Anestésico esférico

ANALGÉSICO ESFÉRICO

Francisco Habermann (*)

A história se repete. Nesta semana de abertura da Copa os olhos mundiais se voltam para a Rússia, um país que esconde enorme população vivendo abaixo do nível de pobreza.

Como aconteceu aqui, enorme investimento faz parecer o que não é ou o que não tem. Sugere, como sempre, ser oportunidade de visualização política. A experiência brasileira é amargamente sentida por todos até hoje. Ficamos com os saldos negativos da aventura dita esportiva.

Digo assim não para desestimular o entusiasmo coletivo, mas para sugerir reflexão diante de tantos problemas nacionais que emergem a cada dia em nossas vidas. Algo se esconde ainda aos nossos olhos de simples torcedores inocentes (ou bobinhos) que somos. Cito alguns. A enorme disputa pelos direitos de transmissão, envolvendo milhões; a escancarada e bilionária disputa de patrocinadores que anunciam seus produtos sem nenhum cuidado com a saúde populacional; as enriquecedoras permutas prévias de jogadores entre clubes trilionários; os escândalos já descobertos envolvendo inúmeras personalidades do meio futebolístico brasileiro e internacional. A lista é cansativa. E, ainda assim, estaremos interrompendo nossas atividades cotidianas para pregar os olhos lá na tela mágica da TV e acompanhar os nossos milionários ‘ídolos’. Parece brincadeira.

Para falar a verdade, sinto que merecemos mesmo este intervalo diante de tantos problemas nacionais que enfrentamos no dia-a-dia. Acho até que a bola rolando no campo funciona como um santo analgésico para nossas dores de cabeça. É sensação esquisita, mas é assim que funciona com nosso povo.

Acalma-nos. Isso seria suficiente? Voltaríamos mais dispostos após?

Não vejo problema na torcida, só acho que convém pensarmos bem nos nossos tão desejados êxitos outros que aguardam solução aqui nesta terra. Especialmente se tivermos a oportunidade de vencer um adversário (com a bola esférica) por sete a qualquer coisa. Seria, então,a nossa glória?

Ainda assim, resta uma pergunta perturbadora. E as outras modalidades esportivas? Teriam o mesmo entusiasmo nacional? Hummm!

É melhor deixar a bola rolar…pois gostamos de ser auto iludidos. Goool!

(*- Da Associação Médico Espírita de Botucatu)

DE: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/analgesico-esferico?xg_source=msg_appr_blogpost

Sementes

Sementes

RIchard Simonetti

Aquele homem arrojado dispôs-se a realizar portentosa façanha: medir a circunferência da Terra, pelo Equador. Obviamente, impraticável usar a fita métrica. E não contava com conhecimentos científicos avançados, nem aparelhos sofisticados ou quaisquer outros recursos tecnológicos. Não obstante, conseguiu, com relativa facilidade, realizar a proeza.

Em pleno solstício de verão, na cidade de Alexandria, verificou que ao meio-dia o Sol estava a pino. Um mastro de alguns metros de altura, não projetava sombra alguma. Naquele horário, na cidade de Siene, que fica no mesmo meridiano, constatou que o Sol estava ligeiramente perpendicular. Um mastro projetava sombra correspondente a pequeno desvio: nove graus. A partir daí, com elementar regra de três, matou a charada. Se para uma distância de mil quilômetros, que separava as duas cidades, havia um desvio de nove graus na incidência solar, a que distância corresponderia os trezentos e sessenta graus da circunferência terrestre? Resultado: quarenta mil quilômetros. Muito simples! Assombroso, se considerarmos que o autor da proeza, Erastóstenes (276-194 a.C.), matemático e geólogo grego, viveu há perto de dois mil e trezentos anos, numa época em que as pessoas sequer imaginavam que nosso mundo é uma esfera a girar.

Antes dele, filhos da mesma Grécia realizaram prodígios de inteligência e habilidade, acumulando espantosos conhecimentos: Tales de Mileto (625-546 a.C.), definiu o mecanismo das marés e dos eclipses. Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.), antecipou Darwin (1809-1882), com sua teoria das mutações das espécies. Pitágoras (580-500 a.C.), descobriu a esfericidade da Terra e seu movimento de translação. Platão (428-348 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.), e Sócrates (470-399 a.C.), estabeleceram as bases da Ciência e da Filosofia.

Misteriosamente, no espaço de algumas gerações, os gregos parecem ter perdido a fórmula para o nascimento de homens geniais. Tão avançado foi o conhecimento acumulado naqueles séculos de esplendor intelectual, que seus sucessores não conseguiram assimilá-lo, como crianças impotentes diante de um tratado de física. A esplendorosa civilização definhou e morreu.

É um desafio para os antropólogos definir as causas determinantes daquele surto breve de genialidade, que marcou para sempre a cultura helênica. Fatores climáticos, políticos, geográficos, étnicos e outros são evocados. Esforço inútil, porquanto situações semelhantes ocorreram em outros países, sem que fossem atingidos os píncaros da civilização grega.

Caberia à Doutrina Espírita decifrar o enigma, explicando-nos que reencarnaram em seu seio Espíritos dotados de grandes potencialidades intelectuais. Situaram-se muito adiante de seus contemporâneos. Superaram as limitações de sua época e deixaram aquele legado cultural que nos espanta. Houvessem vivido na mais remota província africana e, ainda assim, haveriam de pontificar. A cultura grega permaneceu latente, como sementeira em solo inculto.

Somente a partir do século XVIII, quando a Humanidade atingiu um desenvolvimento intelectual compatível, criaram-se condições para o desabrochar do legado grego, com seus frutos prodigiosos de conhecimento. Freud (1856-1939), Darwin (1809-1882) e Marx (1818-1883), que alavancaram grandes transformações sociais e científicas, abeberaram-se na cultura grega.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec situa Sócrates e Platão como precursores do Espiritismo. Muito do que a Doutrina Espírita explica hoje estava no pensamento desses dois gigantes da Filosofia, envolvendo princípios básicos como a pluralidade das existências, a imortalidade da alma, a interferência do plano espiritual, a existência de Espíritos protetores, os mecanismos da evolução…

Na abertura – Prolegômenos –, em O Livro dos Espíritos, Kardec destaca algumas orientações que recebeu de Espíritos luminares que participaram da Codificação. Dentre eles, Sócrates e Platão. Certamente, cuidavam para que suas sementes fossem aproveitadas adequadamente!

Transcrito do Boletim Notícias do Movimento Espírita: http://www.noticiasespiritas.com.br/2018/JUNHO/08-06-2018.htm

ALGO no AR

ALGO no AR

Francisco Habermann (*)

É nítida a percepção de que há algo pairando no ar além do vital oxigênio. Refiro-me às sensações ligadas ao nosso comportamento e não aos componentes gasosos da atmosfera.

São sentimentos intrigantes, aqueles que geram expectativas nos seres viventes. Parece que circulam no ar, estão em toda parte, qual poeira fina em tempo seco e frio. Percorrem nossa alma. Não arrisco hipóteses descabidas, mas há algo, sim, no ambiente nacional, algo que desconfio seja o inicio de nova era.

Um tempo de maior responsabilidade e que exige atitudes decisivas, não mais ‘jeitinhos’ tão a nosso gosto.

Embarco na ideia que aprendi lá em casa que é o tríduo basal da vida honesta: ética, moral e caráter. Tão necessário hoje quanto sempre. Mas, como está difícil ver e sentir essas qualidades entre nós, não?

Não desanimemos, entretanto. Por tudo o que já passamos nesse país, considerado o Coração do Mundo – pelas características de nosso povo –o fato de enfrentar crises emergenciais surpreende-nos a todos, induzindo um clima persistente de incertezas.

Algo que deveríamos – como coletividade civilizada – aprender a evitar as causas ou, então, prevenir,treinar antecipadamente os caminhos alternativos, amenizando consequências. Japão e Suécia, além de outros povos organizados, fazem isso de rotina. Treinam a população para urgências inevitáveis, em geral, por eventos súbitos e incontroláveis da natureza.

Aqui, não temos essa tradição e, felizmente, nem aquelas catástrofes naturais. Mas temos outras produzidas por nós mesmos.

A vida do brasileiro é enganosamente tida como tranquila, mesmo diante das maiores dificuldades pessoais ou coletivas; o país é claramente rico de recursos, mesmo quando o povo transita na dificuldade ou na miséria; nossa consciência não inclui o próximo mesmo quando este implora ajuda.

Constata-se entre nós um panorama contrastante. Tem-se a impressão – hoje – que algo haverá de acontecer para nos acordar. Não dá mais para permanecermos deitados eternamente em berço esplêndido, claro.

Aquele algo que sentimos no ar está a nos dizer da urgência em renovarmo-nos. Renovar-nos para mudar com ética, moral e caráter.

É nossa esperança. O Brasil se transformará.

(*) – Atua em Botucatu (SP): Associação de Educação e Cultura Espírita 'Gabriel Delanne'; Associação Médico Espírita de Botucatu- AME; Núcleo Assistencial 'Joanna de Ângelis'.

Extraído de: http://www.fmb.unesp.br/#!/noticia/2139

Espíritas na política

Espíritas na política

Na noite de 22 de maio de 2018, ocorreu uma reunião para se tratar do tema "Espíritas na Política", realizada no Centro de Cultura, Documentação e Divulgação do Espíritismo (CCDPE), em São Paulo. Mediaram a reunião Júlia Nezu e Paulo Francisco, ambos do CCDPE, que destacaram "a grande responsabilidade espiritual do homem público – e a necessidade dessa conscientização". Ficou claro que o espírita como cidadão – pessoa física -, pode contribuir para a solução dos problemas políticos e sociais vivenciados na atualidade, sem necessariamente comprometer-se com legendas ou organizações partidárias, mas ciente de que esse é também um direito que cabe a cada um. Também concluiu-se que deve ocorrer um esclarecimento amplo para que o espírita apóie candidatos que sejam coerentes e concordantes com os princípios do Espiritismo. Definiu-se a realização de uma mesa redonda no dia 28 de julho, em São Paulo, e depois a divulgação de relação de candidatos espíritas a cargos legislativos.

Além dos mediadores citados, estavam presentes: Antonio Cesar Perri de Carvalho, Afonso Moreira Júnior, Miguel de Jesus Sardano, Terezinha Sardano, André Marouço, Aparecido Onofre Belvedere, José Luiz A. Marchesan, Ademir Mendes, Jorge Reis, Rui Luiz Barboza, Benedito Figueiredo, Rodrigo Gonçalves da Costa, Augusto José D Moreira, Luciano Daniel Melidoni, Ana Paula Calvo, Daniane Postal e Arthur Luiz Caramel; e os políticos Dario Arantes, Fernando Petiti, Edson Sardano, Rubens Calvo e Marcos Papa (à distância).

Eis alguns fundamentos: Aylton Paiva, no seu livro “Espiritismo e Política” (Ed, FEB, 2014) anotou: “[…] jamais o Espiritismo, como Doutrina, e o Movimento Espírita, como prática, poderão dar guarida a um partido político em seu seio…[.] Porém, as implicações dos princípios e normas políticas contidas na Terceira Parte — Das Leis Morais — d’O livro dos espíritos, ditado pelos Espíritos e organizado por Allan Kardec, são muito amplas e profundas na sociedade humana. Por isso, o espírita deve ser consciente e lúcido na compreensão dessas normas e princípios, a fim de que sua participação na sociedade seja consentânea com tal visão política, que, necessariamente, impõe exercitar a justiça, o amor e a caridade.

De Kardec:

“A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com ela no mesmo terreno. Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo” (A Gênese, cap. XVIII, it. 24, p. 368).

“O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas pela amplitude de suas vidas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados” (A Gênese, cap. XVIII, it. 25, p. 368).

André Luiz:

“Ser útil e reconhecido à Nação que o afaga por filho, cumprindo rigorosamente os deveres que lhe tocam na vida de cidadão” (Conduta Espírita).

Alguns líderes espíritas, já desencarnados, que tiveram mandatos políticos (níveis federal, estadual e municipal):

Bezerra de Menezes (Federal, RJ), Bittencourt Sampaio (Federal, RJ e Pres.Província ES), Cairbar Schutel (Municipal, SP), Eurípedes Barsanulfo (Municipal, MG), Aristides Spínola (Federal, RJ e Pres.Província Go), Camilo Chaves (Federal, MG), Campos Vergal (Federal, SP), Francisco de Castro Neves (Federal, SP), Emílio Manso Vieira (Municipal, SP), Eurípedes de Castro (Estadual, SP), Freitas Nobre (Municipal e Federal, SP), Alberto Calvo (Estadual, SP), Jorge Cauhy Júnior (Estadual, DF).

De: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/espiritas-na-politica?xg_source=msg_appr_blogpost

Cristianismo e Espiritismo: riscos de desvios

Cristianismo e Espiritismo: riscos de desvios

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Ao fazermos um recorte na trajetória do marcante Apóstolo Paulo destacamos um momento crucial na história do cristianismo nascente: o registro sobre o ex doutor da Lei Saulo de Tarso, que ao visitar a Casa do Caminho após sua conversão sentiu-se: “[…] torturado pela influência judaizante. Tiago dava a impressão de reingresso, na maioria dos ouvintes, nos regulamentos farisaicos. Suas preleções fugiam ao padrão de liberdade e do amor em Jesus Cristo.”1

Saulo de Tarso optou em deixar a tradicional e pioneira ecclesia de Jerusalém, iniciando sua grande tarefa de divulgador do Evangelho.

Esse episódio decisório para os rumos do cristianismo tem sido um foco de estudos nossos com diferentes enfoques, sempre com objetivo de compreensão de fatos históricos e de balisamentos para o presente e futuro.2,3

Ao comentar a vida e obra de Paulo, Herculano Pires destaca a posição clara e marcante do Apóstolo: "Ele libertava a religião da política e do negócio. Para ele, a religião tinha que ser vivida em si mesma e vivida com toda a independência moral". A propósito de trecho de Atos sobre “muitos milagres e prodígios entre o povo pelas mãos dos apóstolos” o autor aponta que ali se encontra "uma das mais belas confirmações evangélicas da realidade e da verdade do Espiritismo e das suas práticas como continuação do cristianismo em espírito e verdade aqui na terra."4

Embora distanciado da FEB até sua desencarnação, o ex-presidente Leopoldo Cirne (que foi vice e sucedeu Bezerra de Menezes) permaneceu atento ao movimento espírita. Escreveu a portentosa obra: Antichristo. Senhor do Mundo, tendo dois subtítulos: “O Espiritismo em falência” e “A obra cristã e o poder das trevas”. Concluída no dia 3/10/1934, impressa por Bedeschi e lançada no Rio de Janeiro em 1935, não foi reeditada.5

Na 1ª Parte, Cirne analisa em detalhes a trajetória do Cristianismo e na 2ª Parte focaliza o Espiritismo.

Leopoldo Cirne comenta a ação do Cristo e de seus seguidores, com citações dos evangelistas, de Atos e de epístolas de Paulo. Considera que o Cristo empreende a obra de educação e redenção da humanidade e raciocina: “o princípio oposto – de separatividade e de egoísmo – que forma o substrato da natureza inferior do homem e constitui, na quase totalidade da espécie humana, o motivo preponderante de seus atos e impulsos? […] esse princípio deverá chamar-se o Anticristo. Somos todos assim, enquanto consentimos em nós o predomínio do egoísmo com todos os seus derivados – ambição, vaidade, orgulho – e pelejamos denodadamente pela obtenção e acréscimo dos bens, posições e vantagens pessoais, com sacrifício dos outros e violação da lei de solidariedade…”5

Na 2ª Parte, Leopoldo Cirne focaliza os momentos predecessores e concomitantes ao Espiritismo, de eclosão de muitos fenômenos mediúnicos e com notável trabalho de vários pesquisadores. Descreve o cenário dos primeiros grupos espíritas do Rio de Janeiro e as dificuldades da novel Federação Espírita Brasileira que segundo ele “Havia, em 1895, atingido o limite de sua capacidade máxima de resistência,…” Depois de focalizar várias questões do movimento espírita até a elaboração do livro, em 1934, nos últimos capítulos do livro Antichristo. Senhor do Mundo, comenta as obras de Allan Kardec e os cuidados do Codificador, exaltando seu trabalho. Entre outras considerações finais, indaga Cirne: “Exageramos? – Percorrei a história de todos os séculos e nos sucessos, coletivos e individuais, em que haja violação do preceito básico formulado pelo Cristo – ‘amai-vos uns aos outros’ – encontrareis a intervenção reacionária do Anticristo. […] Não importa o prazo. […] a nossa humanidade, liberta finalmente do poder das trevas, raiará cedo ou tarde a aurora de sua definitiva redenção.”5

Os rumos do movimento espírita e a questão da união devem merecer atenção e reflexão. No último discurso de Allan Kardec, em novembro de 1868, há colocações muito pertinentes para as reflexões sobre religião e laços ou união dos espíritas:

"O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas."6

Referências:

1) Xavier, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. Ed. Esp. Brasília: FEB, 2012. 488p.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais: aspectos históricos e visão espírita. Matão: O Clarim [no prelo].

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? Capivari: EME. 2018. 147p.

4) Pires, José Herculano. Org. Arribas, Célia. O evangelho de Jesus em espírito e verdade. 1.ed. Cap. 15. São Paulo: Editora Paidéia. 2016.

5) Cirne, Leopoldo. Antichristo. Senhor do Mundo. 1.ed. 2ª. Parte. Rio de Janeiro: Bedeschi. 1935. (Resenha em: Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo, Espiritismo e o Anticristo. Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCII. No. 9. Outubro de 2017. P. 474-477).

6) Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Ano XII. FEB. 2005.

 

(*) Foi presidente da FEB e da USE-SP.

O filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”

O filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O filme americano com o nome original “Paul, Apostle of Christ”, encontra-se em exibição em vários cinemas brasileiros. É dirigido por Andrew Hyatt, tendo como produtora a Sony Pictures. Duas figuras centrais no filme são o apóstolo Paulo, vivido por James Faulkner, e, o evangelista Lucas, protagonizado pelo ator Jim Caviezel, que atuou no filme “A Paixão de Cristo”.

O enredo se desenvolve principalmente no período em que Paulo de Tarso viveu seu segundo aprisionamento em Roma, detido na prisão Mamertine. Enquanto vivia seus últimos tempos à espera da execução já definida pelo imperador Nero, Paulo de Tarso recebeu a visita de Lucas, seu discípulo, autor de um Evangelho e médico. Lucas teve um papel destacado no filme, como uma ponte entre os seguidores de Jesus em Roma, liderados pelo casal Áquila e Priscila (ou Prisca) e o apóstolo prisioneiro.

O enredo do filme, como uma “licença cinematográfica”, mostra encenações relacionadas com o prefeito da prisão que, apesar do rigor no cumprimento da legislação romana, acabou reconhecendo o valor de Paulo e de Lucas, sendo sua filha curada por este último. Nas constantes visitas de Lucas, este convenceu Paulo a relatar os primeiros tempos do cristianismo e sobre sua própria trajetória. Muitas encenações do filme surgiram em função das memórias de Paulo ao discorrer sobre suas experiências. Surgia o registro de Lucas, conhecido como Atos dos Apóstolos. Os seguidores de Jesus se dispuseram a realizar várias cópias manuscritas que foram enviadas para diversos agrupamentos cristãos.

Pouco antes de ser executado Paulo é incitado a escrever uma carta, que ficou conhecida como 2ª. Epístola a Timóteo. Inclusive, trechos dessa última foram lidos nas encenações momentos finais da existência de Paulo, culminando com o versículo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (1).

Interessante que a seara espírita tenha a informação que se encontra em fase final de edição o filme “Paulo de Tarso”, um docudrama dirigido por André Marouço e produzido pela TV Mundo Maior. Neste, ficará clara a visão espírita sobre os momentos iniciais do cristianismo.(2)

Paulo de Tarso foi o maior divulgador dos ensinos de Jesus e responsável pela consolidação dos agrupamentos pioneiros que reuniam os seguidores do Mestre. Valorizamos seus registros com destaque para as recomendações morais contidas nas suas Epístolas, sem se valorizar polêmicas do contexto da época ou pontos de discussão que posteriormente se constituíram em fundamentos para algumas correntes de pensamento religioso e até para justificativas de futuros dogmas.(3)

O momento enseja a leitura do livro “Paulo e Estêvão”, do espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.(4)

Referências:

1) 2 Timóteo 4, 7.

2) http://tvmundomaior.com.br/videos/filme-espirita-paulo-de-tarso-palestra-de-divulgacao/

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do espiritismo. Matão: O Clarim, 2016.

4) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. Brasília: FEB.

(*) Foi presidente da FEB e da USE-SP.

Extraído de: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/o-filme-paulo-ap-stolo-de-cristo?xg_source=msg_appr_blogpost 

Quo vadis: de Roma à atualidade

Quo vadis: de Roma à atualidade

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O movimento espírita requer alguns estudos e reflexões. Afinal de contas deve representar ação e uma dinâmica de avaliação continuada, sendo sempre válidas indagações como: o que pretendemos? para onde vamos?

Allan Kardec faz considerações amplas e lúcidas sobre a questão da revelação em A Gênese e com significativa colocação: "[…] o que caracteriza a revelação espírita é que a sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos espíritos e que a elaboração é o fruto do trabalho do homem.”1

Aí se incluem algumas situações identificáveis em instituições espíritas de nossos dias à vista das alterações legais em nosso país nos últimos 30 anos e do contexto em geral.

Torna-se cabível também uma releitura do quase septuagenário “Pacto Áureo” para se verificar se suas cláusulas permanecem aplicáveis no cenário do movimento espírita atual.2

Como cidadãos do século XXI, observamos que no mundo dinâmico em que vivemos sucedem-se mudanças e inovações. Especialistas em gestão e transformações recomendam a valorização de novos talentos, nova cultura e novas formas de fazer as coisas, inclusive não se desprezando receios e preocupações.3

Todavia ao se analisar a atualidade torna-se interesse se conhecer a trajetória dos primeiros tempos do cristianismo realizando-se algumas analogias com o movimento espírita.4

Interessante é que na história do cristianismo nascente, há o registro do ex doutor da Lei Saulo de Tarso, que ao visitar a Casa do Caminho após sua conversão sentiu-se: “[…] torturado pela influência judaizante. Tiago dava a impressão de reingresso, na maioria dos ouvintes, nos regulamentos farisaicos. Suas preleções fugiam ao padrão de liberdade e do amor em Jesus Cristo.”5 Saulo de Tarso optou em deixar a tradicional e pioneira ecclesia de Jerusalém, iniciando sua grande tarefa de divulgador do Evangelho. Ao comentar a vida e obra de Paulo, Herculano Pires destaca a posição clara e marcante do Apóstolo: "Ele libertava a religião da política e do negócio. Para ele, a religião tinha que ser vivida em si mesma e vivida com toda a independência moral". A propósito de trecho de Atos sobre “muitos milagres e prodígios entre o povo pelas mãos dos apóstolos” o autor aponta que ali se encontra "uma das mais belas confirmações evangélicas da realidade e da verdade do Espiritismo e das suas práticas como continuação do cristianismo em espírito e verdade aqui na terra."6

Em portentosa obra, hoje raríssima, o ex-presidente da FEB Leopoldo Cirne faz ricas apreciações em Antichristo. Senhor do Mundo, tendo dois subtítulos: “O Espiritismo em falência” e “A obra cristã e o poder das trevas”, publicada no Rio de Janeiro em 1935.7 Cirne considera que o Cristo empreende a obra de educação e redenção da humanidade e raciocina: “o princípio oposto – de separatividade e de egoísmo – que forma o substrato da natureza inferior do homem e constitui, na quase totalidade da espécie humana, o motivo preponderante de seus atos e impulsos? […] esse princípio deverá chamar-se o Anticristo. Somos todos assim, enquanto consentimos em nós o predomínio do egoísmo com todos os seus derivados – ambição, vaidade, orgulho – e pelejamos denodadamente pela obtenção e acréscimo dos bens, posições e vantagens pessoais, com sacrifício dos outros e violação da lei de solidariedade…”7

Evidentemente que o conceito e a prática de religião determinam diferenças de comportamentos e a origem de eventuais problemas de relacionamento em geral. Nessa relação entre essência de proposta religiosa e institucionalização, entendemos como oportuna a reflexão nesses comentários do autor espiritual Emmanuel: "As instituições humanas vivem cheias de códigos e escrituras. Os templos permanecem repletos de pregações. Os núcleos de natureza religiosa alinham inúmeros compêndios doutrinários. O Evangelho, entretanto, não oculta os propósitos do Senhor. Toda a movimentação de páginas rasgáveis, portadoras de vocabulário restrito, representa fase de preparo espiritual, porque o objetivo de Jesus é inscrever os seus ensinamentos em nossos corações e inteligências. Poderemos aderir de modo intelectual aos mais variados programas religiosos, navegarmos a pleno mar da filosofia e da cultura meramente verbalistas, com certo proveito à nossa posição individual, diante do próximo; mas, diante do Senhor, o problema fundamental de nosso espírito é a transformação para o bem, com a elevação de todos os nossos sentimentos e pensamentos. O Mestre escreverá nas páginas vivas de nossa alma os seus estatutos divinos.”8

Daí o valor de se recorrer ao pensamento do Codificador. Kardec se refere ao “laço moral” e detalha o real caráter religioso do Espiritismo.9 A fundamentação em obras do Codificador Allan Kardec e textos sobre união psicografados por Chico Xavier são poderosos antídotos a deturpações que podem grassar no movimento espírita. Com base no relacionamento proposto pelo cristianismo fica mais fácil o entendimento do raciocínio de Emmanuel: “Pensa um pouco e entenderás que é sempre muito fácil ajuntar os interesses da Terra e fazer a união para o bem da força, mas apenas entesourando as qualidades do Cristo na própria alma é que nos será possível, em verdade, fazer a união para a força do bem.”10

A nosso ver é oportuna a lembrança de conhecida frase latina: Quo vadis?, que significa "Para onde vais?" ou "Aonde vais?". Teria surgido em um relato considerado apócrifo conhecido como "Atos de Pedro", quando o apóstolo estaria tentando fugir de um provável sacrifício em Roma. Jesus teria aparecido a ele e pergunta: Quo vadis? Em seguida Jesus também responde: "Vou a Roma para ser crucificado de novo". Pedro teria desistindo da fuga e retornado a Roma onde foi sacrificado. A frase latina e o episódio citado ficaram imortalizados no filme cinematográfico americano épico “Quo vadis” de 1951.

A propósito, há uma frase parecida registrada pelo apóstolo João: “Agora que vou para aquele que me enviou, nenhum de vocês me pergunta: Para onde vais?“11

O tema “união dos espíritas” é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e o futuro do movimento espírita. O movimento espírita deve considerar a indagação “Para onde vais” e alinhar propostas e ações –- que efetivamente visem facilitar-se a disseminação dos ensinos do “Espírito da verdade”. Portanto é pertinente a questão para o movimento e a união dos espíritas – para onde vamos?

Referências:

1) Kardec, Allan. Trad. Sêco, Albertina Escudeiro. A gênese. 3.ed. Cap. I, item 13. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 2010.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? 1.ed. Capivari: Ed. EME. 2018. 144p.

3) Immelt, Jeffrey R. Na liderança da transformação. Harvard Business Review. Setembro de 2017.

4) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais: aspectos históricos e visão espírita. Matão: O Clarim [no prelo].

5) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. Ed. Esp. Brasília: FEB, 2012. 488p.

6) Pires, José Herculano. Org. Arribas, Célia. O evangelho de Jesus em espírito e verdade. 1.ed. Cap. 15. São Paulo: Editora Paidéia. 2016.

7) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo, Espiritismo e o Anticristo. Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCII. No. 9. Outubro de 2017. P. 474-477.

8) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Vinha de luz. 1.ed.esp. Cap. 81. Brasília: FEB. 2005.

9) Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Ano XII. FEB. 2005.

10) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Seara dos médiuns. 19.ed. Cap. 46. Brasília: FEB. 2008.

11) João 16, 5.

(*) – Ex-presidente da FEB e da USE-SP.

Transcrição de: Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIII. No. 4. Maio de 2018; acesso: https://www.oclarim.org/oclarim/materias/5737/revista/2018/Maio/-quo-vadis-de-roma-a-atualidade.html

Espíritas por um Mundo Melhor

Espíritas por um Mundo Melhor

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Na noite do dia 24 de abril, ocorreu a Solenidade Espíritas por um Mundo Melhor, no Auditório Prestes Maia da Câmara Municipal de São Paulo.

A família espírita da cidade de São Paulo tem história e tradição nobilitante.

O líder pioneiro António Gonçalves da Silva (1839-1909), conhecido como Batuíra, aos 6 de Abril de 1890, restabeleceu o Grupo Espírita Verdade e Luz que havia muito "se achava adormecido". Adquiriu então uma pequena tipografia, destinada a divulgação e propagação do Espiritismo, editando a publicação quinzenal "Verdade e Luz. Era também médium curador, sendo centenas as curas de caráter físico e espiritual que obtinha ministrando água fluidificada e aplicando passes. O local onde residiu e funcionaram instituições por ele criadas passou a ser conhecida como a rua do espírita e acabou tornando-se a atual Rua Espírita, no bairro Cambuci, próximo ao centro da Capital.

Contemporânea a ele destacou-se Anália Franco (1853-1919), professora, jornalista, poetisa e dedicada à filantropia. Fundou dezenas de escolas e asilos para crianças órfãs em várias cidades. Na cidade de São Paulo, fundou uma importante instituição de auxílio a mulheres e a região, antes afastada do centro, é hoje o bairro Jardim Anália Franco, onde também se situa o Shopping Anália Franco.

Aí estão logradouros públicos conhecidos da Capital paulista homenageando espíritas. Mas há dezenas de ruas com nomes de espíritas.

Muitas outras instituições surgiram na primeira metade do século XX. Destacamos também alguns fatos pioneiros paulistanos, como a fundação em 1937 da União das Mocidades Espíritas de São Paulo (UMESP), que foi um celeiro na preparação de lideranças e expositores; o histórico 1o. Congresso Espírita do Estado de São Paulo, em 1947, oportunidade em que foi fundada a USE; o Congresso Brasileiro de Unificação, efetivado em São Paulo, em 1948, germinando idéias de união dos espíritas e o documento “Proclamação aos espíritas”; a pioneira 1ª. Exposição do Livro Espírita, no centro da cidade de São Paulo, em abril de 1955; a magnífica comemoração pública do Centenário de O livro dos espíritos (abril de 1957); e, sem dúvida, as marcantes entrevistas de Chico Xavier na TV Tupi de São Paulo (1968, 1971, 1972).

Na citada solenidade da Câmara Municipal dezenas de instituições espíritas da Capital, principalmente filantrópicas, e lideranças espíritas foram homenageados. Houve homenagem especial à União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, que completou 70 anos de fundação no ano passado e conta com a união de cerca de 1.500 instituições espíritas.

Relação dos homenageados: União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE), Fundação Espírita André Luiz (FEAL), Júlia Nezu de Oliveira, Antonio Cesar Perri de Carvalho, Centro Espírita Caminheiros do Amor (CECA), Centro Espírita Luiza de Abreu Andrade, Livraria Allan Kardec Editora (LAKE), Grupo Espírita Manoel Bento (GEMB), Núcleo Assistencial Bezerra de Menezes (NABEM), Centro Espírita Casa Branca do Caminho, Sociedade de Estudos Espíritas 3 de Outubro, Congregação Espírita Maria Benta, União dos Delegados Espíritas de São Paulo (UDESP), Centro Espírita Nosso Lar – Casa André Luiz, Grupo Espírita Casa do Caminho (GECC), TV Mundo Maior, Rádio Boa Nova, Antonio Bartolomeu Cruzera, José Damião, Joel Beraldo, José Carlos de Lucca, Edelso da Silva Jr., Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro (CCDPE).

Realmente desde o final do século XIX, um contingente imenso de seareiros atuaram e atuam na base do movimento espírita e próximos à comunidade na Capital paulista, e, no conjunto fazendo juz ao tema do evento: Espíritas por um Mundo Melhor.

Todos receberam um Diploma e o vereador que presidiu a Solenidade recebeu um exemplar de "O livro dos espíritos", ofertado pela USE-SP. Ocuparam a mesa e a tribuna, o vereador proponente Gilberto Natalini; a presidente da USE-SP Júlia Nezu de Oliveira; Antonio Cesar Perri de Carvalho, como ex-presidente da USE-SP e da FEB; e Afonso Moreira Júnior, um dos organizadores da Solenidade. Em sessão que durou quase duas horas houve destaque para o trabalho dedicado ao bem empreendido pelos espíritas. Ocorreram apresentações musicais da Guarda Civil Metropolitana e artistas convidados. O público era numeroso, incluindo familiares e amigos dos homenageados. O evento foi filmado pela Câmara, TV Mundo Maior e contou com presença de vários repórteres.

Informações:

http://grupochicoxavier.com.br/camara-municipal-de-sao-paulo-homenageia-espiritas/;

http://www.camara.sp.gov.br/blog/entidades-espiritas-ganham-homenagens-por-boas-iniciativas/#.WuKImOk9Nsk.facebook

(*) – Foi presidente da USE-SP e da FEB.

O “apelo” e a “advertência” aos pais

O “apelo” e a “advertência” aos pais

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Com o título Apelo aos pais foi editado pelo Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas, livro que aborda assuntos como: pais e filhos, jovens, união conjugal, suicídio infantil, adoção, rejeição paterna, dinheiro e outros; autoria de Clara Lila González de Araújo.

No prefácio da obra destacamos: "o livro editado pelo Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas (SP), enriquece a literatura espírita com análises e reflexões que, sem dúvida, devem merecer a atenção e o estudo por parte dos pais, educadores e colaboradores dos centros espíritas."(1)

A autora Clara Lila comenta que a palavra “apelo”, escolhida como título para a obra citada, “sugere alerta, convocação, urgência, como a chamar os pais, as mães e os filhos, os educadores, os evangelizadores, e demais espíritas, entrevendo suas possibilidades de analisar as contendas familiares e meditar sobre os seus prováveis desfechos.”(1)

Numa época de muitos afazeres e compromissos dos pais, as crianças nem sempre contam com a presença e o apoio direto e continuado de seus responsáveos, daí a oportunidade do “apelo”.

Por oportuno, lembramos que Bezerra de Menezes emprega a palavra “advertência”. Em “Advertência aos pais de família” incluída em A família espírita, este espírito afirma em mensagem de 26/01/1964: “Patrocinando, pois, um ensaio lítero-doutrinário-evangélico para auxílio às mães e aos pais de família, durante as noites de serão no lar, onde o Evangelho do Senhor e seus benefícios ao indivíduo e à sociedade serão ministrados e examinados, eu o faço no cumprimento dos próprios deveres para com o Consolador […] Que tão belos serões renovadores do lar e dos corações obtenham êxito na boa educação da infância e dos iniciantes em geral, é o meu desejo. […] Estas páginas, porém, foram escritas de preferência para os adultos de poucas letras doutrinárias e não propriamente para crianças, visto que para ensinar a Doutrina Espírita aos filhos é necessário que os pais possuam noções doutrinárias, um guia, um conselheiro que lhes norteie o caminho a seguir.”(2)

Entre 2013 e 2014, durante nossa gestão na FEB, foram publicados quatro volumes inéditos de Yvonne do Amaral Pereira: A família espírita, Evangelho aos simples, As três revelações, Contos amigos, que constituem uma série de obras voltada à família, a crianças e jovens e à reunião do Evangelho no lar. Estes livros foram elaborados pela médium entre 1964 e 1971 e contam com mensagens de Bezerra de Menezes.

Como Introdução de As três revelações o mesmo orientador espiritual em mensagem de 3/10/1967, comenta: “será bom que o espírita zele por suas crianças, preparando possibilidades futuras para a sua salvaguarda moral-espiritual. Erro será supor que a infância moderna se choque frente à verdade espírita e à transcendência evangélica.”(3) Yvonne Pereira comenta na apresentação de Evangelho aos simples, que não há a “pretensão de se impor à instrução doutrinária da criança, senão o desejo sincero de auxiliar uma tarefa espinhosa, que está a requerer de cada adepto do Espiritismo atenções urgentes e dedicações ilimitadas.”(4)

O conjunto dessas quatro obras de Yvonne A. Pereira constitui um formidável repositório para utilização em várias situações da difusão dos princípios espíritas, facilmente adaptáveis para diversas faixas etárias e sociais e se enquadrando em distintos contextos para o ensino espírita.

A nosso ver, essas obras de Yvonne podem servir de roteiro ou texto básico não apenas para as reuniões com crianças e adolescentes e de Evangelho no lar, mas também em reuniões com adultos, notadamente em ambientes cujo público alvo seja constituído de pessoas mais simples.

Emmanuel destaca que: “A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter.”(5)

Realmente, numa época tão complexa, urge o “apelo” e a “advertência” aos pais de família!

Referências:

1) Araújo, Clara Lila González. Apelo aos pais. Campinas: Ed. CEAK. 2018. 278p.

2) Pereira, Yvonne Amaral. A família espírita. Brasília: FEB. 2013. 117p.

3) Pereira, Yvonne Amaral. As três revelações. Brasília: FEB. 2014. 213p.

4) Pereira, Yvonne Amaral. Evangelho aos simples. Brasília: FEB. 2013. 101p.

5) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. O consolador. Questão 110. Brasília: FEB. 2013.

 

(*) – Foi presidente da FEB e da USE-SP.

Abril Espírita

Abril Espírita

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Em muitos órgãos legislativos, municipais e estaduais, há comemorações em homenagem aos espíritas, em torno do dia 18 de abril. Multiplicam-se pelo país as semanas, meses espíritas, seminários e palestras.

A data de nascimento do Espiritismo é o dia 18 de abril, pois no ano de 1857, Allan Kardec publicou O livro dos espíritos, a obra inicial e fundamental da Doutrina dos Espíritos!

No ano seguinte, em abril de 1858, Allan Kardec funda o primeiro centro espírita do mundo: a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em abril de 1864, vem a lume a obra O evangelho segundo o espiritismo.

Saindo da esfera do Codificador, entre muitas efemérides, lembramos: 11/4/1900 – desencarnação de Bezerra de Menezes; 2/4/1910 – nascimento de Francisco Cândido Xavier; 12/4/1927 – desencarnação de Léon Denis. Apenas citando alguns homenageados em abril, já temos material extremamente farto para se pensar e planejar ações de difusão do Espiritismo e de estímulo à leitura.

E o dia 18 de abril costuma ser o balisador para as comemorações com eventos alusivos ao livro espírita!

As Obras Básicas de Kardec devem ser a base para o funcionamento das instituições espíritas.

Daí a oportunidade da Campanha Comece pelo Começo, instituída pela USE-SP desde 1975. Os livros de Léon Denis e seus exemplos de vida consubstanciam o epíteto de “continuador de Kardec”.

A história de vida de Bezerra de Menezes, seus livros como encarnado, e outros assinados pela psicografia de Chico Xavier são destacado repositório dignificando o bem.

Chico Xavier é um verdadeiro “divisor de águas” no movimento espírita brasileiro, com monumentais obras psicográficas e prolongada dedicação ao próximo, mantendo “fidelidade a Jesus e a Kardec”.

A nosso ver, as lembranças alusivas à fundação do primeiro centro espírita do mundo, devem se constituir em alavancas de estímulo ao compromisso de se divulgar e estudar as marcantes obras espíritas citadas.

O movimento espírita necessita revisitar as Obras Básicas e aquelas Complementares, mais clássicas e fundamentais, como vistas ao compromisso de se manter o rumo definido pelo Codificador.

O mês de Abril, com tantas efemérides significativas, deve ser um estímulo para o estudo, reflexões e a difusão espírita!

(*) – Foi presidente da USE-SP e da FEB.