NA LUTA VULGAR

NA LUTA VULGAR

"Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Paulo (Gálatas, 6:7)

Não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações.

Reparemos a luta vulgar.

O homem que vive na indiferença pelas dores do próximo, recebe dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias.

Afastemo-nos do convívio social e a solidão deprimente será para nós a resposta do mundo.

Se usamos severidade para com os outros, seremos julgados pelos outros com rigor e aspereza.

Se praticamos, em sociedade ou em família, a hostilidade e a aversão, entre parentes e vizinhos encontraremos a antipatia e a desconfiança.

Se insultarmos nossa tarefa com a preguiça, nossa tarefa relegar-nos-á à inaptidão.

Um gesto de carinho para com o desconhecido na via pública granjear-nos-á o concurso fraterno dos grupos anônimos que nos cercam.

Pequeninas sementeiras de bondade geram abençoadas fontes de alegria. O trabalho bem vivido produz o tesouro da competência.

Atitudes de compreensão e gentileza estabelecem solidariedade e respeito, junto a nós.

Otimismo e esperança, nobreza de caráter e puras intenções, atraem preciosas oportunidades de serviço, em nosso favor.

Todo dia é tempo de semear.

Todo dia é tempo de colher.

Não é preciso atravessar a sombra do túmulo para encontrar a justiça, face a face. Nos princípios de causa e efeito, achamo-nos incessantemente sob a orientação dele, em todos os instantes de nossa vida."

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Matão: Casa Editora O Clarim)

 

VIVER EM PAZ

VIVER EM PAZ

“…Vivei em paz…" – Paulo.(II CORÍNTIOS. 13:11)

Mantém-te em paz.

É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.

Para isso, contudo – para que a tranqüilidade te banhe o pensamento -, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.

Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação. Junto da serenidade, poderás analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e, na posição que lhes dizem respeito.

Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho…

Todos os que surgem, aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões.

Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços…

Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajadas ou contundidas.

Uns acusam, outros choram.

Ajuda-os, enquanto podes.

Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.

Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.

Recorda-te de que a Natureza, sempre divina em seus fundamentos, respeita a lei do equilíbrio e conserva-a sem cessar.

Ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.

Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Matão: O Clarim)

NA SEARA DO AUXÍLIO

NA SEARA DO AUXÍLIO

“Suportando-vos uns aos outros e perdoando-os uns aos outros, se alguém tiver queixa contra o outro; assim como o Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” – Paulo. (Colossenses, 3:13.)

Desnecessário salientar o brilho do cérebro na cúpula da Humanidade.

As nações vanguardeiras do progresso material efetuam prodígios nos setores de pesquisa e definição do plano terrestre.

A universidade é um celeiro de luz para a inteligência.

O laboratório é uma nascente de respostas seguras para milenárias indagações.

Entretanto, na esfera do espírito, sobram discórdias e desesperos, desgosto e desilusão… Todos nos referimos, inquietos, às calamidades da guerra, à proliferação do vício, aos estragos do ódio ou às deturpações da cultura, conscientes dos prejuízos e desastres que nos impõem ao caminho comum.

Assinalamos, aqui e além, lutas ideológicas, conflitos raciais, insânia e egoísmo…

Que fazemos nós, na condição de aprendizes do Cristo, para o reequilíbrio do mundo?

Achamo-nos convencidos de que a violência não extingue a violência não extingue a violência.

Além disso, não ignoramos que Jesus nos chamou, a fim de compreendermos e auxiliarmos, construirmos e reconstruirmos para o bem de todos.

Pensemos nisso.

Não alegues isolamento ou pequenez para desistir do esforço edificante que nos compete.

Uma fonte humilde garante o oásis na terra seca, e apenas uma lâmpada acesa vence a força das trevas.

A harmonia do todo vem da fidelidade e do serviço de cada um.

Trabalhemos unidos pela edificação da Terra Melhor.

Comecemos ou recomecemos a nossa tarefa, baseando a própria ação no aviso de Paulo: suportando-nos uns aos outros e perdoando-nos mutuamente.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Cap. Na seara do auxílio. Matão: O Clarim)

QUESTÕES DO COTIDIANO

QUESTÕES DO COTIDIANO

"… E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal…" – Jesus. (Mateus, 6:13).

Se fomos injustamente desconsiderados por alguém não será mais razoável deixar esse alguém com a revisão do gesto irrefletido, ao invés de formularmos exigências nas quais viremos, talvez, unicamente a perder a própria tranqüilidade?

Se fomos ofendidos por que não nos colocarmos, por suposição, no lugar daquele que nos fere, a fim de enumerar as nossas vantagens e observar, com silencioso respeito, os prejuízos que lhe dilapidam a existência?

Se incompreendidos não será mais aconselhável empregar o tempo trabalhado na execução dos deveres que esposamos, ao invés de fazer barulho para descerrar prematuramente a visão dos outros, às vezes com agravo de nossos problemas?

Se criticados, em razão de erros nos quais tenhamos incorrido, por que não nos resignarmos às próprias deficiências retomando o caminho reto, sem reações e provocações que somente dificultariam a nossa caminhada para a frente?

Se abatidos na provação ou na enfermidade por que insurgir-nos contra as circunstâncias temporariamente menos felizes a que nos encadeamos, desprezando as oportunidades de elevação em nosso próprio favor.

Em quaisquer lances difíceis do cotidiano adotemos serenidade e tolerância, as duas forças básicas da paciência, porquanto se não prescindimos da fé raciocinada para não cairmos na cegueira do fanatismo, precisamos da paciência, meditação e auto- análise a fim de que não venhamos a tombar nos desvarios da inquietação.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Cap. Questões do cotidiano. Matão: O Clarim)

União e solidariedade

União e solidariedade

“Filhos, o Senhor nos abençoe.

Solidários, seremos união.

Separados uns dos outros, seremos pontos de vista.

Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos. Distanciados entre nós, continuaremos à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados com a Providência Divina.

Crede! A humildade e a paciência no mecanismo de nosso relacionamento são as energias de entrosagem de que não podemos prescindir, na execução de nossos compromissos.

Roguemos, pois, a Deus a força indispensável para nos sustentar fiéis aos nossos compromissos de união em torno do Evangelho de Cristo, a fim de concretizar-lhe os princípios de amor e luz.

Mantenhamos unidos, em Jesus, para edificar e acender Kardec no caminho de nossas vidas, porque unicamente assim, agindo com a fraternidade e progredindo com o discernimento, é que conseguiremos obter os valores que nos erguerão na existência em degraus libertadores de paz e ascensão.

Bezerra de Menezes"

(Mensagem recebida durante visita de integrantes da USE de Marília. Originalmente publicada em: Unificação. USE. Ano XXVII. No. 309. São Paulo. Novembro-dezembro de 1980)

Extraído de: Carvalho, Antonio Cesar Perri. União dos espíritas. Para onde vamos? Cap. 5.3.3. Capivari: EME, 2018.

FAZER LUZ

FAZER LUZ

"Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". – Paulo. (Romanos, 14:1).

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.

Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento.

De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.

A Ciência investiga.

A Religião crê.

Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.

Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.

Auxiliemo-nos mutuamente.

Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.

Diz o Apóstolo Paulo: "Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões".

É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir.

E servir é fazer luz.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Cap. Fazer luz. Matão: Casa Editora O Clarim)

OBSESSÕES

OBSESSÕES

“…e não nos deixei cair em tentação mas livra-nos do mal” – Jesus (Mateus, 6:13).

Nem sempre conseguimos perceber.

Os processos obsessivos, vastas vezes, porém, principiam de bagatelas:

O olhar de desconfiança…

Um grito de cólera…

Uma frase pejorativa…

A ponta de sarcasmo…

O momento de irritação…

A tristeza sem motivo…

O instante de impaciência…

A indisposição descontrolada…

Estabelecida a ligação com as sombras por semelhantes tomadas de invigilância, eis que surgem as grandes brechas na organização da vida ou na moradia da alma:

A desarmonia em casa…

A discórdia no grupo da ação…

O fogo da crítica…

O veneno da queixa…

A doença imaginária…

A rede da intriga…

A treva do ressentimento…

A discussão infeliz…

O afastamento de companheiros…

A rixa sem propósito…

As obsessões que envolvem individualidades e equipes quase sempre partem de inconveniências pequeninas que devem ser evitadas, qual se procede com o minúsculo foco de infecção.

Para isso, dispomos todos de recursos infalíveis, quais sejam:a dieta do silêncio, a vacina da tolerância, o detergente do trabalho e o antisséptico da oração.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Matão: Casa Editora O Clarim)

OBEDEÇAMOS

OBEDEÇAMOS

"Escrevi-te confiando na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que te digo". – Paulo (Filemon, 1:21)

Escrevendo ao companheiro, Paulo não afirma confiar na inteligência que pode envaidecer-se e desgovernar-se.

Nem na força que induz à mentira.

Nem no entusiasmo suscetível de enganar a si próprio.

Nem no desassombro que, muita vez, é simples temeridade. Nem no poder capaz de iludir-se.

Nem na superioridade que costuma desmandar-se no orgulho.

O apóstolo confia na obediência.

Não na passividade-cegueira que alimenta a discórdia e o fanatismo, mas na compreensão que se subordina ao trabalho por devotamento ao bem de todos, enxergando na felicidade alheia a felicidade que lhe é própria.

Para que atinjas a comunhão com o Senhor não é necessário te consagres ao incenso da adoração, admirando-o ou defendendo-o.

Obedece-lhe.

Seguindo-lhe as recomendações aperfeiçoarás a ti mesmo pela cultura e pelo sentimento e terás contigo o amor e a lealdade, a harmonia e o discernimento, a energia e a brandura que garantem a eficiência do serviço a que foste chamado.

Saibamos, pois, – obedecer ao Senhor em nosso mundo íntimo e aprenderemos a fazer mais pela vida do que a vida espera de nós.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Matão: Casa Editora O Clarim).

GLÓRIA AO BEM

GLÓRIA AO BEM

“Glória, porém, e honra e paz a qualquer que obra o bem.” — Paulo (ROMANOS, capítulo 2, versículo 10.)

A malícia costuma conduzir o homem a falsas apreciações do bem, quando não parta da confissão religiosa a que se dedica, do ambiente de trabalho que lhe é próprio, da comunidade familiar em que se integra.

O egoísmo fá-lo crer que o bem completo só poderia nascer de suas mãos ou dos seus.

Esse é dos característicos mais inferiores da personalidade.

O bem flui incessantemente de Deus e Deus é o Pai de todos os homens.

E é através do homem bom que o Altíssimo trabalha contra o sectarismo que lhe transformou os filhos terrestres em combatentes contumazes, de ações estéreis e sanguinolentas.

Por mais que as lições espontâneas do Céu convoquem as criaturas ao reconhecimento dessa verdade, continuam os homens em atitudes de ofensiva, ameaça e destruição, uns para com os outros.

O Pai, no entanto, consagrará o bem, onde quer que o bem esteja.

É indispensável não atentarmos para os indivíduos, mas, sim, observar e compreender o bem que o Supremo Senhor nos envia por intermédio deles.

Que importa o aspecto exterior desse ou daquele homem? que interessam a sua nacionalidade, o seu nome, a sua cor?

Anotemos a mensagem de que são portadores.

Se permanecem consagrados ao mal, são dignos do bem que lhes possamos fazer, mas se são bons e sinceros, no setor de serviço em que se encontram, merecem a paz e a honra de Deus.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. Cap. 42. FEB)

MEU TESOURO

MEU TESOURO

Agradeço, senhor,

O mundo em verde e flor que nos fizeste… 

– A Terra – O lar de luz que se equilibra, em pleno Lar Celeste!…

Agradeço a esperança que me acalenta o ser,

A benção de servir, o Dom de compreender…

Agradeço a amizade em que meu coração se renova e se ufana, toda vez que se alegra ou se refaz, no entendimento da ternura humana.

Agradeço a lição do sofrimento, no cadinho da prova em que me exaltas, entregandome a dor por auxílio divino e apagando em silêncio as minhas próprias faltas !…

Agradeço a instrução e o carinho da escola,

O socorro do bem e a palavra tranqüila que me ajuda ou consola!…

Agradeço a alvorada, o Sol que me sustenta e acaricia,

A noite que me acalma o pensamento, o pão de cada dia…

Entretanto, meu Deus, mais do que tudo, agradeço-te em prece enternecida

O regaço materno que me trouxe para a glória da vida!…

Em tudo, em todo o tempo e em toda a parte, sê bendito, Senhor,

Pela santa Mãezinha que me deste, me tesouro de amor!

Maria Dolores

(Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Mãe. Antologia Mediúnica. Matão: Casa Editora O Clarim)