O “outro” e “eu”

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Há uns tempos ouvi um interlocutor relatando as críticas que faziam a um conhecido dele. Depois de ouvi-las opinou que o personagem montado pelas críticas nada tinha a haver com a pessoa que ele também conhecia.

Esse fato nos veio à mente ao acompanharmos, recentemente, uma entrevista no programa “Roda Viva” (TV Cultura) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, atendendo à pergunta sobre as continuadas críticas que recebeu dos governos que o sucederam, comentou que ao analisar as informações verificou que em realidade haviam criado um outro “personagem”. E agora o tempo passou…

O episódio remete a registro do conhecido poeta e escritor argentino Jorge Luís Borges, ao escrever o conto: “Borges y yo”, incluído no livro O fazedor:

“Ao outro, a Borges, é a quem as coisas acontecem. Eu caminho por Buenos Aires e me demoro, acaso já mecanicamente, para olhar para o arco de um vestíbulo e porta interna; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo seu nome em uma lista de professores ou num dicionário biográfico”. Comenta as diferenças que ele sente entre o Borges que divulgam e ele próprio. Ao final, encerra o conto: “Eu não sei qual dos dois escreve esta página”.

Realmente, além das críticas há também certos endeusamentos. Por ocasião das evocações do cinquentenário de suas tarefas mediúnicas, Chico Xavier respondeu a uma entrevista: “Sou sempre um Chico Xavier lutando para criar um Chico Xavier renovado em Jesus e, pelo que vejo, está muito longe de aparecer como espero e preciso…”1

A resposta de Chico Xavier é muito coerente com sua maneira simples de ser e também com a assertiva de seu orientador espiritual:

“Sem dúvida, estamos muito longe, infinitamente muito longe da perfeição… Cabe, porém, a nós, aprendizes do Evangelho, a obrigação de confrontar-nos hoje com o que éramos ontem e, a nosso ver, feito isso, cada um de nós pode, sem pretensão parafrasear as palavras do apóstolo Paulo, nos versículos 9 e 10, do capítulo 15, de sua Primeira Epístola aos Coríntios: – ‘Dos servidores do Senhor, sei que sou o menor e o mais endividado perante a Lei, mas com a graça de Deus sou o que sou…”2

Evidente que os relatos em pauta devem merecer reflexões e pautadas na questão 621 de O livro dos espíritos: “Onde está escrita a lei de Deus? – Na consciência”, e, também em O evangelho segundo o espiritismo (Cap. VI. Item 8): “O sentimento do dever cumprido vos dará o repouso do Espírito e a resignação”.

Porém frente às provocações e insinuações – típicas do mundo em que vivemos -, vale a reflexão com base em comentário de Emmanuel:

"Se muitos companheiros estão vigiando os teus gestos procurando o ponto fraco para criticarem, outros muitos estão fixando ansiosamente o caminho em que surgirás, conduzindo até eles a migalha do socorro de que necessitam para sobreviver. É impossível não saibas quais deles formam o grupo de trabalho em que Jesus te espera".3

Bibliografia:

  1. Carvalho, Antonio Cesar Perri. O homem e a obra. Cap. Cinquentenário de mediunidade. Ed.USE.
  2. Xavier, Francisco Cândido. Benção de paz. Cap.1. Ed. GEEM.
  3. Xavier, Francisco Cândido. Material de construção. Cap. Crítica e Serviço. Ed. IDEAL. 

Sem julgar ou ferir

Nesta carta curta Chico Xavier de 29/7/1958 ele comenta assunto muito oportuno para reflexões, como: 

"[…] continuar cumprindo honestamente o meu dever de médium espírita, na religião que Deus me deu, sem julgar ou ferir a quem quer que seja".

Abaixo, a reprodução da carta:

carta de Chico-1958

Refugiados na Europa

Viena-Refugiados-Cáritas

Antonio Cesar Perri de Carvalho  (*)

Em novembro, por ocasião de viagem a cidades suíças e a Viena, principalmente nesta última manifestamos interesse em conhecer a realidade dos refugiados de países do Oriente Médio que têm chegado à capital austríaca. Não há apenas sírios, mas também iraquianos e afegãos.

Como se sabe a Áustria é um dos roteiros dos refugiados, como rota de passagem ou para permanência. Soubemos que ali já aconteceram momentos críticos, quando algumas estações ficaram superlotadas, com o agravamento do fechamento de algumas fronteiras e a suspensão temporária de algumas rotas ferroviárias.

Estivemos numa das estações vienenses, a  Westbahnhof, onde ao lado funciona uma sede da Cáritas, que é uma grande instituição católica internacional. Ali, os refugiados são temporariamente albergados, recebem roupas e material de higiene pessoal e são encaminhados para postos de atendimento governamental onde freqüentam cursos de alemão e são orientados para ocupações de trabalho.  Junto à Cáritas, atuam muitos voluntários, principalmente os que falam o árabe. Ali soubemos que há plantonistas brasileiros e conhecemos, em instituição espírita, pessoas que fazem campanhas em favor dos refugiados e também uma assistente social que lida com eles em trabalho junto a órgão assistencial governamental.

Claramente se percebe que os refugiados são egressos de várias condições sociais. Na Cáritas vimos pessoas de excelente aparência escolhendo roupas doadas. Nas cercanias e na própria estação vimos família sentada no chão e muitos jovens circulando com alguns poucos pertences. No conjunto, o cenário é triste e provoca muitas reflexões sobre as condições do mundo de nossos dias.

O governo da Áustria tem oferecido condições de permanência para muitos refugiados. Todavia, em diálogos com amigos, verificamos que ocorrem posições diferentes no seio da população: os que apóiam e aqueles que tendem a uma reação discriminatória e contrária. Inclusive, alguns interlocutores se mostraram preocupados com eventuais acirramentos de posturas autóctones.  

Em diálogos e após palestras nossas, inclusive na Suíça, fizeram-nos perguntas sobre a visão espírita a respeito da relação entre Europa e as populações que emigram do Oriente Médio e da África, em condições dramáticas. Evidentemente que os mecanismos reencarnatórios com base na lei de causa e efeito e o popular conceito da “lei do retorno”, esclarecem tais situações. Ao longo de milênios e até recentemente quantos equívocos se estabeleceram nas relações entre os países e os descendentes dos povos do entorno do Mar Mediterrâneo e da Europa em geral!

O momento grave – tangenciando questões políticas, econômicas, sociais, religiosas e de segurança -, somente poderá ser amenizado, como comentaram nossos interlocutores, com ação coordenada da União Européia, e, entendemos que com amplo apoio dos vários segmentos da sociedade, mas pautados em princípios de respeito à diversidade, fraternidade e solidariedade. Como a essência dos ensinos do Cristo pode ser valiosa para o balisamento de ações realmente humanitárias!

Como reflexão lembramos que o ex-doutor da Lei, o intimorato Paulo de Tarso,  chegou a Roma como prisioneiro e sobrevivente de naufrágio durante a travessia do Mediterrâneo (Atos, 27:15-44) ). Nos seus escritos o apóstolo da gentilidade anotou sobre o esforço de sermos “embaixadores do Cristo” (2 Cor. 5:20), e este relatou a parábola do bom samaritano como balisamento para a “regra áurea”!

 

*- Ex-presidente da FEB e da USE-SP; membro da Comissão Executiva do CEI e do Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier.

Comissão de Despedida

Francisco Habermann *      (fhaber@uol.com.br)

A atração era o violinista, um artista versátil e de muita habilidade musical. Não poderia perder aquela oportunidade e fui ouvi-lo. Quando cheguei, a cerimônia já havia se iniciado e permaneci no lado externo daquele prédio da universidade, pois a bela sala envidraçada a ser inaugurada, estava lotada com as autoridades, entre elas o violinista em pé, elegante, respeitoso, com seu instrumento. Na escada externa, no lado de fora, ao sol, fiquei esperando o concerto comemorativo, a ser apreciado pelo vitral. Após oito discursos não ouvidos mas aplaudidos, a cerimônia terminou e o violinista foi embora. Eu também, muito frustrado, depois de concluir que o esperado número musical já havia sido executado na abertura do evento.

Andando, pelo caminho de retorno ao trabalho da manhã, passei em frente ao local onde ficam estacionados os carros funerários, aguardando o término dos procedimentos esclarecedores das necropsias necessárias e o embarque dos cadáveres. Parei para observar a cena que é rotina naquele setor tão movimentado daquele hospital universitário. Para minha surpresa, ali estavam velhos amigos, funcionários antigos, aposentados como eu, conversando com outros ativos naquela passagem de saída terminal. Cumprimentei a todos e eis que, naquele momento, saia mais um cadáver encaixotado em sua urna para ser conduzido, como se diz, à sua última morada.

O que me chamou a atenção, ali, foi a ausência de aplausos, de discursos, de elogios, dos louros de vitória e outros comemorativos – aí, sim, justos – pela grande jornada de vida finda daquela criatura incógnita. O que ouvi e testemunhei foi o silêncio respeitoso que a rotina de trabalho em hospital ensina a se ter nesta hora.

Os amigos – como uma comissão de despedida, pareceu-me – aquietaram-se e a cena evocou-me uma reflexão sobre o contraste vivenciado.

Num ambiente, exaltavam-se os feitos individuais com reflexos em vantagens políticas pessoais, marcados em placas metálicas afixadas em paredes da obra. A música e o músico convidados eram um enfeite de momento – que eu havia perdido – e os discursos nada acrescentaram. No outro, a música da vida finda – o silêncio – era o hino de vitória que ocupa o pódio da existência humana e que ali – naquele embarque derradeiro – era altissonante, tão evidente que calou as conversas da dita ‘comissão de despedida’. A pauta musical permaneceu inscrita nos corações reflexivos de cada um dos presentes.

Sem discursos, o corpo do desencarnado seguiu o seu caminho. Eu também.  A comissão se desfez.

Para mim, foi uma manhã em sol maior…

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*Membro da Associação Médico Espírita de Botucatu -SP.

SEDE VÓS PERFEITOS

SEDE VÓS PERFEITOS, COMO É PERFEITO O VOSSO PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS. (Mat., 5:48). Bíblia: Versão Almeida Revista e Corrigida.

Célia Maria Rey de Carvalho

I – SEDE VÓS PERFEITOS COMO É PERFEITO VOSSO PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS.

O Vosso delimita um ponto de vista específico “NOSSO”, de como entendemos e sentimos Deus em sua perfeição. Jesus, como espírito puro, O entendia e O sentia de outra maneira.

A evolução desse pensamento e sentimento pode ser observada desde os registros de O Antigo Testamento.

As representações de Deus contidas em O Antigo Testamento apontam que Deus devia ser temido: (Dt. 10:20); (6). Que era o Senhor dos exército, vingativo: (2SM. 7:26.) (6)

Já no Novo Testamento Jesus falou sob nova ótica, expressando o seu relacionamento com Deus - MEU PAI: (Mt. 11:27) (6). A relação dos discípulos com Deus – VOSSO PAI (refere-se a situações ou coisas que os homens reconhecem): (Mat. 6: 2 a 4.) (6). Também ensinou que Deus é a personificação do amor: (I Jo. 4:8) (6); da bondade: (Sl. 52:1 – 2); (6); da misericórdia: (Lc. 6-36) (6); da justiça: (Mt. 6-33). (6)

Entendendo e sentindo Deus como nosso Pai soberanamente justo e bom, como devemos proceder para atingirmos a perfeição. Segundo Jesus: “‘Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem.’ Mostra Ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.” […](2)

A caridade, sendo a mãe das virtudes, segundo Jesus é a "Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas."(1)  

O Espiritismo, como O Consolador prometido por Jesus, vem em nosso auxílio no entendimento das máximas morais do Cristo. Mas, somente quando […] “bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, […] leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.” (3).

O Espiritismo, contribuindo para maior clareza em relação ao sentido da verdadeira caridade, elenca as características de O homem de bem. (3)

A espiritualidade vem ao nosso encontro assinalando que a […] “perfeição é um processo que não temos condição de admitir um ponto final. É constante, crescente e eterno. Como ponto de referência, Jesus apresenta o Criador, Deus pai. A cada novo olhar novas aprendizagens rumo à perfeição. É a perfeição segundo a imagem de Cristo, de participação na Divindade”. Ainda segundo Emmanuel estamos […] “presentemente mais distantes da perfeição que o verme da estrela. Ainda assim, Jesus formularia semelhante apelo se estivesse ele enquadrado no labirinto inextricável do ‘impossível’”? (9)

É uma caminhada difícil, mas sozinhos nada conseguiremos, pois […] “conseguir a soma que o progresso […] lhe pode proporcionar, verificará [o homem] que não está completa a sua felicidade. Reconhecerá ser esta impossível, sem a segurança nas relações sociais,” […] (2)

Além da imprescindível necessidade do conviver, Emmanuel (8), nos alerta que […] “Todas as reformas sociais, necessárias em vossos tempos de indecisão espiritual, têm de processar-se sobre a base do Evangelho, […] pela educação. Continuando, pondera que […] há necessidade de iniciar-se o esforço de regeneração em cada indivíduo, dentro do Evangelho, com a tarefa nem sempre amena da auto educação. Evangelizado o indivíduo, evangeliza-se a família; regenerada esta, a sociedade estará a caminho de sua purificação, reabilitando-se simultaneamente a vida do mundo.” Essa é a base sólida que deve nortear as relações de convivência.

Além de sua função consoladora, o Evangelho de Jesus, acima de tudo, é um roteiro de trabalho. “Em sua expressão total, é um vasto caminho ascensional, cujo fim não podemos atingir, legitimamente, sem conhecimento e aplicação dos detalhes. […] A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida.” (10)

Complementando os esclarecimentos necessários a essa caminhada, Emmanuel nos assevera que […] Ao apelo do divino Mestre de sermos perfeitos com o Pai celestial, é preciso que evitemos a indesejável resposta da aflição. Precisamos de serenidade e diligência para desintegrar, pouco a pouco, todo o acervo de sombras que ainda trazemos em nosso espírito, ao preço de nossa própria submissão à Lei do Senhor que nos rege os destinos. (7)

BIBLIOGRAFIA

  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 886.
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Conclusão, item IV.
  3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII – Sede Perfeitos.
  4. ABREU, Honório Onofre. Luz Imperecível. Estudo Interpretativo do Evangelho à Luz da Doutrina Espírita. União Espírita Mineira, 6ª edição, 2009.
  5. Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
  6. Concordância Bíblica. Sociedade Bíblica do Brasil.
  7. XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Bondade. Revista Reformador, março de 1957, p. 69. Federação Espírita Brasileira.
  8. XAVIER, Francisco Cândido. Emmanuel, pelo Espírito Emmanuel, Cap. 35, Educação Evangélica. Federação Espírita Brasileira, 28ª ed. 2013.
  9. XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Teus Encargos. Revista Reformador, março de 1970, p.50. Federação Espírita Brasileira.
  10. XAVIER, Francisco Cândido. Renúncia, pelo Espírito Emmanuel, Segunda Parte, cap. III. Federação Espírita Brasil eira, 1ª ed. Especial, 2002.

Contribuição, como expositora, para  o tema “O Evangelho e seu significado na evolução”

I Colóquio Bahia-Mundo de Espiritismo – XVI Congresso Espírita da Bahia (2015)

A LBV e o Espiritismo

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No dia 6 de janeiro de 1948, o futuro fundador da Legião da Boa Vontade Alziro Zarur (1914-1979), — um dos maiores nomes do rádio nas décadas de 1930 até sua desencarnação — a convite de amigos assistiu a uma sessão na sede da Federação Espírita Brasileira (FEB), na cidade do Rio de Janeiro/RJ, da qual participava dona Emília Ribeiro de Mello, respeitável médium. Interessou-se pelos princípios espíritas.

Pouco tempo depois o conhecido jornalista, radialista, escritor e poeta radicado na então capital federal, decidiu fundar, adotando princípios espíritas, a Legião da Boa Vontade (LBV), no dia 1º de janeiro de 1950 (Dia da Paz e da Confraternização Universal). O fato ocorreu em instituição dirigida por Leopoldo Machado em Nova Iguaçu (RJ) e a Ata de fundação foi assinada por Alziro Zarur e Leopoldo Machado, respectivamente, como “legionários” número 1 e número dois.

Poucos dias depois da fundação – 7 de janeiro -, houve uma reunião pioneira da  Cruzada de Religiões Irmanadas, no salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro/ RJ. Leopoldo Machado compareceu representando os espíritas.

Nos anos 1950, havia no interior do país, relacionamento entre centros espíritas e a LBV. Ainda criança, acompanhando a genitora, comparecemos no salão da LBV, em Araçatuba (SP), dedicado a distribuição de sopa e palestras. Alguns expositores espíritas da cidade abordavam temas espíritas e evangélicos.

Leopoldo Machado afastou-se da LBV por discordar da condução de Alziro Zarur, e a LBV tomou uma trajetória própria, havendo um distanciamento entre LBV e o Movimento Espírita.

Todavia, ambos estiveram juntos em vários eventos com objetivos convergentes em torno de temas relacionados com caridade, interreligiosidade e paz.

Fato histórico ocorreu no ano 2000, pois a LBV – com uma dependência em Nova York -, intermediou e facilitou as presenças das representações da FEB e do CEI no “Millennium World Peace Summit” promovido pela ONU, na passagem de agosto/setembro daquele ano.

A partir da fundação do Movimento Brasileiro da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, em 2006, liderado pelo deputado Luiz Carlos Bassuma e por Jaime Ferreira Lopes, com participação do presidente da FEB Nestor João Masotti e nossa, a FEB e a LBV foram parceiras de muitas atividades e mobilizações. Prosseguem ações entre LBV e espíritas no Templo da Boa Vontade (a pirâmide) em Brasília, relacionados com interreligiosidade, intolerância religiosa e paz. Este Templo foi inaugurado pelo sucessor de Zarur, José de Paiva Netto.

Mais recentemente, a FEB esteve presente em outubro de 2014 no evento de comemoração dos 25 anos da inauguração do citado Templo e, em janeiro de 2015, em reunião sobre intolerância religiosa.

Pelas nossas relações antigas com a LBV, estes reiteraram o convite para nossa atuação no Ato Ecumênico pela paz e de comemoração dos 26 anos do Templo, no dia 21 de outubro, e na semana que o antecedeu nas saudações e preces matinais, onde falamos sobre “Deus”. O evento ecumênico foi coordenado pelo representante da LBV Alziro Paolotti de Paiva e contou com a presença de representantes de vários segmentos religiosos e autoridades.

Antonio Cesar Perri de Carvalho é ex-presidente da USE-SP, ex-presidente da FEB, membro da Comissão Executiva do CEI e do Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier.

Transcrito de: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/a-lbv-e-o-espiritismo?xg_source=msg_appr_blogpost

ENTREVISTA em O Caminho da Luz: Movimento Espírita e a atualidade.

Jornal de Botucatu

Entrevista com o Prof. Antonio Cesar Perri de Carvalho – ex presidente da USE-SP e da FEB; atual membro do Conselho Superior da FEB – Brasília-DF – e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional, quando esteve em visita à Botucatu-SP, na UNESP – Instituto de Biologia – pelo PROGRAD/UNESP, em 22-09-15, e, realizada pelos Professores Marta e Francisco Haberman:

Jornal "O Caminho da Luz":

1.   A comunidade espírita botucatuense, hoje bastante ampliada, é muito grata pelo seu empenho desde sua atuação no Movimento de Unificação em Araçatuba-SP, depois na capital paulista e agora em Brasilia-DF. Como o confrade descreve os progressos do movimento espírita brasileiro?

Perri – O movimento espírita brasileiro tem e crescido quantitativa e qualitativamente. Atualmente são aproximadamente 14 mil centros no país. De acordo com dados do Censo de 2010, em percentual, os espíritas cresceram significativamente em comparação com o Censo do ano 2000. O  importante é o belo e produtivo trabalho que é efetivado junto às comunidades em todas as regiões do país..

2.   Suas passagens por Botucatu-SP na década de 1980-90, sempre junto com sua equipe de trabalho ( sua esposa Célia, confrade Nestor Masotti, seu irmão Dr. Paulo, prof. Madeira e outros) deixaram inesquecível lembrança entre nós. Quais as espectativas do orgão diretivo nacional ( FEB ) quanto à expansão do Movimento Espírita Nacional e Internacional?

Perri – Em nossa trajetória de vida e de movimento espírita tivemos a felicidade de conviver com grandes companheiros e contar com o apoio e participação da esposa. E atuamos em todos os níveis, desde os momentos iniciais na mocidade e no centro espírita. Nos últimos 15 anos houve atuação decisiva do Conselho Federativo Nacional da FEB e do Conselho Espírita Internacional. Documentos de trabalho importantes e muito úteis foram elaborados de forma coletiva. Nossa expectativa é o aprofundamento desta linha de trabalho para cada vez mais se atuar de forma participativa e envolvente com os centros, que são a base do movimento espírita.

3.   Temos acompanhado seus artigos na Revista Internacional do Espiritismo (RIE- Matão-SP) e gostaríamos de saber sua opinião em relação à expectativa de outras nações sobre o papel esperado do Brasil no que diz respeito à acolhida de imigrantes aqui.

Perri – Em nossa atuação junto ao CEI e visitas e atuações em dezenas países, sempre sentimos uma grande expectativa na relação respeitosa e participativa do movimento espírita brasileiro. Numa ótica ampliada de solidariedade e de fraternidade, cremos que o Brasil deve sempre abrir os braços e acolher os imigrantes.

4.   Recentemente, este Jornal e a RIE publicaram matéria sobre 'Centro Espírita em tempo integral'. Foi sugerido que a casa espírita não cerrasse as portas e mantivesse atividade permanente de acolhida e difusão ( ou escola ). O que o senhor acha da ideia?

Perri – Concordamos plenamente com a idéia e conhecemos alguns centros, em várias partes do país, que já atuam durante todo o dia. Inclusive, abrem oportunidades a trabalhadores, que às vezes, somente podem ir ao centro logo cedo, antes do trabalho, e a idosos – faixa etária que cresce -, e que naturalmente têm mais  dificuldade de freqüentar o centro à noite. É uma questão de se preparar equipes para a atuação ao longo do dia.

5.   A FEB está na capital federal – centro político nacional. O senhor recomenda a atuação política dos espíritas?

Perri – O Conselho Federativo Nacional da FEB aprovou já para dois qüinqüênios, desde 2007, o “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro”, a diretriz “Participação na sociedade”. As atuações em defesa da vida, na assistência e promoção social, na prevenção de desequilíbrios pessoais, de saúde e no âmbito social, a em participação em conselhos municipais previstos na Constituição,  são  atuações políticas. Há diferença entre atuação política – no sentido vasto -, e de atuação político-partidária. Esta última é uma opção pessoal, mas com o cuidado de não se mesclar com o movimento espírita.

6.   Na Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, um grupo de jovens espíritas ( profissionais e estudantes ) propôs um programa de estudos ( 1990 ) que resultou em Projeto de Extensão Universitária ( aprovado pela Reitoria ) denominado "SAÚDE E ESPIRITUALIDADE". Realizou neste ano o seu XII Congresso. Está sendo proposta à FMB a inclusão de Disciplina curricular com o mesmo nome. Como o senhor vê essas iniciativas?

Perri – Com entusiasmo e boa expectativa. Temos conhecimento de algo semelhante ocorrendo em universidades estrangeiras. Nos EUA há vários grupos de pesquisa universitários analisando a relação da religiosidade, saúde, e expectativa de vida. Conhecemos pessoalmente em evento da A.M.E. nos EUA, o prof. Harold Koenig, que realiza pesquisas nesta área. Afinal, saúde não é a resultante de um equilíbrio bio, psíquico e social?

7.   Em 2014 fundamos aqui em Botucatu a Associação Médico Espírita e, em 2015, ela desenvolve trabalho de pesquisa aprovado pela Comissão de Ética da FMB-UNESP, sobre "Ação do passe espírita na ansiedade". Qual a opinião do Conselho Federativo da FEB sobre essas iniciativas no campo médico?

Perri – Daremos nossa opinião pessoal, favorável plenamente à idéia. No período em que fomos presidente da FEB, autorizamos que a Associação Médico Espírita do Brasil e a do Distrito Federal, a utilizarem a sede da FEB, em Brasil, para o atendimento de projeto similar. E implantamos o Conselho Nacional da Entidades Especializadas da FEB, o ilustra o apoio e interesse que temos com tais Entidades, como a A.M.E. Brasil.

8.   Temos acompanhado inúmeras manifestações em torno da chamada 'data limite' ( Chico Xavier- Pinga-Fogo, 1972 ). Qual a abordagem recomendada sobre o assunto tão polêmico?

Perri – Entendo que não devemos ficar presos a interpretações superficiais de palavras de Chico Xavier. Precisamos aproveitar o exemplo dele, de trabalho e dedicação incessante para a renovação interior e de produtiva interação para com o próximo, e, no limite de nossas forças e de nosso tempo. Cada um deve fazer sua parte na etapa de transição em que vivemos. É o papel do Espiritismo como o “Consolador Prometido” pelo Cristo.

9.   Que o senhor pensa sobre a educação infantil e espiritualidade? A técnica de meditação pode ajudar?

Perri- A criança deve ser compreendida como ser integral desde cedo. Já temos  conhecimento de adoção dessas técnicas, de forma adequada, à infância. Vivemos em uma época que não cabem mais os “engessamentos” programáticos e metodológicos. As escolas formais já caminham de forma diferente há algum tempo, desde as premissas da UNESCO para a educação, de 1998; as idéias de Edgard Morin que marcaram aquele período, e, a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, de 1996. 

10. Quais os encaminhamentos da FEB ou suas idéias para a atualidade brasileira?

Perri – Ratificamos o que já dissemos em outra questão, e, pessoalmente, enfatizamos que é necessária a colocação em prática das diretrizes do “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro (2012-2017)”, elaborado, discutido, e aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, que é integrado pelas Entidades Federativas Estaduais do país. As oito diretrizes devem subsidiar e fundamentar planos de ação locais e regionais, a serem elaborados em cada ambiente, de acordo com as diferentes necessidades e demandas das localidades. Particularmente, e entendendo que em coerência com o citado ”Plano”, estamos preocupados e agindo no sentido de se refletir sobre a simplicidade que deve caracterizar nossa atuação para, efetivamente, atingirmos a maior parcela de nossa população, levando-se em consideração a chamada “pirâmide social”. Relacionada com esta linha de atuação está o nosso foco com a divulgação do Evangelho à luz do Espiritismo, incluindo o estímulo ao estudo e a difusão de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Constatamos que esta obra básica de Kardec, com raras exceções, vem sendo utilizada para leituras preparatórias e em algumas citações em palestras. Precisamos nos alinhar – na prática – com a grande proposta do “Consolador Prometido”. Vale a pena relermos e meditarmos sobre o conteúdo das partes introdutórias dessa obra do Codificador: a mensagem do Espírito de Verdade e as considerações de Kardec.

(Publicado no jornal: O Caminho da Luz, Ano VII, N.47, set./out.2015, p.4-5, do C.E.A Caminho da Luz, Botucatu, SP)

O Evangelho e seu significado na evolução

O Evangelho e seu significado na evolução
Tema do I Colóquio Bahia-Mundo de Espiritismo

A Federação Espírita do Estado da Bahia promove o I Colóquio Bahia-Mundo de Espiritismo, dentro do XVI Congresso Espírita da Bahia, entre 30/10 e 2/11/2015.

Contando com um rol de expositores convidados, inclusive do GEECX, haverá o desenvolvimento o oportuno estudo do tema “O Evangelho e seu significado na evolução”, tendo Simone Figueredo, como Coordenadora.

A referida coordenadora do tema distribuiu uma sugestiva pauta de reflexões para os expositores. Vale a pena a reflexão sobre o temário.

Destacou Simone Figueredo alguns pontos para estudo e debate para a melhor compreensão do “Evangelho e seu significado na evolução”: “Que significado tem o Evangelho no contexto da evolução? Há orientações no Evangelho que podem nos levar à superação do estágio humano?

O Espiritismo se propõe a vivência do pensamento de Jesus. Como espíritos que somos, o que podemos realizar com os seguintes “mandamentos”?

  1. “Sede vós pois perfeitos, como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.”

(Mateus 5: 48)

O que entendemos por perfeição? Acreditamos neste estágio na condição humana?

  1. “Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?… Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e  vem, e segue-me!” (Mateus 19:16  e 19:21).

– Até que ponto somos capazes de abdicar dos bens terrenos? É possível desfrutar da riqueza material e alcançar o reino do céu? O que significa a vida eterna?

  1. “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, e que, assim como eu vos amei, vos ameis também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13:35)

“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:13)

– Como estamos vivenciando o amor nas relações? Podemos alcançar o ideal de “um só pensamento e um só coração”?

  1. "Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível" (Mateus 17.20).

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.” (João 14:12)

– Acreditamos em nosso potencial? Como vivenciar esta afirmação no cotidiano?

O que pensamos sobre a vida em comunhão com Deus? O que fazemos para desfrutar deste estado? O que podemos pensar sobre a estrutura de uma sociedade humana baseada nos princípios do Evangelho? O que será possível realizarmos como comunidade espírita centrada no Evangelho para renovar as estruturas sociais vigentes?”

O XVI Congresso Espírita da Bahia faz uma oportuna inovação estimulando para que os integrantes do grupo temático pensem em cada um dos itens/perguntas.

Aliás, é o tipo da reflexão e estudo que deveria se ampliar nas instituições e no Movimento Espírita.

Equipe GEECX

“SUPERINTERESSANTE” ANALISA TRÊS PSICOGRAFIAS DE CHICO XAVIER.

 

3 cartas inacreditáveis que Chico Xavier psicografou

Analisamos três cartas psicografadas por Chico Xavier em busca de elementos que o médium não poderia saber sobre os mortos. E ele se saiu muito bem.

Por Redação Super Atualizado em 25/09/2015

 

Texto: Sílvia Lisboa

Durante mais de 60 anos, Chico Xavier confortou pessoas desconsoladas de todo o Brasil em busca de notícias de seus parentes mortos. Teria mantido comunicação com milhares de espíritos e psicografado suas mensagens, recheadas de informações íntimas, nomes de parentes e condições da morte que só as famílias reconheciam.

Veja abaixo três cartas cheias de detalhes sobre a vida dos mortos, que o médium não teria como saber.

1. O menino que se despediu da família

Morto aos 3 anos, depois de cair de bicicleta, o pequeno Rangel teria escrito uma carta à mãe, Célia, e ao pai, Aguinaldo, psicografada por Chico Xavier, um ano após sua morte. Como morreu antes de ser alfabetizado, sua carta traz uma caligrafia de traços infantis, de quem começa a desenhar as letras. A mãe lembra que, antes de Chico ler a carta de Tetéo, em uma reunião no Centro Espírita da Prece, em Uberaba, um médium ao seu lado lhe disse: "Seu filho está aqui, correndo, e a toda hora vem lhe abraçar. Agora, ele está escrevendo a carta com a ajuda do avô", informação mencionada na mensagem escrita por Chico.

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Trecho 1

Querido papai Aguinaldo e querida mamãe Célia, com vovó Lia. Sou eu o Tetéo (A) . Estou com o meu avô Lico (B) e com a minha tia Gilda (C). Vovô me auxilia a escrever porque estou aprendendo. Estou vendo a tia Lé (D)

Trecho 2

Eu estou vivo e vou crescer. Estou aprendendo a escrever só para dizer ao seu carinho e ao carinho da mamãe Célia que não morri (E).

Trecho 3

Vou aprender muitas coisas e muitas lições para saber escrever melhor. Mas já estou mais adiantado que a Mariana (F) e creio que o Aguinaldinho (G) ficará satisfeito. Papai, mamãe, Vó Lia e Tia Lé, não posso escrever mais porque fiquei cansado de fazer letras. Mas quando eu puder, voltarei. Estou com muitas saudades (…)

Informações que Chico desconhecia

A. O apelido do pequeno Rangel era Tetéo.

B. Vô Lico era como Tetéo chamava o seu avô materno, Manoel Diniz, morto em 1979, que presidiu o Centro Espírita Luiz Gonzaga, fundado por Chico, em Pedro Leopoldo.

C. Tia Gilda era uma tia do pai de Tetéo, Aguinaldo. Ela morreu em 1954. O próprio Aguinaldo se lembrava pouco da tia, que faleceu quando ele tinha apenas 4 anos. Tetéo, claro, não a conheceu.

D. Tia Lé era uma amiga da família que estava na reunião no dia que supostamente o espírito de Tetéo teria escrito a carta.

E. Célia, a mãe de Tetéo, fazia perguntas a si mesma, no íntimo, sem compartilhá-las, sobre a morte do caçula. Uma delas era a dúvida se Tetéo continuaria seu desenvolvimento, interrompido tão precocemente – pergunta respondida na mensagem.

F. Mariana era a irmã de Tetéo. Chico podia até saber disso porque era amigo da família, mas Tetéo menciona uma característica da irmã só conhecida pelos mais próximos: que a garota não era tão aplicada nos livros.

G. Aguinaldinho era o irmão mais velho de Tetéo, conhecido por ser o CDF da família, com quem Tetéo se compara na carta.

 

2. O professor influente

Nascido em 1862, Arthur Joviano foi um educador brasileiro conhecido no final do século 19 por ter liderado a primeira reforma no ensino primário de Minas Gerais. Era professor de português e autor de livros pedagógicos. Após sua morte em 1934, ele teria voltado a fazer contato com a família através de Chico Xavier que, na época, era subordinado de seu filho, Rômulo, no Ministério da Agricultura. As cartas de Arthur Joviano marcaram o início da psicografia do médium mineiro e resultaram no livro Sementeira de Luz, com 670 páginas. A mensagem abaixo é de 13 de janeiro de 1941.

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Trecho 1

Meus caros filhos e queridos netos, seja a paz de Deus a alegria de vocês todos.Na visita afetuosa de sempre, renovo-lhes minha dedicação de cada dia. Durante quase todo o dia em que se comemorou seu aniversário, minha bondosa Maria (A), estive ao seu lado com os votos paternais de muito amor, pedindo a Deus por sua saúde e tranquilidade. À noite, sua e nossa amiga Helena (B) trouxe muitas flores. Você não as viu, mas recebeu-lhes o perfume no coração. (…)

Trecho 2

Agora que vocês se dispõem a viagens (C) novas, fiquem convencidos de que repartirei o tempo disponível entre as duas zonas opostas – norte e sul. Lembram nossa troca de ideias quando se organizavam para a primeira viagem à Fortaleza? Como veem, as experiências se repetem, apenas com a renovação dos detalhes. Estimo que Roberto (D)

Trecho 3

(…) aproveite bastante. Há sempre o que aprender no livro diário da experiência humana. Em face do "êxodo", penso nas galinhas dele e recomendo não se esquecer de recordar os que ficam. Não preciso dizer da necessidade das aves na rotina habitual dos serviços da casa. Creio que, de todas as expressões domésticas, em nos referindo a animais menores, são as aves que mais falta sentem das mãos que as assistem. Relativamente a você, Wanda, não se inquiete com respeito ao rosto (E). Havemos de auxiliar a passar esta "ponte" de dificuldades naturais. Trate-se direitinho. (…)

Informações que Chico desconhecia

1. Maria é nora de Arthur, mulher de Rômulo, seu filho, e mãe de Roberto e Wanda.

2. Helena era amiga de Maria e de suas irmãs e que morreu muito jovem.

3. Maria e Rômulo, que viviam em Pedro Leopoldo, estavam planejando ir ao Rio visitar a família Joviano que lá residia.

4. Roberto é neto de Arthur, filho de Rômulo e Maria.

5. Wanda é sua neta, irmã de Roberto, que na época estava com um problema de pele.

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Informações que Chico desconhecia

A assinatura feita por Chico bate com a assinatura de Arthur em documentos oficiais.

3. O filho que não quis partir

Quarto filho de Aníbal e Adélia Figueiredo, William nasceu em Belo Horizonte, em 1924. Aos 17 anos, ingressou no Exército, quando ficou doente por causa de um calo infeccionado. Passou meses a fio no hospital, mas a infecção progrediu para uma gangrena irreversível que o levou à morte em setembro de 1941. Apenas um mês depois, supostamente, o espírito de William começou a enviar cartas psicografadas por Chico Xavier à sua mãe e não parou mais até a morte da matriarca, na década de 1980. 

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Trecho 1

Querida mamãe, peço ao seu bom coração me abençoe e, por minha vez, rogo a Deus que nos ajude a vencer suas lutas de sempre. Sua alma sensível continua atravessando o perigoso mar das provas e prossigo ao seu lado, somando, quando lhe faltam, forças no leme para a condução do barco, sei como lhe dói a tempestade dos últimos dias. Para o espírito materno, as nuvens do horizonte dos filhos são sempre mais pesadas e mais tristes. Multiplicam-se as dores, os receios, as aflições (A). 

Trecho 2

Entretanto nesse pedido, eu desejo apelar para o Wilson (B) para que ele transforme o caminho, melhorando-o. Diga-lhe, em nome de minha dedicação fraternal, que a vida humana é um eterno aprendizado divino do qual não nos desviaremos sem graves consequências. Ele (Wilson) agora é casado, é esposo e é pai. O Divino Senhor, que eu percebo melhor presentemente, conferiu-lhe deveres verdadeiramente sagrados. Lourdes (C) e o filhinho constituem-lhe agora um sublime propósito ao qual está preso por laços sacrossantos. Não é justo que se perca,

Trecho 3

Através de aventuras, complicando o futuro (D) e perdendo os melhores anos da existência. (…) Como lhe acontece, estou também preocupado com ele. Quisera voltar aos nossos com a experiência que hoje possuo a fim de despertá-los para a senda leal do espírito (…)

Trecho 4

Estou ajudando na procura do caderno perdido (E). De qualquer forma, não se incomode. A maior mensagem que eu lhe posso dar é a do meu coração e esse está constantemente ao lado do seu. Agradeço pelas maravilhosas lembranças (…)

Informações que Chico desconhecia

1. Dona Adélia, mãe de William, estava preocupada com o futuro do primogênito Wilson, que era dado à boêmia e gostava de jogos.

2. Irmão mais velho de William.

3. Mulher do irmão de William.

4. William menciona que sabe que o irmão está mesmo "se perdendo em aventuras".

5. É o caderno no qual Chico Xavier escreveu as mensagens de uma tia da família, chamada Margarida. Foi nele que William teria escrito sua primeira carta à mãe, psicografada pelo médium na madrugada de 25 de setembro de 1942, primeiro ano da morte do jovem.

 

Leia mais:

http://super.abril.com.br/historia/3-cartas-inacreditaveis-que-chico-xavier-psicografou

http://boletimsei.blogspot.com.br/

Kardec é a Base

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Outubro é assinalado pela data natalícia de Allan Kardec – dia 3 -, e, tradicionalmente há muitos eventos alusivos ao Codificador durante todo o mês.

O trabalho do Codificador é de fundamental importância. As Obras Básicas e inaugurais da Doutrina Espírita – O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese, efetivamente representam a base e devem ser o ponto comum, de convergência, do Movimento Espírita.

Em 2012, num fato histórico a FEB, além dos já existentes ESDE e o EADE, foram implantados os cursos sobre os cinco livros básicos na sede em Brasília e na sede histórica no Rio de Janeiro. No mesmo ano foi criado o NEPE – Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho da FEB, e, que até o início de 2015 efetivou seminários e programas pela TVCEI e pela atual FEBtv, gerando a instalação de núcleos de estudo do Evangelho à luz do Espiritismo em vários Estados.1

No ano de 2014, houve grande ênfase no Sesquicentenário de O evangelho segundo o espiritismo. Foi marcante a bem sucedida experiência da realização do 4º. Congresso Espírita Brasileiro – tendo como tema central esta obra -, e efetivado simultaneamente em quatro regiões com expressivo número de participantes presenciais e virtuais, em função das transmissões ao vivo. A FEB Editora lançou obras de Kardec, em grande tiragem, em parceria com as Federativas Estaduais; a obra histórica: a 1ª. edição de Imitação do evangelho segundo o espiritismo, em versão bi-língue e mais alguns livros relacionados com a interpretação e o estudo da obra sesquicentenária.1,2

Muitas comemorações foram efetivadas em todo o país. Especificamente a USE-SP promoveu 150 comemorações em várias regiões do Estado num único dia (21/9/14).

Neste ano de 2015, há comemorações pelos 150 anos de O céu e o inferno, com eventos em todo o país.

Durante o 3º Encontro da Área de Comunicação Social Espírita do CFN da FEB, em maio de 2015, houve o lançamento da campanha Comece pelo Começo, que foi aprovada pelo CFN da FEB, em reunião de novembro de 2014.Historicamente, o lançamento original dessa campanha ocorreu em São Paulo, em 1972, pela USE na Capital, e, em 1975, pela USE Estadual. A campanha foi idealizada por Merhy Seba. O foco da campanha é a valorização das obras da Codificação Espírita – de Allan Kardec, como indicação ao estudo e conhecimento da Doutrina Espírita, consubstanciados em O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.3,4

O espírito Emmanuel escreveu uma série de livros alusivos por ocasião do então centenário de cada Obra Básica: Religião dos espíritos, Seara dos médiuns, livro da esperança, Justiça divina.

O espírito Bezerra de Menezes é muito claro na mensagem “Unificação”, na qual dedica sete parágrafos ao Codificador e define Kardec como a base.

“Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação” – Bezerra de Menezes (“Unificação”, psicografia de Chico Xavier, 1963).5

 

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Divulgação do Evangelho. Revista digital O Consolador. Ano 9 – Nº 433 – 27/9/2015. Acesso: http://www.oconsolador.com.br/ano9/433/ca1.html

2) O evangelho segundo o espiritismo. Reformador. Editorial. Edição de abril de 2014. P.194.

3) Campanha Comece pelo Começo, em todo o Brasil. Acesso: http://grupochicoxavier.com.br/category/noticias/page/3/

4) Informações sobre a Campanha: merhyseba@ig.com.br

5) EQUIPE SECRETARIA-GERAL DO CONSELHO FEDERATIVO NACIONAL. (Resp. Equipe: Antonio Cesar Perri de Carvalho.) Orientação aos Órgãos de Unificação. Cap. VI. Acesso: http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/06/Orientacao-aos-Orgaos-de-Unificacao-sem-corte-1.pdf