PAULO DE TARSO

            O Apóstolo Paulo vem sendo oportunamente relembrado no movimento espírita. No ano de 2016 surgiram dois fatos novos: o lançamento pela Casa Editora O Clarim do livro "Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo" (1) e o início dos preparativos para a elaboração do filme "Paulo de Tarso e a História do Cristianismo Primitivo".(2)

            Esse filme focalizará a vida e obra de Paulo, Estevão, Thiago, João, Pedro, e dos membros do Cristianismo Primitivo. É dirigido por André Marouço, que é Gerente de Comunicações da FEAL – Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior  e Diretor dos filmes: O Filme dos Espíritos, Causa e Efeito, Nos Passos do Mestre. O longa metragem conta com a curadoria do Dr. Severino Celestino, e o roteiro inclui as participações dos estudiosos espíritas: André Luiz Ruiz, Dr. Antonio Cesar Perri de Carvalho, Jorge Damas e do Dr José Carlos de Lucca, e, filmagens nas regiões onde o Apóstolo Paulo atuou.

            A experiência de vida e ensinos de Paulo são marcantes e representam uma forte referência. O ensino moral contido nas Epístolas e a simplicidade dos primitivos cristãos podem colaborar para as necessárias reflexões que devem ser feitas nos centros e no movimento espírita. A essência moral das Epístolas de Paulo é adequável ao movimento espírita, ao relacioná-la com a Codificação Kardequiana e mensagens psicografadas por Chico Xavier. Daí o conteúdo desenvolvido no livro "Centro Espírita. Prática espírita e cristã" (3), com o mote: é preciso repensar os centros espíritas. (4)

            A rigor esse livro está relacionado e se completa com o "Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo". No subtítulo: "espírita e cristã", e, no desenvolvimento há fundamentação em versículos do Novo Testamento, incluindo textos do apóstolo Paulo. Fica claro o pensamento de Allan Kardec:

            “A bandeira que desfraldamos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário, em torno da qual já temos a ventura de ver, em todas as partes do globo, congregados tantos homens, por compreenderem que aí é que está a âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma era nova para a humanidade.” (5)

            Entre os vários eventos que vêm sendo realizados nos últimos meses, o ano de 2017 também já se inicia com a abordagem "Paulo de Tarso – Precursor do Espiritismo", no Encontro com a Cultura Espírita, no Grupo Espírita Casa do Caminho, em São Paulo.(6)

            Daí a oportunidade do comentário de Emmanuel, sobre Paulo: "[…] o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo".(1)

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo. Matão: O Clarim.

2) https://www.kickante.com.br/campanhas/paulo-de-tarso-o-cristianismo-primitivo;

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: Ed. USE.

4) http://www.oconsolador.com.br/ano10/493/editorial.html;

5) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos médiuns. Item 350. Brasília: FEB.

6) https://www.casadocaminho.com.br/eventos.html;

(fonte GEECX; www.grupochicoxavier.com.br)

De: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/paulo-de-tarso?xg_source=msg_appr_blogpost

A salvação é com a evolução, e esta é com a reencarnação

 

José reis chaves

Há uma evolução espiritual e moral individual e outra global ou coletiva envolvendo todas as pessoas do nosso planeta. Exemplos de evolução individual são os santos da Igreja: são Francisco de Assis, são Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá, são João XXIII e Irmã Dulce da Bahia; do hinduísmo: Gandhi e Ramacrishna; do protestantismo: Luther King; do espiritismo: Bezerra de Menezes, Pai dos Pobres, Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier. E exemplos da evolução global são a diminuição da pena de morte e do aborto e os esforços que se fazem para a manutenção da paz e fim da fome no mundo.

E o excelso Mestre disse: “… Mas agora meu reino não é daqui” (João 18: 36). Mas com a nossa evolução, um dia, o será, quando o ímpio não existirá mais (Salmo 37: 10 e 11; e Apocalipse 21: 3 e 4).

Essas evoluções individual e global vão acontecendo com várias vidas terrenas dos espíritos, aqui no nosso mundo ou em outras moradas da casa do Pai, que são justamente os lugares para a nossa evolução espiritual e moral individual e global.

Uma só vida, com apenas alguns segundos, dias, meses e anos, não daria nem para começarmos a nossa evolução espiritual. E isso sem falar nos espíritos que ‘nascem de novo’, mas com seus corpos já mortos!

E eis outros exemplos bíblicos que falam dessa nossa evolução: “Quanto àquele que vencer, eu o farei uma coluna no templo do meu Deus; ele estará firme, e não sairá mais…” (Apocalipse 3: 12). Observe-se que, neste texto, trata-se de um fato que acontecerá no futuro, ou seja, de acordo com a nossa evolução espiritual, o que nos demonstra que nós, como espíritos, realmente, temos necessidade de reencarnar, muitas vezes, até que atinjamos o grau de evolução necessário, para que nos tornemos colunas do reino de Deus, e de que assim sempre continuaremos, pois os espíritos não andam para trás, daí o texto apocalíptico dizer: “ele, o vencedor, não sairá mais”, o que quer dizer que ele, o espírito, não regredirá, mas estará mesmo sempre evoluindo, o que é um dos ensinos fundamentais da doutrina dos espíritos codificada por Kardec, “o bom senso encarnado”.

Mais outro exemplo da nossa evolução e da necessária reencarnação para que ela aconteça: “Eu era, sem dúvida, criança bem dotada e recebera, em quinhão, boa alma; ou antes, como era bom, viera a um corpo sem mancha” (Sabedoria 8: 19 e 20). Esse texto, além de demonstrar-nos claro como água cristalina o pensamento da reencarnação, traz também as ideias da preexistência do espírito antes da concepção do corpo no ventre materno e da existência da lei de causa e efeito ou cármica (colhe-se o que se planta). Explicando esse texto de modo bem claro, ele fica mais ou menos assim: Eu era (no passado, em outra vida), uma boa alma (pessoa), pelo que, por quinhão (por mérito ou um bom carma), eu vim em um corpo perfeito.

E finalizamos esta coluna com mais uma passagem bíblica, em que o tetrarca Herodes refere-se a Jesus como sendo a reencarnação de João Batista: “…Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos…” (Mateus 14: 2). Atentemos para o fato de que os judeus contemporâneos de Jesus entendiam ressurreição como sendo reencarnação. Ademais, Jesus jamais a condenou, pelo contrário, por várias vezes, defendeu-a. É que, sem ela, realmente, não poderia haver a grande verdade da nossa evolução espiritual e moral!

 

Publicado no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 30/12/2016.

A ARTE BRILHA

Francisco Habermann
fhaber@uol.com.br


A organização de conjuntos artísticos, especialmente na área musical, nos centros espíritas tem colaborado para o aprimoramento emocional da comunidade, promove o envolvimento de jovens e também contribui para o entrelaçamento social tão benéfico para todos os frequentadores da casa espírita. As apresentações, quando esmeradas e espiritualmente refinadas, têm ofertado condições de elevação espiritual nos ambientes de estudo e oração. Estão de parabéns pelo esforço todas as casas que estimulam essa prática. A música adequada eleva as vibrações tanto de quem executa como de quem a ouve.

Embora seus efeitos emocionais sejam sentidos desde sempre, só recentemente a ciência de investigação por imagem tem condição de registrar resultados objetivos com a ressonância magnética cerebral. Áreas específicas do encéfalo se destacam pelo brilho ao exame quando a aprendemos profundamente algo ou quando somos envolvidos pela satisfação prazerosa induzida pelas artes, especialmente a música. A Ciência tem comprovado registros de sinais que se repetem toda vez que sinalizamos bem-estar psíquico. Portanto, a compreensão gera felicidade.

Enquanto nossa estrutura orgânica registra efeitos notáveis aos exames modernos, nosso perispírito grava para sempre as vibrações que elevam nosso pensamento e projetam-no para além do âmbito físico. Essa condição induzida facilita o auxílio do plano espiritual não só no ambiente do centro espírita mas em todo local que frequentamos.

Concluímos que Kardec tinha razão quando recomendou: “Espíritas, instruí-vos”, pois para se compreender algo é necessário estudo sério, sempre. Assim, surgem o entendimento e compreensão. Consequentemente, seremos felizes. Os resultados psíquicos compensam o esforço. E nem precisa de exame de ressonância para se comprovar isso.

Felicidade a todos neste NATAL e ANO NOVO.

Um teste para o Natal

Richard Simonetti
richardsimonetti@uol.com.br

 

            Anunciando o nascimento de Jesus, os anjos prometem paz aos homens, mas há uma condição: A boa vontade. Será que estamos a exercitá-la?

            Convido você, amigo leitor, a participar comigo de um teste singelo. Vamos verificar como anda a boa vontade em nós. Há duas opções, envolvendo várias situações.

            1 –       O cônjuge nos pede maior empenho em manter a ordem na casa.

            a) Proclamamos imediatamente que é o roto reclamando do rasgado e logo passamos a apontar suas falhas;

            b) admitimos que andamos descuidados e prometemos melhorar.

            2 – O filho vai mal na escola. Reclamam de seu comportamento. As notas são baixas.

            a) Aplicamos-lhe uma surra inesquecível e o proibimos de ver televisão durante um mês.  Avisamos que é apenas uma amostra do que virá se não melhorar o desempenho.

            b) Vamos à escola. Procuramos saber o que está acontecendo. Dialogamos com o filho, buscando ajudá-lo a superar suas dificuldades ou vencer sua desmotivação. Passamos a acompanhá-lo nos deveres escolares.

            3 – O pobre bate à nossa porta.

            a) Tratamos de despachá-lo logo, estendendo-lhe alguns trocados ou repetindo o surrado hoje não tem nada.

            b) Conversamos com ele, analisando suas necessidades para uma ajuda efetiva.

            4 – Na casa vizinha acontece uma briga monumental. As pessoas gritam a plenos pulmões, xingam-se, dizem palavrões… Pratos voam.

            a) Proclamamos que constituem uma cambada de doidos mal educados, que deveriam morar em ilha deserta. Pensamos em chamar a polícia.

            b) Incluímos nossos vizinhos em nossas preces, sem comentários desairosos, reconhecendo que seu lar está com sérios problemas espirituais.

            5 – O patrão nos critica quanto à maneira de conduzir nossas tarefas.

            a) Ouvimos em silêncio, considerando que a crise anda brava e não queremos perder o emprego, mas, intimamente, ficamos possessos. Vibramos de intensa raiva, desejando, ardentemente, que ele vá para o diabo que o carregue ou que seja atropelado por um trem.

            b) Admitimos que devemos amarrar o burro onde o patrão manda e tratamos de fazer o melhor, sem nos agastarmos com ele.

            6 –       Um subordinado incorre em falhas.

            a) Irritamo-nos e o advertimos diante de seus colegas, ameaçando-o com severas sanções. Damos a entender que poderá ser demitido.

            b) Conversamos com ele em particular, procurando orientá-lo com serenidade, sem humilhá-lo ou amedrontá-lo.

            7 –       Um conhecido passa por nós e não responde ao nosso cumprimento.

            a) Ficamos ofendidos.  Sujeitinho orgulhoso! Pensa que tem um rei na barriga! E nos propomos a nunca mais olhar na sua cara.    

            b) Consideramos que certamente não nos viu ou estava distraído. De pronto apagamos o episódio de nossa mente, sem solenizar o assunto.

            8 – O motorista, em excesso de velocidade, comete uma imprudência. Quase envolve nosso carro num acidente de graves proporções.

            a) Homenageamos a senhora sua mãe, atribuindo-lhe aquela profissão pouco recomendável. E torcemos para que se arrebente na primeira curva.

            b) Agradecemos a Deus não ter acontecido nada de mal, e pedimos aos bons Espíritos que o inspirem a ser prudente, evitando acidentes.

            9 – Num grupo começam a falar mal de pessoa ausente.

            a) Botamos lenha na fogueira, dizendo que é tudo o que dizem e muito mais.

            b) Neutralizamos as críticas, lembrando aspectos positivos de seu comportamento.

            10 – Aquele que faz uso da palavra, no culto religioso, estende-se além do razoável, tornando-se prolixo e repetitivo. 

            a) Ficamos impacientes, olhando a cada momento o relógio, fuzilando o pobre com nosso olhar e torcendo para que providencial afonia encerre sua lengalenga.

            b) Presumimos que ele está com dificuldade para arrumar as ideias e conduzir a palestra. Tratamos e ajudá-lo com vibrações de simpatia e boa vontade.

            Bem, caro leitor, se você andou transitando pela alternativa a, a boa vontade anda precária.

            Se optou, em maioria, pela b, parabéns!

            Você está entendendo o espírito do Natal, nos caminhos abençoados da boa vontade e certamente está em paz.

 

Extraído de: Acessar o boletim de notícias aqui:

http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/DEZEMBRO/14-12-2016.htm

Evangelização em Araçatuba década 40/50

criancas-aracatuba-1950

 

Nilza Teresa Rotter Pelá
(Ribeirão Preto, SP)

            Lembro-me de minha mãe levando-me e as minhas duas irmãs para receber o benefício do passe pelas mãos de Dona Irma. Não entendia muito bem o que aquilo significava, entretanto a sensação de bem estar agradava-me.

            Sabia ser uma prática espírita, mas realmente fui entender mais tarde pelas explicações dadas pelas evangelizadoras do “Varas da Videira”.

            Comecei a participar da evangelização ainda pequena para acompanhar a Sônia e a Ivone, filhas de Dona Irma e Sr Francisco, minhas colegas de escola e amigas.

            Era uma alegria subir as escadas do “Varas da Videira” para ter aula lá em cima, onde o salão era ocupado por 3 turmas diferentes, uma em cada canto. Reuníamo-nos para as preces do início e final e para cantar e quando e vez, em ocasiões festivas, o grupo ia feliz para as fotos que naquela época era um grande acontecimento diferente de hoje que se fotografa tudo para as redes sociais.

            Gradativamente fui entendendo o significado de reencarnação, comunicação de espíritos, pluralidade de mundos habitados, psicografia e comportamento cristão. Passagens do Evangelho nos eram contadas para que entendêssemos os ensinamentos de Jesus.

 Não havia livros Infanto juvenis disponíveis, mas foram lidos: Timbolão, Maricota Serelepe e mais tarde Mensagem do Pequeno Morto. Eram livros enormes, de nosso ponto de vista, com ilustrações maravilhosas. Lembro-me de um Catecismo, mas não sei precisar ser o de Cairbar Schutel ou de Leon Denis.

            Uma vez por mês, na sala de baixo, Dona Irma dava passividade ao espírito de um índio que nos contava histórias de sua tribo, era impressionante ver a médium, de constituição franzina, falando com tom de voz grave. Para nós sempre foi natural, pois sabíamos que não era Dona Irma, mas o Índio que falava conosco.

            Vizinho ao prédio do Centro havia um arbusto que dava flor o ano todo e nós, as meninas, gostávamos de, ao término da aula, usar essas flores como brincos.

            À medida que crescíamos e fomos para a mocidade as turmas foram diminuindo quando a complexidade dos estudos aumentava.

Tenho ainda comigo o exemplar de “Agenda Cristã” que me foi presenteado por Dona Edith com dedicatória e datada de 6/9/59. Como é impresso em papel jornal está em lamentável estado, mas carrega as boas vibrações de um período muito importante e feliz de minha vida.

 Minha gratidão a todos que me ensinaram com clareza e simplicidade a Doutrina dos Espíritos.

Extraído de: Notícias do Movimento Espírita. São Paulo, SP,  quarta-feira, 07 de dezembro de 2016. Compiladas por Ismael Gobbo. Acesso: http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/DEZEMBRO/07-12-2016.htm

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OBS.: Um dos primeiros contatos com espíritas em Araçatuba (SP), em nossa infância, foi no lar do casal Irma e Francisco Martins Filho. – Perri (Carvalho, Antonio Cesar Perri. O espiritismo em Araçatuba. Araçatuba: UMEA. 1975).

Benedita Fernandes – Mensagem e notas

De: Cândido (1)

"Caros irmãos Roberto e Luiz Cláudio, (2)

Em razão de termos sido agraciados pela presença dessa entidade Benedita Fernandes, que esteve conosco na viagem às cidades de Minas Gerais, principalmente na cidade de Capelinha (MG) e ontem em visita ao CEFCX deixou sua mensagem pelas mãos do médium Hélio Ribeiro, fiz uma pesquisa e encontrei sua história narrada no site do Hospital Espírita da cidade de Araçatuba, SP que foi por ela fundado quando esteve reencarnada aqui na Terra. Vejam o texto abaixo colacionado. À irmã Benedita Fernandes a nossa gratidão!"

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Filhos queridos. Deus em nós!

Viemos com o coração em festa participar desse banquete de luz. Trouxemos muitos enfermos para o tratamento que hoje aqui foi disponibilizado, sob o comando do Dr. Guilherme March.

Trouxemos os empedernidos no mal, para serem tratados pelos acordes benfazejos que aqui são gerados. Os celerados mentais que aqui se encontram em dezenas, pois serão despertados pela onda de paz que aqui se origina. 

Todos somos beneficiados com esta tarefa de tratamento de enfermos da alma que aqui foram acomodados desde quarta-feira passada.(3)

Deus seja louvado!

Jesus nos abençoe abundantemente!

Benedita Fernandes.

(Psicografia de Hélio Ribeiro Loureiro no Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, em Itatiaia-RJ, oportunidade da visita da Caravana Chico Xavier, e durante palestra da convidada Célia Maria Rey de Carvalho, no dia 20/11/2016)4,5

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Histórico da Entidade


Benedita Fernandes, nasceu aos 27 de Junho de 1883, na cidade de Campos Novos da Cunha, SP, sendo filha natural de Maria Josefa Nascimento. Era viúva e possuía uma filha de nome ignorado. Portadora de “doença mental” perambulou pelas cidades da região noroeste do Estado de São Paulo, até fixar-se na cidade de Penápolis-SP, por volta do ano de l920, e em razão das “fortes crises” e na falta de manicômio, foi entregue aos cuidados da Polícia Civil, passando a morar na Cadeia.

Nessa época, depois de uma crise muito forte, ouviu uma voz: "Benedita, se promete consagrar-te inteiramente, aos enfermos e pobres, sairás curada daqui”.

Livre do mal que a perturbava, veio para Araçatuba, e contando com a ajuda de pessoas pobres e humildes- algumas lavadeiras- “levantou casas de madeira para atender crianças e obsediados”.

Aos 06 de Março do ano de 1932, nas dependências do Centro Espírita Paz, amor e Caridade, no bairro Santana, na cidade de Araçatuba-SP, aconteceu à fundação da “ASSOCIAÇÃO DAS SENHORAS CRISTÃS’, cuja primeira Diretoria ficou assim constituída”:

PRESIDENTE: BENEDITA FERNANDES

SECRETÁRIO: MANOEL GONÇALVES

TESOUREIRO: MARIA BOGALHO GONÇALVES.

Estavam presentes ao ato, entre outros, Dr. Jovelino Camargo, André Risolia, José Ramos da Silva, João Teixeira, Gedeão Fernandes de Miranda, Francisco Chinaglia, Eugênia de Amorim, Rosalia Martins, Florentino Blanco e José Maximiliano.

A Associação contava com a ‘CASA DA CRIANÇA’ e o ‘ASILO Dr. JAIME DE OLIVEIRA’, este para atendimento de doentes mentais.

Em 1º de Novembro de l933, foi inaugurado o prédio próprio da “Associação das Senhoras Cristãs”, à Rua Newton Prado nº 178, atendendo de início, crianças necessitadas e a doentes mentais.

Dinâmica, Benedita Fernandes, ampliou o seu trabalho de assistência aos pobres, inaugurando em l9.04.l943, o “ALBERGUE NOTURNO DR PLÁCIDO ROCHA’. Logo depois surgiu a ‘ ESCOLA MISTA DO ABRIGO JOÃO DE DEUS” e a ‘ESCOLA DR. VALADÃO FURQUIM’. A essa época, contava com a colaboração, também da dona Judith Machareth, na qualidade de professora.

Para levar adiante tais empreendimentos, Benedita Fernandes recorria à sociedade Araçatubense, além de autoridades Regionais, visto que gozava de grandes prestígios e respeito.

Dentre seus admiradores, incluíam-se Fernando Costa e Adhemar de Barros, Governadores do Estado de São Paulo.

Benedita Fernandes faleceu às 01h30min horas de 09.10.l947, vitima de colapso cardíaco, na sede da Associação por ela criada. Em razão de seu desencarne, foi substituído na presidência da Associação pela Sra. Maria Bogalho Gonçalves.

Após seu falecimento, o Asilo Dr. Jaime de Oliveira transformou-se no Sanatório “BENEDITA FERNANDES, em uma justa homenagem a sua fundadora. Hoje é conhecido por HOSPITAL BENEDITA FERNANDES, cuidando de doentes mentais e toxicômanos, em convênio com o SUS, dispondo de 150 leitos e outros 10 apartamentos particulares e para convênios médicos.

Atualmente a Instituição possui uma equipe especializada de funcionários, nas mais variadas áreas da saúde mental totalizando 109 funcionários.

Conta com a colaboração de uma equipe de VOLUNTÁRIOS para eventos beneficentes e para atendimentos aos pacientes, na parte musical, entretenimento, combate ao alcoolismo (AAA), etc.

Dentre os pacientes, muitos, cerca de 40 são moradores, alguns com mais de 20 anos na Instituição. Recentemente foi inaugurada uma casa, denominada “CASA DO ABRIGADO”, separada , em terreno junto ao Hospital, construída com recursos obtidos pelos Voluntários, para 04 moradoras, já em situação de reintegração social.

Em meados de 1985,um grupo de espíritas, vindo de diversas Casas Espíritas, iniciaram aulas e evangelização a pacientes e aberto ao público. Passado alguns anos, resolveu-se separar os trabalhos, ou seja, começou-se a fazer das 19 às 20 horas, explanação evangélica aos pacientes e a partir das 20 hora, estudo sobre o Livro dos Espíritas, por módulos para o público e colaboradores. Anos depois ficou difícil a participação dos colaboradores e o estudo foi paralisado, ficando apenas os trabalhos para os pacientes. 

Aos 29 de Abril de l997, como Departamento da Associação das Senhoras Cristãs, foi reinaugurado os trabalhos Espíritas,para o público e colaboradores, com um grupo de pessoas coordenados pelo Dr. Luiz Carlos Barros Costa, então Delegado Regional de Polícia de nossa cidade, grupo este que passou a denominar-se ‘ NÚCLEO DE ESTUDOS E ASSISTÊNCIA ESPÍRITA BENEDITA FERNANDES’, com reuniões às Segundas-Feiras, para estudo do Livro dos Espíritos e as quintas-feiras, para estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, conforme será informado nos itens abaixo.

O Centro Espírita onde se reuniu Benedita Fernandes, para a fundação da Associação das Senhoras Cristãs, não tem o local conhecido, embora algumas pesquisas já realizadas neste sentido. Acreditamos que seria em alguma casa de familiares residente no bairro.

Os dados acima são extraídos do livro “A Dama da Caridade” de Cesar Perri de Carvalho. (6)

Após sua morte, o sanatório continuou sua meta – assistência ao portador de transtorno mental – e veio acompanhando as mudanças ocorridas na área de saúde mental.

Em sua homenagem o Sanatório passou a ser denominado de “SANATÓRIO BENEDITA FERNANDES”, ATUALMENTE O HOSPITAL BENEDITA FERNANDES.

A saúde Mental, desde o fim do século XVIII vem questionando a forma de tratamento, começando a abordar de forma mais específica e adequada do ponto de vista médico, a doença e o doente.

A psiquiatria que surge no século XIX tem seu principal espaço no hospital psiquiátrico. Por cerca de 100 anos a internação hospitalar acompanhada posteriormente de tratamento farmacológico, sustentou o atendimento ao doente mental no Brasil. A mentalidade da época era de vigiar os internos, segregando-os à internação.

Na década de 60, meados do século XX, começa-se a questionar esta mentalidade, despertando o pensamento para se investir mais no atendimento ao doente mental em regime ambulatorial. A ênfase passa a ser a ação preventiva e multidisciplinar , ocorre uma aproximação da psiquiatria com outras áreas como a psicologia, serviço social e terapia ocupacional. Cada vez mais se passa a usar o termo Saúde Mental nas propostas de trabalho.

As questões de saúde mental são reflexos da política vigente do país; na década de 70 a política de saúde adotada era a hospitalização que no caso da saúde mental se trata da internação asilar. Já na década de 80 inicia-se o movimento anti-manicomial lutando por uma psiquiatria sem hospício, visando uma revolução nos atendimentos dispensados ao doente mental e priorizando o tratamento extra hospitalar.

O tratamento nos hospitais assume um caráter humanizado, visando à remissão breve dos sintomas e reintegração do doente mental no seu meio social.

Atualmente a política que direciona o atendimento à Saúde Mental no país, proíbe a construção de novos hospitais psiquiátricos, prioriza menor permanência no hospital em prol do tratamento ambulatorial e valoriza a humanização dos hospitais.

O Hospital Benedita Fernandes acompanhou todos esses momentos sempre se adequando às mudanças; hoje, visamos um atendimento humanizado desenvolvendo ações que propiciem a melhora do usuário, a tomada de consciência em relação à patologia bem como sua reintegração social, para que assim, continue seu tratamento nos serviços extra hospitalar oferecidos pelo município.

Notas:

1) José Cândido Francisco, de Resende (RJ);

2) E-mail enviado a Roberto Fonseca, dirigente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, de Itatiaia (RJ);

3) Refere-se a reunião do Centro, em que há atuação de Benedita.

4) Caravana promovida pelo Instituto Espírita Bezerra de Menezes, de Niterói.

5) Célia é originária do movimento espírita de Araçatuba; membro do GEECX-DF e ex-diretora da FEB.

6) Livro editado pela UME de Araçatuba em 1982 e reeditado pela Radhu em 1987.

Cultos religiosos em Cuba

busto-de-kardec-praca-em-havana-perri-edwin-e-villarraga-2011       cuba-divaldo-representantes-do-cei-e-ministra-cubana-tradicional-homenagem-a-marti-2013

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

            No início dos anos 1990, em programas da Universidade Estadual Paulista-UNESP, estivemos representando-a em algumas viagens a Cuba. Numa das oportunidades integramos comitiva oficial de dirigentes universitários com objetivo de conhecer seus programas de educação e saúde, e assinar convênios institucionais, inclusive com acesso a eventos com a presença do presidente e vários ministros.

            Numa dessas viagens oficiais obtivemos autorização, acompanhado de um vice-ministro, para audiência na sede do governo – o Palácio da Revolução -, com o já idoso ministro dr. José Felipe Carneado, chefe do Departamento de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, que era apelidado pela equipe governamental como "nosso cardeal".

            Ao retornarmos, publicamos um registro sintético da inusitada ocorrência em artigo na Revista Internacional de Espiritismo.(**) O ministro nos esclareceu como aquele governo lidava com os cultos religiosos desde os primeiros tempos da revolução até aqueles dias. Citou episódios históricos e justificou algumas restrições envolvendo várias religiões; entrou em detalhes sobre os cultos afros, muito populares em função da escravidão vigente em séculos passados; e a relação amistosa com a maçonaria. Naquela oportunidade – fevereiro de 1992 – informou-nos que o Congresso do Partido Comunista Cubano (que rege o governo daquele país) de 1991 já introduzia novidades iniciais, reconhecendo alguns religiosos.

            Ao final da entrevista cordial, o ministro nos ofereceu livro sobre o tema e entregamos a ele um exemplar de nosso livro – então recente – Entre a matéria e o espírito (Casa Editora O Clarim). Para surpresa nossa ele nos solicitou uma dedicatória. Em seguida, acompanhado de um assessor governamental, fomos levado a conhecer médium da popular "santeria" – equivalente ao candomblé de nosso país -, muito disseminado naquele país e sentimos que haveria um beneplácito oficial.  

            Na década seguinte, tivemos contatos com companheiros do Conselho Espírita Internacional que já labutavam na área espírita em ações relacionadas com Cuba e que nos informaram sobre o início de um processo de liberação dos cultos religiosos e inclusive do Espiritismo. Destacamos Edwin Bravo, da Guatemala, e coordenador do Conselho Espírita Internacional para a América Central e Caribe, principal responsável pela abertura ao Espiritismo junto a autoridades cubanas, contando com o apoio de espíritas radicados naquele país, como a família Agramonte, e de Manuel de la Cruz, de origem cubana, mas radicado em Miami (EUA).

            No primeiro semestre de 2004 já houve um evento espírita em Havana e liberado pelo governo cubano. Outros eventos ali foram realizados com apoio do CEI-América Central e Caribe. Por solicitação e estímulo dos já citados companheiros e com total apoio de Nestor João Masotti – então secretário geral do CEI e presidente da FEB – foi doado a Cuba um "container" repleto de livros espíritas em espanhol.

            Em 2011 foi reinaugurado o busto de Allan Kardec em praça na cidade de Havana. Havia sido erigido em 1957 e retirado em seguida a 1960.

            Quando o Conselho Espírita Internacional aprovou que      o 7o Congresso Espírita Mundial, seria realizado em Havana, por delegação do então secretário geral do CEI o representamos em vários contatos diretos naquele país.  Em 2011 atuamos no 6o Congresso Espírita Centroamericano e do Caribe e o 27o Congresso Espírita Cubano, realizado na cidade de Bayamo, com excelentes diálogos com autoridades do país e lideranças espíritas do país, e conhecemos centros tradicionais daquela região oriental. Interessante é que naqueles dias ocorria o Congresso do Partido Comunista Cubano e o presidente do país, pela primeira vez, citou os espíritas no seu discurso. No mesmo ano retornamos com tarefas específicas para preparação do Congresso Mundial juntamente com a Comissão de Apoio do CEI para o 7o Congresso Espírita Mundial. Representando o CEI estivemos em reunião com vice-ministros, incluindo os dirigentes do Departamento de Assuntos Religiosos, dentro do Palácio da Revolução, a sede do governo de Cuba.        

            Finalmente, em março de 2013 ocorreu o 7o Congresso Espírita Mundial, que foi um sucesso de participação, e com o apoio do governo, com a presença significativa de cubanos de várias partes do país. A imprensa espírita deu destaque ao evento. Houve também um pré-Congresso na Região Leste de Cuba, com palestras e visitas a instituições espíritas de Manzanillo, Bayamo e Sierra Maestra, região onde se concentra a maioria dos espíritas do país. Para o Congresso foi ofertado um "container" de livros editados em espanhol pelo CEI e pelo IDE em parceria com a Editora venezuelana Mensaje Fraternal, para distribuição aos mais de 500 grupos espíritas em funcionamento naquele país. O CEI e a FEB doaram uma edição especial em parceria, em espanhol, de O evangelho segundo o espiritismo, entregue a todos os congressistas.

            Na primeira metade do Século XX havia um bem desenvolvido movimento espírita em Cuba, inclusive com realização de eventos nacionais. Houve um interregno em função da política então vigente sobre cultos religiosos. Desde a inesperada audiência com o ministro cubano até a realização do marcante Congresso Mundial, onde comparecemos como presidente da FEB, sentimos que no espaço de 21 anos, ocorreram muitas transformações no tocante à liberação dos cultos religiosos e a busca pelo Espiritismo se manteve e se expandiu.

 

(*) Ex-presidente da FEB e ex-membro da Comissão Executiva do CEI.

(**) Síntese do artigo: Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cultos religiosos em Cuba. Revista internacional de espiritismo. Ano LXVII. No. 3. Abril de 1992. P.81-82.

Chico Xavier e Kennedy

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Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

            Em 22 de novembro de 1963 o mundo foi fortemente impactado com o assassinato do presidente americano John Kennedy. Ele era um líder nato e fonte de esperanças para o cenário mundial.

            Poucos anos depois, em meados de 1965, durante memorável e pioneira viagem para contatos espíritas aos Estados Unidos, Chico Xavier e Waldo Vieira, foram levados por amigos lá radicados para visitarem  o túmulo do presidente John Kennedy no histórico Cemitério de Arlington, na área de Washington (Vide foto). Aliás até nossos dias é local de visitas, na maioria das vezes, turísticas. Nós mesmos já tivemos oportunidade de conhecer o local.

            Destacamos que os dois médiuns citados mantiveram-se muito discretos durante toda a viagem. Não ofereceram informações e muito menos alimentaram especulações. As mensagens  psicografadas nos Estados Unidos foram publicadas no livro Entre irmãos de outras terras (1). Nesta obra não há nenhuma referência sobre o acima citado vulto americano.

            Um fato – provocado – ocorreu na noite de 28 de Julho de 1971. Momento histórico para São Paulo e para o Brasil: o marcante ”Pinga Fogo”do Canal 4 – TV Tupi de São Paulo. Francisco Cândido Xavier, o médium psicógrafo de Uberaba, submeteu-se aos entrevistadores em programa ao vivo.

            Lá pelas tantas, um dos entrevistadores, Almir Guimarães, indaga:

            "— Mauro Marcondes Filho, advogado, deseja saber se os seus guias espirituais já o informaram sobre a situação espiritual de Kennedy, De Gaulle, Stalin e Churchill, os maiores líderes políticos deste século."

            Chico Xavier responde:

            "— Seria para mim muito difícil estabelecer um sistema de informações nesse particular, conquanto admire profundamente o presidente Kennedy. Não tenho maior conhecimento dessa missão do general De Gaulle, que admiro também muitíssimo, e Churchill, por haver comandado a empresa de defender a civilização ocidental; e de Stalin também não tenho maior conhecimento. Sei por informações de amigos norte-americanos que o presidente Kennedy continua trabalhando (no mundo espiritual) pelo progresso das idéias de emancipação e pela integração das raças e pela fraternidade do povo americano e dos povos dos continentes do mundo. É o único de que eu posso dar informações." (2)

            Destacamos que o assunto se encerrou e Chico Xavier não fez especulações – como surgiram várias de outras origens – sobre pregressa existência de Kennedy.

            A propósito, destacamos trechos de mensagem do livro psicografado em território americano:

            "Fugir da exibição pessoal. Guardar discrição e simplicidade. Acatar os sistemas de trabalho espiritual que observe diferentes daqueles a que se afeiçoe. Evitar críticas e discussões. Furtar-se de comprometer a Doutrina Espírita em quaisquer atitudes, mormente aquelas que se relacionem com o interesse próprio." (1)

Referências:

1. Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Espíritos diversos. Entre irmãos de outras terras. 1a. parte, cap. 1. Rio de Janeiro: FEB. (Traduzido: Among Brothers of Other Lands, EDICEI).

2. Xavier, Francisco Cândido. Chico Xavier. Entrevistas. Araras: IDE.

 

(*) – Ex-presidente da USE-SP e da FEB.

De: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/chico-xavier-e-kennedy?xg_source=msg_appr_blogpost

DELITO E REENCARNAÇÃO

Cornélio Pires

Por ódio trocado,

Antônia matou Lina do Lagarto…

Hoje, elas são mãe e filha

Doentes no mesmo quarto.

 

Joaquim arrasou Simão

Para tomar-lhe Ana Vera,

Mas Simão tornou a ele,

É o filho que o não tolera.

 

Por Téo, Nana largou Juca

Que se matou pela ingrata,

E Juca voltou a ela,

É o filho que a desacata.

 

Manoel seduziu Percília,

Deixando-a em tombos loucos…

Ela morreu e voltou:

É a filha que o mata aos poucos.

 

Por Zina, matou-se João…

Um carro fê-lo aos pedaços…

 Hoje ele é o filho doente

Que Zina beija nos braços.

 

Tesouro maior da vida

É a mente tranquila e sã.

Erro que a gente faz hoje

A vida acerta amanhã.

 

DELITO E REENCARNAÇÃO

Irmão Saulo (*)

Cornélio Pires foi o poeta caipira que marcou uma época da vida paulista, assinalou a fase de transição da cultura caipira para a cultura cosmopolita que surgiria com a transformação da cidade provinciana em metrópole moderna. Deixou vasta e curiosa obra de inegável interesse folclórico e literário. Todos os anos a cidade de Tietê, sua terra, promove oficialmente a Semana Cornélio Pires. Na praça central da cidade há um busto do poeta e Tietê mantém carinhosamente o Museu Cornélio Pires.

Tendo falecido em São Paulo a 17 de janeiro de 1958, Cornélio teve o seu corpo transportado para Tietê, onde se deu o enterro. Pouco tempo depois passou a transmitir sonetos e trovas através de Chico Xavier. A Federação Espírita Brasileira lançou o livro “O Espírito de Cornélio Pires”, reunindo essa produção inicial. Mas o poeta continua a transmitir os seus versos pelo telégrafo mediúnico, na mesma linha espírita que já havia adotado nos seus últimos anos de vida terrena, quando publicou “Coisas do Outro Mundo” e “Onde está, ó Morte, a tua vitória?”.

A trova é o haicai (**) da língua portuguesa, uma forma de síntese poética de que Cornélio sempre se serviu com habilidade. Mas, nas trovas deste capítulo, o tema é a reencarnação. Note-se que o poeta não joga com argumentos, mas com fatos. Expõe a tese focalizando pequenos episódios da vida diária, no permanente intercâmbio da morte com a vida. Uma forma didática de mostrar as consequências de nossos atos e de nosso comportamento, não no após morte, mas na volta à vida.

Quem conheceu Cornélio Pires e conhece sua obra não tem a menor dificuldade em identificá-lo nesses versos. O poeta caipira, simples, objetivo, direto, reflete-se nessas quadras psicografas como se elas viessem das suas próprias mãos. Atente-se para a maleabilidade extrema do médium, que com a mesma presteza recebe um alexandrino grandiloquente de Cyro Costa, como se viu no “Pinga Fogo” do Canal 4; um poema erudito de Augusto dos Anjos ou uma quadra caipira de Cornélio Pires. Chico Xavier, segundo sua resposta a Scatimburgo na televisão, não escreve “à maneira de”, mas deixa que os espíritos escrevam por suas mãos “à maneira deles”.

 

(Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano; Autores Diversos. Chico Xavier Pede Licença. Cap. 6. São Bernardo do Campo: GEEM. 1972).

 

(*) Irmão Saulo é pseudônimo de José Herculano Pires.

(**) O Haicai é uma forma poética de origem japonesa.

13 de novembro, o Dia do Jovem Espírita

João Thiago Garcia 
 

           Não pretendemos com esse artigo falar sobre o histórico do movimento de Mocidades Espíritas, nem tão pouco da sua importância para a Casa e o Movimento Espírita. Gostaríamos apenas de contribuir para o conhecimento do porque dessa data.

            Em 1949, após a assinatura do Pacto Áureo que criou o CFN/FEB (Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira), os dois únicos organismos do Movimento Espírita Juvenil do país resolveram aderir de pronto ao Pacto e, em 13 de novembro, consumava-se, enfim, o ATO DE UNIFICAÇÃO DAS MOCIDADES E JUVENTUDES ESPÍRITAS, dando início ao Departamento de Juventude da Federação Espírita Brasileira.

Esta data surge como um marco para a história das Mocidades Espíritas, representando o idealismo acima do personalismo, da confraternização acima do fracionamento, da mensagem esclarecedora acima do melindre do estudo e do trabalho acima dos obstáculos pessoais.

DIA 13 DE NOVEMBRO brilha para a HUMANIDADE como sendo o DIA DO JOVEM ESPÍRITA.

            Para mais detalhes e informações, transcrevemos, no final deste, o Artigo Mocidade Espírita publicado no Anuário Espírita de 1971. Porém a pergunta que fica é: O QUE É SER JOVEM ESPÍRITA?

            Se buscarmos no dicionário Aurélio:

 jo.vem – Adjetivo de dois gêneros. 1.Que está na juventude; juvenil. 2.Juvenil (1). Substantivo de dois gêneros.  

es.pí.ri.ta – Adjetivo de dois gêneros. 1.Relativo ao espiritismo. Substantivo de dois gêneros. 2.Partidário dele. [Sin. ger.: espiritista.]

            Apesar de muito lógica, a definição que o Aurélio nos dá é pouco esclarecedora ao que, na essência, venha a ser um Jovem e Espírita.

Antes de prosseguirmos, gostaria de lembrar dois pequenos trechos do Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más tendências.”
(
OS BONS ESPÍRITAS – Cap. 17, It. 4)

“É chegado a hora em que deveis sacrificar, em favor da sua divulgação (Doutrina Espírita), hábitos, trabalhos, ocupações fúteis.”
(
MISSÃO DOS ESPÍRITAS – Cap. 20, It. 4)

Olhando à nossa volta vemos diversos exemplos de juventude. Seja onde for, de que jeito for, o jovem é fácil de reconhecer e de se perceber sua presença. E, com o Jovem Espírita, não é diferente. Pegamos alguns casos só para contextualizar:

            “Uma jovem de 24 anos recusa o convite dos amigos para ir num show de sua cantora preferida, que ocorrerá em sua cidade, só para estar presente numa reunião de estudos preparatórios de um Encontro de Mocidades.”

“Jovens das mais variadas idades se reúnem aos finais de semana para elaborar metodologias de como facilitar a assimilação da Doutrina por outros jovens.”

“Um rapaz economiza os trocados, deixa de ir ao cinema, de comprar uma camiseta da moda, só para conseguir estar presente numa reunião e representar seu grupo de Mocidade.”

“Uma jovem dirigente de mocidade abre o Centro todo sábado no mesmo horário, prepara a sala, arruma o material, e espera os participantes que por vezes a deixaram esperando.”

“Mesmo sem apoio dos pais, um jovem vai às reuniões de mocidade, pois gosta do estudo e das pessoas que lá estão. E, às vezes, deixa de ir a festas de aniversário, casamentos, churrascos em família, para estar com os amigos e estudar Espiritismo.

            Pois bem, pela vivência que temos, é possível afirmar que ser Jovem Espírita é isso e muito mais.

            Ser Jovem Espírita é lutar contra as “tentações do mundo”. É se indispor às vezes com a família só para estar na Mocidade. É se sacrificar em prol de algo que acredita. É confiar em Deus e na espiritualidade.

Ser Jovem Espírita é a busca pelo conhecimento das verdades eternas, pelo esclarecimento sobre as questões mais íntimas como a perda de entes queridos e as divergências familiares.

Ser Jovem Espírita é compreender as dores da alma, a fome e a pobreza. Entender o mundo dos espíritos e ter na mediunidade uma ferramenta de caridade, e na alegria do trabalho voluntário, a prática do Cristianismo. É querer trabalhar com os mais velhos, mesmo sendo rotulado como irresponsável e imaturo.

Temos a oportunidade de ser jovem e trabalhar com jovem. Mais do que um estado físico, a juventude é sim um estado de espírito.

Por definição Mocidade Espírita é: “Um Grupo de jovens que se reúnem com o objetivo de estudar a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, e temas atuais à luz do Espiritismo, contribuindo, assim, para a informação e formação moral do jovem. Este Grupo denominado MOCIDADE, é um departamento do Centro Espírita, no qual realiza suas reuniões de Estudo e desenvolve tarefas. Praticando os preceitos de Jesus, a Mocidade interage no meio-social. Estrutura atividades que atendam aos interesses e necessidades do jovem que dela participa. Através do Movimento de Unificação busca seu aperfeiçoamento.”

A Mocidade deve ser vista como um Departamento da Casa Espírita, assim como é a Evangelização, a Assistência Social, a Orientação Doutrinária, Mediunidade, etc. Todos fazemos parte de um mesmo grupo de trabalho, não podemos e nem devemos trabalhar como uma caixa dentro de outra caixa.

É nesse grupo chamado Mocidade Espírita que se fornece oportunidades de ser jovem em qualquer lugar e ambiente da sociedade. Por isso não nos equivocamos em dizer que a MOCIDADE ESPÍRITA É LUGAR DE SER JOVEM.

Parabéns aos Jovens Espíritas que construíram esse movimento. Bom trabalho para os Jovens Espíritas que seguem confiantes na promessa do jovem Rabi da Galiléia.

 

(Extraído de: http://fems.org.br/Registro.aspx?id=20121113092755&Tipo=artigos; consulta em 3/11/2016)