UM POUCO DE FERMENTO

UM POUCO DE FERMENTO

"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" ( I Coríntios, 5:6.)

Ninguém vive só. Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.

Nossos atos possuem linguagem positiva. Nossas palavras atuam à distância.

Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.

Ações e reações caracterizam-nos a marcha.

É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.

Nossa conduta é um livro aberto.

Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções!

Quantas frases, aparentemente inexpressivas, arrojadas de nossa boca, estabelecem grandes acontecimentos!

Cada dia, emitimos sugestões para o bem o para o mal…

Dirigentes arrastam dirigidos.

Servos inspiram administradores.

Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?

Um pouco de fermento leveda a massa toda.

Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.

Acautela-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.

Desdobra-se-nos o destino em correntes de fluxo e refluxo.

As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Fonte Viva. Cap. 108. FEB)

FÉ EM DEUS

FÉ EM DEUS

G – Cap. II – Item 7 (*)

 

Antes de Jesus, profetas e guerreiros asseveravam agir em nome da fé em Deus.

Moisés, conquanto venerável pela fidelidade e pela justiça, não hesitava na aplicação da ira, admitindo representá-lo.

Josué presumia proclamar-lhe a grandeza com bandeiras sanguinolentas, ao submeter populações inermes, além do Jordão.

David supunha dignificá-lo, quando conquistou a montanha de Sião, à custa do pranto das viúvas e dos órfãos.

Salomão acreditava reverenciá-lo, ao consumir a existência de numerosos servidores, amontoando madeiras e metais preciosos na construção do templo famoso que lhe guardou a memória.

E todos nós, em várias reencarnações, temos pretendido honorificar a fé em Deus, fomentando guerras e espoliando os semelhantes, através das crises de fanatismo e das orgias de ouro.

°°°

O Espiritismo, porém, nos revela Jesus, abraçando o serviço espontâneo à Humanidade como sendo a tradução da própria fé.

Embora livre, transfigurou-se em servidor da comunidade estendendo mais imediata assistência aos que se colocavam na última plana da escala social.

Sem nenhum juramento que o obrigasse a tratar dos enfermos, amparou os doentes com extremada solicitude.

Não envergava toga de juiz e patrocinou a causa dos deserdados.

Distante de qualquer compromisso na paternidade física, chamou a si as criancinhas.

Fora de todos os vínculos da política, ensinou o acatamento às autoridades constituídas.

Profundamente franco, era humilde em excesso com os ignorantes e com os fracos, e, profundamente humilde, era franco, tanto quanto se pode ser, com todos aqueles que conheciam as próprias responsabilidades, à frente dos preceitos divinos, fugindo de respeitá-los.

Passou no mundo, abençoando e consolando, esclarecendo e servindo, mas preferiu morrer a tisnar o mandato de amor e verdade que o jungia aos desígnios do Eterno Pai.

°°°

Para nós, os cristãos encarnados e desencarnados, seja na luz da Doutrina Espírita ou ainda ausentes dela, é importante o exame periódico dos nossos testemunhos pessoais de religião, na experiência cotidiana, para sabermos o que vem a ser fé em Deus em nós e fé em Deus no Mestre que declaramos honrar.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Pelos espíritos Emmanuel e André Luiz. Opinião espírita. Cap. 58. Uberaba: CEC)

(*) – G: A Gênese, de Allan Kardec

PERANTE A CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

PERANTE A CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

A Codificação Kardequiana orienta o homem para o “construir-se”, de dentro para fora.

Com semelhante afirmativa numerosas legendas repontam do plano individual, ampliando os distritos do mundo interior para a reestruturação da personalidade, ante o continuísmo da vida.

Edificação íntima, em cujo levantamento a criatura pode concluir de maneira instintiva:

Deus é nosso Pai, mas a certeza disso não me exonera da responsabilidade de burilar-me, trabalhar e viver;

moro presentemente na Terra, com a obrigação de compartilhar-lhe o progresso; entretanto, na essência, sou um espírito eterno, evoluindo na direção da Imortalidade;

atravesso atualmente caminhos determinados pela lei da causa e efeito; contudo, já sei que desfruto o privilégio de renovar o próprio destino pelo uso sensato da liberdade de escolha;

travo duras batalhas no campo externo, mas compreendo que a maior de todas elas é a que sustento, dia por dia, no campo íntimo, procurando a vitória sobre mim mesmo;

possuo a família do coração;

todavia em todos os seres da estrada, encontro irmãos verdadeiros, componentes da família maior a que todos pertencemos – a Humanidade;

sofro desafios e obstáculos, nas vias planetárias, porém guardo a certeza de que a alegria imperecível é a meta que me cabe atingir;

desilusões de provas me assaltam comumente a senda diária; no entanto, reconheço que preciso aceitá-las por lições valiosas, necessárias, aliás, à minha própria formação espiritual, na academia da experiência;

o mundo por vezes passa por transições inesperadas e rudes, todavia, tenho a paz imutável, no âmago do ser;

o tempo é a minha herança incorruptível;

a morte ser-me-á simplesmente estreito corredor para o outro lado da vida.

Revela-nos Jesus que o Reino de Deus está dentro de nós, e Allan Kardec complementa-lhe a obra ensinando-nos a desentranhá-lo, através de ação e discernimento, serviço e amor, a fim de que o homem sublimado consiga sublimar a Terra para que a Terra, por fora e por dentro, se incorpore, em espírito e verdade, ao Reino dos Céus.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Doutrina de luz. Cap. Perante a Codificação Kardequiana. São Bernardo do Campo: GEEM)

Carta de Ano Novo

Carta de Ano Novo

 

Ano Novo é também renovação de nossa oportunidade de aprender, trabalhar e servir.

O tempo, como paternal amigo, como que ser e encarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para a necessária ascensão.

Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para execução de velhas promessas, que ainda não tiveste a coragem de cumprir. Se tens inimigo, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.

Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.

Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.

Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência feliz no dever bem cumprido.

Novo Ano! Novo Dia!

Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.

Recorda que há mais ignorância que maldade, em torno de teu destino.

Não maldigas, nem condenes.

Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.

Não te desanimes, nem te desconsoles.

Cultiva o bom ânimo com os que te visitam, dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.

Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora:

– Ama e auxilia sempre.

Ajuda aos outros, amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Vida e Caminho. Ed. GEEM)

JESUS

JESUS

Ele não era um conquistador armado e, de século a século, aumenta a multidão daqueles que o seguem, n´Ele reconhecendo o Modelo Divino, ao qual se oferece a vida; surgiu na palha, ao calor dos animais que o hospedaram na estrebaria e recorda-se lhe o nascimento assinalado pelo fulgor de uma estrela; não dispunha de uma pedra em que repousar a cabeça e fundou o Reino de Deus, entre as nações; conquanto se reportasse aos mundos da imensidade por diversas moradas da Casa universal do Todo-Misericordioso, escolheu uma pátria que procurou conchegar ao coração; referia-se aos homens na condição de filhos do Pai Celestial e devotou-se a um círculo íntimo de companheiros queridos, vinculando-se a uma abnegada mãe, a quem amou enternecidamente; embora revelasse a vida imperecível, encontrou em si mesmo bastante sentimento humano para chorar a ausência de um amigo morto; conversou mais detidamente apenas com alguns sofredores, entre os quais se destacaram pobres mulheres e crianças de lugarejos esquecidos e traçou os mais altos ensinamentos que regem a paz e a felicidade dos povos; viveu em lares singelos e continua inspirando, até agora, na literatura e na arte, as mais belas obras-primas da Humanidade; humilde, fez-se poderoso renovador de consciências; discutido, sobreleva-se, ainda hoje, pela bondade, a todos os sofismas dos incrédulos que o desafiam; perseguido pelo mal, triunfou e triunfa com o bem, esquecendo as afrontas e abençoando os inimigos; crucificado, venceu a morte e ressurgiu entre os homens, junto dos quais permanece, sempre e cada vez mais vivo, em espírito, como sendo de todos os reformadores da Terra o mais digno e o mais querido, o mais contestado e o mais invencível!…

Mensageiro do Pai, erguido à posição de Mestre Divino, consagrado à nossa educação para a vida eterna, amou-nos antes que o amássemos e tudo nos dá de si próprio, sem nada pedir-nos!…

É por isso que todos nós, ano a ano, somos induzidos, sem distinção de credo e raça, a cultivar o poder da fraternidade, uns diante dos outros, pelo menos um dia – O Dia de Natal -, transformando o mundo, por algumas horas, em Reino de Amor, prelibando as alegrias do Bem Eterno que nos governará de futuro, a repetir com as vozes milenárias dos anjos:

- “Glória Deus nas Alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!…”

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido.Pelo Espírito Emmanuel. Antologia Mediúnica do Natal. Lição nº 80. FEB)

O olhar de Jesus

O olhar de Jesus

Recordemos o Olhar Compreensivo e Amoroso de Jesus, a fim de esquecermos a viciosa preocupação com o argueiro que, por vezes, aparece no campo visual dos nossos irmãos de experiência.

O Mestre Divino jamais se deteve na faixa escura dos companheiros de caminhada humana.

Em Bartimeu, o cego de Jericó, não encontra o homem inutilizado pelas trevas, mas sim o amigo que poderia tornar a ver, restituindo-lhe, desse modo, a visão que passa, de novo, a enriquecer-lhe a existência.

Em Maria de Magdala, não enxerga a mulher possuída pelos gênios da sombra, mas sim a irmã sofredora e, por esse motivo, restaura-lhe a dignidade própria, nela plasmando a beleza espiritual renovada que lhe transmitiria, mais tarde, a mensagem divina da ressurreição.

Em Zaqueu, não identifica o expoente da usura ou da apropriação indébita, e sim o missionário do progresso enganado pelos desvarios da posse e, por essa razão, devolve-lhe o raciocínio à administração sábia e justa.

Em Simão Pedro, no dia da negação, não se refere ao cooperador enfraquecido, mas sim ao aprendiz invigilante, a exigir-lhe compreensão e carinho, e por isso transforma-o, com o tempo, no baluarte seguro do Evangelho nascente, operoso e fiel até o martírio e a crucificação.

Em Judas, não surpreende o discípulo ingrato, mas sim o colaborador traído pela própria ilusão e, embora sabendo-o fascinado pelas honrarias terrestres, sacrifica-se, até o fim, aceitando a flagelação e a morte para doar-lhe o amor e o perdão que se estenderiam pelos séculos, soerguendo os vencidos e amparando a justiça das nações.

Busquemos algo do Olhar de Jesus para nossos olhos e a crítica será definitivamente banida do mundo de nossas consciências, porque, então teremos atingido o grande entendimento que nos fará discernir em cada companheiro do caminho, ainda mesmo quando nos mais inquietantes espinheiros do mal, um irmão nosso, necessitado, antes de tudo, de nosso auxílio e de nossa compaixão.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Viajor. Lição nº 08. Araras: IDE)

Consegues ir?

Consegues ir?

“Vinde a mim – Jesus. (Mateus, 11:28.)

O crente escuta o apelo do Mestre, anotando abençoadas consolações.

O doutrinador repete-o para comunicar vibrações de conforto espiritual aos ouvintes.

Todos ouvem as palavras do Cristo, as quais insistem para que a mente inquieta e o coração atormentado lhe procurem o regaço refrigerante…

Contudo, se é fácil ouvir e repetir o “vinde a mim” do Senhor, quão difícil é “ir para Ele”!

Aqui, as palavras do Mestre se derramam por vitalizante bálsamo, entretanto, os laços da conveniência imediatista são demasiado fortes; além, assinala-se o convite divino, entre promessas de renovação para a jornada redentora, todavia, o cárcere do desânimo isola o espírito, através de grades resistentes; acolá, o chamamento do Alto ameniza as penas da alma desiludida, mas é quase impraticável a libertação dos impedimentos constituídos por pessoas e coisas, situações e interesses individuais, aparentemente inadiáveis.

Jesus, o nosso Salvador, estende-nos os braços amoráveis e compassivos.

Com ele, a vida enriquecer-se-á de valores imperecíveis e à sombra dos seus ensinamentos celestes seguiremos, pelo trabalho santificante, na direção da Pátria Universal…

Todos os crentes registram-lhe o apelo consolador, mas raros se revelam suficientemente valorosos na fé para lhe buscarem a companhia.

Em suma, é muito doce escutar o “vinde a mim…"

Entretanto, para falar com verdade, já consegues ir?

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Fonte viva. Cap. 5. FEB)

INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS SAGRADOS

INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS SAGRADOS

“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” (I PEDRO, 1: 20)

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Sua luz imperecível brilha sobre os milênios terrestres, como o Verbo do princípio, penetrando o mundo, há quase vinte séculos.

Lutas sanguinárias, guerras de extermínio, calamidades sociais não lhe modificaram um til nas palavras que se atualizam, cada vez mais, com a evolução multiforme da Terra. Tempestades de sangue e lágrimas nada mais fizeram que avivar-lhes a grandeza. Entretanto, sempre tardios no aproveitamento das oportunidades preciosas, muitas vezes, no curso das existências renovadas, temos desprezado o Caminho, indiferentes ante os patrimônios da Verdade e da Vida.

O Senhor, contudo, nunca nos deixou desamparados.

Cada dia, reforma os títulos de tolerância para com as nossas dívidas; todavia, é de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer disciplinas para uso pessoal e reeducar a nós mesmos, ao contacto do Mestre Divino. Ele é o Amigo Generoso, mas tantas vezes lhe olvidamos o conselho que somos suscetíveis de atingir obscuras zonas de adiamento indefinível de nossa iluminação interior para a vida eterna.

No propósito de valorizar o ensejo de serviço, organizamos este humilde trabalho interpretativo , sem qualquer pretensão a exegese. Concatenamos apenas modesto conjunto de páginas soltas destinadas a meditações comuns.

Muitos amigos estranhar-nos-ão talvez a atitude, isolando versículos e conferindo-¬lhes cor independente do capítulo evangélico a que pertencem. Em certas passagens, extraímos daí somente frases pequeninas, proporcionando-lhes fisionomia especial e, em determinadas circunstâncias, as nossas considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo em que se inspiram.

Assim procedemos, porém, ponderando que, num colar de pérolas, cada qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida. A lição do Mestre, além disso, não constitui tão somente um impositivo para os misteres da adoração. O Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório. É roteiro imprescindível para a legislação e administração, para o serviço e para a obediência. O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo. Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser consagrados ao serviço divino.

Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o evangelho de Amor e Sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal.

Embora esclareça nossos singelos objetivos, noto, antecipadamente, ampla perplexidade nesse ou naquele grupo de crentes.

Que fazer? Temos imensas distâncias a vencer no Caminho, para adquirir a Verdade e a Vida na significação integral.

Compreendemos o respeito devido ao Cristo, mas, pela própria exemplificação do Mestre, sabemos que o labor do aprendiz fiel constitui-se de adoração e trabalho, de oração e esforço próprio.

Quanto ao mais, consola-nos reconhecer que os Textos Sagrados são dádivas do Pai a todos os seus filhos e, por isso mesmo, aqui nos reportamos às palavras sábias de Simão Pedro: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.”

Emmanuel

Pedro Leopoldo, 2 de setembro de 1948.

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. Cap. Interpretação dos textos sagrados. FEB).

PRÁTICA DO BEM

PRÁTICA DO BEM

 

“Porque assim é a vontade de Deus que, fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos.” (I PEDRO, 2: 15)

 

À medida que o espírito avulta em conhecimento, mais compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida maior lhe proporciona, reconhecendo, por fim, a imprudência de gastar recursos preciosos em discussões estéreis e caprichosas.

O apóstolo Pedro recomenda seja lembrado que é da vontade de Deus se faça o bem, impondo silêncio à ignorância e à loucura dos homens.

Uma contenda pode perdurar por muitos anos, com graves desastres para as forças em litígio; todavia, basta uma expressão de renúncia para que a concórdia se estabeleça num dia.

No serviço divino, é aconselhável não disputar, a não ser quando o esclarecimento e a energia traduzem caridade.

Nesse caminho, a prática do bem é a bússola do ensino.

Antecedendo qualquer disputa, convém dar algo de nós mesmos. Isso é útil e convincente.

O bem mais humilde, é semente sagrada.

Convocado a discutir, Jesus imolou-¬se.

Por se haver transformado ele próprio em divina luz, dominou-¬nos a treva da ignorância humana.

Não parlamentou conosco.

Ao invés disso, converteu-¬nos.

Não reclamou compreensão.

Entendeu a nossa loucura, localizou-¬nos a cegueira e amparou-¬nos ainda mais.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. Cap. 60. FEB)

Os novos Obreiros do Senhor

Os novos Obreiros do Senhor

Formamos uma grande família, na sublime família universal, uma equipe de espíritos afins.

Vinculados uns aos outros desde o instante divino em que fomos gerados pelo Excelso Pai, vimos jornadeando a penosos contributos de sofrimentos, em cujas experiências, a pouco e pouco, colocamos os pilotis de segurança para mais expressivas construções…

Errando, repetimos a tarefa, tantas vezes quantas se nos façam imprescindíveis para a fixação das lições superiores no recôndito do espírito necessitado.

Calcetas, temos enveredado por ínvios caminhos de onde retomamos amarfanhados, trôpegos, face aos cardos e calhaus que tivemos de experimentar sob os pés andarilhos.

Ambiciosos, desertamos das diretrizes seguras da renúncia e da humildade para mergulharmos em fundos fossos, onde nos detivemos tempo sem conto, até que soassem os impositivos restauradores, concedendo-nos oportunidade de reaprender e reencetar serviços interrompidos.

De instintos aguçados, preferimos, espontaneamente, as faixas animalizantes em que nos comprazíamos, no primitivismo, aos painéis coloridos e leves das Esferas Mais Altas.

Por esses e outros vigorosos motivos, temos avançado lentamente, enquanto outros companheiros, intimoratos, se ergueram do caos e conseguiram ultrapassar os limites, em que, por enquanto, ainda nos detemos.

Soa-nos, porém, a hora libertadora e o instante é azado.

Luz ou treva! Decisão definitiva de libertação ou fixação nos exercícios repetitivos da própria inferioridade.

Ascensão ou queda nos resvaladouros das falsas necessidades que se convertem em legítimas necessidades, a instâncias nossas.

Cristo nos convoca, outra vez, ao despertamento e ao trabalho de soerguimento pessoal, que em última análise é o de soerguimento da Terra mesma.

Somos as células do organismo universal por enquanto enfermo, em processo liberativo, sob a terapêutica preciosa do Evangelho Restaurado.

Não é a primeira vez que nos chega a voz do "Cordeiro de Deus", concitando-nos à redenção, ao avanço, à sublimação…

… Alguns O conhecemos nos idos tempos das horas primeiras da nossa Era, preferindo, desde então, o malogro das aspirações que eram falsas. Tivemos a oportunidade ditosa e, todavia, não soubemos ou não a quisemos aproveitar…

Depois, expiamos em densas dores, agônicas, em Regiões punitivas de sofrimentos ressarcidores. Rogamos reencarnações dolorosas, em que a lepra nos dilacerasse a carne fantasista, ou a alucinação nos dominasse as paisagens mentais, ou a demência nos fizesse esquecer, temporariamente, as impressões mais profundas, ou o câncer nos minasse as energias, impedindo-nos de maiores derrocadas, ou a viuvez, a orfandade, a paralisia decorrente dos surtos de epidemias constantes e guerras soezes, como recursos salvadores, a fim de meditarmos, refletirmos e desejarmos a luz do esclarecimento libertador…

Depois recomeçamos nas fileiras da Fé, fascinados pela ensancha preciosa de reconquistarmos a paz perdida ou adquirirmos a tranqüilidade desejada.

Ouvimos excelentes expositores do Divino Verbo, e nos comovemos. Todavia, dominados pela avidez da posse, que não morrera de todo em nosso espírito, avançamos, tresloucados, pelos sítios em que nos encontrávamos, armando a máquina da destruição em nome da Crença.

Recebemos lições invulgares de paciência e humildade dos verdadeiros heróis da renúncia. No entanto, ante o campo largo que deparávamos à frente, reacenderam-se-nos as paixões e arregimentamos forças que espezinharam povos e cidades, sobre os quais dizíamos desejar implantar a Cruz… crucificando os reacionários.

Conotamos ensinos elevados, hauridos nas fontes da inspiração superior. Apesar disso, desejando guindar-nos aos poderes transitórios do mundo de ficções, esparzimos a intriga habilmente dissimulada, usando o punhal da infâmia e o revólver da difamação com que conseguimos afastar inimigos que constituíam impedimento à nossa mentirosa ascensão.

Vimos o resplandecer das luzes espirituais em nossas reuniões de estudo, em Claustros e Seminários, Monastérios silenciosos e grutas ascetas. Mesmo assim, convertemos os recursos da oração e da vigilância em astúcia, com que, no confessionário, extorquimos as informações que usávamos para ferir e destroçar, em nome da Verdade, que manipulávamos a bel-prazer. Pareciam inúteis os celestes apelos na acústica do nosso espírito atribulado.

Reencarnamos e desencarnamos sob angústias e ansiedades, formulando planos e os destruindo, rogando retornos apressados com que nos pudéssemos reabilitar em definitivo, sem que lobrigássemos o êxito que desejávamos realmente perseguir…

… Ocorre que a névoa carnal tolda a visão espiritual e de certo modo bloqueia, nos espíritos tardos, as percepções melhores e mais sutis, anestesiando neles os centros da inspiração e da comunhão superiores.

Transcorreram séculos em vais-e-vens infelizes…

Nossos Mentores Espirituais, apiedados da nossa incúria e sandice, intercederam sempre por nós, fazendo que nos fossem facultadas novas investiduras no domicílio corporal.

Estivemos ao lado de Artistas, Pensadores, Cultores das letras e das Ciências, a fim de sentir-lhes o bafejo da mais alta ambição espiritual. Normalmente as suas auras nos afetavam, propiciando-nos lampejos iluminativos e abençoados, porém, rapidamente, tão intoxicados estávamos.

Por fim, quando o abençoado "Sol de Assis" resplandeceu na Terra, reorganizando o Exército de Amor do Rei Galileu, fruímos a sublime ocasião de retomar às lides da Fé, palmilhando as estradas impérvias que a humildade nos oferecia, enquanto a sua voz entoava a canção da fraternidade universal, com as notas melódicas da compaixão e da caridade.

Sempre em grupos afins, volvemos ao mergulho no carro somático e tentamos, em equipe, estabelecer as bases da felicidade ao calor da Mensagem Evangélica que, então, começava a dominar os diversos arraiais da Terra. Não foram poucos os esforços dos "adversários da luz" tentando, apagar as pegadas do Discípulo Amado pelos caminhos da Umbria, que se estendiam por além-fronteiras, na Terra sofredora. Inovações sutis e perigosas, excessos onde antes havia escassez, atavios em lugar de desapegos, aparências substituindo a aspereza da simplicidade, lentamente foram introduzidos, no ministério cristão e, por pouco, não fosse a Divina Vigilância do "Trovador de Deus" quase nada ficaria para a posteridade, além das anotações vivas da sua caminhada incomparável… Passamos a sentir o muito que deveríamos fazer por nós próprios, pelos nossos irmãos, principalmente os da retaguarda…

Quando se preparavam os dias da Codificação Espírita, quando se convocavam trabalhadores dispostos à luta, quando se anunciavam as horas preditas, quando se arregimentavam seareiros para a Terra, escutamos o convite celeste e nos apressamos a oferecer nossas parcas forças, quanto nós mesmos, a fim de servir, na ínfima condição de sulcadores do solo onde deveriam cair as sementes de luz do Evangelho do Reino. Assim, já no albor do século passado, em pleno fastígio napoleônico, as Hostes Espirituais mourejavam com acendrado carinho, renovando as paisagens da psicosfera da França, ainda tumultuada pelos acontecimentos revolucionários dos anos idos…

A tarefa se fazia, então, de grande e grave porte. A maternidade ultrajada negava-se a novos cometimentos. A moralidade combalida parecia desconsertada para tentames maiores. A fé desgovernada saíra da asfixia, em que padecia alucinação, para a indiferença que entorpece. Os códigos dos "direitos humanos", não obstante estabelecidos pelo novo "status", sofriam as injunções guerreiras do novo Imperador…

Lentamente porém se foram clareando os plúmbeos céus da Humanidade, à medida em que mergulhavam na atmosfera fisiológica antigos heróis do pensamento, mártires da fé, guerreiros da caridade e missionários da Filosofia como da Ciência, da Moral como da Religião.

Entre eles estava Allan Kardec, o incorruptível trabalhador da Era Espírita, que logo deveria começar. O labor assumia proporções, dantes, quase, jamais igualadas… Aqueles eram os dias em que as convulsões do pensamento abririam as comportas para as experiências práticas, que ensejariam a Era da Tecnologia e da Eletrônica futura, com todos os seus complexos surtos de progresso e evolução, perigosos, igualmente, pela probabilidade de o homem, assoberbado pelas conquistas do Conhecimento, pensar em ser deus, sem conseguir, todavia, ultrapassar os limites da própria insignificância…

Acompanhamos, assim, na América e na Europa a erupção da fenomenologia medianímica, alguns emprestando suas possibilidades para as experimentações primeiras que anunciariam o momento exato para a ação do lídimo Expoente da razão, na fé libertada de preconceitos, de dogmas e de limitações. Outros, manipulando retortas e fazendo experiências de laboratório, deixamo-nos atrair ao "fato espírita", sem que possuíssemos a coragem de declará-lo com inteireza, como fizeram poucos cultores da Verdade, receosos dos compromissos novos e pesados que, porventura e logicamente, deveríamos assumir. Experimentadores e cobaias, legítimos ou não, multiplicaram-se, rapidamente, e alguns de nós entre eles. Médiuns e pesquisadores estivemos desejando cooperar sem o êxito desejado. Opúsculos e livros, folhetins e monografias apareceram volumosos, e debates sensacionais encheram páginas e páginas de periódicos, bem como Relatórios extensos formaram múltiplos volumes, sem que colimassem a superior finalidade de restabelecerem na Terra o culto à verdade, ao dever, ao amor, à caridade conforme ensinara e vivera o Amigo Divino de todos nós.

Foi Allan Kardec, indubitavelmente, o insigne herói daquela hora e o exemplo insuperável para os tempos porvindouros, quem tomou a bússola da Razão e conduziu com segurança a barca da Fé. Abandonou tudo e, arriscando-se, – pois tinha a certeza da legitimidade dos postulados que os Espíritos lhe ofereciam, após caldeá-los e averiguá-los com sabedoria de inspirado dos Céus – transformou-se em estrela rutilante, vitalizado pelo Mundo Transcendente, para clarificar intensamente os tempos de todos os tempos. Quantos, no entanto, malograram!… Não pequena foi a quota dos desertores, dos detratores, dos caídos naqueles dias, e ainda hoje!…

Adestrados, agora, para os inadiáveis serviços de reconstrução do mundo em que nos encontramos, mediante o uso dos instrumentos da mansidão, da Justiça e do conhecimento, mister se faz que nos detenhamos a reflexionar em regime de urgência e em clima de tranqüilidade. A fé que bruxuleia em nossos espíritos é a nossa lâmpada-bússola, apontando rumos.

Os recursos acumulados e as possibilidades a se multiplicarem constituem os tesouros para aplicação racional, no investimento da atual reencarnação. Não há sido pequeno o trabalho envidado pelos Administradores Espirituais das nossas vidas, a fim de nos reunir, de nos acercarmos uns dos outros, após incessantes períodos de disputas infelizes, de justas inexplicáveis, de idiossincrasias domésticas…

Já não se dispõe de tempo para futilidade nem tampouco para ilusão. Necessário lidar com Espíritos resolutos para a tarefa que não espera e o dever que não aguarda. Estes são os momentos em que deveremos colimar realizações perenes. Para tanto, resolvamo-nos em definitivo produzir em profundidade, acercando-nos de Jesus e por Ele facultando-nos conduzir até o termo da jornada. Não será, certamente, uma incursão ao reino da fantasia ou um passeio gentil pelos arredores da catedral da fé. Antes, é uma realização em que nos liberaremos das injunções cármicas infelizes, adquirindo asas para maiores vôos na direção dos inefáveis Cimos da Vida.

Há muito por fazer, que deve ser feito: sem a presunção jactanciosa, que empesta as melhores expressões do serviço, nem os injustificáveis receios, que turbam a claridade dos horizontes de trabalho. Conscientes das próprias responsabilidades não esperemos em demasia pela transformação de fora, mas envidemos esforços para o aprimoramento interior. Sem veleidades, iniciemos o trabalho de construção do novo mundo, retirando dos escombros do "eu" enfermiço os materiais aproveitáveis para as novas edificações a que nos devemos dar com euforia e santificação. Devidamente arregimentados, iniciemos o labor, partindo do lar, que deverá permanecer sobre as bases sólidas de amor, de entendimento e de fraternidade, de modo a resistir às investidas da insensatez e da leviandade, que nos não podemos permitir. Estamos no lugar certo, ao lado das pessoas corretas, vivendo com aqueles que nos são os melhores elementos para a execução do programa.

A pretexto de novas experiências ou fascinados pela utopia de novas emoções, não perturbemos o culto dos deveres a que nos jugulamos com fidelidade. Nenhuma justificação para o equívoco, nenhum desvio de responsabilidade. Tornemo-nos o vaso onde deve arder a flama do bem, oferecendo, também, o óleo dos nossos esforços reunidos a benefício da intensidade da luz. Adversários, cujas matrizes estão insculpidas em nosso imo, surgirão a cada passo, de dentro para fora e, incontáveis, virão em cerco, de fora para dentro, colocando o cáustico da aflição no cerne dos nossos sentimentos. Tenhamos paciência e vigiemos! Somente resgatamos o que devemos. Apenas seremos atingidos nas fraquezas que necesssitamos fortalecer. Aliciados pelo Senhor, à semelhança dEle, encontraremos resistência para superar dificuldades e vencer limitações que nos retinham até aqui na retaguarda. Acenados pelo Senhor e por Ele conduzidos, avançaremos. Evidente que as nossas pretensões não ambicionam reformar nada, senão nos reformarmos a nós mesmos. Primeiro incendiar de estusiasmo e esperança a Terra e as criaturas dos nossos dias, aprofundando estudos no organismo rígido da Codificação, de modo a trazê-la ao entendimento das massas, repetindo as experiências santificantes dos homens do Caminho, que abriam as portas das percepções às Entidades Espirituais nos seus cenáculos de comunhão com o Reino de Deus. Estribados no amor fraterno e alicerçados no estudo consciente dos postulados espíritas, promovamos o idealismo ardente, produtivo, abrasador, com que se forjam lídimos servidores das causas superiores, convocando as multidões, ora desassisadas, que caíram nos despenhadeiros da alucinação por não encontrarem mãos firmes na caridade da iluminação de consciências e no arado da fraternidade, concitando-as ao soerguimento e à renovação.

Com todo respeito a todos, não temamos, porém, ninguém. Vinculados e adesos ao trabalho, nos Grupos de Ação, Casas e Entidades veneráveis, auxiliemos, verdadeiramente ligados à Causa, ao Cristo e a Kardec. Nosso Guia Seguro continua sendo Jesus. A qualquer ataque, o silêncio, que é a lição de coragem pouco conhecida. O defensor da nossa honra e do nosso trabalho é o Senhor. A nós nos cabe a glória de servir, sem pretensão. Como a Seara é dEle, a Ele compete decidir e dirigir…

Em nossa equipe de trabalho, reunamos os companheiros que preferem a pesquisa consciente e metódica, sistemática e racional, facultando-lhes aprofundar observações e divulgá-las em termos condicentes com os conhecimentos dos dias atuais. Sem pressa, por significar esse trabalho excelente campo a comprovações firmes e indubitáveis, perseveremos, mesmo quando, aparentemente, os resultados parecerem tardar ou não corresponderem às nossas aspirações… Cresce a árvore paulatinamente e o corpo se desenvolve célula a célula, em equipe harmoniosa, sincronizada. Aqueloutros, que sentirem o hino, a música da palavra emboscada no coração, reúnam-se a estudar e debater temas, formulando conotações atuais e oportunas, para, logo após, saírem como semeadores da esperança, lançando as sementes nos solos dos corações humanos sempre muito necessitados, entre os quais nós própria nos arrolamos. Estes, afervorados ao ideal de servir, examinem as dores do próximo, suas necessidades imediatas e, ao invés do simplismo da dádiva que libera da responsabilidade, a ação profunda, a realização social, que não apenas amenize o problema, agora, mas que, possivelmente, resolva a dificuldade, mediante os recursos que lhes oferecermos, para se libertarem a si mesmos. Uns, estudiosos, divulguem pelo livro abençoado ou pelo folheto delicado as excelentes lições do Espiritismo, que tem resposta para a problemática de hoje como a de amanhã, esclarecendo, realmente, o homem aparvalhado sob a constrição de mil cogitações tormentosas e as cargas pesadas que engendram outros mil distúrbios, de modo a acender-lhe a lâmpada da esperança no céu do espírito atribulado.

Reunamo-nos todos, com freqüência, a fim de dirimirmos dificuldades e incompreensões, em encontros de ação cristã, debatendo os nossos serviços e permutando experiências adquiridas no campo da própria realização, com que nos resguardaremos da prepotência do eu e da vaidade de obreiros que se não permitam enganar. A palavra de cada irmão é moeda de valor, que nos merece consideração, a seu turno necessitada de debate e discussão salutar. Há demasiados sofrimentos aguardando nossa ajuda fraternal. O desespero que cavalga, infrene, espera por nós. O intercâmbio espiritual atuante não dá margem a dubiedade de comportamento moral. A ética escarnecedora destes dias vige esperando a revivescência da moral cristã em toda a sua pujança. Nenhum melindre em nós, suscetibilidade negativa nenhuma.

O Espiritismo é o renascimento do Cristianismo em sua pureza primitiva. Todos os fatos quando examinados do "ponto de vista espiritual" mudam de configuração. À meridiana luz da reencarnação alteram-se as técnicas da vida e a esperança domina as mentes e os corações. Se não conseguirmos avançar em grupo, sigamos, assim mesmo, conforme nossas forças. O desânimo de uns não pode contaminar os demais. Os melhor dotados não devem sofrer a inveja dos menos aquinhoados. Todos nós constituímos peças da engrenagem feliz para a construção do "reino de Deus" que já se instala na Terra. As muitas aflições chamarão em breve o homem para as realidades nobres da vida. Não nos permitamos dúvidas, face à vitória da dissolução dos costumes ou diante da licenciosidade enlouquecedora. Quem fizesse o confronto entre Cristo e César, naquela tarde inesquecível, veria no último o triunfador, no entanto, era Jesus, o Rei que retomava à glória solar, enquanto o outro, logo mais desceria ao túmulo, confundindo-se na perturbação…

Os valores que passam, apenas transitam… Não nos fascinemos com eles nem os persigamos. Nossas são a taça de fel, a pedrada, a difamação, quiçá a cruz… Depois de tudo consumado, porém, conforme acentua o Mestre: "Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos Céus." Não será fácil. Nada é fácil. O fácil de hoje foi o difícil de ontem, será o complexo de amanhã. Quanto adiemos agora, aparecerá, depois, complicado, sob o acúmulo dos juros que se capitalizam ao valor não resgatado. Aclimatados à atmosfera do Evangelho, respiremos o ideal da crença…

E unidos uns aos outros, entre os encarnados e com os desencarnados, sigamos. Jesus espera: avancemos!

Joanna de Ângelis

(Franco, Divaldo Franco. Pelo espírito Joanna de Ângelis. Após a tempestade. Cap. 24 – Os novos Obreiros do Senhor. Ed. LEAL)