Livro União dos espíritas. Para onde vamos?

Livro União dos espíritas. Para onde vamos?

 

Autor: Antonio Cesar Perri de Carvalho; 

Editora EME;

O tema “União dos Espíritas”, é de fundamental importância para o futuro do movimento espírita, reclama por uma análise dos seus fundamentos considerando sua aplicabilidade no cotidiano do movimento espírita.

O autor comenta na apresentação que a elaboração de União dos espíritas. Para onde vamos? somente foi possível na conjuntura atual de sua existência e de vivência diversificada no movimento espírita. Uma análise, comprometida com fundamentos, exige experiência que garanta clareza de discernimento entre o que se propõe e o que se realiza concernente aos fundamentos que lhes dão suporte. A análise é realizada, valendo-se da exaustiva experiência no gerenciamento de trabalhos voltados para a unificação e apoiado na releitura atenciosa de documentos históricos, apresentando interessante abordagem sobre o sentido de “unificação” na atual conjuntura do movimento espírita, refletindo sobre alternativas de ações que ajudam a vislumbrar o caminho a percorrer.

Surgem questionamentos: Há algumas dúvidas e até eventuais desvios de caminhos que podem equacionados? Afinal de contas são sempre válidas algumas indagações: o que pretendemos? para onde vamos? O movimento requer reflexões continuadas. O autor utiliza a expressão "movimento espírita" para se referir às ações em geral, implementadas pelas diversas instituições espíritas, pressupõe-se movimentação, estudo de situações e diálogos.

O texto contempla a trajetória dos primeiros tempos do cristianismo sugerindo uma analogia com o movimento espírita considerando sua fundamentação em obras do Codificador e psicografias de Francisco Cândido Xavier, realçando a afirmação de Kardec de que “se a iniciativa pertence aos espíritos, a elaboração é fruto do trabalho do homem” (A Gênese, cap. I, item 13). O autor traz à tona registros históricos de livro esgotado do ex-presidente da FEB Leopoldo Cirne sobre vários fatos curiosos, a começar das situações por ele vividas, análogas aos contextos da atualidade.

De forma inédita analisa-se item a item o histórico “Pacto Áureo”, assinado pela FEB com representantes de algumas Entidades Federativas Estaduais no ano de 1949. No contexto emergem polêmicas com o destaque dado no citado “Pacto”, ao livro Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho, deixando-se de citar as cinco Obras Básicas de Allan Kardec.

Há comentários sobre a queima de originais de psicografias de Chico Xavier e a alteração do destino de suas obras que deixaram de ser quase uma exclusividade de uma editora.

Pelo peso das décadas e das significativas e convulsionais experiências nos âmbitos social, político e religioso que conduzem ao fechamento de um período histórico, a revisão de algumas práticas, torna-se necessária, imprescindível, adotando-se reconhecidos valores para reflexões que podem orientar os novos caminhos. O conjunto dessas situações tem reflexos sobre o desenvolvimento das práticas de união dos espíritas.

O livro União dos espíritas. Para onde vamos? traz subsídios para muitas reflexões!

Maiores informações:

No link abaixo:

ficha catalográfica, arquivo em pdf de um capítulo, e a promoção de comercialização: https://editoraeme.com.br/estudo/514-uniao-dos-espiritas-para-onde-vamos.html

A Gênese – Apreço pela verdade

A Gênese

Apreço pela verdade

"O seminário “150 Anos de A Gênese — Um Resgate Histórico”, realizado no Teatro Gamaro, na Zona Leste da Capital, reflete o posicionamento firme da USE frente as revelações apresentadas na obra de Simoni Privato Goidanich.

Conforme asseverou a presidente Júlia Nezu Oliveira, “a verdade deve vir à lume, porque estamos convictos de que houve, nessa quinta edição, um desvirtuamento da obra de Allan Kardec”. Uma posição que, felizmente, não é isolada, como se pôde constatar nas manifestações no painel que se seguiu à exposição de Simoni Privato, coordenado por Antonio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da USE e da FEB. Além dos pronunciamentos feitos na tribuna, outras vozes se levantaram, vindas da plateia e dos que acompanhavam pela Internet das várias partes do Brasil.

As reações ganham repercussões não só no campo doutrinário, já que a maioria das traduções de A Gênese se baseia na edição adulterada (com exceção da publicada pela CELD Editora), mas também no campo jurídico. “O trabalho que nos foi apresentado é inquestionável. Documentos que vieram à tona provam que houve realmente uma manipulação da obra escrita por Allan Kardec. Originais foram destruídos”, anota o advogado e palestrante de Niterói, Hélio Loureiro Ribeiro, presidente da AJE-RJ.

[…] Além dos desdobramentos doutrinários, há também repercussões no campo jurídico, como aponta o Promotor de Justiça Manoel Felipe Menezes da Silva Júnior, vice-presidente da Federação Espírita do Amapá e membro do Ministério Público naquele Estado. “Esta é uma questão moral, mas também uma questão legal. E ela sofre controle de apreciação por um tribunal”.

[…] Apesar da perplexidade geral, esse não parece ser o caminho escolhido pelos espíritas brasileiros, que devem seguir o caminho tomado por Argentina, Colômbia, Uruguai e Panamá, que já adotaram a edição publicada pela CEA, traduzida pelo próprio Gustavo Martínez. Na Europa, o Movimento Espírita Francofônico liderado por Charles Kempf e Jean-Paul Evrard lançou no mês de fevereiro uma edição comemorativa ao sesquicentenário da obra, resgatando texto original de La Genèse — Les Miracles et Les Predictions Selon Le Spiritisme."

Trechos de:

“Suplemento Literário”, Dirigente Espírita, março-abril de 2018.

Acesse: https://app.associatec.com.br/upload/organizacao_000000000000037/noticia/documento/195/10486.pdf

Chico Xavier se posicionou frente a alterações em obra de Kardec

Chico Xavier se posicionou frente a alterações em obra de Kardec

O médium Chico Xavier marcou uma posição firme em 1974. O livro Na hora do testemunho reúne mensagens, crônicas, poemas e cartas, que Herculano Pires e Chico Xavier escolheram, para deixarem documentadas suas posições, quanto à importância da defesa da obra de Kardec contra as tentativas de adulteração, que ocorrem dentro do próprio movimento espírita. Leitura obrigatória para os espíritas, previne-os contra a estagnação simplória na crença e a aceitação de “mentores” deste e do outro mundo, que por meios tipicamente farisaicos atrelam facilmente os ingênuos e os vaidosos ao carro fantasioso das suas pretensões. A obra Na hora do testemunho (editado pela Paideia), uma parceria de Herculano Pires com Chico Xavier, denuncia um triste incidente ocorrido no meio espírita brasileiro: a adulteração de O Evangelho segundo o Espiritismo, levada a efeito por uma editora, em julho de 1974.

No livro citado, destaca Herculano Pires: “O médium Francisco Cândido Xavier, apesar de sua costumeira isenção em polêmicas doutrinárias, acabou manifestando-se contra a adulteração e tomou posição firme e clara na defesa dos textos de Kardec. A maioria dos chamados líderes espíritas não se manifestou. A hora do testemunho provara mal, revelando a falta de convicção da maioria absoluta, e portanto esmagadora, do chamado movimento espírita brasileiro. Mas os resultados foram se manifestando mais tarde, com um crescente interesse do meio espírita pelas obras de Kardec em edições insuspeitas.”

Trecho de: Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano. Na hora do testemunho. 1. ed. São Paulo: Paidéia. 1974. 120p.

Revista Espírita em francês comenta adulterações de A Gênese

Revista Espírita em francês comenta adulterações de A Gênese

A Revista Espírita, edição em francês (Revue Spirite, 1º. Trimestre de 2018, p.36-42), trouxe a matéria intitulada “Face O legado de Allan Kardec” onde informa que “Le Mouvement Spirite Francophone” lançou, em coordenação com o Conselho Espírita Internacional, uma nova edição comemorativa de A Gênese, coerente com as quatro primeiras edições do Allan Kardec, e com o preço de 7,50 Euros.

A Revue Spirite comenta também:

“Este livro contém, pois, a quintessência do pensamento de Allan Kardec, escritas após a maturação das idéias iniciais pelas reações dos leitores da Revista Espírita, onde Allan Kardec previamente havia publicado em vários capítulos, e também pela concordância e a universalidade do ensino dos Espíritos. No momento, vários pesquisadores espíritas pelo mundo (Uruguai, Argentina, Colômbia, Brasil, Estados Unidos e França) têm realizado pesquisas sobre o assunto, por vezes de forma independente uns dos outros, e todos têm estabelecido que existe uma dúvida legítima sobre a edição atual de A Gênese, que está de acordo com o 5ª. edição publicada em 1872, ou seja depois do desencarnação de Allan Kardec. Com efeito, todas as biografias afirmam que a 5ª. edição está conforme com a 4ª. publicada em 1868, mas o exame pormenorizado mostra que este não é o caso, a 4ª. são idênticas para as três primeiras, todas publicadas por Allan Kardec em 1868 e 1869. O texto da 5ª. edição, portanto, teria sido alterado depois da desencarnação de Allan Kardec.

Para mais detalhes, ver nesta revista a tradução do último capítulo do livro "El legado de Allan Kardec", com a permissão da autora Simoni Privato Goidanich, que reside no Uruguai.

Esta adulteração já havia sido denunciada por Henri Sausse, em um artigo intitulado "Uma infâmia", publicado na revista Le Spiritisme em 1884, época em que Leymarie, claramente sucumbiu ao conflito de interesses e a influências prejudiciais de entidades espirituais inimigas do bem, tinha se desviado das bases do espiritismo e das instruções de Allan Kardec, para desgosto de muitos espíritas sinceros, incluindo Gabriel Delanne e Léon Denis, que fundaram a União Espírita Francesa, com o consentimento de Amélie Boudet pouco antes de sua desencarnação em Janeiro de 1883.

Voltaremos com mais detalhes sobre esses episódios do movimento espírita da França, depois da desencarnação de Allan Kardec, que têm sido objeto de várias pesquisas publicadas em dois livros em português, um terceiro está em preparação.”

Observações do GEECX:

Também a edição em inglês da citada revista – Spiritist Magazine (Revista Espírita), publicada nos EUA, número abril-junho de 2018, p.16-21 -, publicou o artigo "In search of Allan Kardec’s legacy", de autoria de Simoni Privato Goidanich, (http://grupochicoxavier.com.br/alteracoes-de-a-genese-em-revista-em-ingles/)

O livro de Simoni Privato Goidanich, já está disponível em portugês, edição da USE-SP/CCDPE.

Alterações de A Gênese em revista em inglês

Alterações de A Gênese em revista em inglês

Artigo de Simoni Privato Goidanich, In search of Allan Kardec’s legacy, publicado na Spiritist Magazine (Revista Espírita), edição em inglês publicada nos EUA, número abril-junho de 2018, p.16-21. Simoni relata o conteúdo de seu livro O legado de Allan Kardec, com edições em espanhol (CEA, 2017) e em português (USE-SP/CCDPE, 2018), sobre as alterações no conteúdo de A gênese, a 5ª edição francesa do ano de 1872, e que serviu de base para as traduções em vários locais, inclusive no Brasil.

Acesso:

https://storage.googleapis.com/wzukusers/user-29522141/documents/5ab51d9652cdfhUkwCGN/41.pdf

Apelo aos pais

Apelo aos pais

O livro Apelo aos pais, foi editado  pelo Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas. O novo livro aborda assuntos como: pais e filhos, jovens, união conjugal, suicídio infantil, adoção, rejeição paterna, dinheiro e outros. No prefácio da obra Perri destaca: "o livro editado pelo Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas (SP), enriquece a literatura espírita com análises e reflexões que, sem dúvida, devem merecer a atenção e o estudo por parte dos pais, educadores e colaboradores dos centros espíritas." Vide ficha técnica anexa. Para ler o sumário e as primeiras páginas, acesse: http://www.allankardec.org.br/upload/livro/244_apelo-aos-pais-primeiras-paginas.pdf

A autora Clara Lila Gonzalez de Araújo, é pedagoga e mestre em ensino e aprendizagem; foi diretora da FEB, colaboradora na sede em Brasília e na sede histórica no Rio de Janeiro, e, membro do Conselho Superior da FEB, durante várias gestões, até a presidência de Cesar Perri. Clara Lila mudou-se para Campinas, onde tem atuado no CEAK. Junto à célula básica do movimento, o centro espírita, mantém vivo o ideal de educadora preocupada com a infância e no contexto de seu ambiente familiar.

Informações: www.allankardec.org.br;

Disponível também em formato digital: https://www.amazon.com.br/dp/B07BJK36LC/

Em Louvor à Vida

Em Louvor à Vida

A Editora LEAL lançou neste trimestre a 2ª edição de Em Louvor à Vida, que se encontrava esgotado há muitos anos. É obra de Divaldo Pereira Franco; pelo espírito Lourival Perri Chefaly; organizado por Antonio Cesar Perri de Carvalho. Com o mesmo conteúdo da edição original, o livro traz informações do organizador sobre o autor espiritual, que foi médico na cidade do Rio de Janeiro; e comentários do organizador sobre as mensagens do Espírito, psicografadas por Divaldo. Nos capítulos são abordados assuntos sobre família, mediunidade, câncer, sexo, AIDS, educação, vida e morte.

Contatos:

LEAL: leal@mansaodocaminho.com.br;

EBM Editora: ebm@ebmeditora.com.br

O legado de Allan Kardec – RESENHA

O legado de Allan Kardec

RESENHA

A União das Sociedades Espíritas de São Paulo – USE-SP e o Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita Eduardo Carvalho Monteiro, lançam a versão em português do livro O legado de Allan Kardec, de Simoni Privato Goidanich. A edição original foi editada pela Confederação Espírita Argentina, em Buenos Aires.

A autora Simoni Privato Goidanich é brasileira, bacharel em Direito e Mestre em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da USP; atua como Diplomata; recebeu prêmios e frequentou a Harvard University. A serviço do governo brasileiro, já residiu nos Estados Unidos, no Uruguai e no Equador. Nesses países dedica-se ao trabalho no movimento espírita. Atua no Centro Espírita Redención e colabora com a Federación Espírita Uruguaya.

O prefácio foi redigido por Júlia Nezu Oliveira, presidente da USE-SP, e o prefácio da edição em espanhol redigida por Gustavo N. Martínez, presidente da Confederação Espírita Argentina.

O livro tem 446 páginas e dezenas de ilustrações documentais. Simoni Privato Goidanich esteve pessoalmente em Paris acessando documentações oficiais e também na histórica Associação Espírita Constancia, de Buenos Aires, que funciona desde 1877. A autora fez um meticuloso levantamento em documentos dos Arquivos Nacionais da França e da Biblioteca Nacional da França, tendo por foco o livro A Gênese e instituições como a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, da sua sucedânea, a Sociedade Científica do Espiritismo, e, da então nascente União Espírita Francesa.

O livro de Simoni se divide em duas partes. Na primeira parte trata sobre momentos significativos dos 10 anos após o lançamento de O livro dos espíritos; os papéis desempenhados por Léon Denis e Gabriel Delanne no movimento espírita francês e o relacionamento de ambos com Kardec; os episódios sobre o lançamento e as primeiras edições francesas de A Gênese; e a desencarnação do Codificador.

Na segunda parte, a autora trata de questões legais sobre o nome e o pseudônimo de Kardec; a fundação da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec; comenta o chamado “o ano terrível” (1872), relacionado com o lançamento da 5a edição de A Gênese designada como “revisada, corrigida e aumentada”; o “processo dos espíritas”; os cerceamentos inflingidos à sra. Allan Kardec e sua desencarnação; a queima de arquivos e documentos da viúva de Kardec; o alerta do biógrafo de Kardec, Henri Sausse – “Uma infâmia” – apontando 126 alterações de texto na 5a edição de A Gênese; as nefastas deturpações executadas por Pierre-Gaëtan Leymarie em instituições e na Revista Espírita; as lutas e propostas renovadoras de Gabriel Delanne e León Denis e a fundação da União Espírita Francesa, em 1882. No livro em análise ficaram evidentes as alterações de propósitos da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec e também na linha editorial da Revista Espírita. Esta Sociedade Anônima passou a ser dominada economicamente pelo acionista Jean Guérin, um grande proprietário, ex-dirigente político do departamento de Gironda, apoiador de J.B.Roustaing. Um fato tormentoso na época foi a ampla circulação de um panfleto de divulgação da obra de Roustaing, defendido pela então direção da Revista Espírita, provocando forte reação dos amigos e defensores do legado de Kardec, inclusive Gabriel Delanne, Léon Denis e Berthe Fropo.

Dentro desse contexto de deturpações e polêmicas, as edições francesas de A Gênese, a partir da 5a edição de 1872 (aquela “revisada, corrigida e aumentada”) é que foram autorizadas para traduções em diversos países, por Leymarie, então dirigente da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec. Simoni comprova que até a desencarnação de Kardec ocorreram quatro edições e que um único exemplar de A Gênese, publicado em 1868, foi depositado legalmente durante a existência física de Allan Kardec na Biblioteca Nacional da França. Para a autora, esta edição é a definitiva e o Codificador não teria modificado seu conteúdo.

O legado de Allan Kardec tem riquíssimo valor histórico e é restaurador de importantes episódios que se encontravam encobertos. No final, registra Simoni Privato Goidanich: “A responsabilidade ante o legado de Allan Kardec é de todos os espíritas, e cada um herdará as consequências de seus atos e de suas omissões”.

O novo livro O legado de Allan Kardec reúne preciosas informações e documentação sobre as primeiras décadas em seguida à desencarnação de Allan Kardec, sendo um rico repositório da história do movimento espírita francês.

O Espiritismo e as grandes transições

"O Espiritismo e as grandes transições"

Emmanuel comenta o “absurdo das teorias igualitárias absolutas”, pois contradizem “as verdades da reencarnação”, e considera que “só o Espiritismo pode representar o valor moral onde se encontre o apoio necessário à edificação do porvir.” No momento atual, o bom-senso solicita que os espíritas sejam fiéis ao Espiritismo.

No transcorrer do século XIX:

“[…] Grandes ideias florescem na mentalidade de então. Ressurgem, aí, as antigas doutrinas da igualdade absoluta. Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. […] Uma revolução sociológica de consequências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização, condenando-a à destruição mais completa. […] Onde se encontram, porém, as forças morais capazes de realizar o grande milagre da elucidação de todos os espíritos? […] O Espiritismo vinha, desse modo, na hora psicológica das grandes transformações, alentando o espírito humano para que se não perdesse o fruto sagrado de quantos trabalharam e sofreram no esforço penoso da civilização. Com as provas da sobrevivência, vinha reabilitar o Cristianismo […], semeando, de novo, os eternos ensinamentos do Cristo no coração dos homens. Com as verdades da reencarnação, veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas, cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano. Enquadrando o socialismo nos postulados cristãos, não se ilude com as reformas exteriores, para concluir que a única renovação apreciável é a do homem intimo, célula viva do organismo social de todos os tempos, pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo. Ensinando a lei das compensações no caminho da redenção e das provas do indivíduo e da coletividade, estabelece o regime da responsabilidade, em que cada Espírito deve enriquecer a catalogação dos seus próprios valores. Não se engana com as utopias da igualdade absoluta, em vista dos conhecimentos da lei do esforço e do trabalho individual, e não se transforma em instrumento de opressão dos magnatas da economia e do poder, por consciente dos imperativos da solidariedade humana. Despreocupado de todas as revoluções, porque somente a evolução é o seu campo de atividade e de experiência, distante de todas as guerras pela compreensão dos laços fraternos que reúnem a comunidade universal, ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos, alargando as concepções da justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas.”

No século XX (na época em que foi psicografado A caminho da luz):

“[…] Nestes tempos dolorosos em que as mais penosas transições se anunciam ao espírito do homem, só o Espiritismo pode representar o valor moral onde se encontre o apoio necessário à edificação do porvir. Enquanto os utopistas da reforma exterior se entregam […] em suas […] aventuras revolucionárias, prossegue ele, o Espiritismo, a sua obra educativa junto das classes intelectuais e das massas anônimas e sofredoras, preparando o mundo de amanhã com as luzes imorredouras da lição do Cristo.”

Fonte – trechos de: XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. A caminho da luz. cap. 24. Brasília: FEB.

(Publicado originalmente em 1938)

Entrevista Simoni Privato

Entrevista Simoni Privato

Por ELIANA HADDAD

Por que se interessou em pesquisar as alterações de A Gênese?

Simoni Privato: Em matéria doutrinária, o que afirmamos deve estar muito bem fundamentado, ainda mais comrelação a um tema tão relevante, como é o caso do conteúdo definitivo de uma obra fundamental do espiritismo. Meu único propósito foi encontrar a verdade. Não parti de nenhuma opinião pessoal ou ideia preconcebida. Concentrei-me nos fatos, nas provas e nos ensinamentos doutrinários.

Em qual edição foram feitas as alterações?

Simoni Privato: As alterações do texto publicado por Allan Kardec em La genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme foram feitas na quinta edição, depositada legalmente em 23 de dezembro de 1872 perante as autoridades francesas, ou seja, mais de três anos depois do falecimento de Allan Kardec. As quatro edições anteriores, todas datadas de 1868, têm o mesmo conteúdo – e é esse o conteúdo definitivo da obra.

Mas não existe a possibilidade de o depósito legal ter sido feito bem depois da publicação da quinta edição?

Simoni Privato: Antes da impressão e, portanto, do depósito legal, deveria ser feita uma declaração de que se pretendia imprimir a obra. Segundo os documentos dos Arquivos Nacionais da França, o registro da declaração de que se pretendía imprimir a obra foi feito perante o Ministério do Interior em 19 de dezembro de 1872 pela gráfica Rouge Frères, Dunon et Fresné.

Quais foram as principais alterações?

Simoni Privato: São tão numerosas as alterações que é muito difícil especificar quais seriam as principais. Henri Sausse mencionou 126 passagens que foram modificadas, acrescentadas ou suprimidas. Entre as muitas modificações que sofreu o capítulo 28, por exemplo, está a eliminação de todos os sete parágrafos do item 20 (presente nas quatro edições publicadas por Allan Kardec), que trata do papel do espiritismo na regeneração da humanidade. Também foram eliminados três parágrafos sobre o desaparecimento do corpo de Jesus, no capítulo 15. No capítulo 10, foi acrescentado um parágrafo final no item 23 sobre a geração espontânea,no lugar do parágrafo que havia sido escrito por Allan Kardec, provocando a mudança do teor da conclusão sobre o tema apresentada por ele nas quatro edições de 1868. Uma maneira rápida para confirmar se o texto corresponde ao que Kardec publicou é ver quantos itens tem o capítulo 15. No texto de Kardec é composto por 68 itens.

Você acha que houve má fé? Isso impacta no trabalho realizado pelo Espírito de Verdade?

Simoni Privato: O que se pode constatar, do ponto de vista doutrinário, é que a pessoa ou as pessoas que alteraram o conteúdo de La genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme não compreendiam a doutrina espírita – nem suas características nem seu papel para a humanidade. O texto publicado por Allan Kardec na obra não é sua opinião pessoal –e, por isso, não deve ser relativizado. É o resultado de muitos anos de estudo, de observação e sobretudo de confirmação segundo os critérios espíritas da razão e da concordância do ensino dos Espíritos, com exceção de algumas teorias hipotéticas, que Allan Kardec teve todo o cuidado de indicar como tais. A alteração do conteúdo publicado por Allan Kardec revela, portanto, uma tentativa de substituir a doutrina dos Espíritos pela opinião de alguma ou de algumas pessoas. A seriedade do trabalho realizado pelo Espírito de Verdade é inabalável.O espiritismo sempre triunfa: é obra de Jesus. Este caso é prova disso.

Diante deste fato, qual deve ser o nosso papel como comunicadores e formadores de opinião no movimento espírita?

Simoni Privato: No processo de restauração do verdadeiro conteúdo de La genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme, é necessário que haja traduções fiéis, mas também que se esclareça a questão da adulteração e se estimule a união de esforços para que o conteúdo adulterado seja definitivamente substituído pelo que Allan Kardec realmente publicou. Também é preciso incentivar o estudo da obra. Portanto, o papel dos comunicadores e formadores de opinião no movimento espírita é de extrema importância.

Como proceder para que toda seriedade da obra da codificação não seja abalada?

Simoni Privato: A restauração do conteúdo definitivo, de 1868, de La genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme é fundamental não apenas para essa obra, mas também para as demais de Allan Kardec. A elaboração de La genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme, que foi publicada quase onze anos depois de O livro dos Espíritos, beneficiou-se do desenvolvimento teórico e prático da doutrina espírita. Seu estudo é indispensável para a compreensão e o estudo aprofundado do conteúdo das obras anteriores– e, portanto, para a devida compreensão, prática e divulgação da própria doutrina espírita. Além disso, para respeitar-se a seriedade das obras de Allan Kardec, é necessário incentivar, como prioritários, o estudo e a divulgação dessas obras, além da prática de seus ensinamentos.

(Correio Fraterno do ABC, Ano 50, No. 479, Janeiro-Fevereiro 2018, p. 9; www.correiofraterno.com.br)