O gestor com 50 anos de ‘registros’ de presidente na ‘carteira’ de trabalho espírita

Antonio Cesar Perri de Carvalho: o gestor com 50 anos de ‘registros’ de presidente na ‘carteira’ de trabalho espírita

Sirlei Nogueira (*)

Em ano de Centenário do Espiritismo em Araçatuba, no interior paulista, terra natal de Cesar Perri, a Trilogia Espírita ‘Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões’ registra ideias, projetos e ações ao longo de sete décadas da vivência do autor: sobre a família, atividades profissionais e – principalmente – espíritas. E suas correlações. Educação é a principal conexão, traço marcante de um gestor moderno, cuja sigla inglesa CEO (Chief Executive Officer) pode até ser emprestada.

O cinquentenário remete ao período entre o primeiro cargo em 1964, como presidente de Mocidade Espírita até à Presidência da Federação Espírita Brasileira (FEB), entre 2012 e 2015, passando por três gestões de presidente da USE-SP e integrante da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional (CEI).

De lá para cá – a partir de 2016 – os filhos literários voltaram a ‘encarnar’… Araçatuba, região Noroeste do Estado de São Paulo, Brasil. 2021 está sendo um ano histórico na cidade que surgiu quando corajosos trabalhadores desbravaram – fisicamente – o interior paulista para construir a malha ferroviária da Noroeste do Brasil (N.O.B.): a partir de Bauru com destino inicial a Campo Grande, atual capital do Mato Grosso do Sul.

Era o ano de 1908. A adolescente unidade urbana via surgir 13 anos depois, em 1921, outro grupo de corajosos que desbravariam – espiritualmente – aquele contexto em formação para fundar a primeira Casa Espírita: a União Espírita Paz e Caridade. Era o dia 21 de abril de 1921. 2021 está sendo um ano histórico por esse motivo: Centenário do Espiritismo em Araçatuba. Muitos são os pioneiros para reverenciar. As duas edições do livro Obra de Vultos (1999 e 2000), coordenadas por Ismael Gobbo, então presidente da USE Regional de Araçatuba, prestam justas homenagens a 80 deles: 33 no primeiro volume e 47 no segundo. Um trabalho de fôlego, cuja continuidade está em andamento com a produção do terceiro volume para lançamento nesse ano.

Dentre os desencarnados, a maior projeção nacional e internacional, a partir da Araçatuba Espírita, é Benedita Fernandes: a mulher, negra, pobre, quase analfabeta, que superou pertinaz obsessão espiritual para liderar a fundação da Associação das Senhoras Cristãs, em 6 de março de 1932. Em apenas 15 anos de trabalho árduo foi possível assegurar educação formal para centenas de crianças pobres e amenizar dores das almas com atendimento em saúde mental. Era 9 de outubro de 1947. Com a desencarnação dela, os 15 anos de pioneirismo no interior do Estado de São Paulo terminavam: para surgir o ícone. Ainda levaria outros 35 anos para que a projeção de Benedita Fernandes efetivamente começasse, e justamente na comemoração dos 50 anos de história da associação, coordenada por um novo personagem na história do Espiritismo em Araçatuba. Um pioneiro contemporâneo.

OLHARES À ‘DAMA DA CARIDADE

A comemoração dos 75 anos de Proclamação da República foi o momento histórico em que o protagonismo do jovem de apenas 16 anos aflorou: era 15 de novembro de 1964 quando Antonio Cesar Perri de Carvalho liderou a fundação da Mocidade Espírita Irma Ragazzi Martins, sendo o primeiro presidente. Surgia novo departamento da Instituição Nosso Lar, inaugurada três anos antes pelo tio Rolandinho (Rolando Perri Cefaly), a mãe Bebé (Josefina Perri Cefaly de Carvalho) e Emília Santos, colaboradora efetiva de Benedita Fernandes. A partir daí ele se vincularia às várias iniciativas internas da Instituição Nosso Lar. Dois exemplos: fundação do Centro Espírita Luz e Fraternidade, exatos oito anos depois, em 15 de novembro de 1972; pioneirismo no Estado de São Paulo na adoção da metodologia teórico-prática do Centro de Orientação e Educação Mediúnica (COEM), elaborado pelo Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba, capital do Paraná.

O jovem também se vincularia – e muito mais – às ações de fora, do crescente Movimento Espírita de Araçatuba, especialmente a partir do final dos anos 1960. Vale citar três eventos marcantes: início de Jornadas sobre Mediunidade (1976), o 1o Encontro de Delegados de Polícia Espíritas (1980) e o começo da Confraternização de Espíritas da Alta Noroeste (Conean), em 1981. O ano seguinte seria um dos mais representativos para o dirigente espírita, então com 34 anos de idade. Foi em março de 1982, nas comemorações do cinquentenário de fundação da Associação das Senhoras Cristãs, que ele finalizaria um trabalho de pesquisa de anos. Ali surgiria a referência ‘Dama da Caridade’, com o lançamento da biografia de Benedita Fernandes, que pode ser considerado o primeiro passo para a projeção do autor.

OLHARES COM CHICO E DIVALDO

Cesar Perri bebeu nas duas fontes mais representativas da Doutrina Espírita no século passado e até aos atuais 21 anos do Século 21, no Brasil e exterior. Chico Xavier iniciou o Mandato Mediúnico aos 17 anos, em 1927 e desencarnou em 30 de junho de 2002.

Divaldo Pereira Franco continua em atividade aos 94 anos, que acabou de completar no dia 5 de maio. As primeiras experiências na vida são inesquecíveis. Em 1955, Divaldo foi a Araçatuba pela primeira vez. Atraso no horário de chegada do avião fez com que o grupo de dirigentes à espera dele retornasse ao Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes. Ele chegou e ficou meio perdido. Mas foi ‘achado’ e recepcionado calorosamente por uma senhora negra, sorridente, que o orientou pegar um táxi para chegar ao destino. Não ‘percebeu’ de imediato a condição de Espírito de Benedita Fernandes. Anos mais tarde, a partir da década de 1970, Divaldo seria hóspede da família Perri nas inúmeras vezes que retornou à cidade. Nos momentos iniciais na casa de dona Bebé, mãe de Cesar Perri. Posteriormente, na residência do casal Cesar e Célia, até à mudança para São Paulo, no final da década de 1980.

Simultaneamente, no início dos anos 1970, Cesar Perri começou a visitar a mineira Uberaba e a manter contatos periódicos com Chico Xavier. Foram anos de aprendizados para a vida, que gerariam rica experiência para as futuras gestões de presidente, incluindo a vivenciada naquele período, na USE Municipal de Araçatuba, além de conteúdo para três frutos literários: Chico Xavier. O homem. A obra. (1997); Chico Xavier. O homem, a obra, as repercussões (2019); Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier (2020).

OLHARES PARA FORA: USE ESTADUAL

A mudança para a capital paulista, em 1989, foi motivada por funções administrativas na Unesp (Universidade Estadual Paulista). Graduado em odontologia e doutor em ciências, Perri é professor-titular aposentado da instituição, onde exerceu o cargo de Pró-Reitor de Graduação. Naquele período, ele foi convidado pelo ex-presidente da USE-SP (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo), Attílio Campanini e pelo diretor Joaquim Soares a concorrer à presidência. Em julho de 1990 foi eleito, após quatro anos (desde 1986) integrando a diretoria na primeira gestão de Nedyr Mendes da Rocha no órgão paulista. Nesse mesmo ano (1986), Cesar Perri passou a acompanhar as reuniões do Conselho Federativo Nacional (CFN) da FEB em companhia do presidente Nedyr Mendes.

Portanto, outro ano representativo na história cinquentenária em funções de presidente.

Há 35 anos… O destaque sobre família no novo projeto literário ganha ênfase nas narrativas do autor sobre mais um momento histórico. “Em 1992, a USE foi proponente junto ao CFN da FEB da Campanha ‘Viver em Família’, aprovada em 1993 e lançada nacionalmente em São Paulo, em janeiro de 1994, originando o livro Laços de família, editado pela USE.” Também em 1992, Perri foi reeleito para um período de dois anos de gestão. Após um mandato fora da diretoria, mas colaborando em departamento e assessoria junto ao presidente Attílio Campanini, ele retornou como presidente para último período: 1997/2000.

OLHARES PARA FORA: FEB

Com relação à FEB, vou fazer um ‘Ctrl C – Ctrl V’ da autobiografia ‘Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões’: “Lembramos de nossa primeira visita à então sede, na Av. Passos, no Rio de Janeiro, em julho de 1965 e, cinco anos depois, a primeira visita ao Cenáculo, prédio pioneiro da FEB em Brasília. Atuamos como articulista da revista Reformador desde meados dos anos 1970. Proferimos nossa primeira palestra na sede da FEB, no Rio, no ano de 1982, época em que também comparecemos como convidado à reunião do Grupo Ismael. Mantivemos relações cordiais de amizade com os presidentes da FEB, desde Armando de Oliveira Assis”. O autor continua: “Passamos a integrar as reuniões do Conselho Federativo Nacional da FEB no ano de 1986, na representação da USE-SP. No final de 1987, a convite do presidente Francisco Thiesen, integramos uma comissão precursora para a preparação do Congresso Espírita Internacional (efetivado em 1989), juntamente com Nestor João Masotti, Altivo Ferreira, Cecília Rocha, Paulo Roberto Pereira da Costa e João Nasser. A partir daí, sempre com base no CFN, nossa atuação no Movimento Espírita brasileiro e internacional é bem conhecida de todos”.

No ano de 2004, Antonio Cesar Perri de Carvalho foi eleito diretor da Federação Espírita Brasileira, assumindo compromissos junto à secretaria-geral do Conselho Federativo Nacional da FEB. Em 2012, ele completou o 21º mandato na história da instituição (interino), em substituição ao amigo Nestor Masotti, afastado por problemas de saúde. De 2013 a 2015 foi o presidente no 22º mandato.

OLHARES ‘PELOS CAMINHOS DA VIDA’…

“A partir daí, sempre com base no CFN, nossa atuação no Movimento Espírita brasileiro e internacional é bem conhecida de todos”. A essa afirmação do dirigente é possível fazer duas considerações iniciais: pode ser que sim, pode ser que não. Para eliminar essa dúvida é que acaba de ser lançada (19 de junho) a Trilogia Espírita Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. O objetivo não foi o de simplesmente reunir informações nem de romancear fatos, mas relatar experiências – ao longo de sete décadas da encarnação e 57 anos desde o primeiro cargo de presidente – sempre ensejando espaços para análises na ótica espírita. O livro é uma autêntica contribuição à História, com episódios de Araçatuba, do Estado de São Paulo, do Brasil e com momentos internacionais.

Abre aspas: Assim, o leitor terá a oportunidade de vivenciar fatos de grande êxito e importância para a divulgação da Doutrina Espírita. E, claro, como somos todos ainda Espíritos dotados de tanta carência de conhecimento, alguns tantos episódios descritos são narrados a partir da visão de quem esteve nos “porões” da gestão espírita. Neste pormenor, o livro deixa bastante claro as mazelas humanas que ainda norteiam os bastidores das diretorias espíritas; as chagas de nosso orgulho, vaidade e egoísmo são expostas, ao longo das páginas […]. Fecha aspas. Trecho da apresentação feita por André Marouço, cineasta e ex-gerente de Comunicações da Fundação Espírita André Luiz, de São Paulo.

Divaldo Pereira Franco comenta à guisa de Prefácio: “Acabo de ler o seu maravilhoso trabalho sobre nossa longa e abençoada convivência. Não pude deixar de chorar. Quanta pureza e entusiasmo em nossas almas e vidas!”

Nos últimos seis anos pós-FEB (desde 2016), as contribuições literárias de Cesar Perri floresceram, com os lançamentos de oito títulos e relançamento de um. A Trilogia Espírita seria o nono. Como são 3 livros em 1 volume, a conta é simples: 9ª, 10ª e 11ª publicações. Dentre os mais de 30 filhos literários gerados desde a década de 1970. 

TRILOGIA ESPÍRITA DE CESAR PERRI

A autobiografia Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões registra ideias, projetos e ações ao longo de sete décadas da vivência de Antonio Cesar Perri de Carvalho: sobre a família, atividades profissionais e espíritas. E as correlações. O autor rememora desde os primeiros tempos de vida unindo registros e reflexões. O objetivo não foi de simplesmente reunir informações nem de romancear fatos, mas relatar experiências, sempre ensejando espaços para análises na ótica espírita. Nessa trajetória destaca o papel e valor da família desde a etapa inicial vivenciada em Araçatuba, no interior paulista, e o desenvolvimento de intensas atividades profissionais e espíritas com abrangência no país e no exterior. Dezenas de capítulos enfeixados em três livros, com temas centrais: definições do roteiro de existência, educação como laço, ações nacionais e internacionais, a experiência na FEB e os momentos após esse período, homenagens a vultos locais e nacionais que o influenciaram. Há casos de fenômenos medianímicos vividos na infância e que o conduziram ao Espiritismo, relatos sobre manifestações mediúnicas explícitas com vários médiuns, como Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, e episódios de induções e inspirações de ordem espiritual. Também constam abordagens inusitadas sobre as relações com a Maçonaria e Legião da Boa Vontade, manifestações de Espíritos como indígenas e, em alguns países, as reações ao Cristianismo. No exercício de cargos profissionais e espíritas aparecem situações vinculadas ao poder político, em níveis e locais diferentes. A Educação, no sentido amplo da palavra, é um traço em comum, um laço de união entre as tarefas de gestão acadêmica e espírita. A trilogia tem apresentação por André Marouço (SP), carta à guisa de prefácio por Divaldo Pereira Franco (BA) e prefácios dos três livros: Ismael Gobbo (SP), Manuel Felipe Menezes da Silva Júnior (AP) e Hélio Ribeiro Loureiro (RJ). Abre aspas: Assim, o leitor terá a oportunidade de vivenciar fatos de grande êxito e importância para a divulgação da Doutrina Espírita. E, claro, como somos todos ainda Espíritos dotados de tanta carência de conhecimento, alguns tantos episódios descritos são narrados a partir da visão de quem esteve nos “porões” da gestão espírita. Neste pormenor, o livro deixa bastante claro as mazelas humanas que ainda norteiam os bastidores das diretorias espíritas; as chagas de nosso orgulho, vaidade e egoísmo são expostas, ao longo das páginas […]. Fecha aspas. Trecho da apresentação feita por André Marouço, cineasta e ex-gerente de Comunicações da Fundação Espírita André Luiz, de São Paulo. Divaldo Pereira Franco comenta, à guisa de Prefácio: “Acabo de ler o seu maravilhoso trabalho sobre nossa longa e abençoada convivência. Não pude deixar de chorar. Quanta pureza e entusiasmo em nossas almas e vidas!” A obra é uma autêntica contribuição à história, com episódios de Araçatuba, do Estado de São Paulo, do país e de momentos internacionais. Autobiografia que vai ficar para ‘as histórias’…

SERVIÇO:

Trilogia Espírita (3 livros em 1 volume) Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões Lançamento: Cocriação Editora Araçatuba.SP | Junho de 2021 INFO:18 99709.4684 (ZAP) – 18 3519.0191

(*) Sirlei Nogueira é jornalista, presidente da USE (União das Sociedades Espíritas) Regional de Araçatuba e gestor da Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes.

Extraído da revista digital O Consolador, Ano 15 – N° 730 – 18 de Julho de 2021; acesso: http://www.oconsolador.com.br/ano15/730/especial2.html

116 anos de Centro fundado por Cairbar Schutel

15 de julho – 116 anos de Centro fundado por Cairbar Schutel

De Carrara:1

“Fundado em 1905 por Cairbar Schutel em Matão, SP, a instituição surgiu como Grupo Espírita Amantes da Pobreza, tendo seu nome alterado para o atual no início dos anos 2000. Foi o primeiro empreendimento de Schutel em seu dedicado e nobre trabalho de divulgação do Espiritismo.

Cairbar era um católico atuante e convicto, porém tornara-se espírita em razão dos sonhos que tivera com seus pais, desencarnados quando ele ainda não contava 10 anos de idade. Os sonhos, vívidos, pareciam encontros, e não meras lembranças. Buscando respostas no Catolicismo e com o padre local, recebeu como retorno que era melhor "não mexer com essas coisas".

Assim, tomando conhecimento que em Matão eram realizadas sessões mediúnicas de tiptologia, passou a frequentar essas reuniões e convenceu-se da imortalidade da alma e da justiça consoladora da lei de causa e efeito, só possível com a reencarnação.

Após ser presenteado com uma edição da revista Reformador, decide estudar as obras básicas da Codificação Espírita, encantando-se com a proposta racional de Allan Kardec.

Tornando-se espírita, pouco depois decide fundar o Amantes da Pobreza, com o objetivo de levar a mais mentes e corações as realidades da imortalidade da alma.

Um mês após a fundação do centro espírita, no dia 15 de agosto de 1905, seria publicada a primeira edição do jornal O Clarim.

E 20 anos mais tarde, em fevereiro de 1925, surgia a Revista Internacional de Espiritismo (RIE). Tanto O Clarim quanto a RIE continuam em circulação até os dias atuais.”1

De Perri:2

“As instituições criadas por Schutel, sempre contando com dedicada equipe de dirigentes e colaboradores, passaram por guerras, crises políticas e econômicas e superaram a intolerância e o preconceito. Realmente as ‘clarinadas’ de divulgação de Schutel e ‘som da trombeta’ de Paulo são toques inspiradores para a cadência de ações!

Uma das frases de sua autoria tornou-se célebre e está registrada na lápide em seu túmulo: ‘Vivi, vivo e viverei porque sou imortal’.”2

Fontes:

1) Carrara, Cássio. 15 de julho, comemoram-se 116 anos de fundação do Centro Espírita O Clarim. Site de Casa Editora O Clarim: www.oclarim.com.br. Extraído do Boletim Notícias do Movimento Espírita: http://www.noticiasespiritas.com.br/2021/JULHO/15-07-2021.htm

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Cap. 2.10. Araçatuba: Cocriação. 2021.

A Revolução de 32: relatos e vítimas familiares; medalha; comemorações

A Revolução de 32: relatos e vítimas familiares; medalha; comemorações

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Uma das principais datas cívicas do Estado de São Paulo é o dia 9 de julho que, há tempos, foi transformada em feriado estadual. Trata-se da comemoração da Revolução Constitucionalista de 1932, quando o Estado de São Paulo se levantou contra a ditadura de Getúlio Vargas, exigindo uma Constituição Federal.

No contexto de nossa família, desde a infância acompanhamos os relatos e repercussões relacionados com a Revolução Constitucionalista. Vivemos as histórias e comemorações sobre a efeméride desde a infância.

Um dos estopins do movimento foi o assassinato por militares dos estudantes Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, na Praça da República, em São Paulo, no dia 23 de maio de 1932, no momento em que se manifestavam contrariamente ao governo Vargas. Destes fatos surgiram, entre outros logradouros públicos em São Paulo, a Rua MMDC, e, sem fazer alusão aos nomes dos quatro estudantes; o Obelisco da Revolução no Parque do Ibirapuera e a Avenida 23 de Maio. O jovem herói Euclides Miragaia era dos irmãos mais velhos de Benedita Miragaia, casada com nosso tio avô Rolando Perri. E tínhamos muita convivência com esses tios avós.

O irmão mais velho de nosso genitor, Valdomiro Graça de Carvalho (residia em Olímpia, SP), faleceu nas lutas da Revolução. Atualmente, somos o depositário do Diploma da Medalha "M.M.D.C." outorgada post mortem ao nosso tio.

No convívio familiar em Araçatuba, lembramos do prof. Joaquim Dibo, casado com nossa tia avó Olga Perri que, no dia 09 de julho, tinha o hábito de falar sobre a Revolução na sua Escola privada e na Rádio Cultura, destacando os heróicos versos "Nossa Bandeira" de Guilherme de Almeida, o "Poeta da Revolução"

Também como lembrança de infância recordamos de Elias Daia, cunhado do tio Joaquim Dibo, que como ex-combatente, certa feita participou de desfile cívico ostentando medalha de combatente da Revolução.

Registramos que os tios avós Rolando Perri e Joaquim Dibo foram políticos respeitados em Araçatuba.

Ainda na infância ouvíamos os relatos de tias avós de Araçatuba, Gertrudes e Olga, que integraram grupos de costura para confecção de fardas. De nossa genitora, que na época da Revolução era criança e residia na cidade de São Paulo, ouvíamos alguns registros dos receios e cuidados dos vários familiares.

Quando residimos em São Paulo, durante etapa da infância, nossos pais mostraram-nos as marcas das balas de tiros na fachada da igreja de Nossa Senhora da Conceição Santa Efigênia, no centro da capital paulista.

Em 1957, juntamente com nossos pais e irmãos, com entusiasmo, assistimos às comemorações do Jubileu de Prata da Revolução Constitucionalista, em São Paulo. Estávamos próximos ao Obelisco do Ibirapuera, que foi inaugurado dois anos antes; e à noite, os aviões jogavam flâmulas laminizadas ofertadas pelas Indústrias Pignatari, e que cintilavam com as luzes dos holofotes que eram direcionados para o céu. Um espetáculo inesquecível!

Enfim, histórias de idealismo e de valorização da bandeira de uma Constituição para o país! Foi muito bom ouvirmos com atenção e vivermos esse ambiente na infância. São fatos marcantes ligados à História!

(*) Trechos do autor, extraídos do livro Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação; lançado em junho de 2021.

Chico Xavier – 19 anos após a desencarnação

Chico Xavier – 19 anos após a desencarnação

  

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Há 19 anos atrás, no dia 30 de junho de 2002, Chico Xavier completava sua existência de 92 anos de idade e 75 anos de dedicação ao próximo.

Em livro lançado há poucos dias – Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões (Cocriação Editora, Araçatuba), registramos nossas homenagens ao grande vulto do Espiritismo, em função dos momentos que ainda residente em Araçatuba, visitávamos com frequência Chico Xavier em Uberaba, e, até episódios recentes dentro das repercussões da vida e obra do notável vulto. E esses reflexos são marcantes.

Como diretor da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, tivemos a honra de coordenar em nível nacional o “Projeto Centenário de Chico Xavier”, executado durante o ano de 2010, que redundou em mais de 600 comemorações em todo o país. Aí se incluiu a criação do “Espaço Cultural Chico Xavier” na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo, a terra natal de Chico Xavier, e um Congresso Espírita Brasileiro.

No mesmo ano foram lançados os filmes “Chico Xavier”, “Nosso Lar”, e em 2011, o filme “E a vida continua…”; os dois últimos baseados em livros psicografados por Chico Xavier.

Evento marcante e histórico aconteceu na sede da Organização das Nações Unidas-ONU, em Nova York, aos 06 de agosto de 2010: o “Tributo a Chico Xavier”, no qual comparecemos juntamente com Nestor Masotti. Chico Xavier foi homenageado no 6o Congresso Espírita Mundial, promovido pelo Conselho Espírita Internacional, em Valencia (Espanha), em outubro de 2010, inclusive com o tema de nossa palestra.

Em 2012, a TV SBT promoveu uma competição sobre vultos e Chico Xavier foi o vencedor, sendo considerado “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”. O Governo de Minas Gerais criou a “Comenda da Paz Chico Xavier”. Provavelmente como repercussão das comemorações do Centenário de Chico, fomos agraciados e recebemos a honraria das mãos do governador do Estado Antonio Anastasia, em cerimônia realizada em Uberaba no dia 08 de março de 2013.

A “Rede Amigo Espírita” (RAETV) produziu um marco histórico, não apenas para o movimento espírita brasileiro, mas mundial. Contando com parcerias de webTVs e webRádios e concretizou o maior evento on line, durante dois dias – 22 e 23 de agosto de 2020 -, e com um objetivo nobilíssimo: em homenagem aos 110 anos de nascimento de Chico Xavier, contando com a coordenação do incansável José Aparecido dos Santos. No final do evento havia cerca de 500 mil visualizações.

Os cerca de 450 livros psicografados por Chico Xavier prosseguem sendo divulgados e comercializados no país e no exterior.

Chico Xavier é um arauto do bem e da paz!

(*) Foi dirigente em Araçatuba, presidente da USE-SP e da FEB.

De:

Boletim de Notícias do Movimento Espírita: https://www.noticiasespiritas.com.br/…/30-06-2021.htm

Conversa com os espíritos: na teoria e na prática com Kardec

Conversa com os espíritos: na teoria e na prática com Kardec

Izabel Vitusso (*)

Neste ano, em janeiro, O livro dos médiuns completou 160 anos, lançado por Allan Kardec, em Paris, como complemento de O livro dos espíritos. Segunda obra da codificação espírita, seu conteúdo está voltado ao ensino dos espíritos sobre a teoria e a parte experimental de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do espiritismo.

Kardec se referiu à obra como um “repositório de instrução prática”, alertando não se destinar exclusivamente aos médiuns, mas a todos os que estivessem em condições de ver e observar os fenômenos espíritas. O codificador não cansou de chamar a atenção para o fato de a prática do espiritismo ser um ‘campo vasto’, rodeada de dificuldades, nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo comprometido e completo poderia auxiliar, não se admitindo experiências levianas ou divertimento. “Dirigimo-nos aos que veem no espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo”, advertiu.

Passados 160 anos e o alerta continua fundamental, uma lição inesquecível, como um código de conduta para quem tem compromisso com o trabalho da divulgação do espiritismo, considerando a interação com os espíritos e a responsabilidade na análise e na publicação do material que deles possa vir, em nome da propagação correta da doutrina espírita. Expansão da literatura pelo crivo da razão é que passaram as incontáveis obras que enriqueceram as bases do espiritismo e auxiliaram no maior entendimento da nova realidade trazida pelos espíritos. Muitos deles, clássicos escritores, como Léon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Camille Flammarion, Albert de Rochas, Amália Domingos Soler, Cesare Lombroso, Gustave Geley, para citar muito poucos, deixaram sua marca na literatura que se seguiu às obras da codificação.

Já no Brasil, nas primeiras décadas do século 20, a produção literária espírita contou com o grande apoio das obras psicografadas, que revelaram nomes de médiuns, como Zilda Gama, Dolores Bacelar, Yvonne do Amaral Pereira, Divaldo Franco, tendo o médium Francisco Cândido Xavier, nesse período, dado grande contribuição, com o legado de mais de 400 obras ditadas pelos espíritos, em grande parte romances históricos, crônicas, coleção de estudos e reflexões sobre mensagens do Evangelho.

Ampliando o diálogo numa dessas publicações, de 1941, Chico Xavier psicografa uma obra até então genuína, com respostas de Emmanuel sobre temas propostos, ideia acatada pelo espírito numa das reuniões do Grupo Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, MG, quando os participantes buscavam ampliar o entendimento sobre os três aspectos do espiritismo.

A obra, O consolador, tornou-se uma das referências na literatura espírita, com mais de 400 perguntas sobre temas doutrinários. Antes de respondê-las, o mentor espiritual precaveu o grupo de que não seria dele a última palavra sobre os assuntos, e com modéstia colocava-se à disposição para cooperar da melhor forma. Também esclareceu Emmanuel que não se deteria em exames técnicos de questões científicas, ou no objeto das polêmicas da filosofia e das religiões, intensamente movimentados “nos bastidores da opinião”.

Sobre o fato de se inquirir os espíritos, Allan Kardec elucida em O livro dos médiuns (questões 286 a 296) que é preciso se ter um fim útil para o intercâmbio e que se deve atentar sempre para “a forma e o fundo”, devendo as perguntas ser redigidas com clareza e precisão, evitando-se questões complexas. Lembrou sabiamente que “é a natureza da pergunta que provoca uma resposta correta ou falsa”. O codificador também disse que as perguntas, longe de serem um inconveniente, são de grande utilidade, do ponto de vista da instrução, “quando se sabe encerrá-las nos limites desejados”.

Saber questionar Sobre o fato de se organizar em forma de perguntas uma interação mais direta com os espíritos, a Sociedade Espírita Primavera, de Juiz de Fora, MG, lançou em 2019 um livro – Diálogos espíritas – fruto de um trabalho semelhante ao citado e que teve início através do contato em reuniões espíritas, por muito tempo, com o espírito Ivon. Ele se revelou, durante o extenso convívio, um grande defensor dos princípios filosóficos espíritas, e um expressivo trabalhador, na instrução e no amadurecimento dos grupos em que se fazia presente. O grupo, que tem à frente os organizadores Daniel Salomão, Humberto Schubert Coelho e o médium Vinícius Lara – todos com sólido conhecimento, vivência doutrinária e apurada formação acadêmica –, propôs à entidade questões e problemas atuais da reflexão espírita, como o rumo do próprio movimento espírita, os embates ideológicos e culturais, a mediunidade aplicada ao trabalho em suas mais amplas acepções, temas filosóficos sobre os postulados espíritas à luz da atualidade, e tantos outros, cuidadosamente pensados e apresentados, seguindo a orientação de que fossem bem trabalhadas, pouco ambíguas e compatíveis com a experiência e competência individuais do espírito.

Leitura crítica

Conscientes da tarefa e com o senso crítico apurado, ao disponibilizar o resultado do trabalho de anos em formato de livro, o grupo faz o convite para que o leitor também exercite a recomendação de uma leitura criteriosa, com o uso do bom senso e da atenção ao ‘método do controle universal do ensino dos espíritos’, que coloca toda informação frente a frente com o conhecimento já consolidado. Ao falar sobre a necessidade da leitura crítica de qualquer obra, Daniel Salomão lembra também que, se por um lado há os que aceitam indiscriminadamente tudo o que é admitido como mediúnico, há no outro extremo os que rejeitam todo trabalho psicográfico. “Para alguns, tudo estaria pronto em Kardec”, ressalta o pesquisador, complementando ser esse pensamento contrário à proposta do codificador, que nunca se colocou como único apto, nem pretendeu ter em sua obra o esgotamento do assunto. Salienta também que não há como haver ‘controle universal do ensino dos espíritos’ se textos e possíveis ensinos não forem publicados! “Não é possível encontrar concordância em mensagens que não são lidas e divulgadas responsavelmente. Não devemos temer a mediunidade nos dias de hoje, pois nunca tivemos tanto à disposição para acolhê-la com segurança”, conclui.

Izabel Vitusso

(*) Transcrito de: Correio. News, 14/06/2021. Link: www.bit.ly/ConversaComEspiritos

 

Pelos caminhos da vida. TRILOGIA ESPÍRITA DE CESAR PERRI

Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões

TRILOGIA ESPÍRITA DE CESAR PERRI (*)

Caminhos além dos 60 anos, memórias reveladoras dos bastidores da gestão espírita e reflexões doutrinárias. Eis o conjunto da obra de 632 páginas… A História Espírita no Brasil e no mundo não é mais a mesma: incorpora novos capítulos dos últimos 60 anos… São vivências cuja análise o autor remete ao raciocínio dialético, com etapas da tese, da antítese, da síntese. E que tem Educação como laço, entre Família, Profissão e Espiritismo. A publicação reúne os 3 livros em 1 volume.

A autobiografia Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões registra ideias, projetos e ações ao longo de sete décadas da vivência de Antonio Cesar Perri de Carvalho: sobre a família, atividades profissionais e espíritas. E as correlações. O autor rememora desde os primeiros tempos de vida unindo registros e reflexões.

O objetivo não foi de simplesmente reunir informações nem de romancear fatos, mas relatar experiências, sempre ensejando espaços para análises na ótica espírita. Nessa trajetória destaca o papel e valor da família desde a etapa inicial vivenciada em Araçatuba, no interior paulista, e o desenvolvimento de intensas atividades profissionais e espíritas com abrangência no país e no exterior.

Dezenas de capítulos enfeixados em três livros, com temas centrais: definições do roteiro de existência, educação como laço, ações nacionais e internacionais, a experiência na FEB e os momentos após esse período, homenagens a vultos locais e nacionais que o influenciaram. Há casos de fenômenos medianímicos vividos na infância e que o conduziram ao Espiritismo, relatos sobre manifestações mediúnicas explícitas com vários médiuns, como Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, e episódios de induções e inspirações de ordem espiritual. Também constam abordagens inusitadas sobre as relações com a Maçonaria e Legião da Boa Vontade, manifestações de Espíritos como indígenas e, em alguns países, as reações ao Cristianismo. No exercício de cargos profissionais e espíritas aparecem situações vinculadas ao poder político, em níveis e locais diferentes.A Educação, no sentido amplo da palavra, é um traço em comum,um laço de união entre as tarefas de gestão acadêmica e espírita.

A trilogia tem apresentação por André Marouço (SP), carta à guisa de prefácio por Divaldo Pereira Franco (BA) e prefácios dos três livros: Ismael Gobbo (SP), Manuel Felipe Menezes da Silva Júnior (AP) e Hélio Ribeiro Loureiro (RJ). Abre aspas: Assim, o leitor terá a oportunidade de vivenciar fatos de grande êxito e importância para a divulgação da Doutrina Espírita. E, claro, como somos todos ainda Espíritos dotados de tanta carência de conhecimento, alguns tantos episódios descritos são narrados a partir da visão de quem esteve nos “porões” da gestão espírita. Neste pormenor, o livro deixa bastante claro as mazelas humanas que ainda norteiam os bastidores das diretorias espíritas; as chagas de nosso orgulho, vaidade e egoísmo são expostas, ao longo das páginas […]. Fecha aspas. Trecho da apresentação feita por André Marouço, cineasta e ex-gerente de Comunicações da Fundação Espírita André Luiz, de São Paulo. Divaldo Pereira Franco comenta, à guisa de Prefácio: “Acabo de ler o seu maravilhoso trabalho sobre nossa longa e abençoada convivência.Não pude deixar de chorar. Quanta pureza e entusiasmo em nossas almas e vidas!”

A obra é uma autêntica contribuição à história, com episódios de Araçatuba, do Estado de São Paulo, do país e de momentos internacionais. Autobiografia que vai ficar para ‘as histórias’…

SERVIÇO O lançamento da Cocriação Editora está inserido no contexto do Centenário do Espiritismo em Araçatuba (21.04.2021), terra natal de Cesar Perri. Com apoio da USE Regional de Araçatuba, Face Espírita e Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes (canais no YouTube e Facebook). Trilogia Espírita (3 livros em 1 volume) Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões

Lançamento: Cocriação Editora | Araçatuba.SP | Junho de 2021 INFO | 18 99709.4684 (ZAP) | 18 3519.0191 | cocriacaobencultural@gmail.com sirleinogueira@yahoo.com.br

(*) Matéria divulgada pela Cocriação Editora.

Recurso insubstituível

Recurso insubstituível

Orson Peter Carrara (*)

Na conclusão da compacta mensagem Paz indestrutível (cap. 61 do livro Ceifa de Luz – Emmanuel/Chico/edição FEB), o autor considera que, com a consciência tranquila, “(…) terás nos recessos da própria alma a paz do Cristo que ninguém destruirá”.

A mensagem, como acima destacado, é bastante compacta e está numa única página do livro que, na edição de bolso, tem apenas 15 linhas.

Mas mesmo com toda síntese – que é uma característica marcante do citado autor, que guarda enorme capacidade de ensinar muito com poucas linhas –, no último parágrafo convida o leitor a guardar serenidade e prosseguir agindo na extensão do bem, depois de relacionar tópicos bem marcantes do momento atual da humanidade, que se defronta com tantos desafios.

Refere-se ele no texto aos desdobramentos decorrentes dos adversários gratuitos, das críticas indébitas, das acusações sem sentido, das pedras da incompreensão, dos espinhos de sarcasmos, dos ataques e desentendimentos, das complicações, problemas e tentações, mas também dos processos obsessivos.

E poderíamos nós, sem qualquer pretensão, acrescentar as pressões que todos enfrentamos e os desequilíbrios próprios de uma sociedade complexa, com desdobramentos bem conhecidos.

Fiquemos, todavia, com a recomendação sábia: procuremos guardar consciência tranquila. Apesar do coração, muitas vezes cercado até mesmo da enfermidade e da loucura nos comportamentos, ela será nosso ponto central para confiar, buscar apoio divino e prosseguir.

(*) Extraído de: Revista digital O Consolador, Ano 15 – N° 722 – 23 de Maio de 2021.

Acesso: http://www.oconsolador.com.br/ano15/722/ca4.html

Divaldo – Ainda a pandemia

Divaldo: Ainda a pandemia

Divaldo Franco

A grande catástrofe da pandemia que aturde a humanidade merece consideração especial de todos nós.

Quando esperávamos que fosse diminuir a contaminação, eis que irrompe mais devoradora e cruel do que nas fases anteriores. As providências tomadas pelas autoridades têm objetivado diminuir o contato entre os indivíduos, mantendo os cuidados estabelecidos como preventivos.

Nada obstante, a rebeldia sistemática das criaturas humanas procura meios inadequados para divertir-se, organizando festas, nas quais as precauções recomendadas são todas relegadas a plano secundário. Inevitavelmente, depois desses prazeres não justificáveis, aumenta o número de pessoas contaminadas e, naturalmente, a pandemia permanece alastrando-se.

Esta é uma enfermidade que nos exige muito cuidado para não serem contaminadas as pessoas ainda saudáveis.

Nem todo indivíduo que se encontra infectado experimenta os sinais que caracterizam a presença da enfermidade.

Pode alguém estar infectado e não apresentar qualquer um dos seus sintomas clássicos.

Apesar disso, o paciente pode continuar contaminando todos aqueles com os quais mantenha contato.

Temos lido nas comunicações sociais casos terríveis, entre outros, muito me impressionou aquele de um jovem que no Natal, sentindo-se muito bem, foi visitar a família.

Os seus pais idosos e seus irmãos, uma moça e um rapaz receberam-no com muita alegria. Logo depois, o genitor apresentou os sintomas típicos da Covid-19 e foi piorando, apesar do tratamento médico. Internado de emergência, foi levado à UTI, entubado e três dias após veio a falecer. Nesse ínterim, a sua esposa igualmente adoeceu e foi transferida para outro hospital, onde atingiu um nível de UTI, vindo a desencarnar em grande desesperação. Nesse momento, o casal de filhos também apresentou os mesmos sintomas e, para sintetizar, em 40 dias morreram os pais e os irmãos daquele paciente aparentemente saudável, que agora, depois do tratamento conveniente, sente-se culpado por haver sido um instrumento de destruição da sua família.

É fácil imaginar-se a angústia, o desespero e a culpa que este jovem experimenta, apesar de encontrar-se curado.

Temos a falsa ideia de que nos não contaminamos até o momento em que já é tarde demais. Não facilitemos de maneira nenhuma o contágio perigoso. Evitemos a proximidade das demais pessoas, usemos máscara e utilizemos o álcool em gel após lavar as mãos com muito cuidado e demoradamente com sabão.

Lemos nas redes sociais pedidos desesperados para que envolvamos pessoas queridas no elevado mister das orações, no entanto, muitos daqueles que se encontram afetados provavelmente se descuidaram e agora sofrem o desespero da enfermidade cruel.

Artigo publicado no jornal A Tarde, Salvador (BA), coluna Opinião, 15 de abril de 2021.

JUGO SUAVE

JUGO SUAVE

No contexto da atualidade, proliferam as aflições, ansiedades, dúvidas e até revoltas.

Em contraste a esse cenário, ecoam palavras de Jesus:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus, 11).

Como se compreender a proposta de Jesus em mundo com adversidades e contrastes?

A palavra jugo tem vários significados, desde a tradicional subjugação, até obediência. Nesse último, podemos inferir a ideia de disciplina e de educação. Aí, a palavra jugo passa a ter uma conotação diferente.

A propósito, lembramos de visita que fizemos a Chico Xavier, em Uberaba. Relatamos o episódio em livro que elaboramos sobre o nobre vulto.1

Nas tarefas da "peregrinação" de um sábado de novembro de 1983, os comentários foram em torno do trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo: "Vinde a mim, todos os que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração…" Como de de hábito, Chico convidava para expositores para fazerem uso da palavra. Havia o lembrete para que falassem em torno de dois minutos. Geralmente, o professor Tomaz Silva falava em primeiro lugar para "modular" os demais expositores. Chico Xavier arrematou com pensamentos inspirados por Emmanuel. Comentou que na natureza tudo progride sob o jugo e passou a estabelecer comparações: a usina que sob jugo controla a água, aproveitando-a; o animal que sob o jugo da canga se transforma em útil transportador de peso; o motor do veículo que sob jugo da disciplina torna-se em instrumento útil do processo…

No final, Chico concluiu:

"Todos estamos sob a lei do jugo, mas a do Cristo é mais suave". Concitou todos à paciência, à calma, à cooperação porque o amor e a caridade são imprescindíveis para a aceitação do jugo do Cristo. Lembrou também que todas as vezes que as ações não são pautadas no amor e na caridade, pode-se aguardar as consequências…1

Tornam-se oportunas as considerações de Emmanuel: “Onde estão os aflitos da Terra que pretendem trocar o cativeiro das próprias paixões pelo jugo suave de Jesus-Cristo? Para esses foram pronunciadas as santas palavras Vinde a mim!, reservando-lhes o Evangelho poderosa luz para a renovação indispensável.”2

A compreensão, paciência e calma são caminhos para a “renovação indispensável”.

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. Parte 1, Jugo suave. São Paulo e Capivari: USE-SP e EME. 2019.

2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap.130. FEB.

50 anos de Espiritismo na imprensa de Araçatuba

50 anos de Espiritismo na imprensa de Araçatuba

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O jornal Folha da Região, de Araçatuba (SP) trouxe matéria de página inteira alusiva aos 50 anos de Espiritismo na imprensa de Araçatuba com destaque pelos 14 anos da coluna “Face Espírita”, nesse diário, e, também alusiva ao Centenário do Espiritismo em Araçatuba.

A matéria inicial e que dá título à página “Os 14 anos do ‘Face Espírita’ na Folha da Região é de autoria de Sirlei Nogueira. Eis uns trechos:

“A identidade Face Espírita é a marca registrada das nossas ações nos últimos 30 anos. A inspiração foi captada em 1990 e transpirada no mesmo ano e durante 1991 em eventos organizados na cidade de São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro e em algumas do interior paulista, como Araçatuba, Bauru e Tupã. Foi nessa cidade que o Departamento de Mocidade da USE-SP (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) promoveu há 30 anos mais um evento Espirarte, contextualizando arte com Doutrina Espírita. O diretor na época era o cantor Moacyr Camargo, natural de Dracena, mas que residia na capital paulista há alguns anos. FACE surgiu originariamente como Fundação Arte Cultura Espírita, ideia rapidamente alterada em função das dificuldades para se criar uma fundação, até então desconhecidas. A sigla permaneceu. […] Face Espírita – não ‘feice’ – foi oficializada em 21 de novembro de 1991. Portanto, estamos a caminho dos 30 anos de história, dentre os quais estão inseridos os 14 anos da Coluna Face Espírita comemorados neste dia 16 de maio. […] Aos 14 anos, Face Espírita na Folha da Região está com todo o gás para continuar a contribuir com reflexões a partir dos conteúdos básicos e complementares no contexto da Doutrina Espírita, codificada há 164 anos.”

Sirlei Nogueira é jornalista, presidente da USE (União das Sociedades Espíritas) Regional de Araçatuba, gestor da Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes, responsável pelo espaço Face Espírita e coordena o programa Centenário do Espiritismo em Araçatuba.

A página comemorativa de Folha da Região também traz ilustrações históricas oriundas de nosso acervo pessoal e também estampa artigo de nossa autoria, com umas pinceladas históricas pelos 50 anos de publicação de “coluna espíritas” em Araçatuba, que iniciamos em outubro de 1971. De nossa matéria com o título “Espiritismo na imprensa de Araçatuba: 50 anos de história em 2021”, transcrevemos trechos:

“Em outubro de 1971, como presidente da então União Municipal Espírita de Araçatuba (hoje USE Intermunicipal de Araçatuba), tínhamos a intenção de manter uma seção sobre Espiritismo em jornal local. Procuramos o proprietário do jornal Tribuna da Noroeste, o jornalista Jeremias Alves Pereira, com quem já tínhamos conhecimento. Ao apresentar nossa proposta de manter uma ‘coluna espírita’ semanal no referido jornal, ele se foi receptivo, mas com uma ressalva: ‘ – Espero matérias inéditas. Porque muitas vezes me encaminharam folhetos contendo mensagens espíritas e meu interesse é em textos especialmente redigidos para esse jornal’.

[…] Também em outubro de 1971, com apoio do jornalista Odorindo Perenha, o Bira, simultaneamente começamos a publicação semanal no jornal A Comarca. Em 1973 já mantínhamos também uma seção em Folha da Região, com o beneplácito de seu proprietário Genilson Senche e depois de sua viúva e sucessora. Até a Tribuna da Noroeste cessar suas atividades, a seção espírita semanal era publicada em três jornais da cidade. Apenas com nossa mudança para a capital paulista em meados de 1989 é que cessamos nossa atuação de 18 anos na publicação das matérias espíritas nos jornais locais. Mas, alguns companheiros ainda deram prosseguimento.

[…] Como conteúdo das matérias, focalizávamos temas do momento à luz do Espiritismo, comentários sobre fatos do movimento espírita local, do país e até do exterior, e, aproveitávamos as visitas de oradores convidados para participação em eventos na cidade para algumas entrevistas. Dessa maneira, o orador Divaldo Pereira Franco foi várias vezes focalizado durante aqueles anos. Chico Xavier era constantemente citado e comentado nas nossas matérias, pois foi o período em que o visitávamos com assiduidade em Uberaba. Ao retornar sempre tínhamos algum fato a relatar sobre os contatos com Chico Xavier.

Momentos significativos do desenvolvimento do Espiritismo em Araçatuba foram registrados nas seções semanais que mantivemos em jornais da cidade. Algum tempo depois, mesmo residindo em São Paulo, encaminhávamos com constância – agora pela internet – textos que foram publicados em Folha da Região, mas com abordagens não apenas espíritas, analisando também questões educacionais. No ano de 1997, houve uma publicação reduzida Visões de um Araçatubense, editado pela Faxpress, com transcrições de matérias de nossa autoria dessa nova fase.”

(Trechos transcritos de: caderno domingueiro “Vida” de Folha da Região, Araçatuba, 16/05/2021, p. B-4).

(*) Foi professor universitário e dirigente espírita em Araçatuba; presidente da USE-SP e da FEB.