COMO O ESPÍRITA DEVE VER A SOCIEDADE

COMO O ESPÍRITA DEVE VER A SOCIEDADE

Aylton Paiva

A Vida social está em a natureza? – Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outra faculdades necessária à vida de relação. (1)

O espírita não deve ver a sociedade conforme suas opiniões , mas de acordo com os princípios da Filosofa Espiritualista Espírita, contida em O livro dos espíritos, codificado por Allan Kardec, em sua 3ª Parte Das Leis Morais – Da Lei de sociedade. O ser humano não é um ser perfeito e completo, portando ele precisa da união social a fim de que um possa ajudar o outro, conforme informação dos Mentores Espirituais, acima citado. “ Não se justifica o isolamento social, seja por alegado fim religioso( asceta, ermitão, etc.) seja para usufruir os bens materiais sem que tenha de se relacionar com outras pessoas; residir em uma ilha isolada, por exemplo.” (2)

Assim, torna-se evidente que toda pessoa tem um compromisso com a sociedade em que vive. Deve compreender sua função nessa sociedade, dela participando e dando sua contribuição de acordo com suas possibilidades intelectuais, sentimentais e morais. “O espírita, pelo conhecimento que tem da Doutrina Espírita, especialmente Das Leis Morais, 3ª Parte do mencionado O livro dos espíritos tem o dever de participar ativa e conscientemente na sociedade em que vive, agindo para que os valores ético espíritas se realizem na sociedade humana.” (3)

Conforme já citado, os Mentores Espirituais da codificação do Espiritismo alertam firmemente que os seres humanos precisam uns dos outros, daí a necessidade de viver em sociedade. “ O homem tem necessidade de progredir, de desenvolver suas potencialidades e isso ele só pode fazer em sociedade e é necessário que a sociedade esteja estruturada a fim de que todos que a compõem tenham tal possibilidade. O progresso do homem, tanto em seu aspecto da vida material quanto da vida espiritual, é uma imposição do Criador à vida. Ele necessita relacionar-se com seu semelhante para criar os bens indispensáveis ao seu aprimoramento. Esse relacionamento social, no entanto, deve ser inspirado pelo amor entre os seres, pela fraternidade que implica no exercício da justiça.” (4).

Para essa convivência o espírita deve, portanto, buscar os valores morais contidos no Evangelho de Jesus, clarificados pela Filosofia Espiritualista Espírita contida na sua obra básica O livro dos espíritos, organizada por Allan Kardec. Para uma vivência coerente, o espírita precisa compreender e agir, na sociedade, conforme esses valores morais e não de acordo com doutrinas, filosofias materialistas, e mesmo suas opiniões e palpites pessoais, que confrontam tais valores. Por isso, é muito importante que em momentos como estamos vivendo no Brasil, época de eleição de candidatos aos cargos dos Poderes Legislativo e Executivo esse amor nos leve a escolher os pretendentes pelos critérios que a Ética da Filosofia Espírita nos indica, como os anteriormente citados.

Referência bibliográfica:

(1) O livro dos espíritos, de Allan Kardec, editora FEB, edição 87ª.

(2) O Espiritismo e a Política – Contribuições para a evolução do ser e da sociedade. Capítulo 7, pág. 63.

(3) Idem, pág. 63.

(4) Idem, pág. 64.

DE:

Boletim diário de Notícias do Movimento Espírita, 06 de junho de 2026 (copie e cole):

https://www.noticiasespiritas.com.br/2026/JUNHO/06-06-2026.htm

Nos passos espíritas iniciais

Nos passos espíritas iniciais

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Ao participarmos das comemorações dos 65 anos de inauguração da Instituição Nosso Lar, em Araçatuba – nossa terra natal -, sintetizamos nas palestras alusivas à efeméride, os nossos primeiros passos espíritas.

Eis trechos de nosso livro Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões(*):.

“Com a inauguração da Instituição Nosso Lar aos 02 de junho de 1961, passamos a acompanhar o tio Rolandinho e nossa genitora que levava os três filhos nas atividades domingueiras naquele local: reunião pública sobre O livro dos espíritos, sobre o Evangelho com a participação, respectivamente, de Francisco Martins Filho e Lauro Bittencourt, manifestações espirituais pela médium Emília Santos e passes, seguindo-se a sopa para todos os frequentadores do bairro e para os residentes na Instituição que funcionava como um lar transitório para famílias de desempregados.

Naquele local, conhecemos muitos espíritas visitantes, da cidade, […] Inclusive, Divaldo Pereira Franco, que era um dos oradores convidados da 15a Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo (COMBESP), que aconteceu em Araçatuba, de 19 a 22 de abril de 1962. A partir daí passamos a nos corresponder com Divaldo.

Mas foi no início do ano de 1964 que nos engajamos em ações específicas. A médium e também uma das fundadoras da Instituição Nosso Lar, Emília Santos, embora sexagenária, era responsável pelas Aulas de Moral Cristã Neio Lúcio. Dona Emília sabendo de nosso gosto pelo estudo e facilidade de desenho solicitou que elaborássemos mapas sobre as regiões bíblicas do Oriente Médio, para que ela utilizasse nas aulas. Quando entregamos os mapas ela nos surpreendeu: “- Agora peço que você mesmo apresente às crianças!”

Em março de 1964, ainda não havíamos completado 16 anos de idade, e apresentamos duas exposições sobre os mapas, para o público infanto-juvenil. E o desafio prosseguiu por parte dela: “- Você tem facilidade, precisa me ajudar…” E assim foi feito. Como se diz: “mordemos a isca…”

Repentinamente, em setembro do mesmo ano ela sofreu um enfarte e não sobreviveu. Acabamos substituindo-a como responsável pelas Aulas de Moral Cristã. Adquiríamos o Catecismo espírita, de autoria de Cairbar Schutel (Ed. O Clarim), para distribuir às crianças e adolescentes.

Como identificamos que vários jovens frequentavam a Instituição, acompanhando seus pais, a pedido de nosso tio Rolandinho, fundamos e organizamos a Mocidade Espírita Irma Ragazzi Martins, como uma atividade departamental de “Nosso Lar”. […] Era a segunda Mocidade Espírita da cidade e a primeira de natureza departamental, pois a pioneira era autônoma, não era vinculada a nenhum centro.

A citada Mocidade efetivou durante muitos anos a “Campanha do Quilo”, em ruas da cidade, angariando gêneros alimentícios para a Instituição Nosso Lar. Criamos o jornalzinho Mocidade, que duplicávamos em mimeógrafo caseiro a tinta, que montamos em nossa residência seguindo instruções da revista Diversões escolares, depois levado para copiadores profissionais. Era distribuído para as Mocidades da cidade e da região.

[…] Simultaneamente, nosso tio Rolandinho solicitou que começássemos a fazer rápidas exposições sobre O livro dos espíritos nas reuniões públicas de domingo, e rapidamente acabamos substituindo o Sr. Francisco Martins Filho que tinha esta incumbência. As explanações sobre o Evangelho eram feitas pelo Sr. Lauro Bittencourt e depois por José Rubens Braga da Silva e finalmente pelo tio Rolandinho.

(*) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p.

Filme sobre Benedita Fernandes disponível no You Tube

Filme sobre Benedita Fernandes disponível no You Tube

   

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O filme "Benedita, Uma Heroína Invisível" agora está disponível no You Tube.

Trata-se de um docudrama sobre a vida de Benedita Fernandes, pioneira em obras assistenciais espíritas na região de Araçatuba (SP).

"Benedita – Uma Heroína Invisível" mergulha na história de uma mulher que transformou a própria dor em um legado inestimável de amor e acolhimento. Foi curada da então chamada “loucura”, uma forma de obsessão no entendimento espírita, para a atuação dinâmica no atendimento ao próximo. A emocionante trajetória de superação, fé e dedicação ao próximo ganha vida neste documentário.

O filme focaliza a saga de Benedita Fernandes (1883-1947), que se notabilizou em Araçatuba com a fundação da Associação das Senhoras Cristãs, em 1932. Essa obra foi pioneira na assistência social espírita em toda a região e no seu desenvolvimento desdobrou-se em várias formas de atendimento a doentes mentais e crianças. O Hospital Psiquiátrico Benedita Fernandes foi um marco na cidade até poucos anos atrás, agora, em atendimento a normas governamentais da área da saúde, transformou-se em alguns CAPS. Na antiga sede do Hospital está montado um amplo Consultório de Psicologia que já prestava atendimento em outro bairro da cidade, oferecendo atendimento individual 60% gratuidade/SUS, à população do Município.

A vida de Benedita Fernandes é um exemplo de superação desde a transformação que aconteceu com ela, curando-se de autêntica “loucura”, uma forma de obsessão no entendimento espírita, para a atuação dinâmica no atendimento ao próximo. Esse exemplo de vida tornou-se conhecido e valorizado em várias regiões do país. Há instituições utilizando seu nome em várias regiões do país. O

enredo é inspirado no livro "Benedita Fernandes. A dama da caridade", de Antonio Cesar Perri de Carvalho, com produção em parceria de Cocriação e Lalucci Filmes. Esta obra em versão atualizada e ampliada está sendo preparada para nova edição.

No desenvolvimento do enredo há depoimentos e entrevistas, com Divaldo Pereira Franco, Sérgio Felipe de Oliveira, Ana Jaicy Guimarães, Luiz Carlos Barros Costa, Marilusa Moreira Vasconcelos, o biógrafo Cesar Perri e várias pessoas que a conheceram em Araçatuba. A encenação principal no papel de Benedita coube a Silvia Teodoro, de Araçatuba, que desencarnou há poucos anos, e tem a participação de Renato Prieto. A música é de Paula Zamp e do maestro Mário Henrique.

O filme foi lançado em cinema de Araçatuba em dezembro de 2023 e depois teve exibições em instituições de inúmeras cidades do Brasil e algumas do exterior.

O diretor do filme Sirlei Nogueira desencarnou em setembro de 2025 e o filme prossegue sendo divulgado pelo produtor Samuel Lalucci.

Acesso ao filme no You Tube:

 

O lar e a sociedade

O lar e a sociedade

 Antonio Cesar Perri de Carvalho

Na literatura espírita há clareza de que a família é a unidade básica da sociedade e exportadora de caracteres para a sociedade, que se deve ponderar sobre as relações entre educação e vivência no lar com as futuras atuações no movimento espírita e na sociedade em geral.

Daí a afirmação de Emmanuel: "o lar é a melhor escola"1. No convívio familiar é que se preparam administradores para os diversos níveis de atuação.

Oportunas as considerações de O livro dos espíritos: "Os laços sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam os laços sociais" 2.

Desde o lar, deve-se concientizar para a interação social em condições participativas no movimento espírita e nas atuações profissionais e sociais. As pessoas não podem ser unidades sociais, mantedoras do status quo, mas preparadas para atuarem como indivíduos que poderão modificar padrões culturais. Isto se inicia com a convivência salutar e o cultivo de valores ético-morais, que se expressam pelo respeito ao outro, como pessoa e como espírito, logicamente imortal e reencarnado.

As bases para a ética na política estão muito relacionadas com os lares e os processos culturais e religiosos.

A política e os políticos não devem ser genericamente arrolados como maus ou corruptos. Só a participação esclarecida é que renovará o quadro político. A alienação não traz contribuições e nem soluções. O aparecimento de escândalos é sinal de que eles vêm à tona e há de liberdade para tal. O aperfeiçoamento da democracia depende dos políticos e, basicamente, do povo. Que o povo tenha lares bem estruturados! Nos processos eleitorais, os lares têm papel importante, mesmo porque os jovens de 16 anos já podem ser eleitores. Os candidatos devem ser selecionados pelas suas ações passadas e presentes, pelas suas propostas, incluindo linhas partidárias. Nesta análise, são válidos desde os aspectos da vivência familiar até a compatibilização ético-moral com projetos claros e atuais.

Sobre isso, as "Leis morais" de O livro dos espíritos oferecem parâmetros significativos. Para avaliação dos fatos políticos e até para a seleção de candidatos, o conhecimento espiritual e espírita é relevante e pode contribuir com os processos de escolha e de transformação.

Em nota de rodapé, Allan Kardec já comentava a questão 930 de O livro dos espíritos: "Quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma nova ordem social fundada sobre a justiça e a solidariedade, e ele mesmo também será melhor" 2.

Essa análise se enquadra no apelo da ONU, efetivado durante o "Ano Internacional da Família", em 1994, de "contribuir para construir a família, a menor democracia no coração da sociedade". Esse programa da ONU é que motivou a USE-SP apresentar a proposta da Campanha "Viver em Família" ao Conselho Federativo Nacional da FEB, a qual foi aprovada em novembro de 1993, gerando várias publicações e ações sobre o tema.

Referências:

1. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. O consolador. Ed.FEB, questão 110.

2. Kardec, Allan. O livro dos espíritos. Ed. FEB, questões 774 e 930.

(Síntese adaptada de textos do autor, extraídos de seus livros: A família, o espírito e o tempo. São Paulo: Ed. USE, 1994; Espiritismo e modernidade. Visão da sociedade, família, centro e movimento. São Paulo: Ed. USE, 1996; Laços de família. São Paulo: USE, 1994).

Simplicidade para O Evangelho segundo o Espiritismo

Simplicidade para O Evangelho segundo o Espiritismo

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Na época dos 160 anos de O evangelho segundo o espiritismo, há dois anos,veio a lume o livro que elaboramos com o objetivo de apresentar comentários de uma forma simples sobre os capítulos da significativa obra básica de Allan Kardec.1

Os temas tratados pelo Codificador nessa obra são os mais necessários para atender o público que procura as instituições espíritas, pois oferece consolo, esclarecimento, fortalecimento da fé e da esperança àqueles que, em geral, chegam às instituições espíritas premidos por aflições, dificuldades variadas e dúvidas existenciais. No contexto da atualidade, proliferam as aflições, ansiedades, dúvidas e até revoltas. Como se compreender a proposta de Jesus em mundo com tantas adversidades e contrastes?

Daí a razão de Kardec anotar na Introdução de O evangelho segundo o espiritismo: “Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral só são ininteligíveis, parecendo alguns até irracionais, por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo, como já o puderam reconhecer os que o têm estudado seriamente e como todos, mais tarde, ainda melhor o reconhecerão”.2

Kardec analisa as bem-aventuranças expressas por Jesus no Sermão da Montanha e a melhor compreensão dessas expectativas futuras somente ocorre com a compreensão do mecanismo das vidas sucessivas, a progressão espiritual, e, consequentemente uma nova visão sobre a Justiça Divina, oferecida pelo espiritismo. No capítulo Bem-aventurados os aflitos, o mais longo de O evangelho segundo o espiritismo, há temas como: justiça das aflições, causas atuais das aflições, causas anteriores das aflições, esquecimento do passado, motivos de resignação, o suicídio e a loucura. Os ensinos de Jesus, notadamente os expressos no Sermão da Montanha, e sua prática de acolhimento, misericórdia e apoio, passam a ter coerência. Podem representar um refrigério para as almas atormentadas. Jesus trouxe as leis morais para se preparar uma nova época para a Civilização terrestre, mas a contrapartida de esforço e de realização, com base na adoção da Lei de Deus, é compromisso e responsabilidade de cada um.

Sem criar ideias de polemização com propostas vigentes na época de exclusivismos, o lema desfraldado em O evangelho segundo o espiritismo e que deu origem ao título do capítulo abre caminhos para todas as pessoas, sem distinções de crenças religiosas: “a máxima ‘Fora da caridade não há salvação’ é a consequência do ‘princípio de igualdade diante de Deus e da liberdade de consciência”.

Com base em conceito do Codificador sobre a igualdade entre direito pessoal e direito do próximo expresso no Capítulo XI de O evangelho segundo o espiritismo, fica claro que a sublimidade da religião cristã está em que ela tomou por base princípios de respeito ao direito do próximo. Sobre as qualidades que distinguem o homem de bem, assentadas na prática moral trazida por Jesus, anota Kardec: “respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da Natureza, como gostaria que respeitassem os seus”; “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as suas más inclinações”.2

Assim, o registro de João “Deus é amor” (I João 4, 8), com a compreensão do mecanismo das vidas sucessivas, torna ultrapassada a antiga ideia de um “deus” exclusivista, julgador e punidor. No mundo de seres imperfeitos como a Terra, o importante é o esforço para superações e há valiosos exemplos de vida na história do próprio cristianismo, como o apóstolo Paulo e o teólogo Agostinho. Isso fica muito claro no final da mensagem espiritual de Paulo de Tarso sobre o novo conceito: “o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, pois todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, independente do culto ao qual pertençam”.

Na atualidade, há continuadas referências à transição em que o planeta Terra estaria atravessando. No conceito espírita, no contexto de um mundo de provas e expiações, não se pode olvidar que se trata de um processo educativo, passo a passo, com o esforço individual de todos para que o conjunto da Humanidade apresente sinais de aperfeiçoamento moral e espiritual. E Jesus é o “tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”3.

Portanto é a sinalização para a caminhada espiritual em direção ao modelo, são os ensinos do Mestre. Realmente há uma rota a ser seguida pela Civilização, em coerência com os ensinos de respeito, paz e amor daquele que se apresentou como “caminho, verdade e vida”. Levando em consideração subsídios esclarecedores e educativos dessa obra básica de Kardec, e as experiências concentradas nessas últimas décadas, sentimo-nos estimulado a elaborar um livro contendo comentários sobre todos os capítulos de O evangelho segundo o espiritismo, mas com estrutura e abordagens simples, para favorecer a leitura a um maior contingente de espíritas.1

Em cada capítulo transcrevemos versículos do Novo Testamento, selecionados por Kardec na abertura dos capítulos de seu livro. Efetivamos comentários objetivos referentes ao significado do texto bíblico, destacamos ideias centrais da análise feita pelo Codificador e as instruções espirituais inseridas na obra. Em nossa ótica, a grande maioria das pessoas que procuram os centros são integrantes de uma faixa sócio-cultural mais simples. Nas abordagens nas reuniões públicas deve-se levar em consideração o público-alvo predominante na instituição. Igualmente, no conjunto da literatura espírita, deve haver obras acessíveis, no desenvolvimento do conteúdo e, sem dúvida, no valor aquisitivo das mesmas para se tornar uma aquisição mais viável a esse público.

Essas preocupações encontram guarida em conclamação do espírito Erasto: “Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; […] Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!”2.

Todavia, torna-se oportuna a lembrança que o ex-doutor da Lei Paulo de Tarso procurava atender a todos. Sem adotar a postura antiga de um autêntico sábio do judaísmo e sem distinções nas atenções materiais, morais e espirituais, portava-se como anotou em recomendações que são históricas: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (I Coríntios 9, 22).

Cabe aos centros espíritas levar em consideração os momentos complexos vividos no mundo, com continuados e intensos impactos na sociedade em geral, e valorizar a mensagem contida em O evangelho segundo o espiritismo que colabora com a compreensão do complexo cenário atual. Há mais de 160 anos consolando e esclarecendo!

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Evangelho com simplicidade. Matão: O Clarim. 2024. 161p.

2) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. XX. Rio de Janeiro: FEB. 1986.

3) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Q. 625. Rio de Janeiro: FEB. 1997.

O diálogo entre a tradição judaica e a prática espírita em São Paulo

O diálogo entre a tradição judaica e a prática espírita em São Paulo

- Síntese de entrevista para Eliana Haddad do jornal Correio Fraterno -

Em entrevista concedida a Eliana Haddad, para o jornal espírita Correio Fraterno, a escritora Andréa Kogan comenta seu estudo da intersecção entre a tradição judaica e a doutrina espírita no Brasil, especialmente na cidade de São Paulo.

A entrevistada é Doutora em ciência da religião pela PUC-SP, tradutora e é referência acadêmica no estudo. Seu livro Espiritismo judaico (Ed. Labrador) traz o resultado da sua tese de doutorado que investigou como alguns judeus conseguem entrelaçar as raízes ancestrais do judaísmo aos princípios de Allan Kardec, realizando práticas espíritas em suas casas.

Em entrevista exclusiva ao jornal Correio Fraterno, ela, que é judia e estuda a doutrina espírita, compartilha sua experiência de observação, por mais de seis anos, de famílias judaicas paulistanas praticantes do espiritismo, bem como os desafios e a riqueza desses encontros, que retratam não apenas um recorte importante na sua vida acadêmica, mas o exemplo da boa convivência nos diálogos inter-religiosos.

Nesta síntese extraída do jornal citado, entre as interessantes respostas à entrevistadora, Andréa Kogan, esclarece:

“O judaísmo não é só religião. Pode ser uma cultura, uma nacionalidade, uma identidade, um povo etc. No Brasil vemos uma variedade de “crenças, espiritualidades, religiões”: uma pessoa vai à missa de manhã e a um terreiro à noite, por exemplo. No caso dos judeus, em determinados lugares, o espiritismo caminha lado a lado com o judaísmo. E tais praticantes dizem mesmo que são judeus e espíritas. […] O judaísmo é uma religião monoteísta. Os judeus acreditam num Deus único. Podemos entender que o judaísmo é considerado uma religião nos termos modernos, mas ele é muito mais. O judeu pode ser um judeu ateu, um judeu espírita, um judeu budista etc. É possível ser judeu por questão cultural, por identidade, e nem todos cumprem as normas da Torá. É um povo que caminha junto, que tem certos hábitos.”

Sobre a relação de judeus com o espiritismo, eis uns trechos:

“Os judeus com quem eu falei para elaborar meu estudo têm essas práticas pessoais dentro das suas casas e levam muito bem essa dualidade, porque já nasceram em lares espíritas. Vejo que a questão mais delicada é a mediunidade. Todos sabemos que a mediunidade não é fenômeno exclusivo espírita. […] a convocação dos mortos é a única coisa proibida pela Torá; qualquer tipo de necromancia. Há relatos bíblicos sobre isso, há literatura mística também, mas não é algo natural e aceito por todos. Até conheci pessoas judias não ortodoxas com mediunidade que chegaram a ir em reunião espírita, mas disseram: “não é para mim, porque a Torá me proíbe de fazer isso”. […] Sou filha de pais liberais em relação a esses assuntos. Fui criada num ambiente judaico, escola judaica e clube judaico, mas não num ambiente religioso fechado. Tudo era falado às claras. Aos 13 anos, li o livro do Roberto Muszkat [Quando se pretende falar da vida, GEEM]. Ele havia desencarnado aos 19 anos. Tinha acabado de entrar na faculdade de medicina para seguir a mesma carreira do pai. O doutor David Muszkat era amigo do meu pai e deu-lhe um exemplar desse livro. Li e fiquei muito impressionada com as 22 cartas do Roberto, psicografadas pelo Chico Xavier.”

Sobre a repercussão de seu livro entre judeus, comenta Andréa:

“A comunidade ortodoxa não vai ler meu livro, pois é uma “literatura laica, secular”. Ao fazer palestras em ambientes judaicos, algumas pessoas ficam talvez mais incomodadas. Mas é assim mesmo em todas as religiões e espiritualidades. Quando você trata destas questões delicadas, há sempre incômodos.”

Mas, Andréa considera que seu livro traz uma contribuição cultural para a sociedade:

“[…] porque falo da riqueza cultural, da diversidade brasileira, e precisamos tratar disso. Faz parte do brasileiro ter duplas ou múltiplas religiosidades. As pessoas se sentem legitimadas quando há um livro falando sobre o que elas vivem.”

Para Andréa Kogan, ao responder sobre os jovens:

“[…] a gente vê hoje até no cuidado com o vocabulário, quando preferem dizer que não têm religião, que têm espiritualidade. Não querem se comprometer. Isso é um fenômeno contemporâneo.”

Trechos de entrevista publicada em:

Correio Fraterno. Março-abril de 2026. P. 4-5.

Correio.News (copie e cole): 

https://correio.news/entrevista/o-dialogo-entre-a-tradicao-judaica-e-a-pratica-espirita-em-sao-paulo

 

A valorização do roteiro de Kardec

A valorização do roteiro de Kardec

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No desenvolvimento do estudo virtual “Espiritismo: das obras básicas às vivências e visão de futuro” – que coordenamos semanalmente por transmissões do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – CCDPE-SP -, em várias reuniões abordamos temas sobre Allan Kardec.1

As experiências de vida e o pensamento de Kardec foram focalizados em lives: Contexto social e religioso na França de Kardec; Kardec e a elaboração do espiritismo, origem e significado da palavra Espiritismo, conceito de revelação espírita; Espiritismo cristão e humanitário; Papel da Revista espírita; Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; A experiência de Kardec com suas viagens.1

No conjunto dos estudos fundamentados em pesquisa bibliográfica concernente aos temas, emergem dados que contribuem para termos uma visão mais abrangente sobre o perfil, as propostas e as lutas do Codificador.

O experiente professor Rivail – culto, ativo e formulador de propostas educacionais -, canalizou sua experiência de vida, aos 50 anos de idade, para os estudos dos fenômenos espirituais, culminando com a elaboração: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações”.2

O marco fundante é O livro dos espíritos. Kardec é chamado o codificador do Espiritismo, e, para algumas referências francesas é considerado o fundador do Espiritismo. Com ele surgiu o Espiritismo, o primeiro veículo de informação espírita – a Revista espírita -, o primeiro centro espírita do mundo – a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas -, e o movimento espírita com a prática de suas viagens pela França e Bélgica.

Destacamos que as análises das comunicações espirituais registradas na 2ª parte de O céu e o inferno, fazem dessa obra o marco histórico de conter o primeiro estudo de casos de manifestações espirituais, caracterizando-se como estudo sobre estados de alma.

No perfil do bem-preparado professor destacam-se: a autonomia intelectual, independência com relação aos contextos de sua época, o pensamento racional, a seriedade, a dedicação e amor à proposta nascente. A propósito, o jovem astrônomo Camille Flammarion em marcante discurso por ocasião do sepultamento de Kardec enaltece sua “razão reta e judiciosa”, definindo-o como o “bom senso encarnado” e destacou: “assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. […] Assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. Quem poderia prever a que consequências conduziria, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta psicologia nova?”3

Aí fica claro como o movimento espírita precisa se debruçar mais para a compreensão do pensamento expresso por Kardec em suas obras.

Há necessidade de se valorizar, estudar, divulgar as obras de Kardec: as obras básicas e a Revista Espírita por ele fundada.

Uma antiga campanha da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo – Comece pelo Começo -, é extremamente pertinente e necessária sua adoção. Estimula o estudo e valorização pelo “começo”, ou seja, as obras básicas de Kardec.

Referências:

1) Acessos para as gravações dos estudos (copie e cole): https://www.youtube.com/@ccdpe-ecm

2) Kardec, Allan. Tradução redação de Reformador. O que é o espiritismo. Preâmbulo. Brasília: FEB. 2013.

3) Flammarion, Camille. In: Discursos pronunciados sobre o túmulo. Revista espírita. Ano 12. N.5. Maio de 1869. Trad. Gentile, Salvador. Araras: IDE. 2001. P. 05-11. Disponível em (copie e cole): https://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1869.pdf

Datas espíritas marcantes do mês de abril

Datas espíritas marcantes do mês de abril

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O mês de abril assinala algumas efemérides significativas relacionadas com episódios e vultos espíritas.

No dia 1o de abril de 1858, Allan Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas que, dias depois, foi autorizada a funcionar pelo Ministério da Justiça da França.

Em 11 de abril desencarnava Bezerra de Menezes, no ano de 1900, no Rio de Janeiro. Conhecido como o “médico dos pobres” e na época era presidente da Federação Espírita Brasileira.

Bezerra foi substituído pelo seu jovem vice-presidente Leopoldo Cirne, nascido em abril de 1870, na Paraíba.

No dia 12 abril de 1927 desencarna em Tours, Léon Denis, orador e autor de vários livros clássicos e um consolidador do Espiritismo na França.

Destacamos que Denis manteve correspondências com Bezerra e Cirne, sendo que este último traduziu os livros Cristianismo e Espiritismo e No Invisível, de autoria do notável líder francês.

Data histórica é o dia 18 de abril de 1857 que assinala o lançamento de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, na Livraria Dentu, em Paris.

No Brasil, esse dia é muitas vezes chamado de “dia do livro espírita”, e, oficialmente designado por várias Câmaras Municipais como “dia dos espíritas”. Com a Lei n. 14.354 aprovada pelo Congresso Nacional no ano de 2022, foi designado “dia dos espíritas”.

Outra obra de Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, teve sua primeira edição designada Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo, anunciada pela Revista Espírita em abril 1864.

Há vários vultos espíritas brasileiros nascidos nesse mês, mas a data marcante é o 02 de abril de 1910 que assinala o nascimento de Chico Xavier, em Pedro Leopoldo.

Aí estão sugestões para leituras e releituras relacionadas com os fatos assinalados pelo calendário destacado.

Um traço comum entre essas efemérides de abril é a relação com estudo, livros e difusão. Isso nos traz à lembrança frases espirituais que bem refletem os esforços associados aos vultos e episódios citados.

Trata-se de final do capítulo 40 do livro Estude e viva, em que Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier, anota: “O Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação”.

Ainda Emmanuel destaca em Pensamento e vida (FCX, cap. 14): “A prática do bem, simples e infatigável, pode modificar a rota do destino”.

No desenvolvimento desses textos o autor espiritual deixa claro que não se trata apenas de difusão das ideias espíritas, mas do exemplo de vida que, sem dúvida, é uma placa sinalizadora de divulgação do bem.

O MOVIMENTO ESPÍRITA FRANCÊS QUANDO DA DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC

O MOVIMENTO ESPÍRITA FRANCÊS QUANDO DA DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC

 

Charles Kempf (*)

Kardec estava preparando um plano para o futuro do movimento espírita: depois da Constituição do Espiritismo, na ata sobre o caixa do espiritismo na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 5 de maio de 1865, Kardec publicou o Projeto 1868 na Revue Spirite de dezembro de 1868.

Allan Kardec desencarnou “de pé”, subitamente, em pleno trabalho. Ele estava terminando de liberar o local no Passage Sainte-Anne, cujo contrato de aluguel terminava no mesmo dia 31 de março de 1869.

A Livraria tinha sido mudada para a rue de Lille, e os pertences pessoais, bem como o birô da Revue Spirite, foram mudados para a Villa Ségur.

Kardec nos legou as cinco obras da Codificação, incluindo os clichés e as impressões das folhas das revisões das duas últimas, além das obras complementares e a Revue Spirite até abril de 1869. Manuscritos encontrados recentemente mostram que ele ainda planejava outras obras, incluindo: O livro dos magnetizadores, com as relações entre o magnetismo e o espiritismo, e O estado social segundo o espiritismo. Também mencionou um curso de espiritismo.

Porém, a espiritualidade maior determinou que a missão estava cumprida e que ele podia regressar à Pátria espiritual. Kardec estava preparando um plano para o futuro do movimento espírita: depois da Constituição do Espiritismo, na ata sobre o caixa do espiritismo na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 5 de maio de 1865, Kardec publicou o Projeto 1868 na Revue Spirite de dezembro de 1868.

Uma versão revisada foi publicada por Pierre-Gaëtan Leymarie em Obras póstumas, 20 anos depois, em 1889. Esses textos e os princípios que eles contêm são conhecidos pelo movimento espírita, mas até hoje, não foram colocados em prática.

Em 1868, Kardec fez uma consulta junto a espíritas de confiança, solicitando ideias, opiniões, sugestões e comunicações dos Espíritos sobre esse plano. Nessa base, nos últimos dias da vida dele, Kardec estava refinando e detalhando seu plano: fragmentos foram encontrados em manuscritos, hoje do acervo AKOL Allan Kardec Online, e dos quais uma transcrição e análise foi feita por Júlio Nogueira no apêndice 4 do livro Nem céu, nem inferno, de Paulo Henrique de Figueiredo e Lucas Sampaio.

O plano de Kardec correspondia a uma fundação, com aporte em capital, a propriedade da Villa Ségur, e como fonte de renda, a Livraria Espírita, financiando as atividades e o desenvolvimento da Doutrina Espírita segundo as atribuições do “Comitê Central” a ser instalado na Villa Ségur.

Kardec publicou na Revue Spirite de abril de 1869, que incluía em anexo a primeira versão do Catalogue raisonné, os motivos para a fundação da Livraria Espírita, indicando que “não é uma empresa comercial; foi criada por uma sociedade de espíritas, tendo em vista os interesses da Doutrina, e que renunciam, pelo contrato que os ligam, a toda especulação pessoal. […] É administrada por um gerente, simples mandatário, e todos os lucros constatados pelos balanços anuais serão por ele lançados na Caixa Geral do Espiritismo.”

Mas Amélie e os fiéis que ela escolheu (Monvoisin, Joly, Desliens, Bittard, Tailleur e Guilbert) não entenderam bem esse plano, e criaram em junho de 1869 para a livraria uma Sociedade anônima puramente comercial, sem vínculo com a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Isto ocasionou uma divisão entre ambas as Sociedades e no movimento espírita, com a demissão do Sr Malet da presidência da SPEE, que tinha provavelmente entendido melhor o plano de Kardec. Como foi mostrado em vários relatos, essa divisão só foi aumentando nos anos seguintes, e no final do século 19, a Livraria e os direitos autorais de Allan Kardec acabaram sendo patrimônio da família Leymarie.

A visão de Kardec sobre o Movimento Espírita era bem ampla: na Revue Spirite de janeiro de 1868, publicou as Estatísticas do Espiritismo, indicando 4 a 10 milhões de espíritas nos EUA, e 1 milhão na Europa, dos quais 600 mil na França. Somente em Paris foram identificados em 1869 mais de dez grupos organizados, além dos grupos familiares. Obviamente, Kardec incluía entre os espíritas os espiritualistas americanos e ingleses.

Publicou na Revue Spirite de abril de 1869 a “Profissão de Fé Espírita Americana”, comentando que a diferença entre as duas escolas se reduz a bem pouca coisa, embora não se tenham copiado, chegando quase ao mesmo resultado pela observação dos fenômenos. Kardec acrescentou: “Os espíritas do mundo inteiro terão princípios comuns, que os ligarão à grande família pelo laço sagrado da fraternidade, mas cuja aplicação poderá variar conforme as regiões, sem que, por isto, seja rompida a unidade fundamental, sem formar seitas dissidentes que se atirem a pedra e o anátema, o que seria antiespírita em alto grau. […] O espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria uma puerilidade indigna da grandeza do assunto. Eis por que os diversos centros, que estiverem no verdadeiro espírito do espiritismo, deverão estender-se a mão fraterna e se unirem no combate aos seus inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.”

Flammarion, aos 27 anos, aceitou o convite de pronunciar o discurso em homenagem a Allan Kardec no funeral no cemitério Montmartre. Ele elogiou “o bem senso encarnado” e seu trabalho pioneiro pelo estudo racional da espiritualidade e das forças naturais que agem ao nosso redor, constituindo um antídoto ao materialismo, ao ateísmo e as superstições religiosas. Ele destacou o papel consolador que o espiritismo já tinha realizado, mas também a necessidade de investigações científicas dos fenômenos de efeito físico. Flammarion recusou o convite para suceder a Allan Kardec na presidência da SPEE, alegando que a maioria dos espíritas viam no espiritismo uma religião, e não uma ciência.

Allan Kardec foi muito claro, mas qual é a situação do movimento espírita hoje, quase 160 anos depois?

Continua dividido, com personalismos, apego aos cargos, veleidades de hegemonia, quase sem contato com os espiritualistas modernos, com muita pouca pesquisa séria sobre os fenômenos, com muito pouca abertura aos dois terços da humanidade que não são cristãos. Fora da caridade, não há salvação. Acrescentaremos que fora da caridade, não haverá movimento digno da Doutrina Espírita.

(*) Charles Kempf é engenheiro, ex-presidente da Federação Espírita Francesa, ex-secretário-geral do Conselho Espírita Internacional e trabalhador no Mouvement Spirite Francophone.

DE: Dirigente Espírita, março/abril de 2026, USE-SP (copie e cole): https://usesp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/rdDE-211.pdf

 

DuBEM: Uma trajetória de fé, arte e perseverança na divulgação espírita

DuBEM: Uma trajetória de fé, arte e perseverança na divulgação espírita

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Em 12 de janeiro de 2007, nascia a Rádio Espírita DuBEM e se expandiu da rádio à produção multimídia promovendo a Arte Espírita.

Embora contando com apoios de amigos, instituições espíritas e da espiritualidade, a iniciativa persistente é de Lirálcio Ricci, dedicado difusor da arte espírita e ele próprio excelente cantor, que se apresenta em vários eventos espíritas. É também diretor de artes da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo.

Além do Canal DuBEM, consolidaram-se outras frentes de trabalho: Rádio Espírita DuBEM: programação contínua voltada à música e mensagens edificantes; DuBEM Records and Books: produção e distribuição de conteúdo musicais e literários; DuBEM Produções Artísticas: incentivo e realização de projetos culturais espíritas.

De 2019 até o final de 2025 manteve um estúdio no bairro da Mooca. Recentemente montaram e inauguram um novo estúdio, e funciona no bairro da Penha, em São Paulo. O novo espaço permite a presença de público, comportando cerca de 40 pessoas sentadas.

Lirálcio Ricci informou que atualmente, há programas diários: – Despertar da Consciência, segunda-feira, às 21h; – Evangelho DuBEM, terça-feira, às 21h; – Espiritismo com Arte, quarta-feira, às 21h; – Lirálcio canta ao vivo, quinta-feira, às 21h; – Sexta Musical, sexta-feira, às 21h; – Fonte Cristalina, sábado, às 20h; – Evaluir Feliz, 1º e 3º domingos, às 19h; – A Recuperação, 2º e 4º domingos, às 19h; – Revista Visão DuBEM, última quinta-feira do mês, às 21h; – Unilux, terceiro sábado do mês, às 15h.

A Rádio Espírita DuBEM, funciona 24 horas com músicas e mensagens espíritas.

Em março de 2026, completou seu terceiro ano de vida a revista digital mensal Visão DuBem. A coordenação e apresentação é de Sirlaine Ayala. Essa revista digital conta com participações gravadas de diversos expositores e autores espíritas e também apresenta grupos musicais.

No número 24, do dia 26/03/2026, essa Revista destacou o tema DOENÇAS E CURAS SEGUNDO O ESPIRITISMO, e os colunistas mergulham nos aspectos físicos, emocionais e espirituais das enfermidades, refletindo sobre como a Doutrina Espírita nos auxilia na busca da cura — ou na compreensão das dores e desafios que enfrentamos.

Nessa recente edição há a participação de:

- Marco Milani aborda os aspectos científicos, lembrando que, além das causas orgânicas, existem influências morais e reflexos de existências passadas no nosso equilíbrio atual.

- André Siqueira reforça a importância do cuidado com o corpo como instrumento do espírito em sua jornada evolutiva.

- Astrid Sayegh destaca a renovação espiritual como caminho para o fortalecimento e a cura integral.

- Quadro CAUSOS DE CHICO, com Francisco Cardec, trazendo uma emocionante mensagem mediúnica de Chico Xavier (1948): “Receita para melhorar”.

- Quadro MOVIMENTO 21, com Thiago Ariel, no tema: “EU NÃO CURTO A MINHA SKIN” — uma reflexão atual sobre autoestima e os desafios da autoaceitação no mundo hiperconectado.

- Cesar Perri – Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo.

- Bárbara Bezerra – Comunicação não-violenta.

- Roberto Beletati – Prevenção ao consumo de álcool.

Informações sobre o canal DuBem:

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Site: canaldubem@gmail.com;

O novo estúdio funciona à Rua Enéas de Barros, 490 – casa 2, Penha, São Paulo.

Acesso à revista digital Visão DuBem (copie e cole):

https://www.youtube.com/live/VRO3si60SO0