modificá-la, mas sim, com todo carinho, educá-la e aprimorá-la.

Os estudiosos da Codificação da Doutrina dos Espíritos conhecem e sabem lidar com as condições mediúnicas de cada indivíduo. Sabem que em não havendo duas almas iguais, impossível existir mediunidades iguais.

Daí fica mais do que constatada a falta de conhecimento e aprendizado, por estudos mal feitos ou, quem sabe, por necessidades pessoais de satisfação promovida pelo orgulho, filho dileto do egoísmo, a tentativa de estabelecer um ineficaz corporativismo mediúnico, a fim de imprimir as falsas verdades individuais.

Tenhamos, finalmente, então, o cuidado de não permitirmos que indivíduos inescrupulosos se infiltrem nas estruturas bem direcionadas das nossas casas espíritas. Para tanto, sejamos estudiosos contumazes da Doutrina Espírita, e estejamos atualizados, isto é, os conhecimentos e aprendizados devem ser adaptados e aplicados considerando a luminosidade dos novos dias.

1. Mateus 7:13 – Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.

2. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 2ª Parte. Cap. II – 62.

3. XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da Luz. Pelo espírito André Luiz. FEB.

O autor é engenheiro aposentado, pós-graduado em Administração. Atua como médium e expositor no Centro Espírita Léon Denis (CELD) e é autor do livro “Coisas da vida na visão espírita”, Ed. O Clarim.

Extraído de: Quaresma, Roberto Vilmar. Corporativismo mediúnico? Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCII. N. 3. Abril de 2017. P. 123-124.

 

Kardec e Benedita

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O dia 18 de abril assinala os 160 anos do lançamento de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, em Paris. Este livro é o registro de nascimento do Espiritismo. Posteriormente, Kardec desdobrou-o em outros livros e que são conhecidos como a Codificação Espírita ou as Obras Básicas do Espiritismo.

O ensino moral de Jesus é tratado como um dos princípios do Espiritismo, entendido como proposta para o aperfeiçoamento espiritual das pessoas. O Livro dos Espíritos deixa claro que "a verdadeira adoração é a do coração" e desenvolve questões sobre a benevolência, indulgência, perdão, ou seja sobre a excelência da caridade.

Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a primeira do mundo, fundada também no mês de abril, no ano de 1858, Kardec preocupava-se com estudos, difusão das ideias espíritas, coleta de observações, aproximação com outras sociedades unidas pelo laço moral e também com a atuação junto à comunidade. A prática refletia a teoria. O Codificador, atendeu à sugestão do Espírito Sanson, recebida em reunião no inverno de 1862: "Meus bons amigos, quando o frio chegou e tudo falta em casa dessa brava gente, porque não viria eu, vosso antigo condiscípulo, vos lembrar da palavra de ordem, a palavra caridade? Daí tudo quanto pode dar o coração, em palavras, em consolo, em cuidados. – […] sede todo amor, todo caridade". Kardec realizou um trabalho em favor dos operários de Rouen e, ao mesmo tempo, elaborava o "Projeto de Comunidade Espírita".

A disseminação do Espiritismo foi rápida inclusive no interior do Brasil

Sete décadas após o lançamento de O Livro dos Espíritos, Benedita Fernandes iniciava em Araçatuba um trabalho em favor de crianças e doentes mentais, de amor e caridade tal como orientou Sanson em trecho acima citado.

Dentro do trabalho institucional Benedita concretizou sua homenagem a  Kardec de maneira marcante, praticando o bem, dando o nome do Codificador e uma criança por ela amparada.

Na fase inicial de elaboração da 1a edição de nosso livro sobre  Benedita Fernandes, no início dos anos 1980, entrevistamos Allan Kardec Marçal Costa. Este foi uma das primeiras crianças a ser criada por Benedita. Ele aparece em fotos junto dela, em grupo de crianças – todas acolhidas por essa baluarte da caridade. Um contemporâneo de Benedita, de Penápolis, assim se expressou so­bre o menino: "Um dia, no asilo, vi Dona Benedita chegar toda alegre, acompanhada de um menino negro, de olhos brilhantes e esbelto, sadio e ladino. Era o Allan Kardec, nome dado por sua "mãe" Benedita." Allan Kardec Marçal Costa, já desencarnado, teve uma vida simples e trabalhou como comerciário em Araçatuba, e, de vez em quando, comparecia às reuniões nas primeiras décadas da Instituição Nosso Lar, onde atuávamos.

Esses fatos constam do livro Benedita Fernandes. A dama da caridade, que estaremos lançando em Araçatuba no início de maio próximo.

 

– O autor foi dirigente espírita em Araçatuba; foi presidente da USE-SP e da FEB.

(do jornal “Folha da Região”, Araçatuba, SP, 19-04-2017, p.2)

Jesus e Kardec

Relembramos os primeiros contatos entre Chico Xavier e Emmanuel na estruturação segura da tarefa de divulgação do Espiritismo na Pátria do Evangelho, por meio da rica literatura vinda do Plano Maior da Vida.

Momento inesquecível é aquele em que Chico relata os primeiros contatos, quando Emmanuel o preveniu de que pretendia trabalhar ao seu lado, por tempo longo, mas que deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec . E mais, que se um dia ele, Emmanuel, algo aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que Chico deveria permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.

Fica aí bem definida a linha de segurança para o trabalho Doutrinário. A difusão do Consolador Prometido nas casas espíritas, nas palestras, nos livros, nas publicações, nos meios de comunicação, nos cursos e eventos não pode perder de vista a imprescindibilidade de permanecer com Jesus e Kardec.

Não podemos e não devemos abrir mão desses dois alicerces, garantia da casa erguida sobre a rocha: o Evangelho de Jesus, vivido e ensinado sob a égide da Lei de Amor; o Espiritismo, a verdade, que veio relembrar tudo o que está no Evangelho e trazer ainda muito mais.

Se nos afastamos desse roteiro, perderemos a linha essencial do trabalho. Afinados com esse roteiro, teremos a tranqüilidade para analisar tudo e extrair o que é de bom.

É necessário que tenhamos essa disciplina observada por Emmanuel, que deixa clara a busca daqueles alicerces para não se deixar levar por nenhum tipo de mistificação ou idolatria sobre sua pessoa, a ponto de, ele próprio, recomendar que fosse abandonado, caso fizesse algo contrário ao que ensina Jesus e Kardec.

E para esta disciplina devemos estar sempre com os ensinamentos de Jesus (o Evangelho) e de Kardec (Doutrina Espírita) como roteiro sereno e seguro da nossa ascese espiritual.

 

(Editorial do jornal “O Espírita Mineiro”, edição MARÇO /ABRIL – 2009).