Medicina, Espiritualidade e Espiritismo

Ismael Gobbo

Na última sexta-feira (06/10/17), o Globo Repórter da Rede Globo apresentou matéria extensa com reportagens tratando do tema “Aparecida”, antecedendo a comemoração do dia da Padroeira do Brasil no próximo dia 12. Registra que as romarias a Aparecida se iniciaram a partir do encontro e culto da estátua de Maria recolhida do leito do Rio Paraíba do Sul por três pescadores em duas lançadas de rede, aparecendo inicialmente o corpo e posteriormente a cabeça da imagem, no ano de 1717, portanto 300 anos atrás.

Com a crescente procura, hoje cerca de 12 milhões de pessoas ao ano acorrem ao Santuário de Aparecida, o maior templo católico do Brasil e também o maior do mundo dedicado à mãe de Jesus. A busca à Basílica motivada pela fé contempla pedidos ou agradecimentos dos romeiros centrados em “Nossa Senhora Aparecida”.

Nas matérias da Globo foram ouvidos fiéis que relataram curas recebidas e especialistas que enxergam na fé e nas práticas espiritualistas uma alternativa complementar ao tratamento médico de pacientes.

O médico psiquiatra Frederico Leão, da USP- Universidade de São Paulo, ouvido pela reportagem, coordenador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade- ProSER, hoje uma disciplina na USP, perguntado se acredita que a fé pode curar respondeu: “Eu tenho visto muitas evidências a esse respeito. “Eu acho que é uma força realmente que tem poder de influenciar no equilíbrio, na existência de doença e saúde, porque o conceito de saúde não é mais aquele só de ausência de doença, você tem a questão do bem estar físico, psíquico, social e isso já inclui a questão da espiritualidade”.

A UNIFESP- Universidade Federal de São Paulo, igualmente visitada pela reportagem, tem um núcleo que estuda os efeitos da fé no tratamento médico, inclusive utilizando plantas medicinais.O núcleo realiza pesquisa, atendimentos e treina estudantes de medicina. O entrevistado Dr. Acary Souza Bulle Oliveira, coordenador do núcleo, fala com entusiasmo sobre a possibilidade dos futuros médicos muito aprenderem com a espiritualidade dos pacientes: “…muitos se resignificam e muitos continuam nos mostrando caminhos, alternativas, formas. Ai você vai ver o que faz essa pessoa diferente porque a parte física dela esta completamente comprometida. Ai vem a expansão do ser e essa expansão está ligada nas crenças, na religiosidade e na espiritualidade…”

Emocionante foi a entrevista com a jovem Bianca que passou por dois tratamentos de câncer no hospital de Barretos. Seus depoimentos, o do pai, do diretor do hospital e da médica que a atendeu, atestam que muito mais que um tratamento de excelência envolvendo medicamentos e instalações, o amor e a fé são importantes no processo de recuperação.

Assista acessando: http://g1.globo.com/globo-reporter/

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Dias atrás um companheiro que colabora com o boletim “Noticias do Movimento Espírita” nos indagou se estávamos nos apercebendo da grande quantidade, e cada vez mais crescente, de eventos que envolvem “Medicina e Espiritualidade” não só no âmbito do movimento espírita mas, também, aqueles que são ministrados em universidades e ambientes não espíritas. As matérias do Globo Repórter acima referenciadas comprovam isso. Quem quiser acessar alguns dias das publicações no Blog do Noticias para aferir essa assertiva pode clicar em :

https://www.blogger.com/blogger.g…

Temos de reconhecer, por dever de justiça, os méritos indiscutíveis da saudosa médica Marlene Nobre que, fundando as AME’s Associações Médico Espíritas por todo o Brasil e também no exterior, desencadeou de forma rápida e surpreendente encontros de Medicina, Espiritualidade e Espiritismo com participação de especialistas espíritas e não espíritas. Não por acaso se tornou presidente da Associação Médico Espírita do Brasil e também da Internacional. Essa aproximação do Espiritismo com o meio universitário, expandindo a doutrina para fora das quatro paredes do Centro Espírita, sempre foi uma expectativa que, felizmente, se concretiza de forma exponencial. Nossos parabéns para Dra. Marlene e médicos que prosseguem no esplendido e reconhecido trabalho.

Quem participou dos Mednesp’s da AME-Brasil sabe da grandiosidade desses eventos que discutem temas importantes da medicina à luz do Espiritismo com participação de público e especialistas espíritas e não espíritas que atestam a excelência da iniciativa. A partir desses eventos ocorre a expansão para os meios universitários da visão espírita em relação às ciências que acabam por influenciar a sociedade, meios de comunicação, etc, numa verdadeira osmose a nivel internacional.

É uma grande contribuição do Espiritismo codificado por Allan Kardec que, inequivocamente, vem comprovando a grandiosidade do seu tríplice aspecto: Cientifico, Filosófico e Religioso.

DE: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/OUTUBRO/09-10-2017.htm

 

Kardec – o francês mais conhecido no Brasil

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A 3 de outubro de 1804 nascia na França aquele que viria a ser mundialmente conhecido como Allan Kardec.

Quando criança e jovem teve educação primorosa junto com o professor Pestalozzi. Fundou escolas e dedicou-se à educação em Paris. Ao conhecer fenômenos mediúnicos que ocorriam na capital francesa, passou a estudá-los e com base nos relatos das experimentações e nas dissertações espirituais, lançou “O Livro dos Espíritos”, em 18 de abril de 1857, agora completando 160 anos de publicação. Este foi o livro inicial e que assinala o nascimento do Espiritismo. Seguiram-se vários outros livros, como “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno”, “A Gênese”, e outras obras.

Allan Kardec criou a “Revista Espírita”, fundou em Paris a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e fez diversas viagens para o intercâmbio com os pioneiros dirigentes espíritas e primeiros grupos espíritas da França. Assim, foi o Codificador da Doutrina Espírita e iniciador do primeiro centro espírita e do movimento espírita.

A obra inaugural do Espiritismo rapidamente produziu repercussão marcante com resenhas nos folhetins parisienses e muitas manifestações. O Abade Leçanu anotou: “Observando-se as máximas morais contidas em “O Livro dos Espíritos” tem se tudo o que é necessário para tornar santo o homem na Terra”. Fato notável foi o depoimento recebido pelo autor do livro, Allan Kardec: "Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. A. Laurent." E também com uma segunda observação: "Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. Joseph Perrier."

Os livros de Allan Kardec, no seu conjunto chamadas as “Obras Básicas do Espiritismo”, orientam os centros espíritas nas suas práticas e fundamentam o estudo sobre o Espiritismo. Daí a oportunidade de uma campanha intitulada “Comece pelo Começo”, referindo-se que os interessados em conhecer o Espiritismo devem começar pela leitura e estudo das obras de Kardec.

Essa orientação foi válida e sempre adotada pelo famoso médium Chico Xavier.  Logo após iniciar seu trabalho mediúnico, o então jovem Chico Xavier teve a visão de seu orientador espiritual Emmanuel e estabeleceu-se um diálogo entre ambos. Na oportunidade esse espírito recomendou disciplina ao jovem médium e explicitou ainda: “Se um dia eu disser alguma coisa que contrarie a Jesus e a Kardec, abandone-me e fique com Jesus e Kardec.” Essa fidelidade a Allan Kardec sempre se firmou em todas ações e nos livros produzidos pelo médium Chico Xavier.

Ao ensejo da data natalícia de Allan Kardec, torna-se interessante o registro que ele é o francês, considerado “o mais conhecido no Brasil” e seus livros, publicados por várias editoras brasileiras, superam em quantidade os livros de outros autores franceses. O seu nome atualmente designa centenas de logradouros públicos em nosso país. Em vários legislativos estaduais e municipais ocorrem homenagens ou sessões solenes alusivas a Kardec e em diversos Estados e municípios há leis que definem como o “dia dos espíritas” por ocasião da sua data de nascimento ou da data de publicação do livro pioneiro “O Livro dos Espíritos”.

             (Ex-presidente da USE-SP e da Federação Espírita Brasileira).

O relógio do Apocalipse

Almir Del Prette – São Carlos/SEOB

Em 1947, um grupo de cientistas reunidos na Universidade de Chicago tomou a decisão de criar uma estratégia para avisar a humanidade sobre o risco de uma guerra nuclear com resultados nefastos para toda a humanidade. Alguns desses cientistas haviam participado do Manhattan Project. Uma espécie de força tarefa incumbida de desenvolver as primeiras armas nucleares, ainda durante a segunda guerra mundial. Todos os cientistas, os chefes militares e uma boa parcela da humanidade sabiam que os artefatos bélicos, recém-desenvolvidos iriam, pouco a pouco, se espalhar por várias nações. O domínio do átomo estava, pelo menos teoricamente, disponível e a construção de artefatos explosivos de grande poder destrutivo era previsível para breve.

A primeira questão que esse grupo se colocou, foi a de que uma estratégia de alerta quanto aos riscos de uma guerra nuclear deveria ser anunciada com urgência. Após muitas reuniões e trocas de informações, o grupo se decidiu pelo uso de uma alegoria, que pudesse funcionar como um aviso, um recurso de alerta da nefasta previsão: o relógio. O relógio há muito tempo é conhecido e usado pela humanidade e poderia ser essa alegoria, tomando-se como ponto central de referência, a “meia noite”, que representa a ausência da claridade do sol. O ponteiro maior seria um indicador de “valor para a meia noite”. O deslocamento (aproximação ou distanciamento), da meia noite, depende dos esforços de amor à paz ou à guerra que os povos cultivam.

Acontecimentos envolvendo nações com posse de armamentos nucleares sinalizam, para o grupo de cientistas, um aumento na probabilidade de conflito de grandes proporções. Quais acontecimentos seriam estes? Podemos supor alguns, por exemplo, um acidente marítimo entre embarcações militares de dois países não alinhados; discurso de algum governante que possa ser considerado ameaçador por outra nação; exercícios militares entendidos como provocação, testes de foguetes destinados a carregar ogivas nucleares etc. Diante desses e outros acontecimentos, o grupo analisa as probabilidades de desdobramentos e faz uma estimativa, movendo o ponteiro em direção à meia noite. Esse esquema não se movimenta com base na certeza, porém faz estimativas probabilísticas, com base nas histórias dos países envolvidos, na concentração do poder em poucas lideranças e na personalidade dos líderes.

Esse relógio, idealizado na década de 1950, recebeu diferentes denominações, tais como: “Apocalipse”, “Juízo final”, “Relógio do fim dos tempos”. Entretanto, ele deve ser entendido em um sentido metafórico que registra um alerta às Nações Unidas e a humanidade. Qual o efeito desse alerta? É difícil de avaliar, contudo aqueles que se empenham nesse empreendimento, o fazem de maneira séria e merecem nosso respeito.

Os momentos em que o ponteiro foi posicionado mais próximo da meia noite podem, agora, ser avaliados, como um risco real? Sim! A primeira vez que isso aconteceu foi em 1953, quando Estados Unidos e a União Soviética fizeram testes em seus países com bombas de hidrogênio. Nessa ocasião, os testes eram seguidos de bravatas de ambos os lados e os ponteiros passaram para 23h58m. Depois disso, ocorreu a chamada distensão e tivemos o relógio marcando 23h43, ou seja, a 17 minutos do ponto crucial.

Considerando guerras atuais periféricas, que distanciam alguns aliados de outros e, considerando, de um lado a presença militar ostensiva de  uma nação com extraordinária capacidade bélica no pacífico e, por outro,  uma espécie de delírio de poder, de uma nação que vem fazendo experiências com ogivas nucleares, a linha do tempo parece indicar aproximação da meia noite. Tal situação chama a atenção da ONU e de lideranças pacifistas, que se esforçam em busca da paz. O que cada pessoa pode fazer? Pouco, considerando nosso poder individual limitado. Bastante, enquanto membros de uma enorme parcela da humanidade que deseja a paz e crê em Deus.

Entre diversas estratégias da ONU, uma delas volta-se para a disseminação da paz entre todos, por meio de lideranças populares autênticas. Essas lideranças não são membros de partidos ou grupos políticos. Elas têm uma comunicação direta com o povo, trabalhando pela paz, sem buscar retorno político direto ou indireto. Essas pessoas foram denominadas de embaixadores da paz. São pacificadores de verdade, como por exemplo, Divaldo Pereira Franco. O embaixador da paz que se esforça no desenvolvimento do amor é aquele que Jesus denominou pacificador. Nem todo indivíduo pacífico é um pacificador. Contudo, todo pacificador é um amante da paz.

Jesus, o governador da nossa humanidade, há cerca de 2000 anos expôs que a paz não será obtida de maneira permanente por meio de tratados e demonstração de força, com a geração do medo.  Disse o Mestre: “Minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”(Jo, 14:27. E, no Sermão das Bem-Aventuranças, novamente se refere à paz, especificando bem-aventurança aos pacificadores (Mt, 5:9) que serão chamados filhos de Deus.

(Extraído de Boletim digital Notícias do Movimento Espírita: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/SETEMBRO/12-09-2017.htm)

 

 

Livro de Kardec evitou suicídios

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No mês consagrado como “Setembro Amarelo” com foco na valorização da vida e prevenção ao suicídio, vários eventos e publicações, principalmente pela internet, têm sido realizados com evocações à campanha de prevenção ao suicídio.

No dia mundial de prevenção ao suicídio – 10 de setembro – houve uma passeata na Av. Paulista em São Paulo – que é um marco da cidade -, com apoio do Centro de Valorização da Vida-CVV e do Lions Club-Tatuapé/SP. Aos domingos esta avenida torna-se um enorme calçadão de laser e com manifestações culturais e, em alguns momentos, também políticas.

A passeata liderada pelo CVV e Lions Club caminhou pela avenida e em momentos de parada, eram feitos esclarecimentos e distribuição de folder sobre prevenção ao suicídio com o tema "Não se cale, fale – viver é bom!". Neste, há comentários sobre 14 pontos com recomendações e observações na tônica de que “falar é a melhor solução” e de valorização ao apoio, considerando estatística de que 90% dos suicídios podem ser evitados. O CVV mantém um grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio, com encontros confidenciais e gratuitos.

Comparecemos à passeata, atentos à questão da valorização da vida, pois fomos um dos participantes da fundação há mais de 10 anos do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, em Brasília, juntamente com o então deputado Bassuma, Jaime Ferreira Lopes, Nestor João Masotti e Marlene Nobre.

Na ótica espírita o tema é considerado com base na imortalidade da alma e na própria valorização da existência física. Em O livro dos espíritos há a definição: “Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? – O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal” (questão 880).

Esse livro inaugural do Espiritismo rapidamente produziu repercussão marcante ao evitar suicídios. Allan Kardec recebeu o depoimento: "Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. A. Laurent." E também com uma segunda observação: "Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. Joseph Perrier." O fato histórico mereceu registro espiritual por Chico Xavier. (1) 

 

A morte do corpo é uma transição. E esta é a surpresa de espíritos que se manifestam comentando as surpresas que tiveram após cometerem o suicídio.

Na literatura espírita há dezenas de obras que comentam a situação de espíritos no mundo espiritual, como os conhecidos textos do espírito André Luiz, psicografados por Chico Xavier. E milhares de cartas familiares, pelo mesmo médium, onde mortos queridos dão a certeza da sobrevivência a seus parentes.

Obra marcante, que deve merecer divulgação e estudo, é “Memórias de um suicida”, da médium Yvonne do Amaral Pereira. Neste livro narra-se as dificuldades para entrar em contato com ambientes espirituais habitados por espíritos suicidas em etapas de esclarecimento e de recuperação. Bem ao final dessa magistral obra, o autor espiritual – que é um pseudônimo de Camilo Castelo Branco -, aponta o caminho da regeneração de espírito suicida: “— Coragem, peregrino do pecado! Volta ao ponto de partida e reconstrói o teu destino e virtualiza o teu caráter aos embates remissores da Dor Educadora! Sofre e chora resignado, porque tuas lágrimas serão o manancial bendito onde se irá dessedentar tua consciência sequiosa de paz! Deixa que teus pés sangrem entre os cardos e as arestas dos infortúnios das reparações terrenas; que teu coração se despedace nas forjas da adversidade; que tuas horas se envolvam no negro manto das desilusões, calcadas de angústias e solidão! Mas tem paciência e sê humilde, lembrando-te de que tudo isso é passageiro, tende a se modificar com o teu reajustamento às sagradas leis que infringiste… e aprende, de uma vez para sempre, que — és imortal e que não será pelos desvios temerários do suicídio que a criatura humana encontrará o porto da verdadeira felicidade…”(2)

Obra bem atual com dados sobre o suicídio no Brasil e no mundo e bem orientadora, é de autoria do jornalista André Trigueiro: Viver é a melhor opção – A prevenção do suicídio no Brasil e no mundo (3), também disponibilizada em vídeo-aulas objetivas. (4)

A certeza da imortalidade da alma e de que somos espíritos encarnados em processo de aprimoramento é indispensável para a melhor compreensão dos valores e da oportunidade da vida corpórea e também para se compreender o porquê de se realizar a profilaxia de todos os processos que podem interromper a vida. Daí a oportunidade das campanhas do “Setembro Amarelo” com base no “Falar é a melhor solução”.

Bibliografia:

  1. Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Espíritos diversos. O Espírito da Verdade. Cap. 52, FEB
  2. Pereira, Yvonne Amaral. Pelo espírito Camilo Cândido Botelho. Memórias de um suicida. 3ª. Parte, Cap. VII. FEB.
  3. Trigueiro. André. Viver é a melhor opção – A prevenção do suicídio no Brasil e no mundo. São Bernardo do Campo: Ed. Correio Fraterno.
  4. http://grupochicoxavier.com.br/viver-e-a-melhor-opcao-a-prevencao-do-suicidio-no-brasil-e-no-mundo/

 

             (Ex-presidente da USE-SP e da Federação Espírita Brasileira).

Vitória amarga

Richard Simonetti

 

Pirro (319-272 a.C.), foi um general grego, autor de livros sobre a arte da guerra. Guerreiro indômito e hábil, seria lembrado não pelos seus feitos no campo de batalha e pendores literários, mas, singularmente, por simples comentário que deu origem à expressão famosa: Vitória de Pirro.

Em 281 a.C. combateu os romanos, em defesa de Taranto, uma colônia grega no sul da Itália. Logrou sucesso. Contudo, tantas foram as baixas em suas tropas que, recebendo felicitações pelo notável feito de derrotar um exército do grande império, comentou amargamente: – Mais uma vitória como essa e estaremos perdidos.

A vitória mais se assemelhava a uma derrota. A frase de Pirro é aplicada para definir certas conquistas que impõem tantos sacrifícios e desgastes que, literalmente, não compensam.                    

Há realizações que trazem euforia, situando-se como a concretização de nossos sonhos e ideais, mas o tempo, senhor da verdade, demonstra que cometemos grave erro de avaliação.

O audacioso empresário, que se compromete com a corrupção para enriquecer…

O funcionário ambicioso, que usa de intriga e bajulação para superar hierarquicamente seus colegas…

A astuciosa jovem, que se vale de sua beleza para seduzir o homem rico…

O hábil político, que ilude o povo para ganhar a eleição…

O filho rebelde, que deixa o lar para livrar-se da tutela paterna…

O ditador truculento, que esmaga qualquer oposição para sustentar-se no poder…

O traficante inescrupuloso, que semeia o vício para vender seu produto…

Todos exultam com seu sucesso, sem perceber que pagarão um preço muito alto, bem de acordo com a expressão evangélica: De que vale conquistar o mundo e perder a alma? (Marcos, 8:36).

Jesus reporta-se a efêmeras vitórias humanas que são derrotas do Espírito imortal, impondo penosas reparações.

Por outro lado, há situações que se afiguram lamentáveis derrotas. Constatamos depois que foram abençoadas oportunidades de resgate, renovação e conquistas espirituais:

A doença grave que depura a alma…

A limitação física que impõe salutares disciplinas.…

A desilusão amorosa que desfaz a fantasia…

A morte do ente querido que desperta a religiosidade…

A dificuldade financeira que estimula a iniciativa…

Não raro faz-se noite escura em nossos caminhos para que nasça novo dia. Se não desanimarmos diante das sombras, iremos ao encontro de luminoso alvorecer.

A própria morte de Jesus, aparentemente derrotado pela maldade humana, era na verdade, o coroamento da missão que começara na manjedoura e atingia o clímax na cruz. Os dois episódios se completam, compondo a bandeira do Cristianismo para a construção do Reino de Deus.

Humildade, na manjedoura.

Sacrifício, na cruz.

E mais: Do alto da cruz, Jesus fincava os marcos de uma nova atitude diante da maldade humana, rogando a Deus: – Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem (Lucas, 23:34).

Aqueles que o perseguiam e apupavam não tinham ideia de quanto lhes custaria em dores expiatórias aquele aparente triunfo.

Eram dignos de compaixão.

    Espiritualmente estavam tão derrotados quanto Pirro em sua frustrante vitória.

 

Extraído de:

Boletim digital – Notícias do Movimento Espírita – São Paulo, SP, segunda-feira, 21 de agosto de 2017
(http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/AGOSTO/21-08-2017.htm)

Valorização da Vida – Significado espiritual

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Ao ensejo da campanha “Setembro Amarelo” com foco na valorização da vida e prevenção do suicídio tornam-se oportunos alguns comentários sob a ótica espírita.

A questão da imortalidade é tratada de forma aprofundada pelo Espiritismo e esta é sua tarefa fundamental, inclusive evocando o Mestre: “[…] eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João, 10.10).

No livro inaugural do Espiritismo – O livro dos espíritos – há uma clara definição: “Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? – O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal” (questão 880).

Em outras considerações interessantes com base no Cristianismo e no Espiritismo, destacamos o apóstolo Paulo: “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Cor., 6.20), e, o espírito André Luiz  define com clareza em dois comentários: “O corpo é o primeiro empréstimo recebido pelo Espírito trazido à carne” (de Conduta Espírita); “[…] temos necessidade da luta que corrige, renova, restaura e aperfeiçoa. A reencarnação é o meio, a educação divina é o fim” (de Missionários da Luz).

Nas citações de o Novo Testamento, de obras de Allan Kardec e do espírito André Luiz, nota-se a coerência entre os ensinos do Cristo e do Espiritismo a respeito do valor do corpo. A certeza de que somos espíritos reencarnados e em processo de aprimoramento é de fundamental importância para a melhor compreensão dos valores e da oportunidade da vida corpórea e também para se compreender o porquê de se realizar a profilaxia de todos os processos que podem interromper a vida.

À vista desses conceitos, altera-se o conceito de morte, pois o que morre é o corpo; o espírito é imortal. Após a morte do corpo o espírito mantém sua individualidade e identidade, como mostram milhares de cartas psicografadas por Chico Xavier onde os chamados “mortos” se dirigem a seus familiares.

Em mensagens espirituais históricas incluídas por Allan Kardec no livro O céu e o inferno e outras psicografadas por Chico Xavier, nota-se a surpresa de espíritos que partiram para o mundo espiritual na condição de suicidas, pois apesar de terem encerrado a existência material prosseguiam vivos, pensando, reagindo e sentindo a situação de terem interrompido a vida do organismo.

Sempre há caminhos e soluções para os momentos de dificuldades e de impasses existenciais e devem ser procurados e valorizados os apoios de profissionais especializados e de natureza espiritual ou religiosos. O espírito Emmanuel, orientador de Chico Xavier, conclama: “Guarda, pois, a existência como dom inefável, porque teu corpo é sempre instrumento divino, para que nele aprendas a crescer para a luz e a viver para o amor, ante a glória de Deus” (de Religião dos Espíritos).

(Ex-presidente da USE-SP e da FEB).

Jesus, Pedro, Tiago e João numa sessão espírita na Bíblia

José Reis Chaves

Durante séculos, a Igreja Católica e as demais Igrejas Cristãs combateram ferozmente, até meados do século XX, a comunicação com os espíritos desencarnados. A Igreja, inclusive, através da CNBB, até 1950, excomungava as pessoas que frequentassem, durante mais de seis meses, os centros espíritas. E, no finalzinho do século XIX, uma bula do Vaticano conclamava todo o mundo católico a lutar, com todas as armas, contra o espiritismo dizendo que ou a Igreja acabava com ele ou ele acabaria com a Igreja!

Mas a Igreja, pouco depois, notou que a grande maioria dos católicos de cidades grandes e de porte médio frequenta casas espíritas, acontecendo o mesmo, em menor quantidade, com os protestantes e os evangélicos. E ela, aos poucos, de um modo geral, parou de atacar o espiritismo. E como constatamos em nossas palestras e seminários pelo Brasil e Portugal, às vezes, nesses eventos espíritas, há mais pessoas de outras religiões do que mesmo espíritas!

Kardec não é o criador do espiritismo, mas apenas o seu codificador (organizador), pois os fenômenos espíritas existem desde que o mundo é mundo! Kardec era um cientista linguístico católico de tradição familiar, inclusive, quando ainda jovem, casou-se na Igreja Católica. Mas interessou-se pelas pesquisas dos fenômenos espíritas, pesquisas essas que se tornaram uma coqueluche de muitos cientistas contemporâneos dele, em vários países europeus e nos Estados Unidos. E Kardec, pelo seu grande trabalho de experiências e pesquisas na área dos fenômenos mediúnicos, pode-se dizer que é o criador da nova ciência chamada, hoje, de espiritologia. E é, com razão, que “O Livro dos Médiuns”, de Kardec, é tido como o primeiro manual de parapsicologia do mundo.

Não se devem confundir as leis divinas ou naturais bíblicas com as leis mosaicas também bíblicas. As mosaicas são somente uma espécie de constituição do povo judeu feita por Moisés. Já as leis divinas ou naturais são as do Decálogo ou dos Dez Mandamentos, que são também, geralmente, universais, constando, pois, das outras escriturais sagradas e não somente da Bíblia. E os fanáticos pregadores contra o espiritismo, que ainda existem, perderam e perdem seu tempo em ficar doutrinando as pessoas simples que os seguem, dizendo-lhes que o espiritismo é feitiçaria e contra a Bíblia. É que eles misturam as leis mosaicas com as divinas ou naturais. E Moisés proibiu o contato com os espíritos por causa da ignorância dos judeus sobre a mediunidade, na época em que ele os dirigia. Mas defendeu também esse contato (Números 11: 24 a 30), em que ele elogia Heldade e Medade que recebiam espíritos profetizando.

E vejamos um exemplo bíblico em que o próprio Jesus, em companhia dos grandes médiuns Pedro, Tiago e João, fazem uma verdadeira sessão espírita na Transfiguração, pois Elias e Moisés que viveram aqui no nosso planeta, já havia séculos, comunicaram-se com os quatro (Mateus 17: 3). Se isso não for uma sessão espírita, ou seja, uma comunicação com espíritos desencarnados, o que seria, então, o espiritismo? E observe-se que o próprio Moisés veio anular a sua proibição (Deuteronômio capítulo 18) de contato com os espíritos!

(Publicado originalmente em coluna de O Tempo, Belo Horizonte, MG, 21/08/2017).

 

João, o Maestro – Genialidade, Superação e Paixão

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O filme em exibição (*) “João, O Maestro” é um longa-metragem biográfico  brasileiro baseado na carreira como pianista do maestro João Carlos Martins, com direção e roteiro de Mauro Lima. Retrata a vida de João Carlos Martins, nascido em São Paulo em 1940, um prodígio do piano de fama internacional especialmente pelas suas gravações das obras de Johann Sebastian Bach.

Jovem genial se destaca nos Estados Unidos, onde sofreu um pequeno acidente em jogo de futebol com amigos no Central Park, em Nova York, comprometendo a inervação de seu braço direito. Retorna ao piano mas passa depois um período fora do meio artístico. Sua paixão pelo piano faz com que retorne aos concertos, usando apenas uma das mãos. Gravou toda a obra de Bach. Um segundo acidente, durante um assalto na Bulgária, retira os movimentos da mão direita e como sequela desenvolveu no membro superior saudável, o esquerdo, uma doença neurológica. O pianista João Carlos Martins lutou e se reinventou. Tornou-se prestigiado maestro e empreendeu notável trabalho de apoio à educação musical e estímulo aos talentos de jovens, e contando com o apoio do empresariado paulista criou orquestras com tais jovens, originando a Bachiana Filarmônica SESI-SP.

Em entrevista à TV, João Carlos Martins relatou também que ao buscar recursos para a superação dos problemas na mão direita, teria procurado um médium “pai de santo”. Este informou-o que não se preocupasse, porque mais à frente esta mão ficaria igual à esquerda. Ao relatar o episódio na entrevista, o músico sorriu porque não imaginaria que após um segundo acidente, ocorreria o comprometimento da mão esquerda. Ou seja, as duas ficaram lesadas!

Destacamos que a informação de ordem espiritual foi autêntica!

Alguns lances de precocidade da infância de João Carlos Martins de conhecimento e desenvoltura musical praticamente inatos são sugestivos de experiência de vidas anteriores. A criança e depois o jovem pianista seguem vertiginosa carreira de reconhecimento internacional.

Os repetidos acidentes comprometendo gradualmente os dois membros superiores – justamente num pianista de grande valor e de renome internacional – poderiam ter encerrado sua carreira artística. No entanto, João Carlos Martins lutou em cada etapa, tendo acesso a sofisticados tratamentos, conseguindo soluções viáveis para suas mãos. Mesmo com limites sérios, insistiu nos concertos de piano. Quando praticamente não pode contar mais com os dedos, optou pela atuação como maestro.

Consideramos que o genial João Carlos Martins deu mostras eloquentes de grande força de espírito e de superação de inúmeros problemas. Como maestro, dedica-se a meritório trabalho social, propiciando educação artística a crianças e jovens e até constituindo valorosa e reconhecida orquestra com eles.

Essa atuação nos chama atenção porque a genialidade, aliada com os nobres esforços de superação, se direcionou para o bem praticado junto à sociedade. A somatória do belo com o bem, como expressões de uma paixão bem direcionada, demonstram amor ao próximo!

(*) Lançado em agosto de 2017.

 

(Ex-presidente da USE-SP e da FEB)

Paulo e a ética cristã

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Paulo de Tarso, como principal divulgador da mensagem do Mestre Jesus, fundou em muitos locais as chamadas igrejas cristãs (ecclesia - local de reunião, atualmente significando “igreja”).

A igreja de Corinto foi fundada durante os 18 meses que Paulo lá viveu entre os anos 50 e 52 d.C. À época, Corinto era uma cidade cosmopolita, a principal do mundo helênico; conhecida pelas tendências ao paganismo, à proliferação de cultos, e à devassidão. Paulo se dedicou muito a Corinto. A 1ª Epístola aos Coríntios foi escrita no ano 54 d.C. quando ele se encontrava em Éfeso, para atender aos companheiros que solicitavam apoio ou aos que ele não poderia visitar.

A primeira epístola aos Coríntios é considerada um dos escritos clássicos de Paulo e preserva acima de tudo o “padrão da ética cristã”. Nessa Epístola, o apóstolo faz uma recomendação da mais alta importância, pois considerava a igreja de Corinto uma das provas palpáveis do ministério apostólico. Por causa da penetração de certos problemas ali, como práticas más e vis, contendas e divisões que chegaram a ameaçar a sua aceitação como um apóstolo de Cristo por aquela igreja, é que Paulo lhes escreveu com consternação mesclada de repreensão e demonstrações de afeto.

Da epístola em análise transcrevemos os trechos que merecem reflexões e adequações aos dias atuais:

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem” (10: 23, 24).

O fato de Paulo citar o chavão da época referente à cidade de Corinto – “todas as coisas são lícitas” -, aponta para uma situação que o afligia. A passagem faz referência à liberalidade predominante em Corinto, que Paulo não aprova. Os cristãos dos nascentes grupos de Corinto sofriam influências do contexto da época daquela cidade. A expressão “viver como um coríntio” referia-se a desregramentos comportamentais e que eram considerados “normais” naquela cidade. Essa questão ética e a tendência de adoção de práticas aberrantes, motivaram o apóstolo da gentilidade a elaborar a 1a Epístola aos Coríntios.

Em seus textos Paulo desenvolveu o raciocínio de que alguns princípios que eram defendidos na sociedade local e da época precisavam ser observados através de diretrizes ligadas à conduta cristã, não se restringindo às normas que eles adotavam, e das quais dependiam tanto.

No conjunto da legislação – Constituição do país, Leis e normas -, define-se o que é legal, o que é “lícito” no dizer de Paulo de Tarso.

Como ficariam as ideias de conveniência e de edificação que Paulo emprega na citada Epístola? O altruísmo e a alteridade devem sobrepujar objetivos pessoais. É a essência da mensagem do Cristo, de se amar e se respeitar o próximo.

A coerência entre licitude e conveniência, na ótica cristã e espírita, considerando que somos espíritos imortais, deve merecer continuados estudos e reflexões principalmente no contexto do mundo conturbado de nossos dias. Como princípio espírita, as vidas sucessivas ou reencarnação, demonstram que o bem e o mal sempre têm consequências, ou seja, nesta ou em outras vidas. O melhor será sempre o esforço pelo bem ao próximo e a si mesmo.

 

(Ex-presidente da USE-SP e da FEB; autor do livro Epístolas de Paulo à luz do espiritismo)

Acesse: http://grupochicoxavier.com.br/etica-e-moral-na-atualidade/;

http://grupochicoxavier.com.br/assembleia-legislativa-do-espirito-santo-homenageia-espiritas/

Pesquisa Nacional para Espíritas – 2017. Alguns comentários

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Como oportuna iniciativa pessoal de Ivan Franzolim (**), foi efetivada a pesquisa nacional para espíritas, sem nenhuma participação ou apoio de instituições, e é inédita no Movimento Espírita por sua abrangência nacional e pela preocupação em conhecer como pensam e atuam os espíritas. A primeira edição ocorreu em julho de 2015.

A finalidade dessa pesquisa “é ser útil ao Movimento Espírita, contribuindo com dados indicativos do modo de pensar e agir dos espíritas. É um material que deve ser utilizado para auxiliar as ações de comunicação das instituições e servir ao ambiente de estudo acadêmico e fora dele.” (1)

Nesta terceira edição, a pesquisa foi elaborada com 44 questões, divididas em seis sessões: Perguntas sobre você, Para Estudantes de Cursos Espíritas, Sua maneira de entender o espiritismo, Perguntas sobre o Centro Espírita, Perguntas para Frequentadores e Perguntas para Trabalhadores. Foi efetivada entre 1º e 31 de julho de 2017, utilizando-se a internet e as redes sociais como veículo de distribuição do formulário eletrônico do Google e acesso ao público espírita, estimados em 2% da população brasileira, segundo o Censo 2010. Foram recebidas 2.616 respostas válidas, excluindo aquelas em duplicidade. Os respondentes são residentes em 451 cidades e todos os estados foram representados.

Os Estados com maior concentração foram também os mesmos das edições anteriores (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) com exceção do Espírito Santo que aparece em segundo lugar pela primeira vez. Os Estados com menor participação foram: Alagoas, Maranhão, Piauí, Roraima e Tocantins. O pesquisador lembra que estes Estados correspondem àqueles mencionados no Censo 2.010 com menor número de espíritas.

O autor da pesquisa Franzolim esclarece que “além de captar dados sobre a participação e comportamento dos espíritas, ela tem registrado várias crenças que circulam no Movimento Espírita. Muitas delas são aceitas pelos espíritas por identificação emocional com sua essência, sem maior análise e comparação com as obras básicas e complementares, demonstrando que o processo de assimilação de crenças é diferente do processo de absorver conhecimento e pode prevalecer sobre este. Pela forma não controlada de escolha dos respondentes, essa pesquisa não pode ser considerada probabilística, embora tenha seus méritos por mostrar tendências e preparar o terreno para futuras pesquisas.” (1)

            Na opinião de Ivan Franzolim, as instituições espíritas carecem de indicadores que são fundamentais para o planejamento e a prática de uma boa gestão, e recomenda que “Centros Espíritas deveriam pesquisar a satisfação dos voluntários, frequentadores e assistidos, o correto entendimento das suas atividades e quão plenamente os serviços prestados atendem as necessidades e expectativas das pessoas, para promoverem mudanças produtivas ou esclarecimentos necessários.” O pesquisador entende que mais pesquisas devem ser feitas para melhor compreensão do pensamento e das ações dos espíritas.(1)

            Numa análise geral dos resultados da pesquisa, destacamos alguns dados predominantes.

Na qualificação do espírita: gênero feminino (64,7%); faixa etária de 51 a 60 anos (28,8%); portador de ensino superior (41,3%) e seguido de perto pelos pós-graduados (33,2%); faixa salarial acima de 4 e até 10 salários mínimos (33,3%). Estes dados têm coerência com resultados do Censo do IBGE do ano 2.010 e apontam para as dificuldades para se atender populações com menores faixas de renda e de escolaridade. (2)

Os participantes da pesquisa são espíritas há 11-20 anos (24,8%) e atuam nos centros como trabalhadores voluntários (52,4%).

Sobre a relação dos filhos com o centro espírita – com filhos entre 3 e 12 anos: não participam da Evangelização Infantil/Juvenil (20,5%); não tenho filhos (64,0%); com filhos acima de 12 anos: não tenho filhos (43,2%); não se consideram espíritas (20,3%); Se consideram espíritas e não frequentam o grupo de jovens/mocidade (23,1%). Estes dados, na generalidade das faixas etárias também já vinham sendo apontados pelos Censos do IBGE dos anos 2.000 e 2.010 e, a nosso ver, representam um alerta para urgentes estudos e providências para se diagnosticar as causas dessa situação e para se favorecer a integração real da criança e do jovem no centro espírita. (2)

Na pesquisa surgem informações muito interessantes, como sobre a leitura de livros: já leram de 21 a 30 livros; livros mais lidos: Paulo e Estêvão – Chico Xavier/Emmanuel; O Livro dos Espíritos; O Evangelho Segundo o Espiritismo; Nosso Lar – Chico Xavier/André Luiz. Autores mais lidos: Chico Xavier (todos autores espirituais) – 731 respondentes; Allan Kardec – 316 respondentes. Torna-se oportuna a Campanha “Comece pelo Começo” (da USE-SP e CFN), de estímulo à leitura e estudo das Obras Básicas do Codificador. (2)

Nas questões sobre temas de interesse, destacamos: temas que estudaria mais se tivesse oportunidade (isoladamente)? Bíblia e/ou os Evangelhos (15,3%); Mundo Espiritual (15,3%); Mediunidade (11,7%). Temas para estudo (soma de cada tema): Mediunidade (11,8%); Mundo Espiritual (9,9%); Reencarnação (9,6%); A Bíblia e/ou os Evangelhos (9,5%). A valorização de demandas locais, dos focos de interesse do público alvo do centro, seria um oportuno procedimento nos centros espíritas.

Na compreensão geral sobre como Espiritismo deve ser seguido pelos espíritas: mais como filosofia e/ou ciência (57,7%). A propósito, este resultado é indicativo da necessidade de maior divulgação, estudo e compreensão das obras de Allan Kardec; pode ser influenciado pela tendência atual de muitos eventos e palestras com temas científicos e também por alguns enfoques em palestras e em práticas que não são coerentes com o conjunto das obras de Allan Kardec. (3,4)

A maioria dos respondentes considera que a aceitação das ideias espíritas na sociedade está evoluindo razoavelmente (68,0%), e nas questões relacionadas com a satisfação pelas atividades do centro, predominam valores de média a alta.

A nosso ver a “Pesquisa Nacional para Espíritas” oferece dados que devem merecer estudos e reflexões pelos dirigentes e colaboradores dos centros espíritas e também estimular a realização de pesquisas internas nestas instituições.

 

(*) Ex-presidente da FEB e da USE-SP.

 

(**) A Pesquisa Nacional para Espíritas é uma iniciativa de Ivan Franzolim (São Paulo), escritor, articulista e palestrante espírita, formado em Administração de Empresas com especialização em Marketing de Serviços (FGV) e pós-graduado em Comunicação Social (Cásper Líbero). Compõe a pesquisa, o trabalho estatístico de Análise de Conglomerados desenvolvido por Jorge Elarrat (Rondônia), formado em Engenharia Eletrônica na Universidade Federal do Pará (UFPA), pós-graduado em metodologia do ensino superior e mestre em administração, com passagem pelo IBGE e como titular da Secretaria de Estado da Educação

 

Referências:

  1. Acesso em 09/08/2017: http://franzolim.blogspot.com.br/;
  2. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. Cap. 2.1, 2.2, 3.1. Matão: O Clarim. 2016.
  3. Carvalho, Flávio Rey; Carvalho, Antonio Cesar Perri. Espiritismo como religião: algumas considerações sobre seu caráter religioso e seu desenvolvimento no Brasil. In: Souza, André Ricardo; Simões, Pedro; Toniol, Rodrigo (Org.). Espiritualismo e Espiritismo. Reflexões para além da espiritualidade. 1.ed. Parte 1, Cap. 2. São Paulo: Editora Porto de Ideias. 2017.
  4. Carvalho, Flávio Rey. O aspecto religioso do Espiritismo. Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCII. N.6. Julho de 2017. p. 304-306.