Antuza – médium e exemplo de vida em Uberaba

Antuza – médium e exemplo de vida em Uberaba

Uma das páginas mais luminescentes da Doutrina Espírita em Uberaba e também em toda a vasta região do Triângulo Mineiro, chamava-se Antuza Ferreira Martins. Filha de Manoel Ferreira Martins e D. Júlia Maria do Espírito Santo, nasceu em uma fazenda nos arredores de Uberaba, no dia 09 de setembro de 1902.

Aos 4 anos, acometida de meningite, foi desenganada por muitos médicos, tendo, em conseqüência, ficado surda e perdido o sentido da fala.

Posteriormente, mudou-se com a família para Uberaba. Antuza, segundo Erenice sua irmã a quem carinhosamente chamávamos de Nice, desde pequena via os espíritos. Cresceu dentro de um clima psíquico que não compreendia, nem mesmo os familiares, posto que ninguém na família era espírita. Quando completou 15 anos, em 1917, a família transferiu-se para Sacramento, cidade que, desde 1904, se transformara em ponto central do Espiritismo em todo o Brasil, pelo trabalho que vinha desempenhando o inesquecível EURÍPEDES BARSANULFO. Em lá chegando Antuza foi levada pela mãe à presença de Eurípedes, o qual, ao vê-la, foi logo dizendo da tarefa que deveria desempenhar no campo da mediunidade. Tornaram-se, a partir daí, espíritas.

Durante alguns meses, quase dois anos, Antuza trabalhou lado a lado de Eurípedes Barsanulfo, ora ajudando na limpeza da farmácia, ora auxiliando na manipulação dos medicamentos homeopáticos. Com esse estágio espiritual , junto ao grande Missionário da Caridade, Antuza equilibrou-se, aprendeu a viver dentro de suas limitações, a comunicar-se por meio de sinais e as suas faculdades psíquicas ampliaram-se dando-lhe extraordinária lucidez. Quando Eurípedes desencarnou, em 1918, ela e a família mudaram-se definitivamente para Uberaba.

Mas, antes disso, ainda em Sacramento, Antuza encontrava-se desconsolada com a partida do Benfeitor para o Plano Espiritual e chorava muito. Através da mímica e de algumas poucas palavras que com o tempo aprendeu a articular, conta-nos ela que, certo dia, quando, em prantos, ouviu uma voz a chamar-lhe: – “Antuza, Antuza!..” Ela, assustada, ao voltar-se, percebeu Eurípedes pairando no ar a dizer-lhe ainda: – ;Não chore. Você precisa trabalhar muito! . .

Quando ainda morava em fazenda, uma criança foi levada pela mãe até Antuza para ser “benzida”. a criança estava muito mal, com o abdome muito dilatado. Antuza conversou com os espíritos (via-se que ela estava ouvindo e respondia, com gestos e com balbucios a alguém invisível), estendeu as mãos com as palmas para cima e da espiritualidade desceu uma quantidade grande de fluido esverdeado e luminoso (a irmã mais velha de Antuza era médium e viu essa massa fluídica). Antuza modelou essa massa com as mãos e colocou sobre o abdome da criança, massageando de leve. O abdome da criança foi diminuindo e em poucos dias ela estava saudável.

Quando a família se instalou em Uberaba, contava ela 17 anos e começou a frequentar o tradicional Ponto ;Bezerra de Menezes , em casa de Da Maria Modesto Cravo. Numa das reuniões do Ponto, Antuza recebeu instruções sobre a sua missão do espírito de Santo Agostinho que seria, durante toda a sua vida, seu protetor. Note-se que através da psicofonia de Da Maria Modesto, todos os presentes ouviram a comunicação, inclusive Antuza que, apesar de surda, ouvia os espíritos. Por essa época, Antuza começou a transmitir passes, cuja mediunidade curadora, coadjuvada pela vidência, audição, desdobramento e efeitos físicos, foi empregada para ajudar aos necessitados com raro discernimento evangélico.

Antes de passar a atender em sua própria casa, num galpão construído nos fundos, trabalhou como médium no C. E. Uberabense, Sanatório Espírita e na Comunhão Espírita Cristã, logo que Chico Xavier se transferiu para Uberaba. A seu respeito, o nosso estimado Chico já se pronunciou em diversas ocasiões, tendo, inclusive, afirmado trazer Antuza o remédio nas mãos. Quando homenageado na Capital do Estado, Chico disse que existia em Uberaba uma senhora que, no anonimato de seu trabalho em favor dos que sofrem, deveria ali estar sendo alvo das homenagens prestadas a ele, que reconhecia não as merecer, de forma alguma, e citou o nome de Antuza Ferreira Martins!

Em sua própria casa e depois no “Barracão”, recebia extensa fila de pessoas, entre crianças e adultos. Quantas vezes, após exaustiva concentração, Antuza nos descrevia o problema orgânico, ou espiritual, de quem lhe buscava o concurso carinhoso e abnegado! Uma senhora obsedada foi trazida amarrada para a casa onde morava Antuza. Era necessário, mesmo assim que várias pessoas a segurassem, ela se debatia e retorcia constantemente. Antuza entrou em prece e daí a pouco uma médium vidente presente viu uma luz vinda de muito alto descer e tomar a forma de Eurípedes Barsanulfo. Este, incorporado na médium, disse “boa noite, irmãos” e os espíritos que subjugavam aquela senhora afastaram-se imediatamente. Aí Eurípedes pediu que desamarrassem e soltassem a mulher. Ela se tornou imediatamente lúcida e curada daquela obsessão. Uma moça vinda do estado de Mato Grosso chegou até a casa da Antuza andando de “quatro”, isto é como um quadrúpede, sem falar e sem consciência de si mesmo. A família já havia procurado inúmeros médicos sem resultados. Antuza “conversou” com o espírito que a obsedava, fez gestos indicando a ele que se retirasse, fosse embora e em alguns minutos a moça se levantou e perguntou ao pai que a acompanhava: onde estamos? O que estamos fazendo aqui? Na sessão de desobsessão que ocorria à noite, no Barracão, dois espíritos vingadores da moça foram doutrinados: haviam sido torturados e mortos por ordem dela, quando eram seus escravos e a perseguiam desde então. Faziam-na ficar como um animal e montavam sobre ela, fazendo-a conduzi-los no “lombo”, entre outras coisas.

Além das atividades mediúnicas Antuza ajudava nas tarefas da casa, ao lado de sua irmã Erenice, irmãos e de seus sobrinhos que vieram morar com eles. Fazia tapete de crochê usando cordões cortados de malhas; esses tapetes eram vendidos e o dinheiro era usado para comprar algumas coisas para seu uso pessoal, presentes, brinquedos e outras necessidades.

Conta-nos Nice (intérprete de Antuza para os que não se familiarizam com a sua maneira de; falar com as pessoas) que, certa vez, uma mulher, chorando muito e extremamente desesperada, ao receber o passe, é indagada pela médium se tinha bebido alguma coisa corrosiva, pois o interior dela estava parecendo Ainda em lágrimas, a infeliz irmã lhe diz que, tempos atrás, havia ingerido soda cáustica (!) e ainda sentia fortes dores, encontrando dificuldade de alimentar-se normalmente. Para que tenhamos uma idéia da presença dos espíritos na vida de Antuza, vejamos o que ocorreu quando ainda era criança. Ela e a mãe, morando na fazenda, foram até a horta colher legumes e sua mãe a deixou um pouco para trás; nisto, surge uma cobra prestes a picar a menina. Ela ficou como que hipnotizada e, como não falava, não tinha como gritar por socorro. Eis quando, ao seu lado, um espírito, com aspecto de padre, a pega pelos braços e lhe dá um violento impulso, distanciando-a, assim, do peçonhento réptil. Antuza começa a chorar e sua mãe, correndo, chama alguns lavradores, os quais dão cabo da enorme serpente.

Dr. Henrique Krüger, médico uberabense, Agostinho, Eurípedes Barsanulfo e muitos outros a quem não conhece pelo nome, são os espíritos que lhe assistem o trabalho cristão ao qual devotou a própria vida.

Por volta de 1979, Antuza que ainda enxergava, porém surda e muda, vivia em Uberaba na companhia dos irmãos Euphranor e Erenice; e, aos domingos, como de costume, almoçava na casa do sobrinho Antônio Carlos, o qual possuía um piano francês. Antuza era capaz de ver dentro do corpo das pessoas, a doença que tinha ou não tinha; fazia curas à distância, especialmente à noite. Após a refeição, Antuza se dirigia para a sala onde se encontrava o piano, e acomodando-se em uma poltrona, permanecia imóvel por mais de uma hora. Depois, levantando-se, vinha dizer em seu modo característico (gestos e fala precária) que Frederico, um rapaz muito bonito, estava tocando piano para ela; e que sua música era maravilhosa. Tai fato se repetiu por anos, e era de conhecimento de toda a família. Certa vez, em visita a outro sobrinho: Euphranor Jr., que era professor de História e possui uma bela biblioteca em sua casa; este entregou à Antuza um belo exemplar de um livro sobre os maiores compositores da musica clássica (nota-se que tal livro continha fotografias de todos compositores, os quais, já haviam desencarnado). Enquanto Antuza folheava o livro, Euphranor Jr. ia lhe perguntando se ela conhecia as pessoas das fotos, o que lhe era negado: “Não…,não…, não!” Em dado momento, diante da foto do grande músico Frederico Chopin ela se manifestou por gestos: É ele! Frederico, o moço que toca piano para mim”.

Como Eurípedes, Antuza igualmente casou-se com os mais pobres doando-se inteiramente ao serviço cristão, na edificação do Reino de Deus no coração das criaturas. Em seus lábios, a palavra ;trabalhar (uma das poucas que conseguia articular com certa nitidez) soava de maneira diferente: é imperiosa e definitiva! Por mais de 70 anos ela exerceu seu legítimo mandato mediúnico E não são poucos os que, através de suas abençoadas mãos, receberam o amparo do Mais Alto. Antuza foi um dos expoentes do Espiritismo em Uberaba. Muitos artistas de televisão vinham visitá-la, inclusive Dercy Gonçalves. Em seu humilde recanto de trabalho, sobre tosca mesa de madeira, cujos pés estão fincados no piso, um único livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo o qual, de quando em quando, solicitava a um dos colaboradores ler uma página.

Nos últimos seis anos de existência física, Antuza ficou cega, agravando as suas limitações físicas e no dia 30 de julho de 1996, aos 94 anos incompletos, desencarnou em Uberaba, em decorrência de complicações naturais da idade avançada. Antuza, uma baixinha; de um metro e alguns quebrados de altura, mas um espírito gigante na seara evangélica foi, sem dúvida alguma, uma das mais legítimas representantes da mediunidade com Jesus! Um exemplo a ser seguido pelos espíritas de hoje e de amanhã!…

Texto baseado no livro “O Espiritismo em Uberaba”, no “Anuário Espírita 1997", em um “Boletim Informativo” da AME Uberaba e em informações pessoais de parentes. Texto divulgado por Donda.

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(Nota: tivemos a oportunidade de ir à casa de Antuza algumas vezes, em momentos que visitávamos Chico Xavier, nos anos 1970 e 1980. Cesar Perri)

Valorização da vida

Valorização da vida em Setembro

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Internacionalmente o mês de Setembro é chamado amarelo! Em geral, a cor amarela remete a ideias de sol, verão, prosperidade e felicidade. É considerada uma cor inspiradora e que desperta a criatividade. Daí a relação com a vida e sua valorização.

A certeza de que somos espíritos reencarnados e em processo de aprimoramento é de fundamental importância para a melhor compreensão dos valores e da oportunidade da vida corpórea.

O velho conceito romano “mente sã em corpo são” (“mens sana in corpore sano”) prossegue atual.

O apóstolo Paulo anotou em sua 1ª Epístola aos Coríntios (6,20): “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”1

O espírito André Luiz, pelo recurso da psicografia, define com clareza o valor da vida corpórea em dois comentários: “O corpo é o primeiro empréstimo recebido pelo Espírito trazido à carne” (livro Conduta Espírita, Cap. 34.); “[…] temos necessidade da luta que corrige, renova, restaura e aperfeiçoa. A reencarnação é o meio, a educação divina é o fim” (livro Missionários da Luz, cap. 12).1

A partir dessas fundamentações cristãs e espíritas, torna-se interessante considerarmos o que representa o Espírito nos contextos íntimo e social; o equilíbrio entre corpo/espírito e melhores condições de vida. Esta última também inclui, evidentemente, o respeito com o corpo físico e a valorização da vida corpórea.

Aí se inserem as medidas preventivas para se evitar quaiquer formas de interrupção da vida, incluindo o suicídio, as enfermidades e também aquelas que favoreçam o diagnóstico precoce de doenças, evitando-se que elas sejam reconhecidas em situações tardias e danosas.

Recentemente, foi relançado o livro Em Louvor à Vida, que elaboramos em parceria com Divaldo Pereira Franco, com base em textos espirituais de autoria de nosso tio Lourival Perri Chefaly.2

Do texto desse livro com nossa parceria, em relançamento, destacamos um trecho: “Saúde e doença – binômio do corpo e da mente – são conquistas do ser, que deve aprender e optar por aquela que melhor condiz com as aspirações evolutivas, desde que a harmonia ideal será alcançada, através do respeito à primeira ou mediante a vigência da segunda.”

Evidentemente que as causas que favorecem o suicídio muitas vezes estão ligadas às questões de falta da compreensão da vida imortal, de distonias mentais e influências espirituais. Daí a importância dos estudos, palestras e seminários que possam chamar atenção a tais questões no sentido de se valorizar a existência corpórea e o processo de educação espiritual. Ou seja, implementar-se Campanhas Em Defesa da Vida.1

O autor espiritual Lourival Perri Chefaly (1927-1976), conhecido pelo apelido familiar Lôlo, foi médico na cidade do Rio de Janeiro. Como médico atuou como pediatra, cardiologista e finalmente cancerologista. Sempre manteve clínica particular e foi médico do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Teve intensa atuação na Campanha Nacional de Combate ao Câncer e foi presidente do Centro de Estudos do Instituto Nacional do Câncer. Atuou na Igreja Anglicana de Botafogo. Como membro do Lyons Club-Gávea, fazia palestras educativas sobre saúde. Tornando-se espírita colaborou com a Seara dos Servos de Deus, no mesmo bairro carioca, junto à médium Dolores Bacelar. A nosso convite fez palestras espíritas em Araçatuba e região e manteve contatos pessoais com Chico Xavier e de Divaldo Pereira Franco. Lutou durante 10 anos contra insidiosa enfermidade, demonstrando fé e serenidade. Seu nome designa a Sala de Leitura e o Centro de Estudos do Instituto Nacional do Câncer. O livro Em louvor à vida traz informações nossas sobre o autor espiritual, e, comentários sobre as mensagens do Espírito, psicografadas por Divaldo Pereira Franco.

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Em ações espíritas. 1.ed. Cap. Defesa da vida. Brasil sem aborto. Araçatuba: Ed.Cocriação/USE Regional. 2017.

2) Franco, Divaldo Pereira; Chefaly, Lourival Perri; Carvalho, Antonio Cesar Perri (Org.). Em louvor à vida. 2.ed. Salvador: LEAL. 2017, p.52.

(*) Foi dirigente de instituições espíritas em Araçatuba (SP) e também presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e da Federação Espírita Brasileira.

Vultos espíritas desencarnados com atuação na política

Vultos espíritas desencarnados com atuação na política

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Como desdobramento de artigo que publicamos no jornal Dirigente espírita1 elaboramos uma relação de alguns vultos, já desencarnados, que foram líderes políticos de projeção municipal, estadual e nacional, e mantiveram vinculação com ações espíritas. Evidentemente que não é completa, sendo mais voltada para o momento e o local da mesa redonda “Espiritismo e Política”2:

Adolfo Bezerra de Menezes (1831-1900), como político atuou na Capital Imperial, deputado junto à Assembléia Nacional do Império, Presidente da Câmara de Vereadores acumulando o exercício do Poder Executivo Municipal do Rio de Janeiro; lutou pela emancipação dos escravos negros, através de projeto de lei, procurou regulamentar o trabalho doméstico, visando conceder a essa categoria, inclusive, o aviso prévio de 30 dias; denunciou os perigos da poluição; atuou em empresas governamentais; foi presidente da FEB em dois períodos, autor de livros espíritas.

Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (1834-1895), como político atuou na Capital Imperial, deputado junto à Assembléia Nacional do Império, presidente da província do Espírito Santo; um dos fundadores do Partido Republicano; foi o primeiro diretor da Biblioteca Nacional em seguida à proclamação da República; um dos fundadores de centros espíritas pioneiros na cidade do Rio de Janeiro; autor de livro espírita e de letras de canções musicadas por Carlos Gomes.

Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) foi vereador em Sacramento (MG), fundador do Colégio Allan Kardec, de centro e de farmácia; atuou como médium.

Guilherme Taylor March (1838-1922) foi vereador e Presidente da Câmara de Vereadores acumulando o exercício do Poder Executivo Municipal de Niterói (RJ); dedicou-se ao atendimento médico da população, especificamente com a prática da homeopatia, sendo chamado o “pai dos pobres”; era espírita declarado.

Aristídes de Souza Spínola (1850-1925), como político foi deputado provincial pela Bahia e depois atuou na Capital Imperial, deputado junto à Assembléia Nacional do Império; abolicionista; e com um mandato de deputado no período republicano; presidente da província de Goiás; foi presidente da FEB.

Cairbar de Souza Schutel (1868-1938) foi vereador e o primeiro prefeito de Matão (SP), no ano de 1898; fundou o Centro Espírita Amantes da Pobreza, o jornal O Clarim, a Revista Internacional de Espiritismo e é autor de vários livros. Em pleno período de exceção do governo Vargas insere-se na “Campanha Pró-Liberdade de Consciência” e na “Coligação Pró-Estado Leigo”.

Camilo Rodrigues Chaves (1884-1955) foi vereador, deputado e senador do antigo Congresso Mineiro (em Constituição antiga previa-se o sistema bicameral nos Estados); presidente da União Espírita Mineira e autor de livro espírita.

Romeu de Campos Vergal (1903-1980), originário da pioneira União da Mocidade Espírita de São Paulo, foi deputado junto à Assembléia Constituinte de São Paulo, deputado federal por várias legislaturas, lutou pelo projeto “O Petróleo é Nosso”, foi líder partidário na Câmara dos Deputados; atuou na União Federativa Espírita Paulista, na Liga Espírita do Estado de São Paulo, dirigente da Sociedade Rádio Piratininga-PRH-3, a qual lançava ao ar diariamente o "Programa Radiofônico Espírita Evangélico do Brasil", atuou em instituições espíritas de Serra Negra (SP); autor de livros espíritas.

Francisco Carlos de Castro Neves (1914-1974), deputado junto à Assembléia Constituinte de São Paulo; deputado federal; presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC); secretário de Governo do Estado de São Paulo e também ministro do Trabalho e Previdência Social, nas gestões de Jânio Quadros, como prefeito (1ª. gestão), governador e presidente da República; foi o 2º. presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE-SP).

Emílio Manso Vieira (1915-1978), foi vereador em São Paulo, foi ligado à União Federativa Espírita Paulista, à FEESP e à USE-SP; autor de livros espíritas.

Eurípedes de Castro (1920-1974). Em 3 de outubro de 1952, Eurípedes de Castro, representando a entidade União Evolucionista Cristã, se dirigiu a Pedro Leopoldo, Minas Gerais, com o objetivo de saber, por meio de Chico Xavier, a opinião de Emmanuel a respeito da participação dos espíritas na política, tendo recebido uma mensagem. Foi deputado estadual em São Paulo; ligado a centros e atuou no Conselho Deliberativo Estadual da USE-SP.

José de Freitas Nobre (1921-1990), vice-prefeito e vereador da cidade de São Paulo; deputado federal em várias legislaturas; na Câmara dos Deputados foi líder partidário e da oposição ao regime militar; um dos fundadores de centro espírita e do jornal Folha Espírita; apoiou a fundação da Associação Médico Espírita de São Paulo; amigo pessoal de Chico Xavier; coordenou a Comissão Pró-Indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz, em 1981; autor de obras espíritas.

Jorge Cauhy Júnior (1924-2005), Deputado Distrital no Distrito Federal, fundador do Lar dos Velhinhos Maria Madalena, no Núcleo Bandeirante, em Brasília.

Alberto Calvo (1928-2013) foi vereador e deputado estadual em São Paulo; sub-prefeito do bairro Casa Verde; ligado a centros, entidades assistenciais, Rádio Boa Nova e à USE-SP. Nossa gratidão pelo esforço e dedicação, e, homenagens aos vultos citados. Com certeza representam muitos outros cidadãos de várias partes do Brasil.

Citações:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. O movimento espírita e a política. Dirigente espírita, USE-SP. Ano 28. N.166. P. 6. São Paulo, julho-agosto de 2018.

2) Texto apresentado durante a Mesa Redonda Espiritismo e Política, realizada na Câmara Municipal de São Paulo no dia 4 de agosto de 2018: http://grupochicoxavier.com.br/mesa-redonda-espiritismo-e-politica-e-manifesto-espiritas-na-politica/

(*) Ex-presidente da USE-SP e da FEB.

Transcrito de: Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIII. No. 8. Setembro de 2018.

Bezerra de Menezes – Alguns momentos políticos e espíritas

Bezerra de Menezes – Alguns momentos políticos e espíritas

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu aos 29 de agosto de 1831 e desencarnou aos 11 de abril de1900.

Atuou na Capital Imperial e no início de suas atividades, pela sua dedicação foi cognominado “médico dos pobres”. Exerceu o mandato como deputado junto à Assembléia Nacional do Império, Presidente da Câmara de Vereadores acumulando o exercício do Poder Executivo Municipal do Rio de Janeiro. Como político lutou pela emancipação dos escravos; através de projeto de lei, procurou regulamentar o trabalho doméstico, visando conceder a essa categoria, inclusive, o aviso prévio de 30 dias; denunciou os perigos da poluição; atuou em empresas governamentais.1

Como médico e já adotando o conhecimento espírita escreveu um livro marcante: A loucura sob novo prisma2, muito relacionado com a problemática vivida por um filho seu.

Bezerra foi o 2º. presidente da FEB (1889), mas preferiu não continuar com o encargo. Retornou numa época de crise, como o 5o presidente (1895-1900). Houve vacância do cargo com a renúncia do presidente e face a negativa do vice-presidente Dias da Cruz em assumir, houve nova eleição, sendo sido eleito. Em realidade acabou atendendo a insistentes pedidos inclusive do Dr. Bittencourt Sampaio face as dissensões reinantes no seio do Espiritismo brasileiro. Bezerra estava cansado, doente, abatido pela dissensão entre os irmãos espíritas, mas acabou aceitando o convite. “Com a perspectiva de poder conciliar a grande família espírita em torno do ideal cristão, o venerando ancião prometeu pensar”. Em vista da relutância dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou-se a seguinte conversação:

“Bezerra: Querem que eu volte para a Federação. Como vocês sabem aquela velha sociedade está sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos metódicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o espírito de hegemonia.

Bittencourt Sampaio: O trabalhador da vinha é sempre amparado. A Federação pode estar errada na sua propaganda doutrinária, mas possui a Assistência aos Necessitados, que basta por si só para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.

Bezerra: De acordo. Mas a Assistência aos Necessitados está adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terapêutica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha família e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, médico homeopata. Isto aliás me tem criado sérias dificuldades, tornando- me um médico inútil e deslocado que não crê na medicina oficial e aconselha a dos Espíritos, não tendo assim o direito de exercer a profissão.”3

Durante sua gestão, em 15/11/1897, Pierre-Gaëtan Leymarie concedeu à Federação Espírita Brasileira na pessoa de seu presidente Doutor Adolfo Bezerra de Menezes ou seus sucessores “os direitos exclusivos às traduções portuguesas, tanto no Brasil como em Portugal”, das obras de Allan Kardec e “os quarenta volumes da Revue Spirite”. Anulava concessões anteriores. Esse documento teve a firma reconhecida de Leymarie e depois Consulado do Brasil em Paris reconheceu a firma da autoridade francesa que reconheceu a firma de Leymarie. Entre as obras estava a 5ª. edição francesa de A gênese. Nesse documento de cessão não há especificação da validade temporal do mesmo, mas evidentemente que caducou quando as obras de Kardec caíram no domínio público.3

Bezerra propunha a ideia da união dos espíritas e destacou em 1896 em uma série de artigos em Reformador intitulada “Os tempos são chegados”: “A organização […] pela união dos espíritas e segundo uma orientação uniforme.”4

Mas, as ações práticas começaram a se concretizar com o seu substituto, o presidente Leopoldo Cirne.

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Vultos espíritas desencarnados com atuação na política. Revista internacional de espiritismo. Setembro de 2018. No prelo.

2) Menezes, Adolfo Bezerra. A loucura sob novo prisma. Ed.FEB.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? 1.ed. Capivari: Ed. EME. 2018. 144p.

4) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Primeiros tempos da FEB: de Ewerton de Quadros a Bezerra de Menezes. Ano 132. N. 2.218. Janeiro de 2014. Reformador. p. 5-8.

(*) – Ex-presidente da USE-SP e da FEB.

ESPIRITISMO E POLÍTICA

ESPIRITISMO E POLÍTICA

Aylton Paiva*

Também no livro A Gênese, de Allan Kardec, encontramos o esclarecimento:

“O Espiritismo não criou a renovação social, pois a maturidade da humanidade faz dessa renovação uma necessidade. Por seu poder moralizador, por suas tendências progressivas, pela elevação de seus propósitos, pela generalidade das questões que ele abraça, o Espiritismo está, mais que todas as outras doutrinas, apto a secundar o movimento regenerador. Por isso que é contemporâneo.Surgiu no momento em que podia ser útil, pois para ele também os tempos são chegados”. (A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec ― ed. FEAL).

Destaca-se, então, o compromisso do espírita com uma nova ordem social, fundada no Direito e no Amor. Obviamente, essa transformação dependerá da ação consciente dos bons e ao lado deles, os espíritas atuando com uma “consciência política“, fundamentada nos princípios éticos das Leis Morais de O Livro dos Espíritos.

Portanto, não pode o espírita alienar-se da sociedade e deve agir, com conhecimen‑ to e amor, nessa transformação, em importante momento histórico da civilização humana:

“Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5º)

Observando a ousadia da maldade e a confusão entre bondade e omissão, Allan Kardec indagou aos Espíritos:

“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”. ― Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.” (Questão 932 de O Livro dos Espíritos ― Ed. FEB)

A resposta é clara e precisa, não permite dúvidas àqueles que pretendem ser bons. O mundo e, especificamente, a estrutura social brasileira, está precisando de transformações urgentes para coibir a ação dos maus que solapam os bons costumes, que semeiam a miséria, que se utilizam dos instrumentos da corrupção, da fraude e da mentira para atingirem seus objetivos egoísticos e antiéticos.

Momento significativo para a transformação da sociedade é a realização de eleições para os poderes Legislativo e Executivo.

Em breve seremos chamados às urnas. O espírita precisa estar consciente da sua responsabilidade nesse momento, seja pleiteando cargos eletivos, seja indicando seu representante para assumir esses cargos.

O voto é uma procuração que se passa ao candidato para que, se eleito, ele aja em nosso nome a bem da coletividade. É a maior manifestação de amor e respeito ao povo. Não votar, anular o voto, omitir-se é apoiar as forças do mal, é permitir que os maus sobrepujem os bons.

Para que o espírita tenha critérios de avaliação do candidato analise a sua conduta como membro de uma família, no exercício da atividade profissional, o seu interesse e envolvimento em ações comunitárias com os princípios contidos em O Livro dos Espíritos ― 3ª Parte ― Das Leis Morais, onde estão os conceitos sobre: o Bem e o Mal, a Sociedade, o Trabalho, o Progresso e a Igualdade, Justiça e o Amor.

Não se deve levar as questões político- partidárias para dentro do Centro ou Instituição Espírita. Estas devem ser debatidas no seio da sociedade, mas o espírita deve estar consciente e responsável nas aplicações dessas questões, visando sempre o bem comum.

Vote consciente.

VOTE COM AMOR!

*Aylton Paiva é da USE Intermunicipal de Lins.

(transcrito do jornal Dirigente Espírita, USE-SP, N. 166. Junho-Julho de 2018, p.7.

O porquê do estudo de A gênese

O porquê do estudo de A gênese

Opiniões e manifestações espirituais devem ser analisadas com base nos critérios da lógica, do bom senso e, inclusive, dados concretos disponíveis.

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Os 150 anos da publicação de A gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo estão sendo assinalados por momentos de polêmica a respeito de suas edições francesas iniciais.

A gênese foi lançada por Allan Kardec em janeiro de 1868, sendo por ele reeditada mais duas vezes nos mesmo ano e tendo a 4ª. edição lançada em fevereiro de 1869. Portanto, até a desencarnação do Codificador este havia lançado quatro edições da citada obra. Atendendo à exigências do governo francês submeteu a primeira edição ao Ministério do Interior, que após a liberação, foi depositada na Biblioteca atualmente conhecida como Biblioteca Nacional da França. Para as duas outras edições de 1868 e a edição de fevereiro de 1869, Allan Kardec apenas informou que teriam o mesmo conteúdo da edição original.

Em dezembro de 1872, a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, lançou a 5ª. edição, que precisou passar pelos trâmites oficiais de registro, pois se tratava de uma “edição revisada, corrigida e aumentada”. Livros e revistas em francês das últimas décadas do século XIX já traziam matérias sobre as polêmicas e contradições relacionadas com a citada Sociedade Anônima, as deturpações ocorridas em A gênese e a alteração da linha editorial nas edições da Revista Espírita após a desencarnação de Kardec. É sabido que essa Sociedade Anônima concedeu ainda no século XIX a várias instituições – inclusive do Brasil – a autorização para a tradução da 5ª. edição francesa. Porém, estas concessões caducaram quando as obras de Allan Kardec caíram no domínio público. Pela legislação francesa da época, seriam 50 anos após a morte do autor.

Desde fatos ocorridos no 2º. semestre de 2017, como o alerta e posição firme e clara da Confederação Espírita Argentina, com informações, publicação da obra El legado de Allan Kardec e da nova tradução para o espanhol da 1ª. edição francesa de A gênese, ocorrem repercussões em nosso país.

No início de março de 2018, a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realizou o seminário “A gênese. O resgate histórico” com atuação de Simoni Privato Goidanich, oportunidade em que lançou a tradução para o português de sua obra O legado de Allan Kardec.1 Há quase dez anos já existia uma tradução para o português da 4ª. edição francesa (de 1868) de A gênese, editada pelo Centro Espírita Léon Denis (CELD), do Rio de Janeiro. Em maio de 2018 a Fundação Espírita André Luiz (FEAL), de São Paulo, lançou a tradução para o português da 1ª. edição francesa de A gênese. Alguns países já lançaram traduções de A gênese com a mesma base.

Algumas pessoas e instituições prosseguem na defesa das traduções da 5ª. edição francesa da citada obra e circulam textos variados. Aliás, todas Editoras do Brasil comercializam a citada versão; as únicas exceções são as Editoras do CELD e da FEAL.

A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo divulgou Manifesto de sua Diretoria Executiva, recomendando “a adoção da 4ª edição francesa (cujo conteúdo é idêntico às três edições anteriores) e suas respectivas traduções do livro A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo como a obra de referência doutrinária, cuja autoria pode ser atribuída, sem qualquer dúvida, a Allan Kardec”.2

Todavia, permanecem dúvidas e questionamentos para muitas pessoas e instituições, apesar dos fatos e divulgação de documentos franceses pesquisados e reproduzidos por Simoni Privato Goidanich em seu livro O legado de Allan Kardec e apresentados em vários seminários.

Evidentemente que muitos não acessaram o livro citado e podem estar agindo motivados por muitas outras razões. Alguns ficam na expectativa de manifestações dos espíritos ou de posições dessa ou daquela instituição. É natural que a dúvida ou a remoção da posição de conforto incomode, mas essa é a razão para nos debruçarmos no texto de A gênese e analisarmos as posições e recomendações do sensato e racional Codificador.

A Doutrina Espírita recomenda que as opiniões e as manifestações espirituais devem ser analisadas com base nos critérios da lógica, do bom senso e, inclusive, dados concretos disponíveis, o que abrange documentos históricos e oficiais; e da concordância com o ensino dos Espíritos. O Codificador destaca na Apresentação e no primeiro capítulo de A gênese, intitulado “Fundamentos da Revelação Espírita”: “[…] pedimos uma atenção rigorosa para esse ponto, porque é aí que se encontra, de algum modo, o nó da questão. Não obstante a parte que toca à atividade humana na elaboração dessa Doutrina, a sua iniciativa pertence aos espíritos, ela, porém, não é formada da opinião pessoal de cada um deles; ela não é, e nem pode ser, mais que o resultado do seu ensino coletivo e concordante. Somente nessa condição, ela pode se dizer a Doutrina dos Espíritos, de outra forma seria apenas a doutrina de um espírito, e só teria o valor de uma opinião pessoal.”3,4

Ainda no capítulo inicial de A gênese o Codificador reitera: “O caráter essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, consequentemente, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos, não é revelação; se ela for atribuída a Deus, não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele, é preciso considerá-la como o resultado de uma concepção humana.”3,4 E Allan Kardec reforça o papel do Espiritismo como “ciência de observação”. Pois bem, nesta condição os fatos e documentos não podem ser desprezados!

Em seu Manifesto, a USE-SP recomenda: “Promover encontros, seminários e outros meios de interação com os dirigentes e colaboradores de instituições espíritas em geral objetivando o esclarecimento sobre os fatos históricos e documentos que justificam a adoção da 4ª edição francesa e suas respectivas traduções desta obra como referência.”2

A nosso ver, o sesquicentenário de A gênese deve ser bem aproveitado pela comunidade espírita para realmente ler, estudar e refletir seu conteúdo. E para os grupos que puderem, compararem os textos da obra publicada por Allan Kardec, enquanto encarnado – da 1ª a 4ª edições -, com a 5ª. edição de 1872.

Valorizemos as Obras Básicas de Allan Kardec, efetivamente estudando-as!

Bibliografia:

1) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE. 2018. 446p.

2) NOTA OFICIAL – Edições do livro A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. São Paulo, 05/06/2018; http://grupochicoxavier.com.br/use-recomenda-sobre-a-genese/

3) Kardec, Allan. Trad. Sêco, Albertina Escudeiro. A gênese. 3.ed. Apresentação; Cap. 1. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 2010.

4) Kardec, Allan. Trad. Imbassahy, Carlos de Brito. A gênese. 1.ed. Apresentação; Cap. 1. São Paulo: FEAL. 2018.

(*) O autor foi presidente da FEB e da USE-SP e membro da Comissão Executiva do CEI. Transcrito de: Revista Internacional de Espiritismo. Ano 93. N.7. Agosto de 2018. P. 368-9.

Candidato espírita ou espírita candidato?

Candidato espírita ou espírita candidato?

Marcos Milani (*)

Em ano eleitoral é comum encontrarmos aqueles que supõem que o rótulo religioso ateste a integridade e a competência do candidato. O movimento espírita não está livre desse discurso.

É possível ouvir, vez ou outra, alguém dizendo que “espírita vota em espírita”.

Será mesmo que esse é o critério adequado para identificarmos um “bom” candidato? Quais seriam as razões para acreditar, por exemplo, que um valoroso colaborador de um centro espírita seria um ótimo vereador ou deputado? Ao afirmar que conhece a seriedade do colega e, por isso, gostaria de vê-lo nas lides políticas, esse eleitor demonstra ter adotado o critério da proximidade e relação simpática com o candidato. Adicionalmente, poder-se-ia cogitar que, sendo espírita, esse candidato defenderia os princípios e valores doutrinários em sua função pública, assim como protegeria as instituições espíritas, os seus interesses e suas atividades. São argumentos compreensíveis, mas superficiais.

Sob a perspectiva daqueles que compartilham a mesma crença, naturalmente existe uma identificação com a postura moral, mas as semelhanças podem parar por aí se as propostas econômicas, políticas e sociais que o candidato abraçar forem diferentes daquelas que o eleitor acredita serem as mais adequadas.

Por exemplo, um candidato que se afirme espírita e que esteja filiado a um partido que possua uma agenda programática favorável ao aumento do déficit fiscal para financiar medidas populistas e que gerarão sérios danos à economia com reflexos diretos no aumento da inflação e pauperização da população no longo prazo seria um bom candidato? Não parece ser.

O programa do partido político que o candidato representa é muito importante e pode sinalizar muito mais sobre as propostas que ele realmente defende do que, simplesmente, afirmar-se espírita. Ao contrariar as diretrizes do partido, o filiado pode ser, inclusive, expulso.

No polarizado cenário político nacional, há espíritas em todas as trincheiras ideológicas. Inexiste uma posição partidária espírita e constitui-se uma agressão à liberdade individual a tentativa de se buscar um pensamento hegemônico eleitoral.

Fica claro, portanto, que não existe um candidato que represente o espiritismo nem os seus adeptos de maneira uniforme. Alguns militantes políticos, infiltrados nas fileiras espíritas, tentam impor convicções particulares pelo constrangimento. Chegam ao cúmulo de publicarem nas redes sociais mensagens como: “espírita que defende esse ou aquele candidato não é espírita”.

Supõem-se senhores da razão, desprezam a diversidade de opiniões e desrespeitam a liberdade de consciência. Ainda, de maneira maniqueísta, rotulam o espiritismo como se fosse de esquerda ou de direita, socialista ou liberal, isso ou aquilo. Pinçam trechos dos ensinamentos dos espíritos para os interpretarem por conveniência, como se houvesse um direcionamento doutrinário explícito ou implícito nesse sentido e os adeptos deveriam votar somente em candidatos que partilhassem dessas mesmas visões.

O Espiritismo não está preso na transitoriedade dos problemas locais e sua proposta repousa no aperfeiçoamento moral e intelectual do ser humano, sem receitas ou fórmulas programáticas sociais. A deterioração da situação econômica vivenciada no Brasil, fruto de políticas intervencionistas desastrosas com graves reflexos sociais durante a última década não se resolve pelo rótulo religioso.

Não somente o espírita, mas qualquer um, na condição de cidadão, tem a possibilidade de agir a favor da construção de uma sociedade melhor e uma das maneiras de participar desse processo é portar‑se, condignamente e com competência, em todas as atividades que desempenhar, seja na vida privada ou pública. Há candidatos que, porventura, se declaram espíritas e atraiam a simpatia de alguns adeptos, mas não existem candidatos dos espíritas e, muito menos, deve existir uma variação do voto de cabresto no movimento espírita.

(*) Marco Antonio Milani Filho é diretor do Departamento do Livro (Doutrina) da USE-SP e presidente da USE Regional de Campinas.

Extraído de:

Dirigente espírita, USE-SP. Ano 28. N.166. P. 11. São Paulo, julho-agosto de 2018.

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA-Entrevista

FOCALIZANDO O TRABALHADOR ESPÍRITA APPARECIDO BELVEDERE- MATÃO, SP

Entrevista feita por Ismael Gobbo

Nesta entrevista temos a oportunidade de conhecer facetas da vida do nosso companheiro de ideal espírita, Apparecido Belvedere, diretor da Casa Editora “O Clarim”, entidade fundada pelo inesquecível Cairbar de Souza Schutel. Apparecido nos fala também do Memorial Cairbar Schutel, local que abriga documentos, equipamentos antigos da gráfica de O Clarim e objetos que pertenceram a Cairbar.

P – Apparecido, você poderia apresentar-se aos leitores?

R – Eu vim de São Paulo para Matão, onde resido desde 1975, portanto há 43 anos. Nesta cidade me casei em segundas núpcias com Laodicéia, que já tinha dois filhos, Leliane e Eudes. Eles são os meus dois filhos adotivos muito queridos. Minha primeira esposa já é falecida. Gosto muito da cidade e sou feliz por ter a oportunidade de aproximar-me da obra legada por Cairbar Schutel, desencarnado em 1938, espírito de escol que conheci pela leitura dos livros, da Revista Internacional de Espiritismo, do jornal O Clarim e pela própria visitação in loco, para conhecer o parque gráfico e o centro espírita.

P – Como conheceu o Espiritismo e desde quando é espírita?

R – Ismael, eu fui batizado na Igreja Católica em Aparecida do Norte e cheguei a ser “coroinha”. Quando atingi meus 14-15 anos de idade, comecei a questionar o padre sobre certas coisas que achava esquisitas. Por exemplo, a chamada pena capital, segundo a qual, após a morte, a pessoa sofre eternamente no inferno que a igreja apregoa. Ele me respondia de forma evasiva, dizendo que as coisas eram assim mesmo; me mandava rezar o Pai Nosso e a Ave Maria e encerrava a conversa aconselhando que não me preocupasse e que não precisava perguntar sobre isso. Essa dubiedade fez com que me afastasse da igreja e me desinteressasse por assuntos religiosos, tornando-me naquele momento um ateu e,por que não dizer, à toa.

P – Apparecido, fale-nos um pouco mais sobre essa sua aproximação com a instituição fundada por Cairbar Schutel.

R – A história é longa, mas bonita. O primeiro centro espírita que comecei a frequentar foi o Centro Espírita Cairbar Schutel, no bairro Itaim Bibi em São Paulo. Este, aliás, foi o primeiro a adotar o nome do Bandeirante do Espiritismo após sua desencarnação. Interessante o fato de que amigos de Cairbar queriam fundar o centro com seu nome, objetivando homenageá-lo ainda em vida, proposta que ele não aceitou, justificando que enquanto estivesse vivo poderia fazer alguma coisa errada que pudesse vir a respingar no centro. Então para mim foi uma grande alegria começar no Espiritismo naquela casa espírita, onde estudei todas as obras básicas e as outras complementares, dentre as quais as de Cairbar. Como viajasse para a região a trabalho, visitando usinas de açúcar, numa delas no início da década de 1960, mais precisamente no mês de agosto, quando se comemora o aniversário de “O Clarim”, comecei a tomar contato com a instituição, sintonizando-me perfeitamente com o trabalho que ela desenvolvia, declarando a amigos que um dia me mudaria para a cidade com a finalidade dedar “in loco” aminha colaboração. E a vida me permitiu que em março de 1975 aportasse definitivamente em Matão, prestando meu trabalho pessoal ao centro e à Casa Editora O Clarim, nesta última de forma mais efetiva e em tempo integral.

P – Poderia nos resumir os trabalhos desenvolvidos pela instituição?

R – Bem, aqui no centro espírita desenvolvemos todos os trabalhos comumente realizados numa casa espírita. Além do estudo temos o atendimento fraterno, estudo e prática da mediunidade, transmissão de passes e assistência aos necessitados, tudo em conformidade como já acontecia nos tempos de Cairbar. Na editora, além do jornal O Clarim e da RIE, editamos livros impressos. Estamos nos aproximando de 200 títulos lançados desde a fundação da editora. E agora já contamos mais de 50 e-books,comercializados pela Amazon (a lista completa pode ser acessada pelo link: https://www.amazon.com.br/s… Ao longo do tempo fomos acumulando materiais históricos e ocorreu a ideia de fundar uma espécie de museu para homenagear Sr. Schutel que, por questões técnicas e de registro, recebeu a denominação de Memorial Cairbar Schutel. Cabe aqui salientar o progresso que as edições de O Clarim e da RIE alcançaram não só pelo crescimento do número de assinantes brasileiros como de residentes no exterior. Um fato digno de menção é que o jornal O Clarim, fundado em 1905, recebia muitas matérias do exterior, sobretudo matérias científicas, raras em nosso país, o que ensejou a fundação da revista 20 anos depois, com o nome de Revista Internacional do Espiritismo. Com o passar dos anos, houve uma sutil mudança no nome, passando a chamar-se Revista Internacional de Espiritismo. A fundação deste novo periódico foi possível pela contribuição de Luiz Carlos Oliveira Borges, fazendeiro de Dourado, cidade próxima a Matão, que era muito confiante em Cairbar. Sua foto está exposta no Memorial. Borges e Cairbar trocaram várias correspondências durante os primeiros números da RIE, mas infelizmente ele desencarnou em junho de 1925, não tendo muito tempo para prestigiar o alcance que a revista teria. Hoje em dia com a presença de Cássio Carrara, jornalista responsável pelos dois periódicos, a revista ganhou muito na qualidade de apresentação; atinge atualmente dezoito países com assinantes regulares e temos conseguido parcerias com outras editoras, muitos artigos do exterior publicamos aqui enquanto os daqui são publicados no exterior. Enfim, o trabalho de Cairbar Schutel se consolidou e se amplia cada vez mais.

P – O Espírito Cairbar Schutel se comunica mediunicamente?

R – Aqui no nosso centro espírita os médiuns percebem a sua presença, todavia não temos recebido pelas vias mediúnicas mensagens diretas do Sr. Schutel, o que já ocorreu através da psicografia de Divaldo Pereira Franco mais de uma vez em eventos dos quais estávamos presentes. Um fato interessante ocorreu em São Paulo, quando eu já era espírita e participava do movimento de unificação promovido pela USE. Certa feita estávamos numa casa espírita, que tinha um médium muito bom e de muitos recursos. Esse médium não sabia que eu estava presente, mas ao final do encontro chamou por Apparecido, que efetivamente era eu. Ele então disse que havia uma mensagem e me entregou a psicografia assinada por Cairbar Schutel, na qual me pedia paciência e perseverança no trabalho que desenvolvia, considerando que os pequenos percalços fazem parte da luta e com fé em Deus são todos contornados. A mensagem muito linda e incentivadora infelizmente se encontra extraviada. O fato é que, por essas e outras razões, me mudei para Matão e aqui estou há 43 anos, buscando dar o melhor de mim ao lado dos queridos companheiros de ideal espírita que servem com muito amor e carinho na Seara Espírita, inspirados por Cairbar.

P – Acompanhando a RIE, O Clarim e também os livros editados, percebe-se um grande número de colaboradores, sobretudo articulistas.

R – Isso realmente acontece. Temos uma gama muito grande de grandes articulistas que vêm nos ajudando a levar avante as tarefas iniciadas por Cairbar. Eles sabem da importância do trabalho e, por isso, esforçam-se nas pesquisas, trazendo ao público leitor matérias atualizadas de cunhos científico, filosófico e religioso, todos em consonância com a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec.

P – Como é feita a seleção ou mesmo rejeição de alguma matéria?

R – Reiteramos a necessidade de que estejam em perfeita sintonia com os princípios espíritas. Aliás, diga-se, são poucas as matérias descartadas justamente por não se amoldarem a esses princípios. Às vezes ocorrem algumas distorções doutrinárias conflitantes e nesse particular temos procurado ser bastante rigorosos. Recebemos muito mais matérias aproveitáveis que descartáveis. Para isso temos nossa participação pessoal ao lado de uma equipe que nos presta inestimável colaboração, apontando alguns desses problemas que mencionei. Além dos colaboradores encarnados, temos a espiritualidade sempre nos intuindo e alertando para não deixarmos passar deslizes doutrinários, o que tem sido objeto de nossa constante vigilância.

P – Apparecido, voltando ao tema Memorial Cairbar Schutel, fale-nos como surgiu a idéia de implantá-lo.

R – Bem, a ideia de criação de uma espécie de museu não é coisa nova. Algumas décadas atrás surgiu essa inspiração e fomos nos preparando. Inicialmente buscamos acumular e organizar objetos e documentos pessoais de Cairbar Schutel, livros de registros da Farmácia Schutel, que administrava e era proprietário, da editora e do seu parque gráfico. Também recebemos ajuda de amigos como da família de Franco Fusco, filho do Sr João Fusco que era de São José do Rio Preto, muito amigo de Cairbar e fundador do centro que leva seu nome em São Paulo. Através de Flávio Fusco, também já desencarnado, recebemos muito material que foi doado e que se encontram expostos. Muitas coisas da farmácia de Cairbar que já possuíamos foram complementadas pelo dono posterior, Sr. Albertinho, já desencarnado, endereçando equipamentos que Cairbar utilizava na manipulação de medicamentos. O tempo foi passando até o momento em que eu e minha esposa Laodicéia, que também é diretora na instituição, acordamos para o seguinte ponto: para tocar um projeto desses não basta apenas vontade, é preciso alguém especializado para organizar. Pensávamos que fosse uma bibliotecária ou coisa parecida, até que nossa filha nos alertou: “Bibliotecária, não. Para o Memorial é preciso quem entenda do assunto e vocês já têm essa pessoa muito perto de vocês.” Com efeito acabamos despertados para a presença de Larissa, formada na Unicamp e na época casada com meu neto, que organizou tudo isso. A empresa de publicidade Tg3 preparou os materiais gráficos e também as fotos, tudo de forma adequada como pode aqui ser constatado.

P – O Memorial está aberto a receber alguma doação de material que tem a ver com Cairbar?

R – Certamente. Como já disse recebemos muitos materiais em doação. Como o próprio relógio de parede que pertenceu ao Sr. Cairbar e que foi doado pelo Sr. Adail Pedro. Então se alguém dispor de alguma foto, documentos, objetos, que guardou com carinho ao longo do tempo e que queira doar serão muito bem-vindos.Mas evidentemente tem que ter esse vínculo com o homenageado. Os materiais serão somados a nossa reserva técnica que vez por outra são expostos, possibilitando um rodízio nas exposições.

P – Como é feita a visitação?

R – Normalmente pedimos que os interessados entrem em contato conosco através da Lúcia Helena, que é a vice-presidente e faz a coordenação das visitas. O agendamento se faz necessário pelo motivo principal de termos muito trabalho e não ser viável destacarmos uma ou mais pessoas para ficarem exclusivamente e o tempo todo no Memorial. Com a visita marcada antecipadamente nos preparamos para receber convenientemente as pessoas, muitas vezes em grandes caravanas. Com essa providência, companheiros previamente preparados para o trabalho fazem o acompanhamento e oferecem todas as explicações históricas e administrativas da casa, numa “visita guiada”. Aqui verão e receberão informações precisas sobre cada um dos objetos ou documentos, por exemplo a mesinha onde Cairbar realizava as experiências de tiptologia; o seu quarto de dormir com cama e guarda-roupas; a primeira impressora; livros de registros diversos; fotos interessantes; os primeiros exemplares da RIE e de O Clarim; dentre muitos outros. Enfim, estamos aqui para atender da melhor forma possível aos que se interessarem nessa importante visitação.

P – Lendo a RIE e O Clarim dos primeiros anos nos deparamos commuitos relatos e ilustrações de fenômenos mediúnicos que hoje não são comuns. Aqui parece que também aconteciam…

R – Sim, Ismael, relatos de acontecimentos no Brasil e muito mais do exterior. O jornal e sobretudo a revista tinham muitas matérias científicas. Mas aqui também eles aconteceram. Dona Antoninha, já desencarnada, participante das reuniões mediúnicas dirigidas por Cairbar Schutel, contava que em uma delas a hora avançou e todos ficaram com fome. Para surpresa geral, ao lado viram diversos salgadinhos cuja presença foi explicada pelo fenômeno de transporte, aliás um dos mais comuns à época. Se alimentaram e após o final da reunião foram à padaria para fazer o pagamento da conta, fato que não deixou de causar espanto ao proprietário.

P – Agradecemos ao querido amigo Apparecido por esta entrevista e a ele deixamos as palavras finais.

R – Queremos aqui externar os agradecimentos ao amigo Ismael Gobbo que, através do boletim diário de Noticias do Movimento Espírita, tem buscado divulgar ao longo dos anos a Doutrina Espírita com seriedade e persistência, alcançando o Brasil e países do exterior. Que possa continuar sua tarefa inspirado por Jesus e pelos amigos espirituais dentre os quais se insere Cairbar Schutel.

Extraído de:

http://www.noticiasespiritas.com.br/2018/JULHO/24-07-2018.htm

Divergências Doutrinárias

Divergências Doutrinárias

Richard Simonetti

1 – Há na atualidade grande quantidade de médiuns que recebem informações sobre a vida espiritual. São, não raro, surpreendentes e assustadoras. Como lidar com essa situação? A Terra é morada da opinião. O mesmo ocorre com o mundo espiritual, nas esferas próximas à Terra. Espíritos falam da vida além-túmulo conforme sua visão, sua maneira de ser, suas fantasias.

2 – Não têm todos os Espíritos acesso à realidade espiritual? Em planos mais altos, no infinito, sim. Nas vizinhanças do planeta, os Espíritos guardam uma visão compatível com sua cultura e discernimento. Imaginemos uma pirâmide. Perto da base, há espaço para a diversidade. No topo atinge-se a unidade.

3 – Isso explica por que vemos Espíritos que continuam ligados a movimentos religiosos e idéias que caracterizaram sua atividade, quando encarnados? Exatamente. Sempre imaginamos que todos os Espíritos convertem-se automaticamente aos princípios espíritas, ao desencarnar. Não é o que vemos no processo mediúnico, com católicos que continuam católicos, evangélicos que continuam evangélicos, muçulmanos que continuam muçulmanos, vinculados às suas igrejas.

4 – E quanto ao Espiritismo? Não confirmam, “in loco”, os desencarnados, princípios como a Reencarnação, a Lei de Causa e Efeito, a Mediunidade? Depende de seu estágio de entendimento e dos condicionamentos a que se submeteram na Terra. Na Inglaterra, por exemplo, temos grupos que cultivam o intercâmbio com o Além e não aceitam a reencarnação, o mesmo acontecendo com os Espíritos que ali se manifestam.

5 – É surpreendente! Lembro a história hindu sobre cegos seis cegos examinando um elefante. Cada qual teve uma ideia segundo a parte apalpada. O que tocou na tromba imaginou ser uma serpente; o que tocou nas orelhas concebeu imensas ventarolas; o que tocou no corpo pensou numa montanha a se mover… Cada Espírito vê a dimensão espiritual conforme seu “tato”, quando não tenha evolução suficiente, olhos de ver, como diria Jesus, para encarar a realidade.

6 – O médium podem exercer influência nesse processo? Sem dúvida. Se, por exemplo, o médium não aceita a reencarnação, um Espírito que queira explicar como se processa o retorno à carne terá grande dificuldade, esbarrando nas suas concepções. Esse problema só seria resolvido com um médium psicografo mecânico, Neste tipo de mediunidade a interferência do médium é praticamente nula.

7 – E quanto à possibilidade de mistificação? Pode um médium fazer “revelações” a partir de um Espírito mistificador? Acontece com frequência. Por isso o Espírito Erasto, um dos mentores da Codificação Espírita, adverte, em O Livro dos Médiuns, que é preferível negar dez verdades a aceitar uma só mentira. Há, ainda, algo mais grave: o próprio médium mistificar para adquirir notoriedade com “revelações.”

8 – Considerando os “cegos a descrever o elefante”, como podemos apreciar a informações que chegam da espiritualidade, buscando separar a realidade da fantasia? Em princípio, cotejando-as com a Codificação.

Não obstante o caráter progressista da Doutrina, desdobramentos não podem colidir com elementares princípios doutrinários. Paralelamente, observando a universalidade dos ensinos, como propõe o próprio Codificador. Se vários mentores espirituais, manifestando-se por intermédio de médiuns respeitáveis, que não têm contato entre si, informam que há muitas cidades no plano espiritual, tipo Nosso Lar, é bem provável que estejam reportando-se a uma realidade.

Atendendo a esse mesmo princípio, informações solitárias sobre a vida espiritual pedem prudência em sua apreciação e aceitação.

Extraído de: http://ismaelgobbo.blogspot.com/2011/01/divergencias-doutrinarias.html

 

Doutrina Espírita com base na Bíblia

Doutrina Espírita com base na Bíblia

José Reis Chaves

- Resposta a um comentário de uma coluna no portal do jornal

O Tempo -

Abordaremos um comentário, no ‘espaço dos comentários’ dessa coluna, no Portal de O TEMPO. Como as matérias dela demonstram o que é a doutrina espírita com base na Bíblia, ela incomoda muito os adversários do espiritismo. Quero esclarecer que não sou um aventureiro nas minhas abordagens bíblicas, pois estudei para padre Redentorista e, para fazer o trabalho que faço hoje, procurei me aprofundar mais ainda no estudo da Bíblia e da Teologia Cristã, mas sem as ideias preconcebidas sobre as interpretações de ambas.

Os paradigmas novos sempre incomodam os adeptos conservadores dos antigos, principalmente os religiosos. Mas a verdade religiosa se concretiza exatamente com a sua evolução. E ninguém consegue barrar a evolução. E, por causa dessa coluna em O TEMPO, desde o ano de 2.000, meus livros, programas na Rádio Boa Nova e na TV Mundo Maior, ambas em SP, tenho feito palestras e seminários, em vários Estados do Brasil, e em Portugal. Alegro-me muito, por ela ser muito lida não só pelos espíritas, mas também, por padres, bispos e pastores e que frequentam também aquele espaço dos comentários do citado fórum na Internet.

E repito que não sou um aventureiro que fala sobre a Bíblia sem ter dela um estudo sério, mas sem os abusos comuns de suas interpretações pelos estudiosos dela, ora alegóricas, ora literais, que tanto dividem os cristãos. E falo com convicção que a Bíblia não é a palavra de Deus, pois nela há muitos erros e contradições que é até uma blasfêmia atribuí-los à autoria de Deus. Aplaudo o que diz hoje a Igreja Católica: a Bíblia é a palavra de Deus escrita por homens.

No espiritismo encontramos também ensino semelhante a esse da rainha das igrejas cristãs. Com relação à coluna “A modernização da Bíblia é para tirar dela as ideias espíritas”, de 18/6/2018, esclareço que quando a Bíblia fala que Deus castiga, premia ou perdoa, na verdade é a lei de causa e efeito que funciona. Colhemos o que semeamos!

Na citada coluna, entre outros exemplos, citei Êxodo 20: 5, em que se lê, nas Bíblias antigas até a década de 1930:

“Visito a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira (netos) e quarta (bisnetos) gerações,” como está também na Vulgata Latina de são Jerônimo. Isso significa que é o mesmo espírito do pai pecador (primeira geração) que paga o pecado reencarnando nos seus descendentes, o que sugestiona a ideia da reencarnação. É que o autor bíblico do texto vê como pecador o espírito do pecador e não o seu corpo e os corpos descendentes dele. E os tradutores modernos, percebendo essa ideia da reencarnação do espírito pecador que retorna, passaram a traduzir a preposição ‘em’ mais o artigo ‘a’ (na) por ‘até’ mais o artigo ‘a’ (até a). Aí sim, é que aparece a ideia de descendentes pagarem os pecados de um seu antepassado, o que é contra a Bíblia. A alma que pecar é que paga seu pecado. (Ezequiel 18: 20).

E um comentarista evangélico radical, no fórum citado, na internet, para despistar a ideia da reencarnação do texto antigo mencionado, teve a ousadia de dizer que o pecado é de idolatria. Ora, na coluna, não interessa o tipo de pecado, mas o pagamento pelo mesmo espírito pecador do passado, do ponto de vista espiritual bíblico e não material, ou seja, dos corpos! Esse comentarista evangélico, em vão, engana seus seguidores, tentando esconder mais uma ideia da reencarnação na Bíblia!

(J.Reis Chaves, Belo Horizonte: jreischaves@gmail.com)