A SERPENTE INVISÍVEL

A SERPENTE INVISÍVEL

No campo do serviço cristão, mesmo nos arraiais do Espiritismo Evangélico, tudo é alegria e esperança enquanto há céu azul.

Diante do sol reconfortante e amigo, é doce a expectativa, em torno do futuro, e sob o pálio estrelado da noite tranqüila é mais belo sonhar com a vida noutros mundos.

Então, os aprendizes são firmes na confiança e seguros nas promessas.

A natureza se faz o trono de Deus, a expressar-se em prodígios de sabedoria e as criaturas são almas irmãs em demonstrações recíprocas de entendimento e de amor.

Entretanto, quando as nuvens se adensam no horizonte e a tormenta desaba, eis que as disposições do crente se modificam.

A preguiça – serpe invisível a se nos ocultar renitente, nas próprias almas exterioriza-se de imediato, através de máscaras diversas.

Ante o fascínio da desculpa incondicional às ofensas alheias, paralisa-se-nos coração, a sugerir em forma de dignidade ferida: Impossível esquecer.

À frente do trabalho árduo no socorro às necessidades humanas, nosso próprio espírito enverga a túnica de pretensa humildade confundido: Quem sou eu para auxiliar?! … Sou um poço de vermes, um vaso de imperfeições!

Perante os difíceis testemunhos de paciência, costumamos exibir suposta superioridade moral e afirmarmos peremptórios: Não alcancei a santidade! Agora não posso mais…

Renteando com a luta aflitiva, em favor dos companheiros infelizes, junto aos quais a vida nos pede recapitulação de atitudes e ensinamentos, adotamos imaginária fadiga e gritamos sem razão: Fiz o que pude!

Que outros agora venham à liça para a cooperação fraternal.

Diante da prestação de serviço urgente ao próximo, habituamo-nos freqüentemente a esposar preocupações falsas no tempo e alegamos petulantes: Amanhã! Amanhã cuidaremos disso.

Se te interessas realmente pelo própria renovação, à luz do Evangelho, anota o momento que voa e não menosprezes o ensejo sublime de ser mais útil.

Recorda que a ociosidade mental é antiga serpente sedutora, asfixiando-nos a vida e somente em lhe olvidando o veneno suave e mortífero, trabalhando e servindo sempre, é que conseguiremos assimilar o ideal da perfeição com Jesus, nosso Mestre e Senhor.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Construção do amor. Cap. A serpente invisível. São Paulo: CEU).

PEDRAS

PEDRAS

As dificuldades de qualquer natureza são sempre pedras simbólicas, asfixiando-nos as melhores esperanças do dia, do ideal, do trabalho ou do destino, que recebemos na glória do tempo.

É necessário saber tratá-las com prudência, serenidade e sabedoria.

Há diversos modos de considerar os obstáculos, removendo-os ou aproveitando-os.

O preguiçoso recebe os calhaus da luta e estende-se no caminho, sucumbido ao seu peso.

É o espírito desanimado, indolente e enfermiço.

O desesperado, em se sentindo sob os granizos da sorte, confia-se à intemperança mental e atira-os ao viandante inocente ou à porta de companheiros inofensivos.

É o espírito indisciplinado, renitente e impulsivo, que sabe apenas ferir o próximo ou denegri-lo com atitudes impensadas ou levianas.

O homem inteligente, todavia, recebe as pedras da experiência e, ainda mesmo sangrando as mãos ou o coração, recolhe-as, cuidadoso, valendo-se delas para a confecção de utilidades ou para a construção de edifícios consagrados ao agasalho, ao reconforto ou à benemerência, em favor dele mesmo, e de quantos ao acompanham na marcha evolutiva.

Ninguém passará ileso nos caminhos do mundo.

As pedras da incompreensão e da dor, no ambiente comum da existência carnal, chovem sobre todos.

Do entendimento e da conduta de cada um dependerão a felicidade ou o infortúnio, na laboriosa romagem terrestre.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Vida em vida. Cap. Pedras. São Paulo: IDEAL).

Embainha tua espada

Embainha tua espada

“Embainha tua espada…” Jesus (João, 18:11)

A guerra foi sempre o terror das nações. Furacão de inconsciência, abre a porta a todos os monstros da iniqüidade por onde se manifesta.

O que a civilização ergue, ao preço dos séculos laboriosos de suor, destrói com a fúria de poucos dias.

Diante dela, surgem o morticínio e o arrasamento, que compelem o povo à crueldade e à barbaria, através das quais aparecem dias amargos de sofrimento e regeneração para as coletividades que lhe aceitaram os desvarios.

Ocorre o mesmo, dentro de nós, quando abrimos luta contra os semelhantes.

Sustentando a contenda com o próximo, destruidora tempestade de sentimentos nos desarvora o coração. Ideais superiores e aspirações sublimes longamente acariciados por nosso espírito, construções do presente para o futuro e plantações de luz e amor, no terreno de nossas almas, sofrem desabamento e desintegração, porque o desequilíbrio e a violência nos fazem tremer e cair nas vibrações do egoísmo absoluto que havíamos relegado à retaguarda da evolução.

Depois disso, muitas vezes devemos atravessar aflitivas existências de expiação para corrigir as brechas que nos aviltam o barco do destino, em breves momentos de insânia.

Em nosso aprendizado cristão, lembremo­nos da palavra do Senhor:

—“Embainha tua espada…”

Alimentando a guerra com os outros, perdemo­nos nas trevas exteriores, esquecendo o bom combate que nos cabe manter em nós mesmos.

Façamos a paz com os que nos cercam, lutando contra as sombras que ainda nos perturbam a existência, para que se faça em nós o reinado da luz.

De lança em riste, jamais conquistaremos o bem que desejamos.

A cruz do Mestre tem a forma de uma espada com a lâmina voltada para baixo.

Recordemos, assim, que, em se sacrificando sobre uma espada simbólica, devidamente ensarilhada, é que Jesus conferiu ao homem a bênção da paz, com felicidade e renovação.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Fonte viva. Cap. 114. FEB)

Interpretação dos textos sagrados, por Emmanuel

Interpretação dos textos sagrados

"[…] No propósito de valorizar o ensejo de serviço, organizamos este humilde trabalho interpretativo, sem qualquer pretensão a exegese. Concatenamos apenas modesto conjunto de páginas soltas destinadas a meditações comuns.

Muitos amigos estranhar-nos-ão talvez a atitude, isolando versículos e conferindo-lhes cor independente do capítulo evangélico a que pertencem. Em certas passagens, extraimos daí somente frases pequeninas, proporcionandolhes fisionomia especial e, em determinadas circunstâncias, as nossas considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo em que se inspiram.

Assim procedemos, porém, ponderando que, num colar de pérolas, cada qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida. A lição do Mestre, além disso, não constitui tão-somente um impositivo para os misteres da adoração. O Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório. É roteiro imprescindível para a legislação e administração, para o serviço e para a obediência. O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo. Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser consagrados ao serviço divino.

Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o evangelho de Amor e Sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal. Embora esclareça nossos singelos objetivos, noto, antecipadamente, ampla perplexidade nesse ou naquele grupo de crentes.

Que fazer? Temos imensas distâncias a vencer no Caminho, para adquirir a Verdade e a Vida na significação integral. Compreendemos o respeito devido ao Cristo, mas, pela própria exemplificação do Mestre, sabemos que o labor do aprendiz fiel constitui-se de adoração e trabalho, de oração e esforço próprio. Quanto ao mais, consola-nos reconhecer que os Textos Sagrados são dádivas do Pai a todos os seus filhos e, por isso mesmo, aqui nos reportamos às palavras sábias de Simão Pedro: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.”

EMMANUEL

Pedro Leopoldo, 2 de setembro de 1948."

(Trecho de Apresentação na obra: Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. FEB)

Mensagem de Emmanuel orienta sobre seus livros

Mensagem de Emmanuel dirigida aos amigos do Centro Espírita Luiz Gonzaga (*)

Meus amigos, muita paz.

Não fosse o conteúdo da carta de nosso amigo extremamente doutrinário, não nos consideraríamos ligados ao assunto.

Contudo, apreciando nossos deveres na previsão do porvir, somos compelidos a ponderar que, enquanto a sementeira de nossos princípios se opere no clima de melhor fraternidade, com a extensão crescente da mensagem evangélica, pura e simples, será justo marchar sem preocupações, não ocorrendo o mesmo, ante a perspectiva de convênios humanos que, suscetíveis de comprometer-nos o livre movimento, nos reclamam estudo e meditação.

Diante do plano de serviço proposto pelo abnegado companheiro que nos preside a casa de trabalho, cuja prévia apresentação agradecemos na velha gratidão e no invariável carinho que lhe devemos, pedimos permissão para sugerir as providências e ponderações seguintes:

1º) O médium Xavier, com responsabilidade definida perante a Espiritualidade, na tarefa das mensagens que psicografa, assinará um documento de doação dos direitos que lhe assistem, no aspecto legal do assunto, em favor do Centro Espírita Luiz Gonzaga, para a publicação de um livro com mensagens produzidas por intermédio de suas faculdades mediúnicas, em nossas reuniões públicas de segundas e sextas-feiras. Livro esse que o presidente de nossa instituição poderá entregar, então, documentadamente, à Livraria Allan Kardec Editora, como deseja, em nome do nosso Grupo, para que seja publicado, em benefício de nossa Casa.

Rogamos, porém, o apoio dos companheiros, para que semelhante iniciativa não ultrapasse a publicação de um só livro, nessa feição, aliás, a ser doado ao Centro Espírita Luiz Gonzaga em homenagem ao devotamento de seus trabalhadores atuais, porque mais de um livro, no aspecto em foco, poderá, de futuro, estimular a comercialização terrestre da palavra dos amigos desencarnados, no Centro, quando os seus atuais diretores estiverem desencarnados, desviando os irmãos de ideal do desprendimento, da operosidade e da diligência, nos quais a organização, com o Auxílio divino, tem sabido viver até agora.

Além disso, entregar à Livraria Allan Kardec Editora mais de um livro, constituído com mensagens recolhidas na instituição, seria entregar a uma organização espírita e respeitável, mas naturalmente comercial, um patrimônio de ideias que vem sendo produzido com destino à Federação Espírita Brasileira que, representando a Casa-máter de nossa Doutrina, no Brasil, nos merece o mais amplo acatamento e incondicional cooperação.

Embora respeitemos na Livraria Allan Kardec Editora uma instituição nobre e digna que vem colaborando com a aludida Federação no lançamento de obras doutrinárias, é preciso convir que ela não tem a obrigação de responder, mais tarde, perante a coletividade espírita, por qualquer alteração eventual na obra do Senhor, por meio dos servidores desencarnados do Evangelho, ao passo que a Federação Espírita Brasileira é depositária impessoal de graves responsabilidades nesse sentido, podendo ser naturalmente interpelada pelo consenso dos espíritas, em qualquer desvirtuamento que possa surgir, de futuro,(**) competindo-nos o dever de afirmar que o nosso parecer não se prende a qualquer desconsideração aos companheiros do Centro Espírita Luiz Gonzaga ou aos amigos da Livraria Allan Kardec Editora, que nos são sumamente estimáveis, mas sim reflete a nossa responsabilidade individual e coletiva, diante do porvir, quando os irmãos, agora encarnados, estiverem conosco, no Plano espiritual, sem possibilidades de reajustamento das próprias atitudes, à frente de abusos prováveis.

2º) Atentos ao exposto, o nosso presidente poderá escolher cento e oitenta mensagens no conjunto das que foram psicografadas, no período de 1950 a 1956, guardando, porém, o cuidado de evitar no livro a ser doado ao Centro Espírita Luiz Gonzaga, a inclusão das que já foram publicadas em Reformador, órgão da Federação Espírita Brasileira, no período de tempo a que nos reportamos, para o que nossos amigos do Centro Espírita Luiz Gonzaga deverão consultar as coleções da referida publicação, de 1950 a 1956, para que, de futuro, quando a Livraria Allan Kardec Editora, por injunções do tempo, estiver modificada em suas diretrizes, não haja possibilidade de surgir entre ela e a Federação Espírita Brasileira, em nosso nome, qualquer reclamação ou desagrado, evitando-se, desse modo, querelas públicas, em desacordo com a Doutrina de paz e amor, empenhada em nossas mãos.

3º) Devemos esclarecer aos companheiros encarnados que assim agimos, em atenção a compromissos assumidos no Plano superior, no sentido de colaborarmos todos no progresso e engrandecimento da Federação Espírita Brasileira, que representa a Casa de nossa Causa, diante da qual nossos desejos devem desaparecer, por meio da renúncia sadia, ainda mesmo quando apareçam dificuldades de imediata compreensão com os trabalhadores encarnados que a dirigem e movimentam, de vez que, acima de nós, permanece a Obra do Cristo no Espiritismo, nela mediada, cabendo-nos o dever de auxiliá-la e prestigiá-la, tanto quanto nos seja possível, com o esquecimento de nossas próprias necessidades, pois, somente assim, unidos na concórdia e no serviço incessantes, é que cooperaremos em favor da vitória do Espiritismo nas consciências.

Aqui fica o nosso parecer, que apresentamos aos nossos amigos, com respeito e confiança, dentro da nossa gratidão de todos os dias, rogando a Jesus nos ampare e abençoe.

Emmanuel

(*) Pedro Leopoldo, MG, 31 de julho de 1956.

(Xavier, Francisco Cândido. Autores diversos. Fé e vida. 1.ed. Capítulo 21. Brasília: FEB; São Paulo: CEU. 2014)

(**) Nota do GEECX - destaque para o trecho: "[…] podendo ser naturalmente interpelada pelo consenso dos espíritas, em qualquer desvirtuamento que possa surgir, de futuro,…"

Diversidade

Diversidade

“E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” Paulo (I Coríntios, 12:6)

Sem luz espiritual no caminho, reduz¬se a experiência humana a complicado acervo de acontecimentos sem sentido.

Distantes da compreensão legítima, os corações fracos interpretam a vida por mera penitência expiatória, enquanto os cérebros fortes observam na luta planetária desordenada aventura.

A peregrinação terrena, todavia, é curso preparatório para a vida mais completa.

Cada espírito exercita¬se no campo que lhe é próprio, dilatando a celeste herança de que é portador.

A Força Divina está operando em todas as inteligências e superintendendo todos os trabalhos.

É indispensável, portanto, guardarmos muito senso da obra evolutiva que preside aos fenômenos do Universo.

Não existem milagres de construção repentina no plano do espírito, como é impossível improvisar, de momento para outro, qualquer edificação de valor na zona da matéria.

O serviço de iluminação da mente, com a elevação dos sentimentos e raciocínios, demanda tempo, esforço, paciência e perseverança.

Daí, a multiplicidade de caracteres a se aprimorarem na oficina da vida humana e, por isso mesmo, a organização de classes, padrões e esferas em número infinito, obedecendo aos superiores desígnios do Pai.

É necessário, pois, que os discípulos da Revelação Nova, com o Cristianismo redivivo, aprendam a valorizar a oportunidade do serviço de cada dia, sem inquietudes, sem aflições.

Todas as atividades terrestres, enquadradas no bem, procedem da orientação divina que aproveita cada um de nós outros, segundo a posição em que nos colocamos na ascensão espiritual.

Toda tarefa respeitável e edificante é de origem celeste.

Cada homem e cada mulher pode funcionar em campos diferentes, no entanto, em circunstância alguma deveremos esquecer a indiscutível afirmação de Paulo, quando assevera que “há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido.Pelo espírito Emmanuel. Vinha de luz. Cap. 96. FEB)

ANTE A JUSTIÇA

ANTE A JUSTIÇA

Muitas vezes, enquanto na Terra, sentimo-nos vitimados pelo destino e clamamos pela justiça do Céu.

Se a aflição, porém, te constringe a garganta qual golilha de brasas, contempla, em torno, aqueles que conhecendo a Lei, abusam das faculdades e talentos que a vida lhes emprestou e estendem, ao redor do caminho, o pranto da desolação e o hálito da morte.

Observa os que acumulam dinheiro criando os tormentos da fome, os que se valem do poder temporário implantando a revolta e a penúria, os que aproveitam a inteligência para ferir e os que mobilizam a mocidade, instilando no próximo o desencanto e a loucura…

Repara como sorriem agora qual se o mundo lhes pertencesse, entretanto, amanhã, fanar-se-lhes-á repentinamente do domínio para encontrarem, de frente, a necessidade do reajuste nos institutos da Contabilidade Celeste.

Identifica-os hoje, quais se mostram, e lembra-te de que talvez foste também assim no pretérito – no pretérito que a Misericórdia de Deus te permite transitoriamente esquecer…

Recorda que também acionaste ouro e autoridade, raciocínio e beleza para flagelar e humilhar, chagar ou denegrir e aceita no presente o cálice de amargura, por remédio feliz, capaz de lavar-te o ser, para a alegria da luz.

Não rogues justiça nos dias de tua dor e sim aumento de compaixão nos tribunais da Divina Sabedoria, restaurando a ti mesmo, para seguir à frente, valoroso e sereno, na própria redenção ante a Bênção da Lei.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Construção do amor. Cap. Ante a justiça. São Paulo: CEU)

Nos corações

Nos corações

“Recebei-­nos em vossos corações.” Paulo (II Coríntios, 7:2)

Os crentes e trabalhadores do Evangelho usam diversos meios para lhe fixarem as vantagens, mas raros lhe abrem as portas da vida.

As palavras de Paulo, de Pedro, de Mateus ou de João são comumente utilizadas em longos e porfiados duelos verbais, através de contendas inúteis, incapazes de produzir qualquer ação nobre.

Recebem outros as advertências e luzes evangélicas, à maneira de negociantes ambiciosos, buscando convertê­las em fontes econômicas de grande vulto.

Ainda outros procuram os avisos divinos, fazendo valer princípios egolátricos, em polêmicas laboriosas e infecundas. No imenso conflito das interpretações dever­se­ia, porém, acatar o pedido de Paulo de Tarso em sua segunda epístola aos Coríntios.

O apóstolo da gentilidade roga para que ele e seus companheiros de ministério sejam recebidos nos corações.

Muito diversa surgirá a comunidade cristã, se os discípulos atenderem à solicitação.

Quando o aprendiz da Boa Nova receber a visita de Jesus e dos emissários divinos, no plano interno, então a discórdia e o sectarismo terão desaparecido do continente sublime da fé.

Em razão disso, meu amigo, ainda que a maioria dos irmãos de ideal conserve cerrada a porta íntima, faze o possível por não adiar a tranqüilidade própria.

Registra a lição do Evangelho no édito do ser.

Não te descuides, relegando­ a ao mundo externo, ao sabor da maledicência, da perturbação e do desentendimento.

Abriga-­a dentro de ti, preservando a própria felicidade.

Orna­-te com o brilho que decorre de sua grandeza e o Céu comunicar­-se-­á com a Terra, através de teu coração.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Vinha de luz. 1.ed.esp. Cap. 147. Brasília: FEB)

ANTE O EVANGELHO

ANTE O EVANGELHO

Realmente, por séculos sucessivos, temos realizado a transliteração do Evangelho em todos os climas culturais.

Na senda de todos os povos, as Boas Novas de Salvação surgem por florilégio religioso, revelando sentenças inimitáveis pelo seu conteúdo de beleza e sabedoria. Indubitavelmente, não possuímos na Terra outra forma de plantação primária do conhecimento, que não essa, através da letra que constitui a base da instrução clareando o pensamento.

Contudo não basta nos detenhamos na fraseologia brilhante, no gesto sutil ou nas aparências elogiáveis para demonstrar assimilação do ensinamento transformador. Cristianismo não é somente a forma da civilização que nos propomos construir com Jesus.

É, acima de tudo, essência dela mesma, com que devemos plasmar o mundo novo em que as relações humanas representem o alicerce do Reino de Deus.

Urge, pois, configurar a revelação não apenas no tesouro verbalístico que nos lastreia as conquistas filosóficas e artísticas de quase dois milênios.

É indispensável que o apelo do Grande Renovador encontre resposta na consciência e no coração, em nossas idéias e em nossos sentimentos, a fim de que a fé se exprima em trabalho incessante na extensão do bem.

Até hoje, a maioria das escolas cristãs tem adorado santos e apóstolos nos altares de pedra, mas, como nunca, necessitamos presentemente dos heróis do cristianismo nos tribunais e nas escolas, nos templos e nos hospitais, nos lares e nas oficinas, nos escritórios e nos campos, nos divertimentos e nas ruas.

Almas valorosas e decididas que disponham a romper com os impedimentos do próprio egoísmo e da própria vaidade, entusiasmadas com a visão do porvir e libertas do pessimismo que negreja, na volúpia da destruição por onde passa…

Considerando, qual aconteceu à mulher sofredora na praça pública, somos passíveis de condenação pela ociosidade com que vimos congelando as nossas melhores oportunidades de serviço.

Todos nos encontramos à face do julgamento, pelo delito de lesa consciência, de vez que temos adulterado a mensagem do Divino Benfeitor de mil modos, em cada romagem no mundo. Jesus, porém, tolera-nos compassivo e reforma-nos o empréstimo de tempo e de valores novos…

Mas, se é verdade que nenhum de nós está em condições de atirar a primeira pedra no irmão de caminho, cabe-nos a todos ouvir o Mestre Inesquecível em sua amorosa e segura advertência: – “Vai e não peques mais”.

Renovemo-nos oferecendo ao mundo e à vida o que possuamos de melhor, porquanto se a ignorância era a nossa furna de sombra até ontem, pelo conhecimento de agora, podemos avanças para futuro, em companhia de Jesus, desde hoje.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Construção do amor. Cap. Ante o Evangelho. São Paulo: CEU)

CONFIAREMOS

CONFIAREMOS

"E se sabemos que ele nos ouve, quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito". – João (I João, 5:15)

Em nos dirigindo ao Senhor, rogando alguma concessão, condicionemo-nos ao Critério Divino.

Digamos no íntimo do ser:

"Se julgardes, Senhor, que isso nos ajudará a ser melhores para os nossos irmãos, em louvor dos vossos desígnios…"

"Se considerardes que assim poderemos ser mais úteis em vossa obra…"

E façamos dentro de nós o silêncio preciso, emudecendo qualquer indisciplina mental.

Sintonizemos o coração em ponto certo, ou, melhor, liguemos o pensamento para a Infinita Sabedoria, tendo o cuidado imprescindível para que a estática de nossas paixões e sensações não interfira com a recepção da bênção que nos advirá da Divina Bondade.

Oremos, unindo-nos aos planos do Senhor, sem exigir que os planos do Senhor se submetam aos nossos, e aprenderemos a ver e a aceitar o que seja melhor para nós, asserenando o coração.

Não gritarmos "eu quero…" mas afirmar, em nossa condição de espíritos imperfeitos: “se posso querer”…

Em qualquer setor de organização humana, o benefício solicitado se divide em duas fases essenciais – o pedido e a solução. Forçoso, porém, reconhecer que, se todo pedido é livre, qualquer solução exige exame.

Empregadores não atendem às requisições dos subordinados sem analisar-lhes a ficha de mérito, sob pena de prejudicarem a máquina administrativa.

Professores não satisfarão exigências de alunos sem, antes, lhes observar o aproveitamento, se não querem perturbar as funções educativas da escola.

É licito rogar ao Senhor tudo aquilo de que carecemos e até mesmo tudo quanto quisermos, porquanto na maioria das ocasiões não passamos de crianças caprichosas, mas saibamos implorar dele a compreensão necessária para recebermos as respostas do Alto, sem prejuízo para a harmonia da vida, porque, se sabemos o meio exato e amplo de pedir, somente Deus – pelos Mensageiros Divinos que o representam, junto de nós – sabe, em nosso favor, como, onde e quando nos atender.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Cap. Confiaremos. Matão: O Clarim).