Revista A Senda – Federação Espírita do Estado do Espírito Santo

 

Entrevistado: Antonio Cesar Perri de Carvalho

 

União –  Ação social – Ética

 

  1. Sabemos que ao longo dos últimos 53 anos você participou intensamente de vários momentos do Movimento Espírita Nacional e Internacional, com diversas ações na busca do ideal da Unificação. Nesse sentido, quais as reflexões necessárias, no momento atual, para a consolidação da Unificação do Movimento?

Perri:

Em função de várias experiências vivenciadas ao longo desse longo período de tempo e em todos os níveis de abrangência, consideramos que as Obras Básicas de Allan Kardec devem ser a base para os acordos de união e logicamente referencial para as práticas. Entendemos que a consolidação da unificação do movimento espírita deve passar por análises e avaliações fundamentadas em Allan Kardec: nos seus cinco livros principais, em Viagem Espírita em 1862, em Revista Espírita e em Obras Póstumas, que registram inúmeras orientações e relatos de diálogos e visitas que devem servir de principal referencial para os assuntos relacionados com união e relacionamento entre pessoas e instituições. Além do Codificador e muito coerente com suas recomendações há mensagens históricas sobre união e unificação psicografadas por Chico Xavier, como a pioneira, do espírito Emmanuel: "Em nome do evangelho" (1948); e o texto marcante de Bezerra de Menezes: "Unificação" (1963).* Entendemos que estas referências merecem profundas reflexões para balisarem estudos sobre a união espírita. Nessas, dispomos de orientações muito claras fundamentadas no ideal da união fraternal e que não se restringem apenas a acordos formais.

  1. Estamos, ainda, muito longe da conquista deste ideal?

Perri:

Inegavelmente houve muito progresso desde a proposta inicial conhecida como Bases de Organização Espírita (1904), dos tempos do presidente da FEB Leopoldo Cirne.* União e unificação devem ser entendidas como um processo e não obra acabada. Realmente devem dar a ideia de movimentação, de ação, imbricadas das bases espíritas e, claro, da moral cristã. Portanto, como nenhum ser ou instituição são perfeitos, é sempre cabível a avaliação e o aperfeiçoamento do processo. As pessoas, normas e instituições refletem o estado geral das condições éticas e morais do mundo de nossos dias. E os espíritos nos afiançam que nosso planeta está ainda distante do predomínio de valores voltados ao bem e à paz.

  1. O Movimento Espírita organizado tem propiciado atrativos para que o jovem se sinta pertencente ao trabalho na Casa Espírita?

Perri:

Essa questão nos preocupa intensamente. Quem conviveu com o trabalho e o dinamismo dos jovens espíritas de meados do século XX e conhece os dados estatísticos sobre religião em nosso país, dos Censos do IBGE dos anos 2.000 e 2.010, percebe que, comparativamente com outras religiões, o segmento jovem não evoluiu significativamente no movimento espírita.* Portanto, cremos que há muito a ser feito para se realizar diagnóstico real e desapaixonado da situação, buscando encaminhamentos que favoreçam a integração do jovem nos centros e no movimento espírita.

  1. No livro Perturbações Espirituais, Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco, alerta os dirigentes espíritas sobre as tenebrosas organizações do Mal. Que antídotos os dirigentes devem adotar para se contraporem a essas investidas organizadas às Instituições Espíritas?

Perri:

Para se contrapor a essas investidas organizadas, é primordial a adoção da profilaxia do orgulho e do egoísmo, tão repetidos em O livro dos espíritos e em O evangelho segundo o espiritismo: “O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve […] em si próprio, pois esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias terrenas.” (ESE, Cap. XI, item 11). Tudo o mais é decorrente dessas duas reações.

  1. O Codificador estabeleceu, em artigo publicado na edição de setembro de 1858 da Revista Espírita, quatro períodos de Propagação do Espiritismo; sendo o quarto período denominado de influência sobre a ordem social. No seu entendimento, quais seriam, hoje, as ações práticas que estão sendo desenvolvidas pelos espíritas, no sentido de que esta influência dos ensinamentos espíritas se faça sobre a ordem social?

Perri:

Ao longo do século XX, a dedicação dos espíritas, consolidou milhares instituições de assistência social em nosso país. Os espíritas passaram a ser respeitados pelo “bem que fazem”. Todavia, embora esteja incluído o item “Participação Social”, nos “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro”, períodos 2007/2012 e 2013/2017, aprovados pelo CFN da FEB – e, aliás, este último se extingue neste ano -, entendemos que há muito a ser realizado no sentido de se registrar uma posição espírita mais evidente em várias vertentes da ordem social.

  1. Em seu artigo Ética e Moral na Atualidade, publicado na edição de mai/jun de 2017 de A Senda, você coloca, num dos parágrafos, quando aborda os aspectos ético-morais no momento de crise pelo qual passamos, o seguinte: “A seara espírita também é ambiente para o cultivo de valores ético-morais. E numa análise mais profunda pode-se verificar que a concepção e a prática da religião podem conduzir a equívocos. Num país de dimensões continentais as diferenças são evidentes. Torna-se imperioso o respeito à diversidade, pois não seriam convenientes as orientações, programas de estudos e de trabalhos padronizados.” Gostaria que explorasse um pouco mais essas considerações.

Perri:

No geral, por mais esforço que se faça, sempre há uma certa influência do meio e, para nós espíritas, também há o entendimento de influências de vivências de outros tempos e de outras reencarnações. O movimento espírita não está isento dessas influências. Nosso planeta não tem a característica da encarnação de seres perfeitos. Por isso, há posturas que podem lembrar movimentos e ações institucionais religiosas de outros tempos. Afinal, em O evangelho segundo o espiritismo (Cap. XVII, item 4) há a anotação de que “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços em dominar suas más inclinações”.

A outra questão é que sendo espíritos encarnados, não somos iguais, temos experiências diversas e nos encontramos em estágios diferentes. Daí a razão de se evitar tratamentos às pessoas exigindo-se delas que sejam “à nossa imagem e semelhança” a começar de dentro do nosso ambiente familiar. Como respondeu Chico Xavier em entrevista em 1977: “[…] deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana…”* Por isso entendemos que não cabem as padronizações ou adoção de cópias autênticas de projetos de trabalho e de estudo para todas instituições. As propostas de trabalho e de estudos devem ser sugestivas, abrindo-se espaço para as flexibilizações e adequações, à cada realidade e cada público alvo. O Espiritismo aqui está para restabelecer e trabalhar o projeto da Boa Nova, que deve criar um novo relacionamento pessoal e institucional!

(* – Citações extraídas de Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: USE. 2016. 196p.)

- A Senda – Órgão da FEEES – Ano 95 – N. 187 – Set.-Out. 2017 – p. 15-16.

Primeira edição da Bíblia toda traduzida do grego para o português começa a ser lançada no Brasil

Tradução da Bíblia do grego, feita por especialista, isenta de interpretações religiosas, com interesse “histórico-linguístico, e não teológico”.

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Primeira edição da Bíblia toda traduzida do grego para o português começa a ser lançada no Brasil

Português Frederico Lourenço, que vem para Flip em julho, comenta diferenças no texto

POR LEONARDO CAZES

29/04/2017 4:30 / atualizado 29/04/2017 11:52

RIO – Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, presentes no Novo Testamento, foram escritos originalmente em grego. Apesar da onipresença da Bíblia em lares e igrejas brasileiras — é o livro mais lido no país, segundo a pesquisa “Retratos da Leitura”, realizada pelo Ibope Inteligência para o Instituto Pró-Livro —, as edições do Brasil, e também de Portugal, foram traduzidas de várias línguas diferentes. A principal fonte foi o latim, graças à difusão ao longo de séculos pela Igreja Católica. Agora, chega às livrarias brasileiras, pela Companhia das Letras, uma tradução direta do grego feita pelo português Frederico Lourenço, professor de Estudos Clássicos, Grego e Literatura Grega da Universidade de Coimbra. O seu interesse pela Bíblia é “histórico-linguístico, e não teológico”, afirma ele, que já traduziu os outros livros do Novo Testamento e e está trabalhando no Velho Testamento. Esses volumes também serão lançados no Brasil.

Em entrevista ao GLOBO, o professor conta que decidiu encarar a empreitada após escrever “O livro aberto”, de ensaios sobre a Bíblia. Essa obra será lançada pela editora Oficina Raquel durante a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho, da qual Lourenço será um dos convidados. Ele destaca que a nova tradução dá a oportunidade de ler um texto mais próximo da intenção original dos seus autores.

— Achei que faltava em português uma tradução feita para ser lida sob a perspectiva da história do primeiro cristianismo e não à luz das igrejas que vieram depois — explica. — Após ter decidido traduzir o Novo Testamento, decidi traduzir também o Antigo Testamento grego, por esse ser a Escritura judaica lida pelos primeiros cristãos.

A Bíblia grega nasceu em Alexandria, no Egito. Qual foi o contexto histórico que levou a essa empreitada, que teria envolvido cerca de 70 tradutores?

Não se sabe ao certo como nasceu a tradução do Antigo Testamento grego. A lenda dos 72 tradutores não passa disso mesmo, de uma lenda; mas o fato de ter sido necessário traduzir o Antigo Testamento hebraico para grego mostra a crescente helenização da cultura judaica em toda a zona oriental do Mediterrâneo. A Escritura não foi só traduzida para grego para que pudesse ser lida por não judeus; foi sobretudo para ser lida por judeus que já eram falantes de grego como língua materna.

O senhor aponta indícios de que os quatro evangelistas eram leitores da Bíblia grega. De que maneira isso pode ter influenciado a redação dos seus evangelhos?

Nota-se a presença da Bíblia grega em cada página do Novo Testamento, na forma como a Escritura judaica (o Antigo Testamento) é citada e também interpretada. O caso mais evidente que todos conhecem ocorre no primeiro capítulo de Mateus, com a citação de Isaías sobre a virgem que engravidará e dará à luz um filho. A palavra “virgem” não está na frase hebraica de Isaías; está só na tradução grega de Isaías. Os exemplos são incontáveis. Também nas cartas de Paulo vemos em cada página citações da Bíblia grega que têm uma fraseologia diferente da que conhecemos do texto hebraico.

O conceito de autoria dos evangelhos é bastante controverso. Devemos acreditar que os quatro evangelistas foram quatro pessoas diferentes?

Essa é uma questão que, ao fim de quase 2000 anos, continua em aberto. Eu penso que não é possível sabermos ao certo quem escreveu os quatro evangelhos. Para quem lê o texto em grego fica claro que Mateus e Lucas se inspiraram em Marcos, e que João pertence a uma tradição independente. Também não sabemos os nomes reais dos autores, porque nenhum evangelho está internamente assinado, como é o caso das cartas de Paulo ou do livro de Apocalipse. No caso do evangelho de João, custa-me acreditar na autoria coletiva, dado que o texto tem uma coerência estilística muito coesa, tirando o episódio da mulher adúltera e o último capítulo.

Toda tradução carrega uma dose de mediação. A Bíblia grega é capaz de nos aproximar de um texto dos evangelhos mais próximo de como eles foram escritos?

É o texto grego do Novo Testamento que nos leva mais perto das intenções da sua escrita. Por isso não concordo com Bíblias traduzidas do latim, do inglês ou do francês, como é o caso de muitas que circulam em língua portuguesa. No caso do Novo Testamento, temos sempre de partir do texto grego. No entanto, é impossível recuperar o texto original tal como ele foi primeiramente escrito, porque os manuscritos mais antigos que temos no Novo Testamento completo são do século IV. E depois disso há milhares de manuscritos até ao século XV, e todos apresentam diferenças.

O senhor enumera uma série de contradições entre os quatro evangelhos em episódios fundamentais da história de Jesus. Há uma explicação para a Igreja manter essa diversidade de versões?

Quando nós comparamos os evangelhos canônicos com os apócrifos, não temos dificuldade em entender a importância que foi dada a Mateus, Marcos, Lucas e João. Estão numa categoria conceitual e literária muito acima de qualquer evangelho apócrifo que tenha chegado até nós. Não se sabe a razão da manutenção dos quatro evangelhos em vez da opção pela fusão dos quatro num só, como fez Taciano, mas é algo que deve inspirar a nossa gratidão. Uma das maiores riquezas do cristianismo é termos esses quatro retratos diferentes de Jesus. O que me parece errado é desvalorizar as diferenças e fingir que os quatro dizem a mesma coisa.

Você poderia falar sobre o “O livro aberto”, que será lançado em julho, na Flip?

Nesse estudo procuro colocar as questões que se levantam quando lemos a Bíblia de uma perspectiva crítico-histórica, sem recurso à interpretação teológica. O que proponho é que as incoerências são uma característica compreensível, dado o fato de o Livro constituir a reunião de muitos livros escritos por pessoas diferentes em épocas diferentes. Proponho linhas de leitura para quem se interesse pela Bíblia fora do âmbito eclesiástico, seja ele católico ou protestante.

Afinal, a Bíblia que se lê na maioria dos lares e igrejas do Brasil está errada?

Essas Bíblias (traduzidas de outras línguas) não trazem diferenças na trama, mas trazem no pormenor. A melhor tradução será sempre aquela que leva o leitor a entrar nas complexidades e nos pormenores do grego e do hebraico. Uma tradução da Bíblia que fomente a ilusão de que o texto não levanta problemas linguísticos não é, na minha opinião, uma boa tradução. Aceito que, para leitura na igreja, se queira uma Bíblia traduzida de modo a facilitar o entendimento oral do texto. Mas depois em casa as pessoas podem interessar-se por conhecer os problemas que estão por trás das palavras que ouviram na igreja. É nesse sentido que eu pretendo contribuir para uma leitura crítica e informada da Bíblia.

Extraído de: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/primeira-edicao-da-biblia-toda-traduzida-do-grego-para-portugues-comeca-ser-lancada-no-brasil-21275396

O aguardado primeiro volume da tradução da Bíblia grega, a mais completa de todas.

Apresentação

Com apresentação, tradução e notas de Frederico Lourenço, tradutor premiado que já verteu para o português obras clássicas como Ilíada e Odisseia, esta edição, que será composta por seis volumes, toma por base o texto original do Novo Testamento, com seus 27 livros, e a versão grega do Antigo Testamento, também conhecida como "Bíblia dos Setenta", composta por 53 livros originalmente escritos em hebraico e traduzidos para o grego no século III a.C. Trata-se, portanto, da versão mais completa que há da Bíblia, na qual figuram inclusive partes que viriam a ser excluídas do cânone definitivo. Além disso, a versão grega traz sutis diferenças em relação à hebraica, de modo que ler o livro de Gênesis ou o Cântico dos Cânticos numa tradução que toma como base a variante grega é ler um novo texto. Marco fundamental da história do judaísmo, uma vez que simboliza o momento em que a cultura judaica se internacionaliza ao ser vertida para a língua franca de então, a Bíblia dos Setenta é também de inestimável importância para o estudo da história do cristianismo, uma vez que era a Bíblia das primitivas comunidades cristãs. É a partir dessa versão do Antigo Testamento que Jesus Cristo, pela mão dos evangelistas, cita a Escritura. Por meio de uma atitude ponderada e desprovida de preconceitos face aos problemas linguísticos suscitados, Lourenço oferece notas que esclarecem e contextualizam, respeitando com isso a sensibilidade dos leitores religiosos que desejam aprofundar seu conhecimento das Escrituras sem deixar de cumprir as expectativas daqueles interessados num olhar mais objetivo. Neste primeiro volume, o leitor encontrará os quatro evangelhos do Novo Testamento, e poderá desfrutar das particularidades da voz de cada Evangelista. A tradução rigorosa, marcada pela busca do sentido mais profundo das palavras originais, ressalta a dimensão literária deste que é o maior livro de todos os tempos.

Ficha Técnica

Título original: BÍBLIA – NOVO TESTAMENTO
Páginas: 424
Formato: 16.20 x 23.60 cm
Peso: 0.719 kg
Acabamento: Capa dura
Lançamento: 28/04/2017
ISBN: 9788535928815
Selo: Companhia das Letras

Tempo para reflexão e interação nos 70 anos de USE

      

Por Eliana Haddad e Izabel Vitusso

Conclusões das Rodas de Conversa

Ponto alto do evento, seis rodas de conversa abordaram assuntos preponderantes para o movimento espírita. Como foi enfatizado pelos organizadores, o congresso não terminava ali e deveria continuar nas casas espíritas, como um convite à reflexão e discussão sobre os vários itens apontados. Veja as principais conclusões apresentadas pelos coordenadores:

 

Qualidade doutrinária da literatura espírita

Por Marco Milani

É preciso ponderar o que pode ser aceito como novo conhecimento, separando-se os livros em espíritas e "pseudoespíritas". Para que algo possa ser considerado como uma nova informação para a doutrina é preciso haver evidências objetivas que comprovem a novidade. Passar pelo crivo da razão, por toda a comunidade espírita e científica.

Também o perigo da idolatria foi abordado, em função da fixação que algumas pessoas têm com relação a médiuns. Não é porque o médium é famoso, que todas as suas obras devam ser aceitas sem análise.

A seleção das obras para a livraria na casa espírita deve prezar a coerência doutrinária, sendo de reponsabilidade do dirigente. A biblioteca pode ter outro caráter e conter inclusive obras que tenham contradições, mas devidamente classificadas como tal.

 

Práticas estranhas ao centro espírita

Por Antonio Cesar Perri de Carvalho

O movimento espírita tem dificuldade de lidar com a crítica. Porem, feita de maneira equilibrada, não pode ser considerada como algo destrutivo. É preciso atentar para práticas estranhas, não somente com relação à mediunidade, mas também em questões doutrinárias, gestão administrativa e as inter-relações dos espíritas, entre dirigentes, colaboradores e frequentadores.

Sobre o passe, concluiu-se que por ser uma doação de sentimento, muito simples, não há necessidade de movimentos e encenações. É preciso atenção sobre os limites das atividades de cura para não se correr o risco da caracterização de curandeirismo e prática ilegal da medicina.

Outro ponto analisado foi o crescimento de instituições que acabam por requerer um autêntico comércio para sua manutenção. Herculano Pires foi lembrado, através de seus comentários no livro O evangelho em espírito e verdade sobre Paulo de Tarso, que libertava a religião da política e do negócio, para ser vivida em si mesma, com toda a independência moral.

A apometria foi claramente considerada como prática não espírita. Há também centros espíritas utilizando-se de cursos e técnicas de magnetismo, sendo preciso haver a identificação sobre diferenças entre prática espírita e práticas alternativas de terapias complementares, que estão fora da alçada do centro espírita.

 

Teorias científicas e espiritismo

Por Alexandre Fontes da Fonseca

Refletiu-se sobre a impropriedade de se utilizar teorias científicas modernas para explicações de conceitos espíritas. O espiritismo tem valor por si só e possui todos os ingredientes filosóficos para ser uma ciência legítima, sem deixar a desejar a nenhuma física, química, biologia, medicina, etc. Perante a tentação de aceitar essas novidades, somos seduzidos pelo linguajar técnico, sofisticado, com ar de moderno, e deixamos de lado a própria doutrina, esquecendo-nos de que ela tem valores intrínsecos. Qual engenheiro, ao fazer o projeto de um viaduto vai deixar de usar os conhecimentos da engenharia para fazer seu projeto? Por que nós, espíritas, não usamos os nossos termos e conceitos para explicar os fenômenos com os quais lidamos na nossa casa espírita?

Vários questionamentos surgiram sobre como fazer pesquisa segura dentro da doutrina, utilizando-se desses parâmetros. Essa é uma questão difícil, porque precisamos estudar mais o espiritismo para termos uma visão completa de conjunto. A Liga de Pesquisadores Espíritas (www.lihpe.net) tem dado contribuições ao conhecimento espírita de um modo cuidadoso e com respaldo na doutrina, assim como alguns periódicos, como o JEE – Jornal de Estudos Espíritas.

 

Sexualidade e afetividade sob a ótica espírita

Por Luiz Fernando Penteado

O espiritismo nos permite um aprofundamento frente aos novos reclamos da sociedade, mostrando a atualidade da sua filosofia. A casa espírita tem um papel preponderante, como espaço acolhedor, fonte de informação e desenvolvimento. Deve se preparar para que, além do conteúdo doutrinário, tenha condições de dar suporte às demandas sociais da atualidade.

A sexualidade é uma fonte transformadora, procriadora, que vai muito além do contexto biológico reforçado por toda a sociedade e pela mídia. Inclui comunhão, aprendizado. Homossexualidade é um assunto que todos devemos entender, até para vencer preconceitos.

Que o trabalho junto à criança e ao adolescente não se limite a dar a orientação sobre a sexualidade, mas a orientação moral, de valores e que aborde o amor como fonte geradora. Uma orientação que permita ao indivíduo entender a sexualidade de forma construtiva, no processo evolutivo, buscando-se a compreensão do amor e do autoconhecimento.

 

Política e espiritismo

Por Allan Kardec Pitta Veloso

O assunto política deve ser tratado na casa espírita sem partidarismo, paixão ou dogma. Allan Kardec considera a criatura humana em concepção diferente de outros autores da ciência política, como Thomas Hobbes, Jacques Rousseau, Karl Marx. O homem para o espiritismo é um ser preexistente e que vive depois da morte, fundamento que faz toda diferença na abordagem do tema.

A política deve buscar mudanças para melhor. Não há mundo melhor sem o homem melhor. O espiritismo tem contribuições brilhantes para a questão, para que se possa atuar na sociedade, inclusive na seara da política. O homem é o agente de transformação. Vários trechos de Kardec, em Obras póstumas, assinalam que essas mudanças se darão naturalmente quando homens de bem passarem a ser maioria nesse planeta.

 

O desafio de educar além de instruir

Por André Luiz Peixinho

Considerando-se os vários aspectos da educação, refletiu-se sobre como se dá a aprendizagem, utilizando-se de alguns informes da neurociência, mostrando a diferença entre o que é observado e o que é a verdadeira transformação, fazendo-se conexão com as aprendizagens que são mais significativas e que fazem parte da noção de espírito.

Sobre a importância do estudo espírita, é necessário que haja uma unidade do pensamento espírita. Sem querer transformar isso numa uniformização de práticas pedagógicas. E isso se daria pelo projeto educacional dos cursos regulares para que as pessoas, formando consensos, construam as estruturas possíveis na sociedade em geral. É preciso analisar se não estamos copiando os métodos laicos, de origem do paradigma materialista, para o contexto espírita.

A educação deve passar pelo que é essencial: o espírito.

A educação, de modo geral, insere o indivíduo na sociedade tornando um cidadão. É necessário refletir e construir o nosso próprio projeto pedagógico com um finalismo mais amplo, na revisão dos conceitos de níveis evolutivos.

Como o centro espírita poderia atuar na formação dos grupos de autoconhecimento como forma de crescimento pessoal, destacando-se os espaços de convivência, sendo fundamental a aprendizagem em grupo.

 

Publicado no jornal Correio Fraterno – São Bernardo do Campo (SP), Edição 476, julho/agosto 2017.

Acesso:

http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1991:tempo-para-reflexao-e-interacao-nos-70-anos-de-use&catid=103:especial&Itemid=2

Chico, Diálogos e Recordações… – edição ampliada

Com evento público no dia 7 de julho, no auditório do Centro Espírita O Clarim, em Matão (SP), a Casa Editora O Clarim lançou a obra biográfica “Chico, Diálogos e Recordações…”, de autoria de Carlos Alberto Braga Costa. Uma edição ampliada, de versão originalmente publicada em 2006 pela União Espírita Mineira na gestão de Honório Onofre Abreu.

O livro traz memórias inesquecíveis, documentos, fotos e material exclusivo sobre o médium Francisco Cândido Xavier. Desenvolvido em quatro anos de pesquisa e baseado em gravações do autor com Arnaldo Rocha (1922-2012), amigo íntimo de Chico e esposo de Meimei.

É uma obra de leitura estimulante, leve e ao mesmo tempo impregnada de lições de vida, oferecidas por Francisco Cândido Xavier, e que foram recontadas pelo seu amigo Arnaldo Rocha. O estilo de escrita é um híbrido de diálogos, narrativas e impressões que foram registradas pela sensibilidade do autor. Fatos, imagens e documentos foram inseridos nessa edição tornando, assim, imperdível a leitura dessa valiosa obra.

Há interessantes relatos sobre o contexto em que algumas mensagens foram recebidas por Chico durante as reuniões do antigo Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo.

Nessa edição revisada e ampliada, lançada pela Casa Editora O Clarim, fatos, imagens e documentos foram inseridos, apresentando a figura de Chico Xavier como um ser humano consciente em processo constante de evolução e autocrítica. Uma alma sensível, humilde, honesta, inteligente, exigente, amorosa e fiel aos princípios que definiu para sua vida.

O autor, Carlos Alberto Braga Costa, atuou em várias instituições de Belo Horizonte, incluindo a União Espírita Mineira, e em 2008 fundou a FEEAK Minas – Fraternidade de Estudos Espíritas Allan Kardec.

 

Informações:

https://www.oclarim.org/noticias/136/livro-sobre-chico-xavier-e-lancado.html

Novo livro coloca Movimento Espírita no centro das atenções

Sirlei Nogueira

Experiência de 53 anos – 1/3 da História do Espiritismo – assegura status de especialista ao autor.

Desde que deixou a função de presidente da FEB, em 2015, Antonio Cesar Perri de Carvalho decidiu dividir os aprendizados e conhecimentos do caminho, chegando à quarta publicação em período de 13 meses.

O livro ‘Em Ações Espíritas’ está saindo do forno da novata Cocriação Editora, de Araçatuba, levado direto para o ambiente fraterno e aconchegante do 17.º Congresso Estadual de Espiritismo da USE-SP, de 23 a 25 de junho. 

O autor reúne, resumidamente, “algumas experiências de mais de meio século de trajetória espírita: momentos de vivências pinçados dos tempos iniciais em Araçatuba (SP), em Mocidade departamental e Centro Espírita; União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, nos níveis local, regional e estadual; Federação Espírita Brasileira e Conselho Espírita Internacional. As observações refletem algumas linhas de pensamento e de atuação que têm norteado nossa vida e podem servir de estímulo para se buscar inspirações no sentido de avaliamos continuamente os caminhos para nossas existências”.

Perri acrescenta que por pressupor movimentação, “está cunhada a expressão Movimento Espírita para se referir às ações em geral, implementadas pelas diversas instituições espíritas. Torna-se interessante lembrarmos que o ativo apóstolo Paulo, em vários trechos de suas epístolas, faz referência a bom combate, corrida, carreira, alvo. Que tenhamos sempre o ideal renovado para prosseguirmos no bom combate pelas ações no bem e de forma contínua: ‘prossigo para o alvo…’" (Filipenses, 3.14).

A partir de relatos históricos, do Brasil e do mundo, do passado – longínquo e recente – e do presente, esta obra inspira reflexões existenciais e propõe atitudes, no contexto da vivência espírita. Algumas exemplares encarnações missionárias, com notáveis contribuições a serviço do próximo, são estímulos fundamentais à ação: Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Yvonne Pereira, Benedita Fernandes, Cairbar Schutel, Mário Barbosa, Divaldo Pereira Franco.

A partir destas e de outras inspirações, a atitude remete, necessariamente, a movimento. Neste caso, ao Movimento Espírita, nos mais variados cenários e idiomas, contribuindo para expansão e consolidação do Cristianismo, na segunda e decisiva etapa de ação entre nós, iniciada há 160 anos. ‘Em Ações Espíritas’ traduz o olhar de um dirigente com 53 anos de trajetória espírita, que começou na juventude e reúne experiências de gestão incomparáveis. O olhar de um especialista, que fraternalmente convida: em ações, espíritas!

Contatos:
Cocriação Editora | Araçatuba.SP
www.facebook.com/cocriacaoeditorial
sirleinogueira@yahoo.com.br

18 99709.4684

Benedita Fernandes. A dama da caridade


 



Sirlei Nogueira 


 

O livro ‘Benedita Fernandes. A Dama da Caridade’ é uma biografia comemorativa dos 85 anos da fundação da Associação das Senhoras Cristãs, em Araçatuba, por Benedita Fernandes.

 

O autor e o biógrafo dela, araçatubense Antonio Cesar Perri de Carvalho comentou:

“É edição comemorativa – ampliada, atualizada e revisada – inspirada na obra intitulada ‘Dama da Caridade’. A primeira edição foi lançada pela União Municipal Espírita de Araçatuba há 35 anos (1982) e, depois, pela Editora Radhu, de São Paulo, em 1987. A publicação de agora é, efetivamente, uma nova obra”.

Perri destaca que “a primeira versão de ‘Dama da Caridade’ atingiu vários rincões, motivando interesse dos leitores pela biografada e estímulo à criação de núcleos de trabalho espírita com o nome dela. Companheiros espíritas, de várias regiões do País, há muito solicitam a reedição desta obra biográfica. Como se encontra esgotada há anos, e já passados 30 da última edição, entendemos que a elaboração de uma nova versão seria mais adequada”.

A história surpreendente de superação de Benedita Fernandes: a mulher que revolucionou a própria vida para se transformar em pioneira do serviço de saúde mental no interior do Estado. E no próprio Brasil”, acrescenta o autor.

Segundo o jornalista Sirlei Nogueira, “a biografia reflete a proposta de trabalho da editora: cocriar. ‘Benedita Fernandes. A Dama da Caridade’ nasce nesse contexto, com apoios de várias instituições espíritas, da cidade e região, principalmente. Mas, já com reflexos pelo Brasil. A Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes é uma das cocriadoras”.

Contatos – pedidos: sirleinogueira@yahoo.com.br

Equilíbrio religioso e crítica

Obra Regis

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Oportuno o livro de autoria de Regis de Morais intitulado Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade (*).

Nas páginas iniciais, o autor destaca a frase de Kardec : «A verdade é como a luz; é preciso que nos habituemos a ela, pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria » (LE, q. 628).

O autor esclarece o tipo de análise e de crítica que desenvolve: “Quando há limpeza de alma a crítica é generosa. Os que assim criticam sabem que é olhando os semelhantes nos olhos, com mansuetude e tom respeitoso, que devem fazer avaliações doutrinárias ou comportamentais em nome de uma causa. Isto não será censurar, mas referir atitudes e comportamentos a parâmetros de amor cristão. […] Este é um escrito crítico, mas no melhor e mais legítimo sentido de crítica: avaliar à luz de critérios  parâmetros firmes e sensatos. Por isso não é um texto de julgamentos.”

Morais, que é da área de Filosofia Social e Educação, destaca que a filiação a uma doutrina precisa ser a base ética das relações inter-humanas e aponta valores éticos, como a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Apresenta como fundamentos éticos: o respeito, a solidariedade e a compreensão para com as imperfeições humanas.

Sobre isso, exemplifica com escrito de Santo Agostinho de que a assembléia religiosa não é comunhão dos santos, mas sim dos pecadores. Cita o filósofo Gianotti de que exerce o senso crítico sobre seu meio, o universitário, porque sempre o amou muito.

O autor comenta que “o equilíbrio na vida religiosa – e mesmo no cotidiano não religioso – não aceita nenhuma indiferença ao sofrimento de nosso próximo.”

Nas suas fundamentações o autor considera: “O caminho das religiões é duplo: ou escolhemos aquele lado da estrada que amadurece e enseja crescimento espiritual, ou o lado que infantiliza e nos mete em subserviências cegas, instalando ilusório progresso íntimo. Muitas vezes por conveniências manipulatórias, as religiões pregam enfaticamente a obediência.”

O bloqueio a críticas é lembrado que “está relacionado com o autoengano, deficiência de autocrítica muito frequentemente gerada por engessamentos, endurecimentos do próprio pensar…” Relaciona humildade com abertura para o diálogo.

Importante a colocação de que “se deve esperar é que a prática espírita seja consoante à sua doutrina, não apresentando exlusivismos provincianos.” Para Regis, “as ortodoxias pretendem ter o domínio exclusivo da verdade e dos procedimentos corretos.” Prossegue se referindo à expressão “pureza doutrinária” que acaba remetendo a atitudes fundamentalistas e frequentemente separatistas.

Remete à história inclusive sobre o lamentável Index Prohibitorum (do Concílio de Trento)…

Regis entende que “o cultivo da doutrina espírita exige coerência e lealdade. […] se quisermos sua grandeza doutrinária e não um esquálido ídolo, precisamos pensá-la como educação para a ação transformadora das almas e das sociedades, a qual jamais aceite ser um conjunto de slogans separatistas.”

O livro Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade é um convite ao bom senso para se evitar slogans separatistas e excludentes; merece estudos e reflexões na seara espírita!

 

(*) Editora Allan Kardec, de Campinas (SP): www.allankardec.org.br

Equilíbrio religioso e crítica

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Oportuno o livro de autoria de Regis de Morais intitulado Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade (*).

Nas páginas iniciais, o autor destaca a frase de Kardec : «A verdade é como a luz; é preciso que nos habituemos a ela, pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria » (LE, q. 628).

O autor esclarece o tipo de análise e de crítica que desenvolve: “Quando há limpeza de alma a crítica é generosa. Os que assim criticam sabem que é olhando os semelhantes nos olhos, com mansuetude e tom respeitoso, que devem fazer avaliações doutrinárias ou comportamentais em nome de uma causa. Isto não será censurar, mas referir atitudes e comportamentos a parâmetros de amor cristão. […] Este é um escrito crítico, mas no melhor e mais legítimo sentido de crítica: avaliar à luz de critérios  parâmetros firmes e sensatos. Por isso não é um texto de julgamentos.”

Morais, que é da área de Filosofia Social e Educação, destaca que a filiação a uma doutrina precisa ser a base ética das relações inter-humanas e aponta valores éticos, como a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Apresenta como fundamentos éticos: o respeito, a solidariedade e a compreensão para com as imperfeições humanas.

Sobre isso, exemplifica com escrito de Santo Agostinho de que a assembléia religiosa não é comunhão dos santos, mas sim dos pecadores. Cita o filósofo Gianotti de que exerce o senso crítico sobre seu meio, o universitário, porque sempre o amou muito.

O autor comenta que “o equilíbrio na vida religiosa – e mesmo no cotidiano não religioso – não aceita nenhuma indiferença ao sofrimento de nosso próximo.”

Nas suas fundamentações o autor considera: “O caminho das religiões é duplo: ou escolhemos aquele lado da estrada que amadurece e enseja crescimento espiritual, ou o lado que infantiliza e nos mete em subserviências cegas, instalando ilusório progresso íntimo. Muitas vezes por conveniências manipulatórias, as religiões pregam enfaticamente a obediência.”

O bloqueio a críticas é lembrado que “está relacionado com o autoengano, deficiência de autocrítica muito frequentemente gerada por engessamentos, endurecimentos do próprio pensar…” Relaciona humildade com abertura para o diálogo.

Importante a colocação de que “se deve esperar é que a prática espírita seja consoante à sua doutrina, não apresentando exlusivismos provincianos.” Para Regis, “as ortodoxias pretendem ter o domínio exclusivo da verdade e dos procedimentos corretos.” Prossegue se referindo à expressão “pureza doutrinária” que acaba remetendo a atitudes fundamentalistas e frequentemente separatistas.

Remete à história inclusive sobre o lamentável Index Prohibitorum (do Concílio de Trento)…

Regis entende que “o cultivo da doutrina espírita exige coerência e lealdade. […] se quisermos sua grandeza doutrinária e não um esquálido ídolo, precisamos pensá-la como educação para a ação transformadora das almas e das sociedades, a qual jamais aceite ser um conjunto de slogans separatistas.”

O livro Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade é um convite ao bom senso para se evitar slogans separatistas e excludentes; merece estudos e reflexões na seara espírita!

 

(*) Editora Allan Kardec, de Campinas (SP): www.allankardec.org.br

Equilíbrio religioso e crítica

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Oportuno o livro de autoria de Regis de Morais intitulado Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade (*).

Nas páginas iniciais, o autor destaca a frase de Kardec : «A verdade é como a luz; é preciso que nos habituemos a ela, pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria » (LE, q. 628).

O autor esclarece o tipo de análise e de crítica que desenvolve: “Quando há limpeza de alma a crítica é generosa. Os que assim criticam sabem que é olhando os semelhantes nos olhos, com mansuetude e tom respeitoso, que devem fazer avaliações doutrinárias ou comportamentais em nome de uma causa. Isto não será censurar, mas referir atitudes e comportamentos a parâmetros de amor cristão. […] Este é um escrito crítico, mas no melhor e mais legítimo sentido de crítica: avaliar à luz de critérios  parâmetros firmes e sensatos. Por isso não é um texto de julgamentos.”

Morais, que é da área de Filosofia Social e Educação, destaca que a filiação a uma doutrina precisa ser a base ética das relações inter-humanas e aponta valores éticos, como a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Apresenta como fundamentos éticos: o respeito, a solidariedade e a compreensão para com as imperfeições humanas.

Sobre isso, exemplifica com escrito de Santo Agostinho de que a assembléia religiosa não é comunhão dos santos, mas sim dos pecadores. Cita o filósofo Gianotti de que exerce o senso crítico sobre seu meio, o universitário, porque sempre o amou muito.

O autor comenta que “o equilíbrio na vida religiosa – e mesmo no cotidiano não religioso – não aceita nenhuma indiferença ao sofrimento de nosso próximo.”

Nas suas fundamentações o autor considera: “O caminho das religiões é duplo: ou escolhemos aquele lado da estrada que amadurece e enseja crescimento espiritual, ou o lado que infantiliza e nos mete em subserviências cegas, instalando ilusório progresso íntimo. Muitas vezes por conveniências manipulatórias, as religiões pregam enfaticamente a obediência.”

O bloqueio a críticas é lembrado que “está relacionado com o autoengano, deficiência de autocrítica muito frequentemente gerada por engessamentos, endurecimentos do próprio pensar…” Relaciona humildade com abertura para o diálogo.

Importante a colocação de que “se deve esperar é que a prática espírita seja consoante à sua doutrina, não apresentando exlusivismos provincianos.” Para Regis, “as ortodoxias pretendem ter o domínio exclusivo da verdade e dos procedimentos corretos.” Prossegue se referindo à expressão “pureza doutrinária” que acaba remetendo a atitudes fundamentalistas e frequentemente separatistas.

Remete à história inclusive sobre o lamentável Index Prohibitorum (do Concílio de Trento)…

Regis entende que “o cultivo da doutrina espírita exige coerência e lealdade. […] se quisermos sua grandeza doutrinária e não um esquálido ídolo, precisamos pensá-la como educação para a ação transformadora das almas e das sociedades, a qual jamais aceite ser um conjunto de slogans separatistas.”

O livro Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade é um convite ao bom senso para se evitar slogans separatistas e excludentes; merece estudos e reflexões na seara espírita!

 

(*) Editora Allan Kardec, de Campinas (SP): www.allankardec.org.br

 

 

ESPIRITUALIDADE E ESPIRITISMO: REFLEXÕES PARA ALÉM DA RELIGIOSIDADE

Espiritualidade e Espiritismo-Capa livro

 

Lívia D. Cláudio

Os organizadores do livro – André Ricardo de Souza, Pedro Simões e Rodrigo Toniol – bem como os co-autores em geral são pesquisadores e professores universitários das áreas da sociologia, antropologia, história e ciência da religião. Uma coletânea de textos feitos por pesquisadores, em maioria, docentes de diferentes universidades no Brasil, Chile, Estados Unidos e Holanda, abordando temas como: mediunidade, reencarnação, cura espiritual e assistência social espírita.

Trata de questões do Espiritismo no Brasil e da espiritualidade, com abordagens acadêmicas e com farta bibliografia..

Na 1ª. Parte trata-se de temas sobre: O “Espiritismo Racional e Científico Cristão” de Luiz Mattos dos anos 1910-1920 no Brasil: uma facção “científica” belicosa obscurecida pela hegemonia “religiosa” da Federação Espírita Brasileira (Marcelo Camurça, André Pereira, Jacqueline Amaro); Espiritismo como religião: algumas considerações sobre seu caráter religioso e seu desenvolvimento no Brasil (Flávio Rey de Carvalho, Antonio Cesar Perri de Carvalho); Autoridades espíritas: critérios para tipologias e repartições das lideranças no espiritismo (Célia da Graça Arribas); Ação assistencial espírita (Pedro Simões); As cirurgias na medicina do além (André Ricardo de Souza).

Na Parte 2, há abordagens de temas sobre “A espiritualidade sob olhares que cruzam fronteiras”: Materializando espíritos: religião e ciência no caso de Anna Prado (Emerson Giumbelli, Gustavo Chiesa); Terapias alternativas/complementares e políticas de saúde: um caso de espiritualidade na clínica (Rodrigo Toniol); Purgando a alteridade: muertosi, visão e auto-representaçaõ no sonho na religião afro-cubana (Diana Espírito Santo); Reencarnação na América do Norte: histórias e práticas das religiões metafísicas (Courtney Bender).

Livro de estudo que permite a compreensão temas importantes sobre o Espiritismo no Brasil e da espiritualidade em geral. O livro terá lançamentos em eventos acadêmicos.

 

Pedidos:

1) Beneficente para instituição espírita (IMA): http://www.faroldastrescolinas.com.br/novo/ ; ou  fone da livraria: (16) 3703-4411.

2) Editora Porto de Ideias (São Paulo):  www.portodeideias.com.br; ou fone: (011) 3884-3814.