ESPIRITISMO E POLÍTICA

ESPIRITISMO E POLÍTICA

Aylton Paiva*

Também no livro A Gênese, de Allan Kardec, encontramos o esclarecimento:

“O Espiritismo não criou a renovação social, pois a maturidade da humanidade faz dessa renovação uma necessidade. Por seu poder moralizador, por suas tendências progressivas, pela elevação de seus propósitos, pela generalidade das questões que ele abraça, o Espiritismo está, mais que todas as outras doutrinas, apto a secundar o movimento regenerador. Por isso que é contemporâneo.Surgiu no momento em que podia ser útil, pois para ele também os tempos são chegados”. (A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec ― ed. FEAL).

Destaca-se, então, o compromisso do espírita com uma nova ordem social, fundada no Direito e no Amor. Obviamente, essa transformação dependerá da ação consciente dos bons e ao lado deles, os espíritas atuando com uma “consciência política“, fundamentada nos princípios éticos das Leis Morais de O Livro dos Espíritos.

Portanto, não pode o espírita alienar-se da sociedade e deve agir, com conhecimen‑ to e amor, nessa transformação, em importante momento histórico da civilização humana:

“Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5º)

Observando a ousadia da maldade e a confusão entre bondade e omissão, Allan Kardec indagou aos Espíritos:

“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”. ― Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.” (Questão 932 de O Livro dos Espíritos ― Ed. FEB)

A resposta é clara e precisa, não permite dúvidas àqueles que pretendem ser bons. O mundo e, especificamente, a estrutura social brasileira, está precisando de transformações urgentes para coibir a ação dos maus que solapam os bons costumes, que semeiam a miséria, que se utilizam dos instrumentos da corrupção, da fraude e da mentira para atingirem seus objetivos egoísticos e antiéticos.

Momento significativo para a transformação da sociedade é a realização de eleições para os poderes Legislativo e Executivo.

Em breve seremos chamados às urnas. O espírita precisa estar consciente da sua responsabilidade nesse momento, seja pleiteando cargos eletivos, seja indicando seu representante para assumir esses cargos.

O voto é uma procuração que se passa ao candidato para que, se eleito, ele aja em nosso nome a bem da coletividade. É a maior manifestação de amor e respeito ao povo. Não votar, anular o voto, omitir-se é apoiar as forças do mal, é permitir que os maus sobrepujem os bons.

Para que o espírita tenha critérios de avaliação do candidato analise a sua conduta como membro de uma família, no exercício da atividade profissional, o seu interesse e envolvimento em ações comunitárias com os princípios contidos em O Livro dos Espíritos ― 3ª Parte ― Das Leis Morais, onde estão os conceitos sobre: o Bem e o Mal, a Sociedade, o Trabalho, o Progresso e a Igualdade, Justiça e o Amor.

Não se deve levar as questões político- partidárias para dentro do Centro ou Instituição Espírita. Estas devem ser debatidas no seio da sociedade, mas o espírita deve estar consciente e responsável nas aplicações dessas questões, visando sempre o bem comum.

Vote consciente.

VOTE COM AMOR!

*Aylton Paiva é da USE Intermunicipal de Lins.

(transcrito do jornal Dirigente Espírita, USE-SP, N. 166. Junho-Julho de 2018, p.7.

O porquê do estudo de A gênese

O porquê do estudo de A gênese

Opiniões e manifestações espirituais devem ser analisadas com base nos critérios da lógica, do bom senso e, inclusive, dados concretos disponíveis.

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Os 150 anos da publicação de A gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo estão sendo assinalados por momentos de polêmica a respeito de suas edições francesas iniciais.

A gênese foi lançada por Allan Kardec em janeiro de 1868, sendo por ele reeditada mais duas vezes nos mesmo ano e tendo a 4ª. edição lançada em fevereiro de 1869. Portanto, até a desencarnação do Codificador este havia lançado quatro edições da citada obra. Atendendo à exigências do governo francês submeteu a primeira edição ao Ministério do Interior, que após a liberação, foi depositada na Biblioteca atualmente conhecida como Biblioteca Nacional da França. Para as duas outras edições de 1868 e a edição de fevereiro de 1869, Allan Kardec apenas informou que teriam o mesmo conteúdo da edição original.

Em dezembro de 1872, a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, lançou a 5ª. edição, que precisou passar pelos trâmites oficiais de registro, pois se tratava de uma “edição revisada, corrigida e aumentada”. Livros e revistas em francês das últimas décadas do século XIX já traziam matérias sobre as polêmicas e contradições relacionadas com a citada Sociedade Anônima, as deturpações ocorridas em A gênese e a alteração da linha editorial nas edições da Revista Espírita após a desencarnação de Kardec. É sabido que essa Sociedade Anônima concedeu ainda no século XIX a várias instituições – inclusive do Brasil – a autorização para a tradução da 5ª. edição francesa. Porém, estas concessões caducaram quando as obras de Allan Kardec caíram no domínio público. Pela legislação francesa da época, seriam 50 anos após a morte do autor.

Desde fatos ocorridos no 2º. semestre de 2017, como o alerta e posição firme e clara da Confederação Espírita Argentina, com informações, publicação da obra El legado de Allan Kardec e da nova tradução para o espanhol da 1ª. edição francesa de A gênese, ocorrem repercussões em nosso país.

No início de março de 2018, a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realizou o seminário “A gênese. O resgate histórico” com atuação de Simoni Privato Goidanich, oportunidade em que lançou a tradução para o português de sua obra O legado de Allan Kardec.1 Há quase dez anos já existia uma tradução para o português da 4ª. edição francesa (de 1868) de A gênese, editada pelo Centro Espírita Léon Denis (CELD), do Rio de Janeiro. Em maio de 2018 a Fundação Espírita André Luiz (FEAL), de São Paulo, lançou a tradução para o português da 1ª. edição francesa de A gênese. Alguns países já lançaram traduções de A gênese com a mesma base.

Algumas pessoas e instituições prosseguem na defesa das traduções da 5ª. edição francesa da citada obra e circulam textos variados. Aliás, todas Editoras do Brasil comercializam a citada versão; as únicas exceções são as Editoras do CELD e da FEAL.

A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo divulgou Manifesto de sua Diretoria Executiva, recomendando “a adoção da 4ª edição francesa (cujo conteúdo é idêntico às três edições anteriores) e suas respectivas traduções do livro A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo como a obra de referência doutrinária, cuja autoria pode ser atribuída, sem qualquer dúvida, a Allan Kardec”.2

Todavia, permanecem dúvidas e questionamentos para muitas pessoas e instituições, apesar dos fatos e divulgação de documentos franceses pesquisados e reproduzidos por Simoni Privato Goidanich em seu livro O legado de Allan Kardec e apresentados em vários seminários.

Evidentemente que muitos não acessaram o livro citado e podem estar agindo motivados por muitas outras razões. Alguns ficam na expectativa de manifestações dos espíritos ou de posições dessa ou daquela instituição. É natural que a dúvida ou a remoção da posição de conforto incomode, mas essa é a razão para nos debruçarmos no texto de A gênese e analisarmos as posições e recomendações do sensato e racional Codificador.

A Doutrina Espírita recomenda que as opiniões e as manifestações espirituais devem ser analisadas com base nos critérios da lógica, do bom senso e, inclusive, dados concretos disponíveis, o que abrange documentos históricos e oficiais; e da concordância com o ensino dos Espíritos. O Codificador destaca na Apresentação e no primeiro capítulo de A gênese, intitulado “Fundamentos da Revelação Espírita”: “[…] pedimos uma atenção rigorosa para esse ponto, porque é aí que se encontra, de algum modo, o nó da questão. Não obstante a parte que toca à atividade humana na elaboração dessa Doutrina, a sua iniciativa pertence aos espíritos, ela, porém, não é formada da opinião pessoal de cada um deles; ela não é, e nem pode ser, mais que o resultado do seu ensino coletivo e concordante. Somente nessa condição, ela pode se dizer a Doutrina dos Espíritos, de outra forma seria apenas a doutrina de um espírito, e só teria o valor de uma opinião pessoal.”3,4

Ainda no capítulo inicial de A gênese o Codificador reitera: “O caráter essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, consequentemente, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos, não é revelação; se ela for atribuída a Deus, não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele, é preciso considerá-la como o resultado de uma concepção humana.”3,4 E Allan Kardec reforça o papel do Espiritismo como “ciência de observação”. Pois bem, nesta condição os fatos e documentos não podem ser desprezados!

Em seu Manifesto, a USE-SP recomenda: “Promover encontros, seminários e outros meios de interação com os dirigentes e colaboradores de instituições espíritas em geral objetivando o esclarecimento sobre os fatos históricos e documentos que justificam a adoção da 4ª edição francesa e suas respectivas traduções desta obra como referência.”2

A nosso ver, o sesquicentenário de A gênese deve ser bem aproveitado pela comunidade espírita para realmente ler, estudar e refletir seu conteúdo. E para os grupos que puderem, compararem os textos da obra publicada por Allan Kardec, enquanto encarnado – da 1ª a 4ª edições -, com a 5ª. edição de 1872.

Valorizemos as Obras Básicas de Allan Kardec, efetivamente estudando-as!

Bibliografia:

1) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE. 2018. 446p.

2) NOTA OFICIAL – Edições do livro A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. São Paulo, 05/06/2018; http://grupochicoxavier.com.br/use-recomenda-sobre-a-genese/

3) Kardec, Allan. Trad. Sêco, Albertina Escudeiro. A gênese. 3.ed. Apresentação; Cap. 1. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 2010.

4) Kardec, Allan. Trad. Imbassahy, Carlos de Brito. A gênese. 1.ed. Apresentação; Cap. 1. São Paulo: FEAL. 2018.

(*) O autor foi presidente da FEB e da USE-SP e membro da Comissão Executiva do CEI. Transcrito de: Revista Internacional de Espiritismo. Ano 93. N.7. Agosto de 2018. P. 368-9.

Candidato espírita ou espírita candidato?

Candidato espírita ou espírita candidato?

Marcos Milani (*)

Em ano eleitoral é comum encontrarmos aqueles que supõem que o rótulo religioso ateste a integridade e a competência do candidato. O movimento espírita não está livre desse discurso.

É possível ouvir, vez ou outra, alguém dizendo que “espírita vota em espírita”.

Será mesmo que esse é o critério adequado para identificarmos um “bom” candidato? Quais seriam as razões para acreditar, por exemplo, que um valoroso colaborador de um centro espírita seria um ótimo vereador ou deputado? Ao afirmar que conhece a seriedade do colega e, por isso, gostaria de vê-lo nas lides políticas, esse eleitor demonstra ter adotado o critério da proximidade e relação simpática com o candidato. Adicionalmente, poder-se-ia cogitar que, sendo espírita, esse candidato defenderia os princípios e valores doutrinários em sua função pública, assim como protegeria as instituições espíritas, os seus interesses e suas atividades. São argumentos compreensíveis, mas superficiais.

Sob a perspectiva daqueles que compartilham a mesma crença, naturalmente existe uma identificação com a postura moral, mas as semelhanças podem parar por aí se as propostas econômicas, políticas e sociais que o candidato abraçar forem diferentes daquelas que o eleitor acredita serem as mais adequadas.

Por exemplo, um candidato que se afirme espírita e que esteja filiado a um partido que possua uma agenda programática favorável ao aumento do déficit fiscal para financiar medidas populistas e que gerarão sérios danos à economia com reflexos diretos no aumento da inflação e pauperização da população no longo prazo seria um bom candidato? Não parece ser.

O programa do partido político que o candidato representa é muito importante e pode sinalizar muito mais sobre as propostas que ele realmente defende do que, simplesmente, afirmar-se espírita. Ao contrariar as diretrizes do partido, o filiado pode ser, inclusive, expulso.

No polarizado cenário político nacional, há espíritas em todas as trincheiras ideológicas. Inexiste uma posição partidária espírita e constitui-se uma agressão à liberdade individual a tentativa de se buscar um pensamento hegemônico eleitoral.

Fica claro, portanto, que não existe um candidato que represente o espiritismo nem os seus adeptos de maneira uniforme. Alguns militantes políticos, infiltrados nas fileiras espíritas, tentam impor convicções particulares pelo constrangimento. Chegam ao cúmulo de publicarem nas redes sociais mensagens como: “espírita que defende esse ou aquele candidato não é espírita”.

Supõem-se senhores da razão, desprezam a diversidade de opiniões e desrespeitam a liberdade de consciência. Ainda, de maneira maniqueísta, rotulam o espiritismo como se fosse de esquerda ou de direita, socialista ou liberal, isso ou aquilo. Pinçam trechos dos ensinamentos dos espíritos para os interpretarem por conveniência, como se houvesse um direcionamento doutrinário explícito ou implícito nesse sentido e os adeptos deveriam votar somente em candidatos que partilhassem dessas mesmas visões.

O Espiritismo não está preso na transitoriedade dos problemas locais e sua proposta repousa no aperfeiçoamento moral e intelectual do ser humano, sem receitas ou fórmulas programáticas sociais. A deterioração da situação econômica vivenciada no Brasil, fruto de políticas intervencionistas desastrosas com graves reflexos sociais durante a última década não se resolve pelo rótulo religioso.

Não somente o espírita, mas qualquer um, na condição de cidadão, tem a possibilidade de agir a favor da construção de uma sociedade melhor e uma das maneiras de participar desse processo é portar‑se, condignamente e com competência, em todas as atividades que desempenhar, seja na vida privada ou pública. Há candidatos que, porventura, se declaram espíritas e atraiam a simpatia de alguns adeptos, mas não existem candidatos dos espíritas e, muito menos, deve existir uma variação do voto de cabresto no movimento espírita.

(*) Marco Antonio Milani Filho é diretor do Departamento do Livro (Doutrina) da USE-SP e presidente da USE Regional de Campinas.

Extraído de:

Dirigente espírita, USE-SP. Ano 28. N.166. P. 11. São Paulo, julho-agosto de 2018.

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA-Entrevista

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA APPARECIDO BELVEDERE- MATÃO, SP

Entrevista feita por Ismael Gobbo

Nesta entrevista temos a oportunidade de conhecer facetas da vida do nosso companheiro de ideal espírita, Apparecido Belvedere, diretor da Casa Editora “O Clarim”, entidade fundada pelo inesquecível Cairbar de Souza Schutel. Apparecido nos fala também do Memorial Cairbar Schutel, local que abriga documentos, equipamentos antigos da gráfica de O Clarim e objetos que pertenceram a Cairbar.

P – Apparecido, você poderia apresentar-se aos leitores?

R – Eu vim de São Paulo para Matão, onde resido desde 1975, portanto há 43 anos. Nesta cidade me casei em segundas núpcias com Laodicéia, que já tinha dois filhos, Leliane e Eudes. Eles são os meus dois filhos adotivos muito queridos. Minha primeira esposa já é falecida. Gosto muito da cidade e sou feliz por ter a oportunidade de aproximar-me da obra legada por Cairbar Schutel, desencarnado em 1938, espírito de escol que conheci pela leitura dos livros, da Revista Internacional de Espiritismo, do jornal O Clarim e pela própria visitação in loco, para conhecer o parque gráfico e o centro espírita.

P – Como conheceu o Espiritismo e desde quando é espírita?

R – Ismael, eu fui batizado na Igreja Católica em Aparecida do Norte e cheguei a ser “coroinha”. Quando atingi meus 14-15 anos de idade, comecei a questionar o padre sobre certas coisas que achava esquisitas. Por exemplo, a chamada pena capital, segundo a qual, após a morte, a pessoa sofre eternamente no inferno que a igreja apregoa. Ele me respondia de forma evasiva, dizendo que as coisas eram assim mesmo; me mandava rezar o Pai Nosso e a Ave Maria e encerrava a conversa aconselhando que não me preocupasse e que não precisava perguntar sobre isso. Essa dubiedade fez com que me afastasse da igreja e me desinteressasse por assuntos religiosos, tornando-me naquele momento um ateu e,por que não dizer, à toa.

P – Apparecido, fale-nos um pouco mais sobre essa sua aproximação com a instituição fundada por Cairbar Schutel.

R – A história é longa, mas bonita. O primeiro centro espírita que comecei a frequentar foi o Centro Espírita Cairbar Schutel, no bairro Itaim Bibi em São Paulo. Este, aliás, foi o primeiro a adotar o nome do Bandeirante do Espiritismo após sua desencarnação. Interessante o fato de que amigos de Cairbar queriam fundar o centro com seu nome, objetivando homenageá-lo ainda em vida, proposta que ele não aceitou, justificando que enquanto estivesse vivo poderia fazer alguma coisa errada que pudesse vir a respingar no centro. Então para mim foi uma grande alegria começar no Espiritismo naquela casa espírita, onde estudei todas as obras básicas e as outras complementares, dentre as quais as de Cairbar. Como viajasse para a região a trabalho, visitando usinas de açúcar, numa delas no início da década de 1960, mais precisamente no mês de agosto, quando se comemora o aniversário de “O Clarim”, comecei a tomar contato com a instituição, sintonizando-me perfeitamente com o trabalho que ela desenvolvia, declarando a amigos que um dia me mudaria para a cidade com a finalidade dedar “in loco” aminha colaboração. E a vida me permitiu que em março de 1975 aportasse definitivamente em Matão, prestando meu trabalho pessoal ao centro e à Casa Editora O Clarim, nesta última de forma mais efetiva e em tempo integral.

P – Poderia nos resumir os trabalhos desenvolvidos pela instituição?

R – Bem, aqui no centro espírita desenvolvemos todos os trabalhos comumente realizados numa casa espírita. Além do estudo temos o atendimento fraterno, estudo e prática da mediunidade, transmissão de passes e assistência aos necessitados, tudo em conformidade como já acontecia nos tempos de Cairbar. Na editora, além do jornal O Clarim e da RIE, editamos livros impressos. Estamos nos aproximando de 200 títulos lançados desde a fundação da editora. E agora já contamos mais de 50 e-books,comercializados pela Amazon (a lista completa pode ser acessada pelo link: https://www.amazon.com.br/s… Ao longo do tempo fomos acumulando materiais históricos e ocorreu a ideia de fundar uma espécie de museu para homenagear Sr. Schutel que, por questões técnicas e de registro, recebeu a denominação de Memorial Cairbar Schutel. Cabe aqui salientar o progresso que as edições de O Clarim e da RIE alcançaram não só pelo crescimento do número de assinantes brasileiros como de residentes no exterior. Um fato digno de menção é que o jornal O Clarim, fundado em 1905, recebia muitas matérias do exterior, sobretudo matérias científicas, raras em nosso país, o que ensejou a fundação da revista 20 anos depois, com o nome de Revista Internacional do Espiritismo. Com o passar dos anos, houve uma sutil mudança no nome, passando a chamar-se Revista Internacional de Espiritismo. A fundação deste novo periódico foi possível pela contribuição de Luiz Carlos Oliveira Borges, fazendeiro de Dourado, cidade próxima a Matão, que era muito confiante em Cairbar. Sua foto está exposta no Memorial. Borges e Cairbar trocaram várias correspondências durante os primeiros números da RIE, mas infelizmente ele desencarnou em junho de 1925, não tendo muito tempo para prestigiar o alcance que a revista teria. Hoje em dia com a presença de Cássio Carrara, jornalista responsável pelos dois periódicos, a revista ganhou muito na qualidade de apresentação; atinge atualmente dezoito países com assinantes regulares e temos conseguido parcerias com outras editoras, muitos artigos do exterior publicamos aqui enquanto os daqui são publicados no exterior. Enfim, o trabalho de Cairbar Schutel se consolidou e se amplia cada vez mais.

P – O Espírito Cairbar Schutel se comunica mediunicamente?

R – Aqui no nosso centro espírita os médiuns percebem a sua presença, todavia não temos recebido pelas vias mediúnicas mensagens diretas do Sr. Schutel, o que já ocorreu através da psicografia de Divaldo Pereira Franco mais de uma vez em eventos dos quais estávamos presentes. Um fato interessante ocorreu em São Paulo, quando eu já era espírita e participava do movimento de unificação promovido pela USE. Certa feita estávamos numa casa espírita, que tinha um médium muito bom e de muitos recursos. Esse médium não sabia que eu estava presente, mas ao final do encontro chamou por Apparecido, que efetivamente era eu. Ele então disse que havia uma mensagem e me entregou a psicografia assinada por Cairbar Schutel, na qual me pedia paciência e perseverança no trabalho que desenvolvia, considerando que os pequenos percalços fazem parte da luta e com fé em Deus são todos contornados. A mensagem muito linda e incentivadora infelizmente se encontra extraviada. O fato é que, por essas e outras razões, me mudei para Matão e aqui estou há 43 anos, buscando dar o melhor de mim ao lado dos queridos companheiros de ideal espírita que servem com muito amor e carinho na Seara Espírita, inspirados por Cairbar.

P – Acompanhando a RIE, O Clarim e também os livros editados, percebe-se um grande número de colaboradores, sobretudo articulistas.

R – Isso realmente acontece. Temos uma gama muito grande de grandes articulistas que vêm nos ajudando a levar avante as tarefas iniciadas por Cairbar. Eles sabem da importância do trabalho e, por isso, esforçam-se nas pesquisas, trazendo ao público leitor matérias atualizadas de cunhos científico, filosófico e religioso, todos em consonância com a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec.

P – Como é feita a seleção ou mesmo rejeição de alguma matéria?

R – Reiteramos a necessidade de que estejam em perfeita sintonia com os princípios espíritas. Aliás, diga-se, são poucas as matérias descartadas justamente por não se amoldarem a esses princípios. Às vezes ocorrem algumas distorções doutrinárias conflitantes e nesse particular temos procurado ser bastante rigorosos. Recebemos muito mais matérias aproveitáveis que descartáveis. Para isso temos nossa participação pessoal ao lado de uma equipe que nos presta inestimável colaboração, apontando alguns desses problemas que mencionei. Além dos colaboradores encarnados, temos a espiritualidade sempre nos intuindo e alertando para não deixarmos passar deslizes doutrinários, o que tem sido objeto de nossa constante vigilância.

P – Apparecido, voltando ao tema Memorial Cairbar Schutel, fale-nos como surgiu a idéia de implantá-lo.

R – Bem, a ideia de criação de uma espécie de museu não é coisa nova. Algumas décadas atrás surgiu essa inspiração e fomos nos preparando. Inicialmente buscamos acumular e organizar objetos e documentos pessoais de Cairbar Schutel, livros de registros da Farmácia Schutel, que administrava e era proprietário, da editora e do seu parque gráfico. Também recebemos ajuda de amigos como da família de Franco Fusco, filho do Sr João Fusco que era de São José do Rio Preto, muito amigo de Cairbar e fundador do centro que leva seu nome em São Paulo. Através de Flávio Fusco, também já desencarnado, recebemos muito material que foi doado e que se encontram expostos. Muitas coisas da farmácia de Cairbar que já possuíamos foram complementadas pelo dono posterior, Sr. Albertinho, já desencarnado, endereçando equipamentos que Cairbar utilizava na manipulação de medicamentos. O tempo foi passando até o momento em que eu e minha esposa Laodicéia, que também é diretora na instituição, acordamos para o seguinte ponto: para tocar um projeto desses não basta apenas vontade, é preciso alguém especializado para organizar. Pensávamos que fosse uma bibliotecária ou coisa parecida, até que nossa filha nos alertou: “Bibliotecária, não. Para o Memorial é preciso quem entenda do assunto e vocês já têm essa pessoa muito perto de vocês.” Com efeito acabamos despertados para a presença de Larissa, formada na Unicamp e na época casada com meu neto, que organizou tudo isso. A empresa de publicidade Tg3 preparou os materiais gráficos e também as fotos, tudo de forma adequada como pode aqui ser constatado.

P – O Memorial está aberto a receber alguma doação de material que tem a ver com Cairbar?

R – Certamente. Como já disse recebemos muitos materiais em doação. Como o próprio relógio de parede que pertenceu ao Sr. Cairbar e que foi doado pelo Sr. Adail Pedro. Então se alguém dispor de alguma foto, documentos, objetos, que guardou com carinho ao longo do tempo e que queira doar serão muito bem-vindos.Mas evidentemente tem que ter esse vínculo com o homenageado. Os materiais serão somados a nossa reserva técnica que vez por outra são expostos, possibilitando um rodízio nas exposições.

P – Como é feita a visitação?

R – Normalmente pedimos que os interessados entrem em contato conosco através da Lúcia Helena, que é a vice-presidente e faz a coordenação das visitas. O agendamento se faz necessário pelo motivo principal de termos muito trabalho e não ser viável destacarmos uma ou mais pessoas para ficarem exclusivamente e o tempo todo no Memorial. Com a visita marcada antecipadamente nos preparamos para receber convenientemente as pessoas, muitas vezes em grandes caravanas. Com essa providência, companheiros previamente preparados para o trabalho fazem o acompanhamento e oferecem todas as explicações históricas e administrativas da casa, numa “visita guiada”. Aqui verão e receberão informações precisas sobre cada um dos objetos ou documentos, por exemplo a mesinha onde Cairbar realizava as experiências de tiptologia; o seu quarto de dormir com cama e guarda-roupas; a primeira impressora; livros de registros diversos; fotos interessantes; os primeiros exemplares da RIE e de O Clarim; dentre muitos outros. Enfim, estamos aqui para atender da melhor forma possível aos que se interessarem nessa importante visitação.

P – Lendo a RIE e O Clarim dos primeiros anos nos deparamos commuitos relatos e ilustrações de fenômenos mediúnicos que hoje não são comuns. Aqui parece que também aconteciam…

R – Sim, Ismael, relatos de acontecimentos no Brasil e muito mais do exterior. O jornal e sobretudo a revista tinham muitas matérias científicas. Mas aqui também eles aconteceram. Dona Antoninha, já desencarnada, participante das reuniões mediúnicas dirigidas por Cairbar Schutel, contava que em uma delas a hora avançou e todos ficaram com fome. Para surpresa geral, ao lado viram diversos salgadinhos cuja presença foi explicada pelo fenômeno de transporte, aliás um dos mais comuns à época. Se alimentaram e após o final da reunião foram à padaria para fazer o pagamento da conta, fato que não deixou de causar espanto ao proprietário.

P – Agradecemos ao querido amigo Apparecido por esta entrevista e a ele deixamos as palavras finais.

R – Queremos aqui externar os agradecimentos ao amigo Ismael Gobbo que, através do boletim diário de Noticias do Movimento Espírita, tem buscado divulgar ao longo dos anos a Doutrina Espírita com seriedade e persistência, alcançando o Brasil e países do exterior. Que possa continuar sua tarefa inspirado por Jesus e pelos amigos espirituais dentre os quais se insere Cairbar Schutel.

Extraído de:

http://www.noticiasespiritas.com.br/2018/JULHO/24-07-2018.htm

Divergências Doutrinárias

Divergências Doutrinárias

Richard Simonetti

1 – Há na atualidade grande quantidade de médiuns que recebem informações sobre a vida espiritual. São, não raro, surpreendentes e assustadoras. Como lidar com essa situação? A Terra é morada da opinião. O mesmo ocorre com o mundo espiritual, nas esferas próximas à Terra. Espíritos falam da vida além-túmulo conforme sua visão, sua maneira de ser, suas fantasias.

2 – Não têm todos os Espíritos acesso à realidade espiritual? Em planos mais altos, no infinito, sim. Nas vizinhanças do planeta, os Espíritos guardam uma visão compatível com sua cultura e discernimento. Imaginemos uma pirâmide. Perto da base, há espaço para a diversidade. No topo atinge-se a unidade.

3 – Isso explica por que vemos Espíritos que continuam ligados a movimentos religiosos e idéias que caracterizaram sua atividade, quando encarnados? Exatamente. Sempre imaginamos que todos os Espíritos convertem-se automaticamente aos princípios espíritas, ao desencarnar. Não é o que vemos no processo mediúnico, com católicos que continuam católicos, evangélicos que continuam evangélicos, muçulmanos que continuam muçulmanos, vinculados às suas igrejas.

4 – E quanto ao Espiritismo? Não confirmam, “in loco”, os desencarnados, princípios como a Reencarnação, a Lei de Causa e Efeito, a Mediunidade? Depende de seu estágio de entendimento e dos condicionamentos a que se submeteram na Terra. Na Inglaterra, por exemplo, temos grupos que cultivam o intercâmbio com o Além e não aceitam a reencarnação, o mesmo acontecendo com os Espíritos que ali se manifestam.

5 – É surpreendente! Lembro a história hindu sobre cegos seis cegos examinando um elefante. Cada qual teve uma ideia segundo a parte apalpada. O que tocou na tromba imaginou ser uma serpente; o que tocou nas orelhas concebeu imensas ventarolas; o que tocou no corpo pensou numa montanha a se mover… Cada Espírito vê a dimensão espiritual conforme seu “tato”, quando não tenha evolução suficiente, olhos de ver, como diria Jesus, para encarar a realidade.

6 – O médium podem exercer influência nesse processo? Sem dúvida. Se, por exemplo, o médium não aceita a reencarnação, um Espírito que queira explicar como se processa o retorno à carne terá grande dificuldade, esbarrando nas suas concepções. Esse problema só seria resolvido com um médium psicografo mecânico, Neste tipo de mediunidade a interferência do médium é praticamente nula.

7 – E quanto à possibilidade de mistificação? Pode um médium fazer “revelações” a partir de um Espírito mistificador? Acontece com frequência. Por isso o Espírito Erasto, um dos mentores da Codificação Espírita, adverte, em O Livro dos Médiuns, que é preferível negar dez verdades a aceitar uma só mentira. Há, ainda, algo mais grave: o próprio médium mistificar para adquirir notoriedade com “revelações.”

8 – Considerando os “cegos a descrever o elefante”, como podemos apreciar a informações que chegam da espiritualidade, buscando separar a realidade da fantasia? Em princípio, cotejando-as com a Codificação.

Não obstante o caráter progressista da Doutrina, desdobramentos não podem colidir com elementares princípios doutrinários. Paralelamente, observando a universalidade dos ensinos, como propõe o próprio Codificador. Se vários mentores espirituais, manifestando-se por intermédio de médiuns respeitáveis, que não têm contato entre si, informam que há muitas cidades no plano espiritual, tipo Nosso Lar, é bem provável que estejam reportando-se a uma realidade.

Atendendo a esse mesmo princípio, informações solitárias sobre a vida espiritual pedem prudência em sua apreciação e aceitação.

Extraído de: http://ismaelgobbo.blogspot.com/2011/01/divergencias-doutrinarias.html

 

Doutrina Espírita com base na Bíblia

Doutrina Espírita com base na Bíblia

José Reis Chaves

- Resposta a um comentário de uma coluna no portal do jornal

O Tempo -

Abordaremos um comentário, no ‘espaço dos comentários’ dessa coluna, no Portal de O TEMPO. Como as matérias dela demonstram o que é a doutrina espírita com base na Bíblia, ela incomoda muito os adversários do espiritismo. Quero esclarecer que não sou um aventureiro nas minhas abordagens bíblicas, pois estudei para padre Redentorista e, para fazer o trabalho que faço hoje, procurei me aprofundar mais ainda no estudo da Bíblia e da Teologia Cristã, mas sem as ideias preconcebidas sobre as interpretações de ambas.

Os paradigmas novos sempre incomodam os adeptos conservadores dos antigos, principalmente os religiosos. Mas a verdade religiosa se concretiza exatamente com a sua evolução. E ninguém consegue barrar a evolução. E, por causa dessa coluna em O TEMPO, desde o ano de 2.000, meus livros, programas na Rádio Boa Nova e na TV Mundo Maior, ambas em SP, tenho feito palestras e seminários, em vários Estados do Brasil, e em Portugal. Alegro-me muito, por ela ser muito lida não só pelos espíritas, mas também, por padres, bispos e pastores e que frequentam também aquele espaço dos comentários do citado fórum na Internet.

E repito que não sou um aventureiro que fala sobre a Bíblia sem ter dela um estudo sério, mas sem os abusos comuns de suas interpretações pelos estudiosos dela, ora alegóricas, ora literais, que tanto dividem os cristãos. E falo com convicção que a Bíblia não é a palavra de Deus, pois nela há muitos erros e contradições que é até uma blasfêmia atribuí-los à autoria de Deus. Aplaudo o que diz hoje a Igreja Católica: a Bíblia é a palavra de Deus escrita por homens.

No espiritismo encontramos também ensino semelhante a esse da rainha das igrejas cristãs. Com relação à coluna “A modernização da Bíblia é para tirar dela as ideias espíritas”, de 18/6/2018, esclareço que quando a Bíblia fala que Deus castiga, premia ou perdoa, na verdade é a lei de causa e efeito que funciona. Colhemos o que semeamos!

Na citada coluna, entre outros exemplos, citei Êxodo 20: 5, em que se lê, nas Bíblias antigas até a década de 1930:

“Visito a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira (netos) e quarta (bisnetos) gerações,” como está também na Vulgata Latina de são Jerônimo. Isso significa que é o mesmo espírito do pai pecador (primeira geração) que paga o pecado reencarnando nos seus descendentes, o que sugestiona a ideia da reencarnação. É que o autor bíblico do texto vê como pecador o espírito do pecador e não o seu corpo e os corpos descendentes dele. E os tradutores modernos, percebendo essa ideia da reencarnação do espírito pecador que retorna, passaram a traduzir a preposição ‘em’ mais o artigo ‘a’ (na) por ‘até’ mais o artigo ‘a’ (até a). Aí sim, é que aparece a ideia de descendentes pagarem os pecados de um seu antepassado, o que é contra a Bíblia. A alma que pecar é que paga seu pecado. (Ezequiel 18: 20).

E um comentarista evangélico radical, no fórum citado, na internet, para despistar a ideia da reencarnação do texto antigo mencionado, teve a ousadia de dizer que o pecado é de idolatria. Ora, na coluna, não interessa o tipo de pecado, mas o pagamento pelo mesmo espírito pecador do passado, do ponto de vista espiritual bíblico e não material, ou seja, dos corpos! Esse comentarista evangélico, em vão, engana seus seguidores, tentando esconder mais uma ideia da reencarnação na Bíblia!

(J.Reis Chaves, Belo Horizonte: jreischaves@gmail.com)

HERDAR A TERRA

HERDAR A TERRA

Richard Simonetti

– Crime horroroso cometeu aquele sujeito! Embriagado, avançou o sinal, atropelou e matou três inocentes! Devia existir pena de morte para essa gente!

– Seria pouco! Se eu estivesse ali participaria com satisfação de um linchamento. O miserável merecia morrer junto com suas vítimas!

– Mundo violento este em que vivemos! Você leu sobre a mulher que agrediu o amante que pretendia deixá-la? Aproveitou o momento em que dormia para dar-lhe uma violenta martelada na cabeça! O infeliz não morreu mas terá seqüelas que complicarão sua vida.

– É um horror estarmos sujeitos às loucuras de gente dessa laia, que por um nada pensa em matar. Deviam cortar-lhe a mão para aprender a respeitar as pessoas.

– Seria um castigo exemplar!… E há os desonestos que nos enganam para tirar proveito…

– Estou bem atento a esses salafrários. Comigo não tiram vantagem. Noutro dia falei poucas e boas a uma mulher sacudida que pedia esmola à minha porta, a pretexto de comprar leite para seu filho.

– Não sei onde vamos parar! O problema está em nossos próprios lares. Minha filha apaixonou-se por um mau caráter que se atreveu a beliscá-la, movido por ciúmes. Dei-lhe umas boas bordoadas para aprender a respeitar as pessoas.

– Não raro tenho ganas de fazer o mesmo com alguns subordinados, em minha atividade profissional. São incompetentes e relapsos! Contenho-me, mas não deixo de dar uns bons berros para que cumpram seus deveres.

– É o que faz minha mulher na escola. Diz ela que os alunos são tão impertinentes que ao final da aula está afônica de tanto gritar. Impõe disciplina com braço de ferro.

– Creio que a Terra só vai melhorar quando houver a separação do joio e do trigo de que fala Jesus e essa gente for banida de nosso planeta. Então viveremos melhor, como ensina a Doutrina Espírita.

– Deus o ouça. Espero que aconteça logo. Detesto gente agressiva! Não gostaria de reencarnar num mundo tão violento como o nosso!

***

Interessante diálogo, bem ilustrativo das tendências do homem comum, não é mesmo, amigo leitor?

E quanto a Jesus, o que diria?

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.”- Sermão da Montanha, Mateus, 5:5.

Extraído de: Boletim Notícias Espíritas do dia 04 de Julho de 2018.

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Desdobramentos iniciais

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Desdobramentos iniciais

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Em continuidade ao artigo inicial sobre Instituição Nosso Lar, de Araçatuba (http://grupochicoxavier.com.br/historico-da-instituicao-nosso-lar-primeiros-tempos/), onde resumimos a história de seus primeiros tempos, agora destacamos o desenvolvimento e desdobramentos da mesma.

Aos 7/9/1962 foi inaugurada uma extensão de Nosso Lar, que recebeu o nome de Casa Transitória, situada à rua José Domingues de Almeida no. 410, sendo um local também destinado a albergar transitoriamente famílias. Neste local era realizada uma reunião pública de explanações, como na Instituição Nosso Lar, às 3as. feiras à noite.

Com a desencarnação de Emília Santos, ocorrida aos 26/9/1964, as Aulas de Moral Cristãs foram assumidas por Antonio Cesar Perri de Carvalho que já colaborava com ela. Em 15/11/1964, este fundou a Mocidade Espírita Irma Ragazzi Martins, sendo seu primeiro presidente, congregando dezenas de jovens ligados às famílias dos colaboradores e de frequentadores do bairro, integrando-os nas atividades da Instituição, inclusive de visita em apoio a lares do bairro. Os jovens passaram a realizar mensalmente na cidade a “Campanha do Quilo”, para angariação de alimentos para a Instituição. Veio a ser a primeira mocidade como departamento de uma instituição, pois até então elas eram autônomas. Do início desta Mocidade emergiram vários futuros dirigentes e colaboradores de Nosso Lar e de outras instituições e também expositores como, na turma de fundadores: Ismael Gobi, Neusa Gobi, Sônia Gobi, Barcelo Ângelo Cintra, Olga Ângelo Cintra, Eloína Ângelo Cintra, Fernandina Pedroso, Antonieta Maria Cristina Perri de Carvalho Barcelos, e, em seguida, Paulo Sérgio Perri de Carvalho, Osvaldo Rodrigues da Fonseca Filho e Hélio Poço Ferreira. A Instituição Nosso Lar foi sede de vários eventos de jovens, reunindo as Mocidades Espíritas da cidade.

No dia 1º de janeiro de 1966, em reunião festiva proferida pelo confrade José Rubens Braga da Silva, e com convidados da cidade, foi inaugurada a Casa da Sopa Emília Santos, sita à rua São Vicente no. 336. Esta instituição passou a oferecer sopa diariamente a pessoas sem lar, moradores de rua e hospedados no Albergue Noturno da cidade. Foram dedicados zeladores o casal Auzília e Pedro Gobi. Como campanha em benefício da construção da Casa da Sopa, foi editado em 1965 um pequeno livro – Gotas espirituais -, uma coletânea de frases espíritas, realizada por José Rubens Braga da Silva, e impresso na Gráfica Araçatubense, de propriedade do casal Edwiges (Bijú) e Honório de Oliveira Camargo, tios dos irmãos Rolandinho e Bebé. Colaboramos com o desenho da capa.

Ainda no final dos anos 1960, a rua “R”, onde se localiza a Instituição Nosso Lar, passou a ser designada Rua Emília Santos.

Com a aposentadoria de Rolandinho, por motivo de saúde, este passou a se dedicar em tempo integral à Instituição. Rolandinho realizava campanhas para doações para a Instituição e contava com apoio de famílias da cidade e amigos dos seus tempos de juventude. Entre os colaboradores destacamos Abílio Fernandes da Silva, recém vindo Portugal, tornou-se espírita e amigo de Emília Santos, participou da criação do Grupo de Estudos Evangélicos João Luiz dos Santos, simples e discreto, e até sua desencarnação foi um fiel apoiador de Rolandinho.

O ano de 1972 assinalou o aparecimento de duas novas atividades. Em 15 de novembro de 1972 foi inaugurado o Centro Espírita Luz e Fraternidade, ao lado da Casa da Sopa Emília Santos, o qual veio tornar pública as reuniões do Grupo de Estudos Evangélicos João Luiz dos Santos, que vinham se realizando na residência de Rolando Perri Cefaly e da qual também participávamos. Inicialmente somente havia uma reunião pública às 6as. feiras. Assim, o antigo Grupo de Estudos originou no Centro nascente. Uma semana depois, no dia 2 de dezembro de 1972, foi inaugurada a Creche e Lar João Luiz dos Santos como departamento e nas próprias dependências da Instituição Nosso Lar. Bebé, já aposentada do magistério, veio a coordenar as atividades da creche. A essa altura já estava desativada a atividade de oferecer casas/lares a necessitados na Instituição Nosso Lar e na Casa Transitória.

Na realidade existiam apenas duas instituições com personalidade jurídica: a Instituição Nosso Lar, incluindo a Casa Transitória e a Creche, e, a Casa da Sopa Emília Santos, incluindo o Centro Espírita Luz e Fraternidade. Assinalamos que as construções da Casa da Sopa, do Centro e da Creche foram de responsabilidade de Albino Marinelli, antigo construtor credenciado pelo CREA, e tio de Rolandinho e Bebé.

Essa é a síntese do esforço intenso de Rolandinho, Emília Santos, Bebé e vários colaboradores dedicados que fundaram a Instituição Nosso Lar, e que num prazo curto de tempo resultou nos desdobramentos: Casa Transitória, Casa da Sopa Emília Santos, Creche João Luiz dos Santos e Centro Espírita Luz e Fraternidade.

Observação – Fontes:

Os dados sobre as instituições e as biografias de várias pessoas citadas encontram-se em:

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. Histórico da Instituição Nosso Lar. Primeiros tempos: http://grupochicoxavier.com.br/historico-da-instituicao-nosso-lar-primeiros-tempos/

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. O espiritismo em Araçatuba. Araçatuba: UMEA. 1975;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol I). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 1999;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol II). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 2000.

Extraído do home page da Instituição Nosso Lar: http://nossolararacatuba.com.br/?page_id=8

(*) Foi um dos dirigentes da Instituição Nosso Lar, do Centro Espírita Luz e Fraternidade, presidente da USE-SP e da FEB.

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Primeiros tempos

HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO NOSSO LAR – Primeiros tempos

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Apresentamos uma síntese sobre a origem, fundação e os desdobramentos iniciais da Instituição Nosso Lar.

Momentos prévios à fundação da Instituição No ano de 1957, em São Paulo e em seguida, ao retornar de mudança a Araçatuba, Josefina Perri Cefaly de Carvalho (Bebé) tornou-se espírita, e passou a frequentar a residência do casal Irma Ragazzi Martins e Francisco Martins Filho. Irma era médium espírita ligada à Aliança Espírita Varas da Videira. Logo depois Bebé convidou seu irmão Rolando Perri Cefaly (Rolandinho), que também se mudava da capital para Araçatuba, para conhecer as reuniões com Irma.

Nessa situação conheceram Emília Santos que visitava Irma, já enferma. Emília, embora residente em Araçatuba, há alguns anos atuava no Centro Espírita Amor e Caridade, da vizinha cidade de Biriguí. Iniciou-se uma sólida amizade entre os dois irmãos e Emília Santos. A convite desta passaram a frequentar reuniões do Centro Espírita Amor e Caridade, de Biriguí.

Rolandinho iniciava seu trabalho como propagandista (viajante) dos medicamentos da Parke Davis e viajava por toda a região Noroeste do Estado de São Paulo. Bebé havia se transferido como professora primária da capital para Araçatuba, e, coincidentemente, no mesmo Grupo Escolar onde atuava o prof. Lauro Bittencourt, espírita militante e que foi ligado a várias instituições espíritas de Araçatuba. Rolandinho e Bebé passaram a integrar uma atividade já realizada por Emília Santos e amigos em duas oportunidades do ano: época do dia de São João e do Natal, de distribuição de sanduíches na Santa Casa de Misericórdia, Casa da Criança e Cadeia Pública da cidade de Araçatuba.

Aos 30 de dezembro de 1959, na residência de Emília Santos (uma casa de fundos sita à rua 15 de Novembro), tiveram início as reuniões do Grupo de Estudos Evangélicos João Luiz dos Santos. Este Grupo que, embora criança, tivemos a oportunidade de frequentá-lo desde o início, acompanhando minha genitora Bebé e seu irmão Rolando Perri Cefaly, mais tarde veio dar origem a várias obras. O nome do Grupo homenageava o genitor de Emília Santos, espírito que se manifestava pela psicofonia da filha. Neste Grupo se estudava: O livro dos espíritos, O evangelho segundo o espiritismo, e obras de André Luiz (pelo médium Chico Xavier), então recentes; ocorriam manifestações espirituais e passes. Ao final, Emília Santos oferecia um jantar aos que pudessem permanecer no local.

Surge a Instituição Nosso Lar A equipe que se formava foi se solidificando. Em 1960 houve a experiência de levar sopa a famílias carentes em bairro periférico e surgiu a ideia de se criar uma entidade assistencial. Assim, em 7 de outubro de 1960 foi fundada a Instituição Nosso Lar, numa reunião simples que foi registrada em Ata, com a finalidade de abrigar transitoriamente famílias necessitadas e para centralizar tarefas assistenciais do citado Grupo. Registrou-se como seus primeiros dirigentes: Presidente – Rolando Perri Cefaly; Vice-presidente – Emília Santos; 1º secretário – Josefina Perri Cefaly de Carvalho; 2º secretário – Walter Perri Cefaly; Tesoureiro – Pedro Perri.

Rolandinho adquiriu uns terrenos num loteamento que era lançado em Araçatuba, na época distante da cidade, o chamado bairro Planalto, na rua “R”, travessa da extensão da rua Marcílio Dias. Ali ele providenciou uma construção bem simples. Nos primeiros anos, a Instituição era composta de um pátio interno, de forma quadrada, rodeado de casinhas muito simples e geminadas, unidas por uma varanda coberta. No lado esquerdo e atrás de uma das casas havia um pequeno salão. Ao fundo do pátio havia uma sala para a diretoria, uma pequena farmácia e uma cosinha.

A nova obra foi inaugurada aos 2 de junho de 1961 com convidados espíritas da cidade. Nas casinhas eram albergadas transitoriamente famílias que tinham necessidade de apoio para manutenção, tratamentos e obtenção de ocupação para o casal. Em função de se existirem pequenas casas/lares a Instituição era chamada carinhosamente de “vilinha”.

Aos domingos iniciou-se uma reunião pública num pequeno salão da Instituição, das 10 às 11h30. Era dirigida por Rolando, ocorriam: explanações sobre O livro dos espíritos e O evangelho segundo o espiritismo, manifestação do espírito João Luiz dos Santos pela médium Emília Santos e passes. Os expositores sobre os livros citados, respectivamente, eram Francisco Martins Filho e Lauro Bittencourt. Poucos anos depois José Rubens Braga da Silva substituiu Francisco por quase dois anos, e na sequência passou a falar Antonio Cesar Perri de Carvalho. Lauro Bittencourt foi expositor até sua desencarnação em 1970, sendo substituído pelo próprio Rolandinho. No último domingo de cada mês, ocorria a palestra de um convidado da cidade, oportunidade em falaram Sálvio Costa, Orlando Ayrton de Toledo, Alfredo Yarid Filho, Brasil Nogueira, Aurélio Luiz de Oliveira e outros companheiros. Havia apresentação de poesias e músicas de crianças e adolescentes preparados por Emília Santos. Após a reunião pública, no pátio interno ainda descoberto, era servida suculenta sopa aos moradores da Instituição e frequentadores do bairro. Por ocasião do Natal havia uma reunião festiva e oferta de um almoço especial aos frequentadores, lotando o pátio da Instituição.

Emília Santos deu início às Aulas de Moral Cristã Neio Lúcio, para crianças, realizadas antes da reunião pública. Pouco tempo depois foram adquiridos terrenos vizinhos o que veio permitir a expansão da Instituição. A Instituição era muito visitada por espíritas da região de Araçatuba. Em abril de 1962 recebeu a visita de Divaldo Pereira Franco que era um dos conferencistas de um grande conclave de jovens espíritas efetivado em Araçatuba.

Observação – Fontes:

Os dados sobre as instituições e as biografias de várias pessoas citadas encontram-se em:

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. O espiritismo em Araçatuba. Araçatuba: UMEA. 1975;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol I). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 1999;

- Gobi, Ismael (Org.). Obra de vultos (Vol II). Araçatuba: USE Regional de Araçatuba. 2000.

Extraído do home page da Instituição Nosso Lar: http://nossolararacatuba.com.br/?page_id=8

(*) Foi um dos dirigentes da Instituição Nosso Lar, presidente da USE-SP e da FEB.

Anestésico esférico

ANALGÉSICO ESFÉRICO

Francisco Habermann (*)

A história se repete. Nesta semana de abertura da Copa os olhos mundiais se voltam para a Rússia, um país que esconde enorme população vivendo abaixo do nível de pobreza.

Como aconteceu aqui, enorme investimento faz parecer o que não é ou o que não tem. Sugere, como sempre, ser oportunidade de visualização política. A experiência brasileira é amargamente sentida por todos até hoje. Ficamos com os saldos negativos da aventura dita esportiva.

Digo assim não para desestimular o entusiasmo coletivo, mas para sugerir reflexão diante de tantos problemas nacionais que emergem a cada dia em nossas vidas. Algo se esconde ainda aos nossos olhos de simples torcedores inocentes (ou bobinhos) que somos. Cito alguns. A enorme disputa pelos direitos de transmissão, envolvendo milhões; a escancarada e bilionária disputa de patrocinadores que anunciam seus produtos sem nenhum cuidado com a saúde populacional; as enriquecedoras permutas prévias de jogadores entre clubes trilionários; os escândalos já descobertos envolvendo inúmeras personalidades do meio futebolístico brasileiro e internacional. A lista é cansativa. E, ainda assim, estaremos interrompendo nossas atividades cotidianas para pregar os olhos lá na tela mágica da TV e acompanhar os nossos milionários ‘ídolos’. Parece brincadeira.

Para falar a verdade, sinto que merecemos mesmo este intervalo diante de tantos problemas nacionais que enfrentamos no dia-a-dia. Acho até que a bola rolando no campo funciona como um santo analgésico para nossas dores de cabeça. É sensação esquisita, mas é assim que funciona com nosso povo.

Acalma-nos. Isso seria suficiente? Voltaríamos mais dispostos após?

Não vejo problema na torcida, só acho que convém pensarmos bem nos nossos tão desejados êxitos outros que aguardam solução aqui nesta terra. Especialmente se tivermos a oportunidade de vencer um adversário (com a bola esférica) por sete a qualquer coisa. Seria, então,a nossa glória?

Ainda assim, resta uma pergunta perturbadora. E as outras modalidades esportivas? Teriam o mesmo entusiasmo nacional? Hummm!

É melhor deixar a bola rolar…pois gostamos de ser auto iludidos. Goool!

(*- Da Associação Médico Espírita de Botucatu)

DE: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/analgesico-esferico?xg_source=msg_appr_blogpost