Os livros dos espíritos

Resenha

Os livros dos espíritos

A Editora EME acaba de lançar Os livros dos espíritos, de autoria de Luís Jorge Lira Neto, e, contando com parceria editorial do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita e do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita Eduardo Carvalho Monteiro, ambos de São Paulo. O autor atua em Recife e antes dessa edição completa, apresentou seu estudo em dois ambientes de discussão e análise: no Centro de Pesquisas e Documentação Espírita (em São Paulo) e em encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, realizado em Fortaleza. O livro conta com Prefácio assinado por Wilson Garcia, que destaca “Kardec teve participação fundamental no seu desenvolvimento, estando muito acima de um simples repassador de pensamentos alheios, ainda que estes pensamentos tenham por origem os Espíritos Superiores”.

O autor fez um estudo detalhado das primeiras edições de O livro dos espíritos lançadas por Allan Kardec, efetivando uma análise comparativa entre as edições 1ª, 2ª até a 16ª e entende que “a participação de Kardec na elaboração da Codificação Espírita foi abrangente, o que contradita a opinião de considerar somente as respostas como ensino dos Espíritos Superiores, reduzindo as perguntas e os ‘comentários de Kardec’ a complemento desses ensinamentos”. Além da relação das Referências Bibliográficas, no final, o autor acrescenta Anexos, como: “Informes na Revista Espírita sobre as edições de O livro dos espíritos”, “Breve biografia dos espíritos que assinaram O livro dos espíritos”, “Correlação entre as perguntas da 1ª e 2ª edição” e ainda um Quadro Geral sobre estas duas edições iniciais.

Trata-se importante livro para estudo, num época em que se valorizam as pesquisas de documentos sobre a vida e obra de Kardec, favorecendo a compreensão sobre a amplitude que o pensamento do Codificador foi progredindo à medida que recolhia informações e aprofundava reflexões a partir de novas mensagens oferecidas pelos espíritos.

(Lira Neto, Luís Jorge. Os livros dos espíritos. Uma análise comparativa entre as edições 1ª, 2ª até a 16ª. Capivari: Ed. EME. 2019. 144p)

Contatos: (19) 3491-7000.

Indo além do luto

Resenha

Indo além do luto

Livro de autoria de Deusa M. Samú, espírita militante radicada em São Paulo e que atua profissional como psicóloga clínica e hospitalar, pós-graduada em Tanatologia.

Lembrando que Tanatologia é o estudo da morte e do morrer. E a autora comenta: "sempre que você vivenciar uma perda, qualquer perda, de qualquer tipo, estará entrando no processo de luto". 

O livro Indo além do luto se divide em duas partes: Falando do luto enquanto processo e suas fases, explicando-as de maneira didática; Casos clínicos variados, sendo alguns ilustrativos, do processo de luto.

A autora considera também o luto por alguém não falecido e o luto na Síndrome do ninho vazio. E entra em detalhes sobre a criança e o luto, pertences do falecido, o velório, a questão do cremar ou enterrar. Aborda também as visões de leito de morte, e, as várias fases do luto. O livro é enriquecido com os comentários de casos clínicos.

Em 127 páginas, Deusa Samú compartilha "a experiência diária, atendendo a irmãos em sofrimento. Sou só gratidão". Em vários momentos a autora enfatiza a frase de Emmanuel: "Se não compreenderes a dor do teu irmão, fatalmente terás que passar por ela" (psicografia de Chico Xavier).

No Prefácio, Ercília Zilli – presidente da ABRAPE -, recomenda: "livro vai proporcionar momentos de grande reflexão e aprimoramento!". 

Informações:

https://www.facebook.com/institutodeusasamu;

www.deusasamu.com.br

 

 

De Volta a Nosso Lar

De Volta a Nosso Lar: autores falando sobre a obra

 

Almir Del Prette (*)

De Volta a Nosso Lar é de autoria de Aylton Paiva e Sidney Fernandes. A obra divide-se em uma breve introdução realizada por Sidney Fernandes e, na sequência, seguem 12 capítulos, totalizando 163 páginas.

Em uma nota da editora, na terceira página, o leitor fica sabendo que os capítulos com numeração arábica são de autoria de Aylton Paiva e os de número romano de Sidney Fernandes. O livro foi publicado pela Editora CEAC, de Bauru (SP).

Descrição sucinta do conteúdo:

– O livro não pode ser relacionado na categoria de romance, nem propriamente de obra técnica (por exemplo), estudo da mediunidade, ou análise literária da obra de André Luiz. Trata-se, em nosso entendimento, de um livro doutrinário-didático sobre o primeiro volume da coleção André Luiz. Os espíritas mais antigos se recordam do impacto que a obra Nosso Lar, de André Luiz, causou em nosso meio. Entretanto, essa não é a questão que motivou os autores a esse empreendimento. Espíritas e espiritualistas em geral aceitam a sobrevivência da alma. Tomando essa premissa como verdadeira, a questão que se segue é sobre o que nos acontece após a morte. Quem estaria em melhores condições de nos dar informações sobre o tal “outro lado da vida”, senão aqueles que viveram essa experiência? Parece-nos, pois, que essa é a motivação dos autores: a de analisar cuidadosamente as informações contidas no primeiro livro de André Luiz e refletir como a vida presente impacta nesse futuro. Para alcançar tal intento, eles criaram um enredo bem articulado que se inicia no primeiro capítulo (A morte não é o fim), no qual ficamos conhecendo Eduardo e Alex.

Eduardo, ainda sob o impacto da morte e velório do tio, indaga a Alex sobre a imortalidade. Alex recorre a um trecho de O Livro dos Espíritos para responder à pergunta e, após isso, convida Eduardo para participar das reuniões do Centro, onde José Giani irá discorrer sobre o assunto, analisando as informações do Nosso Lar. A partir da aceitação de Eduardo, o enredo se desloca para as reuniões do Centro Espírita, com novos personagens. Nesse espaço, uma sala de um Centro Espírita, os personagens provocam os expositores Giani e Ney, algumas vezes desafiando-os em seus argumentos. Dessa forma, o leitor vai, aos poucos, conhecendo os personagens e pode até imaginar suas características físicas e comportamentais. Essa estratégia dos autores é bem-sucedida, pois prende a atenção do leitor, que identifica, nas características dos personagens, pessoas com as quais convive no ambiente espírita. Com isso, ficamos sabendo um pouco sobre Joana e Ângela, bastante inquiridoras, algumas vezes impulsivas; sobre Lucas, um pouco tímido, mas bem atento; Alex e Acácio, com questões relevantes… E, também, sobre Ney e Giani, bem-humorados e eficientes na condução das aulas. No entanto, o mais importante é o conjunto de conteúdos e possibilidade de reflexões que o livro enseja.

Considerações finais – Para concluir, acrescento que De Volta a Nosso Lar tem uma redação agradável, estrutura lógica de enredo, continuísmo correto, o que nos leva a recomendá-lo como excelente contribuição para o entendimento do primeiro livro da série André Luiz e do mundo espiritual, bem como das questões que André Luiz nos trouxe. Os autores recorrem a outros pensadores espíritas e não espíritas em defesa dos seus argumentos, a começar por Allan Kardec, León Denis, Francisco de Assis, Emmanuel, Richard Simonetti, Irmão Jacó, Dante Alighieri e outros.

Entrevista – A nosso pedido, os autores do livro, Aylton Paiva e Sidney Fernandes, concederam-nos a entrevista seguinte:

- Vocês em De Volta a Nosso Lar criaram um enredo com personagens frequentadores de um centro espírita e dois outros como expositores. Os frequentadores apresentavam dúvidas sobre o livro de André Luiz, e os outros dois esclareciam. Esse resumo que faço é bastante simplificado, pois, no momento, queremos que nos digam como chegaram a esse formato para o livro.

Sidney: Em sua juventude, Aylton Paiva acompanhava, com muito interesse, as narrativas do senhor José Giovanini, pioneiro condutor da Juventude Espírita Amor e Caridade, de Bauru, em torno dos romances espíritas mais expressivos. Daí surgiu o Senhor Giani, que fazia a releitura da magnífica obra Nosso Lar para um grupo de jovens interessados em aprender o Bê a Bá da Coleção A Vida no Mundo Espiritual, de André Luiz.

Aylton: Os Mentores Espirituais trouxeram os informes básicos contidos em O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec, sobre o mundo espiritual, na Parte Segunda – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos, na referida obra. O espírito André Luiz, pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, detalha, sob a sua vivência, essa realidade. Sempre achei de suma importância esse relato e sempre desejei que ele se tornasse o mais possível acessível às pessoas. Também seria uma forma de despertar o interesse para a leitura da obra original. A materialização da ideia o Sidney no-la apresenta.

- Chico Xavier e Herculano Pires tiveram publicação conjunta, porém a parceria na produção de textos não é comum no movimento espírita. Qual foi a história dessa associação para De Volta a Nosso Lar e que critérios adotaram na divisão das tarefas?

Sidney: Tudo surgiu com um “coincidente” encontro entre eu e Aylton, num shopping de Bauru, quando conversamos sobre a possibilidade da publicação de uma obra acessível ao grande público, que comentasse o primeiro livro de André Luiz. Sua esposa, Maria Eny, manifestou seu cepticismo quanto à concretização do projeto. Tomamo-nos de brios e iniciamos a troca de correspondências que corporificou o livro, que foi surgindo gradativamente.

Aylton: Quando me surgiu a ideia, mais propriamente, a intuição para o estudo de Nosso Lar, como é apresentada em nosso livro De Volta a Nosso Lar, eu não estava desejoso de escrever outro livro. À época, por generosidade de Sidney Fernandes, e por sua solicitação, eu fazia a revisão doutrinária de um dos seus livros. Então pensei: Sidney, em seu estilo simples, elegante e objetivo, está em condições de escrever o livro. Por “coincidência”, como ele relata, nos encontramos. Fiz-lhe a proposta, mas ele desejou que eu escrevesse o primeiro capítulo e ele faria o comentário sobre o tema estudado. A partir daí Giani e Ney iniciaram seus estudos. – Um dos personagens do livro questiona sobre o tempo (cerca de oito anos) que André Luiz permaneceu nas chamadas “zonas inferiores”.

- Nas experiências de vocês esse questionamento é frequente?

Sidney: Em programa que mantenho na TV CEAC de Bauru, onde, semanalmente, respondo a perguntas do grande público, é muito comum surgirem dúvidas relacionadas com o tempo além da Terra. As orientações transmitidas se resumem aos estados de desequilíbrios por que, geralmente, desencarnados passam, depois da morte e, além disso, à permanência da mesma contagem de tempo, nas cercanias do planeta Terra.

Aylton: Para os profissionais que atendem pessoas em desequilíbrio social ou psicológico há um princípio de que “cada caso é um caso”. Também assim é no retorno à vida espiritual. André Luiz esteve sob a proteção da mãezinha desencarnada e dos amigos espirituais, desde o início da sua doença até sua chegada à zona espiritual do sofrimento. Todavia, quem não se sintonizava com a ajuda espiritual era ele, por seu modo de viver. Vivera no mundo físico apenas preocupado com o bem-estar material. Nas poucas vezes que se aproximara da religião fora de maneira superficial e descompromissada. Não cultivara a visão espiritual da vida, então permanecera na cegueira espiritual até ele mesmo, pela prece, romper o véu e em sua frente surgir o iluminado mensageiro espiritual Clarêncio.

- Vocês relatam no livro sobre a surpresa e desconforto do Chico Xavier com alguns detalhes trazidos por André Luiz. Considerando isso, se o Chico, que tinha familiaridade com o mundo espiritual, teve dúvidas, não é justificado tal sentimento nas demais pessoas?

Sidney: Sem dúvida. Embora o esquecimento das novas encarnações deva ser considerado uma bênção, para que determinados ajustes pessoais ocorram de maneira menos penosa, ele nos provoca a sensação do “novo” em várias situações, certamente já vivenciadas no passado. Recordações inatas nos auxiliam no enfrentamento dessas “novidades”.

Aylton: Acho que é compreensível a existência dessa dúvida. A vida espiritual, por outras religiões é apresentada de forma nebulosa e quando surge relato de um mundo espiritual organizado, real, concreto, isso é surpreendente. Então varia a vivência espiritual de cada um. Conheço pessoas que, de imediato, aceitaram e se encantaram, outras, mesmo espíritas, estudiosas das obras codificadas por Allan Kardec, tiveram dificuldades em assimilar essa “concretude”. Outras, ainda, estudiosas do Espiritismo, não as aceitam. É o livre-arbítrio e a maturidade norteando a receptividade.

- Durante o tempo em que trabalharam nesse empreendimento, vocês receberam alguma comunicação espiritual relacionada a essa tarefa, ou alguma forma de ajuda espiritual?

Sidney: O personagem Ney surgiu, sem dúvida, da inspiração do plano espiritual. A minha intenção era, simplesmente, de elaborar texto introdutório para a obra. Aylton encantou-se com o personagem e sugeriu sua criação.

Aylton: Ostensiva, não. Porém, desde que a ideia inicial em mim surgiu, senti que era uma tarefa espiritual que chegava. Depois, a ideia de partilhar o projeto com Sidney, em seguida o encontro “casual” em um shopping, na cidade de Bauru. Mesmo na facilidade e a fluência para escrever, não posso negar a ação da espiritualidade.

- Para finalizar, solicito que informem se possuem planos para novas tarefas conjuntas e, como de praxe, apresentem suas despedidas ao leitor.

Sidney: Os autores sempre estão e estarão dispostos a novos empreendimentos. Aproveito este momento para agradecer a confiança da Editora CEAC – do Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru –, à assistência da espiritualidade, que jamais faltou durante o desenvolvimento do projeto e à generosa aceitação do público leitor, que absorveu a primeira edição do livro no primeiro dia de seu lançamento.

Aylton: Para mim esse primeiro livro faz parte de um projeto. Já estou iniciando as reflexões sobre o livro Os Mensageiros, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Penso que é preciso estimular o estudo e a divulgação dessa série esclarecedora e iluminativa que nos trouxe esse mensageiro espiritual, com o apoio de grande equipe espiritual. Todavia, como Sidney está com muito trabalho no Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, produzindo outros livros e periodicamente faz ciclos de palestras por várias cidades, não sei se ele terá disponibilidade para outra empreitada nesse campo. Ele fará o máximo que lhe seja possível. É um dedicado e competente trabalhador da Seara de Jesus e do Movimento Espírita. Leitor amigo: Encontre De Volta a Nosso Lar, depois siga até “Nosso Lar”, em companhia de André Luiz e do querido Chico Xavier.

(*) Transcrito de:

Revista digital O Consolador, Ano 13 – N° 644 – 10 de Novembro de 2019.:

http://www.oconsolador.com.br/ano13/644/especial2.html

Resenha em site acadêmico de livro sobre Espiritismo e Espiritualidade 

Resenha em site acadêmico de livro sobre Espiritismo e Espiritualidade 

Novas perspectivas nos estudos do espiritismo e da espiritualidade

Lucas Baccetto (*) 

http://orcid.org/0000-0003-4367-6839

Universidade Estadual de Campinas – Campinas – SP – Brasil.

SOUZA, André Ricardo; SIMÕES, Pedro; TONIOL, Rodrigo. (org.), Espiritualidade e Espiritismo: reflexões para além da religiosidade. São Paulo: Porto de Ideias, 2017. 244p. pp.,

Resultado de uma mesa redonda do II Simpósio Internacional da Associação Brasileira de História da Religião (ABHR), realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2016, o livro Espiritualidade e Espiritismo: reflexões para além da religiosidade propõe uma atualização dos debates acadêmicos sobre o espiritismo no Brasil e a noção de “espiritualidade”. Organizado por André Ricardo de Souza, Pedro Simões e Rodrigo Toniol, a obra divide-se entre estes dois eixos temáticos: enquanto o primeiro, intitulado “Questões do espiritismo no Brasil”, apresenta uma unificação temática mais concisa relativa ao espiritismo, o segundo, intitulado “A espiritualidade sob olhares que cruzam fronteiras”, privilegia a análise da espiritualidade como categoria analítica e como fenômeno empírico.

O primeiro capítulo, escrito por Marcelo Ayres Camurça, Jacqueline Amaro e André Pereira Neto, aborda a figura de Luiz Mattos, fundador do grupo Espiritismo Racional e Científico Cristão na década de 1910, e seu trabalho de liderança na produção de diferenças em relação ao espiritismo consolidado e às religiões de matriz afro-brasileira. Esse grupo advogava por uma interpretação de cunho científico das obras de Allan Kardec e das experiências e instrumentos espíritas, considerada pelos autores como uma abordagem comum dentro do panorama histórico da época.

O texto em seguida, de autoria de Flávio Rey de Carvalho e Antonio Cesar Perri de Carvalho, debruça-se sobre o contexto da aparição do espiritismo na França e sobre os textos fundadores de Allan Kardec para tentar responder à pergunta já clássica em torno das práticas espíritas: seria o espiritismo uma religião? Retomando a obra de William James, os autores utilizam a divisão “religião institucional” versus “religião pessoal” para analisar os textos de Kardec e argumentam que o espiritismo, para James, só pode ser considerado uma religião quando entendido do ponto de vista pessoal. No entanto, ao recuperarem o desenvolvimento institucional do espiritismo no Brasil e o papel assumido pela Federação Espírita Brasileira (FEB), os autores constatam que existe um desenvolvimento da “religião institucional” do espiritismo.

Na esteira da questão das organizações espíritas no país, o capítulo da socióloga Célia da Graça Arribas centraliza sua análise nas lideranças e autoridades espíritas kardecistas e nas suas relações com a produção da crença. Para isso, a autora constrói tipologias para os tipos de autoridades desempenhadas por sujeitos formadores do que ela denomina de clericato, isto é, “um modo de exercício de um poder religioso a partir de um saber específico”. Assim, as autoridades são repartidas em: 1) institucional, que se articula através da legitimidade de uma posição ocupada pelo agente; 2) carismática, “de caráter emocional” e vinculada à ruptura com a tradição; e 3) intelectual, ordenadora da crença espírita.

Já o capítulo escrito por Pedro Simões, apresentado na sequência, investiga a assistência social praticada por grupos espíritas no estado de Santa Catarina. Por meio de uma pesquisa quantitativa, o texto procura estabelecer perfis e mapear o que identifica como a prática de caridade nessa região. Partindo do lema “fora da caridade não há salvação” como referencial organizador da prática espírita, Simões enquadra o trabalho assistencialista como uma forma institucionalizada da realização de ações de caridade e, portanto, um meio para a salvação espiritual do sujeito caridoso. Desse modo, os atores caracterizam a assistência tanto através da salvação do agente caridoso quanto da incorporação da ação evangelizadora nela, identificando os sujeitos assistidos como necessitados espiritualmente. O autor conclui que a assistência possui características religiosas e endógenas, pois sua prática visa tanto à salvação espiritual daquele que a realiza quanto à integração no interior do grupo espírita daquele que é assistido.

O sociólogo André Ricardo de Souza realiza uma análise do médium João Berbel, praticante de cirurgias espirituais e líder do Instituto Medicina do Além (IMA). Devido ao passado turbulento da prática mediúnica, Berbel relata ao autor o receio existente nas instituições espíritas perante as cirurgias promovidas por ele, sendo a expressão desse receio a não filiação do IMA a alguma outra instituição de maior porte. No entanto, através da comparação com outros dois personagens – o médium João de Deus e a escritora Zíbia Gasparetto -, Souza defende a hipótese de que a legitimação de Berbel diante do movimento espírita decorre da destinação para a caridade dos recursos financeiros obtidos nas cirurgias.

A segunda parte do livro inicia-se com o capítulo escrito pelos antropólogos Emerson Giumbelli e Gustavo Chiesa a respeito dos fenômenos de materialização de espíritos realizados pela médium Anna Prado, entre os anos de 1918 e 1921 em Belém do Pará. Embora presente na segunda seção do livro, o capítulo funciona como um texto de ligação entre as duas partes da obra na medida em que analisa um fenômeno considerado espírita ao mesmo tempo que problematiza as fronteiras entre religião e ciência articuladas na definição do fenômeno. Para tanto, a atenção dos autores direciona-se para os agenciamentos desempenhados pelos objetos nas sessões em questão. De fato, é através dos objetos que as disputas entre as fronteiras da religião e da ciência se fazem latentes, uma vez que os moldes em parafina produzidos pelos espíritos eram entendidos como evidências científicas e religiosas.

O sétimo capítulo é de autoria do antropólogo Rodrigo Toniol e trata do processo de mobilização da categoria espiritualidade como uma questão de saúde. O caso analisado é o da implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) na cidade de Severino de Almeida (RS) e, especificamente, da contratação e atuação de dois parapsicólogos no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Assim, sua abordagem prioriza a maneira pela qual a espiritualidade foi acionada pelos diferentes agentes engajados no projeto, tratando tanto da atuação dos parapsicólogos na condição de experts da espiritualidade quanto de suas práticas clínicas que permitem instituir a espiritualidade.

O capítulo seguinte é escrito pela antropóloga Diana Espírito Santo e aborda as experiências oníricas de visão experimentadas por praticantes da religião afro-cubana Santeria. A chave de análise articulada pela autora concentra-se na questão do sujeito mesmo que sonha. Esta escolha lhe permite pensar os sonhos em sua relação com o processo no qual os espíritos internos – guias espirituais legítimos – são defendidos de espíritos externos relacionados à bruxaria, sendo estes potencialmente maléficos e desestabilizadores para a religião afro-cubana. Considerando que a noção do “eu” em operação entre os adeptos da religião entende os espíritos como potencialidades virtuais para o desenvolvimento da pessoa, os sonhos atuariam, assim, na qualidade de tecnologias de constituição do sujeito. Isso porque, ao desvelarem o mundo dos espíritos através das visões, explicitariam esses dois conjuntos de agentes que se colocariam como possibilidades conflitivas para a identidade. Em um contexto de medo da bruxaria, o sonho assume uma posição na configuração do processo de autorrepresentação do sujeito na sua vida religiosa que, sendo informado por esta, atua como uma espécie de mecanismo de defesa contra a dissolução do “eu” diante da visão e da possessão dos espíritos estranhos ao sujeito.

Por fim, o livro encerra-se com o capítulo escrito pela socióloga Courtney Bender, baseado no trabalho de campo realizado por ela na cidade de Cambridge, em Massachusetts (EUA), entre grupos de praticantes metafísicos das crenças de reencarnação. Através de uma reconstrução das discussões norte-americanas da segunda metade do século XIX, a autora busca compreender como as práticas contemporâneas de reencarnação se encontram ligadas a seu passado histórico, ainda que de modo não consciente por parte dos atores. Dessa forma, é através do acompanhamento do caso de Cathy que a socióloga afirma que as práticas contemporâneas de tomada de conhecimento das vidas passadas não fazem simplesmente uma substituição do tempo histórico por um tempo mítico, mas complexificam essas noções de tempo e história.

De fato, o livro entrega discussões importantes. Na primeira parte, os textos percorrem temas caros ao campo espírita na Academia brasileira – como o papel das lideranças e o confronto entre definições religiosas e científicas. Na segunda, o título em questão dá a tônica dos capítulos: uma ampla variedade de temas que orbitam em torno de diversas noções de espiritualidade, passando desde praticantes metafísicos da crença da reencarnação nos Estados Unidos até políticas assistenciais estatais à dimensão espiritual da saúde da população. São as multiplicidades temáticas e as perspectivas originais da segunda parte que apresentam o maior valor da obra, introduzindo novidades teóricas e temáticas importantes ao campo da Antropologia.

Assim, o ponto de maior fôlego criativo se dá no rastro deixado pelo subtítulo, que indica a possibilidade de colocar a religião e a espiritualidade em perspectiva, pensando-as para fora de seus limites aparentes a partir de suas relações com a variedade de campos (ciência, políticas estatais, etc.) presentes nos casos trabalhados. Trata-se de reflexões para além da religiosidade.

REFERÊNCIAS:

SOUZA, André Ricardo; SIMÕES, Pedro. Espiritualidade e Espiritismo: reflexões para além da religiosidade. São Paulo: Porto de Ideias, 2017, 244pp.

[ Links ] Recebido: 11 de Maio de 2018; Aceito: 22 de Julho de 2019.

(*) Contato:lucas.baccetto@gmail.com Mestrando em Antropologia Social na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil.

DO SITE DA SCIELO (copie e cole):

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872019000200222&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir

Resenha

Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir

Clara Lila Gonzalez de Araújo lançou pela Editora CEAK, de Campinas, a obra “Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir". Trata-se do segundo livro da autora pela CEAK, pois em 2018, foi editado “Alerta aos Pais”.

O novo livro conta com Prefácio de Elsa Rossi, presidente do BUSS, entidade federativa do Reino Unido.

Em 318 páginas Clara Lila desenvolve a análise espírita sobre o tema momentoso, pois tem aumentado a frequência desse lamentável ato. A autora destaca no Preâmbulo que “são esses os verdadeiros sinais dos tempos…” e a prefaciadora considera que o livro “é um apoio ideal a ser lido e meditado”.

Em vários capítulos a autora discorre sobre: a depressão na infância e na adolescência, conflitos graves existentes nos relacionamentos com os filhos; causas diversas do suicídio infantojuvenil; narrativas e observações de experiências suicidas vivenciadas por crianças e adolescentes; implicações espirituais; assistência espiritual e educação espírita-cristã para crianças e adolescentes; “o amor é o eterno fundamento da educação”. Todos os temas são desenvolvidos com base em obras vinculadas à educação e à psicologia e sob a ótica espírita, todas arroladas nas referências bibliográficas.

Destacamos o aspecto inédito do capítulo “narrativas e observações de experiências suicidas vivenciadas por crianças e adolescentes” que reúne depoimentos sobre estudo de quatro casos, que inclui a análise dos problemas morais e espirituais dos suicidas.

O último capítulo “o amor é o eterno fundamento da educação”, focaliza o método pestalozziano, a pedagogia do amor e a educação como ciência, com contribuições muito significativas para a compreensão da educação e da prevenção.

O livro traz também uma história infantil, de autoria de Ademar Lopes Júnior.

No final Clara Lila faz a relação dos participantes, educadores espíritas de crianças e jovens, pois o livro é resultado também de estudos de um grupo que reuniu no Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas, desde o primeiro semestre de 2016. Foi este grupo que apoiou o projeto da autora de estudar a questão do suicídio em crianças e adolescentes, tão logo ela se mudou para Campinas.

Clara Lila foi diretora da FEB, tendo atuado na sede em Brasília e na Sede Histórica do Rio de Janeiro; residiu durante três anos em Campinas, integrando-se no Centro Espírita Allan Kardec, oportunidade em que recebeu o apoio e estímulo para a publicação de duas marcantes obras.

A autora faz um importante e oportuno alerta aos pais, educadores e instituições espíritas, sobre um tema grave, com recomendações para se tomar providências preventivas com relação ao suicídio.

A obra:

Título: Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir;

Autora: Clara Lila Gonzalez de Araújo;

Lançamento: outubro de 2019.

Editora: Editora Allan Kardec (Centro Espírita Allan Kardec), de Campinas.

Contato: editora@allankardec.org.br

Resenha por: Antonio Cesar Perri de Carvalho

Convite ao Futuro – Pesquisa junto aos Centros Espíritas do Estado do Espírito Santo

Convite ao Futuro – Pesquisa junto aos Centros Espíritas do Estado do Espírito Santo

O projeto “Convite ao Futuro – Diagnóstico e Prognóstico do Movimento Espírita Capixaba” é um marcante trabalho realizado pela Federação Espírita do Estado do Espírito Santo no ano de 2018 e concluído em 2019 para conhecer “mais profundamente seu público: dirigentes, trabalhadores e frequentadores das Casas Espíritas – com o objetivo de construir cenários que vão ao encontro de suas expectativas e demandas”.

O Documento/Relatório final do “Convite ao Futuro” conta com Introdução esclarecedora pelo presidente da FEEES Fabiano Santos e apresentação de Simoni Privato. Os resultados da pesquisa foram analisados por uma equipe de 15 especialistas do movimento espírita nacional, de vários Estados, escolhidos pela FEEES.

Os vários temas contam com os resultados da pesquisa estadual e as análises feitas pelos convidados. Eis os temas tratados:

GESTÃO DOUTRINÁRIA: 1. Abordagem de temas da atualidade à luz da Doutrina Espírita 2. O papel da Casa Espírita como escola, oficina de trabalho e hospital 3. Estudo continuado da Doutrina Espírita 4. Divulgação da Doutrina Espírita para o público não-espírita 5. Auxílio específico a dependentes químicos, alcoólatras e pessoas com ideação suicida.

GESTÃO DE PESSOAS: 1. Acolhimento de novos trabalhadores 2. Engajamento de trabalhadores 3. Família na Casa Espírita 4. Gestão de conflitos 5. Protagonismo infanto-juvenil.

GESTÃO ADMINISTRATIVA: 1. Inserção da Casa Espírita na Comunidade 2. Formação Inicial e Continuada de Trabalhadores 3. Sustentabilidade Financeira 4. Gestão Integrada da Casa Espírita 5. Processo de sucessão na Casa Espírita

Vale a pena conhecer-se a experiência marcante da FEEES, que reúne um material muito rico e atualizado, e, também se pensar como anda o centro e movimento espírita em atuamos.

O arquivo pdf completo da pesquisa está disponível na página eletrônica da Federação Espírita do Estado do Espírito Santo.

ACESSE (copie e cole): https://www.dropbox.com/s/cs6nfbqh6fyaaf3/Convite%20ao%20futuro.pdf?dl=0

O espiritismo da França ao Brasil: estudos escolhidos

O espiritismo da França ao Brasil: estudos escolhidos

 

O tema de 2019 para o 15o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo-ENLIHPE, realizado nos dias 24 e 25 de agosto pp em Fortaleza, foi "Allan Kardec: 150 anos depois". Ele visava obter trabalhos que tratassem como surgiu o espiritismo na França e como ele foi difundido pelo Brasil.

Os trabalhos poderiam ser históricos ou de pesquisa, desde que bem escritos.Texto organizado por Jáder Sampaio, um dos Coordenadores do 15º EnLihpe.

O evento foi promovido pelo CCDPE-ECM – Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – Eduardo Carvalho Monteiro (São Paulo), Lihpe-Liga de Pesquisadores do Espiritismo, USE-SP-União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, FEEC-Federação Espírita do Estado do Ceará e FEEES-Federação Espírita do Estado do Espírito Santo.

Quatro trabalhos foram escolhidos para compor o presente livro e apresentados no 15º Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo. O livro foi lançado no 15º ENLIHPE e já se encontra disponível para compra no Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – Eduardo Carvalho Monteiro (CCDPE-ECM). Pode ser pedido pela internet na livraria do CCDPE-ECM no seguinte endereço: http://www.ccdpe.org.br/livraria/

Outro parceiro do CCDPE-ECM é a distribuidora Candeia, que vende e distribui não apenas esse mas todos os outros oito livros da Série Pesquisas Brasileiras do Espiritismo.

Ficha do Livro:

Título: O espiritismo da França ao Brasil: estudos escolhidos

Organizadores: Jáder Sampaio e Marco Milani

Autores: Jáder Sampaio, Joselita Nobre, Lenara Nunes, Luana Poltronieri, Luís Jorge Lira Neto, Raphael Carneiro

Editoras: CCDPE-ECM, USE Estadual e LIHPE

128 páginas

Agosto de 2019

ISBN: 978-85-64907-10-2

Pesquisa sobre o estudo do Novo Testamento pelos espíritas

Pesquisa sobre o estudo do Novo Testamento pelos espíritas

Resenha da Dissertação de Mestrado: “Jesus a porta, Kardec a chave”: a apropriação do Novo Testamento pelo segmento espírita.

O estudo do Novo Testamento pelos espíritas foi objeto de pesquisa desenvolvida por Natália Cannizza Torres. Trata-se da Dissertação de Mestrado “Jesus a porta, Kardec a chave”: a apropriação do Novo Testamento pelo segmento espírita, defendida e aprovada no 1o Semestre de 2019 junto ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos para obtenção do título de Mestra em Sociologia. Este trabalho acadêmico foi orientado pelo Professor Doutor André Ricardo de Souza, do Departamento de Sociologia da UFSCar.

Nesse estudo fez-se o registro histórico desde a chegada do espiritismo no Brasil, comentando-se que muitas foram as correntes adotadas pelos seus adeptos em função de conceitos relacionados com aspectos religioso, filosófico e científico. Evidente que o tema foi tratado com fundamento em autores das ciências sociais, notadamente vinculados à sociologia da religião.

A pesquisa de Natália Cannizza Torres focalizou o aspecto religioso do Espiritismo, em que realça o papel significativo das obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier, notadamente de autoria do espírito Emmanuel. Inclusive, no final, apresenta Tabelas sobre os livros de Emmanuel que comentam versículos do Novo Testamento.

A autora anota que o processo de estudo em pauta surgiu em meados do século XX, mas ganhou impulso de propagação nesta 2a. década do século XXI: o estudo interpretativo do Novo Testamento, o qual começou em Belo Horizonte e que principalmente a partir da criação do NEPE (Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho), junto à Federação Espírita Brasileira em 2012 e que mesmo após sua desativação em 2015, a prática se expandiu pelo país. Tal pesquisa aponta que o estudo bíblico vem, aos poucos, tornando-se uma nova prática estrutural espírita.

A autora entende que este processo de estudo constitui-se como um fator contribuinte para o grande crescimento espírita na atual década. Em face dessa modalidade de estudo em curso e do processo de criação de organizações espíritas abarcando os chamados NEPEs (Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho), Miudinho (designação de estudo detalhado do Novo Testamento notabilizado por Honório Abreu) e EMEJs (Estudo Minucioso do Evangelho de Jesus), nota-se o mesmo efeito sociológico que o culto do Evangelho no Lar acarretou a partir dos anos 1960, porém agora em relação ao estudo do Novo Testamento, ou seja, admite que centros espíritas podem estar começando a surgir a partir de tais grupos, tal como surgiram no passado a partir de familiares grupos dedicados ao chamado “Evangelho no Lar”.

A Dissertação apresenta dados muito interessantes e até sintetiza-os em Tabelas. Atualmente, existem 59 NEPEs em diferentes centros espíritas, espalhados por 14 unidades federativas do país, sendo um na região Norte, vinte e dois no Nordeste, quatro no Centro-Oeste, vinte e um no Sudeste e onze no Sul. Os EMEJs, por sua vez, não são contabilizados pela União Espírita Mineira, enquanto a prática do denominado “Miudinho” (stricto sensu) somente foi localizado na cidade mineira de Uberaba.

A investigação foi feita junto a coordenadores de grupos de estudo bíblico, principalmente de Minas Gerais, em São Carlos, município do interior paulista que tem se destacado por tal atividade espírita e onde foi feita pesquisa de campo. A autora também entrevistou diversos dirigentes espíritas vinculados ao objeto de sua pesquisa e os relaciona na Dissertação.

Natália opina: “A melhor maneira de entender a importância desse movimento foi perceber que, ao ser instituído na FEB, o NEPE ganhou status de prática oficial e ganhou força para se espalhar pelo Brasil, instalando-se nos centros espíritas. Mesmo depois que foi dissolvido na FEB, o NEPE manteve sua dinâmica em outros lugares, na capilaridade dos centros espíritas. O trabalho religioso espírita centrado no estudo bíblico teve como grande pioneiro Honório Abreu, a partir dos anos 1950.” E neste contexto do século XXI, destaca o “papel de seu seguidor Haroldo Dutra Dias, bem como de Wagner Gomes Paixão; registra o reforço pela participação da família de Antonio Cesar Perri no âmbito da FEB, no qual surgiu o primeiro NEPE”. Na opinião da autora “o trabalho religioso mais significativo foi a tradução de parte do Novo Testamento por Haroldo Dutra Dias”. Todavia, Natália comenta na Dissertação que este “prestígio de Haroldo Dias foi relativizado quando Frederico Lourenço, professor de literatura da Universidade de Coimbra publicou, em 2018, a tradução do Novo Testamento, direto do grego e completa, fazendo com que os atores espíritas considerassem-na também, quando de seus estudos e pesquisas.”

Nessa Dissertação de Mestrado a autora comenta que “o III Congresso Espírita Brasileiro (abril de 2010) e as produções de filmes e telenovelas espíritas, que surgiram a partir de 2010, foram os principais fatores que contribuíram para o crescimento demográfico espírita na segunda década do século XXI. Mas vale a pena fazer a contraposição, ou a comparação, entre esse movimento espírita de direcionamento e encaminhamento crescente ao culto da Bíblia e a dinâmica nacional de crescimento das igrejas evangélicas, simultaneamente à diminuição do catolicismo. A coincidência, nessa década, entre a aceleração do crescimento espírita e a disseminação da prática de estudos bíblicos em seu meio suscita uma questão sociológica pertinente.”

A Dissertação de Mestrado trata de maneira inédita o estudo do Novo Testamento no movimento espírita, com fundamentos acadêmicos, focaliza a visão espírita, relacionando dados e fontes obtidos na literatura acadêmica e espírita, nas entrevistas e nos contatos com dezenas de grupos de estudos espíritas do país. Esta pesquisa contribui com análises sociológicas e informações históricas.

Fonte:

Torres, Natália Cannizza. “Jesus a porta, Kardec a chave”: a apropriação do Novo Testamento pelo segmento espírita. Dissertação (Mestrado em Sociologia). Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. 2019. 91p. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/11755/Dissertac%cc%a7a%cc%83o%20Nata%cc%81lia%20Cannizza%20Torres.pdf?sequence=1&isAllowed=y; Consulta em 30/08/2019.

(Síntese sobre a Dissertação elaborada por Antonio Cesar Perri de Carvalho)

Resenha-Encontrando Allan Kardec

Resenha

Encontrando Allan Kardec

Obra de autoria de Antonio Cezar Lima da Fonseca desenvolvida de uma forma diferente. Inicia com depoimento de um episódio de sua juventude sobre o contato inusitado com um fenômeno mediúnico, que ele desconhecia completamente e que, mais tarde, veio a saber que estava fora das características espíritas. A partir do fato dessa manifestação Fonseca desenvolve seu texto com estudos sobre a mediunidade, a origem do Espiritismo e o papel de Allan Kardec. De permeio relata suas buscas de respostas ao longo da vida. Depois do contato inicial inesperado com um médium, surgem as experiências com um Templo Budista e com a caminhada tradicional para Santiago de Compostela (na Espanha). Até o momento que sofre um grave acidente de motocicleta na Cordilheira dos Andes, onde falece um companheiro de aventura. Um chamamento muito forte para a compreensão dos fatos espirituais. A partir deste depoimento o autor discorre sobre as Obras Básicas da Codificação e os princípios do Espiritismo. Nos seus contatos com grupos espíritas, certo dia fica surpreso com a manifestação espiritual do seu amigo que desencarnou em acidente de motocicleta. Então o autor detalha estudos sobre temas como espírito, perispírito, morte e vida.

O autor emprega lúcida linha de raciocínio, com ponderado contraditório, e se fundamenta além das obras do Codificador em várias outras, de autores encarnados e de médiuns, com bastante descortínio e sem preconceito de radicalismos doutrinários, reunindo uma vasta bibliografia e também mais de 300 notas de rodapé. Tudo isso numa obra de 182 páginas, de leitura fácil e agradável. Assim, aparece como uma obra que faz juz ao título pois o resultado de sua trajetória de buscas existenciais realmente foi encontrar as obras de Allan Kardec. O novo livro poderá ser útil para principiantes interessados em iniciar os estudos espíritas. O livro de Fonseca é prefaciado por Milton Medran Moreira. Parece ser o primeiro trabalho literário espírita do autor que já publicou várias obras jurídicas e atua como Procurador de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.

Informações:

Editora Evangraf. Contatos: aclfonseca55@gmail.com

(ACPC)

O que é o espiritismo – 160 anos

Resenha

O que é o espiritismo

- 160 anos de publicação –

O que é o espiritismo? ( Qu'Est-ce Que le Spiritisme em francês) é uma breve introdução ao Espiritismo escrita por Allan Kardec em 1859, que tem cerca de um quarto da extensão de O Livro dos Espíritos.

Esse livro é uma espécie de introdução ao estudo da Doutrina Espírita, como Kardec colocou como sub-título da obra; discorre sobre os pontos fundamentais do Espiritismo, em linguagem fácil e acessível a todas as inteligências.

Divide-se em três capítulos. O primeiro, sob a forma de diálogos com um crítico, um cético e um padre, traz respostas àqueles que desconhecem os princípios básicos da Doutrina, bem como apropriadas refutações aos seus contraditores.O segundo capítulo expõe partes da ciência prática e experimental caracterizando-se como um resumo de O livro dos médiuns. O terceiro capítulo é uma síntese de O livro dos espíritos, com a solução, apontada pela Doutrina Espírita, de problemas de ordem psicológica.

O livro é estruturado como uma série de conferências sobre o Espiritismo, destinadas a extinguir a curiosidade pública e desconsiderar falsas noções sobre a doutrina. Não pretende ser uma iniciação e não é visto pelos espíritas como estritamente canônico, mas é muito importante entender as próprias motivações e o compromisso de Kardec com a causa do Espiritismo, pois o livro foi inteiramente escrito por ele mesmo, sem incluir instruções espirituais. Edições modernas são ampliadas por uma breve biografia do autor, escrita por Henri Sausse, em 1896, que se concentra principalmente no papel do Codificador na História do Espiritismo.

No Brasil é publicado por várias Editoras.