O Espiritismo no mundo

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Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O Espiritismo se espalhou pelo mundo desde a publicação das Obras Básicas de Allan Kardec e ele faz referências significativas na “Revista Espírita”. Durante os Congressos Espiritualistas Internacionais, iniciados em Barcelona em 1888 com atuação de Amália Domingo Soler, e prosseguindo por vários países ocorreram apresentações marcantes de Léon Denis (inclusive representando a FEB), Gabriel Delanne, Cesare Lombroso e outros pioneiros destacados.

Depois das grandes guerras e final dos regimes autoritários europeus e, com base no interesse pela expansão do Espiritismo no Brasil, o presidente da FEB Francisco Thiesen liderou a realização do 1º Congresso Espírita Internacional, em Brasília, no de 1989. Durante o evento recebeu a solicitação de dirigentes espíritas europeus para se formar uma organização espírita internacional. Iniciadas as várias articulações e reuniões na Europa e no Brasil, finalmente foi criado o Conselho Espírita Internacional em novembro de 1992, em congresso espanhol realizado em Madrid. O primeiro Congresso Espírita Mundial promovido pelo CEI ocorreu em Brasília no ano de 1995.

Nossas homenagens aos secretários gerais Rafael Molina, Roger Perez e Nestor João Masotti. Este último estimulou a formação de órgãos federativos nacionais em vários países, ampliando a representatividade do CEI, a promoção sistemática dos Congressos Mundiais e de muitas visitas e seminários em vários países, a criação da TVCEI e da EDICEI, com a publicação de livros em vários idiomas.

A convite do presidente Thiesen atuamos no Congresso de 1989 e, depois, por solicitação de Nestor Masotti participamos da organização de Congressos Mundiais, eventos e ações do CEI, desde algumas reuniões preparatórias para a criação do organismo, em São Paulo, no ano de 1991. Entre muitas representações do amigo, estivemos em seu lugar no lançamento dos primeiros livros editados pelo CEI – três obras de André Luiz em francês -, em Paris no ano de 2005.

Desde a viagem histórica de Chico Xavier e Waldo Vieira aos EUA e Europa em 1965 – que gerou o livro Entre irmãos de outras terras (1) – e logo depois o início de maratonas de viagens de Divaldo Pereira Franco a dezenas de países, muitos companheiros têm colaborado com atuações no movimento espíritas de diversos países. A Associação Médico-Espírita Internacional tem realizado importante trabalho na área acadêmica e profissional.

Recentemente, o CEI promoveu no Rio de Janeiro o 12º COLÓQUIO FRANÇA-BRASIL, com o tema ESPIRITISMO: ELO DE DUAS CULTURAS, em comemoração aos 150 anos de O Céu e o Inferno, no início de agosto de 2015. O secretário geral do CEI Charles Kempf e membros da Comissão Executiva Fábio Vilarraga e Vitor Feria, além de nós, estivemos no Congresso Espírita da Bahia, em Salvador, em novembro passado.

No Boletim do CEI (4º. trimestre de 2015) há notícias de várias ações do CEI e dos movimentos espíritas de diversos países, oferecendo um panorama do movimento espírita no mundo. (2,3)

O próximo evento maior do CEI será o 8º. Congresso Espírita Mundial, com temas centrais: “amar a vida; amar o próximo”, programado para Lisboa (Portugal), de 7 a 9 de outubro de 2016. (4)

A produção de livros em vários idiomas prossegue e descentralizada, desde abril de 2013, com edições e distribuições feitas pelas EDICEIs da Europa e da América. (5) O CEI também edita a “Revista Espírita” em francês e em inglês.(6) Durante programa de atividades na Europa, estivemos na sede da EDICEI europeia. (7)

Embora não sejam vinculados a entidades espíritas ocorrem movimentos marcantes em Defesa da Vida, esclarecendo-se sobre a inoportunidade do aborto. No Brasil este Movimento surgiu há quase 10 anos e com atuação de espíritas. (8) Nos EUA o movimento é mais antigo e em janeiro de 2016 promoveu uma grande marcha em Washington. (9) Aliás, o tema está relacionado com o Congresso Mundial próximo.

O movimento espírita tem se expandido em países de vários Continentes. (3) Do Do Editorial do Boletim do CEI, intitulado “Paz no mundo” transcrevemos um trecho: “Neste último ano ocorreram vários fatos que conturbaram a paz no mundo. Os desrespeitos à vida humana se manifestaram em guerras, atentados, fomes, privações de liberdade, desconsideração com o meio ambiente. Emmanuel (Vinha de Luz, cap.105) relaciona algumas causas: ímpios, caluniadores, criminosos, ignorância endinheirada, a vaidade bem-vestida e a preguiça inteligente e a indiferença. […] Paz, fraternidade e solidariedade nas irradiações mentais e nas ações!”(2)

O importante é sempre o ambiente fraterno e solidário, de respeito à diversidade e à autonomia das instituições de cada país. Emmanuel lembrou em Paulo e Estêvão: “Jesus afirmou que seus discípulos viriam do Oriente e do Ocidente.” (10)

Fontes:

  1. Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Entre irmãos de outras terras. FEB; Among brothers of other lands. EDICEI.
  2. http://grupochicoxavier.com.br/noticias-internacionais/;
  3. http://cei.spirite.org/;
  4. http://8cem.com/;
  5. http://edicei.com/;
  6. http://www.abanca.com.br/611/the-spiritist-magazine/28/index.jhtml;
  7. http://grupochicoxavier.com.br/tarefa-na-suica-se-completa-com-edicei-e-palestra/;
  8. http://grupochicoxavier.com.br/realizada-a-marcha-brasil-sem-aborto/;
  9. http://grupochicoxavier.com.br/marcha-pela-vida-em-washington/;
  10. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. 2ª parte, cap.1, FEB.

(*) Membro da Comissão Executiva do CEI, membro do GEECX, ex-presidente da FEB e da USE-SP.

A memória de Clóvis Tavares e Nina Arueira no cinema (*)

Izabel Vitusso

A vida de dois nomes muito conhecidos no Movimento Espírita, Clóvis Tavares e Nina Arueira, foi a inspiração para o documentarista Oceano Vieira de Melo fazer seu novo filme. O longa Luz na Escola foi exibido no dia 24 de novembro em duas salas do circuito Kinoplex na cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, cidade natal dos personagens, em comemoração ao centenário de Clóvis Tavares e os 80 anos da Escola Jesus Cristo.

Reconhecido pelo movimento espírita e autor de mais de dez livros, dentre eles Amor e Sabedoria de Emmanuel, Histórias que Jesus contou e Trinta anos com Chico Xavier, Clóvis Tavares (1915-1984) ganha cena no filme quando, ainda jovem estudante, se identifica com os ideais comunistas na cidade onde nascera.

Nina Arueira (1916 -1935) é sua companheira de sala, no Liceu de Humanidades de Campos, nos anos 30, e igualmente levada pelos ideais, ajuda a fundar as bases para a Juventude Comunista, provocando na cidade acirrados debates em favor dos menos favorecidos. Neste mesmo tempo, os dois se apaixonam, iniciam o namoro e passam a ser os principais líderes da doutrina de Lênin na região.

Enquanto Clóvis aprimora seu discurso materialista e ambos começam a sofrer com as perseguições, Nina conhece um dos admiradores dos seus artigos publicados, Sr. Virgílio de Paula, o estudioso de teosofia e do espiritismo e fundador do Grupo Espírita João Baptista, na cidade. Por seu intermédio e também dos livros espíritas, Nina se identifica com o Evangelho e fica maravilhada com a visão de Jesus todo justiça, amor e caridade, explicado à luz do espiritismo.

Mas faltando apenas dois meses para seu casamento com Clóvis, Nina adoece e vem a desencarnar com tifo, deixando o noivo desolado, mas que não demora a receber mensagens da própria noiva, em espírito, orientando-o para que ele se dedicasse à educação com o Evangelho. Consolado pelas mensagens e pela doutrina, Clóvis  começa um trabalho junto às crianças e funda o que chama Escola Infantil Jesus Cristo, nominada depois Escola Jesus Cristo, dado que os adultos também se afeiçoaram ao trabalho.

Todo o preparo do jovem espírita, que se mudara para estudar no Rio de Janeiro e lá tivera contato com intelectuais e escritores na FEB –  Guillon Ribeiro, Manoel Quintão, Carlos Imbassahy, Leopoldo Machado – é resgatado pelo produtor Oceano, ao retratar a vida de Clóvis Tavares.

Pela amizade de mais de 50 anos do professor Clóvis com o médium Chico Xavier, quem chegava a ir duas vezes por ano visitar, muitas passagens entre os dois também são lembradas no documentário.

Em 1939, quatro anos depois da desencarnação da noiva, Clóvis faz sua primeira visita ao médium e recebe de Nina sua segunda mensagem, onde ela cita um fato de conhecimento apenas dos dois: antes de desencarnar, Nina havia escrito um pequeno romance espiritualista, Yanur, dedicado ao noivo que, materialista, guardara em segredo.

A mocidade Espírita de Campos visitava famílias necessitadas da Escola Jesus Cristo e numa dessas visitas, uma criança recém-nascida abandonada foi resgatada e acolhida, mas apesar de Clóvis ter providenciado todos os cuidados, ela veio a desencarnar.  Em uma de suas habituais viagens a Pedro Leopoldo para encontrar-se com Chico Xavier, Clóvis obteve do médium a informação de que o visitava um espírito de muita luz, chamado Elzinha França, o nome dado à criança acolhida. Clóvis contou ao médium quem era a menina e Chico logo complementou que ela era uma das professoras que integravam a equipe espiritual de serviço na Escola Jesus Cristo.

Clóvis vem a se casar apenas 20 anos depois da desencarnação de Nina, com Hilda Mussa, que passou a ser também a sua fiel colaboradora nos trabalhos da Escola Jesus Cristo.

São essas e tantas outras histórias, como a revelação de Chico sobre a reencarnação de Santos Dumont naquele núcleo familiar, ajudam a compor o importante registro cinematográfico Luz da Escola, que além de entreter o público, certamente guardará a memória daqueles que fizeram a diferença na história do espiritismo no Brasil.

A produtora Versátil Digital Filmes se prepara para exibir o filme em dezembro em São Paulo e depois na TV por assinatura. E em junho realizará o lançamento em DVD acrescido por vídeos e áudios extras, incluindo palestras recuperadas pelo pesquisador gravadas na Escola Jesus Cristo.

(*) Transcrito de “Correio Fraterno do ABC”, edição 466, novembro/dezembro de 2015:

http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1776:a-memoria-de-clovis-tavares-e-nina-arueira-no-cinema&catid=15:baudememorias&Itemid=2

Dores da alma

Warwick Mota (*)

A transitoriedade é uma das características que marcam os mundos de expiação e provas, como o planeta em que vivemos.

Nesses orbes, os acontecimentos são sempre de natureza breve ou temporária, não possuindo, nenhum sofrimento ou alegria, caráter definitivo, e a perturbação e a incerteza estão presentes em toda a ordem social, em atos e fatos.

Para esse cenário de intermitência, afluem acontecimentos de todos os matizes. Tramas e dramas desenvolvem-se, pontilhados pela dor, e experiências são vividas sob diversas formas, resultando, a cada ser, num legado moral que termina por impulsionar o homem ao cumprimento inexorável da Lei do Progresso.

Situa-se, nesse panorama de avanço, a dor, como ferramenta fundamental ao burilar das criaturas, em seu processo de desenvolvimento, pois ela, a dor, está presente em todo o caminhar da humanidade, como o látego que nos faz acelerar o passo e andar para frente, retomando os caminhos que, muitas vezes, perdemos em divagações e equívocos.

Inobstante à ampliação das conquistas materiais e tecnológicas humanas, vivemos dias de crises morais na Terra. Dias de perda de valores de consciência, de sofrimento pela ausência de afeto; pelas falsas escolhas, em uniões infelizes; pela falta de apoio; pela ambição desmedida; pela falta de temperança e bom senso. A verdade é que ainda somos seres que tateiam, no campo das realizações interiores.

Nesse cenário, a dor é o instrumento pedagógico por excelência, porque muitos caem por sua própria culpa, e a ninguém é dado fugir aos ditames da lei. E, especialmente, a dor moral, aquela sentida no âmago da alma, tem o condão oportuno de provocar profundas reflexões. É quando ela lateja, a dor moral, que o Espírito, independentemente da sua condição, se encarnado ou desencarnado, passa a enfrentar o tribunal da própria consciência.

Nos momentos de encontro conosco mesmos, palmilhados pelo sofrimento moral, nossos atos equivocados provocam intensa angústia, acompanhada do sentimento de vergonha, da negação de nós mesmos. À luz desse cenário, o remorso potencializa o sofrimento, e a culpa faz-se verdugo impiedoso. 

É a hora de se aprender para a eternidade.

Aprende-se com as experiências dolorosas e compreende-se, a duras penas, que só evoluímos quando incorporamos as situações vivenciadas como aprendizado perene, do espírito.

É quando as dores da alma podem nos ensinar, para as experiências futuras.

Da mesma forma que o arco-reflexo nos impedirá de colocarmos o dedo numa superfície quente, porque uma vez já nos queimamos, nossas experiências passadas, se bem compreendidas, impedir-nos-ão de sermos reincidentes nos erros, para que não soframos novamente.

Ensinam-nos os Espíritos que todas as particularidades da nossa vida são registradas em nosso perispírito, gerando lembranças inapagáveis. As dores verdadeiramente sentidas, as dores da alma, essas nos marcam indelevelmente.

A contrapartida da dor é que ela produzirá, na alma encarnada ou, com mais intensidade, no espírito desencarnado, o arrependimento e, com ele, a vontade sincera de se reconstruir a aliança com o Criador, aplacando-se a tempestade íntima e dando-se início ao processo de recondução do ser ao caminho do Bem.

O reencontro com Deus significa, por fim, a renovação. Promove a auto-reconciliação e abre novas perspectivas para o recomeço. É o amor do Pai que se derrama sobre nós, revestido de formas inumeráveis, sendo o amor que se manifesta sob todos os aspectos, da forma mais simples à forma mais elaborada, da forma mais sutil à forma mais profunda.

É pelo amor incondicional de Deus que somos reconectados aos caminhos do Bem e à conquista final da liberdade, conforme estabelece a proposta de Jesus:

Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (1)

Quando ouvimos o chamado do Divino Amigo, sentimo-nos fortes e resolutos. Então as dificuldades apequenam-se, porque a força que nos impulsiona é muito superior, e uma serenidade, antes inalcançável, transforma-nos em fortalezas de fé que nos fazem vencer as intempéries da travessia.

A par disso tudo, cumpre-nos saber que “tudo o que vive neste mundo, natureza, animal, homem, sofre, e, todavia, o amor é a lei do Universo e por amor foi que Deus formou os seres”. (2)

Em que pese o buril penoso da dor que nos emula, fomos criados pelo e para o amor, e essa certeza do amor incondicional de Deus para com as suas criaturas renova nossas esperanças e fortalece a nossa resignação perante todas as provas e todas as expiações.

Referências:

  1. Mateus, 11: 28-30
  2. DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor: os testemunhos, os fatos, as leis. 32ª. ed. FEB: Brasília, 2013, p. 347.

(*) Transcrito do jornal “O Clarim”; Matão, janeiro de 2016, p.3: https://www.oclarim.org/oclarim/materias/4531/jornal/2016/Janeiro/dores-da-alma.html

A “carta viva” de Paulo

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

A 2a Epístola aos Coríntios seria a consolidação de várias cartas que teriam sido escritas por Paulo aos companheiros da cidade de Corinto, nos anos 55 e 56 d.C.1,2

Como temas centrais da referida Epístola aparecem como mensagens maiores o conceito de Deus Pai, Jesus como redentor que leva os homens a Deus, Jesus como o Messias de Israel, a superioridade dos ensinos de Jesus com relação à lei de Moisés, e, longas considerações sobre a imortalidade da alma.

Destacamos alguns versículos com recomendações válidas para a atualidade e com base em tradução corrigida e fiel de João Ferreira de Almeida.3

Paulo valoriza os esforços de aproveitamento de potenciais morais e espirituais: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (4:7).

Emmanuel interpreta sinteticamente esse versículo:

“Afervora-te no trabalho do bem e recolhe-te à humildade do aprendiz atencioso e vigilante, gastando severidade contigo e benevolência para com os outros, porque qualquer dom da Luz Divina na obscuridade do ser humano, qual se expressa na conceituação apostólica, é um “tesouro em vaso de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.”4

O apóstolo dos gentios comenta reações bem humanas, típicas das pessoas que se encontram em momentos de transição e como iniciantes em alguma crença religiosa, e acrescenta suas orientações: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (4:8-9).

Esse trecho mereceu comentário de Emmanuel: “Mas todos os discípulos fiéis sabem, com Paulo de Tarso, que "em tudo serão atribulados e perplexos", todavia, jamais se entregarão à angústia e ao desânimo. Sabem que o Mestre Divino foi o Grande Atribulado e aprenderam com Ele que da perplexidade, da aflição, do martírio e da morte, transfere-se a alma para a Ressurreição Eterna.”5 

As lutas interiores e externas para os que se introduzem em novos conceitos religiosos devem ter como parâmetro o conceito de novo homem, o que é registrado pelo apóstolo missivista: “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (3:3). 

Emmanuel reforça pela psicografia de Chico Xavier a importância da vivência da mensagem: “Podem surgir muitas contendas em torno das páginas mais célebres e formosas; todavia, perante a alma que se converteu em carta viva do Senhor, quando  não haja vibrações superiores da compreensão, haverá sempre o divino silêncio.”6

Sobre esse assunto, Paulo prossegue em outro versículo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (5:17).

O processo de renovação interior foi explicitado pelo orientador espiritual de Chico Xavier:

“Se pretendes quebrar as algemas que te agrilhoam à sombra, não bastará te rotules com esse ou aquele título no campo das afirmações exteriores. É imprescindível te transformes por dentro, fazendo luz para o cérebro e luz para o coração.”7

O notável exegeta espiritual considera: “Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.”9

Bibliografia:

1. Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 4. Cap. Segunda Epístola aos Coríntios. São Paulo: Hagnos, 2014.

2. Walker, Peter. Pelos caminhos do apóstolo Paulo. Trad. Mariz, Andréa. Introdução, Cap. 9. São Paulo: Ed.Rosari. 2009.

3. Ryrie, Charles C. A Bíblia de Estudo Anotada/Expandida. Trad. Klassin, Susana. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007.

4. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel.  Palavras de vida eterna. Cap.21 e 125. Uberaba: CEC. 2010.

5. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Vinha de luz. Cap.26 e 102. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

6. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel.  Caminho, verdade e vida. Cap.7, 114, 115. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

7. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Segue-me. Cap.Renovemo-nos. Matão: Ed.O Clarim, 2011.

8. Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. Introdução. Rio de Janeiro: FEB, 2010.

9. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Fonte Viva. Cap. 53 e 123. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

(*) Síntese de artigo do mesmo autor, publicado na "Revista Internacional de Espiritismo", Ed.O Clarim, novembro de 2015.

Janeiro após janeiro…

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Na passagem do ano anterior, eram outras as perspectivas. Havia ambiente de reconciliação nos cenários internacionais e até nacional. Nos primeiros dias de janeiro o mundo foi sacudido pelos atentados de Paris e, na sequência, veio uma avalanche de episódios chocantes e tristes nas várias esferas, que os noticiários não param de focalizar até nossos dias. No seio do movimento espírita sente-se também focos de arrefecimento, embora o trabalho prossiga firme dentro das casas espíritas.

Como se repete sempre no movimento espírita: " É a transição…"

Num quadro complexo como se vive atualmente e na passagem para um novo ano, além dos compromissos cívicos e espíritas que devem ser mantidos, há necessidade de muita sintonia e confiança no Mundo Espiritual afinizado com os Espíritos Superiores vinculados ao Cristo.

Emmanuel, em algumas mensagens ligadas ao tema – passagem do ano – faz colocações que devem merecer nossa atenção e reflexão:

"Ano Novo é também oportunidade de aprender, trabalhar e servir. O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para necessária ascensão. Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para a execução de velhas promessas que ainda não tivestes a coragem de cumprir."(1)

"Janeiro a Janeiro, renova-se o ano, oferecendo novo ciclo ao trabalho. É como se tudo estivesse a dizer: “Se quiseres, podes recomeçar". Disse, porém, o Divino Amigo que ninguém aproveita remendo novo em pano velho. […] Recomecemos, pois, qualquer esforço com firmeza, lembrando-nos, todavia, de que tudo volta, menos a oportunidade esquecida, que será sempre uma perda real."(2)

Mas, na mensagem "Sede Firmes", Emmanuel faz recomendações para nossos dias, começando por citar Jesus: "E quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assustais" ( Lucas: 21 – 9 ), e prossegue:  

"O aprendiz sincero de Cristo para merecer-lhe a assistência generosa precisa conservar intangível o caráter resoluto. É indispensável que o coração do discípulo se entregue às mãos do Mestre com a firmeza necessária. […]  A vitória do Bem reclama espíritos fortalecidos de coragem e fé, acima de tudo. […] O mundo cheio de sombras do mal não oferece lugar a espectadores. Cada homem deve escarregar-se do trabalho que lhe compete. A guerra de nervos traz ameaças, gritos, terrores, bombas, incêndios, metralhadoras, mas o defensor do Bem traz o caráter firme, solidificada na confiança em Deus e em si mesmo. O discípulo do Senhor não ignora que os cristãos morreram nos circos, de mãos vazias, mas na qualidade de combatentes pelo Bem e pela Verdade. Nestas horas de apreensões justas, recordai as palavras serenas do Mestre: "E quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assustei'."(3)

Cabe-nos o esforço para que efetivamente aconteça novo ano!

Referências:

(1) Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Vida e Caminho. Ed.GEEM.

(2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Lição nº 01. Ed. CEC.

(3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Harmonização. Ed. GEEM.

 

(De: http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/janeiro-apos-janeiro)

VESTIBULAR DA UNESP CITA “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

Os vestibulandos da primeira fase da UNESP, realizado no mês de novembro, deparam-se com uma questão no mínimo surpreendente.

O enunciado de uma das questões trazia dois textos para explicar as capacidades morais e intelectuais do homem, o conceito filosófico do inatismo, especialmente as habilidades no campo da Música. Um dos textos era do O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. O outro foi extraído de um artigo da Revista Superinteressante.

É preciso destacar a atualidade do pensamento espírita, capaz de confrontar a Ciência Oficial e apresentar respostas para questões complexas. A resposta dos Espíritos, com adaptações ao texto original, foi apresentada da seguinte maneira:

“Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as capacidades que lhe são próprias; ora, não são os órgãos que produzem as capacidades, mas as capacidades que conduzem ao desenvolvimento dos órgãos. O Espírito, se encarnando, traz certas predisposições, admitindo-se, para cada uma, um órgão correspondente no cérebro.

O desenvolvimento desses órgãos será um efeito e não uma causa. Se as capacidades se originassem nesses órgãos, o homem seria uma máquina sem livre-arbítrio e sem responsabilidade dos seus atos. Seria preciso admitir que os maiores gênios, sábios, poetas, artistas, não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais”.

Já o artigo da Revista Superinteressante, de autoria de Nelson Jobim, intitulado “Um dom de Gênio”, cita uma pesquisa do neurologista alemão, Helmut Steinmetz, pesquisador da Universidade Henrich Heine, de Düsseldorf, que comparou cérebros de um grupo de 30 músicos com os de outros 30 que não se dedicavam à arte musical.

Na conclusão do cientista, o virtuosismo dos primeiros explicar-se-ia por um acentuado desenvolvimento do lobo temporal esquerdo (região do córtex cerebral onde são processados os sinais sonoros). “Nos músicos, esse tamanho pode ser duas vezes maior”, diz o texto.
 

Resposta do Colégio Objetivo
“No de Kardec, codificador do Espiritismo, religião amplamente professada no Brasil, o Universo é visto como constituído de matéria e espírito. Essa concepção tem ressonância no pensamento de Platão e Descartes, considerados também pensadores dualistas. Assim, o corpo material é plasmado pelo Espírito que o encarna. A alma, entendida por Kardec como o espírito encarnado, é o portador de uma bagagem cultural e moral de existências passadas. conceito semelhante ao inatismo cartesiano e platônico, em que a razão humana é portadora e produtora de conhecimento humano.”

Já em relação ao artigo de Nelson Jobim, a genialidade humana surge como produto de determinação biológica. “Tal concepção se aproximaria mais dos empiristas, para quem toda inteligência nasce como tábula rasa, e nesse caso poderíamos admitir que a genialidade resultaria do acaso. O que, na crítica de Kardec, ‘os maiores gênios, sábios, poetas e artistas não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais’”.

E a pergunta que se faz é: Como terão reagido os vestibulandos frente a essa questão?

Essa não foi a pergunta a questionar temas filosóficos. O pensamento atualíssimo de Voltaire, o grande mestre do Iluminismo, também foi tema da questão que abordou, de forma implícita, as lutas étnicas e a ação de grupos extremistas. No texto de Voltaire, o pensador apresenta Deus não como uma divindade de um povo, de uma raça ou de uma nação, mas como o criador do Universo e pai de todos os homens. Uma visão, com certeza, coerente e compatível com o ensino trazido pelo Espiritismo.

(Enviado em 18 de dezembro de 2015 | Publicado por Juliana Chagas)
Fonte: USE São Paulo

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Como professor aposentado e ex-pró-reitor da UNESP sinto satisfação pelo fato do vestibular (VUNESP) desta universidade pioneiramente incluir uma questão relacionada com obra de Allan Kardec – Antonio Cesar Perri de Carvalho.

“Janeiro a Janeiro, renova-se o ano,…”

RECOMECEMOS

“Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho." Jesus – Mateus, 9:16.

 

Não conserves lembranças amargas.

Viste o sonho desfeito.

Escutaste a resposta de fel.

Suportaste a deserção dos que mais amas.

Fracassaste no empreendimento.

Colheste abandono.

Padeceste desilusão.

Entretanto, Recomeçar é Bênção na Lei de Deus.

A possibilidade da espiga ressurge na sementeira.

A água, feita vapor, regressa da nuvem para a riqueza da fonte.

Torna o calor da primavera, na primavera seguinte.

Inflama-se o horizonte, cada manhã, com o fulgor do Sol, reformando o valor do dia.

Janeiro a Janeiro, renova-se o ano, oferecendo novo ciclo ao trabalho.

É como se tudo estivesse a dizer: “Se quiseres, podes recomeçar".

Disse, porém, o Divino Amigo que ninguém aproveita remendo novo em pano velho.

Desse modo, desfaze-te do imprestável.

Desvencilha-te do inútil.

Esquece os enganos que te assaltaram.

Deita fora as aflições improfícuas.  

Recomecemos, pois, qualquer esforço com firmeza, lembrando-nos, todavia, de que tudo volta, menos a oportunidade esquecida, que será sempre uma perda real.

 

Emmanuel  

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Palavras de Vida Eterna. Lição nº 01. Ed. CEC)

O que acontece com o Evangelho?

"Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros"

Emmanuel (Antologia mediúnica do Natal, cap.1, FEB)

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De Leitor (15/12/2015):

Para grupo Chico Xavier:

O que acontece com o Evangelho?

Achei o Grupo na internet e quiz um contato.

Moro no sertão bem longe da capital e encho meu tempo lendo tudo que chega sobre a Doutrina de Kardec e pela antena dos canais de TV.

Dois anos atrás fiquei entusiasmado porque comecei a ver mais notícias do Evangelho de Jesus. Com muito esforço assisti o Congresso Espírita Brasileiro porque foi feito mais perto de minha terra. Fiquei satisfeito em conhecer muitos oradores pregando o Evangelho.

Vi na TVCEI muitos programas de estudo do Evangelho. Muitos irmãos de cultura fizeram comentários lembrando Kardec, Emmanuel e parece que Honório, lá de Minas. Lembro da presença do Haroldo, do Perri e muita gente jovem. Vi também notícias de reuniões sobre o Evangelho, de várias cidades, ensinando como estudar e como procurar respostas nos livros sobre o Novo Testamento.

Não achei mais nada. Busquei a TV da FEB eu li: canal pago $19,90 por mês. Será que agora precisa pagar para ver o programa do Evangelho?

Estou meio triste e preocupado, o que acontece com o Evangelho?

Já tinha achado na internet notícia de um grupo Chico Xavier e vi que tem muita coisa boa. Vou continuar buscando notícias de vocês.

Hoje tem muita gente de cultura falando de tudo. Será que é mais difícil para se falar do Evangelho ? Parece que agora não tem mais o entusiasmo de alguns anos atrás para ensinar o Evangelho.

Como gente do povo e espírita do interior acho que o povo precisa do Espiritismo ensinando o Evangelho de Jesus.

No fim do ano todo mundo fala do Natal e lembra que Jesus nasceu e era simples.

Eu lembro da infância e fico feliz de tudo o que falavam, de Jesus no coração das pessoas.

Anísio T.Pereira

Paulo se dirige aos romanos

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Paulo se encontrava em Corinto (entre 55 e 57 d.C.) quando  escreveu a Epístola aos Romanos, na qual registra seu grande desejo de viajar a Roma. Fica claro pela leitura de Atos (28:15) e da Epístola aos Romanos de que já existiam agrupamentos cristãos em Roma, antes das viagens de Paulo e de Pedro. Portanto, estes dois missionários não foram os fundadores do primeiro grupo cristão na capital do Império.1

Em Paulo e Estêvão, Emmanuel comenta episódios precedendo a redação da carta e sobre o grandioso projeto da visita a Roma.2 A epístola foi encaminhada aos destinatários, mas a viagem de Paulo foi adiada, vindo a ser realizada tempos depois, quase no final de suas atividades. Após sua prisão em Jerusalém e apelar a Cesar perante o governador romano Festo e o rei da Judéia, Agripa, em Cesaréia (Atos, 26:32), foi levado como um cidadão romano prisioneiro, chegando à capital imperial provavelmente no ano 60 d.C.

No início da carta aos romanos, Paulo externa seu propósito de um trabalho de natureza espiritual e enfatiza a proposta de anunciar a mensagem de Cristo. Dirige-se aos cristãos de Roma com críticas às tradições judaicas e deixando clara a divergência entre os judeus e os gentios convertidos ao nascente movimento.  Redige um documento de não concordância à idolatria e à vida dissoluta dos gentios, e de apologia à fé, apresentando subsídios para a compreensão da Justiça de Deus. O estudioso bíblico Champlin sintetiza o conteúdo da epístola, como “delineamento da doutrina cristã: justificação pela fé, transformação dos remidos segundo a imagem do Cristo. Problemas em uma igreja local mundana. Defesa paulina contra os judaizantes.” 2

Paulo defende a diretriz de divulgação dos ensinos de Jesus para todos, sem distinção de nacionalidades, e ao analisar a tradição judaica manifesta sua tristeza por causa da incredulidade dos judeus e pelo fato destes rejeitarem o Cristo:

“[…] que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração” (9:2).3

Em diversos pontos da carta firma sua ideia, como apóstolo dos gentios, lembrando que os destinatários da Epístola residiam na capital do Império, ou seja do “mundo gentílico”:

“[…] glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem, primeiramente ao judeu, e também ao grego” […] “pois para com Deus não há acepção de pessoas” (1:10-11); “É porventura Deus somente dos judeus? Não é também dos gentios? Também dos gentios, certamente…” (1:29)   

Essa posição do ex-doutor da lei judaica é importante pois que os grupos cristãos iniciais de Roma adotavam posturas judaizantes. Ele tinha por objetivo atender a todas as nacionalidades e, por razões óbvias, na capital do Império, sem desrespeitar compromissos valorizados pelo Estado Romano e sem comprometer os integrantes dos grupos cristãos. Inclusive fez uma recomendação na mesma linha do Cristo com sua oportuna resposta sobre o “Daí a Cesar…”, Paulo escreveu: “Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (13:7). 

No contexto de um império com muitos cultos, adorações e sincretismos, Paulo defende claramente o monoteísmo, mas sem prendê-lo ao povo de Israel. Robustece a crença em Deus com os ensinos do Cristo. E, encerra a epístola com votos:

“Ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre.” (16:27) 

            Referências:

  1. Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 3. Cap.Romanos. São Paulo: Hagnos, 2014.

  2. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Paulo e Estêvão. Cap. VII e IX, Brasília: FEB. 2012.

  3. Citações da Epístola aos Romanos. In: A Bíblia Sagrada. Tradução Almeida, João Ferreira. Edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. 2007.

Síntese e trechos de artigo do mesmo autor – "Paulo e a Epístola aos Romanos", Revista Internacional de Espiritismo, outubro de 2015.

 

140 anos de O céu e o inferno no Brasil

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No ano do Sesquicentenário de lançamento de O céu e o inferno, torna-se oportuna a recordação que dez anos depois da apresentação em Paris, este livro teve edição em português lançada no Rio de Janeiro.

O primeiro livro espírita escrito no Brasil surgiu em 1860: “Os tempos são chegados” ("Les Temps sont arrivés"), de autoria do professor Casimir Lieutaud, francês radicado no Brasil, um dos editores de “Courrier du Brésil”, colaborador de “O Repúblico” e autor de livros de gramática francesa.

Portanto foi anterior à fundação do pioneiro centro espírita no Brasil, o Grupo Familiar de Espiritismo, em Salvador, no ano de 1865, e Kardec registra o fato em “Revue Spirite”.

A tradução e edição das obras de Allan Kardec para o português e lançadas no Brasil são devidas ao médico Joaquim Carlos Travassos, que integrou a primeira diretoria do pioneiro Grupo Espírita Confúcio, na cidade do Rio de Janeiro.

Este Grupo organizado na então capital imperial informou à “Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec”, de Paris, a sua fundação e a aceitação das obras do Codificador, o que foi divulgado pela “Revue Spirite”, em 1874.

Dr. Travassos mantém correspondência com Pierre-Gaétan Leymarie, dirigente da Sociedade citada e redator de “Revue Spirite”, com o objetivo de traduzir as obras de Kardec. Cita o “amigo Sr. Casimir Lieutaud, um dos propagadores do Espiritismo neste canto do mundo chamado Brasil, empreendi a tradução, para a língua nacional, das obras do Mestre”, carta que foi publicada pela “Revue Spirite”, na edição de agosto de 1875.

Desse modo, dr. Joaquim Carlos Travassos, sob o pseudônimo de "Fortúnio", traduziu: “O Livro dos Espíritos”; “O Livro dos Médiuns”;  “O Evangelho segundo o Espiritismo” e “O Céu e o Inferno”. Vieram a lume pela Editora B. L. Garnier, da cidade do Rio de Janeiro.

A primeira tradução de “O Céu e o Inferno” completa 140 anos de lançamento no Brasil!

Fato histórico digno de menção é que foi o presente do dr. Travassos – a edição em português de "O Livro dos Espíritos", por ele traduzida – que converteu Bezerra de Menezes ao Espiritismo.

 

Referência:

Wantuil, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB. 1969.