Charles Kempf fala sobre inéditas “Cartas de Kardec para a esposa Amélie”

Charles Kempf fala sobre inéditas "Cartas de Kardec para a esposa Amélie"

Palestra de Charles Kempf "Cartas de Allan Kardec a esposa Amélie Boudet", proferida em comemoração aos 118 anos do Centro Espirita Perdão, Amor e Caridade em Itapira (Estado de São Paulo), realizada no dia 27 de março de 2019. Charles Kempf foi secretário geral do Conselho Espírita Internacional e é dirigente da Federação Espírita Francesa.

ACESSE:

https://youtu.be/bLjcigoS2Wg

Lançamento em Belo Horizonte de livro sobre família de Chico

Lançamento em Belo Horizonte de livro sobre família de Chico

O livro Chico Xavier – do calvário à redenção (Ed. EME)de autoria Carlos Alberto Braga Costa, será lançado no dia 25 de maio (sábado), às 17 horas, na Livraria Leitura no BH Shopping, em Belo Horizonte. O autor estará autografando o novo livro. Carlos Alberto é dirigente da Fraternidade de Estudos Espíritas Allan Kardec, da mesma cidade.

Nos cinemas o filme Kardec

Nos cinemas o filme Kardec

O filme “Kardec”, distribuído pela Sony, chegou aos cinemas no dia 16 de maio, simultaneamente em várias capitais brasileiras. Dirigido por Wagner de Assis (do filme Nosso Lar), o professor Rivail, interpretado por Leonardo Medeiros, tenta entender as mensagens do além, que recebe através de diferentes médiuns. Cético, ele investiga os mistérios ocorrendo em Paris, durante o século XIX, até assumir o pseudônimo Allan Kardec, após codificar o espiritismo. A cinebiografia sobre o Codificador do Espiritismo ainda conta com o talento de Sandra Corveloni, Guilherme Piva, Genézio de Barros, Guida Vianna, Julia Konrad e Dalton Vigh. Baseado na biografia escrita por Marcel Souto Maior, “Kardec” conta a história do educador francês Hyppolite Leon Denizard Rivail, conhecido mais tarde como Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita.

Sessão no Senado homenageia Kardec

Sessão no Senado homenageia Kardec

Na manhã do dia 13 de maio houve uma Sessão Especial no plenário do Senado Federal para homenagear os 150 anos da desencarnação de Allan Kardec, por proposição do senador Luiz Eduardo Girão (do Ceará), que presidiu o evento. Além do senador proponente, fizeram rápidas palestras como convidados: Luiz Carlos Bassuma, Nazareno Feitosa, Jack Darsa e Haroldo Dutra Dias, tendo havido também saudações: senador Nelsinho Trad (MS), Olga Maia Freire, Jorge Godinho e Célia Diniz. No final de março o senador Girão fez palestra em auditório da Assembleia Legislativa de São Paulo a convite do grupo espíritas na política.

Nutrição espiritual

Nutrição espiritual

“Bom é que o coração se fortifique com graça e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram.” Paulo (Hebreus, 13:9)

Há vícios de nutrição da alma, tanto quanto existem na alimentação do corpo.

Muitas pessoas trocam a água pura pelas bebidas excitantes, qual ocorre a muita gente que prefere lidar com a ilusão perniciosa, em se tratando dos problemas espirituais.

O alimento do coração, para ser efetivo na vida eterna, há de basear­-se nas realidades simples do caminho evolutivo.

É imprescindível estejamos fortificados com os valores iluminativos, sem atender aos deslumbramentos da fantasia que procede do exterior.

E justamente na estrada religiosa é que semelhante esforço exige mais amplo aprimoramento.

O crente, de maneira geral, está sempre sequioso de situações que lhe atendam aos caprichos nocivos, quanto o gastrônomo anseia pelos pratos exóticos; entretanto, da mesma sorte que os prazeres da mesa em nada aproveitam nas atividades essenciais, as sensações empolgantes da zona fenomênica se tornam inúteis ao espírito, quando este não possui recursos interiores suficientes para compreender as finalidades. Inúmeros aprendizes guardam a experiência religiosa, que lhes diz respeito, por questão puramente intelectual. Imperioso, porém, é reconhecer que o alimento da alma para fixar­-se, em definitivo, reclama o coração sinceramente interessado nas verdades divinas. Quando um homem se coloca nessa posição íntima, fortifica­-se realmente para a sublimação, porque reconhece tanto material de trabalho digno, em torno dos próprios passos, que qualquer sensação transitória, para ele, passa a localizar­-se nos últimos degraus do caminho.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 134. FEB)

Kardec no foco das câmeras

Kardec no foco das câmeras

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Chegou aos cinemas no dia 16 de maio o filme “Kardec”!

Com muita satisfação assistimos em tela de cinema o longa metragem “Kardec” e que precisa ser visto, começando pelos espíritas como ensejo para análises e reflexões oportunas sobre as relações com os fenômenos e com médiuns. Trata-se um filme sério, sem arroubos e com poucas “licenças cinematográficas”. Focaliza um momento crucial da mudança do prof. Rivail para Allan Kardec, e com pitadas bem humanas dele e de sua esposa Amélie Boudet, procurando superar as dificuldades e as dúvidas.

O filme mostra o professor Rivail, retratando algumas de suas ideias como educador e que, em seguida tenta entender as mensagens do além, que recebe através de diferentes médiuns. Cético, durante o século XIX, ele investiga os mistérios ocorrendo em Paris, procurando estabelecer um método para analisar os fenômenos, até se convencer da comunicabilidade dos espíritos e de assumir o pseudônimo Allan Kardec, com a publicação de O livro dos espíritos. Na realidade o filme registra uma parte inicial da trajetória do Codificador, desde os contatos com as “mesas girantes” até o aparecimento de O livro dos médiuns e o “Auto de Fé de Barcelona”, em 1861.

O filme tem grande qualidade técnica, com cenas e vestimentas aclimatadas ao glamour de Paris do Século XIX.

Baseia-se na excelente obra Kardec – a biografia escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior (Editora Record, 2013), que conta a história do educador francês Hyppolite Léon Denizard Rivail e de sua atuação como Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita.

De matéria jornalística elucidativa e até didática de Fabiana Schiavon da Folha de São Paulo (São Paulo, 16/5/2019), destacamos a apreciação do autor do livro Marcel Souto Maior: “a história do longa levanta dois pontos relevantes sobre Kardec. A primeira se refere sobre o que faz um professor cético mudar de nome e de vida aos 53 anos para dar voz aos espíritos. O segundo momento é narração sobre a perseguição sofrida pelo escritor, dos adversários que ele teve de enfrentar, como a ciência, a igreja e a imprensa.” Na matéria citada o diretor Wagner Assis, que também foi diretor do filme “Nosso Lar”, comenta que “O filme apresenta um Kardec pouco conhecido e que é comumente visto como um médium ou homem místico, e dá o contexto do momento em que tudo isso aconteceu” e “a abordagem é mais do ser humano que o Codificador viveu”.

A cinebiografia sobre o Codificador tem o papel principal interpretado por Leonardo Medeiros e conta com o talento de bons atores: Sandra Corveloni, Guilherme Piva, Genézio de Barros, Guida Vianna, Júlia Konrad e Dalton Vigh. O filme “Kardec” é distribuído pela Sony.

Esperamos que o filme de boa qualidade técnica e de conteúdo sério e oportuno ao ser exibido em cinemas das várias regiões do país possa sensibilizar expectadores não espíritas e ratificamos registro da jornalista da Folha: “A expectativa dos produtores e de espíritas é que o filme alcance também o público cético. É importante que as pessoas saibam como começou a história do espiritismo e o fato de que Kardec começou esse trabalho já na fase madura dele e com uma formação acadêmica sólida.”

Como adendo informamos que se encontra em finalização de edição um outro trabalho cinematográfico focalizando o Codificador. Trata-se de “Em busca de Kardec”, numa modalidade diferente, de série e documental, produzido pela Lighthouse.

Os 150 anos da desencarnação de Allan Kardec estão sendo bem assinalados dentro e fora do movimento espírita!

(* – Ex-presidente da USE-SP e da FEB; ex-membro da Comissão Executiva do CEI). 

Chico Xavier – do calvário à redenção

Resenha

Chico Xavier – do calvário à redenção

O livro Chico Xavier – do calvário à redenção, de autoria de Carlos Alberto Braga Costa, foi lançado pela Editora EME. Conta com prefácio de Antonio Cesar Perri de Carvalho.

A nova obra resgata fatos ligados à família de Chico Xavier e traz muitas ilustrações.

A principal fonte para fornecimento de documentos, fotos e relatos para esse livro é Sidália Xavier Silva, sobrinha de Chico Xavier, filha de Maria da Conceição Xavier e de Jacy Pena. Sidália reside em Sabará (MG) e é dirigente de instituições espíritas fundadas por seus pais e prestigiada pelo tio Chico Xavier. A personagem central é Maria da Conceição Xavier, justamente a irmã que foi protagonista de situações que levaram o então jovem Chico Xavier a conhecer a Doutrina Espírita nos idos de maio de 1927.

Com respeito e ponderação o autor analisa as questões criadas pelo sobrinho de Chico, o Amaury Pena, filho de Maria. Com base em fontes fidedignas, Carlos Alberto Braga Costa focaliza os esforços na causa do bem empreendidos por Maria da Conceição. O autor resgata importantes episódios históricos – a grande maioria inéditos – sobre a relação de Chico Xavier com seus familiares, em Pedro Leopoldo e em Uberaba.

Surgem dados históricos relacionados não apenas com a família Xavier, mas com atividades espíritas principalmente de Pedro Leopoldo e de Sabará. E, sem dúvida, contribui com importantes informações para os registros da história do movimento espírita brasileiro.

Sidália faz juz ao comentário do autor: “Guerreira do bem, como lhe ensinou sua mãe Maria Xavier. Dedicou toda a sua reencarnação em prol do Espiritismo na cidade de Sabará. Se não fosse sua memória privilegiada, não seria possível trazer a lume os fatos. Ela soube como poucos trazer de volta uma história bela, forte, pródiga de ensinamentos, e abundante de revelações sobre a realidade do Espírito imortal.”

O autor, residente em Belo Horizonte é dirigente da Fraternidade de Estudos Espíritas Allan Kardec. No passado também lançou a obra Chico, diálogos e recordações…, pela Casa Editora O Clarim.

(Costa, Carlos Alberto Braga. Chico Xavier – do calvário à redenção. 1.ed. Capivari: Ed. EME, 2019. 272p.)

Informações:

www.editoraeme.com.br

Concílios: significados e a visão espírita

Concílios: significados e a visão espírita

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Concílios são assembleias de autoridades eclesiásticas com o objetivo de discutir e deliberar sobre questões pastorais, de doutrina, fé e costumes. Os concílios nacionais e regionais envolvem o episcopado da área abrangida e os concílios ecumênicos são convocados pelo Papa e têm representação internacional; apenas 21 foram efetivados com estas características.1

Referido em Atos dos Apóstolos (15, 1-23) e por Paulo na Epístola aos Gálatas (2, 1-10), o concílio de Jerusalém é considerado o primeiro de todos os tempos. Os apóstolos se reuniram para tratar sobre a polêmica entre os judaizantes (judeus convertidos) e os gentios (não-judeus convertidos): ao se converterem ao cristianismo, os gentios teriam que adotar práticas da Lei Mosaica como a circuncisão? Foi convocado por Pedro e Tiago; Paulo teve importante posição não judaizante. Após a reunião, Pedro ficou em Jerusalém; Paulo, Barnabé, Judas (Barsabás) e Silas seguiram para Antioquia.1

Nos primeiros séculos ocorreram vários Concílios regionais, até para tratar das chamadas heresias, com punições a lideranças pioneiras como: Orígenes, Ário e Eusébio de Cesareia.2,3

O primeiro Concílio Ecumênico (ou universal) ocorreu em Niceia (atual Iznik, Turquia), convocado e acompanhado pelo imperador Constantino e presidido pelo bispo Ósio de Córdoba. Constantino foi instado pelos bispos para promover tal evento, objetivando-se a pacificação geral e a organização da Igreja, que já se tornara uma instituição de apoio ao Império Romano. A sessão de abertura no dia 20 de maio de 325, no palácio imperial de Niceia, foi presidida por Constantino. Este tinha o direito de intervir na assembleia e exerceu papel destacado até sua conclusão no dia 25 de julho, seguindo-se as celebrações pelos 25 anos de seu reinado. Foram rejeitadas as propostas de Ário sobre a natureza de Jesus, contrárias à “doutrina da Trindade” e julgaram encerradas as crises que perturbavam a paz eclesial. Surgiu a estrutura do governo eclesiástico, institucionalizando-se a Igreja Católica Apostólica Romana. Constantino conferiu validade de leis do Estado às decisões do Concílio. Compareceram 318 pessoas: bispos, diáconos e acólitos (auxiliar do diácono).1,2,3

Eusébio de Cesareia foi reabilitado, mantendo-se equidistante dos contendores Ário e Atanásio, mas após o Concílio voltou a apoiar Ário.1,2,3

O Cristianismo se expandiu nos Séculos III e IV, destacando-se em Alexandria, Antioquia e Roma, e depois Jerusalém e Constantinopla.3

Surge a tese do primado jurisdicional da Igreja de Roma. Alguns apontam Jerônimo (347-420) pela ideia, mas outros contestam pois este colocava o bispo de Roma em patamar de honra e autoridade na Igreja, sem estar acima dos demais.1

A propósito são oportunas as considerações de Emmanuel: “A igreja de Roma, que antes da criação oficial do Papado considerava-se a eleita de Jesus, ao arvorar-se em detentora das ordenações de Pedro, não perdia ensejos de firmar a sua injustificável primazia junto às suas congêneres de Antioquia, de Alexandria e dos demais grandes centros da época. Herdando os costumes romanos e suas disposições multisseculares, procurou um acordo com as doutrinas consideradas pagãs, pela posteridade, modificando as tradições puramente cristãs, adaptando textos, improvisando novidades injustificáveis e organizando, finalmente, o Catolicismo sobre os escombros da doutrina deturpada. […] Os primeiros dogmas Católicos saem, com força de lei, desse parlamento eclesiástico de 325. […] A união com o Estado era motivo para grandes espetáculos de riqueza e vaidade orgulhosa, em contraposição com os ensinos d'Aquele que não possuía uma pedra para repousar a cabeça dolorida.”4

Iniciam-se os concílios com “a inspiração de Deus para as conclusões de intermináveis debates. Não obstante, era evidente a presença de mandatários da política mundana forçando a vitória dos seus pontos de vista, das decisões de interesse dos mandatários políticos. […] o Reino de Deus, anunciado por Jesus, desaparecia do horizonte terreno”.5

O imperador Teodósio no 1º Concílio de Constantinopla (381 d.C.) fortaleceu a proposta que o bispo de Constantinopla teria primazia de honra após o bispo de Roma. No 2º Concílio de Constantinopla (553 d.C.), o imperador Justiniano e sua esposa Teodora decidiram proibir a crença na reencarnação pois a ideia de inferno eterno seria mais forte para se forçar as conversões.

Num salto temporal focalizamos o Grande Cisma do Ocidente ou Cisma Papal, a profunda crise da Igreja Católica (1378 a 1417). Preliminarmente, entre 1309 e 1377, o papado foi mudado para Avignon (França), sendo o Papa Clemente V levado forçadamente pelo rei francês Felipe IV. Seguiram-se pressões para que o papado retornasse a Roma e surgiram três pontífices simultâneos: Bento XIII (Avignon), Gregório XII (Roma) e o anti papa João XXII ou XXIII para alguns (Pisa).1 No auge da instabilidade religiosa e política da Igreja foi convocado o Concílio de Constança (1414-1418) com apoio de reinos e impérios, para solucionar a crise do papado. Em 1417 foram destituídos os três papas e foi eleito Martinho V, findando o Grande Cisma do Ocidente e retornando a sede do pontificado para Roma.1 Esta foi “a maior e mais relevante assembleia da baixa Idade Média”1. Ali foi condenado e sacrificado Jan Huss (1415), precursor do movimento reformista.

Com mais crises e como reação ao crescente movimento da Reforma, surge o Concílio de Trento (1545-1563), o mais prolongado da história da Igreja Católica, ao longo de cinco papados, e o que emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformas: criou o Index Librorum Prohibitorum; reorganizou a Inquisição; melhorou grau de eficiência dos papas: igreja romana e clerical; orientou os fervores populares; iniciou os tempos modernos com o catecismo e os pastores; na visão da Igreja, produziu resultados benéficos, duradouros e profundos sobre a fé e a disciplina.1

Com outro salto, chegamos ao Concílio Vaticano I (1869-1870), liderado por Pio IX, extremamente conservador e que combateu a Maçonaria, Espiritismo e muitos movimentos políticos. As posições defensivas não foram superadas porque o Papa se fixava nos “adversários de Deus” e que “tudo querem subverter”, gerando cisões, e alguns saíram antes de terminar. Superou o eurocentrismo e é considerado um evento de passagem entre os Concílios de Trento e o Vaticano II.1 Em 1870 Pio IX edita o decreto da infalibilidade papal, que assinalou a decadência e a ausência de autoridade do Vaticano, face a evolução científica, filosófica e religiosa da Humanidade.

O último Concílio, Vaticano II (1962-1965), convocado por João XXIII e concluído por Paulo VI, definiu novos rumos, com ênfase pastoral, sem imposição de normas rígidas e sanções disciplinares; reavivou o retorno às fontes primeiras do Cristianismo; surgiu a expressão e ação conhecida como “ecumenismo”.1

Para concluirmos essa síntese sobre alguns concílios cabem algumas reflexões espíritas. Deve-se evitar paixões e reprimendas, distanciando-se coma a compreensão da atualidade, do julgamento de episódios passados. Como espíritos reencarnados, é importante lembrarmos a origem humana das deturpações do cristianismo.2 Sobre isto considera Schutel: “[…] de conformidade com a parábola que lembra os maus obreiros que a devastam, nota-se que da semente lançada pelo Senhor, nenhuma se perdeu, e, a despeito do mau, trata dos servidores de que resultou o quase aniquilamento das vinhas…”6

Como reflexão para o movimento espírita, além das considerações de Emmanuel já transcritas, recorremos ao Codificador: "O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas“.7

Referências:

1) Alberigo, Giuseppe (Org.). Trad. Almeida, José Maria. História dos concílios ecumênicos. São Paulo: Paulus.

2) Eusébio de Cesareia. Trad. Monjas do Mosteiro de Maria de Cristo. História eclesiástica. Coleção Patrística vol. 15. São Paulo: Paulus.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. Matão: O Clarim.

4) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. A caminho da luz. Brasília: FEB.

5) Pires, José Herculano. Revisão do cristianismo. Cap.9. São Paulo: Paideia.

6) Schutel, Cairbar. O espírito do cristianismo. Cap. Prefácio. Matão: O Clarim.

7) Kardec, Allan. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868.

Nota da Redação: Antipapa é aquele que reclama o título de Papa e é elevado ao papado por trâmites não canônicos, em oposição a um Papa legitimamente eleito, ou durante algum período em que o título esteja vago.

(*) Ex-presidente da USE-SP e da FEB; ex-membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional.

***

Os 21 concílios ecumênicos da história da Igreja:

1. Niceia I – 20/5 a 25/7 de 325 Papa: Silvestre I (314-335)

2. Constantinopla I – maio a junho de 381 Papa: Dâmaso I (366-384)

3. Éfeso – 22/6 a 17/7 de 431 Papa: Celestino I (422-432)

4. Caledônia – 08/10 a 1/11 de 451 Papa: Leão I, O Grande (440-461)

5. Constantinopla II – 05/5 a 2/7 de 553 Papa: Virgílio (537-555)

6. Constantinopla III – 07/11 de 680 a 16/9 de 681 Papas: Ágato (678-681) e Leão II (682-683)

7. Niceia II – 24/9 a 23/10 de 787 Papa: Adriano I (772-795)

8. Constantinopla IV – 05/10 de 869 a 28/2 de 870 Papas: Nicolau I (858-867) e Adriano II (867-872)

9. Latrão I -18/3 a 06/4 de 1123 Papa: Calixto II (1119-1124)

10. Latrão II – abril de 1139 Papa: Inocêncio II (1130-1143)

11. Latrão III – 5 a 19 de março de 1179 Papa: Alexandre III (1159-1181)

12. Latrão IV – 11 a 30 de novembro de 1215 Papa: Inocêncio III (1198-1216)

13. Lyon I – 28/6 a 17/7 de 1245 Papa: Inocêncio IV (1243-1254)

14. Lyon II – 07/5 a 17/7 de 1274 Papa: Gregório X (1271-1276)

15. Vienne (França) – 16/10 de 1311 a 6/5 de 1312 Papa: Clemente V (1305-1314)

16. Constança – 5/11 de 1414 a 22/4 de 1418 Papas: situação de vários antipapas

17. Basileia-Ferrara-Florença – 1431-1445 Papa: Eugênio IV (1431-1447)

18. Latrão V – 10/5/1512 a 16/3/1517 Papas: Júlio II (1503-1413) e Leão X (1513-1521)

19. Trento – 13/12/1545 a 4/12/1563 (em três períodos) Papas: Paulo II (1534-1549); Júlio III (1550-1555) e Pio IV (1559-1565)

20. Vaticano I – 8/12/1869 a 18/7/1870 Papa: Pio IX (1846-1878)

21. Vaticano II – 11/10/1962 a 07/12/1965 Papas: João XXIII (1958-1963) e Paulo VI (1963-1978)

Extraído de: Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIV. N. 4. Maio de 2019. P. 200-202.

A desgraça real

A desgraça real

Toda a gente fala da desgraça, toda a gente já a sentiu e julga conhecer-lhe o caráter múltiplo. Venho eu dizer-vos que quase toda a gente se engana e que a desgraça real não é, absolutamente, o que os homens, isto é, os desgraçados, o supõem.

Eles a veem na miséria, no fogão sem lume, no credor que ameaça, no berço de que o anjo sorridente desapareceu, nas lágrimas, no féretro que se acompanha de cabeça descoberta e com o coração despedaçado, na angústia da traição, na desnudação do orgulho que desejara envolver-se em púrpura e mal oculta a sua nudez sob os andrajos da vaidade. A tudo isso e a muitas coisas mais se dá o nome de desgraça, na linguagem humana. Sim, é desgraça para os que só veem o presente; a verdadeira desgraça, porém, está nas consequências de um fato, mais do que no próprio fato.

Dizei-me se um acontecimento, considerado ditoso na ocasião, mas que acarreta consequências funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa viva contrariedade e acaba produzindo o bem. Dizei-me se a tempestade que vos arranca as árvores, mas que saneia o ar, dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade. Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as consequências. Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as consequências se fazem sentir.

Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura. Vou revelar-vos a infelicidade sob uma nova forma, sob a forma bela e florida que acolheis e desejais com todas as veras de vossas almas iludidas. A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que ardentemente procurais conseguir.

Esperai, vós que chorais! Tremei, vós que rides, pois que o vosso corpo está satisfeito! A Deus não se engana; não se foge ao destino; e as provações, credoras mais impiedosas do que a matilha que a miséria desencadeia, vos espreitam o repouso ilusório para vos imergir de súbito na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma amolentada pela indiferença e pelo egoísmo.

Que, pois, o Espiritismo vos esclareça e recoloque, para vós, sob verdadeiros prismas, a verdade e o erro, tão singularmente deformados pela vossa cegueira! Agireis então como bravos soldados que, longe de fugirem ao perigo, preferem as lutas dos combates arriscados à paz que lhes não pode dar glória, nem promoção! Que importa ao soldado perder na refrega armas, bagagens e uniforme, desde que saia vencedor e com glória? Que importa ao que tem fé no futuro deixar no campo de batalha da vida a riqueza e o manto de carne, contanto que sua alma entre gloriosa no Reino celeste? – Delfina de Girardin. (Paris, 1861.)

(De O Evangelho segundo o espiritismo. Cap. V. Item 24)

Estreia do filme Kardec

Estreia do filme Kardec

 

Baseado na biografia escrita por Marcel Souto Maior, “Kardec” conta a história do educador francês Hyppolite Leon Denizard Rivail, conhecido mais tarde como Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita. Dirigido por Wagner de Assis (do filme Nosso Lar), o professor Rivail, interpretado por Leonardo Medeiros, tenta entender as mensagens do além, que recebe através de diferentes médiuns. Cético, ele investiga os mistérios ocorrendo em Paris, durante o século XIX, até assumir o pseudônimo Allan Kardec, após codificar o espiritismo. A cinebiografia sobre o Codificador do Espiritismo ainda conta com o talento de Sandra Corveloni, Guilherme Piva, Genézio de Barros, Guida Vianna, Julia Konrad e Dalton Vigh. O filme “Kardec”, distribuído pela Sony, chega aos cinemas dia 16 de maio, simultaneamente em várias capitais brasileiras.