Recordações de datas marcantes

Recordações de datas marcantes

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O primeiro dia do ano nos leva a algumas lembranças de ordens históricas e sentimentais.
Inicialmente o registro da data de nascimento de Léon Denis, o grande vulto do movimento espírita, autêntico continuador de Allan Kardec e consolidador do espiritismo na França. Suas ações, palestras e livros produziram influências e repercussões marcantes no seu país natal e em vários outros, como no Brasil.
Denis nasceu no dia 1o/01/1846 em Tours e teve uma longa e muita ativa existência corpórea até 1927. Autor de marcantes obras, entre outras. como: “O problema do ser, do destino e da dor”, “No invisível”, “Cristianismo e espiritismo”, “Depois da morte”.
Mantemos grande admiração e respeito pelo vulto histórico do espiritismo!
Em nossa vivência, o dia 1o de janeiro nos remete a recordações sobre a médium Emília Santos, assinala o nascimento dela, no ano de 1896, no interior da Bahia.
Emília Santos teve profunda influência nos contatos iniciais que juntamente com a família tivemos com o espiritismo, nos tempos de Araçatuba (SP). E tudo num período curto e intenso de apenas sete anos, pois ela desencarnou em 1964. Ela foi a responsável pelo fortalecimento espiritual de nossa genitora e de tio, e, em nossa juventude, pela nossa introdução em ações práticas na Instituição Nosso Lar.
Em homenagem e gratidão a ela nosso tio Rolandinho criou a Casa da Sopa Emília Santos, como dependência da obra matriz, a Instituição Nosso Lar, esta fundada por ela, pela médium e nossa genitora Bebé.
A inauguração da Casa da Sopa Emília Santos ocorreu na data do natalício da médium: 1o de janeiro de 1966. Foi um evento marcante com a presença de convidados e colaboradores na campanha para a construção.
A inauguração dessa Casa nos remete a duas recordações sobre nossa participação. Na época, éramos presidente de Mocidade Espírita da Instituição que fundamos por sugestão dessa médium. Mantínhamos várias ações na Instituição Nosso Lar e dentro de pendores e habilidades que desenvolvíamos, elaboramos a capa do livrinho “Gotas espirituais”, com conteúdo organizado por José Rubens Braga da Silva, colaborador e expositor da Instituição. Esse livrinho foi utilizado como parte da campanha para a construção da obra. Outro detalhe, foi a incumbência que recebemos na época de organizar o jardim da Casa da Sopa.
Além das tradicionais reuniões nas passagens de ano, sempre valorizadas em nossa família, ficou muito marcada a evocação que ora registramos.
Fonte:
Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021.

Os homens de boa vontade no ano novo

Os homens de boa vontade no ano novo

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A passagem para um novo ano sempre motivou o homem e enseja esperanças de melhorias e expectativas de num mundo melhor.

Na realidade, um novo ano é uma mudança formal no calendário e naturalmente, na prática, é uma sequência de fatos e compromissos que vêm se desenrolando.

No contexto social há busca de soluções nas áreas políticas, econômicas, sociais, educacionais, de saúde, e, sem dúvida, com repercussões no próprio movimento espírita, que faz parte da sociedade.

Em todos os cenários, são homens encarnados os responsáveis pelas decisões e ações e vale a pena se recordar da obra “A Gênese”, de Allan Kardec, que no Cap. I encontra-se o registro: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem”.

Nessa mesma obra de Kardec, no Cap. XVIII, há considerações sobre a longa etapa que vivemos, os “Sinais dos tempos”. O Codificador destaca: “A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres.”

Para o Espiritismo fica claro que o livre-arbítrio e o real compromisso de aprimoramento moral e espiritual dos homens estão na base das esperadas transformações que poderão se fortalecer num novo e melhor ano.

A propósito, recordamos da pioneira psicografia de Chico Xavier sobre união: “Em nome do Evangelho” (Emmanuel, 1948), de onde destacamos os trechos: “O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora. […] unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens, servindo e esperando o futuro, em seu exemplo de abnegação, para que todos sejamos um…” (Carvalho, Antonio Cesar Perri. Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier. O Clarim). Nesse “mundo conturbado”, deve haver esforço para a disseminação do roteiro preconizado pelo Cristo, inclusive com o empenho dos espíritas.

É o apelo para os “homens de boa vontade” com que os espíritos anunciaram as “novas de grande alegria” por ocasião do nascimento de Jesus (Lucas 2: 10, 14).

O espírito Casimiro Cunha escreveu o poema “Carta de Ano Bom” (Xavier, Francisco Cândido. Espírito Casimiro Cunha. Cartas do Evangelho. São Paulo: Lake), de onde extraímos alguns trechos:

“Entre um ano que se vai

E outro que se inicia,

Há sempre nova esperança,

Promessas de Novo Dia…

 

[…] Considera, meu amigo,

Nesse pequeno intervalo,

Todo o tempo que perdeste

Sem saber aproveitá-lo.

 

[…] Ano Novo!… Pede ao Céu

Que te proteja o trabalho,

Que te conceda na fé

O mais sublime agasalho.

 

[…] Ano Bom!… Deus te abençoe

No esforço que te conduz

Das sombras tristes da Terra

Para as bênçãos de Jesus.”

Que o ano novo seja melhor para todos nós!

NATAL

NATAL

Meus irmãos,

 

Natal à vista, e começa a correria, 

fazem bazar,

fazem lista,

para a festa da alegria.

 

Uma faz louça bonita,

outra borda uma sacola

que se transforma em Pedrita,

em peteca ou numa bola.

 

Outra ainda faz vestidinho,

short, camisa, avental,

tudo com muito carinho,

com ternura fraternal.

 

Meus irmãos, ao dar aos pobres,

uma roupinha, um pão-doce,

estamos dando “migalhas”,

pelo que Jesus nos trouxe.

 

E, Ele, nos trouxe a Verdade,

nos deu da vida o Caminho,

ainda hoje nos aquece,

com Seu amparo e carinho.

 

E todos nós nos lembramos,

de que Ele nos disse assim:

o que fizerdes a eles,

estareis fazendo a mim.

 

Continuemos, portanto,

na tarefa fraternal

e teremos festa e tanto

meus irmãos, neste Natal.

Noel Rosa

Mensagem recebida no Culto do Evangelho no Lar de Martha, médium que a recebeu, em São Paulo, no dia 20 de setembro de 1968. Acreditamos que esta poesia não tenha sido publicada. Em setembro de 1967 foi fundado em Araçatuba o Coral Espírita Noel Rosa por iniciativa do Departamento de Mocidades da União Municipal Espírita de Araçatuba e estímulo da Professora Luiza Cardoso (da FEESP, de São Paulo). Esta, numa das viagens a Araçatuba, trouxe a poesia manuscrita endereçada aos integrantes do grupo. A médium Martha Gallego Thomaz desencarnou com 99 anos aos 4 de setembro de 2014. (DE: https://www.noticiasespiritas.com.br/2025/DEZEMBRO/18-12-2025.htm)

Na foto, de setembro de 1968, está o Coral Espírita Noel Rosa, em dia de apresentação em Araçatuba (SP). Entre os integrantes, jovens das famílias Rey, Rosa, Gobbi, Pagan, Bizzo. Entre estes, atuantes no movimento na atualidade: Célia Maria Rey de Carvalho, Maria Luzia de Almeida Rosa, Ismael Gobi. Na época, Cesar Perri era o diretor do Departamento de Mocidades da União Municipal Espírita de Araçatuba.

Os cultos a Maria e o modelo de Jesus

Os cultos a Maria e o modelo de Jesus

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Nos primeiros meses à frente da Igreja Católica, o papa Leão XIV aprovou documentos que reacendem debates dentro e fora da Igreja Católica.

Entre os documentos recentes, abordou temas como o papel de Maria. O Vaticano impôs limites para veneração a Maria, com o objetivo de evitar interpretações equivocadas sobre a devoção mariana, na tentativa de encerrar um debate que divide teólogos há décadas.

A nova orientação papal reforça que “Jesus é o único Salvador” e desaconselhou o uso do título “corredentora” para Maria, destacando que "Esse título… (pode) criar confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã."1

Por mera coincidência o recente documento papal surge dias após as intensas comemorações no Brasil da “padroeira Nossa Senhora da Aparecida” na Basílica de mesmo nome e do tradicional “círio de Nazaré” de Belém do Pará.

Todavia não é apenas no Brasil, entre muitos outros, há os tradicionais santuários de Fátima (Portugal), de Lourdes (França), de Guadalupe (México)… Além das celebrações e igrejas com estes nomes no Brasil também há muitas designações de “nossas senhoras”, como a da Conceição e outras, e, a veneração de suas imagens, procissões, promessas, novenas etc.

Aliás, é pouco divulgado que antes da proclamação oficial de Nossa Senhora Aparecida como “padroeira” do Brasil, a partir de decreto assinado no Vaticano em 16 de julho de 1930, durante o pontificado do Papa Pio XI, havia um outro “padroeiro” do país. Era São Pedro de Alcântara, por solicitação de Dom Pedro I ao papa Leão XII em 1826.2

Fica claro que as decisões de “padroeiros” são decisões humanas, algumas loco-regionais e outras do Vaticano.2

O fato é que as chamadas “Nossas Senhoras” – com aparições espirituais em várias partes do mundo e que foram identificadas como sendo a mãe de Jesus, devem ser aparições de espíritos, alguns com traços de luminosidade e os espectadores, não conhecendo o fenômeno e imbuídos pelo misticismo de religiões tradicionais, logo inferem como sendo a mãe de Jesus.2

Evidentemente que não estamos questionando o mérito do notável espírito, a personalidade sublimada de Maria.

Na literatura espírita há inúmeras referências sobre o papel de Maria como mãe de Jesus e sobre suas ações espirituais. Inclusive há um livro Maria, a mãe de Jesus3, uma antologia que reúne vários textos sobre Maria, incluindo preces, depoimentos de encarnados e desencarnados. Trata-se de textos psicografados por Chico Xavier, Yvonne Pereira e outros médiuns. Há temas como a figura maternal de Maria e suas atividades na espiritualidade.

Isso posto, parece-nos claro que o papa Leão XIV põe limites na chamada “mariolatria”, caracterizada pelos tradicionais cultos, peregrinações e procissões em torno de imagens criadas pelos homens a partir, provavelmente, de aparições e visões espirituais não compreendidas e com venerações às suas imagens que ornam os templos religiosos e dão nome a eles.

Na base do espiritismo, em O livro dos espíritos, esclarece-se que “a adoração verdadeira é do coração”, e, que Jesus é “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”.4

Ao ensejo da proximidade das comemorações do Natal, que assinala o episódio do nascimento de Jesus, é oportuna a reflexão em torno do vulto marcante e da mensagem de Jesus.

Que o Natal represente mais uma oportunidade para que a mensagem de Jesus se desenvolva nos corações e seja um efetivo roteiro.

Bibliografia:

1) Internet: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/12/05/papel-de-maria-poliamor-e-sexo-no-casamento-leao-xiv-inicia-papado-com-declaracoes-polemicas-do-vaticano-veja-lista.ghtml

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Padroeiros do Brasil: história e reflexões. Revista internacional de espiritismo. Ano C. No 11. Dezembro de 2025. Site GEECX: https://grupochicoxavier.com.br/padroeiros-do-brasil/

3) Xavier, Francisco Cândido; Pereira, Yvonne Amaral; Carneiro, Edison (org.). Maria, mãe de Jesus. 2ª e. São Paulo: Ed. Aliança. 2011.

4) Kardec, Allan. (Trad. Ribeiro, Guillon). O livro dos espíritos. Q. 625 e 653. Brasília: FEB.

Concílio de Niceia completa 1700 anos: a homenagem do Papa e a visão espírita

Concílio de Niceia completa 1700 anos: a homenagem do Papa e a visão espírita

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Na primeira viagem ao exterior desde sua posse em maio, o papa Leão XIV visitou a Turquia. O roteiro papal começou com a comemoração dos 1.700 anos do Concílio de Niceia. A novidade na viagem do Papa estendendo pelo Líbano foi a interação interreligiosa, solicitando coexistência pacífica entre as religiões.

A efeméride evocada sobre o histórico Concílio nos remete ao evento coordenado pelo imperador romano Constantino que reuniu centenas de lideranças cristãs do Império Romano na cidade de Niceia, atualmente a cidade turca Iznik.

O fato merece visões históricas e espíritas.

A decisão firmada em Milão no ano 313 pelos imperadores Constantino (período 306-337 d.C.), pessoalmente convertido, e Licínio concedeu “aos cristãos, como a todos, a liberdade de poder praticar a religião de sua escolha de modo que o que há de divino na morada celeste possa ser benévolo e propício”.1

O imperador Constantino foi chamado por representantes cristãos para interferir nas polêmicas das lideranças cristãs e resolveu reunir todos os bispos em Niceia (hoje Iznik) no ano 325. A sessão de abertura ocorreu no dia 20 de maio de 325 no palácio imperial de Niceia, onde Constantino presidiu a sessão inaugural e este se reservava o direito de intervir diretamente nos trabalhos da assembleia. Até sua conclusão, provavelmente por volta do dia 25 de julho, o Imperador se manteve como papel destacado da assembleia. Foi encerrado com as celebrações pelos vinte anos do reinado de Constantino.1

A proposta de Constantino visava conseguir a pacificação entre as facções de cristãos e a nova organização da Igreja, que já se tornara importante instituição de apoio ao Império Romano. Constantino conferiu aos decretos do concílio validade de leis do Estado.

Com o Concílio de Niceia, inicia-se claramente a nova etapa do cristianismo, de institucionalização da Igreja Católica Apostólica Romana. A rigor, seria a data real de nascimento dessa religião que o Papa comemorou 1700 anos.

Os exemplos marcantes vividos pelos cristãos idealistas sofreram alguns comprometimentos a partir dos momentos em que a religião cristã se ligou ao Estado Romano, tendo como marco o Concílio de Niceia.

Léon Denis comenta que: “[…] a concepção trinitária, tão obscura e tão incompreensível, oferecia, entretanto, grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus-Cristo um Deus. Conferia ao poderoso Espírito, a que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor sobre ela recaía e assegurava o seu poder. Nisso está o segredo da sua adoção pelo concílio de Niceia”.2

As alterações no desenvolvimento do cristianismo, a partir de decisões desse Concílio e de outros que se seguiram, são analisadas em obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier – A caminho da luz - que focaliza a trajetória da Civilização: “[…] Os primeiros dogmas católicos saem, com força de lei, desse parlamento eclesiástico de 325. […] O Cristianismo, porém, já não aparecia com aquela mesma humildade de outros tempos. Suas cruzes e cálices deixavam entrever a cooperação do ouro e das pedrarias, mal lembrando a madeira tosca, da época gloriosa das virtudes apostólicas. Seus concílios, como os de Niceia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia, não eram assembleias que imitassem as reuniões plácidas e humildes da Galileia. A união com o Estado era motivo para grandes espetáculos de riqueza e vaidade orgulhosa, em contraposição com os ensinos d'Aquele que não possuía uma pedra para repousar a cabeça dolorida.”3

Em outra obra, intitulada Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier há comentários relacionados com fatos imediatos ao Concílio de Niceia: “A história da Igreja cristã nos primitivos séculos está cheia de heroísmos santificantes e de redentoras abnegações. Nas dez principais perseguições aos cristãos, de Nero a Diocleciano, vemos, pelo testemunho da História, gestos de beleza moral, dignos de monumentos imperecíveis. […] Nos primitivos movimentos de propaganda da nova fé, não possuíam nenhuma supremacia os bispos romanos entre os seus companheiros de episcopado e a Igreja era pura e simples, como nos tempos que se seguiram ao regresso do seu divino fundador às regiões da Luz. As primeiras reformas surgiram no quarto século da vossa era, quando Basílio de Cesareia e Gregório Nazianzeno instituíram o culto aos santos. Os bispos romanos sempre desejaram exercer injustificável primazia entre os seus coirmãos; […] desde o primeiro concílio ecumênico de Niceia, convocado para condenação da cisma de Ário, continuaram as reuniões desses parlamentos eclesiásticos, onde eram debatidos todos os problemas que interessavam ao movimento cristão. Datam dessas famosas reuniões as inovações desfiguradoras da beleza simples do Evangelho; ainda aí, contudo, nesses primeiros séculos que sucederam à implantação da doutrina de Jesus, destinada a exercer tão acentuada influência na legislação de todos os povos, não se conhecia, em absoluto, a hegemonia da Igreja de Roma entre as outras congêneres.”4

O intelectual e jornalista espírita paulista, Wallace Leal Valentim Rodrigues escreveu a obra A esquina de pedra5, contendo relatos históricos e descrições inspiradas sobre fatos que se passam em momentos próximos ao Concílio de Niceia, época de muitos sacrifícios de cristãos no período (284 a 305 d.C.) do imperador Diocleciano. O autor focalizou situações e polêmicas em que ocorreram as descaracterizações do cristianismo primitivo e puro.

A rememoração do Concílio de Niceia deve ser motivo para o estudo e reflexão, para se evitar recidivas históricas em situações enganosas do passado, para a profilaxia de novas "pedras de tropeço" (1 Pedro 2, 8).

Allan Kardec foi muito lúcido ao trazer e defender os laços morais do Evangelho de Jesus para o Espiritismo, utilizando-os como religião natural, de comunhão de pensamentos e fraternidade, que deve ser a tônica de atuação do "Consolador prometido por Jesus"!

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. Matão: O Clarim. 2018. 286p.

2) Denis, Léon. Trad. Cirne, Leopoldo. Cristianismo e espiritismo. Cap. Alteração do cristianismo. Os dogmas. Rio de Janeiro: FEB. 2013.

3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. A caminho da luz. Cap. 16. Brasília: FEB. 2013.

4) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Emmanuel. Cap. 3.2 e 3.3. Brasília: FEB. 2013.

5) Rodrigues, Wallace Leal V. A esquina de pedra. Matão: Ed. O Clarim. 2003. 411p.

Interesse internacional iniciou-se em Araçatuba

Interesse internacional iniciou-se em Araçatuba

 

      

Antonio Cesar Perri de Carvalhos

Um mês após o lançamento do livro Movimento Espírita Internacionali. Origens, ideais e experiências em evento público e concorrido na sede do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo (em São Paulo), que o editou, o evento presencial seguinte de apresentação da nova obra aconteceu em Araçatuba (SP).
A mera coincidência (seria isso mesmo?) do segundo evento publico acontecer em nossa terra natal realmente tem significados e recordações.
Naquela cidade iniciamos nossas atividades no movimento espírita há 61 anos. Entre compromissos diversos, desde a juventude acompanhávamos as notícias internacionais publicadas em Anuário Espírita (do IDE) e na Revista Internacional de Espíritismo (de O Clarim).
Por essas publicações soubemos da histórica viagem de Chico Xavier e Waldo Vieira aos Estados Unidos e alguns países da Europa, em 1965. Logo depois adquirimos a 1ª edição do livro Entre irmãos de outras terras, contendo mensagens psicografadas pelos dois médiuns nesta viagem e editado pela FEB em 1966.
Logo depois, já mantendo amizade com Divaldo Pereira Franco passamos a acompanhar as viagens internacionais que ele empreendeu, iniciando pela Argentina.
Em viagens particulares em 1971 e 1973 procuramos conhecer locais relacionados com o Espiritismo e pesquisas mediúnicas na Inglaterra e na França. Assim, surgiu nosso primeiro artigo sobre essas visitas, publicado na Revista Internacional de Espiritismo (dezembro de 1973).
Tarefa que nos marcou foi a responsabilidade pela seção “Periódicos Estrangeiros” na Revista Internacional de Espiritismo, a partir de 1980. A Casa Editora O Clarim nos enviava pelo correio para nossa residência em Araçatuba todas as publicações estrangeiras que recebiam e, mensalmente, fazíamos a resenha delas para a citada seção da RIE.
Na condição de docente e depois Pró-Reitor da Universidade Estadual Paulista, empreendemos diversas viagens profissionais e acadêmicas e aproveitamos para manter contato com movimentos espíritas dos Estados Unidos, Cuba, Venezuela.
Em decorrência dessas viagens, contatos e aquisição de obras especializadas, é que elaboramos os livros Os sábios e a senhora Piper. Provas da comunicabilidade dos espíritos e Entre a matéria e o espírito, ambos editados por O Clarim, respectivamente, em 1986 e 1991.
Num crescendo de leituras e contatos, atuamos no 1o Congresso Espírita Internacional (Brasília, 1989) e passamos a acompanhar os preparativos para a fundação do Conselho Espírita Internacional. A partir daí, já residindo em São Paulo e depois em Brasília, acompanhamos os esforços e ações de Nestor Masotti e vivenciamos intensamente as atividades do Conselho Espírita Internacional durante 16 anos.
Esses fatos, ora sintetizados, integram nossos relatos e depoimentos no livro recente Movimento Espírita Internacional.
Assim, nosso interesse ações iniciais pelas atividades internacionais iniciaram-se no período em que residíamos em Araçatuba.
Nada mais natural que após o lançamento oficial na sede da Editora, o CCDPE, em São Paulo, num preito de reconhecimento e gratidão, fizéssemos lançamento presencial em nossa terra natal.
Acesso ao livro (copie e cole):

https://ccdpe.org.br/produto/movimento-espirita-internacional-origens-ideais-e-experiencias/

A ciência, as escolhas e a moral da vida

A ciência, as escolhas e a moral da vida

Djalma Santos

A Terra passa por uma profunda transformação, em que tudo será remodelado: as leis, os costumes, as religiões, as ciências, as artes, a filosofia e a organização das nações, passando pelo livre arbítrio, que é um instrumento divino concedido por Deus para que o homem terrestre possa escolher livremente o seu próprio destino, mas que é apenas a liberdade de escolher e não a capacidade de escolhas.

E é exatamente por isso que as pessoas se confundem e pensam que são sábias e seguras, sem se dar conta de que, todas vezes que pensamos ou falamos, estamos nos comprometendo com o bem ou com o mal, numa troca incessante de energias com os nossos semelhantes.

A vida é um processo eterno de escolhas; escolhemos todos os dias, desde a hora em que levantamos após o sono, até a hora de dormir; e até mesmo dormindo, escolhemos as nossas companhias, que aparecem em nossos sonhos, e é exatamente por isso que precisamos ser criteriosos em nossas escolhas; porque vive melhor quem aprende a escolher.

De um modo geral, gostamos das escolhas erradas, porque são as que dão maior prazer e, consequentemente, satisfazem os nossos instintos grosseiros; mas chegará uma hora em que teremos de refletir sobre o que estamos fazendo e sobre o que já fizemos, porque no fundo de nossa consciência sabemos perfeitamente o que é certo e o que é errado, mas ainda assim continuamos na prática do mal, devido ao enraizamento do mal em nossos corações, e isso é tão real, que o Apóstolo Paulo confessou em uma de suas Epistolas aos gentios:

[…] “o bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço, porque não é o mal que está em mim, mas o pecado que está dentro de mim”.

Paulo, o maior seguidor do Cristo de todos os tempos, confessa humildemente que é muito difícil se afastar dos vícios, desejos e paixões, que nos acompanham há séculos e só mesmo um desejo forte, aliado a uma fé inabalável, pode estancar essa sangria de erros e equívocos, aos quais estamos acostumados e viciados.

Todo esse acervo de pecados nos leva ao sofrimento e à dor, deixando-nos tristes e desesperados, sem saber o que fazer diante das tempestades, que nós mesmos desencadeamos; mas chegará a hora em que teremos que, obrigatoriamente, ouvir a voz da nossa consciência imortal, nosso advogado, nosso promotor e, principalmente o juiz, que estará sempre conosco, aqui ou no além, julgando, punindo ou absolvendo faltas leves, médias ou graves, provocadas pela nossa intemperança mental.

Aproxima-se o dia que vem raiando de sublime redenção, já aparecendo os primeiros clarões dessa alvorada de luz, de paz, de alegria e felicidade; dessa manhã de risos e esperanças, despontando sob um sol radiante a luz do espiritismo, que vem consolar as almas e iluminar as consciências terrestres, e aproximar a humanidade de Deus.

Está chegando o momento da libertação, que só irá com o trabalho, com a prece, silêncio, recolhimento, leitura edificante e o culto no lar.

Precisamos voltar nosso pensamento para Jesus, e o nosso olhar para o alto, pedindo a Deus que nos dê a luz necessária para que possamos compreender suas Leis e seus desígnios, e analisar as luminosas palavras contidas no Evangelho de Jesus.

A Terra se aproxima do mundo de Regeneração, sob a supervisão do querido mestre Jesus, apoiando aqueles que se sacrificam para remodelar o Planeta, em especial os que se empenham em divulgar a Doutrina do Consolador, propagando seus ensinamentos.

Estamos terminando o ciclo de planeta de provas e expiações, caminhando para a ascensão a mundos superiores.

Referências:

Evolução em dois Mundos, André Luiz – psicografia Chico Xavier.

Evolução para o Terceiro Milênio, Carlos Toledo Rizzini.

A Gênese, Allan Kardec.

Transcrito de Correio Fraterno, Agosto 2020 (copie e cole):

https://www.correioespirita.org.br/categorias/ciencia-e-espiritismo/4031-a-ciencia-as-escolhas-e-a-moral-da-vida

 

O ESPÍRITA E A CIDADANIA

O ESPÍRITA E A CIDADANIA

Aylton Paiva

“As pessoas progressistas se depararam na ideia espírita poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nas pessoas, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo.” (Kardec, A Gênese, cap. XVIII, it. 24)

É comum ouvirmos no meio espírita as frases: “ Não se pode tratar de política no centro espírita”, “ O Espiritismo nada tem a ver com a política”.

São compreensíveis e justas essas afirmações quando a pessoa está considerando a política no seu aspecto de política partidária executiva e legislativa exercidas por pessoas de mau caráter.

É o que se chama de “politicalha”.

No entanto, precisamos considerar que a palavra política tem vários significados:

1. A arte e a ciência da administração justa para o Bem comum. É o conjunto de conhecimentos sobre a administração pública e as técnicas para a sua aplicação.

2. Partidos Políticos: no processo democrático, é a organização das pessoas em torno de objetivos comuns para a governança da sociedade.

3. Poderes: nesse sentido, temos organização dos Poder Legislativo pela constituição dos cargos: vereador, deputado estadual, deputado federal e senador e Poder Executivo com os cargos: prefeito, governador e presidente da república federativa do Brasil.

Esses cargos são assumidos por pessoas que são votadas secretamente pelo povo. O que causa indignação geral, e mesmo decepção, é o uso desses cargos por pessoas de mau caráter, sem ética, cujos atos estão sempre voltados para o próprio interesse, muitas vezes de forma criminosa.

Por isso muitas pessoas repudiam a “política”, que, em verdade, é a “politicalha”, ou seja, o uso do cargo de forma indevida, desonesta e até criminosa.

No entanto, a sociedade precisa ser governada e o regime democrático, embora não perfeito, é o melhor que se tem até o momento.

Vivemos, como cidadãos, em sociedade. O espírita como cidadão vive em sociedade e da sociedade deve participar. Uma das suas atribuições é votar e, também podendo ser votado a cargos que aspire. Para fazer isso, com consciência e honestamente, o espírita precisa conhecer os valores morais, éticos, para essas ações.

Consequentemente, o conhecimento da Política como ciência e arte da administração justa é fundamental.

Ele encontra esses valores na Filosofia Espiritualista Espírita, que estão inseridos em O Livro dos espíritos, de Allan Kardec, na sua 3ª Parte – Das Leis Morais. Portanto, nesse aspecto a Política pode e deve ser estudada no centro espírita a fim de que o espírita seja um cidadão consciente e responsável pela sociedade em que está vivendo.

Será eleitor consciente e responsável e, podendo, da mesma forma, pleitear cargos nos Poderes Legislativo e Executivo.

O que não poderá ser trazido ao centro espírita e ao movimento espírita é a política partidária, com citação de partidos e nomes de candidatos.

Problemas sociais e violências

Problemas sociais e violências

Antonio Cesar Perri de Carvalho

As teorias e propostas de solidariedade e fraternidade sugerem equacionamentos adequados, mas a prática permanece complicada dentro de contexto tão sério e impactantes para as pessoas em todos os seus ambientes de convivência.

Parcela considerável da população tem dificuldades de sobrevivência física, de alimentação e de acesso à saúde. Muitas famílias entraram em dificuldades em função de desempregos, diminuição e alguns quase ausência de rendas. Concomitantemente cresce o ritmo de todas as formas de violências, gerando quadros fortes de agressividade e de inseguranças.

Em função desse cenário preocupante e às vezes desolador, há problemas vividos pelos espíritas como cidadãos, no contexto de suas famílias, e inclusive à vista das necessidades de subsistência das instituições a que são vinculados. Se numa grande cidade, alguém fizer uma caminhada à guisa de exercício, se defrontará com presença de moradores em situações de rua e de seguidas abordagens de pedintes solicitando auxílios. Pelo whatsapp e pelas redes sociais em geral, há campanhas de instituições de várias regiões.

Na realidade, instituições dos vários Estados certamente enfrentam dificuldades financeiras. E, sem dúvida, alguns frequentadores e colaboradores de centros podem estar passando por momentos delicados.

Por outro lado, as novas alternativas para os vários tipos de comunicação – reuniões e estudos – on line, multiplicam-se, em geral não respeitam valores morais e espirituais e acentuam o alarmismo e até estimulam posições radicais. As novidades levam a exageros. A nosso ver, as “lives” de caráter pessoal merecem uma análise especial. Isso porque surgem aquelas com recursos de “impulsos” e “turbinamentos” pagos para se ampliar a disseminação de mensagens nas redes sociais, e, observamos com muitas reservas e dúvidas os objetivos desses procedimentos que visam o crescimento numérico de “seguidores” e o emprego de plataformas do chamado marketing digital, muito empregado em meios empresariais.

Frente a questões tão delicadas, cabem muitas reflexões e avaliações.

Para isso o Espiritismo dispõe de subsídios infindáveis, mas é necessária uma atenção no conteúdo prevalente em “O Evangelho segundo o Espiritismo” a propósito da prática do ensino moral do Cristo. Há orientações e recomendações gerais para as premissas da fraternidade e da solidariedade, mas os saberes sobre o sentir, ouvir, adequar e agir serão muito importantes para se analisar caso a caso as problemáticas das pessoas e das instituições espíritas.

Dentro dos parâmetros espíritas e cristãos há meios para se rever posturas e ações, do âmbito pessoal até o social, mas as doses e o “timing” são variáveis e não se pode generalizar ou se padronizar. Não há soluções mágicas, “salvacionistas” ou revolucionárias, pois se que se trata da necessidade de educação de base e da difícil e complexa consciência da cidadania.

Em realidade, um longo processo para se atingir um nível de conscientização e de autonomia isento das comuns contaminações das manipulações político-ideológicas.

Tempos difíceis: momentos para análises, avaliações e reflexões! Allan Kardec desenvolve tema correlato no capítulo “sinais dos tempos” no livro A gênese. Emmanuel na análise do processo civilizatório em A caminho da luz (Introdução e Cap. 25), comenta sobre os tempos de “aferição de valores” e que a Humanidade ainda não se cristianizou.

Como reflexão sugestiva para as superações em tempos conturbados: “As dificuldades de qualquer natureza são sempre pedras simbólicas, asfixiando-nos as melhores esperanças do dia, do ideal, do trabalho ou do destino, que recebemos na glória do tempo. É necessário saber tratá-las com prudência, serenidade e sabedoria” – Emmanuel (Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Vida em vida. Cap. Pedras. São Paulo: IDEAL).

Claro alerta de Emmanuel: “Acautelemo-nos, porém, contra o perigo da simples rotulagem. […] não nos esqueçamos de que, se não possuímos o espírito do Cristo, dele nos achamos ainda consideravelmente distantes” (Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Fonte Viva. Cap. 170. FEB).

Dia dos “mortos” e túmulos

Dia dos “mortos” e túmulos

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Há pouco tempo, estivemos rapidamente no Cemitério de Araçatuba para verificação da situação de túmulos de familiares.

No trajeto vimos muitas placas e fotos de personalidades que conhecemos e passamos pelo túmulo de Benedita Fernandes, vulto pioneiro espírita da cidade, desencarnada aos 09/10/1947. Além de bem conservado, chamou-nos atenção uma placa acrescentada com os dizeres: “Da Benedita – agradeço a uma graça recebida. 19/02/2012. JLP”.

Sem conhecer o fato ali sumariamente registrado, muitos tem conhecimento, nós inclusive, da intensa atuação espiritual de Benedita Fernandes.

Em termos de frases em túmulos, a marcante e sintetizadora de princípios espíritas, está registrada no dolmen de Allan Kardec, no histórico Cemitério Père Lachaise, em Paris: “Nascer, morrer, renascer novamente e progredir sem cessar é a lei”.

Nessa época, ocorre o cultivo do dia de Finados. A literatura espírita é muito rica de informações sobre as comemorações relacionadas com o chamado “dia dos mortos”. A título de lembrança, é sempre oportuno recorrer-se a obras de Allan Kardec. Assim, na obra inaugural O Livro dos Espíritos há registros no item “Comemoração dos mortos. Funerais"1:

Perg. 320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra? R – “Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade. Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.”

Perg. 321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos? R – “Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”

a) Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas? R – “Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”

b) Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis? R – “Sob a que tinham quando encarnados.”

Perg. 322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles? Que lhes importa a Terra? R – “Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o Universo inteiro.”

Perg. 323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa? R – “Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”

No seu último discurso – Dia de Finados do ano de 1868 -, Kardec comenta: “Ofereçamos aos que nos são caros uma boa lembrança e o penhor de nossa afeição, encorajamentos e consolações aos que deles necessitem. Façamos de modo que cada um recolha a sua parte dos sentimentos de caridade benevolente, de que estivermos animados, e que esta reunião dê os frutos que todos têm o direito de esperar”2.

Entre centenas de manifestações espirituais, destacamos o alerta de Eurípedes Barsanulfo, no livro O Espírito da Verdade para nós, os encarnados, sobre os valores eternos: “O espírito deve ser conhecido por suas obras. É necessário viver e servir. É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!”.3

“Viver e ser mais do pó” vem à tona em texto de Emmanuel, lembrando que “irmãos da Terra procuram a nós outros desencarnados, nas fronteiras de cinza, […] também nós, de coração reconhecido, suplicamos-te apoio em auxílio de todos eles”. E roga orações pelos quase mortos: “para todos os nossos irmãos que atravessam a experiência humana quase mortos de sofrimentos e agravos, complicações e problemas criados por eles mesmos, nós te rogamos auxílio e bênção!…”4

Registros espíritas como subsídios para nossas reflexões sobre o chamado “dia dos mortos”.

Referências:

1) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. FEB.

2) Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista espírita. Dezembro de 1868. FEB.

3) Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Espíritos diversos. O espírito da verdade. Lição no 12. FEB.

4) Xavier, Francisco Cândido; Espíritos diversos; Pires, Herculano. Na era do espírito. Cap. 21. GEEM.