PERANTE A CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

PERANTE A CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

A Codificação Kardequiana orienta o homem para o “construir-se”, de dentro para fora.

Com semelhante afirmativa numerosas legendas repontam do plano individual, ampliando os distritos do mundo interior para a reestruturação da personalidade, ante o continuísmo da vida.

Edificação íntima, em cujo levantamento a criatura pode concluir de maneira instintiva: Deus é nosso Pai, mas a certeza disso não me exonera da responsabilidade de burilar-me, trabalhar e viver; moro presentemente na Terra, com a obrigação de compartilhar-lhe o progresso; entretanto, na essência, sou um espírito eterno, evoluindo na direção da Imortalidade; atravesso atualmente caminhos determinados pela lei da causa e efeito; contudo, já sei que desfruto o privilégio de renovar o próprio destino pelo uso sensato da liberdade de escolha; travo duras batalhas no campo externo, mas compreendo que a maior de todas elas é a que sustento, dia por dia, no campo íntimo, procurando a vitória sobre mim mesmo; possuo a família do coração; todavia em todos os seres da estrada, encontro irmãos verdadeiros, componentes da família maior a que todos pertencemos – a Humanidade; sofro desafios e obstáculos, nas vias planetárias, porém guardo a certeza de que a alegria imperecível é a meta que me cabe atingir; desilusões de provas me assaltam comumente a senda diária; no entanto, reconheço que preciso aceitá-las por lições valiosas, necessárias, aliás, à minha própria formação espiritual, na academia da experiência; o mundo por vezes passa por transições inesperadas e rudes, todavia, tenho a paz imutável, no âmago do ser; o tempo é a minha herança incorruptível; a morte ser-me-á simplesmente estreito corredor para o outro lado da vida.

Revela-nos Jesus que o Reino de Deus está dentro de nós, e Allan Kardec complementa-lhe a obra ensinando-nos a desentranhá-lo, através de ação e discernimento, serviço e amor, a fim de que o homem sublimado consiga sublimar a Terra para que a Terra, por fora e por dentro, se incorpore, em espírito e verdade, ao Reino dos Céus.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Doutrina de luz. São Bernardo do Campo: GEEM).

Chico Xavier se posicionou frente a alterações em obra de Kardec

Chico Xavier se posicionou frente a alterações em obra de Kardec

O médium Chico Xavier marcou uma posição firme em 1974. O livro Na hora do testemunho reúne mensagens, crônicas, poemas e cartas, que Herculano Pires e Chico Xavier escolheram, para deixarem documentadas suas posições, quanto à importância da defesa da obra de Kardec contra as tentativas de adulteração, que ocorrem dentro do próprio movimento espírita. Leitura obrigatória para os espíritas, previne-os contra a estagnação simplória na crença e a aceitação de “mentores” deste e do outro mundo, que por meios tipicamente farisaicos atrelam facilmente os ingênuos e os vaidosos ao carro fantasioso das suas pretensões. A obra Na hora do testemunho (editado pela Paideia), uma parceria de Herculano Pires com Chico Xavier, denuncia um triste incidente ocorrido no meio espírita brasileiro: a adulteração de O Evangelho segundo o Espiritismo, levada a efeito por uma editora, em julho de 1974.

No livro citado, destaca Herculano Pires: “O médium Francisco Cândido Xavier, apesar de sua costumeira isenção em polêmicas doutrinárias, acabou manifestando-se contra a adulteração e tomou posição firme e clara na defesa dos textos de Kardec. A maioria dos chamados líderes espíritas não se manifestou. A hora do testemunho provara mal, revelando a falta de convicção da maioria absoluta, e portanto esmagadora, do chamado movimento espírita brasileiro. Mas os resultados foram se manifestando mais tarde, com um crescente interesse do meio espírita pelas obras de Kardec em edições insuspeitas.”

Trecho de: Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano. Na hora do testemunho. 1. ed. São Paulo: Paidéia. 1974. 120p.

Abril Espírita

Abril Espírita

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Em muitos órgãos legislativos, municipais e estaduais, há comemorações em homenagem aos espíritas, em torno do dia 18 de abril. Multiplicam-se pelo país as semanas, meses espíritas, seminários e palestras.

A data de nascimento do Espiritismo é o dia 18 de abril, pois no ano de 1857, Allan Kardec publicou O livro dos espíritos, a obra inicial e fundamental da Doutrina dos Espíritos!

No ano seguinte, em abril de 1858, Allan Kardec funda o primeiro centro espírita do mundo: a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em abril de 1864, vem a lume a obra O evangelho segundo o espiritismo.

Saindo da esfera do Codificador, entre muitas efemérides, lembramos: 11/4/1900 – desencarnação de Bezerra de Menezes; 2/4/1910 – nascimento de Francisco Cândido Xavier; 12/4/1927 – desencarnação de Léon Denis. Apenas citando alguns homenageados em abril, já temos material extremamente farto para se pensar e planejar ações de difusão do Espiritismo e de estímulo à leitura.

E o dia 18 de abril costuma ser o balisador para as comemorações com eventos alusivos ao livro espírita!

As Obras Básicas de Kardec devem ser a base para o funcionamento das instituições espíritas.

Daí a oportunidade da Campanha Comece pelo Começo, instituída pela USE-SP desde 1975. Os livros de Léon Denis e seus exemplos de vida consubstanciam o epíteto de “continuador de Kardec”.

A história de vida de Bezerra de Menezes, seus livros como encarnado, e outros assinados pela psicografia de Chico Xavier são destacado repositório dignificando o bem.

Chico Xavier é um verdadeiro “divisor de águas” no movimento espírita brasileiro, com monumentais obras psicográficas e prolongada dedicação ao próximo, mantendo “fidelidade a Jesus e a Kardec”.

A nosso ver, as lembranças alusivas à fundação do primeiro centro espírita do mundo, devem se constituir em alavancas de estímulo ao compromisso de se divulgar e estudar as marcantes obras espíritas citadas.

O movimento espírita necessita revisitar as Obras Básicas e aquelas Complementares, mais clássicas e fundamentais, como vistas ao compromisso de se manter o rumo definido pelo Codificador.

O mês de Abril, com tantas efemérides significativas, deve ser um estímulo para o estudo, reflexões e a difusão espírita!

(*) – Foi presidente da USE-SP e da FEB.

Lançado “Apelo aos pais” em Campinas

Lançado "Apelo aos pais" em Campinas

Na manhã do dia 15 de abril, estava lotado o Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas. Estava sendo lançado o livro Apelo aos pais, pela Editora do Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas. A autora Clara Lila Gonzalez de Araújo, fez palestra sobre o conteúdo de seu livro. Este aborda assuntos como: pais e filhos, jovens, união conjugal, suicídio infantil, adoção, rejeição paterna, dinheiro e outros.

Entre os presentes, Antonio Cesar Perri de Carvalho, que escreveu o Prefácio, e sua esposa Célia Maria Rey de Carvalho, e, Luiz Cláudio da Silva, envolvido com a campanha do Evangelho no Lar. Clara Lila atendeu a uma grande fila de interessados em autógrafos. A autora, hoje colaboradora do CEAK, Perri e Célia foram companheiros de trabalho nos tempos de atuação na FEB.

Informações: www.allankardec.org.br;

Disponível também em formato digital: https://www.amazon.com.br/dp/B07BJK36LC/

Religiosidade, Espiritualidade e Saúde

Mesa Redonda: Religiosidade, Espiritualidade e Saúde

Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Auditório do CECH – Área Sul da UFSCar

18 abril de 2018, às 10h

A religiosidade é bem mais abrangente do que a religião, conforme assinalou no início do século XX o sociólogo alemão Georg Simmel, sendo algo que precede e vai além das convicções e instituições e religiosas. Já a espiritualidade vem sendo gradativamente abordada por pesquisadores de diferentes áreas, inclusive das ciências sociais, enquanto um atributo humano, a despeito da religiosidade. Tal reflexão e debate a respeito de espiritualidade se faz mais presente entre profissionais da área de saúde. Esta mesa propõe a discussão de algumas das principais questões que envolvem tais dimensões do indivíduo na sociedade contemporânea. Participantes: Prof. Dr. Rodrigo Toniol – Universidade de Utrecht (Holanda) / Unicamp; Prof. Dr. Jorge Leite Jr – PPGS/UFSCar; Prof. Dr. André Ricardo de Souza – PPGS/UFSCar

UFSCar – São Carlos-SP – Fone/Fax: (16) 3351.8673

www.ppgs.ufscar.br – Endereço eletrônico: ppgs@ufscar.br

Desencarnação de pesquisador britânico, estudioso de Chico Xavier

Desencarnação de pesquisador britânico, estudioso de Chico Xavier

 

Desencarnou dia 8 abril em Londres, o conhecido pesquisador britânico Guy Lyon Playfair (1935-2018). Viveu um longo período no Brasil desde 1961, no Rio de Janeiro e São Paulo, onde trabalhou como repórter free-lancer, fotógrafo e tradutor para diversas revistas americanas, britânicas e brasileiras, entre as quais a The Economist, Time, Associated Press, McGraw-Hill World News e outras. Em São Paulo, interessou-se pelas pesquisas de fenômenos de poltergeist, reencarnação e mediunidade, junto ao engenheiro e pesquisador Hernani Guimarães Andrade, no Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP).

Seus contatos com Arigó e Chico Xavier, estão relatados no seu livro “The Flying Cow” (1975). Este foi traduzido para o português e publicado pela Editora Record com o título “A Força Desconhecida”. O nome “The Flying Cow” foi usado por Playfair para mostrar, de forma descontraída, o espírito do povo brasileiro, acostumado a encarar com naturalidade fenômenos “sobrenaturais” que, em qualquer outra parte do mundo, seriam tidos como absurdos, como uma vaca voando, por exemplo. Em sua segunda obra, The Indefinite Boundary (1976), também registra as suas experiências com os fenômenos paranormais no Brasil. Playfair foi pesquisador da paranormalidade, como membro da Society for Psychical Research, de Londres, sendo autor de dezenas de livros e monografias.

Antonio Cesar Perri de Carvalho, levado por Elsa Rossi, visitou Guy Lyon Playfair, em sua residência em Londres, em maio de 2010. Na época ele concluía seu livro sobre Chico Xavier. Trata-se de “Chico Xavier – Medium of the Century” (Chico Xavier – o Médium do Século), editado pela Roundtable Publishing (Londres), com suas apreciações sobre o médium brasileiro. Livro lançado durante as comemorações do Centenário de Chico Xavier.

“O evangelho segundo o espiritismo” – Capítulo 1

Estudo de “O evangelho segundo o espiritismo” – Capítulo 1 (Item 1 – Mateus, 5:17-18)

Descrição: Estudo realizado no CCDPE, em São Paulo, por Flávio Rey de Carvalho em 9 de março de 2018, tendo como objetivo fornecer uma interpretação sobre: (1) o ensino moral de Jesus contido na referida passagem extraída do evangelho de Mateus, (2) a sua concordância com o espiritismo e (3) a sua aplicação às circunstâncias da vida. Tais critérios se encontram delimitados por Allan Kardec em “O evangelho segundo o espiritismo”.

VIGIEMOS

VIGIEMOS

Espíritas!

Realmente a vós outros, servidores do Senhor no Evangelho Restaurado, muito se pedirá no amanhã pelo muito que recolheis no hoje de serviço.

Cultivai o campo da verdade, orientando-vos pelo amor puro e simples.

A gleba dos corações humanos espera, sobretudo, por vosso exemplo, a fim de submeter-se ao arado do Divino Cultivador.

Não façais da responsabilidade que vos honra a existência, trilho de acesso ao personalismo estreito de quantos se confinam à dominação do próprio egoísmo e à exaltação do próprio orgulho.

Não olvideis que a cisânia é venenoso escalracho, sufocando-vos as melhores promessas, e de que os melindres pessoais são vermes devoradores, destruindo-vos a confiança e a caridade nascentes.

Usai a charrua da fraternidade e do sacrifício no amanho da Terra Espiritual que o Senhor vos confia, atentos ao desempenho dos próprios deveres, sem azedume e sem crítica, à frente daqueles que vos def rontam a marcha, de vez que o fel do escárnio e o vinagre da ironia constituem, por si, o fermento da discórdia, em cujo torvelinho de sombras todas as esperanças da Boa Nova sucumbem, esquecidas e aniquiladas.

O suor no dever retamente cumprido vacinar-nos-á contra todas as campanhas de crueldade e ridículo e a humildade com a tolerância construtiva ser-vos-á divina força, assegurando-nos o serviço e renovando-nos a fé.

Lembremo-nos do Cristo e sigamos para frente!

É indispensável esquecer o mal, amparando-lhe as vítimas, para que o mal não nos aprisione em seu visco de sombra.

E, amando e servindo, auxiliando e compreendendo, estaremos na companhia do Mestre que, ainda mesmo no martírio e na Cruz, refletia consigo a Luz Excelsa de Deus, em constante alegria e em perene ressurreição.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Doutrina de luz. São Bernardo do Campo: GEEM)

Comemorações sobre Chico Xavier

Comemorações sobre Chico Xavier

O dia 2 de abril, a data de nascimento de Chico Xavier, foi comemorado em vários locais.

No Centro Espírita União, em São Paulo, houve com entrevista no dia 2 com Nena Galves, dirigente da Casa e anfitriã de Chico em S.Paulo, gravada para TV; e no dia 9, ocorreu palestra com Antonio Cesar Perri de Carvalho. Ambos autografaram livros de suas autorias.

Em Pedro Leopoldo (MG), terra natal de Chico Xavier, a Fundação Chico Xavier lançou o vídeo: roteiro "Caminhos de Luz Chico Xavier", que tem o objetivo de recuperar, preservar e divulgar os locais historicamente mais significativos na vida de Chico Xavier naquela cidade. Aquela cidade também homenageou seu cidadão ilustre, disponibilizando dois telefones em ruas. Ele toca e ao atenderem há uma gravação de Chico Xavier lendo um de suas mensagens psicográficas. (http://grupochicoxavier.com.br/mensagem-de-chico-xavier-em-telefone/; http://grupochicoxavier.com.br/caminhos-de-chico-xavier-em-pedro-leopoldo/)

No Grupo Espírita Batuíra, em São Paulo, dentro da programação do XII Ciclo de Palestras Espíritas. À tarde houve apresentação de Oceano Vieira de Melo sobre o tema: "Chico Xavier: Caso Humberto de Campos". À noite, houve palestra de Antonio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da FEB e da USE-SP, sobre o tema "O papel dos romances históricos de Emmanuel", houve apresentação da pianista Elisa Corazza Galassi. Ocorreram autógrafos dos livros dos expositores.

A União Municipal Espírita de Parnaíba (Pi) promoveu a XVII Semana Espírita Chico Xavier, com palestras nos dias 2 até 7 de abril, em rodízio pelos centros espíritas, encerrando no auditório da UESPI.

A USE Intermunicipal de Franca promoveu uma semana de palestras. A USE Intermunicipal de Itapeva concluiu sua programação em homenagem a Chico Xavier no dia 8 de abril, com palestras por Wagner Tadeu Dias e Allan Vilches, no Serviço Assistencial Espírita Dona Lurdinha, em Itapeva (SP).

Médiuns e mediunidades

Médiuns e mediunidades

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

 

Nas primeiras décadas do século XX Cairbar Schutel (1868-1938) foi um marco como grande divulgador do Espiritismo a partir do Centro Espírita Amantes da Pobreza e da Editora O Clarim, em Matão: assistência aos necessitados, palestras, polêmicas, jornal, revista, livros e programas radiofônicos.

Nos idos de Cairbar Schutel lançou seu livro Médiuns e mediunidades 1923. A mais recente edição, a décima primeira, conta com 133 páginas.

Ao longo do tempo, cremos que essa obra tenha cumprindo um papel importante junto aos leitores principiantes em assuntos espíritas e aqueles que precisam de abordagens mais simples e diretas. Schutel define claramente que se propôs fazer uma síntese de O livro dos médiuns, de Allan Kardec.

Oportuna sua colocação: “Dirigimo-nos aos humildes e simples, ‘os que sabem que não sabem’ e precisam aprender, os que querem se conhecer, os que anseiam por uma solução categórica do problema da imortalidade e da vida futura.” Reafirma seu escopo: “auxiliar o estudante nos primeiros passos no vasto campo das manifestações espíritas”.

Dessa maneira, Schutel aborda em capítulos curtos a essência dos ítens da obra que o Codificador considerou como o “guia dos médiuns e dos evocadores”. A definição de médium: “uma criatura humana, seja homem ou mulher, velho ou moço, que tem aptidões físicas e cujo corpo carnal é suscetível de sofrer a influência de outra criança, ou a de um Espírito”, é trabalhada também com várias citações ao “Doutor das Gentes”, como ele referiu ao apóstolo Paulo.

Surgem comentários oportunos e interessantes sobre os trechos da 1ª Epístola aos Coríntios, a respeito da diversidade de dons. Anota Cairbar: “[Paulo] todos procurarem os melhores dons, vale dizer, mediunidades, e aponta o caminho mais excelente para sejam bons os resultados experimentais. É assim que, depois de um eloquente discurso sobre a Caridade, faz realçar esta virtude em sua forma mais espiritualizada, ou seja, caracterizada por benevolência, tolerância, humildade, paciência, perseverança, condições estas de que devem se revestir os médiuns.”

A prática e as finalidades da mediunidade são focalizadas em várias partes do livro.

O autor ressalta que “a prática das virtudes é um excelente preservativo contra a influência dos espíritos inferiores”. Destaca que “o Evangelho é o fundamento sobre o qual se assentam as obras de Allan Kardec, ou seja, a grande, a incomparável filosofia Espírita”. Os vários tipos de mediunidades abordados na Obra Básica de Kardec merecem capítulos com observações e recomendações objetivas. Mas, também elaborou capítulos que permitem uma visão de conjunto fazendo abordagens sobre as manifestações dos espíritos através dos séculos, e também um resumo sobre o ensino dos espíritos.

Um fato histórico, pouco lembrado na atualidade, é que Cairbar Schutel se dedicou também a algumas experiências, as chamadas sessões de mesinha, ou das mesas girantes. Nestas condições obteve inclusive a identificação de espíritos ligados ao seu grupo de trabalho.

Opina que “a abstenção do estudo e da experimentação de um fenômeno, sob pretexto de perigo, não é consentânea com a razão, nem com a Ciência, como também é um entrave à lei do progresso e da Verdade”. Em vários capítulos faz referência à questão da identificação de espíritos comunicantes, destacando “o dom do discernimento dos Espíritos, que também é uma das formas de mediunidade, segundo afirma o Apóstolo Paulo, em sua Epístola aos Coríntios” e cita o evangelista João: “não creais em todo Espírito…”

Na sua Conclusão, Schutel transcreve mensagem de Vicente de Paulo direcionada a Kardec, de onde destacamos trechos: “O mundo material e espiritual que conheceis tão pouco ainda, formam como que duas conchas da balança perpétua […] chegar-se a Deus, amar, unir-se e seguir pacificamente o caminho cujos marcos se vêm com olhos da Fé e da Consciência”. Cairbar Schutel reverencia o Codificador: “A obra de Allan Kardec é inexcedível. De fato, de todos os Espíritos que têm vindo à Terra, ele é o verdadeiro mensageiro de Jesus, sob cuja direção agiu”; “julgamos a Codificação dos ensinos Espíritas o mais grandioso, o mais admirável fato do Poder Espiritual, da verdade do Espírito Imortal”.

E faz uma recomendação expressa: “Para a boa direção dos núcleos espalhados hoje por todas as cidades e vilas do Brasil, é indispensável que os seus fundadores se submetam aos Princípios Kardecistas, que constituem os fundamentos da Doutrina”.

O livro Médiuns e mediunidades teve um importante papel na época em que foi lançado e entendemos que, pelas abordagens diretas e objetivas para sintetizar, encontra-se atual e cabível em nossos dias. Em nossos tempos há necessidade de livros espíritas mais direcionados para o público-alvo das preocupações de Cairbar Schutel: os humildes e simples.

(*) – O autor foi presidente da FEB, da USE-SP e membro da Comissão Executiva do CEI.

De: Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIII – no. 3. Abril de 2018. P.138-139.