Acolhimento fraterno

Resenha

Acolhimento fraterno

Recém-lançada, a obra Acolhimento Fraterno do espírito Benedita Fernandes, pela psicografia de José Francisco Gomes, traz subsídios simples e objetivos na visão de que as instituições espíritas devem ser templos de amor pautadas na tônica da caridade material e espiritual.

Nesse diapasão, a autora espiritual define qual é a verdadeira função do acolhimento fraterno. O conteúdo deste livro traz esclarecimentos e recomendações muito úteis sobre o ouvir e acolher no diálogo fraterno, exercendo empatia e benevolência. A nova obra, elaborada com simplicidade, coerência doutrinária e o que é indispensável, assentada na vivência, tem redação agradável e singela.

A vida da autora espiritual Benedita Fernandes (1883-1947) é um exemplo de superações e de dedicação ao próximo. Na existência corpórea em Araçatuba (SP), dedicada a crianças abandonadas, portadores de transtornos mentais e todos aqueles que a procuravam em busca de apoio espiritual, vivenciou uma trajetória difícil e complexa.

O médium José Francisco Gomes (Ipatinga, MG) tem sido o intermediário para Benedita externar conhecimentos adquiridos com a prática, na experiência de autêntica “dama da caridade”. O prefaciador Antonio Cesar Perri de Carvalho é biógrafo de Benedita Fernandes.

Esse livro se destina a obter recursos para a construção da Casa do Caminho Benedita Fernandes, em Ipatinga (MG), relacionada com a equipe da Comunidade Espírita Amor, Luz, Esperança, da mesma cidade, onde já funciona a Escola Espírita de Evangelização Benedita Fernandes.

Informações e encomendas:

ZAP: (31) 8684-6311.

75 anos de Congressos Estaduais em São Paulo

75 anos de Congressos Estaduais em São Paulo

A revista digital Dirigente Espírita, órgão da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE), na edição maio e junho de 2026, destaca o marco histórico dos 75 anos de realização dos Congressos Estaduais da USE.

Essa trajetória remonta a junho de 1947, quando o 1o Congresso Espírita do Estado de São Paulo, reunindo representantes de 549 instituições, culminou na fundação da USE como um instrumento de união em torno da codificação de Allan Kardec. A presidente Júlia Nezu destaca o próximo 19º Congresso Estadual da USE, para os dias 19 a 21 de junho de 2026, em São Paulo. Norberto Tomasini Júnior comenta os Anais dessas décadas, convida o leitor a refletir sobre a transição do foco meramente organizacional para uma missão educativa e transformadora. A essência da unificação é debatida em artigos que comemoram os 79 anos de fundação da USE. Mário Gonçalves Filho destaca a importância do “fazer junto” e da preservação do conhecimento vivido. Donizete Pinheiro reforça que a unificação depende da adesão consciente e da convivência fraternal, superando o isolamento dos centros. Já Allan Kardec Pitta Veloso nos lembra que esse movimento deve começar, invariavelmente, “nos corações e mentes”, pautado pela tolerância e fidelidade doutrinária.

Marco Milani comenta os desafios da educação espírita e traz uma aná lise necessária sobre os desafios de manter o hábito da leitura profunda e do rigor intelectual frente ao imediatismo das plataformas digitais e da inteligência artificial. Complementando a visão geracional, Maria Clara Bachi discute porque o jovem muitas vezes chega ao centro, mas não encontra o seu lugar, enfatizando que “pertencer é diferente de frequentar”.

A seção Circuito Aberto oferece orientações técnicas fundamentais para os dirigentes. Há várias notícias do movimento espírita e na seção “Fatos & vidas da história do espiritismo” relaciona-se as efemérides marcantes do bimestre.

Acesso à revista (copie e cole):

https://usesp.org.br/wp-content/uploads/2026/05/RDE-212.pdf

 

Gabriel Delanne é homenageado pela Revista de Kardec

Gabriel Delanne é homenageado pela Revista de Kardec

A edição do 1o trimestre de 2026 da Revue Spirite (a revista fundada por Allan Kardec) destaca na capa e em várias matérias o vulto Gabriel Delanne (1857-1926), pela passagem do centenário de sua desencarnação em 15 de fevereiro.

Contém um artigo biográfico completo sobre a vida e obras do destacado vulto francês e matérias sobre: discursos de Delanne nas celebrações em aniversários da desencarnação de Kardec nos anos de 1880 e de 1891; discurso de Delanne no sepultamento de Amélie Boudet no Cemitério de Père Lachaise; transcrição do último projeto de Delanne, sobre ideoplastia: “A exteriorização do pensamento”, publicado na Revue Spirite de fevereiro de 1926 e, com o título “A ideoplastia ou a energia do pensamento” publicado na revista Phychica, de 18 de abril de 1929. A Revue transcreve a entrevista de André Luiz com o espírito Gabriel Delanne, psicografada por Waldo Vieira, durante viagem dele e Chico Xavier a Paris, no dia 20/08/1965. Trata-se de tradução do capítulo “Vinte questões com Gabriel Delanne”, do livro Entre irmãos de outras terras (FEB, 1966).

Há continuidade na transcrição e análises de capítulos da obra Pão nosso, do espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. O tema “A prática mediúnica dos grupos espíritas” surge com rubrica da Revue Spirite Belge.

A pioneira espírita britânica Janet Duncan, que desencarnou aos 98 anos em janeiro de 2026, é homenageada em artigo de Elsa Rossi.

Le Mouvement Spirite Francophone edita obras de Kardec e Léon Denis, sempre divulgadas nessa Revista. No Editorial, Jean-Paul Évrard reitera homenagens a Roger Perez e Nestor João Masotti pela transferência da realização da Revue Spirite – o registro na França era do CEI -, para Le Mouvement Spirite Francophone – LMSF, desde 2011.

Relaciona notas sobre vários eventos espíritas realizados na França; divulga o 26º Simpósio para a Francofonia, programado para o Castelo de Wégimont, 23-24 de maio de 2026, com o tema central “O espiritismo posto à prova pela ciência”.

Informações – E-mail (copie e cole): info@lmsf.org; http://www.revue-spirite.org

(Resenha ACPC)

Revista Espírita em inglês completa 18 anos

Revista Espírita em inglês completa 18 anos

Nessa edição, de abril-junho de 2026, The Spiritist Magazine completa o 18º ano de circulação.

Desde o início – ano 2008 -, com autorização do Conselho Espírita Internacional a Revista Espírita (The Spiritist Magazine) é editada em inglês, nos Estados Unidos, sendo Vanessa Anseloni a editora-chefe, publicada pela Spiritist Society of Virginia, que também realiza a Kardec Radio.

Há matérias sobre: sofrimento silencioso, violência invisível (destaque de capa); cura espiritual; homeopatia; Léon Denis, por Marco Milani; visão de futuro, pela médium V.A.; revelações de vidas pretéritas, de Cesar Perri; homenagens à recém desencarnada Janet Duncan (do Reino Unido), por Elsa Rossi. Nessa edição traz mensagens do espírito Joseph pela psicografia de Vanessa Anseloni e outras extraídas de obras de Chico Xavier.

Informa sobre evento “campanha do livro espírita no metrô”, pelo quarto ano, com voluntários da SSVA distribuindo a edição em inglês do livro “Amor puro ilimitado” do dr. Stephen Post em estações de metrô da área metropolitana de Washington DC/Virgínia/Maryland.

Noticia que a SSVA se mudará para um nova sede em Chantilly.

A SSVA divulga vários livros em inglês para adultos e crianças, disponibilizados pela Amazon.

Informações (copie e cole): https://www.spiritistmagazine.org/

(Resenha ACPC)

Dirigente Espírita da USE-SP homenageia Kardec

Dirigente Espírita da USE-SP homenageia Kardec

A edição da revista digital Dirigente Espírita, março/abril de 2026, da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, apresenta sob a bandeira da união e da unificação, as ações necessárias para um ano de intensa atividade doutrinária pela que terá seu apogeu em junho com o 19o Congresso Estadual de Espiritismo, sob o tema central O centro espírita no novo tempo.

Várias matérias homenageando Kardec e sua obra:

- O movimento espírita francês quando da desencarnação de Allan Kardec, por Charles Kempf (da França);

- A liderança moral e intelectual de Kardec na Codificação é destacada por Norberto Tomasini Júnior;

- Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foi focalizada por Alessandro Viana Vieira de Paula;

- Antonio Cesar Perri de Carvalho recupera os discursos proferidos no sepultamento de Kardec, revelando o perfil de “bom senso encarnado” do mestre.

- Luís Jorge Lira Neto oferece análise comparativa entre as edições de O livro dos espíritos, demonstrando o labor contínuo de Kardec no aprimoramento da obra.

Na Palavra da Presidência, por Julia Nezu, destaca 2026 como um período de grande mobilização dos espíritas paulistas, culminando com o 19o Congresso Estadual de Espiritismo que também contará com o 1o Encontro de Ciência e Pesquisa Espírita.

O espírito de coesão é reforçado por João Thiago de Oliveira Garcia na campanha “A USE somos todos nós”, que nos recorda que a força institucional reside no sentimento de pertencimento e na unidade visual de cada centro Na seção Circuito Aberto, Marco Milani nos apresenta reflexões sobre a “ilusão materialista de justiça” e a importância de ver o espiritismo além de repetições devocionais. Em um cenário digital complexo, João Thiago alerta para o uso da inteligência artificial na simulação de comunicações espirituais, exortando-nos à prudência ativa. Homenagens a trabalhadores com atuação no estado de São Paulo que retornaram à pátria espiritual, como Luiz Fernando Penteado, Miguel de Jesus Sardano e a jovem Juliana Faustino Bassetto.

Acesse pelo link (copie e cole):

https://usesp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/rdDE-211.pdf

 

Várias ações e divulgações na França

Várias ações e divulgações na França

A Revue spirite, fundada por Kardec em 1858, prossegue sendo editada, desde 2011 por Le Mouvement Spirite Francophone-LMSF.

Na edição do 4o trimestre de 2025, o editor Jean-Paul Evrard reafirma a fidelidade à histórica revista fundada pelo Codificador e inclui a Revue spirite belge; destaca várias atividades efetivadas nos últimos meses. Com fotos, homenageia Roger Perez e Nestor Masotti por terem passado tal responsabilidade ao LMSF.

Tem continuidade o artigo “O acompanhamento de doentes terminais, aceitando a sobrevivência da alma”. Notícia ilustrada da “Jornada Kardec 2025” realizada em outubro de 2025, em Tours, cidade natal de Léon Denis, inclusive com visita ao local que ele viveu e à sua sepultura. É feita transcrição de conferência de Léon Denis proferida em Lyon no ano de 1887. Oportuna entrevista com Mickael Ponsardin sobre o movimento espírita e informando o lançamento de seu livro Le spiritisme expliqué, disponível na Association Allan Kardec (copie e cole: https://www.assokardec.fr/boutique/#!/products/le-spiritisme-expliqu%C3%A9).

Prossegue a publicação conjunta com a União Espírita Belga, trazendo transcrições de artigo e informações do movimento espírita belga. Há continuidade na transcrição de capítulos da obra Pão nosso, do espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier.

Le Mouvement Spirite Francophone edita obras de Kardec e Léon Denis, sempre divulgadas nessa Revista. Relaciona notas sobre vários eventos espíritas realizados na França. Já se divulga o 26º Simpósio para a Francofonia, programado para o Castelo de Wégimont, 23-24 de maio de 2026, com o tema central “O espiritismo posto à prova pela ciência”.

Informações: E-mail (copie e cole): info@lmsf.org; http://www.revue-spirite.org

(Resenha ACPC)

Livro registra a trajetória do espiritismo pelo mundo

Livro registra a trajetória do espiritismo pelo mundo

Da Redação

No dia 26 de outubro, o Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Eduardo Carvalho Monteiro realizou o lançamento do livro Movimento espírita internacional: origens, ideais e experiências, dos autores Antonio Cesar Perri de Carvalho (Brasil), Charles Kempf (França) e Elsa Rossi (Inglaterra).

Eles relataram a trajetória do espiritismo e a vivência que tiveram com espíritas de dezenas países ao longo de mais de 30 anos, ao exercerem a direção de entidades nacionais e internacionais.

O livro traz um levantamento histórico de documentação do movimento espírita, reunindo textos e fotos, abordando as origens, princípios e experiências que moldaram o esforço de união entre os espíritas, os bastidores das ações que antecederam a fundação do Conselho Espírita Internacional, que ocorreu durante o 1º Congresso Espírita Mundial, realizado em 1992, em Madri, na Espanha.

Também são resgatadas iniciativas com relação às traduções para diversos idiomas das obras de Allan Kardec e outros livros. Os autores lembram que as primeiras tentativas da formação de um movimento espírita internacional aconteceram depois do Congresso Espírita de Paris, em 1889. Depois, houve outra tentativa, um pouco antes da Primeira Guerra Mundial, 1913, em Bruxelas e em Genebra.

Mas o movimento espírita internacional tomou maior impulso em 1989, quando foi realizado o Congresso Espírita Internacional, em Brasília. Em 1991, definiu-se que deveria ser criada uma instituição, como o Conselho Espírita Internacional, mas logo se constatou que a grande diversidade cultural de cada país exercia muita influência, provocando algumas resistências.

A história contada, através de vários depoimentos e informações fundamentadas em documentos e registros fotográficos, permite reflexões e análises diferenciadas, apresentando também ideias para se repensar o movimento espírita, com base em lições de passado que podem direcionar a construção de um futuro melhor.

“As experiências vividas no século 20 e nos primeiros anos do século 21 oferecem subsídios suficientes para refletir e dialogar sobre os caminhos a serem planejados, visando a união de esforços para apoio mútuo, intercâmbio e divulgação do espiritismo”, observa Antonio Cesar Perri de Carvalho, na conclusão da obra, que pode ser acessada em: bit.ly/MEInternacional (copie e cole).

DE:

Correio Fraterno. Novembro-Dezembro de 2025. P. 3;

Correio.News (copie e cole):  https://correio.news/especial/livro-registra-a-trajetoria-do-espiritismo-pelo-mundo?rq=movimento%20esp%C3%ADrita%20internacional

Da viúva Kardec às questões da atualidade em Dirigente Espírita

Da viúva Kardec às questões da atualidade em Dirigente Espírita


A revista digital Dirigente Espírita, órgão da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, na edição de janeiro/fevereiro de 2026, a presidente Julia Nezu destaca o 19o Congresso Estadual de Espiritismo em junho, sob o tema “O centro espírita no novo tempo”, que promoverá reflexões sobre a atuação das casas espíritas na atualidade.
Entre as matérias, Antonio Cesar Perri de Carvalho discute “Novas perspectivas para o movimento espírita”, propondo uma estrutura baseada no colegiado para enfrentar os desafios do século XXI. Marco Milani contribui com uma análise sobre a tríade “arrependimento, expiação e reparação” na justiça divina e oferece um alerta essencial sobre a manutenção da coerência doutrinária diante da ampla exposição digital e de práticas estranhas à Codificação. Também assina artigo sobre “Entre a tolerância e a coerência doutrinária”.
Adriano Calsone biografa “Madame Kardec, a mulher forte do Espiritismo”; “A trajetória de 77 anos do Instituto Espírita de Educação (IEE)” foi relembrada por Maurício Romão.
Artigos sobre: “Ansiedade e de pressão na assistência espiritual”, “Reflexões sobre a necessidade de clareza e compro misso na comunicação institucional”, “Um estudo sobre as causas da desmotivação e afastamento de tarefeiros em grupos mediúnicos”. Informações sobre o 1o Encontro de Ciência e Pesquisa Espírita (EnCPE); e homenagens a seareiros que desencarnaram: Sirlei Nogueira e José Antonio Vecchi.
Em “Fatos e vidas da história do espiritismo”, há uma relação de efemérides do bimestre.
Há várias notícias sobre eventos promovidos por Departamentos da USE-SP.
(Resenha GEECX)
Acesse Dirigente Espírita pelo link (copie e cole):

https://usesp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/RDE-210-1.pdf

Livro Movimento Espírita Internacional e o nó histórico no Brasil

Livro Movimento Espírita Internacional e o nó histórico  no Brasil

Artigo "O nó histórico da organização espírita no Brasil", de Wilson Garcia

O livro Movimento Espírita Internacional, lançado em novembro último pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro (CCDPE-ECM), reúne os depoimentos de Antonio Cesar Perri de Carvalho, Charles Kempf e Elsa Rossi. Trata-se de uma obra de história e de histórias: um livro-depoimento em que os autores não apenas registram sua participação na criação e no desenvolvimento do Conselho Espírita Internacional (CEI), mas também examinam suas “origens, ideais e experiências”, conforme anuncia o subtítulo.

Não é um volume que caiba no espaço estreito de uma simples resenha. Reduzi-lo a algumas linhas seria correr o risco de oferecer ao leitor uma visão empobrecida de um capítulo recente da história do Espiritismo no Brasil e no exterior. Por isso, antes de comentar diretamente o conteúdo do livro, propomos um breve percurso histórico que permita situar melhor o leitor — sobretudo aqueles que, de algum modo, participam das atividades do movimento espírita brasileiro.

Da centralização federativa ao esvaziamento do movimento internacional

Por mais de um século, a organização do Espiritismo no Brasil construiu-se sobre um fio permanente de tensão: o desejo de unificação, de um lado, e o impulso centralizador, de outro. O resultado foi um movimento fértil em iniciativas, mas marcado por fraturas doutrinárias e disputas de poder que se estendem até o presente. Das raízes pluralistas à centralização federativa Na segunda metade do século XIX, o Espiritismo brasileiro era essencialmente plural. Existiam grupos kardecistas estritos, associações de estudo filosófico, núcleos voltados à investigação dos fenômenos mediúnicos e círculos dedicados à prática assistencial. A chamada “unificação” era então apenas uma ideia em disputa — não um consenso. Fundada em 1884, a Federação Espírita Brasileira (FEB) nasce nesse ambiente diverso. Seus primeiros anos foram marcados por debates sobre autoridade doutrinária, pelas relações com o catolicismo e o protestantismo emergentes e pela difícil tarefa de construir alguma unidade em meio às diferentes leituras da obra de Kardec.

O ponto de inflexão ocorre quando Adolfo Bezerra de Menezes assume, pela segunda vez, a presidência da instituição — após ter renunciado a um primeiro mandato cerca de um ano depois de iniciado. Duas decisões de sua gestão moldariam profundamente os rumos do Espiritismo organizado no país. A primeira foi equiparar, na orientação doutrinária da FEB, Allan Kardec e João Batista Roustaing, autor de Os Quatro Evangelhos, obra de caráter revelacionista e forte cunho religioso. Não se tratava apenas de uma escolha editorial, mas de um gesto político e cultural: institucionalizavam-se as ideias roustainguistas e, com elas, introduzia-se no cerne do movimento espírita brasileiro uma perspectiva místico-cristã que tensionava o projeto filosófico-científico concebido por Kardec. A segunda decisão foi assumir que a FEB não seria apenas mais uma entidade, mas a condutora do Espiritismo no Brasil. A partir daí, consolidou-se uma estrutura hierárquica sustentada por autoridade moral e organizacional, voltada a falar “em nome do movimento”. Construiu-se, assim, um Espiritismo institucional de perfil religioso-cristão, distinto da matriz original kardeciana, e uma FEB que:

• não inventa a estrutura federativa, mas a consolida;

• transforma a opção Roustaing–Kardec em eixo de disputas que atravessariam todo o século XX;

• assume um papel de coordenação nacional que produz unidade administrativa, mas restringe o pluralismo doutrinário.

1949: o Pacto Áureo e a legitimação formal do poder

Meio século depois, em 1949, um episódio pouco analisado fora dos meios especializados redefiniria o mapa institucional do Espiritismo brasileiro: o Pacto Áureo, firmado no Rio de Janeiro durante o 2º Congresso Espírita Pan-Americano, realizado sob a bandeira da então CEPA-Confederação Espírita Panamericana, hoje CEPA-Associação Espírita Internacional. No contexto do pós-guerra, a retórica da união e da organização ganhava força em todo o mundo. A FEB soube assimilar aquele momento histórico e convocou lideranças das federações estaduais a assinar um documento que, sob a aparência de um pacto fraterno, formalizava sua posição como centro coordenador do movimento espírita nacional.

O Pacto Áureo:

• transformou a FEB de polo influente em polo oficialmente reconhecido;

• instituiu uma hierarquia tácita, alinhando federações estaduais ao eixo do então Distrito Federal;

• consolidou a visão do Espiritismo como religião cristã, reforçando um viés já delineado desde Bezerra de Menezes. A centralização e a autoridade doutrinária, cultivadas desde o século XIX, recebiam enfim sua legitimação formal. Desde então, a arquitetura federativa privilegiaria convergência e uniformidade em detrimento da diversidade inicial.

Anos 1970: Thiesen e a engenharia política da FEB

Na década de 1970, em pleno regime militar, a FEB entra em nova fase sob a presidência de Francisco Thiesen. Seu projeto manteve rigorosamente a linha doutrinária consolidada: preservar a condução do Espiritismo brasileiro sob o eixo Roustaing/Kardec. Paralelamente, porém, Thiesen inaugura um movimento peculiar: um distensionamento político em relação ao restante do movimento espírita. Buscando ampliar a base federativa de apoio, passa a incorporar lideranças de outros estados à estrutura dirigente da FEB. Entre elas destacam-se Nestor João Masotti e Antonio Cesar Perri de Carvalho, então ex-presidentes da USE-SP, entidade historicamente crítica das posições roustainguistas da FEB. A aproximação tinha forte valor simbólico. O resultado é claro: amplia-se o apoio institucional, mas sem qualquer alteração do núcleo ideológico. A década passa a ser caracterizada por três marcas centrais:

1. reafirmação doutrinária do eixo Roustaing/Kardec;

2. centralização em ambiente político autoritário;

3. cooptação estratégica de lideranças regionais. A FEB saía mais robusta organizacionalmente, porém cada vez mais homogênea em termos doutrinários.

A era Masotti: ambição global e bloqueio interno

A ascensão de Nestor João Masotti à presidência da FEB coroa sua trajetória na USE e posteriormente na própria Federação. Sua gestão representa o encontro entre ambição internacional e impasse doméstico. Três movimentos a definem: O primeiro é o estímulo à democratização interna do Conselho Federativo Nacional (CFN), órgão de articulação entre as federações estaduais. O segundo é a consolidação do Conselho Espírita Internacional (CEI) — antigo sonho da FEB de projetar-se como referência mundial do Espiritismo. Com investimento financeiro e articulação política, o CEI ganha representatividade, estabelece encontros internacionais e se torna, ainda que brevemente, a maior experiência de organização espírita global da história. O terceiro movimento é o mais sensível: a tentativa de reduzir a presença explícita de Roustaing nos estatutos da FEB. Não se trata de reforma doutrinária, mas de estratégia política: modernizar a imagem institucional e reduzir resistências kardecistas. A reação interna, porém, é intensa, e a proposta recua. O CEI avança; a reforma estatutária estanca. Fica exposto o limite estrutural de uma direção incapaz de atualizar sua identidade sem gerar rupturas.

Perri: continuidade interrompida e “golpe democrático”

Com a desencarnação de Masotti, Antonio Cesar Perri de Carvalho assume interinamente e depois é eleito presidente da FEB. Tudo apontava continuidade: fortalecimento do CEI, valorização do CFN e modernização administrativa. A estabilidade, contudo, era apenas aparente. Nos bastidores, forma-se um movimento silencioso de oposição ligado aos setores mais conservadores. Na renovação da diretoria, outro nome é eleito. Formalmente regular, o episódio foi interpretado por muitos como um “golpe democrático”: um rearranjo de forças que interrompeu abruptamente o projeto de abertura institucional.

As consequências foram imediatas:

• esvaziamento de iniciativas federativas;

• retração do apoio ao CEI;

• refluxo do protagonismo internacional brasileiro.

Ambiguidade estrutural e fraturas aprofundadas

Dos períodos Thiesen–Masotti–Perri emerge o grande paradoxo federativo: ampliação política e fechamento doutrinário. Quanto maior a rede de alianças institucionais, mais restrito se tornava o campo de interpretações aceitas. Consolida-se, sobretudo na gestão Masotti, a tríade “filosofia, ciência e religião”, inviabilizando qualquer convergência com outras correntes legítimas do movimento espírita, como, por exemplo, a representada pela CEPA, defensora do Espiritismo constituído por filosofia, ciência e moral, sem caráter religioso formal. Essas duas matrizes tornam-se, explicitamente e definitivamente, inconciliáveis. O livro Movimento Espírita Internacional: testemunho e emoção É nesse contexto que se situa Movimento Espírita Internacional – Origens, ideais e experiências. Mais que análise histórica, a obra é testemunho vivo da trajetória do CEI.

Os autores registram:

• sonhos de integração mundial;

• expectativas de amadurecimento do movimento;

• projetos sustentados pelo ideal de fraternidade internacional;

e também:

• as decepções provocadas pelas mudanças institucionais;

• e as mágoas daqueles que dedicaram esforços a um projeto que se viu esvaziado.

Sonhos, esperanças, decepções e mágoas não são apenas palavras-chave do livro: descrevem um ciclo inteiro da história recente do Espiritismo organizado. Um mapa para compreender o presente Da consolidação promovida por Bezerra de Menezes ao Pacto Áureo, da engenharia política de Thiesen à ambição internacional de Masotti, da continuidade interrompida de Perri à denúncia do livro Movimento Espírita Internacional, desenha-se um mapa revelador:

• a FEB ampliou sua influência política, mas estreitou seu horizonte doutrinário;

• afrouxou Roustaing no plano formal, mas preservou a matriz religiosa dele derivada;

• fortaleceu a estrutura nacional, mas inviabilizou pontes com correntes de livre-pensamento.

É nesse cruzamento entre expansão institucional e retração ideológica que se situa o nó histórico da organização espírita no Brasil — um nó que Kempf, Rossi e Perri ajudam a iluminar, ainda que sua superação permaneça, por ora, aberta.

DE:

Expediente on line (copie e cole): https://expedienteonline.com.br/o-no-historico-da-organizacao-espirita-no-brasil/

 

Artigos e divulgações em inglês em revista americana

Artigos e divulgações em inglês em revista americana

 

Na edição de janeiro-março de 2026, a revista The Spiritist Magazine, editada pela Spiritist Society of Virginia – SSVA (Sociedade Espírita da Virgínia, EUA) está no 17o ano de contínua publicação.

Nessa edição, número 72, como matérias de capa anunciam artigos sobre: Amor puro ilimitado, de Stephen Post; Passageiros da eternidade, de Elsa Rossi; Desenvolvimento da mediunidade, de Roberto Watanabe; Mensagens espirituais de apoio, de Cesar Perri. Há textos de autorias espirituais sobre “as três principais causas de doenças”, do espírito Morel Lavallée; do espírito Joseph pela psicografia de Vanessa Anseloni, como sobre o conhecimento da colônia Nosso Lar, e outras extraídas de obras de Chico Xavier.

O recente livro “Movimento Espírita Internacional. Origens, ideais e experiências”, dos autores Perri, Kempf e Rossi (Ed. CCDPE, 2025) foi comentado.

Informa sobre evento “campanha de Natal no metrô”, pelo segundo ano, com voluntários da SSVA distribuindo a edição em inglês do livro “Pensamento e vida”, de Emmanuel (FCX), em estações de metrô da área metropolitana de Washington DC/Virgínia/Maryland.

A SSVA divulga vários livros em inglês para adultos e crianças, disponibilizados pela Amazon.

Desde o início – ano 2008 -, com autorização do Conselho Espírita Internacional a Revista Espírita (The Spiritist Magazine) é editada em inglês, nos Estados Unidos, sendo Vanessa Anseloni a editora-chefe, publicada pela SSVA e Kardec Radio.

Informações: https://www.spiritistmagazine.org/