Tempo para reflexão e interação nos 70 anos de USE

      

Por Eliana Haddad e Izabel Vitusso

Conclusões das Rodas de Conversa

Ponto alto do evento, seis rodas de conversa abordaram assuntos preponderantes para o movimento espírita. Como foi enfatizado pelos organizadores, o congresso não terminava ali e deveria continuar nas casas espíritas, como um convite à reflexão e discussão sobre os vários itens apontados. Veja as principais conclusões apresentadas pelos coordenadores:

 

Qualidade doutrinária da literatura espírita

Por Marco Milani

É preciso ponderar o que pode ser aceito como novo conhecimento, separando-se os livros em espíritas e "pseudoespíritas". Para que algo possa ser considerado como uma nova informação para a doutrina é preciso haver evidências objetivas que comprovem a novidade. Passar pelo crivo da razão, por toda a comunidade espírita e científica.

Também o perigo da idolatria foi abordado, em função da fixação que algumas pessoas têm com relação a médiuns. Não é porque o médium é famoso, que todas as suas obras devam ser aceitas sem análise.

A seleção das obras para a livraria na casa espírita deve prezar a coerência doutrinária, sendo de reponsabilidade do dirigente. A biblioteca pode ter outro caráter e conter inclusive obras que tenham contradições, mas devidamente classificadas como tal.

 

Práticas estranhas ao centro espírita

Por Antonio Cesar Perri de Carvalho

O movimento espírita tem dificuldade de lidar com a crítica. Porem, feita de maneira equilibrada, não pode ser considerada como algo destrutivo. É preciso atentar para práticas estranhas, não somente com relação à mediunidade, mas também em questões doutrinárias, gestão administrativa e as inter-relações dos espíritas, entre dirigentes, colaboradores e frequentadores.

Sobre o passe, concluiu-se que por ser uma doação de sentimento, muito simples, não há necessidade de movimentos e encenações. É preciso atenção sobre os limites das atividades de cura para não se correr o risco da caracterização de curandeirismo e prática ilegal da medicina.

Outro ponto analisado foi o crescimento de instituições que acabam por requerer um autêntico comércio para sua manutenção. Herculano Pires foi lembrado, através de seus comentários no livro O evangelho em espírito e verdade sobre Paulo de Tarso, que libertava a religião da política e do negócio, para ser vivida em si mesma, com toda a independência moral.

A apometria foi claramente considerada como prática não espírita. Há também centros espíritas utilizando-se de cursos e técnicas de magnetismo, sendo preciso haver a identificação sobre diferenças entre prática espírita e práticas alternativas de terapias complementares, que estão fora da alçada do centro espírita.

 

Teorias científicas e espiritismo

Por Alexandre Fontes da Fonseca

Refletiu-se sobre a impropriedade de se utilizar teorias científicas modernas para explicações de conceitos espíritas. O espiritismo tem valor por si só e possui todos os ingredientes filosóficos para ser uma ciência legítima, sem deixar a desejar a nenhuma física, química, biologia, medicina, etc. Perante a tentação de aceitar essas novidades, somos seduzidos pelo linguajar técnico, sofisticado, com ar de moderno, e deixamos de lado a própria doutrina, esquecendo-nos de que ela tem valores intrínsecos. Qual engenheiro, ao fazer o projeto de um viaduto vai deixar de usar os conhecimentos da engenharia para fazer seu projeto? Por que nós, espíritas, não usamos os nossos termos e conceitos para explicar os fenômenos com os quais lidamos na nossa casa espírita?

Vários questionamentos surgiram sobre como fazer pesquisa segura dentro da doutrina, utilizando-se desses parâmetros. Essa é uma questão difícil, porque precisamos estudar mais o espiritismo para termos uma visão completa de conjunto. A Liga de Pesquisadores Espíritas (www.lihpe.net) tem dado contribuições ao conhecimento espírita de um modo cuidadoso e com respaldo na doutrina, assim como alguns periódicos, como o JEE – Jornal de Estudos Espíritas.

 

Sexualidade e afetividade sob a ótica espírita

Por Luiz Fernando Penteado

O espiritismo nos permite um aprofundamento frente aos novos reclamos da sociedade, mostrando a atualidade da sua filosofia. A casa espírita tem um papel preponderante, como espaço acolhedor, fonte de informação e desenvolvimento. Deve se preparar para que, além do conteúdo doutrinário, tenha condições de dar suporte às demandas sociais da atualidade.

A sexualidade é uma fonte transformadora, procriadora, que vai muito além do contexto biológico reforçado por toda a sociedade e pela mídia. Inclui comunhão, aprendizado. Homossexualidade é um assunto que todos devemos entender, até para vencer preconceitos.

Que o trabalho junto à criança e ao adolescente não se limite a dar a orientação sobre a sexualidade, mas a orientação moral, de valores e que aborde o amor como fonte geradora. Uma orientação que permita ao indivíduo entender a sexualidade de forma construtiva, no processo evolutivo, buscando-se a compreensão do amor e do autoconhecimento.

 

Política e espiritismo

Por Allan Kardec Pitta Veloso

O assunto política deve ser tratado na casa espírita sem partidarismo, paixão ou dogma. Allan Kardec considera a criatura humana em concepção diferente de outros autores da ciência política, como Thomas Hobbes, Jacques Rousseau, Karl Marx. O homem para o espiritismo é um ser preexistente e que vive depois da morte, fundamento que faz toda diferença na abordagem do tema.

A política deve buscar mudanças para melhor. Não há mundo melhor sem o homem melhor. O espiritismo tem contribuições brilhantes para a questão, para que se possa atuar na sociedade, inclusive na seara da política. O homem é o agente de transformação. Vários trechos de Kardec, em Obras póstumas, assinalam que essas mudanças se darão naturalmente quando homens de bem passarem a ser maioria nesse planeta.

 

O desafio de educar além de instruir

Por André Luiz Peixinho

Considerando-se os vários aspectos da educação, refletiu-se sobre como se dá a aprendizagem, utilizando-se de alguns informes da neurociência, mostrando a diferença entre o que é observado e o que é a verdadeira transformação, fazendo-se conexão com as aprendizagens que são mais significativas e que fazem parte da noção de espírito.

Sobre a importância do estudo espírita, é necessário que haja uma unidade do pensamento espírita. Sem querer transformar isso numa uniformização de práticas pedagógicas. E isso se daria pelo projeto educacional dos cursos regulares para que as pessoas, formando consensos, construam as estruturas possíveis na sociedade em geral. É preciso analisar se não estamos copiando os métodos laicos, de origem do paradigma materialista, para o contexto espírita.

A educação deve passar pelo que é essencial: o espírito.

A educação, de modo geral, insere o indivíduo na sociedade tornando um cidadão. É necessário refletir e construir o nosso próprio projeto pedagógico com um finalismo mais amplo, na revisão dos conceitos de níveis evolutivos.

Como o centro espírita poderia atuar na formação dos grupos de autoconhecimento como forma de crescimento pessoal, destacando-se os espaços de convivência, sendo fundamental a aprendizagem em grupo.

 

Publicado no jornal Correio Fraterno – São Bernardo do Campo (SP), Edição 476, julho/agosto 2017.

Acesso:

http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1991:tempo-para-reflexao-e-interacao-nos-70-anos-de-use&catid=103:especial&Itemid=2

Chico, Diálogos e Recordações… – edição ampliada

Com evento público no dia 7 de julho, no auditório do Centro Espírita O Clarim, em Matão (SP), a Casa Editora O Clarim lançou a obra biográfica “Chico, Diálogos e Recordações…”, de autoria de Carlos Alberto Braga Costa. Uma edição ampliada, de versão originalmente publicada em 2006 pela União Espírita Mineira na gestão de Honório Onofre Abreu.

O livro traz memórias inesquecíveis, documentos, fotos e material exclusivo sobre o médium Francisco Cândido Xavier. Desenvolvido em quatro anos de pesquisa e baseado em gravações do autor com Arnaldo Rocha (1922-2012), amigo íntimo de Chico e esposo de Meimei.

É uma obra de leitura estimulante, leve e ao mesmo tempo impregnada de lições de vida, oferecidas por Francisco Cândido Xavier, e que foram recontadas pelo seu amigo Arnaldo Rocha. O estilo de escrita é um híbrido de diálogos, narrativas e impressões que foram registradas pela sensibilidade do autor. Fatos, imagens e documentos foram inseridos nessa edição tornando, assim, imperdível a leitura dessa valiosa obra.

Há interessantes relatos sobre o contexto em que algumas mensagens foram recebidas por Chico durante as reuniões do antigo Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo.

Nessa edição revisada e ampliada, lançada pela Casa Editora O Clarim, fatos, imagens e documentos foram inseridos, apresentando a figura de Chico Xavier como um ser humano consciente em processo constante de evolução e autocrítica. Uma alma sensível, humilde, honesta, inteligente, exigente, amorosa e fiel aos princípios que definiu para sua vida.

O autor, Carlos Alberto Braga Costa, atuou em várias instituições de Belo Horizonte, incluindo a União Espírita Mineira, e em 2008 fundou a FEEAK Minas – Fraternidade de Estudos Espíritas Allan Kardec.

 

Informações:

https://www.oclarim.org/noticias/136/livro-sobre-chico-xavier-e-lancado.html

Novo livro coloca Movimento Espírita no centro das atenções

Sirlei Nogueira

Experiência de 53 anos – 1/3 da História do Espiritismo – assegura status de especialista ao autor.

Desde que deixou a função de presidente da FEB, em 2015, Antonio Cesar Perri de Carvalho decidiu dividir os aprendizados e conhecimentos do caminho, chegando à quarta publicação em período de 13 meses.

O livro ‘Em Ações Espíritas’ está saindo do forno da novata Cocriação Editora, de Araçatuba, levado direto para o ambiente fraterno e aconchegante do 17.º Congresso Estadual de Espiritismo da USE-SP, de 23 a 25 de junho. 

O autor reúne, resumidamente, “algumas experiências de mais de meio século de trajetória espírita: momentos de vivências pinçados dos tempos iniciais em Araçatuba (SP), em Mocidade departamental e Centro Espírita; União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, nos níveis local, regional e estadual; Federação Espírita Brasileira e Conselho Espírita Internacional. As observações refletem algumas linhas de pensamento e de atuação que têm norteado nossa vida e podem servir de estímulo para se buscar inspirações no sentido de avaliamos continuamente os caminhos para nossas existências”.

Perri acrescenta que por pressupor movimentação, “está cunhada a expressão Movimento Espírita para se referir às ações em geral, implementadas pelas diversas instituições espíritas. Torna-se interessante lembrarmos que o ativo apóstolo Paulo, em vários trechos de suas epístolas, faz referência a bom combate, corrida, carreira, alvo. Que tenhamos sempre o ideal renovado para prosseguirmos no bom combate pelas ações no bem e de forma contínua: ‘prossigo para o alvo…’" (Filipenses, 3.14).

A partir de relatos históricos, do Brasil e do mundo, do passado – longínquo e recente – e do presente, esta obra inspira reflexões existenciais e propõe atitudes, no contexto da vivência espírita. Algumas exemplares encarnações missionárias, com notáveis contribuições a serviço do próximo, são estímulos fundamentais à ação: Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Yvonne Pereira, Benedita Fernandes, Cairbar Schutel, Mário Barbosa, Divaldo Pereira Franco.

A partir destas e de outras inspirações, a atitude remete, necessariamente, a movimento. Neste caso, ao Movimento Espírita, nos mais variados cenários e idiomas, contribuindo para expansão e consolidação do Cristianismo, na segunda e decisiva etapa de ação entre nós, iniciada há 160 anos. ‘Em Ações Espíritas’ traduz o olhar de um dirigente com 53 anos de trajetória espírita, que começou na juventude e reúne experiências de gestão incomparáveis. O olhar de um especialista, que fraternalmente convida: em ações, espíritas!

Contatos:
Cocriação Editora | Araçatuba.SP
www.facebook.com/cocriacaoeditorial
sirleinogueira@yahoo.com.br

18 99709.4684

Benedita Fernandes. A dama da caridade


 



Sirlei Nogueira 


 

O livro ‘Benedita Fernandes. A Dama da Caridade’ é uma biografia comemorativa dos 85 anos da fundação da Associação das Senhoras Cristãs, em Araçatuba, por Benedita Fernandes.

 

O autor e o biógrafo dela, araçatubense Antonio Cesar Perri de Carvalho comentou:

“É edição comemorativa – ampliada, atualizada e revisada – inspirada na obra intitulada ‘Dama da Caridade’. A primeira edição foi lançada pela União Municipal Espírita de Araçatuba há 35 anos (1982) e, depois, pela Editora Radhu, de São Paulo, em 1987. A publicação de agora é, efetivamente, uma nova obra”.

Perri destaca que “a primeira versão de ‘Dama da Caridade’ atingiu vários rincões, motivando interesse dos leitores pela biografada e estímulo à criação de núcleos de trabalho espírita com o nome dela. Companheiros espíritas, de várias regiões do País, há muito solicitam a reedição desta obra biográfica. Como se encontra esgotada há anos, e já passados 30 da última edição, entendemos que a elaboração de uma nova versão seria mais adequada”.

A história surpreendente de superação de Benedita Fernandes: a mulher que revolucionou a própria vida para se transformar em pioneira do serviço de saúde mental no interior do Estado. E no próprio Brasil”, acrescenta o autor.

Segundo o jornalista Sirlei Nogueira, “a biografia reflete a proposta de trabalho da editora: cocriar. ‘Benedita Fernandes. A Dama da Caridade’ nasce nesse contexto, com apoios de várias instituições espíritas, da cidade e região, principalmente. Mas, já com reflexos pelo Brasil. A Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes é uma das cocriadoras”.

Contatos – pedidos: sirleinogueira@yahoo.com.br

Equilíbrio religioso e crítica

Obra Regis

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Oportuno o livro de autoria de Regis de Morais intitulado Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade (*).

Nas páginas iniciais, o autor destaca a frase de Kardec : «A verdade é como a luz; é preciso que nos habituemos a ela, pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria » (LE, q. 628).

O autor esclarece o tipo de análise e de crítica que desenvolve: “Quando há limpeza de alma a crítica é generosa. Os que assim criticam sabem que é olhando os semelhantes nos olhos, com mansuetude e tom respeitoso, que devem fazer avaliações doutrinárias ou comportamentais em nome de uma causa. Isto não será censurar, mas referir atitudes e comportamentos a parâmetros de amor cristão. […] Este é um escrito crítico, mas no melhor e mais legítimo sentido de crítica: avaliar à luz de critérios  parâmetros firmes e sensatos. Por isso não é um texto de julgamentos.”

Morais, que é da área de Filosofia Social e Educação, destaca que a filiação a uma doutrina precisa ser a base ética das relações inter-humanas e aponta valores éticos, como a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Apresenta como fundamentos éticos: o respeito, a solidariedade e a compreensão para com as imperfeições humanas.

Sobre isso, exemplifica com escrito de Santo Agostinho de que a assembléia religiosa não é comunhão dos santos, mas sim dos pecadores. Cita o filósofo Gianotti de que exerce o senso crítico sobre seu meio, o universitário, porque sempre o amou muito.

O autor comenta que “o equilíbrio na vida religiosa – e mesmo no cotidiano não religioso – não aceita nenhuma indiferença ao sofrimento de nosso próximo.”

Nas suas fundamentações o autor considera: “O caminho das religiões é duplo: ou escolhemos aquele lado da estrada que amadurece e enseja crescimento espiritual, ou o lado que infantiliza e nos mete em subserviências cegas, instalando ilusório progresso íntimo. Muitas vezes por conveniências manipulatórias, as religiões pregam enfaticamente a obediência.”

O bloqueio a críticas é lembrado que “está relacionado com o autoengano, deficiência de autocrítica muito frequentemente gerada por engessamentos, endurecimentos do próprio pensar…” Relaciona humildade com abertura para o diálogo.

Importante a colocação de que “se deve esperar é que a prática espírita seja consoante à sua doutrina, não apresentando exlusivismos provincianos.” Para Regis, “as ortodoxias pretendem ter o domínio exclusivo da verdade e dos procedimentos corretos.” Prossegue se referindo à expressão “pureza doutrinária” que acaba remetendo a atitudes fundamentalistas e frequentemente separatistas.

Remete à história inclusive sobre o lamentável Index Prohibitorum (do Concílio de Trento)…

Regis entende que “o cultivo da doutrina espírita exige coerência e lealdade. […] se quisermos sua grandeza doutrinária e não um esquálido ídolo, precisamos pensá-la como educação para a ação transformadora das almas e das sociedades, a qual jamais aceite ser um conjunto de slogans separatistas.”

O livro Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade é um convite ao bom senso para se evitar slogans separatistas e excludentes; merece estudos e reflexões na seara espírita!

 

(*) Editora Allan Kardec, de Campinas (SP): www.allankardec.org.br

Equilíbrio religioso e crítica

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Oportuno o livro de autoria de Regis de Morais intitulado Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade (*).

Nas páginas iniciais, o autor destaca a frase de Kardec : «A verdade é como a luz; é preciso que nos habituemos a ela, pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria » (LE, q. 628).

O autor esclarece o tipo de análise e de crítica que desenvolve: “Quando há limpeza de alma a crítica é generosa. Os que assim criticam sabem que é olhando os semelhantes nos olhos, com mansuetude e tom respeitoso, que devem fazer avaliações doutrinárias ou comportamentais em nome de uma causa. Isto não será censurar, mas referir atitudes e comportamentos a parâmetros de amor cristão. […] Este é um escrito crítico, mas no melhor e mais legítimo sentido de crítica: avaliar à luz de critérios  parâmetros firmes e sensatos. Por isso não é um texto de julgamentos.”

Morais, que é da área de Filosofia Social e Educação, destaca que a filiação a uma doutrina precisa ser a base ética das relações inter-humanas e aponta valores éticos, como a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Apresenta como fundamentos éticos: o respeito, a solidariedade e a compreensão para com as imperfeições humanas.

Sobre isso, exemplifica com escrito de Santo Agostinho de que a assembléia religiosa não é comunhão dos santos, mas sim dos pecadores. Cita o filósofo Gianotti de que exerce o senso crítico sobre seu meio, o universitário, porque sempre o amou muito.

O autor comenta que “o equilíbrio na vida religiosa – e mesmo no cotidiano não religioso – não aceita nenhuma indiferença ao sofrimento de nosso próximo.”

Nas suas fundamentações o autor considera: “O caminho das religiões é duplo: ou escolhemos aquele lado da estrada que amadurece e enseja crescimento espiritual, ou o lado que infantiliza e nos mete em subserviências cegas, instalando ilusório progresso íntimo. Muitas vezes por conveniências manipulatórias, as religiões pregam enfaticamente a obediência.”

O bloqueio a críticas é lembrado que “está relacionado com o autoengano, deficiência de autocrítica muito frequentemente gerada por engessamentos, endurecimentos do próprio pensar…” Relaciona humildade com abertura para o diálogo.

Importante a colocação de que “se deve esperar é que a prática espírita seja consoante à sua doutrina, não apresentando exlusivismos provincianos.” Para Regis, “as ortodoxias pretendem ter o domínio exclusivo da verdade e dos procedimentos corretos.” Prossegue se referindo à expressão “pureza doutrinária” que acaba remetendo a atitudes fundamentalistas e frequentemente separatistas.

Remete à história inclusive sobre o lamentável Index Prohibitorum (do Concílio de Trento)…

Regis entende que “o cultivo da doutrina espírita exige coerência e lealdade. […] se quisermos sua grandeza doutrinária e não um esquálido ídolo, precisamos pensá-la como educação para a ação transformadora das almas e das sociedades, a qual jamais aceite ser um conjunto de slogans separatistas.”

O livro Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade é um convite ao bom senso para se evitar slogans separatistas e excludentes; merece estudos e reflexões na seara espírita!

 

(*) Editora Allan Kardec, de Campinas (SP): www.allankardec.org.br

Equilíbrio religioso e crítica

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Oportuno o livro de autoria de Regis de Morais intitulado Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade (*).

Nas páginas iniciais, o autor destaca a frase de Kardec : «A verdade é como a luz; é preciso que nos habituemos a ela, pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria » (LE, q. 628).

O autor esclarece o tipo de análise e de crítica que desenvolve: “Quando há limpeza de alma a crítica é generosa. Os que assim criticam sabem que é olhando os semelhantes nos olhos, com mansuetude e tom respeitoso, que devem fazer avaliações doutrinárias ou comportamentais em nome de uma causa. Isto não será censurar, mas referir atitudes e comportamentos a parâmetros de amor cristão. […] Este é um escrito crítico, mas no melhor e mais legítimo sentido de crítica: avaliar à luz de critérios  parâmetros firmes e sensatos. Por isso não é um texto de julgamentos.”

Morais, que é da área de Filosofia Social e Educação, destaca que a filiação a uma doutrina precisa ser a base ética das relações inter-humanas e aponta valores éticos, como a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Apresenta como fundamentos éticos: o respeito, a solidariedade e a compreensão para com as imperfeições humanas.

Sobre isso, exemplifica com escrito de Santo Agostinho de que a assembléia religiosa não é comunhão dos santos, mas sim dos pecadores. Cita o filósofo Gianotti de que exerce o senso crítico sobre seu meio, o universitário, porque sempre o amou muito.

O autor comenta que “o equilíbrio na vida religiosa – e mesmo no cotidiano não religioso – não aceita nenhuma indiferença ao sofrimento de nosso próximo.”

Nas suas fundamentações o autor considera: “O caminho das religiões é duplo: ou escolhemos aquele lado da estrada que amadurece e enseja crescimento espiritual, ou o lado que infantiliza e nos mete em subserviências cegas, instalando ilusório progresso íntimo. Muitas vezes por conveniências manipulatórias, as religiões pregam enfaticamente a obediência.”

O bloqueio a críticas é lembrado que “está relacionado com o autoengano, deficiência de autocrítica muito frequentemente gerada por engessamentos, endurecimentos do próprio pensar…” Relaciona humildade com abertura para o diálogo.

Importante a colocação de que “se deve esperar é que a prática espírita seja consoante à sua doutrina, não apresentando exlusivismos provincianos.” Para Regis, “as ortodoxias pretendem ter o domínio exclusivo da verdade e dos procedimentos corretos.” Prossegue se referindo à expressão “pureza doutrinária” que acaba remetendo a atitudes fundamentalistas e frequentemente separatistas.

Remete à história inclusive sobre o lamentável Index Prohibitorum (do Concílio de Trento)…

Regis entende que “o cultivo da doutrina espírita exige coerência e lealdade. […] se quisermos sua grandeza doutrinária e não um esquálido ídolo, precisamos pensá-la como educação para a ação transformadora das almas e das sociedades, a qual jamais aceite ser um conjunto de slogans separatistas.”

O livro Sobre o equilíbrio religioso. Fé e comunidade é um convite ao bom senso para se evitar slogans separatistas e excludentes; merece estudos e reflexões na seara espírita!

 

(*) Editora Allan Kardec, de Campinas (SP): www.allankardec.org.br

 

 

ESPIRITUALIDADE E ESPIRITISMO: REFLEXÕES PARA ALÉM DA RELIGIOSIDADE

Espiritualidade e Espiritismo-Capa livro

 

Lívia D. Cláudio

Os organizadores do livro – André Ricardo de Souza, Pedro Simões e Rodrigo Toniol – bem como os co-autores em geral são pesquisadores e professores universitários das áreas da sociologia, antropologia, história e ciência da religião. Uma coletânea de textos feitos por pesquisadores, em maioria, docentes de diferentes universidades no Brasil, Chile, Estados Unidos e Holanda, abordando temas como: mediunidade, reencarnação, cura espiritual e assistência social espírita.

Trata de questões do Espiritismo no Brasil e da espiritualidade, com abordagens acadêmicas e com farta bibliografia..

Na 1ª. Parte trata-se de temas sobre: O “Espiritismo Racional e Científico Cristão” de Luiz Mattos dos anos 1910-1920 no Brasil: uma facção “científica” belicosa obscurecida pela hegemonia “religiosa” da Federação Espírita Brasileira (Marcelo Camurça, André Pereira, Jacqueline Amaro); Espiritismo como religião: algumas considerações sobre seu caráter religioso e seu desenvolvimento no Brasil (Flávio Rey de Carvalho, Antonio Cesar Perri de Carvalho); Autoridades espíritas: critérios para tipologias e repartições das lideranças no espiritismo (Célia da Graça Arribas); Ação assistencial espírita (Pedro Simões); As cirurgias na medicina do além (André Ricardo de Souza).

Na Parte 2, há abordagens de temas sobre “A espiritualidade sob olhares que cruzam fronteiras”: Materializando espíritos: religião e ciência no caso de Anna Prado (Emerson Giumbelli, Gustavo Chiesa); Terapias alternativas/complementares e políticas de saúde: um caso de espiritualidade na clínica (Rodrigo Toniol); Purgando a alteridade: muertosi, visão e auto-representaçaõ no sonho na religião afro-cubana (Diana Espírito Santo); Reencarnação na América do Norte: histórias e práticas das religiões metafísicas (Courtney Bender).

Livro de estudo que permite a compreensão temas importantes sobre o Espiritismo no Brasil e da espiritualidade em geral. O livro terá lançamentos em eventos acadêmicos.

 

Pedidos:

1) Beneficente para instituição espírita (IMA): http://www.faroldastrescolinas.com.br/novo/ ; ou  fone da livraria: (16) 3703-4411.

2) Editora Porto de Ideias (São Paulo):  www.portodeideias.com.br; ou fone: (011) 3884-3814.

A Educação entre Dois Mundos

Educação-Vinícius

Obra mediúnica de Vinícius Lara, pelo espírito Christiano. A apresentação foi feita por Lúcia Moysés (RJ). Ela destaca que no livro “estão contemplados temas que ultrapassam as questões de ordem mais concreta, oferecendo-se ricas reflexões acerca do papel do educador espírita frente à iluminação do espírito nos primeiros anos da nova jornada. […] o autor aborda conceitos relativos ao exercício espiritual na prática da evangelização infantil. O seu olhar sobre a forma de ajudar no amadurecimento espiritual do ser foge ao trivial, conduzindo-nos por veredas quase inexploradas.” O autor espiritual esclarece na Introdução que “esta obra trata da apresentação de seis saberes – ou princípios – necessários à educação do Espírito, e que, caso sejam incorporados à atividade cotidiana na elaboração de ações educativas no templo ou no lar, poderão render frutos preciosos de amadurecimento”. Em função desses saberes, os seis capítulos versam sobre: Lucidez, Experiência não conceitual, Preciosidade da vida, Identidade coletiva, Múltiplas expressões da verdade, Comunhão com Deus. Entre outras recomendações: “Crie o hábito de ler e meditar sobre o Novo Testamento, seja individualmente ou em grupos de estudos; proponha a criação de um momento de estudos sobre o Evangelho entre os evangelizadores da instituição.” Editada pelo Grupo Espírita da Bênção (MG), em 2016. Informações e pedidos: atendimento1@grupodabencao.org.br; fone (31) 99313-1304.

Preparar aulas de evangelização a partir de O Evangelho segundo o Espiritismo de Allan Kardec: crianças, jovens e adultos

ESE-Fr

 

Autora: Thermutes Lourenço

O livro “Preparar aulas de evangelização a partir de O Evangelho segundo o Espiritismo de Allan Kardec: crianças, jovens e adultos”, Volume I, de Thermutes Lourenço, oferece subsídios ao evangelizador, coordenador de grupos de evangelização, mocidade espírita e grupos de estudos de O Evangelho segundo o Espiritismo, para preparar aulas com dinâmicas e uso do método: ver, pensar e agir. Todavia, sem dúvida, pode contribuir para reuniões de estudo de adultos. O livro apresenta 66 planos de aula, análogos aos capítulos I a XIV, de O Evangelho segundo o Espiritismo. Cada aula tem seu tema, objetivo, conteúdo. Procedimento didático: apresentação do assunto, nome e apresentação da técnica, atividade; recursos e bibliografia, além de sugestão didática para os pequeninos. O livro é o resultado de anos de pesquisas, práticas e reflexões feitas pela Profa. Thermutes Lourenço. A autora, nonagenária, conviveu com alunos e discípulos de Eurípedes Barsanulfo. Seu livro reflete décadas de sua experiência no Grupo Espírita Meimei, de Franca (SP), e na antiga Mocidade Espírita de Franca. O livro foi editado pelo citado Grupo e pelo IDEFRAN. Há programação de edição de um segundo volume.

Pedidos pelo telefone (16) 99146-0567, ou pelo e-mail: mailto: silvana.azevedo24@gmail.com

 

 

 

 

“Comunidades do Caminho. História do Cristianismo Nascente”

Resenha:

“Comunidades do Caminho. História do Cristianismo Nascente” (*)

Com satisfação lemos o recente livro de autoria de Severino Celestino da Silva. Há anos o companheiro vem se dedicando a estudos sobre o judaísmo e o cristianismo primitivo; autor de várias obras e professor dos cursos de graduação e de pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Federal da Paraíba.

A Introdução é um belo retrospecto, destacando que “o cristianismo é a religião monoteísta com mais adeptos no mundo”. Embora versado em idiomas antigos, o autor discorre de forma simples e agradável sobre momentos marcantes como o episódio do Monte das Oliveiras, as reações dos discípulos após a crucificação, as aparições de Jesus, o Pentecostes, Estêvão como divisor de águas entre o judaísmo e o cristianismo, a conversão de Saulo e os diversos contextos das primeiras comunidades cristãs. Fornece ao final do livro substanciosa lista de referências bibliográficas.

Essas comunidades primitivas do cristianismo foram tratadas pelo autor de forma que reunia seu conhecimento histórico sobre elas com as viagens de estudo, e os contatos com grupos de pesquisa das regiões de Israel, Ásia Menor e Roma. Em algumas viagens conduziu um grupo de interessados em conhecer os episódios que marcaram o início do cristianismo.

O capítulo, muito didático, das diversas aparições do Cristo e o capítulo sobre Pentecostes, fortalecem sobremaneira os princípios da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos espíritos.

Evidentemente que as viagens do apóstolo Paulo foram um referencial para os estudos e para a elaboração do livro.

A leitura do livro de Celestino enseja o interesse pelo estudo dos fatos históricos relacionados com figuras marcantes do cristianismo, com destaque para Paulo e seus colaboradores, Maria em Éfeso e para o evangelista João. Surgem também esclarecimentos sobre personagens como Basílio de Cesaréia, são Jorge da Capadócia, Policarpo de Esmirna e outros.

O estilo da escrita e as fotos coloridas de ilustração fornecem ao leitor a sensação que o autor anotou em “Conclusão”: “Foi como participar de um grande filme em nossa tela mental e espiritual”.

Desse capítulo final, transcrevemos trecho do autor:

“Convidamos você, cristão, para juntos tentarmos resgatar a beleza e a cristalinidade do Evangelho de Jesus. Isto só poderá ser conseguido com a prática do Amor, da caridade, da fraternidade e do perdão. Seguir Jesus é viver servindo aos necessitados que nos cercam independente de religião, cor, ou classe social. Sinto ecoar nos meus ouvidos o seu grande ensinamento: ‘Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros’ (João, 13:35). ‘Aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve’ (Mateus, 20:26). Vem! O Cristo nos espera. Sigamos ao seu encontro!”

(*) – Silva, Severino Celestino. Comunidades do Caminho. História do Cristianismo Nascente. 1.ed. João Pessoa: Ed. Ideia, 2014. 286p.

Resenha elaborada por Antonio Cesar Perri de Carvalho – Ex-presidente da FEB e da USE-SP; professor titular aposentado da UNESP.

De: Boletim Notícias do Movimento Espírita: http://www.noticiasespiritas.com.br/2015/NOVEMBRO/27-11-2015.htm