ESPIRITISMO E POLÍTICA – MANIFESTO

ESPIRITISMO E POLÍTICA – MANIFESTO:

O Brasil vive momentos extremamente delicados nos contextos: político, social, econômico e ético.

A maneira mais importante para o cidadão se manifestar dentro do arcabouço democrático é através do voto consciente.

Os espíritas devem cumprir o dever como cidadãos, preocupados e comprometidos com os destinos da Pátria. O espírita como cidadão – pessoa física -, pode contribuir para a solução dos problemas políticos e sociais vivenciados na atualidade, sem necessariamente comprometer-se com legendas ou organizações partidárias, mas ciente de que esse é também um direito que cabe a cada um.

Para se analisar a participação de espíritas na política, e especificamente como candidato a cargo eletivo, é sabido que o rótulo religioso não é garantia de integridade na vida pública. A trajetória de vida do cidadão na sociedade é o primeiro referencial a ser considerado pelo eleitor consciente.

O importante é que os anseios com um ideal sejam compatíveis os exemplos de vida. O espírita tem conhecimento que O livro dos espíritos, obra básica e inaugural de Allan Kardec, contempla 405 perguntas e respostas sobre “As Leis Morais”, que envolvem questões sobre o relacionamento do homem com o Criador da vida, com o planeta em que vive, com seus semelhantes, com as sociedades de que participa, ao tratar das Leis de Adoração, Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade, e Justiça, Amor e Caridade, da Perfeição, das Esperanças e Consolações.

Em “As Leis Morais” de O livro dos espíritos, o Espiritismo apresenta recomendações para a vida em sociedade pautadas na ética e na moral, autênticas normas políticas para o ideal de uma civilização espiritualista e cristã.

Referencial oportuno que merece destaque na atualidade foi registrado por Paulo de Tarso:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (I Coríntios 10, 23).

É recomendável que o cidadão analise a compatibilidade entre as propostas partidárias e as ações e ideias do candidato, com os princípios ético-morais e espíritas. A análise prévia desses parâmetros deve superar e ser mais importante do que os critérios de amizades, expectativas de retribuições e de benefícios de ordem pessoal.

O momento é muito delicado para o Brasil e de grande importância para o consciente exercício da cidadania, destacando-se a ética e a moral fundamentada nos ensinos de Jesus, com conceitos ampliados com os subsídios oferecidos pela Doutrina Espírita.

(Manifesto aprovado no dia 4 de agosto de 2018, durante a Mesa Redonda “Espiritismo e Política”, realizada na Câmara Municipal de São Paulo, em São Paulo, promovido pelo Grupo Espíritas na Política, de São Paulo. Coordenação: Júlia Nezu e Paulo Francisco. Mediação de André Marouço e Antonio Cesar Perri de Carvalho)

O porquê do estudo de A gênese

O porquê do estudo de A gênese

Opiniões e manifestações espirituais devem ser analisadas com base nos critérios da lógica, do bom senso e, inclusive, dados concretos disponíveis.

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Os 150 anos da publicação de A gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo estão sendo assinalados por momentos de polêmica a respeito de suas edições francesas iniciais.

A gênese foi lançada por Allan Kardec em janeiro de 1868, sendo por ele reeditada mais duas vezes nos mesmo ano e tendo a 4ª. edição lançada em fevereiro de 1869. Portanto, até a desencarnação do Codificador este havia lançado quatro edições da citada obra. Atendendo à exigências do governo francês submeteu a primeira edição ao Ministério do Interior, que após a liberação, foi depositada na Biblioteca atualmente conhecida como Biblioteca Nacional da França. Para as duas outras edições de 1868 e a edição de fevereiro de 1869, Allan Kardec apenas informou que teriam o mesmo conteúdo da edição original.

Em dezembro de 1872, a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, lançou a 5ª. edição, que precisou passar pelos trâmites oficiais de registro, pois se tratava de uma “edição revisada, corrigida e aumentada”. Livros e revistas em francês das últimas décadas do século XIX já traziam matérias sobre as polêmicas e contradições relacionadas com a citada Sociedade Anônima, as deturpações ocorridas em A gênese e a alteração da linha editorial nas edições da Revista Espírita após a desencarnação de Kardec. É sabido que essa Sociedade Anônima concedeu ainda no século XIX a várias instituições – inclusive do Brasil – a autorização para a tradução da 5ª. edição francesa. Porém, estas concessões caducaram quando as obras de Allan Kardec caíram no domínio público. Pela legislação francesa da época, seriam 50 anos após a morte do autor.

Desde fatos ocorridos no 2º. semestre de 2017, como o alerta e posição firme e clara da Confederação Espírita Argentina, com informações, publicação da obra El legado de Allan Kardec e da nova tradução para o espanhol da 1ª. edição francesa de A gênese, ocorrem repercussões em nosso país.

No início de março de 2018, a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realizou o seminário “A gênese. O resgate histórico” com atuação de Simoni Privato Goidanich, oportunidade em que lançou a tradução para o português de sua obra O legado de Allan Kardec.1 Há quase dez anos já existia uma tradução para o português da 4ª. edição francesa (de 1868) de A gênese, editada pelo Centro Espírita Léon Denis (CELD), do Rio de Janeiro. Em maio de 2018 a Fundação Espírita André Luiz (FEAL), de São Paulo, lançou a tradução para o português da 1ª. edição francesa de A gênese. Alguns países já lançaram traduções de A gênese com a mesma base.

Algumas pessoas e instituições prosseguem na defesa das traduções da 5ª. edição francesa da citada obra e circulam textos variados. Aliás, todas Editoras do Brasil comercializam a citada versão; as únicas exceções são as Editoras do CELD e da FEAL.

A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo divulgou Manifesto de sua Diretoria Executiva, recomendando “a adoção da 4ª edição francesa (cujo conteúdo é idêntico às três edições anteriores) e suas respectivas traduções do livro A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo como a obra de referência doutrinária, cuja autoria pode ser atribuída, sem qualquer dúvida, a Allan Kardec”.2

Todavia, permanecem dúvidas e questionamentos para muitas pessoas e instituições, apesar dos fatos e divulgação de documentos franceses pesquisados e reproduzidos por Simoni Privato Goidanich em seu livro O legado de Allan Kardec e apresentados em vários seminários.

Evidentemente que muitos não acessaram o livro citado e podem estar agindo motivados por muitas outras razões. Alguns ficam na expectativa de manifestações dos espíritos ou de posições dessa ou daquela instituição. É natural que a dúvida ou a remoção da posição de conforto incomode, mas essa é a razão para nos debruçarmos no texto de A gênese e analisarmos as posições e recomendações do sensato e racional Codificador.

A Doutrina Espírita recomenda que as opiniões e as manifestações espirituais devem ser analisadas com base nos critérios da lógica, do bom senso e, inclusive, dados concretos disponíveis, o que abrange documentos históricos e oficiais; e da concordância com o ensino dos Espíritos. O Codificador destaca na Apresentação e no primeiro capítulo de A gênese, intitulado “Fundamentos da Revelação Espírita”: “[…] pedimos uma atenção rigorosa para esse ponto, porque é aí que se encontra, de algum modo, o nó da questão. Não obstante a parte que toca à atividade humana na elaboração dessa Doutrina, a sua iniciativa pertence aos espíritos, ela, porém, não é formada da opinião pessoal de cada um deles; ela não é, e nem pode ser, mais que o resultado do seu ensino coletivo e concordante. Somente nessa condição, ela pode se dizer a Doutrina dos Espíritos, de outra forma seria apenas a doutrina de um espírito, e só teria o valor de uma opinião pessoal.”3,4

Ainda no capítulo inicial de A gênese o Codificador reitera: “O caráter essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, consequentemente, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos, não é revelação; se ela for atribuída a Deus, não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele, é preciso considerá-la como o resultado de uma concepção humana.”3,4 E Allan Kardec reforça o papel do Espiritismo como “ciência de observação”. Pois bem, nesta condição os fatos e documentos não podem ser desprezados!

Em seu Manifesto, a USE-SP recomenda: “Promover encontros, seminários e outros meios de interação com os dirigentes e colaboradores de instituições espíritas em geral objetivando o esclarecimento sobre os fatos históricos e documentos que justificam a adoção da 4ª edição francesa e suas respectivas traduções desta obra como referência.”2

A nosso ver, o sesquicentenário de A gênese deve ser bem aproveitado pela comunidade espírita para realmente ler, estudar e refletir seu conteúdo. E para os grupos que puderem, compararem os textos da obra publicada por Allan Kardec, enquanto encarnado – da 1ª a 4ª edições -, com a 5ª. edição de 1872.

Valorizemos as Obras Básicas de Allan Kardec, efetivamente estudando-as!

Bibliografia:

1) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE. 2018. 446p.

2) NOTA OFICIAL – Edições do livro A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. São Paulo, 05/06/2018; http://grupochicoxavier.com.br/use-recomenda-sobre-a-genese/

3) Kardec, Allan. Trad. Sêco, Albertina Escudeiro. A gênese. 3.ed. Apresentação; Cap. 1. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 2010.

4) Kardec, Allan. Trad. Imbassahy, Carlos de Brito. A gênese. 1.ed. Apresentação; Cap. 1. São Paulo: FEAL. 2018.

(*) O autor foi presidente da FEB e da USE-SP e membro da Comissão Executiva do CEI. Transcrito de: Revista Internacional de Espiritismo. Ano 93. N.7. Agosto de 2018. P. 368-9.

Seguindo adiante

Seguindo adiante

Por mais se te fale de calamidades e crises, não permitas que o desânimo te alugue o coração para os comícios da rebeldia. Investir os valores do tempo em palavras de pessimismo é o mesmo que injetar venenoso entorpecente no espírito de quem ouve.

Somos todos na Terra criaturas em crescimento espiritual, dentro da perenidade da vida.

De quantas experiências precisou o homem para alcançar determinadas realizações do progresso exterior?

Quantas esperanças frustradas e quantas existências desfeitas para que a indústria seja hoje o grande facilitário do trabalho, para que a mente humana aprenda a raciocinar?

Efetivamente, observas pelos olhos da imprensa escrita e radiotelevisada as imensas lutas que se desenrolam de povo a povo.

Dramatizam-se delitos, patenteia-se o recrudescimento da crueldade que transparece do comportamento das criaturas, especialmente daquelas a quem o abuso dos tóxicos desfigurou o pensamento.

Multiplicam-se os processos da delinquência, vaticinam-se desastres, mas raros são aqueles que anotam o progresso constante das ciências psicológicas, curando a loucura e salvando vidas, o trabalho indescritível dos que combatem o emprego inadequado dos alucinógenos, o esforço gigantesco de quantos se empenham a cercear a violência e a presença da Divina Sabedoria, conservando a Terra por nave prodigiosa, evoluindo em rumo certo.

Haja o que houver, trabalha na edificação do bem e segue adiante.

Reflete na semente, vencendo os obstáculos do solo para desabrochar com a finalidade de servir.

Medita na árvore podada, melhorando a produção que lhe é própria.

Dor, na maioria das vezes, é o tributo que se paga ao aperfeiçoamento espiritual.

Problema é desafio indispensável ao aprimoramento do raciocínio.

Dificuldade mede eficiência.

Ofensa avalia compreensão.

A própria morte é nova forma de vida.

Por mais te requisitem a presença na retaguarda, presta à retaguarda o auxílio que se te faça possível, mas segue para a frente.

Não descreias do bem.

O mal é sempre desequilíbrio e todo desequilíbrio reclama reajuste.

Ainda mesmo te encontres em tamanho labirinto e que a vida te pareça extensa noite, recorda que as estrelas reinam sobre as trevas e que, por mais espessas se mostrem as sombras noturnas, determinam as Leis de Deus que amanhã seja novo dia.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Inspiração. São Bernardo do Campo: GEEM)

“Espíritas em ação” e livro sobre Cairbar Schutel

“Espíritas em ação” e livro sobre Cairbar Schutel

A Sociedade Recreativa Matonense (Sorema) sediou no dia 4 de agosto, com início às 9 horas e término no início da noite, o evento “Espíritas em ação”, promovido pelas casas espíritas da cidade em parceria com a União das Sociedades Espíritas de Matão (USE Matão). O objetivo foi provocar reflexões em torno da necessidade de praticar a caridade, lutar pela paz e promover a união. O evento foi aberto com apresentação da dupla Maurício & Marcelo e da Orquestra Jovem de Matão, sob regência de Danilo Gomez. Anete Guimarães (Rio de Janeiro) e Elizabete Lacerda & Alex Gonçalves (Brasília) falaram no período da manhã. Ala Mitchell (Uberlândia) e Artur Valadares (São Carlos).Ao final, todos os expositores se reuniram no palco para participação em mesa-redonda coordenada pelo palestrante e escritor espírita Orson Peter Carrara, encerrando com maestria um dia de reflexões valiosas e muita interação. A Casa Editora O Clarim também esteve presente, ofertando livros de autoria de Cairbar Schutel, em razão das comemorações aos 150 anos de nascimento de seu patrono.

No mesmo espaço, promoveu o lançamento, com sessão de autógrafos, do livro O Som da Nova Era: O Clarim e seus maestros (Ed. O Clarim), de autoria do jornalista Cássio Leonardo Carrara, que se propõe a desvendar a história da editora, desde os tempos de Cairbar até a contemporaneidade, destacando também histórias de vidas e parcelas de contribuição à continuidade do trabalho de Cairbar Schutel, ativo há 113 anos. O novo livro também se insere nas comemorações dos 150 anos do nascimento de Schutel.

Informações:

https://www.oclarim.org/noticias/145/espiritas-em-acao.html

VALORIZAÇÃO DA VIDA – Nota da USE-SP

VALORIZAÇÃO DA VIDA – Nota da USE-SP

A sociedade brasileira está diante de um tema de muita gravidade. O Supremo Tribunal Federal, nos dias 3 e 6 de agosto, discutiu a ação ADPF 442 que trata da descriminalização completa do aborto até a 12ª semana de gestação.

É dolorido saber que mulheres, em momentos de muitas angústias e temores, procurem procedimentos abortivos que exponham sua vida a sérios riscos. Cala-nos fundo na alma pensar que há ali um coração feminino, com muitos sonhos e projetos para a vida, que sente a tristeza de vê-los frustrados. A mulher sofre em muitos casos porque o companheiro que deveria apoiá-la e ampará-la partiu ou sequer esteve verdadeiramente ao seu lado, nunca a olhou com carinho e decência. Em outros casos, sofre pelo temor da reação dos familiares e amigos, pela incompreensão e intolerância dos que convivem com ela.

Contudo, essa realidade não deve nos enregelar o coração para uma outra vida que também tem o direito de viver. Falamos aqui da criança em vias de formação. Caso o aborto dissesse respeito apenas à mulher, o papel das leis seria somente o de zelar pela integridade física e mental da mesma. No entanto, apoiados na ciência, sabemos que a questão envolve, sim, um outro ser, o embrião1, com código genético único, o que o torna um outro indivíduo e que por isso deve ter o direito à vida preservado. Sendo o abortamento2 um assassinato, a decisão por realizá-lo redunda em grave prejuízo a outrem.

Muito se fala sobre a laicidade do Estado. O Estado de fato não está comprometido com as crenças particulares de cada religião, porém, ele só pode existir em função de alguns valores fundamentais que permitem a vida em sociedade e o direito à vida é um deles.3 Sendo assim, a defesa da vida, além de uma concepção pessoal ou religiosa, é um pilar que sustenta a organização social.

Ao entendermos que junto à gestante há um outro ser que também tem direitos, somos obrigados a buscar caminhos mais adequados para o amparo à mulher, que não é a única responsável pelo abortamento. Esperamos dos homens que sejam mais conscientes de seu papel enquanto pais, no comprometimento com o cuidado dos filhos e com a mulher. Das autoridades, esperamos que trabalhem em projetos de educação sexual de viés mais ético e moral, trazendo valores como respeito ao próximo e discernimento perante a vida. A responsabilidade pelo abortamento é de todos.

Como espíritas, nosso dever é também olhar esse problema sob outro ponto de vista. O que sabemos verdadeiramente sobre a vida? Há dois milênios, um doutor de Israel, ao perguntar a Jesus sobre a necessidade de nascer de novo para alcançar o Reino de Deus, recebeu a seguinte resposta: “Tu és Mestre em Israel, e não sabes isto?”4. E hoje, alguns doutores modernos, representados nas figuras de médicos e cientistas, advogados e sociólogos, mesmo após o advento do Espiritismo, prosseguem duvidando da existência do Espírito. Em verdade duvidam se eles próprios existem.5

Nós, espíritas, não temos dúvidas porque as provas já se deram aos milhares em todas as partes do mundo, inclusive no Brasil. Nós, espíritas, não cremos, mas sabemos que o Espírito é imortal e que ele regressa para a existência terrena em um novo corpo. E quando Allan Kardec, na questão 358 de O Livro dos Espíritos, fez a pergunta aos Espíritos Superiores “constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?”, eles responderam: “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja,cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”6

Reforçamos aqui que a pergunta é clara e específica quando diz: “Em qualquer período da gestação”. Não importa se na 12ª semana ou em qualquer outro momento, o abortamento constitui um crime perante as Leis Divinas. A única exceção, capaz de justificar a interrupção do processo de retorno à vida corporal do ser, é apresentada na questão 359 de O Livro dos Espíritos, quando a mãe corre grave risco de morrer caso a gestação continue.

Em vista disso, trazemos uma reflexão sobre o papel do Centro e do movimento espírita diante desse quadro social, onde a discussão do aborto é apenas a ponta do iceberg, cujas dimensões estamos longe de contemplar. O aborto é consequência da ignorância humana no que se relaciona à realidade espiritual. É a resultante de uma sociedade materialista, carente de educação espiritual e por consequência, egoísta e sensual. Torna-se necessário um trabalho sério e de profundidade no estudo da Doutrina Espírita. É preciso trabalhar os fundamentos do Espiritismo com adultos, jovens e crianças.

Porém, ainda mais importante é estimular a reflexão sobre a nossa conduta moral nos relacionamentos afetivos a partir desses fundamentos. É relevante a missão dos Centros Espíritas nesse cenário social, esclarecendo quanto à importância da vida, na compreensão de quem somos, de onde viemos, para onde iremos e o porquê de estarmos aqui. Com a finalidade de que homens e mulheres saibam dos objetivos sagrados da vida, das consequências de suas ações na vida presente e nas futuras. Espíritas, não podemos nos eximir do nosso compromisso de esclarecimento espiritual da humanidade.

Dessa forma, relembramos a Missão dos Espíritas para encorajarmo-nos, mesmo quando a Verdade for desprezada e hostilizada pelo mundo:

“Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!”7

Diretoria Executiva da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo

Notas:

1) Por definição chama-se o concepto de embrião até a 10ª semana e a partir de então, chama-se de feto até o nascimento. A fim de conferir maior acessibilidade à nota, preferimos manter o texto em termos o menos técnico possível para o correto entendimento.

2) Abortamento: Ato de abortar. Aborto: embrião ou feto retirado após um abortamento

3) Art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil.

4) Evangelho de João 3:10.

5) Caminho Verdade e Vida, cap.111 – Orientadores do Mundo, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.

Extraído de:

http://www.usesp.org.br/Publicacoes/artigo/detalhe/289 

Descriminalizar o aborto no STF?

Descriminalizar o aborto no STF?

O direito à vida é cláusula pétrea da Constituição e cabe ao Congresso Nacional alterar/emendar a Constituição. Esta é a questão que tem gerado polêmica. O STF deveria remeter o processo ao Poder Legislativo. Mesmo assim, a Audiência Pública que o STF está realizando desde o dia 3 de agosto, deve contar com a atuação daqueles que defendem a vida em todas etapas, desde a concepção, e também os que questionam a pertinência do Poder Judiciário legislar desrespeitando o Poder Legislativo. E também vale a indagação: por que os impetrantes deram entrada no STF e não no Congresso Nacional? 

O exemplo da fonte

O exemplo da fonte

Um estudante da sabedoria, rogando ao seu instrutor lhe explicasse qual a melhor maneira de livrar-se do mal, foi por ele conduzido a uma fonte que deslizava, calma e cristalina, e, seguindo lhe o curso, observou:

- Veja o exemplo da fonte, que auxilia a todos, sem perguntar, e que nunca se detém até alcançar a grande comunhão com o oceano. Junto dela crescem as plantas de toda a sorte, e em suas águas dessedentam-se animais de todos os tipos e feitios.

Enquanto caminhavam, um pequeno atirou duas pedras a corrente e as águas as engoliram em silêncio, prosseguindo para diante. – Reparou? – disse o mentor amigo – a fonte não se insurgiu contra as pedradas.

Recebeu-as com paciência e seguiu trabalhando.

Mais à frente, viram grosso canal de esgoto arremessando detritos no corpo alvo das águas, mas a corrente absorvia o lodo escuro, sem reclamações, e avançava sempre.

O professor comentou para o aprendiz:

- A fonte não se revolta contra a lama que lhe atiram a face. Recolhe-a sem gritos e transforma-a em benefícios para a terra necessitada de adubo.

Adiante ainda, notaram que, enquanto andorinhas se banhavam, lépidas, feios sapos penetravam também a corrente e pareciam felizes em alegres mergulhos.

As águas amparavam a todos sem a mínima queixa.

O bondoso mentor indicou o lindo quadro ao discípulo e terminou:

- Assinalemos o exemplo da fonte e aprenderemos a libertar-nos de qualquer cativeiro, porque, em verdade, só aqueles que marcham para diante, com o trabalho que Deus lhes confia, sem se ligarem às sugestões do mal, conseguem vencer dignamente na vida, garantindo, em favor de todos, as alegrias do Bem Eterno.

Meimei

(Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Ideias e ilustrações. Cap. 21. FEB)

Candidato espírita ou espírita candidato?

Candidato espírita ou espírita candidato?

Marcos Milani (*)

Em ano eleitoral é comum encontrarmos aqueles que supõem que o rótulo religioso ateste a integridade e a competência do candidato. O movimento espírita não está livre desse discurso.

É possível ouvir, vez ou outra, alguém dizendo que “espírita vota em espírita”.

Será mesmo que esse é o critério adequado para identificarmos um “bom” candidato? Quais seriam as razões para acreditar, por exemplo, que um valoroso colaborador de um centro espírita seria um ótimo vereador ou deputado? Ao afirmar que conhece a seriedade do colega e, por isso, gostaria de vê-lo nas lides políticas, esse eleitor demonstra ter adotado o critério da proximidade e relação simpática com o candidato. Adicionalmente, poder-se-ia cogitar que, sendo espírita, esse candidato defenderia os princípios e valores doutrinários em sua função pública, assim como protegeria as instituições espíritas, os seus interesses e suas atividades. São argumentos compreensíveis, mas superficiais.

Sob a perspectiva daqueles que compartilham a mesma crença, naturalmente existe uma identificação com a postura moral, mas as semelhanças podem parar por aí se as propostas econômicas, políticas e sociais que o candidato abraçar forem diferentes daquelas que o eleitor acredita serem as mais adequadas.

Por exemplo, um candidato que se afirme espírita e que esteja filiado a um partido que possua uma agenda programática favorável ao aumento do déficit fiscal para financiar medidas populistas e que gerarão sérios danos à economia com reflexos diretos no aumento da inflação e pauperização da população no longo prazo seria um bom candidato? Não parece ser.

O programa do partido político que o candidato representa é muito importante e pode sinalizar muito mais sobre as propostas que ele realmente defende do que, simplesmente, afirmar-se espírita. Ao contrariar as diretrizes do partido, o filiado pode ser, inclusive, expulso.

No polarizado cenário político nacional, há espíritas em todas as trincheiras ideológicas. Inexiste uma posição partidária espírita e constitui-se uma agressão à liberdade individual a tentativa de se buscar um pensamento hegemônico eleitoral.

Fica claro, portanto, que não existe um candidato que represente o espiritismo nem os seus adeptos de maneira uniforme. Alguns militantes políticos, infiltrados nas fileiras espíritas, tentam impor convicções particulares pelo constrangimento. Chegam ao cúmulo de publicarem nas redes sociais mensagens como: “espírita que defende esse ou aquele candidato não é espírita”.

Supõem-se senhores da razão, desprezam a diversidade de opiniões e desrespeitam a liberdade de consciência. Ainda, de maneira maniqueísta, rotulam o espiritismo como se fosse de esquerda ou de direita, socialista ou liberal, isso ou aquilo. Pinçam trechos dos ensinamentos dos espíritos para os interpretarem por conveniência, como se houvesse um direcionamento doutrinário explícito ou implícito nesse sentido e os adeptos deveriam votar somente em candidatos que partilhassem dessas mesmas visões.

O Espiritismo não está preso na transitoriedade dos problemas locais e sua proposta repousa no aperfeiçoamento moral e intelectual do ser humano, sem receitas ou fórmulas programáticas sociais. A deterioração da situação econômica vivenciada no Brasil, fruto de políticas intervencionistas desastrosas com graves reflexos sociais durante a última década não se resolve pelo rótulo religioso.

Não somente o espírita, mas qualquer um, na condição de cidadão, tem a possibilidade de agir a favor da construção de uma sociedade melhor e uma das maneiras de participar desse processo é portar‑se, condignamente e com competência, em todas as atividades que desempenhar, seja na vida privada ou pública. Há candidatos que, porventura, se declaram espíritas e atraiam a simpatia de alguns adeptos, mas não existem candidatos dos espíritas e, muito menos, deve existir uma variação do voto de cabresto no movimento espírita.

(*) Marco Antonio Milani Filho é diretor do Departamento do Livro (Doutrina) da USE-SP e presidente da USE Regional de Campinas.

Extraído de:

Dirigente espírita, USE-SP. Ano 28. N.166. P. 11. São Paulo, julho-agosto de 2018.

O livro que nos faltava

O livro que nos faltava!

União dos Espíritas. Para onde vamos?

Samuel Cunha de Aguiar (*)

Deleitei-me nestes últimos dias na leitura leve e instigante da obra “União dos Espíritas – para onde vamos?” do autor Cesar Perri (SP), pela editora EME, e deparei-me com informações inolvidáveis e inadiáveis para reflexões profundas por parte daqueles que fazemos o Movimento Espírita.

De modo ético, verdadeiro, sem redundâncias e achismos, embasado na sua vasta caminhada pelo movimento espírita, Cesar Perri não se ocupa em atacar ou acusar, mas apresenta de forma lúcida e clara onde existem equívocos, defasagem e até mesmo caduquice (grifo meu) em concepções e práticas presentes no seio do movimento espírita, ou de instituições que o representam.

É um passeio por aspectos históricos, análises de pontos pouco trabalhados nas discussões espiritistas – quiçá até nos espaços onde isso dever-se-ia se dar – e também uma imersão nos valores que não podem se perder no movimento. De modo muito particular, o capítulo 6 da referida obra foi o que mais me impactou, especialmente o item 6.1 quando o digno autor aponta 14 pontos marcantes existentes nos mais diferentes cenários do movimento espírita, como que o extrato do pensamento de um espírita que possui, sem controvérsias, porque vem da base em seus primórdios, legitimidade para identificar, apontar, mensurar e propor.

Cesar Perri fundou mocidade espírita, Centro Espírita, presidiu União Espírita em esfera local e estadual, foi diretor e Presidente da Feb, atuou no Conselho Espírita Internacional e, como poucos, conhece o Brasil Espírita de ponta a ponta. Seu livro faz referência a 37 obras consultadas e resgata extraordinárias memórias pessoais. A cada capítulo lido um aprendizado e reflexão; e como não haveria de ser diferente, ao final da obra,

Cesar conclui seus raciocínios de modo brilhante, fazendo alusão a expressiva frase latina, a qual tentei aplicar a mim mesmo, e que não mais deixarei de pensar sobre e ainda propor a outros confrades que façam o mesmo: “Quo vadis?” (para onde vais?).

O livro culmina com uma sugestão atual e urgente: “A nosso ver, o movimento espírita deve manter propostas e ações – “Para onde vais” – que efetivamente visem facilitar-se a disseminação dos ensinos do “Espírito da verdade”, compreendendo que surgirão aflições, mas com o alerta de consolo e apoio do Mestre: ‘tenham ânimo! Eu venci o mundo’”.

(*) Presidente da União Municipal Espírita de Parnaíba (Piauí); um dos dirigentes do Centro Espírita Caridade e Fé, de Parnaíba (Piauí). Transcrito do Facebook, em 01/08/2018.