Entrevista sobre Emmanuel – Trajetória espiritual e obras

Entrevista sobre Emmanuel – Trajetória espiritual e obras

A Federação Espírita do Estado do Ceará, no programa "Espiritismo em Pauta", na noite do dia 30 de outubro, entrevistou Antonio Cesar Perri de Carvalho (ex-presidente da USE-SP e da FEB) sobre seu livro "Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier" (O Clarim, 2020). Entre as perguntas levantadas pelos entrevistadores e internautas surgiu a questão sobre as alterações que vêm sendo apontadas em obras de Emmanuel (FCX), editadas pela FEB.

Acesso pelo link (copie e cole):

https://www.facebook.com/federacaoespiritadoceara/videos/2426061821032247

 

Palestras sobre Saúde e Espiritualidade 

Palestras sobre Saúde e Espiritualidade 

Na última live desta edição, na noite do dia 29 de outubro, promovida pelo Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo, Cesar Perri nos convida a refletir sobre o grande erro da nossa época em relação ao tratamento do corpo humano, onde a maioria dos médicos separam a alma e o corpo. Jesus tratou de desarticular essa dicotomia, emprestando novas e magníficas dimensões ao processo de cura. O Mestre pregou a necessidade de se efetivar a harmonia do ser com essa fonte de amor, evidenciando que a energia para curar pode ser ministrada através dele próprio e de outrem. Em seguida, a Dra. Carmem Bongiovanni esclarece o tema “Obsessões Espirituais”. Ainda que no momento estejamos passando por um período de transição planetária, a Terra ainda é categorizada como mundo de expiação e provas, visto que o mal predomina. Neste sentido, a obsessão está caracterizada como epidemia antiga, ocorrendo desde os tempos imemoriais, que alcança milhares de pessoas. É uma enfermidade que, para ser erradicada necessita da melhoria humana, especialmente a de cunho moral.

Acesso pelo link (copie e cole):

https://www.facebook.com/CasadoCaminhoVilaMariana/videos/2761798070724866

Evangelho e Caridade – tema em vibrações

Evangelho e Caridade – tema em vibrações

Na tarde do dia 29 de outubro, no 7o. mês de reuniões virtuais de vibrações houve mais uma atividade de equipe do Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo. A coordenação foi feita por Glória Martins Miranda, evangelho por Rosane Lombardi com base no capítulo Evangelho e Caridade, do livro "Roteiro", de Emmanuel; e vibrações por Elisabeth Gabriel; piano de abertura e encerramento por Margarida Helena Garabedian.

Deus e Mamon

Deus e Mamon

Na reunião virtual de estudos de O evangelho segundo o espiritismo, da equipe do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita, de São Paulo, no dia 27/10/2020, André Fernandes fez exposição inicial sobre o Cap. 16 – Não se pode servir a Deus e a Mamon. Salvação dos Ricos: "Ninguém poder servir a dois senhores; porque, ou odiará a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o outro. Não podeis servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamon. (São Lucas, cap. XVI, v. 13).” Seguiram-se vários comentários. A coordenação foi feita por Célia Maria Rey de Carvalho, que fez a prece de abertura e a de encerramento foi feita por Carol Batista. O tema prosseguirá na próxima reunião.

Finados – Meimei: lembranças e estudo sobre a sepultura

Finados – Meimei: lembranças e estudo sobre a sepultura

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Na bibliografia psicográfica de Chico Xavier, há vários textos de autoria do espírito conhecido com o pseudônimo de Meimei.

Depois de um casamento de curta duração, Arnaldo Rocha ficou viúvo de Irma de Castro Rocha em 1946. Esse espírito tornou-se autora de inúmeros textos pela psicografia de Chico Xavier, adotando o pseudônimo de Meimei. Chico Xavier e Arnaldo Rocha fundaram o Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo, com a coordenação desse último. As transcrições das mensagens psicofônicas desse Grupo deram origem aos livros Instruções psicofônicas e Vozes do grande além, organizados por Arnaldo Rocha e editados pela FEB. Relatos e entrevistas de Arnaldo sobre Meimei se encontram em livro editado pela Casa Editora O Clarim.1

Fato recente e interessante é o estudo feito por pesquisadores de Belo Horizonte “Práticas religiosas no espaço cemiterial: observações sobre o Cemitério do Bonfim”, onde destacam também a sepultura de Meimei.2

A propósito da tradicional efeméride de Finados, com intensas visitas a cemitérios, torna-se oportuno o comentário sobre esses episódios à luz do Espiritismo.

No artigo de pesquisa citado, os autores informam sobre fatos relacionados com a sepultura de Meimei: “é possível constatar que não há uma procura da população pelo túmulo com a intenção de realizar agradecimentos e pedidos. Ainda assim, o que atrai a atenção para a sepultura dessa mulher? O que podemos utilizar como resposta está ligado à difusão de uma doutrina que busca o discurso científico, mas ao mesmo tempo nega o materialismo, premissa básica das ciências”.2

Os autores lembram da inscrição no túmulo de Kardec no Cemitério Père Lachaise (Paris), que sintetiza a concepção evolucionista da doutrina espírita: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”. E passam a analisar os fatores propagadores do Espiritismo no seio da sociedade brasileira como atividades como a assistência social, as receitas de remédios homeopáticos e o emprego da água fluidificada. Esse caráter curativo, não só do espírito, mas também do corpo físico – se é que na concepção da doutrina espírita pode ser dito de forma separada – funcionou como atrativo para os novos adeptos do Espiritismo brasileiro, sendo Meimei um exemplo para essa corrente espiritual.2

Os pesquisadores resumiram aspectos da vida de Irma de Castro Rocha: “nasceu na cidade mineira de Matheus Leme, em 1922, e aos 20 anos mudou-se para a capital mineira, Belo Horizonte. Durante a infância sofria muito devido a sua frágil saúde. Sofria de nefrite crônica, o que a impediu de concluir os estudos na Escola Normal de Itaúna. Ao mudar-se de Itaúna, onde vivia desde os cinco anos de idade, para Belo Horizonte, na companhia de um parente, a jovem conheceu Arnaldo Rocha (1922-2012), que seria seu futuro esposo.”2 Depois citam livros espíritas que após o casamento, ocorrido em 1942, a jovem adoeceu e teve a sua saúde gravemente comprometida e desencarnou no dia primeiro de outubro de 1946, aos 24 anos de idade. Destacam no estudo que o viúvo Arnaldo Rocha era ateu, não se conformava com o triste desfecho e encontrou-se de maneira inesperada com um dos maiores médiuns do Brasil, Francisco Cândido Xavier (1910-2002) ou Chico Xavier como é popularmente reconhecido. Contam o detalhe que Arnaldo chorou quando Chico Xavier começou a falar de Meimei, pois este era o tratamento afetivo sob o qual o casal se tratava na intimidade, adotada “a partir da leitura que fizeram do livro Momentos de Pequim, do escritor sino-americano LinYutang. Ao final do livro, encontram o significado para o verbete Meimei: “Noiva Querida” ou “A Bem-Amada”.

No artigo citado comentaram: “Os laços entre o jovem cético e o médium Francisco Cândido Xavier se estreitaram, passando ambos a defenderem a mesma causa: a caridade através da prática do Espiritismo. Hoje é possível encontrarmos várias casas espíritas que recebem o nome de Meimei, nas quais os trabalhos no campo da espiritualidade buscam ajudar ao próximo através da prática da caridade.”2

Informam que o túmulo do casal Rocha está localizado no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte: “Trata-se de um túmulo simples, de pó de pedra, que não é local de visitações ou peregrinações da população adepta do Espiritismo, uma vez que os espíritas não cultuam cemitérios e túmulos, ao contrário de outras religiões, como a católica. […] ocasionalmente, durante a realização das já mencionadas visitas guiadas ao espaço cemiterial é possível debater dentre os visitantes a importância daquele lugar de memória e destacar a função do cemitério como espaço de múltiplas manifestações religiosas.”2

Os pesquisadores concluem que “o túmulo no Bonfim é um bom exemplo para identificar o caráter múltiplo e diverso do espaço fúnebre por nós investigado, do ponto de vista religioso e devocional, desde sua fundação, no final do século XIX, e que reverbera na contemporaneidade”.2

Depreende-se que não há “romarias” ao túmulo de Meimei, o que demonstra a real atitude espírita de não se valorizar cultos exteriores em torno de monumentos e sepulturas. Como se encontra em O livro dos espíritos: “A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa? R – Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”3

Referências:

1) Rodrigues, Wallace Leal Valentim; Rocha, Arnaldo; Rocha, Alberto de Souza. Meimei, vida e mensagem. 5.ed. Matão: O Clarim. 2012. 256p.

2) Almeida, Marcelina das Graças; Santana, Julio César de Aguiar; Silva, Roberto Fernandes. Práticas religiosas no espaço cemiterial: observações sobre o Cemitério do Bonfim. Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer. V. 4, N. 8, p. 361-382, jul./dez. 2020.

3) Kardec. Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Questão 323. FEB.

(*) Ex-presidente da USE-SP e da FEB.

Mensagem de Emmanuel orienta sobre seus livros

Mensagem de Emmanuel dirigida aos amigos do Centro Espírita Luiz Gonzaga (*)

Meus amigos, muita paz.

Não fosse o conteúdo da carta de nosso amigo extremamente doutrinário, não nos consideraríamos ligados ao assunto.

Contudo, apreciando nossos deveres na previsão do porvir, somos compelidos a ponderar que, enquanto a sementeira de nossos princípios se opere no clima de melhor fraternidade, com a extensão crescente da mensagem evangélica, pura e simples, será justo marchar sem preocupações, não ocorrendo o mesmo, ante a perspectiva de convênios humanos que, suscetíveis de comprometer-nos o livre movimento, nos reclamam estudo e meditação.

Diante do plano de serviço proposto pelo abnegado companheiro que nos preside a casa de trabalho, cuja prévia apresentação agradecemos na velha gratidão e no invariável carinho que lhe devemos, pedimos permissão para sugerir as providências e ponderações seguintes:

1º) O médium Xavier, com responsabilidade definida perante a Espiritualidade, na tarefa das mensagens que psicografa, assinará um documento de doação dos direitos que lhe assistem, no aspecto legal do assunto, em favor do Centro Espírita Luiz Gonzaga, para a publicação de um livro com mensagens produzidas por intermédio de suas faculdades mediúnicas, em nossas reuniões públicas de segundas e sextas-feiras. Livro esse que o presidente de nossa instituição poderá entregar, então, documentadamente, à Livraria Allan Kardec Editora, como deseja, em nome do nosso Grupo, para que seja publicado, em benefício de nossa Casa.

Rogamos, porém, o apoio dos companheiros, para que semelhante iniciativa não ultrapasse a publicação de um só livro, nessa feição, aliás, a ser doado ao Centro Espírita Luiz Gonzaga em homenagem ao devotamento de seus trabalhadores atuais, porque mais de um livro, no aspecto em foco, poderá, de futuro, estimular a comercialização terrestre da palavra dos amigos desencarnados, no Centro, quando os seus atuais diretores estiverem desencarnados, desviando os irmãos de ideal do desprendimento, da operosidade e da diligência, nos quais a organização, com o Auxílio divino, tem sabido viver até agora.

Além disso, entregar à Livraria Allan Kardec Editora mais de um livro, constituído com mensagens recolhidas na instituição, seria entregar a uma organização espírita e respeitável, mas naturalmente comercial, um patrimônio de ideias que vem sendo produzido com destino à Federação Espírita Brasileira que, representando a Casa-máter de nossa Doutrina, no Brasil, nos merece o mais amplo acatamento e incondicional cooperação.

Embora respeitemos na Livraria Allan Kardec Editora uma instituição nobre e digna que vem colaborando com a aludida Federação no lançamento de obras doutrinárias, é preciso convir que ela não tem a obrigação de responder, mais tarde, perante a coletividade espírita, por qualquer alteração eventual na obra do Senhor, por meio dos servidores desencarnados do Evangelho, ao passo que a Federação Espírita Brasileira é depositária impessoal de graves responsabilidades nesse sentido, podendo ser naturalmente interpelada pelo consenso dos espíritas, em qualquer desvirtuamento que possa surgir, de futuro,(**) competindo-nos o dever de afirmar que o nosso parecer não se prende a qualquer desconsideração aos companheiros do Centro Espírita Luiz Gonzaga ou aos amigos da Livraria Allan Kardec Editora, que nos são sumamente estimáveis, mas sim reflete a nossa responsabilidade individual e coletiva, diante do porvir, quando os irmãos, agora encarnados, estiverem conosco, no Plano espiritual, sem possibilidades de reajustamento das próprias atitudes, à frente de abusos prováveis.

2º) Atentos ao exposto, o nosso presidente poderá escolher cento e oitenta mensagens no conjunto das que foram psicografadas, no período de 1950 a 1956, guardando, porém, o cuidado de evitar no livro a ser doado ao Centro Espírita Luiz Gonzaga, a inclusão das que já foram publicadas em Reformador, órgão da Federação Espírita Brasileira, no período de tempo a que nos reportamos, para o que nossos amigos do Centro Espírita Luiz Gonzaga deverão consultar as coleções da referida publicação, de 1950 a 1956, para que, de futuro, quando a Livraria Allan Kardec Editora, por injunções do tempo, estiver modificada em suas diretrizes, não haja possibilidade de surgir entre ela e a Federação Espírita Brasileira, em nosso nome, qualquer reclamação ou desagrado, evitando-se, desse modo, querelas públicas, em desacordo com a Doutrina de paz e amor, empenhada em nossas mãos.

3º) Devemos esclarecer aos companheiros encarnados que assim agimos, em atenção a compromissos assumidos no Plano superior, no sentido de colaborarmos todos no progresso e engrandecimento da Federação Espírita Brasileira, que representa a Casa de nossa Causa, diante da qual nossos desejos devem desaparecer, por meio da renúncia sadia, ainda mesmo quando apareçam dificuldades de imediata compreensão com os trabalhadores encarnados que a dirigem e movimentam, de vez que, acima de nós, permanece a Obra do Cristo no Espiritismo, nela mediada, cabendo-nos o dever de auxiliá-la e prestigiá-la, tanto quanto nos seja possível, com o esquecimento de nossas próprias necessidades, pois, somente assim, unidos na concórdia e no serviço incessantes, é que cooperaremos em favor da vitória do Espiritismo nas consciências.

Aqui fica o nosso parecer, que apresentamos aos nossos amigos, com respeito e confiança, dentro da nossa gratidão de todos os dias, rogando a Jesus nos ampare e abençoe.

Emmanuel

(*) Pedro Leopoldo, MG, 31 de julho de 1956.

(Xavier, Francisco Cândido. Autores diversos. Fé e vida. 1.ed. Capítulo 21. Brasília: FEB; São Paulo: CEU. 2014)

(**) Nota do GEECX - destaque para o trecho: "[…] podendo ser naturalmente interpelada pelo consenso dos espíritas, em qualquer desvirtuamento que possa surgir, de futuro,…"

Interpretações de Emmanuel em versículos selecionados

Interpretações de Emmanuel em versículos selecionados

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Nas obras que comentam versículos bíblicos, muitas vezes encontram-se algumas diferenças em função das traduções adotadas nas várias versões da Bíblia.

Ao elaborar O evangelho segundo o espiritismo, Allan Kardec adotou a tradução feita por Lemaistre de Sacy, conhecido por sua tradução da Vulgata (Bíblia em latim) para o francês. Essa tradução tornou-se a mais difundida na França a partir do século XVIII.

Pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, o seu orientador Emmanuel elaborou milhares de textos realizando interpretações de versículos do Novo Testamento. Emmanuel é o autor espiritual de nove livros contendo comentários de versículos do Novo Testamento: Caminho, verdade e vida; Pão nosso; Vinha de luz; Fonte viva; Ceifa de luz, editados pela FEB; Segue-me (O Clarim); Palavras de vida eterna e Livro da esperança (CEC); Bênção de paz (GEEM). De início, o autor espiritual explicou o uso da expressão “num colar de pérolas”, na apresentação intitulada “Interpretação dos Textos Sagrados”, em Caminho, verdade e vida, para compreendermos seus estudos sobre os versículos:

“Em certas passagens, extraímos daí somente frases pequeninas, proporcionando-lhes fisionomia especial e, em determinadas circunstâncias, as nossas considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo em que se inspiram. Assim procedemos, porém, ponderando que, num colar de pérolas, cada qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida.”1

Isso pode ser observado em uma obra elaborada com participação de vários autores lançada durante as comemorações do Sesquicentenário de O evangelho segundo o espiritismo na qual há um capítulo que apresenta a “Listagem dos comentários feitos por Emmanuel, não exaustiva, tratando-se, tão somente, da enumeração de algumas de suas mensagens constantes em obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier.2

Registro importante é que nas edições originais dos livros citados de Emmanuel, ele emprega versículos do Novo Testamento adotando a tradicional tradução “revista e corrigida” de João Ferreira de Almeida, bem difundida à época no Brasil. As epígrafes (versículos selecionados) no início de cada capítulo é que dão o tom para as dissertações de Emmanuel. Este destaque é importante porque o linguajar do autor espiritual foi desenvolvido em torno da tradução citada e, eventualmente, versículos de outras traduções podem não ser coerentes com os textos de Emmanuel. O respeito a esse critério orientou-nos nas transcrições e nos estudos feitos em livros de nossa autoria relacionados com a bibliografia de Emmanuel e lançados pela Casa Editora O Clarim: Epístolas de Paulo à luz do espiritismo (2016); Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita (2018); Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier (2020).3,4,5

Em palestras e inclusive no “Seminário sobre o estudo de O evangelho segundo o espiritismo” realizado pela USE-SP em 29/10/2017, no Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita, de São Paulo, a questão das traduções bíblicas veio à tona no momento das perguntas. A resposta à dúvida foi fundamentada nos esclarecimentos que apresentamos em parágrafos anteriores do presente artigo.6

Emmanuel escreveu obras homenageando as obras básicas da Codificação. No Livro da esperança focaliza O evangelho segundo o espiritismo e no início de cada capítulo coloca uma epígrafe do Novo Testamento articulada à transcrição de um trecho de comentários na citada obra de Allan Kardec. Na apresentação, o autor espiritual saúda: “No luminoso centenário de O Evangelho segundo o Espiritismo, em vão tentamos articular, diante de ti, a nossa gratidão jubilosa!…”7

A título de ilustração de diferenças de traduções de algumas versões bíblicas, que por destoarem da palavra-chave do versículo selecionado por Emmanuel, podem criar uma desarmonia com o próprio texto do autor espiritual. Vejamos a epígrafe do capítulo 134 de Vinha de luz: "Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo as suas alfaias em casa, não desça a tomá-las." – Jesus (LUCAS, 17:31).8

A palavra chave “alfaias” tem significados amplos: utensílio, móvel ou qualquer objeto, de uso doméstico ou pessoal. Objeto que se usa como enfeite, adorno; bijuteria, enfeite, jóia. Paramento ou enfeite de igreja. Na liturgia de algumas igrejas, pode significar: objeto usado para enfeite pessoal, adorno, jóia, ornamento; ou ainda: os paramentos são pequenos tecidos que, bordados, ganham uma função muito especial dentro do contexto litúrgico. Na maçonaria, alfaias são os paramentos usados pelos seus membros no ambiente das reuniões.

A citada palavra-chave, assim aparece em algumas traduções mais recentes: na Bíblia de Jerusalém: “utensílios”; na Tradução ecumênica da Bíblia (TEB): “objetos”.

Assim, ao lermos trechos da interpretação de Emmanuel sobre a citada epígrafe, e face às diferentes traduções, entendemos que a tradicional palavra “alfaia” seja mais condizente com o pensamento do autor espiritual:

“Não sabem separar as alfaias de adorno dos vasos essenciais, as frivolidades dos deveres justos e sofrem dolorosos abalos no coração. […] Um lar não vive simplesmente em razão das alfaias que o povoam, transitoriamente, e sim pelos fundamentos espirituais que lhe construíram as bases. Um homem não será superior porque satisfaça a opiniões passageiras, mas sim porque sabe cumprir, em tudo, os desígnios de Deus.”8

A propósito de traduções, há um fato histórico na área da literatura espírita. A obra Na hora do testemunho9, uma parceria de Herculano Pires com Chico Xavier, apontou um triste incidente: a adulteração de O Evangelho segundo o Espiritismo, usando atualização e simplificação de palavras em tradução publicada pela editora da FEESP, em julho de 1974. No livro citado há mensagens, crônicas, poemas e cartas, que Herculano Pires e Chico Xavier escolheram, para deixarem documentadas suas posições, quanto à importância da defesa da obra de Kardec contra as tentativas de adulteração. Leitura obrigatória para os espíritas para prevenções contra a estagnação simplória na crença e a aceitação de “mentores” deste e do outro mundo, que por meios tipicamente farisaicos atrelam facilmente os ingênuos e os vaidosos ao carro fantasioso das suas pretensões.

O famoso psicógrafo marcou uma posição firme e Herculano Pires destacou:

“O médium Francisco Cândido Xavier, apesar de sua costumeira isenção em polêmicas doutrinárias, acabou manifestando-se contra a adulteração e tomou posição firme e clara na defesa dos textos de Kardec. A maioria dos chamados líderes espíritas não se manifestou. A hora do testemunho provara mal, revelando a falta de convicção da maioria absoluta, e portanto esmagadora, do chamado movimento espírita brasileiro. Mas os resultados foram se manifestando mais tarde, com um crescente interesse do meio espírita pelas obras de Kardec em edições insuspeitas.”9

Sabe-se que a Editora parou de editar a tradução alterada.

Essa posição firme de Herculano Pires e de Chico Xavier, respectivamente marcados por Emmanuel como: “o metro que melhor mediu Kardec” e a “fidelidade a Jesus e a Kardec”, é coerente com as designações/orientações do citado mentor espiritual e com a mensagem de São Luís:

“Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.”10

Como se vive momentos de muitos modismos na literatura e na exposição espírita, transcrevemos trechos de mensagens do próprio Emmanuel:

“Os crentes e trabalhadores do Evangelho usam diversos meios para lhe fixarem as vantagens, mas raros lhe abrem as portas da vida. […] Recebem outros as advertências e luzes evangélicas, à maneira de negociantes ambiciosos, buscando convertê-¬las em fontes econômicas de grande vulto. Ainda outros procuram os avisos divinos, fazendo valer princípios egolátricos, em polêmicas laboriosas e infecundas. No imenso conflito das interpretações dever-se-ia, porém, acatar o pedido de Paulo de Tarso em sua segunda epístola aos Coríntios. O apóstolo da gentilidade roga para que ele e seus companheiros de ministério sejam recebidos nos corações.” E aí destacamos a epígrafe do texto: “Recebe¬-nos em vossos corações.” Paulo (II Coríntios, 7:2).8

Outro comentário oportuno:

“Realmente, por séculos sucessivos, temos realizado a transliteração do Evangelho em todos os climas culturais. […] Contudo não basta nos detenhamos na fraseologia brilhante, no gesto sutil ou nas aparências elogiáveis para demonstrar assimilação do ensinamento transformador. Cristianismo não é somente a forma da civilização que nos propomos construir com Jesus. […] Urge, pois, configurar a revelação não apenas no tesouro verbalístico que nos lastreia as conquistas filosóficas e artísticas de quase dois milênios. […] Todos nos encontramos à face do julgamento, pelo delito de lesa consciência, de vez que temos adulterado a mensagem do Divino Benfeitor de mil modos, em cada romagem no mundo. Jesus, porém, tolera-nos compassivo e reforma-nos o empréstimo de tempo e de valores novos… Mas, se é verdade que nenhum de nós está em condições de atirar a primeira pedra no irmão de caminho, cabe-nos a todos ouvir o Mestre Inesquecível em sua amorosa e segura advertência: – ‘Vai e não peques mais’.”11

Concluindo as sugestões para estudos e reflexões, destacamos o inolvidável Léon Denis:

“O Espiritismo será o que o fizerem os homens, Simila similibus! Ao contato da humanidade as mais altas verdades às vezes se desnaturam e obscurecem. Podem constituir-se uma fonte de abusos. A gota de chuva, conforme o lugar onde cai continua sendo pérola ou se transforma em lodo.”12

Referências:

1. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. 1.ed.esp. Cap. Interpretação dos textos sagrados. Brasília: FEB. 2005.

2. Carvalho, Flávio Rey. Indicações de comentários feitos por Emmanuel acerca de trechos do Novo Testamento citados em O Evangelho segundo o Espiritismo. In: Carvalho, Antonio Cesar Perri; Carvalho, Célia Maria Rey (Org.). O evangelho segundo o espiritismo: orientações para o estudo. 1.ed. Cap. 13. Brasília: FEB. 2014.

3. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do espiritismo. 1.ed. Cap. 2. Matão: O Clarim. 2016.

4. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. 1.ed. Cap. Apresentação. Matão: O Clarim, 2018.

5. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier. 1.ed. Cap. 13. Matão: O Clarim. 2020.

6. Seminário sobre o estudo de O evangelho segundo o espiritismo. Texto bíblico usado nos livros originais de Emmanuel. Link: https://youtu.be/ZrJdTNwdxm0 (Acesso em 28/09/2020).

7. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Livro da esperança. 17.ed. Cap. Obrigado, Senhor! Uberaba: CEC. 2002.

8. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Vinha de luz. 1.ed.esp.Cap. 134 e 147. Brasília: FEB. 2005.

9. Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano. Na hora do testemunho. 1.ed. São Paulo: Paidéia. 1974. 120p.

10. Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. 131.ed. Cap. X. Item 21. Brasília: FEB. 2013.

11. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Construção do amor. 17.ed. Cap. Ante o Evangelho. São Paulo: CEU. 2002.

12. Denis, Léon. Trad. Cirne, Leopoldo. No invisível. 26.ed. Introdução. Brasília: FEB. 2014.

(*) O autor foi presidente da USE-SP e da FEB.

Extraído de:

Revista digital O Consolador. Ano 14. N° 693. Edição de 25/10/2020. Acesso: http://www.oconsolador.com.br/ano14/693/especial.html