25 anos da Campanha “Viver em família”

25 anos da Campanha “Viver em família”

No ambiente familiar deve ocorrer não apenas a reunião do Evangelho no lar, mas o esforço pela vivência dos postulados espíritas e cristãos

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A Campanha “Viver em Família” completa 25 anos de lançamento, tendo por slogan “O melhor é viver em família. Aperte mais esse laço”.

Logo depois que assumimos a presidência da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, no segundo semestre de 1990, já se iniciava uma reunião de estudos sobre temas da família, e, que era coordenada pela nossa esposa Célia Maria Rey de Carvalho, contando com um grupo de colaboradores. Adotava-se uma programação que iniciamos com a esposa, poucos anos antes no Centro Espírita Luz e Fraternidade, de Araçatuba (SP).

O programa de estudo concretizado na sede da USE-SP foi a origem do livro Família & espiritismo, editado pela USE-SP, preliminarmente lançado como um opúsculo.1

No ano de 1992, durante reunião da diretoria da USE-SP, os companheiros Sander Salles Leite e Joaquim Soares informaram que a Organização das Nações Unidas-ONU, preparava-se para promover o "Ano Internacional da Família", em 1994 – com o objetivo de "contribuir para construir a família, a menor democracia no coração da sociedade"2 -, e que a USE-SP que havia promovido a "Campanha Integração da Família", em 1980, e que realizava reuniões de estudo e publicações sobre o tema, deveria apresentar uma proposta sobre o tema para o Conselho Federativo Nacional da FEB.

De fato, a USE-SP apresentou uma proposta de Campanha sobre Família na reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, em novembro de 1992. Foi formada uma Comissão que foi incumbida de elaborar uma proposta para a reunião do CFN da FEB do ano seguinte, integrada por representantes de São Paulo: Antonio Cesar Perri de Carvalho e Célia Maria Rey de Carvalho; Rio de Janeiro: Gerson Simões Monteiro e Lydiênio Barreto de Menezes: FEB: Nestor João Masotti e Paulo Roberto Pereira da Costa; havendo assessoria de Merhy Seba (SP). Assim, surgiu a proposta da Campanha "Viver em Família", a qual foi aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB em suas reuniões de novembro de 1993.

No final deste evento, à noite, houve o lançamento no Auditório do Senado Federal, em mesa integrada pelo senador Coutinho Jorge, espírita do Pará; pela FEB, o presidente Juvanir Borges de Souza, vice-presidentes Cecília Rocha, Nestor João Masotti e Altivo Ferreira; presidentes de Federativas Estaduais: Antonio Cesar Perri de Carvalho (SP), Jonas da Costa Barbosa (Pará), e mais alguns parlamentares.

O lançamento nacional da Campanha "Viver em Família" ocorreu em São Paulo, no dia 29 de janeiro de 1994, com realização da USE-SP na sede do Centro Espírita Nosso Lar, sendo desenvolvido o Seminário “Formação de equipes para a Campanha”. A mesa de instalação do evento foi integrada por: vice-presidentes da FEB Nestor João Masotti e Altivo Ferreira; Paulo Roberto Pereira da Costa, coordenador da Comissão Operacional da Campanha “Viver em Família” do CFN da FEB; Antonio Cesar Perri de Carvalho, presidente da USE-SP; Gerson Simões Monteiro, presidente da USEERJ; Teodoro Lausi Sacco, presidente da FEESP; Célia Maria Rey de Carvalho, Coordenadora da Campanha para o Estado de São Paulo; Ivan René Franzolim, presidente da Associação dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo; e Irinéia Terra, representante do C.E. Nosso Lar. Divaldo Pereira Franco proferiu a palestra de abertura. Seguiu-se o seminário desenvolvido durante o dia 30 de janeiro de 1994. Este evento marcante originou o livro Laços de família, editado pela USE-SP.2

A Comissão Estadual desta Campanha em São Paulo coordenada por Célia Maria Rey de Carvalho promoveu vários eventos em todo o Estado. Um seminário em nível estadual, promovido pela USE-SP gerou um outro livro: A família, o espírito e o tempo, editado pela USE-SP.3

Fato de máxima importância é que a família deve contar com um espaço integrado e conjunto no Centro Espírita, deixando-se de ser pulverizada – com barreiras etárias – apenas em reuniões específicas para crianças, jovens e adultos. E no ambiente familiar deve ocorrer não apenas a reunião do Evangelho no lar, mas o esforço pela vivência dos postulados espíritas e cristãos. Daí, as questões básicas de O livro dos espíritos: "Os laços sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam os laços sociais. Eis aqui porque os laços de família são uma lei natural. […] Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família? ̶ Uma recrudescência do egoísmo."4

E o comentário de Emmanuel: “A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. […] Como renovar os processos de educação para a melhoria do mundo? – As escolas instrutivas do planeta poderão renovar sempre os seus métodos pedagógicos, com esses ou aqueles processos novos, de conformidade com a psicologia infantil, mas a escola educativa do lar só possui uma fonte de renovação que é o Evangelho, e um só modelo de mestre, que é a personalidade excelsa do Cristo.”5

A propósito do momento do Evangelho no lar, recomenda Bezerra de Menezes: “Que tão belos serões renovadores do lar e dos corações obtenham êxito na boa educação da infância e dos iniciantes em geral, é o meu desejo.”6 Na literatura espírita – além das obras citadas -, há muitos subsídios para se estudar e analisar os temas sobre família.

Passados 25 anos do lançamento da Campanha “Viver em Família”, o cenário em que vivemos solicita muita atenção para o cultivo dos valores familiares. O momento requer a implementação do slogan da Campanha, inspirado em O livro dos espíritos: “O melhor é viver em família. Aperte mais esse laço”!

Referências:

1) Carvalho, Célia Maria Rey (Org.). Família & espiritismo. 6.ed. São Paulo: USE. 231p.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri (Org.). Laços de família. 8.ed. São Paulo: Ed. USE. 150p.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri (Org.). A família, o espírito e o tempo. 1.ed. São Paulo: USE. 140p.

4) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Questões 774 e 775. Brasília: FEB.

5) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. O consolador. 29.ed. Questões 110 e 112. Brasília: FEB.

6) Bezerra de Menezes. Advertência aos pais. In: Pereira, Yvonne Amaral. A família espírita. 1.ed. Brasília: FEB. 117p.

Ex-presidente da FEB e da USE-SP.

De: Revista internacional de espiritismo. Ano 93. N.10. Novembro de 2018. P. 544-546.

Resgates da História do Espiritismo na França. II. Aparecimento da União Espírita Francesa

Resgates da História do Espiritismo na França. II. Aparecimento da União Espírita Francesa

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Oportuna publicação digital foi editada por Autores Espíritas Clássicos reunindo os discursos e decisões registradas nas Atas das reuniões ocorridas entre 24 de dezembro de 1882 e 15 de janeiro de 1883, relacionadas com a fundação da Union Spirite Française.1 A apresentação é de Alexandre Delanne, o grande amigo de Allan Kardec, que comentou: “Os princípios de nossa filosofia foram reunidos, como vós o sabeis, em corpo de doutrina por nosso mestre que nos faz muita falta, Allan Kardec: foi preciso seu gênio e a cooperação do mundo invisível para espalhar-se tanto e tão rápido, nas massas, nossas ideias tão justas, tão consoladoras e tão grandes. Sua partida da terra foi uma perda bem sensível para seus adeptos e um grande prejuízo no desenvolvimento de nossa doutrina. Desde sua morte, com efeito, o espiritismo, nós o constatamos, diminuiu sua marcha.” E cita como causa a guerra franco-prussiana e a dispersão dos espíritas, perdendo a “unidade no estudo”.1

Marcantes discursos foram feitos por Gabriel Delanne e por Léon Denis, este com apelo caloroso à união e à concórdia. O Estatuto da União Espírita Francesa define em seu Artigo 1o: “A união tem por objetivo o agrupamento de espíritas franceses, o estudo de todos os fenômenos espíritas, e a propagação da filosofia e da moral do espiritismo por todos os meios que as leis autorizam, e principalmente pela publicação de um jornal bimensal tendo por título: Le Spiritisme órgão da União Espírita Francesa.” A nova revista objetiva o ensino “conforme às ideias enunciadas por Allan Kardec, isto é simples, claro, e principalmente ao alcance dos novos adeptos, que não demandam senão a conhecer os costumes do mundo dos espíritos, a grande pátria a que nós devemos rever.”1

Treze anos após a desencarnação do Codificador, a publicação sobre a União Espírita Francesa registra momentos históricos sobre um ambiente de dissenção e de preocupações com a situação do Espiritismo. A fundação desta União foi reação às deturpações influenciadas por Leymarie junto à Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec e à Revista espírita. Da relação de 18 fundadores destacamos: Alexandre Delanne, Gabriel Delanne, Léon Denis, Berthé Froppo. Há grande número de assinaturas como membros da União e assinantes da nova revista. O apoio de Amélie Boudet, já nos últimos momentos de sua existência física, e o comprometimento dos fundadores da União Espírita Francesa, evidenciam que os genuínos amigos e seguidores de Allan Kardec eram idealistas e fiéis à sua obra.

Como uma síntese das últimas e complexas décadas do século XIX, foram reunidos artigos da época, da Revue Spirite e de Le Spiritisme, na publicação intitulada “Influenciações no espiritismo pós-Allan Kardec”, com tradução de Rogério Miguez (2018)2. Destacam-se textos de Henri Sausse, Berthe Fropo, Amélie Boudet, Gabriel Dellane, Léon Denis, Anna Blackwell, que tomaram a frente na defesa da Doutrina dos Espíritos. O tradutor ressalta “os informes de Henri Sausse e Berthe Fropo, quando desafiaram Pierre Leymarie a buscar a verdade sob a chancela de um Júri de Honra, que, ao que tudo indica, não foi aceito. Pois, quem está seguro do que diz, não teme ir à justiça do homem para esclarecer os fatos, se preciso for, porquanto, a de Deus se fará inexoravelmente, mas com brandura e misericórdia.”2

O tradutor Miguez pondera que “de modo algum pretendemos julgar Pierre Leymarie, pois este julgamento pertence a Deus, nada obstante: informar o movimento sobre discussões antigas que interessam a todos; demonstrar como há uma dúvida consistente sobre quem fez alterações em A gênese; construir uma parte da História do Espiritismo, destacando personagens antigas que permaneciam na obscuridade e que tiveram capital importância no desenvolvimento e divulgação da Doutrina; e mais, despertar a curiosidade dos espíritas em saber quantas dificuldades surgiram após o desencarne de Allan Kardec, será sempre oportuno, saudável e recomendado àqueles procurando apenas a verdade e nada mais.”2

Em 1889 Paris sedia o 2º. Congresso Espírita e Espiritualista3, no ano seguinte ao do pioneiro evento realizado em Barcelona. A publicação das Atas do Congresso de Paris registra que este reuniu “as principais escolas espiritualistas: os Kardecistas, os adeptos de Swedenborg, os Teosofistas, os Cabalistas e os Rosacruzes.” Houve a presença de muitas celebridades. A sessão inaugural foi presidida por J. Lermina, assistido pelo filósofo Charles Fauvety, pela duquesa de Pomar, Marcus de Veze e Eugène Nus. O relator dos trabalhos era Dr. Encausse (Papus), um ocultista, dirigente da revista hermética A iniciação. Havia Comissões sobre o espiritualismo em geral, filosofia e questões sociais, ocultismo, propaganda. Esta última era presidida por Léon Denis, que logo despertou a atenção dos congressistas e seu primeiro discurso foi entrecortado de aplausos e já se revelava como um líder.3,4

Nesse Congresso ocorreram fortes desentendimentos sobre certos pontos da Doutrina Espírita, inclusive com interferências de Leymarie. Durante as discussões Denis apareceu como o mais seguro defensor da tese kardecista. O presidente do Congresso havia aceitado essa tese com restrição, pois a considerava apenas uma hipótese de transição entre o conceito cristão e o do futuro. Contrapondo-se ao presidente, referindo-se às pequenas escolas dissidentes, que já criticavam a obra de Allan Kardec, Denis afirmou:

“Tem-se esforçado, dizia ele, por divulgar, na França, um Espiritismo chamado positivista, uma doutrina seca e fria nada tendo de comum com o Kardecismo. […] Allan Kardec tem sido, dizem, muito cauteloso e deu motivo em sua obra para as idéias místicas e católicas. Não é exato. O Mestre defendeu o Cristianismo e não o Catolicismo. Allan Kardec manteve a moral evangélica porque ela não é somente a moral de uma religião, de um povo, de uma raça, mas porque é uma moral superior, eterna, que ela reconstruiu e haverá de reconstruir tanto as sociedades terrenas como as sociedades do Espaço.”4

A Revue spirite, informa o lançamento de A gênese, em 2018, conforme a 1a edição de 1868, e comenta: “Nesta ocasião, vários pesquisadores espíritas de todo o mundo (Uruguai, Argentina, Colômbia, Brasil, Estados Unidos e França) realizaram pesquisas sobre o assunto, às vezes independentemente uns dos outros, e todos eles estabeleceram que há uma dúvida legítima sobre a presente edição de A gênese, que está em conformidade com a 5a edição publicada em 1872, que é depois da desencarnação de Allan Kardec”5 (tradução livre do autor). E divulga: “A gênese, elaborada por Le Mouvement Spirite Francophone, feita conforme os textos das quatro primeiras edições, publicadas durante a vida do autor”; ou seja as edições feitas por Allan Kardec em 1868. Esta revista francofônica transcreve um capítulo do livro de Simoni Privato Goidanich6 vertido para o francês. A Revue spirite é uma continuação da Revista fundada por Allan Kardec em 1858, sendo órgão oficial do Conselho Espírita Internacional editada por Le Mouvement Spirite Francophone.

Na “Nota do Editor” da nova edição francesa de A gênese, comenta-se que “a análise das modificações mostram que numerosas passagens foram suprimidas na 5a edição, outras modificadas…”7

Alguns fatos referentes aos 20 anos subsequentes à desencarnação de Allan Kardec já apontam momentos complexos vividos pelo Espiritismo na França e suas repercussões em vários países, e, que devem merecer reflexões em nossos dias.

(*) – Foi presidente da FEB e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional.

Referências:

1) Fundação da União Espírita Francesa. Trad. Ferreira Filho, Abílio. Ed.digital Autores Espíritas Clássicos, 2018: http://www.autoresespiritasclassicos.com

2) Influenciações no espiritismo pós-Allan Kardec – Artigos de Revue spirite e Le spiritisme. Trad. Miguez, Rogério. Ed.digital Autores Espíritas Clássicos, 2018: http://www.autoresespiritasclassicos.com

3) Compte rendu du Congres Spirite et Spiritualiste Internacional. Paris: Librairie Spirite. 1890. 454p: https://drive.google.com/file/d/1dOy1i0uMvzA7MPOKx00S5kx_NumibWuZ/view?usp=sharing

4) Luce, Gaston. Trad. Maillet, Miguel. Vida e obra de Léon Denis. São Paulo: Edicel. 1968. 240p.

5) Nouvelle édition de La Genèse selon le spiritisme. Revue spirite. 161e année. 1ème trimestre 2018. P. 36-42.

6) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE. 2018. 446p.

7) Kardec, Allan. La Genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme. 1.ed. Le Mouvement Spirite Francophone. 2018. 368p.

Extraído de: http://www.oconsolador.com.br/ano12/593/especial.html

Resgates da História do Espiritismo na França. I. Problemas da “Sociedade Anônima”

Resgates da História do Espiritismo na França. I. Problemas da “Sociedade Anônima”

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Os livros e periódicos espíritas brasileiros, trazem informações superficiais sobre o desenvolvimento do Espiritismo na França logo após a desencarnação de Allan Kardec, não necessariamente fundamentadas em pesquisas em fontes francesas e com replicagens de informações. Este cenário se altera com as facilidades da internet, com acesso direto a bibliotecas, coleções digitais de periódicos e de documentos. E, sem dúvida, as viagens internacionais tornaram-se mais fáceis.

Recentemente, têm surgido obras que resgatam cenários do Espiritismo na França ou, para o contexto da literatura mais divulgada no Brasil, de certa forma muito institucionalizada, podemos dizer que se está reescrevendo muitos episódios com base em fatos e documentos. Entre as produções recentes, citamos: Em Nome de Kardec, de Adriano Calsone1; Revolução Espírita: a teoria esquecida de Allan Kardec, de Paulo Henrique de Figueiredo2; O legado de Allan Kardec, de Simoni Privato Goidanich3, e o vídeo documentário “O espiritismo à francesa. A derrocada do movimento espírita francês pós-Kardec”4, com vários entrevistados. Há também edições digitais efetivadas pelo site Autores Espíritas Clássicos, com traduções de publicações francesas do século XIX.

Com base nestas obras pode-se conhecer melhor as dificuldades vivenciadas pelos seguidores e pela viúva de Allan Kardec, após a desencarnação deste em 1869. Importante contribuição foi a divulgação da brochura Beaucoup de lumière, de Berthe Fropo (Paris, 1884)5. Esta passou despercebida até a Biblioteca Nacional da França digitalizá-la e colocá-la ao alcance de todos. Traduzida como Muita luz é um subsídio precioso para a melhor compreensão dos percalços para a propagação do Espiritismo após a desencarnação do Codificador. Berthe Fropo aborda o ponto crucial do desvirtuamento doutrinário ocorrido no movimento espírita francês pós-Kardec, apresentando nomes dos que não agiam fielmente ao Codificador, dados em letras e cifras, já que o caso estava envolto em uma grave “questão financeira”. Seu livro é uma espécie de dossiê, um libelo público contra os dirigentes do Espiritismo de então e um apelo para os "espíritas sinceros" para, no discurso da autora, não aceitarem as ações dos “confrades desleais”. A autora destaca Pierre-Gaëtan Leymarie, editor-chefe da Revista Espírita, e também, na prática, o "chefe" da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, embora a presidência fosse formalmente ocupada pelo Sr. Vautier, que também ocupava o cargo de tesoureiro da instituição. O apelo de Fropo, em oposição a Leymarie e outros, apontando atividades das mais nocivas aos ideais do Espiritismo, minando-o pela base, culmina na fundação de uma nova instituição, a União Espírita Francesa, e do jornal Le Spiritisme que representaria a "autêntica Doutrina dos Espíritos".5

Gabriel Delanne e Berthe Fropo assumiram, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da União Espírita Francesa. Houve estímulo em mensagens assinadas pelo espírito Allan Kardec, obtidas em várias sessões mediúnicas realizadas na residência da viúva do Codificador, em Villa Ségur. Com a concordância de Amélie Boudet, Gabriel Delanne e Berthe Fropo é lançado um plano doutrinário para se revitalizar a divulgação das obras de Kardec, que havia sido comprometida por Leymarie, que agia sob a influência de outros pensamentos, como a do Roustainguismo e mais intimamente a da Teosofia de Madame Blavatsky e do Coronel Olcott.5

Oportuna pesquisa, El legado de Allan Kardec, de Simoni Privato Goidanich foi editada e lançada pela Confederação Espírita Argentina, em Buenos Aires, em 2017. Em março de 2018 a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo lançou a edição em português da referida obra.3 Simoni Privato Goidanich trata dos momentos significativos dos 10 anos após o lançamento de O livro dos espíritos; os papéis desempenhados por Léon Denis e Gabriel Delanne e o relacionamento de ambos com Kardec; os episódios sobre as primeiras edições francesas de A gênese; e a desencarnação do Codificador. Em seguida, aborda as questões legais sobre o nome e o pseudônimo de Kardec; a fundação da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec; comenta o chamado “o ano terrível” (1872), relacionado com o lançamento da 5a edição de A gênese designada como “revisada, corrigida e aumentada”; o “processo dos espíritas” envolvendo Leymarie; os cerceamentos inflingidos à Amélie Boudet e sua desencarnação; a queima de arquivos e documentos da viúva de Kardec; o alerta do biógrafo de Kardec, Henri Sausse – “Uma infâmia” – apontando 126 alterações de texto na 5a edição de A gênese; as nefastas deturpações executadas por Leymarie em instituições e na Revista Espírita; as lutas e propostas renovadoras de Gabriel Delanne e León Denis e a fundação da União Espírita Francesa.

No livro de Simoni ficaram evidentes as alterações de propósitos da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, depois transformada por Leymarie em Sociedade Científica do Espiritismo, e, também na linha editorial da Revista Espírita: “as páginas estavam cada vez mais ocupadas com artigos sobre teosofia […] Estabeleceu-se um vínculo da Sociedade Teosófica com a Sociedade de Estudos Psicológicos e a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.3 No contexto de deturpações e polêmicas, as edições francesas de A Gênese, a partir da 5a edição de 1872 (aquela “revisada, corrigida e aumentada”) é que foram autorizadas traduções para diversos países, por Leymarie – como redator-chefe e diretor da Revue Spirite (1870 a 1901), gerente da Librairie Spirite (1870 a 1897) e presidente da Sociedade Anônima -, inclusive para o Brasil, primeiramente para Joaquim Carlos Travassos em 1875, e depois para Bezerra de Menezes, como presidente da FEB, em 1897.

Por outro lado, Simoni mostra que o pioneiro e líder espanhol José María Fernández Colavida traduziu e publicou a 2a edição de A Gênese, de 1868, em Barcelona (Espanha), mantendo-se fiel à edição de Kardec.3

Simoni comprova que até a desencarnação de Kardec ocorreram quatro edições de A Gênese, e que um único exemplar deste livro foi depositado legalmente durante a existência física de Allan Kardec na Biblioteca Nacional da França. Portanto, o Codificador não modificou o conteúdo da obra. Na época, o Ministério do Interior fiscalizava as publicações, pois a França vivia momentos políticos tensos durante o reinado de Napoleão III.3

(O artigo prossegue em edição próxima)

(*) – Foi presidente da FEB e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional.

Referências:

1) Calsone, Adriano. Em Nome de Kardec. 1.ed.. Atibaia: Ed. Vivaluz. 2015. 288p.

2) Figueiredo, Paulo Henrique. Revolução Espírita: a teoria esquecida de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: Ed. MAAT. 2016. 640 p.

3) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE. 2018. 446p.

4) Lopes, Ery. Espiritismo à francesa. A derrocada do movimento espírita francês pós-Kardec. Vídeo. São Paulo: Luz Espírita. 2018: https://www.youtube.com/watch?v=Ywf8Ftu2eUo

5) Fropo, Berthé. Trad. Lopes, Ery & Miguez, Rogério. Muita luz. Ed.digital Autores Espíritas Clássicos, 2017: http://luzespirita.org.br/leitura/pdf/L158.pdf

Extraído de Revista digital O Consolador:

http://www.oconsolador.com.br/ano12/592/principal.html

“O Evangelho segundo o Espiritismo” não incluído no “Pacto Áureo”

O Evangelho segundo o Espiritismo não incluído no “Pacto Áureo”

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Estudos e entrevistas que realizamos ao longo de alguns anos nos estimularam à elaboração do livro União dos espíritas. Para onde vamos? (Ed. EME, 2018)1 e, mais recentemente, à preparação da palestra de abertura do Encontro promovido pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo para comemoração – nos dias 20 e 21 de outubro de 2018 -, dos 70 anos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita (São Paulo, 1948).2,3

Os Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita4 contém riquíssimo material de estudo e propositivo elaborado por notáveis líderes espíritas vinculados ao movimento espírita de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e do antigo Distrito Federal.

Como repercussão das teses aprovadas houve rejeição por parte da direção da Federação Espírita Brasileira da época.

Todavia, vários dos protagonistas do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, por estarem no Rio de Janeiro participando do Congresso da CEPA, repentinamente, foram recebidos pelo presidente da FEB. E num dia e meio, sem prévia preparação aconteceu a reunião que ficou conhecida como a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, também chamado “Acordo de Cavalheiros” e cognominado por Lins de Vasconcellos como “Pacto Áureo” e se constituiu no Acordo de Unificação do Movimento Espírita Brasileiro. Na oportunidade, o presidente da FEB Wantuil de Freitas, em nome da Diretoria da FEB, apresentou outra proposição, contendo dezoito itens, sintetizando os princípios sobre os quais poderiam assentar-se a União e a Unificação do Movimento Espírita, além de detalhamento de providências complementares para o funcionamento do Acordo.1,5

O Acordo foi assinado no dia 5/10/1949 na sede da FEB, “ad referendum” das Entidades cujos dirigentes estavam presentes, pois essa reunião não havia sido planejada e mesmo porque o tempo da reunião foi extremamente exíguo para se tratar de temas tão complexos.

Pelas reações ocorridas em São Paulo logo após o evento, e por declarações de alguns protagonistas, sabe-se que prevaleceu um gesto de boa vontade, mas com a expectativa de um futuro aprimoramento do documento.1,5

Esse aprimoramento ou revisão que não ocorreu, faz falta com vistas ao atendimento do cenário atual do movimento espírita.

A primeira questão a ser levantada é sobre o Artigo 1o do “Pacto Áureo”: “Cabe aos Espíritas do Brasil porém em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo.”

E o outro relacionado à fundamentação, é que apenas no Artigo 12o cita-se duas obras de Allan Kardec: “As Sociedades componentes do Conselho Federativo Nacional são completamente independentes. A ação do Conselho só se verificará, aliás, fraternalmente, no caso de alguma Sociedade passar a adotar programa que colida com a doutrina exposta nas obras: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, e isso por ser ele, o Conselho, o orientador do Espiritismo no Brasil.”

A citação do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, desde aquela época gerou controvérsias. Independentemente do conteúdo da obra há várias especulações ligadas ao fato de que se trata da única obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier que faz citação nominal de um autor não aceito pela ampla maioria dos espíritas brasileiros.1

Aí surgem indagações óbvias: Por quê os proponentes do Acordo de união que foram participar do 2º Congresso da CEPA levando a tese “Prevalência do Espiritismo Religioso”, e a própria FEB deixariam de citar o livro O evangelho segundo o espiritismo, a obra espírita mais lida e comercializada no Brasil? Por quê no citado Acordo não estão relacionadas todas Obras Básicas de Allan Kardec?1

Fato digno de nota é que Francisco Cândido Xavier, não podendo comparecer ao citado Congresso Brasileiro enviou mensagem assinada pelo espírito Emmanuel com o título: "Em nome do Evangelho", incluída nos Anais do Congresso.1,2,3,4,5

À vista disso consideramos que no caso de uma revisão do "Pacto Áureo" ou na elaboração de um acordo de união novo, e sem nenhum juízo do conteúdo geral do livro, seja removida a referência à obra Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, bem como de apenas duas obras do Codificador, substituindo pela citação completa das Obras Básicas de Allan Kardec.1,2,3

Pelo menos em tempos mais recentes seria uma total incoerência, pois até nas recomendações de Estatutos para os centros espíritas, em geral, há a indicação como Artigo 1º, por exemplo:

“O Centro Espírita … fundado em … , neste Estatuto designado “Centro”, é uma organização religiosa, com duração indeterminada e sede na cidade de … , no endereço … , e que tem por objeto e fins: I – o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos os seus aspectos, com base nas obras de Allan Kardec, que constituem a Codificação Espírita.”1

Depois de analisar o “Pacto Áureo” item a item em nosso livro União dos espíritas. Para onde vamos?, concluímos:

“Em nosso entendimento e experiência, com os apontamentos acima expressos, o texto do “Pacto Áureo” está superado. Imaginemos um dirigente que, ao ler o citado documento, resolva colocar em prática “ao pé da letra” o que está definido em seus artigos. O “Pacto Áureo” é um importante referencial histórico, mas não é mais aplicável na atualidade.”1,2,3

Mesmo se considerando várias ações encetadas pelo CFN da FEB para se divulgar Allan Kardec, como a Campanha Comece pelo Começo, aprovada em novembro de 2014, não se pode olvidar que o “Pacto Áureo”, com a questão doutrinária que destacamos e vários itens defasados, ainda é uma norma vigente. Há necessidade de se rediscutir e se refazer o “Pacto Áureo”!

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? 1.ed. Capivari: Ed. EME. 2018. 144p.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. 70 ANOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA – HISTÓRICO. Texto da palestra em edição digital: http://www.usesp.org.br/Associacao/Documentos; Depois clique em DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA, que contém o arquivo: Palestra – Comemorações dos 70 anos do 1o CBUE.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. 70 ANOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA – HISTÓRICO. Vídeo. Link: https://www.youtube.com/watch?v=oZVb7MfxejQ

4) Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita. São Paulo: USE. 191p. Edição em versão digital AEC/USE: http://www.usesp.org.br/Associacao/Documentos; Depois clique em DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA, que contém o arquivo: Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita.

5) Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE – 50 anos de unificação. São Paulo: USE. 1997. 335p.

(*) Foi presidente da USE-SP e da FEB.

COM A MEDIDA COM QUE MEDIRES SERÁS MEDIDO; TAL FALTA TAL PENA!

COM A MEDIDA COM QUE MEDIRES SERÁS MEDIDO; TAL FALTA TAL PENA!

José Reis Chaves (*)

Jesus nos julgará com penas justas, jamais, pois, com penas sempiternas ou sem fim. E, a respeito do significado da palavra grega e portuguesa palingenesia, de que muito já tratamos, ela significa reencarnação. E recomendamos aos comentaristas das matérias, no Portal de O TEMPO (www.otempo.com.br), que consultem os dicionários para se certificarem dessa verdade.

Palingenesia tem como sinônimos os termos retorno, renascimento e regresso, ou seja, o retorno ou regresso do espírito à nova vida no corpo duma criança que nasce. Assim sempre foi interpretada por muitos sábios do mundo, inclusive por Schopenhauer. E, nessa oportunidade, com todo o respeito ao dogma polêmico da ressurreição da carne, queremos ressaltar que a ressurreição é do espírito e não da carne. Então, não é ressurreição da carne, mas ressurreição do espírito na carne. “Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual.” (1 Coríntios 15: 44).

É lamentável a atitude dos teólogos tradutores da Bíblia, procurando sempre, ao longo dos séculos, adaptá-la aos dogmas que foram criados. Um exemplo disso é a adulteração do texto paulino de Tito 3: 5, onde a palavra palingenesia, que, como já dissemos, o seu significado é reencarnação, texto esse que foi truncado e no qual foi omitida essa apalavra que está nas traduções e cópias mais antigas, colocando-se no lugar dela o termo regeneração.

Mas essa falsificação não consiste exclusivamente da troca da palavra palingenesia pelos tradutores, para que o sentido do texto ficasse totalmente oculto, pois fizeram um diferente. Por oportuno, lembramos aqui que, hoje, não são mais somente os padres e pastores que estudam a Bíblia, mas também leigos independentes.

E vamos ao citado texto paulino que estamos comentando: "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da palingenesia (reencarnação) e da renovação do Espírito Santo." Isso aconteceu no passado ao sermos criados quando, portanto, ainda não havíamos realizado nem as más obras condenadoras nem as boas obras salvadoras. Mas, com o decorrer de nossas reencarnações, depois de nossa criação, aconteceu a nossa renovação pelo Espírito Santo ou nossa alma que habita em nós. “Acaso, não sabeis que sois santuário ‘de um’ e não ‘do’ Espírito Santo? (1 Coríntios 6: 19).

Mas isso foi adaptado à Terceira Pessoa Trinitária criada pelos teólogos dogmáticos alterando, pois, o seu significado verdadeiro. Observe-se, pois, que a nossa renovação e a consequente salvação (libertação) é feita pelo nosso Espírito Santo. E ele é chamado de santo, porque tudo que Deus cria é santo. E a nossa renovação ou regeneração desse nosso Espírito Santo ou alma é realizada pelas obras a serem feitas por nós, depois do momento de nossa criação.

Compete, pois, a nós fazermos a nossa parte durante as nossas existências terrenas. Por isso, somos sempiternos, temos inteligência, livre-arbítrio e temos também o código moral, a ser seguido por nós, isto é, o Evangelho de Deus Pai que nos foi trazido pelo seu Filho muito especial, o excelso Mestre Jesus. E é através desse código moral, que Jesus nos trouxe, que Ele se tornou nosso Salvador, isto é, o Salvador do mundo!

Sim, pois, é através da vivência do Evangelho que vamos sendo salvos ou condenados temporariamente, de acordo com a lei de causa e efeito, ou seja, semeando livremente o que quisermos, mas sendo obrigados a colher temporariamente o que tivermos semeado. “Porque importa que todos nós compareçamos ao tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Coríntios 5: 10).

Tal falta tal pena! Como se vê, existe o juízo final, mas há também os juízos provisórios, após as reencarnações, durante as quais ocorre, lentamente, a nossa regeneração, o que é a busca de nossa perfeição semelhante à de Deus, mas não igual à infinita de Deus!

(*) – https://www.facebook.com/JoseReisChavesEspiritismoeaBiblia/

Informação histórica do 1º Congresso de Unificação

Informação histórica do 1º Congresso de Unificação

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Como uma breve anotação sobre o evento marcante que ocorreu em São Paulo há 70 anos atrás, sintetizamos informações extraídas de obras que fazem registros do movimento espírita.

O ano de 1948 registrou três importantes eventos: dois ligados aos jovens espíritas e o outro sobre unificação.

Surgiu a Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo – COMBESP, reunindo jovens de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e depois o Distrito Federal (Brasília). Este certame, autônomo, foi um celeiro de formação de expositores e lideranças. O evento foi repetido em rodízio por várias cidades dos Estados citados entre 1948 e 1966, e nestes anos foi efetivado na cidade de Barretos (SP).1

Liderado pelo incansável Leopoldo Machado, de Nova Iguaçú (RJ), foi realizado o 1o Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil (17 a 25/7/1948) na cidade do Rio de Janeiro, e que constituiu o Conselho Consultivo de Mocidades Espíritas do Brasil. Foi efetivado no Teatro João Caetano e o encerramento na sede da FEB, embora o presidente da FEB não apoiado o Congresso, cedeu o auditório da Instituição para a atividade de encerramento do evento, sendo Lins de Vasconcelos incumbido de representar a FEB.1

A essa altura já se preparava a realização do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, inicialmente planejado por idealistas de São Paulo.2

Embora a FEB não tenha aceitado o convite para ter atuação no evento, este contou com adesão de vários Estados.

O Congresso Brasileiro de Unificação Espírita foi realizado pela USE no período de 31 de outubro a 5 de novembro de 1948, em São Paulo, com registros detalhados nos Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita.2

Houve o apoio e atuação nos preparativos de dirigentes da USE-SP, Federação Espírita do Estado do Rio Grande do Sul, Federação Espírita do Paraná, Federação Espírita Catarinense, União Espírita Mineira, Liga Espírita do Brasil, Conselho Consultivo das Mocidades Espíritas do Brasil e lideranças espíritas.2,3

Em função desse evento surgiu a primeira psicografia de Chico Xavier sobre união e unificação, que foi assinada por Emmanuel – “Em nome do Evangelho” -, e dirigida aos participantes do citado 1o Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, em São Paulo. Essa mensagem, com o título acima, foi psicografada no dia 14 de setembro de 1948, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, e encaminhada aos organizadores do evento com a justificativa de que ele – Chico Xavier -, como convidado, não poderia comparecer. Foi publicada na íntegra nos Anais.2,3,4

Ao Congresso, compareceram dirigentes da USE-SP e de outras instituições paulistas, Federação Espírita do Estado do Rio Grande do Sul, Federação Espírita do Paraná, Federação Espírita Catarinense, União Espírita Mineira, Liga Espírita do Brasil, Conselho Consultivo das Mocidades Espíritas do Brasil, Lar de Jesus de Nova Iguaçú (RJ), Centro Espírita de Cuiabá, e pessoas que tinham procurações de instituições de Sergipe, Bahia, Pará, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.2

Ao final foi aprovado um Manifesto do Congresso.

Textos constantes nos Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita e registros sobre a atuação de Leopoldo Machado e várias lideranças da época no citado Congresso Brasileiro e no Estado de São Paulo, foram enfeixados em livro de autoria de Eduardo Carvalho Monteiro.3

Eis o depoimento de Carlos Jordão da Silva, participante desse Congresso Brasileiro e também ex-presidente da USE-SP:

“Tivemos aqui em São Paulo, em 1948, o Primeiro Congresso Brasileiro do Unificação, com a presença de delegações do todos os Estados Sulinos e alguns do Norte, não tendo a Federação Espírita Brasileira na ocasião aceito participar. Estabeleceu-se que a Federação Espírita do Rio Grande do Sul, através de sua delegação mantivesse os entendimentos com a FEB para que se efetivasse a Unificação das Sociedades Espíritas e Espíritas no campo nacional. […] Após as reuniões do Congresso Panamericano e recolhidos lodos os participantes das delegações em seus respectivos hotéis, cerca de uma hora da manhã, resolvemos sair para tomar um pouco de ar e dirigimo-nos para determinada praça próxima ao nosso hotel e para a nossa surpresa todas as delegações foram chegando ao mesmo local, como que convocadas por forças invisíveis. Achamos graça por ter o Plano Espiritual nos reunido daquela forma e aquela hora da madrugada e ali mesmo marcamos uma reunido para as 8 horas da manhã, no Hotel Serrador, onde estávamos hospedados, eu e minha Senhora, e, realizada tal reunido, incumbiu-se Artur Lins de Vasconcellos Lopes a tarefa de aproximar-se da FEB para promover o encontro.”3,4

Em função desse momento relatado por Carlos Jordão da Silva, repentinamente, e num único dia foi assinado o “Pacto Áureo”, aceito pelos presentes à reunião no Rio de Janeiro, mas que não atendia aos anseios do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita e de muitas lideranças espíritas do Brasil.3,4

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: USE. 2016. 196p.

2) Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita. São Paulo: USE. 1947. 191p. Edição em versão digital: http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/USE/ANAIS%20do%20Congresso%20Brasileiro%20de%20Unifica%C3%A7%C3%A3o%20Esp%C3%ADrita%201948.htm

3) Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE – 50 anos de unificação. São Paulo: USE. 1997. 335p.

4) Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? 1.ed. Capivari: Ed. EME. 2018. 144p.

(*) – Foi presidente da USE-SP e da FEB.

A pequena Louise, filha adotiva de Hyppolite Léon Denizard Rivail e de Amélie Boudet

A pequena Louise, filha adotiva de Hyppolite Léon Denizard Rivail e de Amélie Boudet

Charles Kempf (*)

Houve muitas especulações sobre a questão: porque Hyppolite Léon Denizard Rivail e Amélie Boudet não tiveram filhos? Até mesmo a afirmação de que teriam concluído um pacto de abstinência… Os documentos originais encontrados recentemente lançaram luz sobre essa questão.

Em primeiro lugar, o casamento deles data de quinta-feira, 9 de fevereiro de 1832. Naquele dia, Hyppolite tinha 27 anos e Amélie 36 anos, o que era muito para a época. Também, na época de seu casamento, Hyppolite era "soldado do 61º Regimento de Infantaria de Linha, guarnecido em Rouen, Departamento do Sena Inferior". Seu contrato de casamento não menciona nenhum pacto de abstinência.

Em uma carta de Hyppolite dirigida a Amélie, datada de 20 de agosto de 1834, depois de uma viagem de carruagem de Paris a Lyon,onde Hyppolite ia visitar sua tia paterna Reine Matthevot (nascida Rivail), ele fala “das comodidades da viagem": "Na maior parte do caminho, tive o prazer de ter a companhia de uma criança de um ano no carro que, por seus gritos e cheiros, nos ofereceu uma pequena repetição da tarefa e me fez desfrutar antecipadamente dos encantos da paternidade;"

Não há dúvida de que Hyppolite e Amélie consideraram a paternidade, mas a natureza provavelmente não lhes permitiu ter um filho natural.

Mas em outra carta de Hyppolite a Amélie, datada de 23 de agosto de 1841, quando Hyppolite estava novamente em Lyon para o funeral de sua tia Reine Matthevot, ele escreveu: "Abrace bem a minha pequena Louise, cuja escrita me fez muito prazer." Em uma carta de 9 de outubro de 1841, de Paris a Château du Loir (lar dos pais de Amélie, onde Hyppolite e Amélie costumavam ficar de veraneio), Hyppolite escreve: "Beije minha pequena Louise por mim."

Em outra de 12 de outubro de 1841, Hyppolite escreveu mais especificamente: "Eu queria consultar Mariette esta manhã para saber o que se deveria fazer por Louise em caso de dificuldade, mas ela não retornou há dois dias; eu sei onde ela está, mas é um pouco longe; e seria difícil não dizer impossível vê-la a tempo. Se, no entanto, alguma coisa acontecesse, escreva-me logo enviando-me cabelos e eu a consultarei. No intervalo, penso que se deve cuidar para que ela não tome chuva; como você sabe, seria prejudicial para ela."Esta carta é notável, porque mostra que Hyppolite e Amélie consultavam em Paris uma "sonâmbula" chamada Mariette, especialmente em caso de problemas de saúde, e que utilizavam até cabelos, enviados por carta, para ajudar a sonâmbula na psicometria.

Entendemos melhor porque Allan Kardec escreveu mais tarde que o Magnetismo abriu o caminho para o Espiritismo. Além disso, esta carta indica uma saúde frágil da pequena Louise. Finalmente, numa carta de 15 de agosto de 1842, de Aachen a Château du Loir, Hyppolite é muito mais específico: "Aprendi com prazer que Louise trabalha bem à medida que avança na leitura e na escrita. Fiquei muito feliz com a sua pequena carta. Espero que ela possa ler a minha sozinha. Quanto ao cálculo, não deve ser negligenciado; mas na ausência do aritmômetro, é necessário usar fichas; você deve ter certamente nas caixas de jogos.Um exercício excelente e que ela deve começar a ser capaz, é de atribuir às fichas aos cartões de uma determinada cor um valor de 10 ou de 100. Assim, para fazer 345, precisa colocar 3 fichas de 100, 4 de 10 e 5 de 1. Ou seja, como segue + + + 0 0 0 0 1 1 1 1 1. Deve exercê-la ou a ler os números assim compostos, ou a compor outros ela mesma. Mas é claro que precisa começar com números pequenos e aumentar apenas gradualmente. Quando ela estiver bem familiarizada com este exercício, será preciso utilizar os algarismos, e fazê-la entender que os algarismos da primeira coluna a direita valem tantas unidades, os da segunda valem tantas dezenas ou fichas de 10 etc. Será necessário exercê-la, vendo um número escrito em algarismos, a compô-lo com fichas, e vice-versa." Nós vemos claramente o "professor" aplicando os métodos de ensino de Pestalozzi que ele melhorou e completou!

Em 22 de outubro de 1843, Hyppolite menciona numa carta à Amélie, de Paris para Château du Loir: “Anexo está uma cartinha para Louise”. Infelizmente não temos o original desta cartinha que foi entregue por Amélie a Louise. Em 6 de novembro de 1843, Hyppolite escreveu para Amélie, de Paris para Château du Loir: "Beije minha querida Louise por mim e diga a ela que fiquei muito feliz com sua carta; mostrei-a a várias pessoas que ficaram muito satisfeitas."

Há outros elementos em uma carta de 16 de setembro de 1844, de Paris para Château du Loir, onde Hyppolite que fala da cama de Louise em sua residência em Paris, onde ele escreve: “Quanto a Louise, acho que ela aproveita bastante. Peço-lhe que cumprimente suas galinhas, as quais abraço de todo coração, e ela também.” Pode-se imaginar a menina vivaz no campo em Château du Loir, cuidando do galinheiro dos pais de Amélie.

Em 27 de setembro de 1844, Hyppolite escreve: "Adeus, minha querida, abraça por mim minha boa pequena Louise, que, penso, se diverte de todo o coração." Essas cartas não deixam nenhuma dúvida sobre o fato que Hyppolite Léon DenizardRivail e Amélie Boudet criaram e educaram uma menina chamada Louise, provavelmente adotiva, e a quem tinham dado o segundo nome de Jeanne Louise Rivail (nascida Duhamel), mãe de Hyppolite. Mas essa alegria seria de curta duração.

Em 29 de setembro de 1845, de Paris para Château du Loir, Hyppolite escreveu para Amélie: "Como você me dizia que se você não escrevesse para mim, seria porque Louise iria continuar melhorando, então espero que a melhora se confirmou: concebo tudo o que isso deve lhe causar tormento e fadiga, porquanto você precisava muito de repouso.”

Os problemas de saúde da pequena Louise pareciam estar piorando. Amélie retornou depois a Paris com a pequena Louise, e é numa carta do pai de Amélie (que desencarnou em 6 de julho de 1847 aos 79 anos) para Amélie, datada de 6 de dezembro de 1845, que apreendemos a morte da pequena Louise: "Eu não demorei para lamentar, minha querida Amélie, o evento infeliz que você anuncia na sua última carta; com o que você tinha escrito para nós e o que Mad. Gendron havia nos dito, eu esperava todos os dias receber essa má notícia: é muito triste e muito lamentável deixar a vida quando estamos apenas começando a aproveitá-la, enquanto outros que tiveram uma longa carreira poderiam terminá-la sem se arrepender tanto: como você me diz, não é da natureza do homem ser perfeitamente feliz, devemos nos contentar com a porção que nos é distribuída. Percebo o quanto isso deve ter afetado o Sr. Rivail, desejo que ele se recupere."

Consultamos os arquivos on-line do estado civil reconstituído de Paris, mas com a classificação pelo nome, não encontrei nenhuma Louise Rivail, nem Duhamel, nem Boudet, que morreu naquele período. Uma busca por data é necessária, e talvez possível nos microfilmes. Isso permitiria esclarecer qual era o nome dessa menininha, provavelmente adotiva.

Este episódio lança luz sobre o caminho difícil de Hyppolite Léon Denizard Rivail e Amélie Boudet no período antes da observação do fenômeno de mesas girantes, em maio 1855, que o fez declarar em Obras Póstumas: "Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia,naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo."

Os espíritas sabem o que se seguiu: o trabalho magistral da Codificação Espírita, de Allan Kardec, que hoje desfruta, depois de mais de um século e meio, dezenas de milhões de admiradores em todo o mundo, e que, ao mesmo tempo, abriu todo um campo de pesquisa científica sobre o mundo espiritual e consolou tantos corações feridos.

Muito obrigado Allan Kardec, muito obrigado Amélie Boudet!

(*) De Belfort, França. Membro da Comissão Editorial da Revue Spirite. Foi secretário geral do Conselho Espírita Internacional.

Transcrito de:

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O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos

O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Excelente oportunidade para se conhecer o escritor Humberto de Campos, com base em seus livros como encarnado e como espírito pela psicografia de Chico Xavier, e ainda com lances sobre sua vida desde a infância.

No livro O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos, publicado pelo IDE (de Araras, SP) o autor Cláudio Bueno da Silva focaliza momentos da vida de Humberto de Campos considerado um dos grandes escritores brasileiros.

Nascido em Miritiba (Maranhão), órfão de pai, passou momentos difíceis naquela cidade, em Parnaíba (Piauí) e depois na adolescência em São Luís. Sempre contou com o apoio de sua genitora Dona Anita. Dessa época surge a ideia do título da obra de Cláudio. Estabelecendo-se na então capital Rio de Janeiro, encaminhou-se para a área do jornalismo, notabilizando-se como um dos escritores mais lidos em sua época.

O autor procurou “identificar os antecedentes da transformação ocorrida com Humberto de Campos, que o fizeram sair da zona inquietante da dúvida, quando encarnado, para o terreno da certeza, que pisou assim que perdeu, para a morte, o corpo cansado e doente.” O livro se divide em três partes: O menino livre de Miritiba, novela criada com base no livro Memórias, de Humberto de Campos; Impressões de leitura, viagem espírita sobre 25 livros de Humberto de Campos acadêmico; e, A trajetória da dúvida à certeza, que são reflexões sobre vida, a morte e o pensamento de Humberto de Campos.

Vem à tona o estilo e as motivações do escritor com temas de fundo moral e espiritual. O interessante é que Humberto de Campos atendia inúmeras pessoas que o consultavam por cartas e em visitas. Muitas das questões colocadas por estas pessoas ela as respondia em artigos publicados na imprensa carioca. Assim, o jornalista, escritor, deputado federal e membro da Academia Brasileira de Letras era um personagem muito conhecido no país e principalmente na capital federal.

Em um momento sua atividade jornalística redigindo histórias humorísticas adotando o pseudônimo de Conselheiro XX, tornou-se muito popular.

Humberto de Campos era amigo pessoal – e de fazer visitas constantes -, do romancista Coelho Neto, também membro da Academia Brasileira de Letras. Soube que seu amigo quando se encontrava abatido era tratado, enquanto dormia, pela esposa e por uma doméstica que o “defumava com ervas prestigiosas”. Coelho Neto veio a se convencer do Espiritismo após um fato inusitado em que teve a certeza da sobrevivência espiritual de sua filha.

O escritor também registra que em visita que fez ao seu Estado natal, como deputado, nos idos de 1928, que o diretor da Estrada de Ferro comentou com ele “achar-se grandemente disseminada em Coroatá a paixão do Espiritismo”.

Em realidade o escritor sempre focalizou a questão da morte: “Eu sou, ordinariamente, um homem que tem medo da morte” e o dilema “a certeza de que os outros aqui ficam e o morto não sabe para onde vai”. Num crônica sobre Finados, anotou: “Parece que a Morte, neste momento, se acha confundida com a Vida”. De outra feita, registrou o medo de “ter a sua memória enterrada com seu corpo”, e, ainda “espiando a morte, conhecer o engano da vida”.

Com frequência, o escritor fazia referência a textos bíblicos e casos relacionados com a Judeia. Em outros momentos: “Homens ricos e poderosos que vos banqueteais sobre miséria de Lázaro, escutai, se tendes ouvidos, a palavra dos profetas”. Escreve crônicas em forma de parábolas, sempre com fundo moral e instrutivo. Enaltece a caridade.

Mas insistia na dúvida: “Em matéria de religião, de ciência e de filosofia, eu nada afirmo e nada nego. Nem, mesmo, duvido. Sou um náufrago solitário e tranquilo, num rochedo do oceano. Espero”.

Já escrevia sobre a “a capacidade de renúncia do coração brasileiro” e reforça a força do sentimento: “o cérebro perdeu o mundo no século XIX; o coração salvá-lo-á no século XX”. Tem o vaticínio sobre o Brasil: “caber-lhe-á, forçosamente, um grande e formoso papel na redenção do mundo que se prepara nos misteriosos laboratórios do século”.

Cláudio Bueno da Silva não considera Humberto de Campos um materialista clássico: “se dizia cético, é curiosa a sua insistência em tratar dos assuntos transcendentais, místicos, religiosos, cuidando da vida e da morte. […] usava a ironia para disfarçar certo interesse recôndito. […] O ceticismo em Humberto de Campos talvez não tivesse raízes tão profundas”.

O autor destaca que as crônicas do livro Sombras que sofrem, publicado no ano da desencarnação de Humberto de Campos, em 1934, mostram este último “preocupado em ajudar o próximo com as melhores ‘armas’ de que dispunha e que manejava muito bem: as palavras e as ideias”.

O escritor humano autodidata, muito culto, sofrido e interessado no próximo, passa a escrever pela psicografia de Chico Xavier e poucos meses após sua desencarnação. Foi um grande impacto para a população, pois se tratava de um autor muito conhecido e respeitado no Brasil. O fato motivou um rumoroso processo judicial, movido por familiares de Humberto de Campos. O episódio, com a absolvição do médium e da Editora, gerou muitas notas na imprensa da época, contribuindo para a difusão do Espiritismo. E o autor espiritual passou a adotar o pseudônimo de Irmão X, adaptado do antigo pseudônimo Conselheiro XX.

O autor espiritual Humberto de Campos mantém muitas nuances do estilo e dos focos das obras do autor enquanto encarnado. Este fato Cláudio Bueno da Silva chama atenção no seu livro.

Corroboramos o destaque que Cláudio fez aos livros psicografados por Chico Xavier. Destacamos que o autor espiritual escreveu obras pelo médium Chico Xavier, doze publicadas pela FEB (entre 1937 e 1969): Crônicas de além-túmulo; Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho; Novas mensagens; Boa nova; Reportagens de além túmulo; Lázaro redivivo; Luz acima; Pontos e contos; Contos e apólogos; Contos desta e doutra vida; Cartas e crônicas; Estante da vida; pela Editora CEU: Relatos da vida (1988), e, pela Editora Boa Nova: Histórias e anotações (2010).

Resenha do livro: Silva, Cláudio Bueno. O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos. 1.ed. Araras: IDE. 2018. 319p.

(*) Ex-presidente da FEB e da USE-SP.

O papel de Paulo de Tarso

O papel de Paulo de Tarso

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Em nosso livro Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo, analisamos a trajetória do Apóstolo e comentamos os aspectos morais de suas Epístolas.1 Em outra obra, também de O Clarim, inserimos Paulo no contexto do Cristianismo primitivo.2

Eis uma síntese relacionadas com as duas obras citadas.

Na monumental obra Paulo e Estêvão3, psicografada por Francisco Cândido Xavier, o autor espiritual Emmanuel aprofunda os registros de Atos e das Epístolas de Paulo detalhando as lutas e humilhações do doutor Saulo de Tarso, autoridade na Lei Moisaica perante seu povo. Paulo que renunciou às suas prerrogativas de doutor da Lei ao iniciar seu processo de transformação no Apóstolo do Cristo foi submetido pelos seus antigos pares e até por seguidores do Cristo, a constrangimentos e dificuldades acerbas. Paulo de Tarso, como principal divulgador da mensagem do Mestre, fundou em muitos locais as chamadas igrejas cristãs (ecclesia – local de reunião, atualmente significando “igreja”). Outra ação importante foram as epístolas, com características de carta redigida por um autor antigo e de crônicas a respeito de determinados assuntos, com muitas orientações aos grupos cristãos pioneiros.

O papel e a proeminência de Paulo é discutida pelo historiador e teólogo, ligado ao catolicismo, Joseph Ernest Renan (1823 – 1892). Para esse autor, Paulo é um homem eminente e, na fundação do cristianismo, desempenhou um dos papéis de mais relevo. Renan admite que “Paulo deixou escrituras valiosas; as dos outros apóstolos não podem ombrear com elas em importância ou em autenticidade.2

Emmanuel, no livro Paulo e Estêvão, relata também que Paulo estava preocupado por não poder atender a todas as solicitações das “igrejas” nascentes. Em uma meditação noturna, recebe a seguinte orientação: "Não te atormentes com as necessidades do serviço. É natural que não possas assistir pessoalmente a todos, ao mesmo tempo […] Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome; os de boa vontade saberão compreender, porque o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, na sua exemplificação e na sua vida. Doravante, Estêvão permanecerá mais aconchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos…”3

Daí o título da obra de Emmanuel, destacando o Apóstolo e o primeiro mártir do Cristianismo, espiritualmente na posição de seu orientador para a difusão do Cristianismo.

Paulo percorreu as capitais provinciais do Oriente romano: Antioquia, capital da Síria; Pafos, capital de Chipre; Tessalônica, capital da Macedônia; Corinto, capital da Acaia; Éfeso, capital da província da Ásia Menor. E chegou a Roma, capital do Império Romano.

Para o filósofo espírita Herculano Pires: “Paulo, que exemplifica o drama da transição da consciência judaica para a cristã, adverte que Deus não deseja cultos externos, semelhantes aos dedicados às divindades pagãs, mas "um culto racional", em que o sacrifício não será mais de plantas ou animais, mas da animalidade, ou seja, do ego inferior do homem. A religião se depura dos resíduos tribais, despe-se dos ritos agrários e da complexidade que esses ritos adquiriram no horizonte civilizado. Torna-se espiritual. Os próprios apóstolos do Cristo não compreendem de pronto essa transição. Pedro chefia o movimento que Paulo chamou "judaizante", tendendo a fazer do Cristianismo uma nova seita judaica. Mas Paulo é a flama que mantém o ideal do Cristo. Inteligente e culto, é um dos poucos homens capazes de compreender a nova hora que surge, e por isso o Cristo o retira das hostes judaicas, para colocá-lo à frente do movimento cristão.”4

O apóstolo Paulo gozava de condições e características ímpares: nasceu em família judia, com boas condições financeiras; sua terra natal Tarso, era importante centro da cultura grega, onde ele passou sua infância e adolescência; herdou do pai a cidadania romana; estudou em Jerusalém com o conhecido mestre Gamaliel, tornando-se doutor da Lei, ou seja, foi um fariseu ortodoxo. Portanto, era culto, conhecia a cultura grega e o judaísmo e o contexto do Império Romano. Era enérgico e aguerrido. Paulo era portador da chamada “autonomia intelectual”.

Destacamos que um conjunto de condições fez de Paulo um fiel e ardoroso divulgador das propostas do Cristo e com autoridade para combater e esclarecer sobre as chamadas heresias, infiltrações de ideias confusas e os oportunismos que ameaçavam os primeiros grupos cristãos. Em função dessas situações ele registrou muitas recomendações em suas Epístolas dirigidas a grupos e lideranças cristãs. Se antes ele era o fiel fariseu ortodoxo, ele se transformou no fiel e ardoroso seguidor do Cristo.

De fato, Paulo continuadamente registrava em suas Epístolas sua posição de não aceitar mais a Lei de Moisés e de se antepor aos chamados legalistas. O ex doutor da Lei se insurgia contra as regras e normas típicas de sua antiga religião tradicional. Nos textos do autor espiritual Emmanuel, Paulo foi considerado “o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo.”5

Sem dúvida, o apóstolo Paulo foi o maior divulgador e o principal consolidador do cristianismo. Concordamos com a opinião de muitos autores de que sem Paulo não teríamos o movimento cristão.

Referências:

1. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do espiritismo. Cap. 2. 1.ed. Matão: O Clarim. 2016.

2. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. Cap. 2.5. 1.ed. Matão: O Clarim. 2018.

3. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. Brasília: Ed. FEB. 2012. 488p.

4. Pires, José Herculano. O espírito e o tempo. 1a Parte, Cap. V. São Paulo: Ed. Pensamento. 1964.

5. Tavares, Clóvis. Amor e sabedoria de Emmanuel. 12.ed. Cap. 4 e 5. Araras: IDE, 2007.

Antuza – médium e exemplo de vida em Uberaba

Antuza – médium e exemplo de vida em Uberaba

Uma das páginas mais luminescentes da Doutrina Espírita em Uberaba e também em toda a vasta região do Triângulo Mineiro, chamava-se Antuza Ferreira Martins. Filha de Manoel Ferreira Martins e D. Júlia Maria do Espírito Santo, nasceu em uma fazenda nos arredores de Uberaba, no dia 09 de setembro de 1902.

Aos 4 anos, acometida de meningite, foi desenganada por muitos médicos, tendo, em conseqüência, ficado surda e perdido o sentido da fala.

Posteriormente, mudou-se com a família para Uberaba. Antuza, segundo Erenice sua irmã a quem carinhosamente chamávamos de Nice, desde pequena via os espíritos. Cresceu dentro de um clima psíquico que não compreendia, nem mesmo os familiares, posto que ninguém na família era espírita. Quando completou 15 anos, em 1917, a família transferiu-se para Sacramento, cidade que, desde 1904, se transformara em ponto central do Espiritismo em todo o Brasil, pelo trabalho que vinha desempenhando o inesquecível EURÍPEDES BARSANULFO. Em lá chegando Antuza foi levada pela mãe à presença de Eurípedes, o qual, ao vê-la, foi logo dizendo da tarefa que deveria desempenhar no campo da mediunidade. Tornaram-se, a partir daí, espíritas.

Durante alguns meses, quase dois anos, Antuza trabalhou lado a lado de Eurípedes Barsanulfo, ora ajudando na limpeza da farmácia, ora auxiliando na manipulação dos medicamentos homeopáticos. Com esse estágio espiritual , junto ao grande Missionário da Caridade, Antuza equilibrou-se, aprendeu a viver dentro de suas limitações, a comunicar-se por meio de sinais e as suas faculdades psíquicas ampliaram-se dando-lhe extraordinária lucidez. Quando Eurípedes desencarnou, em 1918, ela e a família mudaram-se definitivamente para Uberaba.

Mas, antes disso, ainda em Sacramento, Antuza encontrava-se desconsolada com a partida do Benfeitor para o Plano Espiritual e chorava muito. Através da mímica e de algumas poucas palavras que com o tempo aprendeu a articular, conta-nos ela que, certo dia, quando, em prantos, ouviu uma voz a chamar-lhe: – “Antuza, Antuza!..” Ela, assustada, ao voltar-se, percebeu Eurípedes pairando no ar a dizer-lhe ainda: – ;Não chore. Você precisa trabalhar muito! . .

Quando ainda morava em fazenda, uma criança foi levada pela mãe até Antuza para ser “benzida”. a criança estava muito mal, com o abdome muito dilatado. Antuza conversou com os espíritos (via-se que ela estava ouvindo e respondia, com gestos e com balbucios a alguém invisível), estendeu as mãos com as palmas para cima e da espiritualidade desceu uma quantidade grande de fluido esverdeado e luminoso (a irmã mais velha de Antuza era médium e viu essa massa fluídica). Antuza modelou essa massa com as mãos e colocou sobre o abdome da criança, massageando de leve. O abdome da criança foi diminuindo e em poucos dias ela estava saudável.

Quando a família se instalou em Uberaba, contava ela 17 anos e começou a frequentar o tradicional Ponto ;Bezerra de Menezes , em casa de Da Maria Modesto Cravo. Numa das reuniões do Ponto, Antuza recebeu instruções sobre a sua missão do espírito de Santo Agostinho que seria, durante toda a sua vida, seu protetor. Note-se que através da psicofonia de Da Maria Modesto, todos os presentes ouviram a comunicação, inclusive Antuza que, apesar de surda, ouvia os espíritos. Por essa época, Antuza começou a transmitir passes, cuja mediunidade curadora, coadjuvada pela vidência, audição, desdobramento e efeitos físicos, foi empregada para ajudar aos necessitados com raro discernimento evangélico.

Antes de passar a atender em sua própria casa, num galpão construído nos fundos, trabalhou como médium no C. E. Uberabense, Sanatório Espírita e na Comunhão Espírita Cristã, logo que Chico Xavier se transferiu para Uberaba. A seu respeito, o nosso estimado Chico já se pronunciou em diversas ocasiões, tendo, inclusive, afirmado trazer Antuza o remédio nas mãos. Quando homenageado na Capital do Estado, Chico disse que existia em Uberaba uma senhora que, no anonimato de seu trabalho em favor dos que sofrem, deveria ali estar sendo alvo das homenagens prestadas a ele, que reconhecia não as merecer, de forma alguma, e citou o nome de Antuza Ferreira Martins!

Em sua própria casa e depois no “Barracão”, recebia extensa fila de pessoas, entre crianças e adultos. Quantas vezes, após exaustiva concentração, Antuza nos descrevia o problema orgânico, ou espiritual, de quem lhe buscava o concurso carinhoso e abnegado! Uma senhora obsedada foi trazida amarrada para a casa onde morava Antuza. Era necessário, mesmo assim que várias pessoas a segurassem, ela se debatia e retorcia constantemente. Antuza entrou em prece e daí a pouco uma médium vidente presente viu uma luz vinda de muito alto descer e tomar a forma de Eurípedes Barsanulfo. Este, incorporado na médium, disse “boa noite, irmãos” e os espíritos que subjugavam aquela senhora afastaram-se imediatamente. Aí Eurípedes pediu que desamarrassem e soltassem a mulher. Ela se tornou imediatamente lúcida e curada daquela obsessão. Uma moça vinda do estado de Mato Grosso chegou até a casa da Antuza andando de “quatro”, isto é como um quadrúpede, sem falar e sem consciência de si mesmo. A família já havia procurado inúmeros médicos sem resultados. Antuza “conversou” com o espírito que a obsedava, fez gestos indicando a ele que se retirasse, fosse embora e em alguns minutos a moça se levantou e perguntou ao pai que a acompanhava: onde estamos? O que estamos fazendo aqui? Na sessão de desobsessão que ocorria à noite, no Barracão, dois espíritos vingadores da moça foram doutrinados: haviam sido torturados e mortos por ordem dela, quando eram seus escravos e a perseguiam desde então. Faziam-na ficar como um animal e montavam sobre ela, fazendo-a conduzi-los no “lombo”, entre outras coisas.

Além das atividades mediúnicas Antuza ajudava nas tarefas da casa, ao lado de sua irmã Erenice, irmãos e de seus sobrinhos que vieram morar com eles. Fazia tapete de crochê usando cordões cortados de malhas; esses tapetes eram vendidos e o dinheiro era usado para comprar algumas coisas para seu uso pessoal, presentes, brinquedos e outras necessidades.

Conta-nos Nice (intérprete de Antuza para os que não se familiarizam com a sua maneira de; falar com as pessoas) que, certa vez, uma mulher, chorando muito e extremamente desesperada, ao receber o passe, é indagada pela médium se tinha bebido alguma coisa corrosiva, pois o interior dela estava parecendo Ainda em lágrimas, a infeliz irmã lhe diz que, tempos atrás, havia ingerido soda cáustica (!) e ainda sentia fortes dores, encontrando dificuldade de alimentar-se normalmente. Para que tenhamos uma idéia da presença dos espíritos na vida de Antuza, vejamos o que ocorreu quando ainda era criança. Ela e a mãe, morando na fazenda, foram até a horta colher legumes e sua mãe a deixou um pouco para trás; nisto, surge uma cobra prestes a picar a menina. Ela ficou como que hipnotizada e, como não falava, não tinha como gritar por socorro. Eis quando, ao seu lado, um espírito, com aspecto de padre, a pega pelos braços e lhe dá um violento impulso, distanciando-a, assim, do peçonhento réptil. Antuza começa a chorar e sua mãe, correndo, chama alguns lavradores, os quais dão cabo da enorme serpente.

Dr. Henrique Krüger, médico uberabense, Agostinho, Eurípedes Barsanulfo e muitos outros a quem não conhece pelo nome, são os espíritos que lhe assistem o trabalho cristão ao qual devotou a própria vida.

Por volta de 1979, Antuza que ainda enxergava, porém surda e muda, vivia em Uberaba na companhia dos irmãos Euphranor e Erenice; e, aos domingos, como de costume, almoçava na casa do sobrinho Antônio Carlos, o qual possuía um piano francês. Antuza era capaz de ver dentro do corpo das pessoas, a doença que tinha ou não tinha; fazia curas à distância, especialmente à noite. Após a refeição, Antuza se dirigia para a sala onde se encontrava o piano, e acomodando-se em uma poltrona, permanecia imóvel por mais de uma hora. Depois, levantando-se, vinha dizer em seu modo característico (gestos e fala precária) que Frederico, um rapaz muito bonito, estava tocando piano para ela; e que sua música era maravilhosa. Tai fato se repetiu por anos, e era de conhecimento de toda a família. Certa vez, em visita a outro sobrinho: Euphranor Jr., que era professor de História e possui uma bela biblioteca em sua casa; este entregou à Antuza um belo exemplar de um livro sobre os maiores compositores da musica clássica (nota-se que tal livro continha fotografias de todos compositores, os quais, já haviam desencarnado). Enquanto Antuza folheava o livro, Euphranor Jr. ia lhe perguntando se ela conhecia as pessoas das fotos, o que lhe era negado: “Não…,não…, não!” Em dado momento, diante da foto do grande músico Frederico Chopin ela se manifestou por gestos: É ele! Frederico, o moço que toca piano para mim”.

Como Eurípedes, Antuza igualmente casou-se com os mais pobres doando-se inteiramente ao serviço cristão, na edificação do Reino de Deus no coração das criaturas. Em seus lábios, a palavra ;trabalhar (uma das poucas que conseguia articular com certa nitidez) soava de maneira diferente: é imperiosa e definitiva! Por mais de 70 anos ela exerceu seu legítimo mandato mediúnico E não são poucos os que, através de suas abençoadas mãos, receberam o amparo do Mais Alto. Antuza foi um dos expoentes do Espiritismo em Uberaba. Muitos artistas de televisão vinham visitá-la, inclusive Dercy Gonçalves. Em seu humilde recanto de trabalho, sobre tosca mesa de madeira, cujos pés estão fincados no piso, um único livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo o qual, de quando em quando, solicitava a um dos colaboradores ler uma página.

Nos últimos seis anos de existência física, Antuza ficou cega, agravando as suas limitações físicas e no dia 30 de julho de 1996, aos 94 anos incompletos, desencarnou em Uberaba, em decorrência de complicações naturais da idade avançada. Antuza, uma baixinha; de um metro e alguns quebrados de altura, mas um espírito gigante na seara evangélica foi, sem dúvida alguma, uma das mais legítimas representantes da mediunidade com Jesus! Um exemplo a ser seguido pelos espíritas de hoje e de amanhã!…

Texto baseado no livro “O Espiritismo em Uberaba”, no “Anuário Espírita 1997", em um “Boletim Informativo” da AME Uberaba e em informações pessoais de parentes. Texto divulgado por Donda.

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(Nota: tivemos a oportunidade de ir à casa de Antuza algumas vezes, em momentos que visitávamos Chico Xavier, nos anos 1970 e 1980. Cesar Perri)