Cidade de São Paulo: homenagem ao apóstolo

Paulo e São Paulo

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No livro Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo destacamos que Emmanuel desenvolveu quase 1.400 capítulos sobre versículos do Novo Testamento (diversos livros e Editoras) e mais de um terço são referentes às epístolas de Paulo.1

Também comentamos a admiração de Emmanuel por Paulo, registrada em várias obras de Chico Xavier, a começar do notável depoimento em mensagem de 13/3/1940: “Lede as cartas de Paulo e meditai. O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo. Muitas vezes foi áspero. A terra não estava amanhada e se em alguns pontos oferecia leiras brandas e férteis, na maioria, era regiões em espinheiro e pedregulho. Paulo foi lidador de sol a sol. […] Conheci-o em Roma, nos seus dias de trabalho mais rude e de provações mais acerbas. Vi-o uma vez unicamente, quando um carro de Estado transportava o senador Públio Lentulus, ao longo da Porta Ápia, mas foi o bastante para nunca mais esquecê-lo. […] Trocamos algumas palavras que me deram a conhecer a sua inteireza de caráter e a grandeza de sua fé. O fato ocorria pouco depois da trágica desencarnação de Lívia e eu trazia o espírito atormentado. As palavras de Paulo eram firmes e consoladoras. […] Lede-o sempre e não vos arrependereis.”2

Em 3/8/1949, o espírito Neio Lucius, revela o acolhimento do senador após sua desencarnação (79 d.C.): 'É que também Paulo, na vida espiritual, jamais descansou. Quando o senador romano desencarnou, extremamente desiludido, em Pompéia, foi contemplado com os favores do sublime convertido. Paulo sempre se consagrou às grandes inteligências afastadas do Cristo, compreendendo-lhes as íntimas aflições e o menosprezo injusto de que se sentem objeto no mundo, ante os religiosos de todos os matizes, quase sempre especializados em regras de intolerância.”2

Herculano Pires comenta essa mensagem: “Amparado pelo Apóstolo dos Gentios, conseguiu Publius Lentulus transitar nas avenidas escuras da carne, em existências várias, até encontrar uma posição em que pudesse servir ao Divino Mestre com o valor e o heroísmo daquela que lhe fora companheira no início da Era Cristã. E assim temos em Manuel da Nóbrega o homem de raciocínio elevado, entregue a si mesmo em plena selva, onde tudo estava por fazer.”3

Na apresentação de Paulo e Estêvão, Emmanuel define: “Nosso escopo essencial não poderia ser apenas rememorar passagens sublimes dos tempos apostólicos, e sim apresentar, antes de tudo, a figura do cooperador fiel, na sua legitima feição de homem transformado por Jesus Cristo e atento ao divino ministério. […] Entre perseguições, enfermidades, apodos, zombarias, desilusões, deserções, pedradas, açoites e encarceramentos, Paulo de Tarso foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas da sua vida.”4

Na trajetória espiritual do senador romano há citações a Paulo e suas epístolas. Em 50 anos depois: “Paulo e João nos revelaram o Cristo Divino, Filho do Deus Vivo, na sua sublimada missão universalista, a redimir o mundo.”5 De Ave, Cristo!, transcrevemos: “Por muito tempo, ainda, o programa dos cristãos não se afastará das legendas do Apóstolo Paulo” e em outros momentos transcreve versículos de epístolas paulinas.”6 No romance Renúncia, em diálogo de Alcíone com Damiano, há referência à Epístola a Timóteo, citações de exemplos de Paulo e suas viagens.7

Paulo considerou Emmanuel: “o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo”2; reconhecemos o autor espiritual como o principal exegeta do Novo Testamento à luz do Espiritismo!

Esclarecida a relação entre Emmanuel e Paulo de Tarso, lembramos que a cidade de São Paulo foi fundada no dia 25/1/1554 por Manuel da Nóbrega. A cidade e o Estado homenageiam o Apóstolo da Gentilidade, o que foi evocado por Chico Xavier na cerimônia pública e televisada da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 19/5/1973, em que recebeu o título de “Cidadão Paulistano”. Em livro de Clóvis Tavares – amigo de Chico Xavier – e publicada com aprovação deste enquanto encarnado, esclarece-se que Nóbrega era uma das reencarnações do senador Lêntulus.

Registros históricos de conhecimento público anotam que Nóbrega, que atuava em São Vicente, subiu ao Planalto de Piratininga e resolveu fundar uma escola,  escolhendo o dia 25 de janeiro, data da tradição católica comemorativa da conversão do apóstolo Paulo. Anotou Neio Lúcius: "[…] Pelo amor profundo, devotado por ele à inesquecível figura de Paulo, poderá você concluir das razões que levaram o esforçado jesuíta a dar o nome do grande apóstolo à cidade que lhe mereceu especiais cuidados no lançamento, a ponto de esperar o aniversário da conversão do doutor de Tarso e, em janeiro, para iniciar os primórdios da grande metrópole brasileira, colocando-a sob a proteção do amigo da gentilidade."2

A cidade de São Paulo surgiu a partir de uma escola, homenageando o apóstolo da gentilidade, consolidando no seu desenvolvimento marcas significativas de educação, religiosidade e trabalho.

Herculano Pires comentou a relação entre Paulo e Nóbrega: “Dura foi a luta pela conversão do gentio. […] Paulo exerceu o apostolado dos gentios para o Cristianismo. Nóbrega foi o Apóstolo dos Gentios no Brasil nascente, preparando o terreno para o seu apostolado espírita do futuro.”3

Referências:

1. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo. Cap.1. Matão: O Clarim.

2. Tavares, Clóvis. Amor e sabedoria de Emmanuel. Cap.4 e 5. Araras: IDE.

3. Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano; Espíritos diversos. Diálogo dos vivos. Cap.23. São Bernardo do Campo: GEEM.

4. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. Breve notícia.  Brasília: FEB.

5. Idem. 50 anos depois. 1ª. parte, cap.VI. Brasília: FEB.

6. Idem. Ave cristo. Cap.1. Brasília: FEB.

7. Idem. Renúncia. Cap.3. Brasília: FEB.

(Extraído de: Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cidade de São Paulo: homenagem ao apóstolo. Correio Fraterno do ABC. Ano 50. N.473. Janeiro-fevereiro de 2017. P.8-9).

A interpretação espírita da Bíblia é feita de modo racional

José Reis Chaves

Há dois modos de interpretar a Bíblia: o literal e o metafórico. O literal é o mais usado pela Igreja, já o metafórico é mais comum entre as igrejas protestantes e evangélicas, o que tem provocado frequentemente interpretações muito polêmicas sobre os textos bíblicos. Daí a grande divisão das igrejas evangélicas, que existem hoje aos milhares.

De fato, a interpretação metafórica, às vezes, dá margem a entendimentos tão absurdos feitos por nossos irmãos evangélicos, que acabam tornando a Bíblia um livro descaracterizado com relação a sua mensagem de grandes verdades a respeito dos caminhos que levam a nossa salvação ou libertação. E com o surgimento da doutrina espírita, então, é que essas interpretações bíblicas metafóricas das igrejas evangélicas tomaram um rumo no qual, como se diz, acredite nele quem quiser! Realmente, interpretações descabidas metafóricas estão sendo feitas para tirar da Bíblia todas as suas passagens referentes à reencarnação e à mediunidade e, pois, ao contato com os espíritos.

Vejamos alguns exemplos de interpretações absurdas e que, inclusive, têm passado para os próprios textos de algumas bíblias evangélicas, com o que estão fazendo mais falsificações da Bíblia. Saul, por intermédio da médium de Endor, comunicou-se com o espírito do profeta Samuel já desencarnado. Os teólogos evangélicos, negando o que o texto bíblico diz claramente, têm a ousadia de falar que se trata de uma alegoria, e que não foi Samuel, mas o “diabo” que se manifestou a Saul enganando-o.

Caros leitores, deixamos que vocês mesmos concluam se é a Bíblia que diz a verdade ou se são os evangélicos que insistem em afirmar contra ela que é o “diabo” que falou com Samuel! Textualmente, afirma a passagem bíblica: “Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste fazendo-me subir?” Essa verdade de que foi mesmo Samuel, e não o “diabo” que se comunicou com Saul está lá na Bíblia (1 Samuel 28: 15). E, então, com quem está a verdade, com os evangélicos ou com a Bíblia? Também, em outra parte dela, lemos: “Samuel, até depois de morto, profetizou” (Eclesiástico 46: 20). Ademais, tudo que o espírito de Samuel disse a Saul, no episódio acima citado, realizou-se.

Outra passagem bíblica que é uma pedra no sapato dos evangélicos é a da transfiguração de Jesus no monte Tabor. E não é bem essa transfiguração que é tão importante nesse fato, mas o contato envolvendo Jesus, Pedro, Tiago e João, de um lado, e do outro, os espíritos de Moisés e Elias, que viveram encarnados aqui na Terra, havia muitos séculos.

E eis mais um exemplo que é da Primeira Carta de João (João 4:1) falsamente interpretado de modo escandaloso por nossos irmãos evangélicos. João nos aconselha para examinarmos os espíritos (no plural), para sabermos se eles são bons (de Deus), ou maus (do mal), mas os evangélicos afirmam que João nos adverte para sabermos se o espírito é do próprio Deus ou do “diabo”. Perdoem-me a expressão “Vão ver tanto ‘diabo’ assim na China!”.

Com essas passagens bíblicas e outras, está provado que a Bíblia demonstra que existe a comunicação entre nós e os espíritos desencarnados, apesar de Moisés (não Deus), em Deuteronômio capítulo 18, a proibir. Aliás, se ele proíbe essa comunicação, conclui-se racionalmente que é porque ela existe mesmo!

Publicado originalmente em Coluna de O Tempo, BH, MG. 06/02/17.

Como está o atendimento em sua Casa Espírita?

Vladimir Alexei R. Rocha (MG)

É comum em cursos para iniciantes nos estudos doutrinários, expositores informarem categoricamente que a recepção da Casa Espírita é o seu “cartão de visitas”. Uma vez bem recebido, tudo fluirá naturalmente. E há verdade nessa afirmação. O carinho com que se é recebido em uma Casa Espírita faz toda a diferença. Sim! Lembramos do carinho e não da citação de capítulo ou versículo ou textos de obras doutrinárias. Entretanto, o voluntário da casa espírita é um cidadão comum (na maioria das vezes). E como o Brasil passa por uma crise aguda de qualidade na prestação de serviços em todos os seguimentos da Sociedade, como está o atendimento em sua Casa Espírita?

Os predicados para um bom atendimento na Casa Espírita não mudaram: fraternidade, paciência, atenção, respeito salpicados de amor fazem os corações combalidos que ali adentram, sentirem refrigério em suas almas. Nenhuma técnica, nenhum conhecimento intelectual substitui o amor. O amor é o alimento que sublima: o verdadeiro remédio para os males do presente. Assim sendo, entendemos ser necessário acima das técnicas, exercitar, colocar em prática o amor que se manifesta em todos nós de diferentes maneiras.

Como somos espíritos em evolução, progredindo lentamente, mas crescendo a cada reencarnação, em meio a diversidade que nos envolve, temos no amor a plataforma segura para um atendimento fraterno de qualidade. Estudar os muitos perfis, compreender os diversos comportamentos, como temos feito nos últimos anos nas casas espíritas, suscitou outra reflexão: o resultado não tem sido eficaz. É atribuído a C.G.Jung a frase que sintetiza o que desejamos passar: “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana”. No afã de auxiliar, aqueles que nos antecederam e que foram lideranças positivas no Movimento Espírita, trouxeram técnicas e procedimentos de diagnósticos psicológicos e até psicanalíticos para as casas espíritas e houve um “boom” de melhoria no diagnóstico e na identificação do perfil daqueles que adentravam as casas espíritas. Mas parou por aí.

Com o passar do tempo, percebe-se, na atualidade, que os ensinamentos eram ferramentas poderosas para que o educando pudesse ampliar seus recursos cognitivos, aprender mais na relação com o próximo. Mas, como o “canto da sereia”, fomos seduzidos por uma linguagem amistosa, coerente e que fortalecia o atendente da casa espírita para saber que, quando chega alguém com distúrbios emocionais, do tipo nervoso ou com tendências ao autocídio, a maneira de abordar seria diferente daquele que busca a casa espírita para resgatar dos escaninhos da própria alma a conexão com o Evangelho do Cristo. O trabalho dos pioneiros é sério e digno do nosso maior respeito, entretanto, me parece que ligamos o botão do “piloto automático”: os cursos nas casas espíritas ensinam “mais do mesmo”; são sempre os mesmos tarefeiros a ministrarem os treinamentos e são sempre os mesmos frequentadores a percorrerem todos os treinamentos. Alguns vão à casa espírita todos os dias, fazem todos os cursos, participam de todas as atividades, todos os dias e são excelentes companheiros, mas nenhum dirigente os aborda para entender o que ele vive. Porque há, em todo excesso, algo errado. Mas faltam trabalhadores nas casas espíritas!!! Claro que faltam!! Quais os incentivos para se frequentar uma casa espírita? Um dirigente narcisista? Um médium missionário? Regimentos militares? Misticismo?

O atendimento das casas espíritas, reflete o que vive cada casa com suas respectivas lideranças. Alguns maquiam o atendimento com técnicas, instruindo os voluntários a plantarem um sorriso amarelo quando chega alguém, todavia, com o passar do tempo percebe-se, pela mesmice, tratar-se apenas de marketing mal direcionado. Um dia falaremos sobre o marketing porque tem muita gente que não tem a menor ideia do que seja, mas lê algo na internet ou redes sociais e sai reproduzindo sem conhecimento. É a ansiedade do brasileiro de “adequar” métodos e técnicas desprezando a essência…

Como fazer então? A resposta final não é nossa. Um caminho indicado há dois mil anos por Jesus continua em franca ascensão: simplicidade. O último degrau da sofisticação. O que nos conecta com os valores morais superiores da Vida é o Evangelho à luz da Doutrina Espírita. Sem viver os ensinamentos do Evangelho as casas espíritas serão mais uma agremiação religiosa fadada ao fracasso em sua missão de  educar e consolar corações.

A propagação do Evangelho a partir do exemplo e do papel das suas lideranças é fundamental para o sucesso. Exemplo da liderança, perseverança na divulgação e fraternidade são temperos para que o consolo e a educação sejam estampados em letreiros luminosos nas recepções das nossas casas espíritas, indicando que ali há, com todas as dificuldades porque passam seus integrantes, a certeza na grandeza do porvir e no amor do Cristo! Mobilizemos nossos tarefeiros estimulando-os ao estudo contínuo, mas principalmente à fraternidade entre eles. Que haja mais interação entre os colaboradores. Que se conheçam mais, que convivam mais, além dos portais da casa espírita. Assim agindo, fortaleceremos os laços que nos unem como Verdadeiros Cristãos.

Paz e alegria a todos!

Casas e Causa

Antonio Cesar Perri de Carvalho

 

No Movimento Espírita é natural que exista a preocupação com a existência de sedes das instituições e, se possível, que sejam próprias.

Nessas sedes se desenvolvem as atividades em geral e, no contexto atual, é desejável que elas ofereçam conforto e boa aparência sem, no entanto, resvalar na grandiosidade e no luxo. Evidentemente que devem ser adequadas ao cumprimento de suas finalidades e também ao meio onde foram edificadas.

A propósito, Emmanuel assim define o Centro Espírita:

“Um centro espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.”1

E André Luiz sugere sobre as condições físicas:

“O recinto das reuniões pede limpeza e simplicidade”.2

A análise histórica poderá ser boa conselheira no sentido de se verificar o que ocorreu com os movimentos religiosos que se fundamentaram nas edificações materiais e na estrutura organizacional.

Com base em Paulo – “Temos um altar”3 – Emmanuel comenta sobre o “Altar íntimo”: 

“Até agora, construímos altares em toda parte, reverenciando o Mestre e Senhor. […] Materializado o monumento da fé, ajoelhamo-nos em atitude de prece e procuramos a inspiração divina. […] Apresentemos, portanto, ao Senhor as nossas oferendas e sacrifícios em quotas abençoadas de amor ao próximo, adorando-o, através do altar do coração, e prossigamos no trabalho que nos cabe realizar.”4 
Sobre o assunto, também merecem atenção as sedes de Órgãos e de Entidades Federativas, que têm a tarefa de dinamizar a união e a unificação. 

O documento de trabalho Orientação aos Órgãos de Unificação, aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, define conceitos relacionados com o tema, como as ações de Entidade Federativa como Centro Espírita e campo experimental: 

“Em algumas condições a Entidade Federativa pode executar ações chamadas de campo experimental. O campo experimental, agregado à própria Entidade Federativa, ou a um ou mais Centros Espíritas por ela designados, deve ser entendido como um local onde estão sendo implementados projetos, pesquisas e programas de estudo e de prática, inclusive com o objetivo de avaliá-los e convalidá-los. Historicamente, a Entidade Federativa pode ter se estruturado em um Centro Espírita e este pode ter mantido suas atividades, que não devem ser confundidas com as de campo experimental. A estrutura e as atividades que caracterizam um Centro Espírita devem atender às recomendações de Orientação ao Centro Espírita. A Entidade Federativa que mantém campo experimental ou um Centro Espírita deve priorizar suas atividades federativas, de forma coerente com seus estatutos. O campo experimental ou o Centro Espírita podem colaborar com a formação de equipes de trabalho para as atividades federativas, nas quais deve-se privilegiar a participação representativa e as experiências bem sucedidas de todo o território de abrangência da Federativa.”5

A sede física de um Órgão deve ser entendida como um ponto de referência. Na realidade, deve-se trabalhar com o conceito ampliado de sede – estendida –, e relacionada com a seara espírita e a comunidade em que se inserem.

“Entende-se por atividade federativa as ações que visem a difusão da Doutrina Espírita, a união fraterna entre as instituições espíritas e os espíritas, bem como o apoio aos Centros Espíritas, propiciando o trabalho em equipe e a preparação de trabalhadores. As ações devem ser implementadas pela Entidade Federativa e seus órgãos, em todo o território de sua abrangência.”5

As sedes devem ser entendidas como postos de trabalho, prioritariamente voltadas para a preparação de trabalhadores espíritas. O foco de atenção dos trabalhadores e o público-alvo não devem estar circunscritos a trabalhos internos, ou seja, às atividades intramuros. A ação envolve toda a área de abrangência do Órgão ou da Federativa. 

O desenvolvimento de atividades com base em objetivos bem definidos enseja condições para o planejamento consubstanciado em prioridades. A execução do plano de trabalho da instituição é fim, enquanto a sede e as necessárias estruturas organizacionais são meios. A edificação física e a organização administrativa são importantes, mas a dinamização das atividades-fim são indispensáveis, para que “prossigamos no trabalho que nos cabe realizar”.

As soluções para os problemas administrativos, inclusive das sedes das instituições, e as recomendações para as suas atividades “devem ter como parâmetro o que é simples e viável para a maioria das instituições”6 brasileiras, pois urge a difusão dos princípios espíritas em todas as faixas sociais, até mesmo favorecendo o acolhimento dos simples no Movimento Espírita.7

A transição para a Nova Era já se inicia e o Espiritismo deve “cumprir seu papel – de consolo, apoio, esclarecimento e contribuição para a libertação espiritual”.7

A Causa é mais importante do que a Casa!

 
Referências
1) XAVIER, Francisco C. O centro espírita. Pelo Espírito Emmanuel. In: Reformador, ano 59, n. 1, p. 9(5), jan. 1951.

2) XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 10.

3) HEBREUS, 13:10.

4) XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 93.

5) CARVALHO, Antonio Cesar Perri de (Organizador). Orientação aos órgãos de unificação. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 8, it. 3.1, subit. Conceituações, p. 91-92.

6) União com fidelidade, simplicidade e fraternidade. In: Reformador, ano 129, n. 2.185, p. 29(147)-31(149), abr. 2011.

7) Acolhimento dos simples. In: Reformador, ano 129, n. 2.183, p. 22(60)-24(62), fev. 2011.

 

Extraído de: Carvalho, Antonio Cesar Perri. Casas e causa. Reformador. Ano 129. N.2.186. Maio de 2011. P. 186-187.

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Matérias recentes sobre o tema:

Livro "Centro Espírita. Prática espírita e cristã", do mesmo autor, Ed. USE-SP, 2016.

Centro Espírita – onde os fatos se concretizam!

Júlia Nezu Oliveira (*)

Centro Espírita. Prática espírita e cristã […] O autor fundamenta o conteúdo da obra nas suas vivências e observações obtidas ao longo de 52 anos de suas atividades no Movimento Espírita. […] Essa bagagem de experiências o credencia a analisar o movimento espírita atual e apontar caminhos para o seu futuro, pois ele mesmo escreveu na sua obra, o movimento espírita tem por base o movimento espírita tem por base o Centro Espírita, onde os fatos se concretizam! Se a Doutrina é dos Espíritos, o Movimento Espírita é dos homens!

O livro está dividido em 6 capítulos: Antecedentes históricos; Fundamentos para a ação espírita; Cenário de Espíritas e de Centros Espíritas no país; Estudo Espírita; Prática Espírita; Difusão do Espiritismo e a União dos Espíritas. Importantes temas são abordados dentro de cada capítulo como se poderá ser visualizado no sumário.

Na Introdução do livro, escrita pelo próprio autor, relata a sua trajetória no movimento espírita desde a sua juventude, no Centro Espírita que é a base do Movimento, com visão de unir a partir do Estado de São Paulo, dentro da estrutura propiciada pela USE-SP, entendendo que há necessidade de apoiar os Centros Espíritas de diferentes partes do país levando em consideração que a maioria deles são simples e de porte pequeno a médio, que não possuem, e nem teriam condições de possuir uma estrutura organizacional mais complexa. O imprescindível, diz o autor, é que se abram espaços para ações de integração dos colaboradores e contando-se com uma visão de conjunto do próprio Centro Espírita.

O autor fundamenta suas reflexões, em textos do Novo Testamento, nos primitivos agrupamentos cristãos, nas Obras Básicas de Allan Kardec, e em obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier.

Outra questão que o autor desenvolve, muito oportuna, é o caráter cristão do Espiritismo, quando traz subsídios dos próprios textos contidos na codificação de Allan Kardec, como o item 350, Capítulo XXIX, de O Livro dos Médiuns:

Se o Espiritismo, conforme foi anunciado, tem que determinar a transformação da Humanidade, claro é que esse efeito ele só poderá produzir melhorando as massas, o que se verificará gradualmente, pouco a pouco, em consequência do aperfeiçoamento dos indivíduos. […] A bandeira que desfraldamos bem alto é do Espiritismo cristão e humanitário, em torno da qual já temos a ventura de ver, em todas as partes do globo, congregados tantos homens, por compreenderem que aí é que está âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma era nova para a Humanidade.

(*) Presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Trechos do Prefácio no livro:

Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro Espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: Ed. USE. 2016.

 

PAULO DE TARSO

            O Apóstolo Paulo vem sendo oportunamente relembrado no movimento espírita. No ano de 2016 surgiram dois fatos novos: o lançamento pela Casa Editora O Clarim do livro "Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo" (1) e o início dos preparativos para a elaboração do filme "Paulo de Tarso e a História do Cristianismo Primitivo".(2)

            Esse filme focalizará a vida e obra de Paulo, Estevão, Thiago, João, Pedro, e dos membros do Cristianismo Primitivo. É dirigido por André Marouço, que é Gerente de Comunicações da FEAL – Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior  e Diretor dos filmes: O Filme dos Espíritos, Causa e Efeito, Nos Passos do Mestre. O longa metragem conta com a curadoria do Dr. Severino Celestino, e o roteiro inclui as participações dos estudiosos espíritas: André Luiz Ruiz, Dr. Antonio Cesar Perri de Carvalho, Jorge Damas e do Dr José Carlos de Lucca, e, filmagens nas regiões onde o Apóstolo Paulo atuou.

            A experiência de vida e ensinos de Paulo são marcantes e representam uma forte referência. O ensino moral contido nas Epístolas e a simplicidade dos primitivos cristãos podem colaborar para as necessárias reflexões que devem ser feitas nos centros e no movimento espírita. A essência moral das Epístolas de Paulo é adequável ao movimento espírita, ao relacioná-la com a Codificação Kardequiana e mensagens psicografadas por Chico Xavier. Daí o conteúdo desenvolvido no livro "Centro Espírita. Prática espírita e cristã" (3), com o mote: é preciso repensar os centros espíritas. (4)

            A rigor esse livro está relacionado e se completa com o "Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo". No subtítulo: "espírita e cristã", e, no desenvolvimento há fundamentação em versículos do Novo Testamento, incluindo textos do apóstolo Paulo. Fica claro o pensamento de Allan Kardec:

            “A bandeira que desfraldamos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário, em torno da qual já temos a ventura de ver, em todas as partes do globo, congregados tantos homens, por compreenderem que aí é que está a âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma era nova para a humanidade.” (5)

            Entre os vários eventos que vêm sendo realizados nos últimos meses, o ano de 2017 também já se inicia com a abordagem "Paulo de Tarso – Precursor do Espiritismo", no Encontro com a Cultura Espírita, no Grupo Espírita Casa do Caminho, em São Paulo.(6)

            Daí a oportunidade do comentário de Emmanuel, sobre Paulo: "[…] o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo".(1)

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo. Matão: O Clarim.

2) https://www.kickante.com.br/campanhas/paulo-de-tarso-o-cristianismo-primitivo;

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: Ed. USE.

4) http://www.oconsolador.com.br/ano10/493/editorial.html;

5) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos médiuns. Item 350. Brasília: FEB.

6) https://www.casadocaminho.com.br/eventos.html;

(fonte GEECX; www.grupochicoxavier.com.br)

De: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/paulo-de-tarso?xg_source=msg_appr_blogpost

A salvação é com a evolução, e esta é com a reencarnação

 

José reis chaves

Há uma evolução espiritual e moral individual e outra global ou coletiva envolvendo todas as pessoas do nosso planeta. Exemplos de evolução individual são os santos da Igreja: são Francisco de Assis, são Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá, são João XXIII e Irmã Dulce da Bahia; do hinduísmo: Gandhi e Ramacrishna; do protestantismo: Luther King; do espiritismo: Bezerra de Menezes, Pai dos Pobres, Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier. E exemplos da evolução global são a diminuição da pena de morte e do aborto e os esforços que se fazem para a manutenção da paz e fim da fome no mundo.

E o excelso Mestre disse: “… Mas agora meu reino não é daqui” (João 18: 36). Mas com a nossa evolução, um dia, o será, quando o ímpio não existirá mais (Salmo 37: 10 e 11; e Apocalipse 21: 3 e 4).

Essas evoluções individual e global vão acontecendo com várias vidas terrenas dos espíritos, aqui no nosso mundo ou em outras moradas da casa do Pai, que são justamente os lugares para a nossa evolução espiritual e moral individual e global.

Uma só vida, com apenas alguns segundos, dias, meses e anos, não daria nem para começarmos a nossa evolução espiritual. E isso sem falar nos espíritos que ‘nascem de novo’, mas com seus corpos já mortos!

E eis outros exemplos bíblicos que falam dessa nossa evolução: “Quanto àquele que vencer, eu o farei uma coluna no templo do meu Deus; ele estará firme, e não sairá mais…” (Apocalipse 3: 12). Observe-se que, neste texto, trata-se de um fato que acontecerá no futuro, ou seja, de acordo com a nossa evolução espiritual, o que nos demonstra que nós, como espíritos, realmente, temos necessidade de reencarnar, muitas vezes, até que atinjamos o grau de evolução necessário, para que nos tornemos colunas do reino de Deus, e de que assim sempre continuaremos, pois os espíritos não andam para trás, daí o texto apocalíptico dizer: “ele, o vencedor, não sairá mais”, o que quer dizer que ele, o espírito, não regredirá, mas estará mesmo sempre evoluindo, o que é um dos ensinos fundamentais da doutrina dos espíritos codificada por Kardec, “o bom senso encarnado”.

Mais outro exemplo da nossa evolução e da necessária reencarnação para que ela aconteça: “Eu era, sem dúvida, criança bem dotada e recebera, em quinhão, boa alma; ou antes, como era bom, viera a um corpo sem mancha” (Sabedoria 8: 19 e 20). Esse texto, além de demonstrar-nos claro como água cristalina o pensamento da reencarnação, traz também as ideias da preexistência do espírito antes da concepção do corpo no ventre materno e da existência da lei de causa e efeito ou cármica (colhe-se o que se planta). Explicando esse texto de modo bem claro, ele fica mais ou menos assim: Eu era (no passado, em outra vida), uma boa alma (pessoa), pelo que, por quinhão (por mérito ou um bom carma), eu vim em um corpo perfeito.

E finalizamos esta coluna com mais uma passagem bíblica, em que o tetrarca Herodes refere-se a Jesus como sendo a reencarnação de João Batista: “…Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos…” (Mateus 14: 2). Atentemos para o fato de que os judeus contemporâneos de Jesus entendiam ressurreição como sendo reencarnação. Ademais, Jesus jamais a condenou, pelo contrário, por várias vezes, defendeu-a. É que, sem ela, realmente, não poderia haver a grande verdade da nossa evolução espiritual e moral!

 

Publicado no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 30/12/2016.

A ARTE BRILHA

Francisco Habermann
fhaber@uol.com.br


A organização de conjuntos artísticos, especialmente na área musical, nos centros espíritas tem colaborado para o aprimoramento emocional da comunidade, promove o envolvimento de jovens e também contribui para o entrelaçamento social tão benéfico para todos os frequentadores da casa espírita. As apresentações, quando esmeradas e espiritualmente refinadas, têm ofertado condições de elevação espiritual nos ambientes de estudo e oração. Estão de parabéns pelo esforço todas as casas que estimulam essa prática. A música adequada eleva as vibrações tanto de quem executa como de quem a ouve.

Embora seus efeitos emocionais sejam sentidos desde sempre, só recentemente a ciência de investigação por imagem tem condição de registrar resultados objetivos com a ressonância magnética cerebral. Áreas específicas do encéfalo se destacam pelo brilho ao exame quando a aprendemos profundamente algo ou quando somos envolvidos pela satisfação prazerosa induzida pelas artes, especialmente a música. A Ciência tem comprovado registros de sinais que se repetem toda vez que sinalizamos bem-estar psíquico. Portanto, a compreensão gera felicidade.

Enquanto nossa estrutura orgânica registra efeitos notáveis aos exames modernos, nosso perispírito grava para sempre as vibrações que elevam nosso pensamento e projetam-no para além do âmbito físico. Essa condição induzida facilita o auxílio do plano espiritual não só no ambiente do centro espírita mas em todo local que frequentamos.

Concluímos que Kardec tinha razão quando recomendou: “Espíritas, instruí-vos”, pois para se compreender algo é necessário estudo sério, sempre. Assim, surgem o entendimento e compreensão. Consequentemente, seremos felizes. Os resultados psíquicos compensam o esforço. E nem precisa de exame de ressonância para se comprovar isso.

Felicidade a todos neste NATAL e ANO NOVO.

Um teste para o Natal

Richard Simonetti
richardsimonetti@uol.com.br

 

            Anunciando o nascimento de Jesus, os anjos prometem paz aos homens, mas há uma condição: A boa vontade. Será que estamos a exercitá-la?

            Convido você, amigo leitor, a participar comigo de um teste singelo. Vamos verificar como anda a boa vontade em nós. Há duas opções, envolvendo várias situações.

            1 –       O cônjuge nos pede maior empenho em manter a ordem na casa.

            a) Proclamamos imediatamente que é o roto reclamando do rasgado e logo passamos a apontar suas falhas;

            b) admitimos que andamos descuidados e prometemos melhorar.

            2 – O filho vai mal na escola. Reclamam de seu comportamento. As notas são baixas.

            a) Aplicamos-lhe uma surra inesquecível e o proibimos de ver televisão durante um mês.  Avisamos que é apenas uma amostra do que virá se não melhorar o desempenho.

            b) Vamos à escola. Procuramos saber o que está acontecendo. Dialogamos com o filho, buscando ajudá-lo a superar suas dificuldades ou vencer sua desmotivação. Passamos a acompanhá-lo nos deveres escolares.

            3 – O pobre bate à nossa porta.

            a) Tratamos de despachá-lo logo, estendendo-lhe alguns trocados ou repetindo o surrado hoje não tem nada.

            b) Conversamos com ele, analisando suas necessidades para uma ajuda efetiva.

            4 – Na casa vizinha acontece uma briga monumental. As pessoas gritam a plenos pulmões, xingam-se, dizem palavrões… Pratos voam.

            a) Proclamamos que constituem uma cambada de doidos mal educados, que deveriam morar em ilha deserta. Pensamos em chamar a polícia.

            b) Incluímos nossos vizinhos em nossas preces, sem comentários desairosos, reconhecendo que seu lar está com sérios problemas espirituais.

            5 – O patrão nos critica quanto à maneira de conduzir nossas tarefas.

            a) Ouvimos em silêncio, considerando que a crise anda brava e não queremos perder o emprego, mas, intimamente, ficamos possessos. Vibramos de intensa raiva, desejando, ardentemente, que ele vá para o diabo que o carregue ou que seja atropelado por um trem.

            b) Admitimos que devemos amarrar o burro onde o patrão manda e tratamos de fazer o melhor, sem nos agastarmos com ele.

            6 –       Um subordinado incorre em falhas.

            a) Irritamo-nos e o advertimos diante de seus colegas, ameaçando-o com severas sanções. Damos a entender que poderá ser demitido.

            b) Conversamos com ele em particular, procurando orientá-lo com serenidade, sem humilhá-lo ou amedrontá-lo.

            7 –       Um conhecido passa por nós e não responde ao nosso cumprimento.

            a) Ficamos ofendidos.  Sujeitinho orgulhoso! Pensa que tem um rei na barriga! E nos propomos a nunca mais olhar na sua cara.    

            b) Consideramos que certamente não nos viu ou estava distraído. De pronto apagamos o episódio de nossa mente, sem solenizar o assunto.

            8 – O motorista, em excesso de velocidade, comete uma imprudência. Quase envolve nosso carro num acidente de graves proporções.

            a) Homenageamos a senhora sua mãe, atribuindo-lhe aquela profissão pouco recomendável. E torcemos para que se arrebente na primeira curva.

            b) Agradecemos a Deus não ter acontecido nada de mal, e pedimos aos bons Espíritos que o inspirem a ser prudente, evitando acidentes.

            9 – Num grupo começam a falar mal de pessoa ausente.

            a) Botamos lenha na fogueira, dizendo que é tudo o que dizem e muito mais.

            b) Neutralizamos as críticas, lembrando aspectos positivos de seu comportamento.

            10 – Aquele que faz uso da palavra, no culto religioso, estende-se além do razoável, tornando-se prolixo e repetitivo. 

            a) Ficamos impacientes, olhando a cada momento o relógio, fuzilando o pobre com nosso olhar e torcendo para que providencial afonia encerre sua lengalenga.

            b) Presumimos que ele está com dificuldade para arrumar as ideias e conduzir a palestra. Tratamos e ajudá-lo com vibrações de simpatia e boa vontade.

            Bem, caro leitor, se você andou transitando pela alternativa a, a boa vontade anda precária.

            Se optou, em maioria, pela b, parabéns!

            Você está entendendo o espírito do Natal, nos caminhos abençoados da boa vontade e certamente está em paz.

 

Extraído de: Acessar o boletim de notícias aqui:

http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/DEZEMBRO/14-12-2016.htm

Evangelização em Araçatuba década 40/50

criancas-aracatuba-1950

 

Nilza Teresa Rotter Pelá
(Ribeirão Preto, SP)

            Lembro-me de minha mãe levando-me e as minhas duas irmãs para receber o benefício do passe pelas mãos de Dona Irma. Não entendia muito bem o que aquilo significava, entretanto a sensação de bem estar agradava-me.

            Sabia ser uma prática espírita, mas realmente fui entender mais tarde pelas explicações dadas pelas evangelizadoras do “Varas da Videira”.

            Comecei a participar da evangelização ainda pequena para acompanhar a Sônia e a Ivone, filhas de Dona Irma e Sr Francisco, minhas colegas de escola e amigas.

            Era uma alegria subir as escadas do “Varas da Videira” para ter aula lá em cima, onde o salão era ocupado por 3 turmas diferentes, uma em cada canto. Reuníamo-nos para as preces do início e final e para cantar e quando e vez, em ocasiões festivas, o grupo ia feliz para as fotos que naquela época era um grande acontecimento diferente de hoje que se fotografa tudo para as redes sociais.

            Gradativamente fui entendendo o significado de reencarnação, comunicação de espíritos, pluralidade de mundos habitados, psicografia e comportamento cristão. Passagens do Evangelho nos eram contadas para que entendêssemos os ensinamentos de Jesus.

 Não havia livros Infanto juvenis disponíveis, mas foram lidos: Timbolão, Maricota Serelepe e mais tarde Mensagem do Pequeno Morto. Eram livros enormes, de nosso ponto de vista, com ilustrações maravilhosas. Lembro-me de um Catecismo, mas não sei precisar ser o de Cairbar Schutel ou de Leon Denis.

            Uma vez por mês, na sala de baixo, Dona Irma dava passividade ao espírito de um índio que nos contava histórias de sua tribo, era impressionante ver a médium, de constituição franzina, falando com tom de voz grave. Para nós sempre foi natural, pois sabíamos que não era Dona Irma, mas o Índio que falava conosco.

            Vizinho ao prédio do Centro havia um arbusto que dava flor o ano todo e nós, as meninas, gostávamos de, ao término da aula, usar essas flores como brincos.

            À medida que crescíamos e fomos para a mocidade as turmas foram diminuindo quando a complexidade dos estudos aumentava.

Tenho ainda comigo o exemplar de “Agenda Cristã” que me foi presenteado por Dona Edith com dedicatória e datada de 6/9/59. Como é impresso em papel jornal está em lamentável estado, mas carrega as boas vibrações de um período muito importante e feliz de minha vida.

 Minha gratidão a todos que me ensinaram com clareza e simplicidade a Doutrina dos Espíritos.

Extraído de: Notícias do Movimento Espírita. São Paulo, SP,  quarta-feira, 07 de dezembro de 2016. Compiladas por Ismael Gobbo. Acesso: http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/DEZEMBRO/07-12-2016.htm

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OBS.: Um dos primeiros contatos com espíritas em Araçatuba (SP), em nossa infância, foi no lar do casal Irma e Francisco Martins Filho. – Perri (Carvalho, Antonio Cesar Perri. O espiritismo em Araçatuba. Araçatuba: UMEA. 1975).