Enquanto perdure a pandemia, que cuidados a Casa Espírita deve tomar?

Enquanto perdure a pandemia, que cuidados a Casa Espírita deve tomar?

Tudo em nosso país está a indicar que se encontra longe do fim a pandemia causada pelo novo coronavírus e que continuaremos por um bom tempo sem dispor de vacinas, de medicamentos eficazes e até dos tão falados testes em quantidade suficiente que nos possibilite atender ao que a Organização Mundial de Saúde tanto recomendou a todos os governantes.

Diante desse quadro, quando forem autorizadas a receber público, como as Casas Espíritas deverão proceder? Que cuidados deverão tomar? As dúvidas vêm de todos os lados. Claro que as máscaras e o uso de álcool em gel já se terão tornado uma rotina, mas todos sabemos que isso não é suficiente. O cuidado com as aglomerações é medida que, como sabemos, tem sido reputada fundamental.

Para responder a estas questões, entrevistamos três conhecidos e respeitados estudiosos espíritas: Antonio Cesar Perri de Carvalho, palestrante, escritor, dirigente espírita, ex-presidente da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e da Federação Espírita Brasileira; Eurípedes Kühl, médium, estudioso espírita e autor de inúmeras obras espíritas, mediúnicas e não mediúnicas; e Gebaldo José de Sousa, estudioso espírita, autor do e-book Mediunidade – Fundamental Estudar Sempre e participante, como esclarecedor, de duas equipes mediúnicas nos dois hospitais espíritas de Goiânia. A seguir, eis o que os nossos entrevistados disseram com relação às questões que lhes foram apresentadas:

PALESTRAS PÚBLICAS

Se o local das palestras públicas for grande, o distanciamento entre as pessoas não constituirá um grande problema. Como proceder, porém, quando o salão – médio ou pequeno – fica geralmente lotado?

Antonio Cesar Perri - Após superarmos as fases de quarentena da pandemia viveremos uma situação nova, que vem sendo chamada de “novo normal”. E podem surgir orientações sanitárias gerais por parte de cada Governo Estadual. Então precisaremos analisar cada situação e fazermos adequações às realidades dos diferentes centros espíritas. Será indispensável o atendimento às recomendações das autoridades sanitárias e isso é adequado à proposta de respeito à vida, ao ser espiritual reencarnado. Os centros, de acordo com suas dimensões físicas e a equipe disponível, precisará reanalisar as ofertas de reuniões públicas, talvez com variedade de dias e de horários. Além disso, precisaremos ficar atentos às orientações da área da saúde, com relação à utilização de máscaras e, eventualmente, se evitar contatos físicos, como os fraternos abraços. Um outro aspecto, que vem sendo desenvolvido no período da quarentena, é a utilização de transmissão por internet. Talvez as reuniões públicas devam contar com as duas possibilidades: um grupo fisicamente presente e outro acompanhando à distância. O importante será disponibilizar esclarecimentos na linha do acolhimento e do consolo para os que procuram o centro espírita nessa época tão complexa.

Eurípedes Kühl – Se o local das palestras públicas for grande, o distanciamento entre as pessoas, como sabemos, não constituirá um grande problema. No caso de locais médios ou pequenos, sugerimos aos dirigentes limitar o número de participantes, mantido o distanciamento necessário. Havendo quórum para outra palestra, replicá-la, com o mesmo palestrante. Quanto aos presentes, que se evitem abraços ou cumprimentos de mão.

Gebaldo José de Sousa – Importante limitar o número de frequentadores por sessão pública, buscando realizar mais palestras, no mesmo dia ou em vários outros, para dar oportunidades a todos.

PASSES

Como os médiuns passistas poderão atender à tarefa, em face da proximidade com o paciente, considerando ainda que numa sala de passes atuam geralmente muitos passistas?

Eurípedes – Cadeiras espaçadas entre atendidos, que deverão adentrar, um por vez; o mesmo quando terminar o atendimento. Passistas e atendidos usando máscara e, quanto ao passista, melhor se for aquela maior, da testa ao queixo. Importante relembrar e recomendar aos passistas: não tocar nos atendidos.

Gebaldo – Aplicar passes coletivos, como realizado nas grandes Casas Espíritas (FEB; Mansão do Caminho, etc.).

Perri - Os passes devem ser entendidos como doação de energias, de sentimentos e de boas vibrações. Não há necessidade do contato físico. A imposição de mãos com certa distância é mais do que suficiente. Em alguns momentos já não se aplicavam os passes coletivos? É também uma opção. O importante é que onde há salas de passes deve-se obedecer às orientações para maior distância com as pessoas atendidas, entre elas e também entre os passistas. Que se verifique também a possibilidade de adoção da orientação sanitária de utilização de máscaras.

GRUPOS DE ESTUDO

As reuniões de estudo são geralmente realizadas em salas pequenas. Há Centros Espíritas em que, no dia de realização do ESDE, as turmas são numerosas e todas as salas ficam tomadas. Como atender à recomendação relativa ao distanciamento entre as pessoas?

Gebaldo – A solução é limitar o número de participantes, realizando os estudos em mais de um horário ou em vários dias da semana, para não se excluir ninguém.

Perri – Inquestionavelmente haverá necessidade de revisão dessas condições. Não podemos prever em que condições retornaremos às atividades após se superar a fase da pandemia. Poderão permanecer alguns cuidados e por um período que, no momento, não se pode aquilatar. Estamos vivendo uma época em que fomos forçados a reuniões virtuais: de estudo, de vibrações, de palestras. Provavelmente deveremos nos preparar para aperfeiçoarmos essas opções e realizarmos reuniões de estudo também com transmissão ao vivo e com interatividade. E, sem dúvida, nos adaptarmos às condições adequadas de pessoas presentes em cada sala. Tudo indica que viveremos novas realidades após se superar a fase crítica da pandemia. Com certeza ainda permanecerão muitos cuidados preventivos.

Eurípedes – Cuidar da entrada e da saída dos participantes do estudo e observar o mesmo procedimento que mencionamos com relação aos “passes”; se necessário, intercalar horários ou dias dos estudos.

SESSÕES MEDIÚNICAS

Nas sessões privativas, além do ajuntamento de várias pessoas em uma pequena sala, existe uma aproximação acentuada entre os esclarecedores e os médiuns psicofônicos. Como agir?

Perri - As mesmas situações que já apontamos nas outras questões: readequação de número de pessoas presentes na(s) sala(s); provavelmente permanecerá a recomendação de uso de máscara e isso será uma dificuldade ou nova necessidade de adaptações, mas há tipos de máscaras que não dificultam a movimentação da boca; manter-se distância entre os médiuns e entre estes e os esclarecedores. Se houver necessidade de aplicação de passe, são as mesmas condições que expusemos acima, imposição de mãos e com distanciamento.

Eurípedes – Tratando-se de sala pequena, a reunião mediúnica só será possível se houver espaçamento entre os participantes, além das recomendações gerais de higiene. O grupo mediúnico não deverá ser menor do que seis participantes, nem maior que quatorze. Doutrinadores e médiuns psicofônicos devem usar máscara, se possível aquela transparente, de proteção da testa ao queixo.

Gebaldo – Sugerimos que as sessões sejam realizadas em salas maiores. Se necessário, utilizar o mesmo local que é destinado às reuniões públicas, distribuindo os médiuns pelo salão, com a distância de pelo menos dois metros uns dos outros. Esclarecer as Entidades comunicantes com o distanciamento adequado. Aplicar passes coletivos, ao final.

EVANGELIZAÇÃO INFANTIL

A dificuldade apontada no tocante aos grupos de estudo aparece também nas salas de evangelização infantil, que ficam repletas de crianças. Qual a solução?

Eurípedes - Não há outro jeito: pensamos que é necessário dividir o grupo de crianças, para que o distanciamento seja mantido, adotando-se no caso as recomendações gerais a que já nos referimos.

Gebaldo - Limitar o número de participantes, procurando realizar a evangelização em mais de um horário ou em vários dias da semana, para dar oportunidades a todas elas.

Perri - Trata-se de questão delicada, pois as autoridades médicas têm alertado para o fato de que muitas vezes as crianças são portadoras assintomáticas do vírus, mas são transmissoras. Além das questões dos espaços e distanciamentos já registrados, deve-se pensar na possibilidade de os evangelizadores serem selecionados entre pessoas que não estejam no chamado “grupo de risco”. Talvez deva ser levado a sério o detalhe legal: os pais são responsáveis pelos filhos. Nas escolas formais isso já é realidade. Em alguns países, além das escolas formais, os pais assinam documento para permitir que os filhos assistam ao ensino religioso nas diferentes agremiações. Deve existir um diálogo entre dirigentes de centros, evangelizadores e pais das crianças.

ASSISTÊNCIA SOCIAL

Além da distribuição de gêneros alimentícios, em muitas Casas Espíritas a assistência prestada às famílias carentes inclui também o fornecimento de lanche, café, sucos ou algo semelhante, tal como ocorre geralmente numa lanchonete. Como proceder?

Gebaldo – Usar embalagens, para que o consumo seja feito nos lares das pessoas assistidas. Eventualmente, abolir o café ou os sucos, caso não seja possível fornecê-los em recipientes próprios.

Eurípedes – Nesse caso, como as famílias já devem estar cadastradas, o atendimento deve ser feito a determinado número de pessoas, em horários ou dias agendados. Em todos os casos, observar as recomendações gerais.

Perri – Creio que devam ser obedecidos os requisitos sanitários semelhantes aos mais recentemente exigidos para lanchonetes e bares. Ou seja, na assistência em instituições espíritas onde são oferecidos lanches e refeições, devem ser adotados os mesmos cuidados de prevenção: os colaboradores, com máscara e em algumas situações com luvas, distanciamento entre os assistidos e destes com os colaboradores, higienização específica de mesas entre cada atendimento, higienização rigorosa com talheres e pratos utilizados nos lanches e refeições, higienização rigorosa nos ambientes da cozinha e dos banheiros disponibilizados para os atendidos. E neste caso utilizando-se produtos de limpeza recomendados por equipes sanitárias.

OBSERVAÇÃO:

No Estado do Paraná, a Secretaria da Saúde publicou no dia 21 de maio uma resolução que estabelece as condições necessárias para que as entidades religiosas voltem a receber público. Segundo a resolução, as entidades religiosas precisam seguir um protocolo com 34 artigos. Entre as medidas a serem observadas, as entidades religiosas precisam respeitar as orientações para preservação do afastamento físico entre as pessoas e o espaço destinado ao público deve ter a ocupação máxima limitada a 30%, observando-se o afastamento mínimo de dois metros entre as pessoas. Quanto às pessoas de idade acima de 60 anos e as que integram o grupo de risco – hipertensos, diabéticos, gestantes e outros – a recomendação das autoridades é que elas devam permanecer em casa, acompanhando as celebrações por meios eletrônicos. Para mais informações sobre o assunto, clique aqui

Nota da Redação:

A USE (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) divulgou no dia 27 de maio o texto "Orientação aos Centros Espíritas. Retorno às Atividades Presenciais", elaborado após o governo do Estado de São Paulo baixar normas relativas à flexibilização da quarentena decorrente da pandemia do novo coronavírus. O retorno às atividades presenciais não é incentivado no documento emitido pela USE, o qual contém informações e diretrizes para auxiliar os dirigentes na tomada de decisões para quando isso for permitido e considerado possível. Eis o link: https://bityli.com/S1njz

Revista digital O Consolador – Ano 14 – N° 672 – 31 de Maio de 2020

Acesse (COPIE E COLE):

http://www.oconsolador.com.br/ano14/672/especial2.html

Relatos de trabalho em equipe

Relatos de trabalho em equipe

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Ao longo de nossa trajetória pelas ações espíritas sempre contamos com o apoio e participação ativa de equipes.

Nos tempos de gestão junto ao órgão municipal da USE-SP, a União Municipal Espírita de Araçatuba (depois USE Intermunicipal), os companheiros que integraram as diretorias ao longo dos 15 anos em que fomos presidente e as comissões dos departamentos, formavam um grupo coeso de trabalho. Vários egressos das mocidades espíritas da cidade, outros integrantes de diretorias de instituições, mas havia sempre o propósito em favor da difusão do Espiritismo e ações de união dos espíritas. Assim, eram organizados eventos, como Semana ou Mês Espírita, Jornadas, Seminários, Confraternizações Regionais, Clube do Livro Espírita, palestras e visitas a instituições na cidade e região.

A partir de 1971, além da esposa Célia, destacamos companheiros como: Arlindo Módena, Armando Pagan, Clarice Ribeiro, Cláudio Roberto Pagan, Ismael Gobi, Maria Luzia de Almeida Rosa, Meledi Dall’Oca, Miguel Carlos Madeira, Osvaldo Magro Filho e Paulo Sérgio Perri de Carvalho.

Naquele período houve a implantação do Centro de Orientação e Educação Mediúnica (COEM), nos vários centros da cidade, a partir da experiência inicial da implantação que fizemos no Centro Espírita Luz e Fraternidade, contando com a atuação de uma equipe de trabalho. A experiência inicial de um estudo sobre temas de família, no Centro Espírita Luz e Fraternidade, contando com a colaboração de um grupo de amigos afins ao tema.

Logo depois que assumimos a presidência da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, já se iniciava uma reunião de estudos na sede dessa Instituição sobre temas da família no segundo semestre de 1990, e, que era coordenada pela nossa esposa Célia Maria Rey de Carvalho, contando com um grupo de colaboradores da cidade de São Paulo. Adotava-se uma programação que iniciamos com a esposa, poucos anos antes no Centro Espírita Luz e Fraternidade, de Araçatuba (SP). O programa de estudo concretizado na sede da USE-SP foi a origem do livro Família & espiritismo1, preliminarmente lançado como um opúsculo, e tendo como co-autores dezenas de companheiros que participaram das experiências de Araçatuba e de São Paulo.

Depois no final de janeiro de 1994, houve o lançamento nacional da Campanha Viver em Família, realizada pela USE-SP, em São Paulo, contando com a presença de dirigentes da FEB, palestra de Divaldo Pereira Franco e seminário com vários convidados. Esse evento gerou o livro Laços de família2. Aliás durante nossa gestão na USE-SP foram publicados três livros sobre família, elaborados por equipes.

Com a coordenação estadual de nossa esposa Célia, houve a implantação dessa Campanha em todo o Estado, arregimentando-se dezenas de colaboradores e divulgadores. Também com nossa esposa como coordenadora do Departamento de Educação da USE-SP, e contando com atuação de lideranças espíritas vinculadas ao magistério formal e à evangelização da infância, foram efetivados muitos seminários estaduais. Ao mesmo tempo, junto à USE-SP havia grupo de companheiros que atuavam na área de gestão de centros e de órgãos de unificação. Desse conjunto de atividades, surgiram livros editados pela USE-SP sobre educação, família, centro espírita, direção de órgãos de unificação, idoso no centro espírita…

Dessa fase ativa junto à USE-SP, durante toda a década de 1990, destacamos alguns integrantes das várias equipes, próximas a nós: Attílio Campanini, Adalgiza Balieiro, Carlos Teixeira da Silva, Carolina Flor da Luz Matos, Delma Crotti, Éder Fávaro, Eduardo Carvalho Monteiro, Elaine Curti Ramazzini, Heloísa Pires, Iolanda Húngaro, Ivan René Franzolin, Joaquim Soares, José Antonio Luiz Balieiro, Júlia Nezu de Oliveira, Luiz Fuchs, Maria Aparecida Valente, Sander Salles Leite e Wilson Garcia.

Quando nos estabelecemos em Brasília, o recém empossado presidente da FEB Nestor João Masotti, que conhecia nosso trabalho no Estado de São Paulo, convidou-nos para montar uma equipe para elaborar um projeto de apoio a centros espíritas. Assim, no 1o semestre de 2001, convidamos companheiros que tinham experiência efetiva em gestão de centros espíritas, incluindo a esposa Célia que havia integrado conosco equipes de centro espírita e junto à USE-SP e entre outros: Roberto Versiani, Edimilson Luiz Nogueira, Ricardo Silva, Rubens Dusi, Walid Dauod, casal Cristina e Marco Leite. Walid, Cristina e outros convidados permaneceram pouco tempo.

Assim nasceu o projeto para “Capacitação Administrativa para Gestão das Casas Espíritas” sobre o qual já levamos informação à reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB em novembro de 2002, inclusive já com um estudo piloto efetivado em centro espírita de Brasília.3

A equipe inicial, agora integrantes da já oficializada Secretaria Geral do CFN da FEB, foi se ampliando com novos colaboradores, oferecendo condições para muitas viagens para atender convites de Federativas e realização de encontros estaduais para se preparar monitores indicados pelas Federativas.4

A equipe da secretaria geral do CFN também atuou na ativação conjunta das Campanhas Família, Vida e Paz e de esclarecimento sobre o aborto. Em consequência, foi elaborado e lançado em 2005 o livro Família, vida e paz5, contando com atuação de equipe de diretores da FEB e da secretaria geral do CFN. Sintetiza subsídios e sugestões para o desenvolvimento das Campanhas, relacionadas com a referida publicação.6 As Marchas Nacionais do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, realizadas em Brasília, entre 2007 e 2014 contaram com a colaboração da equipe da secretaria geral do CFN.

Além dos estudos e projetos elaborados e implantados, houve um momento em que surgiu a motivação para se redigir um texto sobre um tema muito falado à época, a “transição planetária”, e, a equipe da secretaria geral do CFN elaborou um texto, em seguida publicado em série de três artigos na revista Reformador7, tendo como fundamentação as obras de Allan Kardec, notadamente A Gênese.

Essa equipe também teve decisivo papel, como os relacionados com estudos para atualização do Orientação ao Centro Espírita (2007); elaboração e implantação do Orientação aos Órgãos de Unificação, lançado em 2010; participação no “Projeto de Interiorização”, de visita a centros do interior, com apoio das respectivas Federativas Estaduais8, e, também na realização de Seminários Integrados “Ações de Acolhimento, Conselho e Esclarecimento no Centro Espírita” a partir de 2012.

Vários integrantes dessa equipe também se integraram no projeto de curso a distância “Gestão de Centro Espírita”, implantado no Portal da FEB em 2011, com a coordenação de Ayda Sasse e que funcionou até 2015.9

Outras atividades em que os membros dessa laboriosa equipe atuaram, entre 2012 e março de 2015, foi a colaboração com as reuniões públicas de estudo semanal de O evangelho segundo o espiritismo, coordenado pela nossa esposa Célia, e, de algumas atividades do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho da FEB (NEPE), incluindo gravações de vídeo aulas feitas pela TVCEI e FEBtv.

Ao longo do tempo novos valores se somaram àquela equipe inicial da secretaria geral do CFN, como: Ayda Sasse, Cesar Adonay, Ecimar Loli, Edmar Júnior, Flammarion Vidal, Hemerson Xaxá, José Luiz Dias, Luiz Julião Ribeiro, Marco Rosa, Marcos Bragatto. Lembrando que em alguns momentos também atuaram as esposas dos companheiros citados.

Mais à frente, no período nosso de presidência da FEB, atuaram como autêntica equipe os secretários das Comissões Regionais do CFN: Manuel Felipe Menezes da Silva Júnior (Norte), Creuza Lage (Nordeste), Aston Brian Leão (Centro) e Ricardo Mesquita (Sul).

A secretaria geral do CFN mantinha reuniões semanais regulares sob nossa coordenação e depois que assumimos a presidência da FEB, também com coordenação de Roberto Versiani que assumiu a secretaria geral do CFN.

A equipe da secretaria geral do CFN durante as gestões como presidentes, de Nestor Masotti e a nossa, foi incumbida de colaborar com a infraestrutura para as reuniões do Conselho Federativo Nacional e de vários outros eventos realizados na sede da FEB, como algumas reuniões do CEI e colaboração em Congressos Brasileiros.

Outra equipe que estimulamos a formação e interagimos foi a do NEPE da FEB. Como relatamos acima, além de alguns membros da secretaria geral do CFN, contou com o apoio decisivo da esposa e do filho Flávio e de companheiros que também integraram a Comissão do NEPE: Haroldo Dutra Dias (MG), Célia Maria Rey de Carvalho (FEB), Flávio Rey de Carvalho (DF), Ricardo Mesquita (SC), Simão Pedro de Lima (MG), Wagner Gomes da Paixão (MG), Afonso Chagas (MG), e, mais no final com Saulo César Ribeiro da Silva (DF) e Ismael Maia (Pb). Houve a elaboração de um livro em equipe sobre Evangelho.10 Este NEPE central, que funcionou até março de 2015, estimulou e manteve intercâmbios com vários que foram surgindo junto a Federativas Estaduais: Goiás, Maranhão, Pernambuco, Paraíba. Formava-se um trabalho em equipe e em rede pelo país.11

Após o período pós-FEB detectamos que várias Federativas Estaduais mantém projetos de capacitação de trabalhadores espíritas. Uma pesquisa acadêmica recente mostrou a existência de dezenas de NEPEs funcionando em várias regiões do país.12

Nos anos recentes, em São Paulo, estamos nos dedicando a equipes de estudo do evangelho e de prática da mediunidade. E interessante, respectivamente, num local que homenageia um ex-companheiro nosso da USE-SP, o Eduardo Carvalho Monteiro, e, noutro evoca a pioneira “Casa do Caminho”. Mesmo na prolongada quarentena dos tempos atuais de prevenção ao Covid-19 mantemos animadas reuniões semanais virtuais. Há também integrantes de uma "equipe em rede" de várias cidades do país.

Nosso registro de vivência, em vários níveis de abrangência, é o reconhecimento, incluindo a gratidão, a colaboradores idealistas e dedicados, e, do valor do trabalho em equipe.

o0o

“Cada um de nós, na equipe de ação espírita, é peça importante nos mecanismos do bem. Jamais esquecer-nos de que o maior gênio não consegue realizar-se sozinho e que, por isso mesmo, Jesus nos trouxe à edificação do Reino de Deus, valorizando o princípio da interdependência e a lei da cooperação.” – Emmanuel.13

Referências:

1) Carvalho, Célia Maria Rey (Org.). Família & espiritismo. 6.ed. São Paulo: USE. 231p.

2) Franco, Divaldo Pereira; autores diversos. Laços de família. 8.ed. São Paulo: Ed. USE. 150p.

3) Reunião Ordinária do CFN de 2002. Reformador. Ano 121. N. 2086. Janeiro de 2003. P.22-23.

4) Capacitação administrativa para dirigentes de casas espíritas. Reformador. Ano 122. N. 2099. Fevereiro de 2004. P.78-79.

5) Família, vida e paz. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. 103p.

6) Reativação das Campanhas sobre Família, Vida e Paz. Reformador. Ano 123. N.2120. Novembro de 2005. P. 415-416.

7) Equipe Secretaria Geral do CFN da FEB (Org.) Transição para a Nova Era. Reformador. N. 126. Outubro de 2010; A transição e o caminho para a Nova Era. Reformador. N.127. Novembro de 2010; A transição e o papel do Espiritismo. Reformador. N.128. Dezembro de 2010.

8) Ata da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional. Reformador. Ano 129. N. 2186-A. Maio de 2011. P.5-7.

9) FEB sediou reuniões simultâneas do CFN, de jovens e de Cursos de Gestão. Reformador. Ano 133. N.2230. Janeiro de 2015. P. 56-59.

10) Carvalho, Antonio Cesar Perri; Carvalho, Célia Maria Rey (Org.). O evangelho segundo o espiritismo: orientações para o estudo. 1.ed. Brasília: FEB. 2014. 203p.

11) Página eletrônica: http://grupochicoxavier.com.br/historico-nepe-feb/ (Consulta em 23/05/2020).

12) Torres, Natália Cannizza. “Jesus a porta, Kardec a chave”: a apropriação do Novo Testamento pelo segmento espírita. Dissertação (Mestrado em Sociologia). Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. 2019. 91p. Disponível no site: https://repositorio.ufscar.br

13) Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Educandário de Luz. Cap. Em equipe espírita. São Paulo: IDEAL.

(*) Foi dirigente espírita em Araçatuba; presidente da USE-SP e da FEB; membro da Comissão Executiva do CEI.

Gestão de Centros Espíritas em nossos dias

Gestão de Centros Espíritas em nossos dias

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

O tema sobre gestão de centros espíritas nos motivou desde os tempos em que atuávamos como dirigente de instituição espírita em Araçatuba. Um artigo nosso publicado no jornal O Clarim provocou repercussões, inclusive junto à USE-SP: “Estão os Centros Espíritas preparados para receber grandes massas humanas?”.1 O tema norteou desde nossa primeira gestão como presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, a partir de julho de 1990. Daí a transformação do periódico da USE-SP em Dirigente espírita (1990), o 8o Congresso Estadual de Espiritismo (1992) tendo como tema central “Dimensão cósmica do Centro Espírita”, e, vários seminários sobre o tema.2

Após nossa mudança para Brasília e no início da gestão de Nestor João Masotti como presidente da FEB este amigo nos solicitou que informalmente procurássemos reunir uma equipe para dar início a um estudo sobre o tema. Assim se originou o futuro projeto de “capacitação de dirigentes de centros espíritas”. Convidamos companheiros ligados ao movimento espírita de Brasília e que tinham experiência efetiva em gestão de centros espíritas, incluindo a esposa Célia que havia integrado conosco equipes de centro espírita e junto à USE-SP e entre outros: Roberto Versiani, Edimilson Luiz Nogueira, Ricardo Silva, Rubens Dusi, e, em alguns momentos iniciais com Walid Dauod, Marco Leite e esposa Cristina.

Na reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB de 2001, já levamos as informações iniciais a pedido do presidente e foi designada uma Comissão, sob nossa coordenação. Nesse ínterim foi desenvolvido um seminário a título de projeto piloto em centro espírita da periferia do Distrito Federal: Centro Espírita Boa Árvore, na região Norte de Ceilândia.

Na reunião do CFN de 2002 apresentamos o projeto para “Capacitação Administrativa para Gestão das Casas Espíritas” gerando grande interesse e definindo-se que o assunto seria tratado nas reuniões das Comissões Regionais do CFN de 2003. Essa atividade ocorreu, aprovando-se no mesmo ano a implantação do projeto citado.3

Já estava oficializado o funcionamento da secretaria geral do CFN e, no ano seguinte, em 2004, como diretor da FEB, fomos designados como secretário geral do CFN. Naturalmente contamos com a atuação dessa equipe que já vinha trabalhando conosco, com novos colaboradores, e foram feitas viagens para atender convites de Federações dos Estados, somando onze encontros estaduais contando com a presença de futuros monitores indicados pelas Federativas.4

No CFN da FEB de 2004, já levamos informações sobre esse projeto que, em forma de curso, já se encontrava em implantação em 18 Estados5Inclusive houve muito apoio na gestão de Attílio Campanini na USE-SP, mas seguindo-se depois com Balieiro e Júlia, e com muita abrangência no Rio Grande do Sul, na gestão de Jason de Camargo na FERGS.

O novo programa se estendeu pelo país. No CFN de 2005 informamos a grande disseminação desses Cursos pelos Estados e com diferenciações de acordo com suas realidades, sendo alguns semi-presenciais e outros totalmente presenciais.6

Há vários registros interessantes. Um seminário que efetivamos em Parnaíba (Pi), seguindo-se o apoio presencial da equipe da secretaria geral do CFN, e até reuniões on line, redundou em novo marco para o movimento espírita daquela região.7

Nesse ínterim novos valores se somaram àquela equipe da secretaria geral do CFN, como: Edmar Júnior, José Luiz Dias, Cesar Adonay, Ayda Sasse, Marcos Rosa, Marcos Bragatto…

A experiência de cursos e seminários sobre gestão favoreceu outros trabalhos em que a equipe da secretaria geral do CFN teve decisivo papel, como relacionados com estudos para elaboração e implantação do opúsculo Orientação aos Órgãos de Unificação, lançado em 2010, e com a motivação e ativa participação “Projeto de Interiorização”, de visita a centros do interior, com apoio das respectivas Federativas Estaduais.8

A experiência de cursos e seminários sobre gestão levou a equipe a montar e implantar ao longo do ano de 2011 o primeiro curso a distância, utilizando o Portal da FEB, intitulado “Gestão de Centro Espírita” e coordenado por Ayda Sasse. Empregou-se a plataforma Moodle, um software livre, utilizado como ferramenta de apoio ao ensino e à aprendizagem para cursos online. Sempre contando com apoio técnico da equipe de Tecnologia da Informação da FEB. A repercussão e demanda foi enorme, inclusive com inscritos de outros países. Rapidamente se encerravam as inscrições para cada nova turma. Novas idéias e desdobramentos foram surgindo.

No CFN de 2011 informamos sobre a proposta do Seminário Integrado “Ações de Acolhimento, Conselho e Esclarecimento no Centro Espírita” que seria desenvolvido nas Comissões Regionais do ano de 2012. Também informamos sobre os cursos a distância de "Gestão de Centro Espírita" implantados neste ano, utilizando o Portal da FEB, inclusive com um curso de preparação a distância de tutores.9

Entre 2011 e 2013 o curso de “Gestão de Centros Espíritas” traduzido para o espanhol (“Herramientas para mejorar la gestión de la casa espírita”) por iniciativa da Federação Espírita Uruguaia, foi implantado no Uruguai. Na época o casal Azelma e Edimilson Luiz Nogueira residia em Montevideo em função de compromissos profissionais de Edimilson e eles se integraram em atividades de centro espírita, da Federação e foram grandes colaboradores desse Curso. Esta era dirigida por Eduardo Dos Santos. Na modalidade semi-presencial, o curso foi implantado envolvendo participantes de todos os centros do país e realizando-se reuniões presenciais nos finais de etapas, em eventos dos centros das regiões Norte e Sul do Uruguai. Como convidado, comparecemos em Montevideo em eventos marcantes da Federação e desse curso, inclusive no encerramento da primeira turma em janeiro de 2013, contando também com a presença do presidente da Confederação Espírita Argentina Gustavo Martínez.10

Durante a reunião do CFN da FEB, durante nossa presidência em 2014, houve simultaneamente a reunião de tutores dos cursos a distância (“sem distância”) de “Gestão de Centros Espíritas”, com coordenação de Ayda Sasse e presença de representantes sediados em 11 Estados, com o objetivo de avaliarem o trabalho e conhecerem o CFN da FEB.11

Quando concluímos a gestão de presidente da FEB, em março de 2015, já vinham sendo oferecidos vários cursos a distância, com a coordenação geral de Ayda Sasse e contando com uma grande equipe de tutores de várias partes do país. Eis os cursos a distância que já estavam sendo oferecidos pelo Portal da FEB, no início de 2015:12

- Curso I – Centro Espírita Visão Geral: oferece aos atuais e futuros colaboradores das Casas Espíritas a oportunidade de analisar a estrutura da instituição onde colabora, identificando novas possibilidades de ação;

- Curso II – Movimento Espírita Estrutura e Funcionamento; A proposta deste estudo é o de levar aos seus participantes uma visão mais ampla do processo de unificação;

- Curso III – O Dirigente e os Colaboradores: O objetivo central deste estudo é oferecer ao atuais e futuros dirigentes dos Centros Espíritas a oportunidade de refletir sobre a dinâmica de seu relacionamento de trabalho junto às equipes;

- Curso IV – O Dirigente e seu Processo de Trabalho: O foco deste estudo encontra-se na abordagem e no exercício de temas de caráter técnico-administrativo, visando agregar valores e métodos de facilitação ao trabalho;

- Curso V – Aspectos Gerais da Organização Jurídica no Centro Espírita: É sempre uma tarefa desafiadora aos dirigentes de um Centro Espírita o tratamento de algumas questões legais.

Após as mudanças na direção da FEB, a partir de março de 2015, foi extinta a secretaria geral do CFN e os cursos a distância de “Gestão de Centros Espíritas” foram suspensos.

Os detalhamentos de Leis e Normas relacionadas com as organizações religiosas e associações filantrópicas exigem continuadas atenções por parte dos gestores e no âmbito do movimento espírita soma-se a atenção para a compatibilização com as orientações emanadas dos valores cristãos e da efetiva prática espírita.13

Agora, quando for ultrapassada a terrível pandemia do COVID-19 que provocou isolamentos e quarentenas, muitas avaliações terão que ser realizadas no tocante ao funcionamento, organização e prioridades das instituições espíritas.14 O novo cenário demandará o exercício de gestão participativa e muito eficaz.

Bibliografia:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Estão os Centros Espíritas preparados para receber grandes massas humanas? O Clarim. Matão (SP), 15/5/1975, p.6-7.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. A proposta inovadora do Dirigente Espírita. Dirigente espírita. Ano 30. N. 173. São Paulo. USE-SP. 2019. P.7.

3) Reunião Ordinária do CFN de 2002. Reformador. Ano 121. N. 2086. Janeiro de 2003. P.22-23.

4) Capacitação administrativa para dirigentes de casas espíritas. Reformador. Ano 122. N. 2099. Fevereiro de 2004. P.78-79.

5) Ata da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional. Reformador. Ano 123. N. 2114-A. Maio de 2005. P.4-7.

6) Ata da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional. Reformador. Ano 124. N. 2126-A. Maio de 2006. P.8.

7) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba. Parnaíba: Expressão Gráfica Editora. 2018. 96p.

8) Ata da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional. Reformador. Ano 129. N. 2186-A. Maio de 2011. P.5-7.

9) Ata da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional. Reformador. Ano 130. N. 2198-A. Maio de 2012. p.5-6.

10) A FEB em evento federativo no Uruguai. Reformador. Ano 131. N.2208. Março de 2013. P. 119.

11) FEB sediou reuniões simultâneas do CFN, de jovens e de Cursos de Gestão. Reformador. Ano 133. N.2230. Janeiro de 2015. P. 56-59.

12) Página eletrônica: https://www.febnet.org.br/gestao/ (acesso em 13/05/2020).

13) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. 1.ed. São Paulo: USE. 2016. 196p.

14) Carvalho, Antonio Cesar Perri. A pandemia e suas profundas repercussões. Revista internacional de espiritismo. Ano XCV. N.4. Maio de 2020. p.164-165.

(*) Foi dirigente espírita em Araçatuba (SP), presidente da USE-SP e da FEB, membro da Comissão Executiva do CEI.

A pandemia e suas profundas repercussões

A pandemia e suas profundas repercussões

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

A pandemia mundial do COVID-19 tem produzido conseqüências inimagináveis.

Muitos alegam que no Brasil há outras epidemias, endemias e problemas sociais que também levam à morte. Outros lembram de outras epidemias que o país venceu. Realmente, a histórica “gripe espanhola” de um século atrás vitimou até o presidente da República Rodrigues Alves e o valoroso líder espírita Eurípedes Barsanulfo.

Agora estamos frente a uma situação completamente diversa pelas características do novo tipo de coronavírus. O mundo entrou num estado que varia de intensas preocupações até ao pânico desde que foi identificado o surto de coronavírus em Província da China. Em poucos meses o COVID-19 tem infectado e até feito vítimas letais em praticamente todos os países, e, chama atenção que compromete os países mais desenvolvidos do planeta. Silenciosamente o vírus rompeu todas as “redes de segurança” e chegou na intimidade de poderosos governantes.

Sem entrar em comentários sobre os meios de transmissão, a letalidade do Covid-19, comparações com outras epidemias e até ilações espíritas de causa e efeito, há algo que deve ser refletido.

Apenas daqui uns meses é que teremos ideia das reais conseqüências econômicas e sociais no mundo e em nosso país.

Há necessidade de uma reflexão bem ampla sobre a situação e tendências da Humanidade, e, na base, sobre valores. O profundo impacto virótico deve ser analisado também no tocante da questão da indiferença humana com questões de interesse geral que se refletem em consumismo, formas de ganância, desvalorização da família e de contatos sociais.

Agora, com multidões em isolamento social ou em rígidas quarentenas em cidades, regiões e países, grandes navios sem poderem desembarcar seus passageiros, estamos frente a um cenário que ninguém poderia imaginar.

A pandemia mundial está afetando todo o planeta a partir do poder de um microscópico vírus.

As autoridades de saúde chegaram até ao detalhe para se evitar sobrecarregarem os avós com a presença dos netos eventualmente dispensados das escolas, considerando que os idosos são integrantes do grupo de risco. Isso leva ao repensar da relação dos pais com seus filhos em função de compromissos do próprio lar e os profissionais.

O mundo espiritual sempre deixou claro que os encarnados devem zelar pelo corpo físico e valorizar a vida.

E aí surge a indagação: seriam momentos para se rever valores? Ou seja: valores relacionados com os ambientes familiar e social, independentemente de aparências e de máscaras sócio-econômicas? Naturalmente há impactos sobre as instituições e o movimento espírita.

Em virtude da pandemia do coronavírus, as Entidades Federativas adiaram a realização de Congressos Espíritas e os centros espíritas em geral suspenderam atividades.

Haverá necessidade de se rever prioridades em todos os âmbitos de ação. Inclusive, frente a um novo cenário econômico e social, sobre o qual não podemos fazer previsão.

A adoção de uma mensagem de consolo e de esperança espiritual é imperiosa. Quais serão as formas e condições de atendimento das necessidades sociais das pessoas beneficiadas por instituições espíritas?

Várias instituições estão fazendo transmissões ao vivo e reuniões virtuais. O período de quarentena poderá ensejar diversificação e atualização para as práticas espíritas, como a valorização e ampliação das formas de difusão utilizando redes sociais e vídeo conferências.

Com relação aos Congressos, que estavam previstos no território brasileiro em quantidade aparentemente exagerada, poderia caber um estudo e reflexão sobre os mesmos. Alguns aspectos poderiam ser considerados: a praticidade dos mesmos, abstração de eventuais interesses comerciais ou de subsistência de instituições, mais ênfase à seleção de expositores que abordam temáticas doutrinárias, valorização de expositores das várias regiões e se evitar a ênfase na centralização de convidados que parecem ser escolhidos em função de atraírem público. Claramente nota-se a repetição de uns pouquíssimos nomes nos vários Congressos. E o movimento espírita brasileiro é imenso e conta com muitos valores. Talvez alguns Congressos poderiam ser substituídos por seminários regionais e com temas de apoio direto aos centros e ao movimento espírita e também por seminários e palestras a distância, com acesso público e gratuito.

As conseqüências do microscópico Covid-19 na “empoderada” Humanidade de nossos dias, de repente, poderão conduzir a algumas reflexões humanitárias e até de natureza espiritual?

A propósito do contexto que a Civilização está vivendo, é muito oportuno o estudo reflexivo sobre capítulos do livro A Gênese, em que Allan Kardec trata nos capítulos XVI e XVII de assuntos que, claramente, estão relacionados com nossa época. Entre outros comentários: “[…] a época atual é a da transição: os elementos das duas gerações se embaralham. Colocados no ponto intermediário, presenciamos a partida de uma e a chegada da outra, a cada qual se distingue no mundo pelas características que lhe são próprias.” O Codificador alerta que: “[…] a fraternidade será a pedra angular da nova ordem social, mas não há fraternidade real, sólida e efetiva sem estar apoiada sobre uma base inabalável. Essa base é a fé; não a fé em tais ou quais dogmas particulares que mudam com o tempo e os povos e que se apedrejam mutuamente…”1

Fonte:

1) Kardec, Allan. A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Cap. XVI e XVII. São Paulo: FEAL. 2018.

(*) Foi presidente da FEB e da USE-SP; membro da Comissão Executiva do CEI.

Entraído de:

Revista internacional de espiritismo. Ano XCV. N.4. Maio de 2020. p.164-165.

Memórias junto à trajetória de Divaldo, o incansável divulgador: “Sigamos, erguendo o mundo novo”

Memórias junto à trajetória de Divaldo, o incansável divulgador: “Sigamos, erguendo o mundo novo

Antonio Cesar Perri de Carvalho[1]

  No dia 5 de maio Divaldo Pereira Franco completa 93 anos de idade e prossegue incansável nas ações da difusão espírita, em que pesem os limites de enfermidades e da própria idade. Tem vencido desafios e mantido seu compromisso de difusão do Espiritismo.

 Há quase seis décadas conhecemos Divaldo e ele exerceu muita influência em nossa adolescência e juventude. Ao longo do tempo acompanhamos a trajetória de Divaldo em inúmeras e variadas ações e que foram para nós momentos de aprendizagem. Em nossa memória desfila uma visão panorâmica.

 O primeiro contato foi por ocasião de sua palestra na XV Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo (COMBESP), em abril de 1962, em Araçatuba (SP). Na oportunidade, ele também visitou a Instituição “Nosso Lar”, na época recém fundada por familiares nossos.

 Nos anos imediatos, nos encontramos na histórica I Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil (COMJEB), realizada em abril de 1965, em Marília (SP). Guardamos como lembrança um livro em que coletamos autógrafos dos expositores, inclusive de Divaldo. No mês seguinte assistimos suas palestras em Araçatuba e Lins.

 Outros encontros se seguiram como na 1a Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Estado de São Paulo-COMJESP (Ribeirão Preto, abril de 1967). Nesse evento fomos vencedor no concurso de oratória, na categoria de expositor, e integramos a mesa de encerramento com palestra de Divaldo, e, como um grande desafio, fizemos uma saudação. Como lembrança, o primeiro livro de autoria de Joanna de Ângelis, o Messe de Amor (Editora Sabedoria, 1964), com autógrafos de Divaldo e vários amigos. Era o início da publicação de seus livros.

Encerramento da I COMJESP (1967): Divaldo, José de Faria e Perri

 

 Àquela época, já mantínhamos correspondência com Divaldo e recebíamos os folhetos impressos pela Mansão do Caminho contendo mensagens psicografadas.

 Desde 1972 passamos a organizar os roteiros de Divaldo pela região de Araçatuba, incluindo palestras desde Penápolis até a então nascente cidade de Ilha Solteira, e, chegando a Três Lagoas (MT). Na época éramos presidente do órgão da USE local (União Municipal Espírita de Araçatuba). A partir desse período, Divaldo foi nosso convidado para participação em vários eventos do movimento espírita de Araçatuba: a 16a Concentração de Mocidades Espíritas da Noroeste do Estado de São Paulo – COMENOESP (1973), e para Semanas e Mês Espíritas.

16a COMENOESP (1973): Ismael Gobi, Perri, Therezinha de Oliveira, Divaldo e Israel Antonio Alfonso

 

 Em função das palestras e diálogos, livros e correspondências assíduas, Divaldo representava apoio aos nossos passos espíritas.

 Divaldo foi hóspede de nossa genitora – Bebé – e nosso também, após nosso casamento, durante 30 anos. Nos dois lares sempre havia uma refeição com convites para os dirigentes e amigos da cidade, reunindo grande número de participantes, bate-papos informais, momentos proveitosos, alegres e fraternos.

 Com a esposa Célia, desde uma passagem em etapa da viagem de núpcias, algumas vezes visitamos o Centro Espírita Caminho da Redenção, este na antiga sede no bairro da Calçada e as casas-lares da Mansão do Caminho; depois a obra imensa reunida no bairro de Pau da Lima, em Salvador. Algumas vezes nos hospedamos na Mansão. Nossos filhos nasceram e cresceram acostumados com a visita do “tio” e um deles é tratado como “meu neto”. Os três filhos estiveram em visita à Mansão do Caminho. As dedicatórias nos livros registram as atenções de Divaldo com nossa família.

 Em várias visitas de Divaldo, houve momento de prece em nosso lar ou de nossa genitora – também com presença de convidados -, instantes em que o médium psicografou mensagens de Benedita Fernandes e de nosso tio Lourival Perri Chefaly.

Psicografia no lar de Bebé (1984)

 

 Nas visitas de Divaldo organizávamos entrevistas com os dirigentes locais e com a imprensa (rádios, jornais e TV). Estas foram transformadas em publicações que fizemos nos jornais de Araçatuba e também em periódicos espíritas. Essas publicações integraram um material apostilado “Divaldo em Araçatuba”, a ele ofertado na solenidade em que recebeu o título de “Cidadão Honorário de Araçatuba”, em 1984.

CELF, Araçatuba (1981): Perri, Divaldo, Rolandinho e repórter Dini

 

Título de Cidadão Araçatubense (1984): Divaldo, Perri e presidente Câmara

 

 Por sugestão de Divaldo elaboramos a obra Repositórios de Sabedoria coletânea em dois volumes em forma de abecedário de pensamentos de Joanna de Ângelis, extraídos das primeiras obras da Autora Espiritual.[2]

 No nosso livro, Dama da Caridade lançado em Araçatuba em 1982, reeditado e depois ampliado , há mensagens de Benedita Fernandes psicografadas por Divaldo.[3]

 Na obra Em Louvor à Vida , incluímos mensagens do espírito Lourival Perri Chefaly, psicografadas por Divaldo, lançado em Araçatuba, em dezembro de 1987.[4]

 Episódio histórico que acompanhamos desde os preparativos foi o reencontro de Divaldo com Chico Xavier, em Uberaba. Foram memoráveis as reuniões dessa nova etapa com Chico Xavier, reiniciadas no Grupo Espírita da Prece, aos 14 de fevereiro de 1978. Entre outros convidados, Divaldo fez uma bela exposição e nós também fizemos uso da palavra. No momento das psicografias em público Chico Xavier recebeu página de Emmanuel e uma carta de jovem desencarnado. Divaldo recebeu uma carta assinada por Lolo (apelido familiar de um tio nosso), dirigida a nós e a esposa Célia, que acompanhávamos a reunião[4]. Aos 5 de novembro de 1980, juntamente com a esposa, nossa genitora e amigos, assistimos à cerimônia em que Divaldo recebeu o título de "cidadão uberabense". Chico Xavier compareceu e usou da palavra na solenidade. Acompanhamos outros encontros conjuntos nos anos seguintes.

“Peregrinação” em Uberaba-15/02/1978: Acima: Perri, Divaldo e Chico; Abaixo: . Zilda e Weaker Batista, Chico e Divaldo

Camiseta da solenidade de Cidadania Uberabense a Divaldo (1980), com filhos de Cesar e Célia.

 

 Com nossa mudança, por razão profissional, para a cidade de São Paulo, e, mais à frente, para Brasília, Divaldo voltou a ser hospedado por nossa genitora até a desencarnação dela. Mas voltávamos a Araçatuba, para acompanhar os eventos com atuação de Divaldo.

Divaldo entre nossa genitora Bebé e sua tia; os irmãos Paulo, Aldo e Cesar com Célia-Araçatuba,1991

 

 No período de nossa presidência da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, Divaldo foi entrevistado na sede da USE-SP, gerando uma edição ampliada de publicação anterior com o expositor.[5] Ainda nesse período, em evento efetivado pela USE-SP, em São Paulo, para lançamento nacional da Campanha Viver em Família, promovido pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, em janeiro de 1994, Divaldo foi entrevistado sobre a Campanha. Este registro e a síntese das palestras dos vários convidados originou o livro Laços de família.[6]

Lançamento das Campanhas Vida e Família-Senado Federal: Divaldo, Juvanir Borges, senadores e Perri (nov.1993)

 

Lançamento nacional da Campanha Viver em Família – USE-SP – São Paulo (jan.1994)

 

 Em livros editados pela FEB, tivemos atuação em entrevistas com Divaldo promovidas pelo Conselho Federativo Nacional da FEB: atendendo a pergunta nossa em Conversa fraterna[7], no ano 2000, e, na obra Em nome do amor: a mediunidade com Jesus[8] está incluída entrevista que coordenamos durante o CFN da FEB em 2011.

 Nos diversos Estados do Brasil e em dezenas de países estivemos junto com Divaldo em vários eventos históricos. Muitas ações junto ao Conselho Federativo Nacional da FEB e o Conselho Espírita Internacional.

Reunião do CEI em Varsóvia (Polônia, 2010): Nestor Masotti, Divaldo e Perri

 

 Por ocasião da Reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, em novembro de 2014, na nossa gestão como presidente da Federação Espírita Brasileira, foram concretizadas várias atividades com Divaldo. Com a presença dele como figura central houve a promoção do “Movimento Você e Paz”, em solenidade no plenário da Câmara dos Deputados e palestra no anfiteatro da FEB. Nos mesmos dias foi inaugurada uma Exposição sobre a Mansão do Caminho e a obra de Divaldo Pereira Franco no Espaço Cultural na sede FEB em Brasília.

Em dias de reunião do CFN, Divaldo entrega o troféu “Você e a Paz” à FEB, sendo Perri o presidente da Federação Espírita Brasileira (Brasília, Nov.2014)

 

 Como geralmente acontece com líderes sempre há tentativas de serem controlados e surgirem “porta vozes”. Ao longo do tempo houve o esforço de Divaldo e nosso para se manter abertos os canais de comunicação. O intercâmbio epistolar em papel e digital é imenso!

 Logo em seguida, em outra etapa de nossos compromissos, contamos com apoio de Divaldo e vários contatos ocorreram em alguns eventos nos anos seguintes.

Casal Célia e Cesar no Congresso da FEEB-Salvador (Nov.2015)

 

Movimento Você e a Paz – Parque do Ibirapuera, São Paulo – Divaldo à direita; à esquerda: Júlia Nezu e Perri (Out.2016)

 

Congresso  Estadual da USE-SP – Divaldo com Perri e Balieiro (Atibaia, Jun.2017)

 

Perri em homenagem a Divaldo na  Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Out.2017)

 

 A convivência com Divaldo desde Araçatuba e em inúmeros locais foram momentos significativos, com boas recordações e inspiradores para a difusão do Espiritismo, para estímulo ao bem e à paz! Nossos registros sintéticos revelam instantes proveitosos e alegres. No afã de homenagear o lidador aniversariante nossa memória reviveu, como um filme, a longa trajetória, com registro de apenas uns cenários. Testemunhamos episódios notáveis acompanhando a evolução das ações de Divaldo, exceção apenas dos tempos iniciais de sua missão nos anos 1940/50. Sobre esse período ouvimos relatos dele próprio e assistimos as encenações no filme cinematográfico “Divaldo – O Mensageiro da Paz”.

Filme “Divaldo – O Mensageiro da Paz” e os espectadores: casais Nakano e Perri (São Paulo, 2019)

 

 Em abril de 2020 recebemos e-mails de Divaldo, com atenciosos e significativos comentários: “[…] Tenho prosseguido com destemor e fiel a Jesus-Kardec até à desencarnação próxima. […] Sou muito grato a você e família que me receberam desde jovem até hoje.” Logo depois em outra mensagem: “[…] Naquele lindo tempo éramos muito felizes. […] Sigamos, erguendo o mundo novo.”

Referências:

1) Foi dirigente em Araçatuba (SP), presidente da USE-SP e da FEB, membro da Comissão Executiva do CEI.

2) Franco, Divaldo Pereira; Carvalho, Antonio Cesar Perri (Org.). Pelo espírito Joanna de Angelis. Repositório de sabedoria. Vol. I e II.  283p e 288p. Salvador: LEAL. 1980.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Benedita Fernandes. A dama da caridade. Araçatuba: Ed. Cocriação/USERegional de Araçatuba. 2017. 144p.

4) Franco, Divaldo Pereira; Chefaly, Lourival Perri; Carvalho, Antonio Cesar Perri (Org.). Em louvor à vida. 2.ed. Salvador: Ed. LEAL. 2016. 152p. 

5) Franco, Divaldo Franco. Diálogo com dirigentes e trabalhadores espíritas. 2.ed. São Paulo: USE. 1993. 156p.

6) Franco, Divaldo Pereira; autores diversos. Laços de família. 8.ed. São Paulo: Ed. USE. 150p.

7) Franco, Divaldo Pereira. Conversa fraterna. Divaldo Pereira Franco no Conselho Federativo Nacional. Rio de Janeiro: FEB. 2001. 110p

8) Franco, Divaldo Pereira. Pelo espírito Bezerra de Menezes. Em nome do amor: a mediunidade com Jesus. 2.ed. Rio de Janeiro: FEB. 2012. 281p.

O Evangelho segundo o Espiritismo – 156 anos!

O Evangelho segundo o Espiritismo – 156 anos!

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Em meados de abril transcorrem 156 anos do lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de autoria de Allan Kardec; na primeira edição designado Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo.

O Codificador fez uma resenha sobre o livro em lançamento na Revista Espírita, edição de abril de 1864.1 No mesmo ano, na edição de dezembro comenta com seu bom senso peculiar uma mensagem, aceitando seu conteúdo, sobre o novo livro assinada por “O Espírito de Verdade”.1

Até hoje é o livro espírita mais editado, um autêntico best seller!

No período de publicações feitas pela EDICEI, a antiga editora do CEI, foram lançadas versões desse livro em vários idiomas. Agora, em 2020, na Inglaterra, a British Union of Spiritist Societies editou a tradução feita por Janet Duncan, fundadora do Allan Kardec Study Group e pioneira do Espiritismo no Reino Unido. Na realidade, antes dela havia apenas o movimento New Spiritualism. Também recentemente foi lançado na Bulgária a tradução desse livro para o idioma búlgaro feita por Pavlina Nikolova.

Por ocasião das comemorações do Sesquicentenário dessa obra básica de Allan Kardec em 2014, foram implementadas várias ações nos Estados do país e em nível nacional.

Como parte das comemorações pela efeméride, a Federação Espírita Brasileira promoveu de 11 a 13 de abril de 2014 o 4o Congresso Espírita Brasileiro. De uma maneira inédita este Congresso saiu da tradição da centralização na capital federal e foi descentralizado, realizado simultaneamente em quatro capitais, para se atender às diferentes regiões do país: Campo Grande, Vitória, João Pessoa e Manaus. O tema central foi único para os quatro eventos: “150 anos de esclarecimento e consolação”. Houve oportunidade para expositores atuarem em suas regiões. No dia anterior ao Congresso, nas quatro cidades ocorreram as reuniões regionais do Conselho Federativo Nacional da FEB. O presidente da FEB compareceu nas quatro cidades: na reunião regional do CFN em Manaus; na abertura do Congresso em Campo Grande e, simultaneamente, fazendo on line a abertura de todos os eventos. Depois proferiu palestras também em Vitória e João Pessoa, onde participou do encerramento dos eventos.

Os quatro eventos contaram com número muito expressivo de participantes.

A FEB lançou edições especiais de O Evangelho Segundo o Espiritismo e, inclusive, uma edição histórica bi-lingue da 1a edição Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo, com tradução feita por Evandro Noleto Bezerra.2 Também foi lançado o livro O Evangelho segundo o Espiritismo. Orientações para o estudo.3

Outro fato inédito nos eventos do 4o Congresso Espírita Brasileiro é que todos os inscritos receberam de volta o valor investido nas inscrições em livros editados pela FEB. Durante o Conselho Federativo Nacional da FEB de novembro de 2014, o coordenador geral do Congresso e assessor do presidente da FEB, José Antonio Luiz Balieiro, exultante, prestou contas demonstrando que os eventos foram auto-suficientes e até geraram um saldo, rompendo a tradição de eventos que eram mantidos pela Instituição.

Naquela época funcionava a todo vapor na sede da FEB o curso sobre O Evangelho segundo o Espiritismo, em dois dias por semana, e o Núcleo de Estudos e Pesquisas do Evangelho (NEPE), ambos implantados pelo então presidente, respectivamente em 2012 e 2013. O NEPE gerou um livro de estudo sobre o Evangelho3 e dezenas de programas gravados pela TVCEI e FEBTv.4

O conjunto de estímulos gerados pelo estudo do Evangelho frutificou.

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Carlos gerou a Dissertação de Mestrado “Jesus a porta, Kardec a chave”: a apropriação do Novo Testamento pelo segmento espírita, de autoria de Natália Cannizza Torres, para obtenção do título de Mestre em Sociologia. A autora comprovou o papel do NEPE da FEB, no período de 2013/2015, para o estímulo ao estudo do Evangelho e computou 59 NEPEs em diferentes centros espíritas, espalhados por 14 unidades federativas do país.5

A valorização de O Evangelho segundo o Espiritismo nos centros espíritas é de importância fundamental, e, no momento, extremamente necessária. O Espiritismo se assenta nas máximas morais do Cristo. Isso está claramente fundamentado na obra inaugural O Livro dos Espíritos e, na sequência, na obra em análise.

Entre os espíritas há esforço pelo aprimoramento moral e espiritual e por ações em favor do próximo, como as tradicionais instituições assistenciais. Em um mundo complexo, há muitos progressos técnicos, tecnológicos, humanos e sociais, porém ainda há contrastes chocantes e até muitas incertezas. Para a religião cabe a missão de colaborar com o homem, com ações educativas e preventivas, para se evitar as tragédias psíquicas, espirituais, ou seja, comportamentais.

Com base nos fundamentos do Cristianismo, a histórica obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, define o grande objetivo: “[…] destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissenções, mas tão-somente, união, concórdia e benevolência mútua”. A exclusão do orgulho e do egoísmo leva a importante conquista: “A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade.”6

Essa é a chave para o portal de uma nova Civilização! A lei áurea trazida pelo Cristo – de respeito e apoio ao próximo – deve ser a fundamentação para uma nova sociedade: de respeito à vida nas suas várias manifestações, de respeito ao próximo – nas relações interpessoais – e na diversidade humana, e de respeito à Natureza.

Num clima de transições e de incertezas o homem deve se conscientizar de sua natureza espiritual e das conseqüências práticas – individuais e sociais – de se colocar como um espírito encarnado e que adota a mensagem cristã.

Na profícua literatura mediúnica de Chico Xavier são evidentes as contribuições para o melhor entendimento do homem, como ser espiritual, e para uma compreensão bem expandida dos Evangelhos. O notável autor espiritual é autor de nove livros que comentam versículos do Novo Testamento.

Dois mil anos antes dos momentos de transição a base para uma nova Era foi apresentada pelo Cristo. Tudo indica que vivemos os estertores de um mundo de desrespeitos, e que, mesmo em situações difíceis que podem se apresentar, estas prenunciam o alvorecer de um novo dia para a Humanidade. Daí a importância que os espíritas assinalem os 156 anos de lançamento de O Evangelho segundo o Espiritismo!

Referências:

1) Kardec, Allan. Trad. Abreu Filho, Júlio. Revista espírita. Abril e dezembro de 1864. Vol. 7. São Paulo: Edicel.

2) Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. Imitação do evangelho segundo o espiritismo. Ed.Hist. Brasília: FEB. 2014.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri; Carvalho, Célia Maria Rey (Org.). O evangelho segundo o espiritismo: orientações para o estudo. 1.ed. Brasília: FEB. 2014.

4) Disponíveis no site: http://grupochicoxavier.com.br/videos-sobre-o-estudo-do-evangelho/ (consulta em 7/4/2020).

5) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pesquisa sobre o estudo do Evangelho entre espíritas. Revista Internacional de Espiritismo, Ano XCV, n. 2, Março de 2020. p.82-82; acesso à Dissertação: https://repositorio.ufscar.br (consulta em 7/4/2020).

6) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. XI. Rio de janeiro: FEB.

(*) Foi presidente da Federação Espírita Brasileira (interino, 2012/2013 e efetivo 2913/2015) e da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (1990/1994 e 1997/2000).

Extraído de:

Revista digital O Consolador, no. 667, edição 26/04/2020.

link (copie e cole):

http://www.oconsolador.com.br/ano14/667/especial.html

156 anos de O Evangelho e reflexos do histórico Congresso

156 anos de O Evangelho e reflexos do histórico Congresso

 

Chico Xavier lendo O evangelho segundo o espiritismo, na peregrinação, em Uberaba (1981)

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Agora em abril completa-se 156 anos do lançamento de O evangelho segundo o espiritismo, pelo Codificador.

Ainda repercutem as comemorações do Sesquicentenário desta obra básica de Allan Kardec que suscitaram amplas ações nos Estados do país e em nível nacional ao longo do ano de 2014.

Particularmente, com um grupo de idealistas vivemos momentos marcantes. Um evento histórico naquela ocasião foi o 4o Congresso Espírita Brasileiro, efetivado especialmente como parte das comemorações pela efeméride. A Federação Espírita Brasileira, através de seu Conselho Federativo Nacional, promoveu de 11 a 13 de abril de 2014 este Congresso, com várias maneiras de inovações.

Pela primeira vez um evento nacional saiu da tradição da centralização na capital federal. O 4o Congresso Espírita Brasileiro foi descentralizado e realizado simultaneamente em quatro capitais, com o objetivo de facilitar maior presença de pessoas das diferentes regiões do país. Assim, Campo Grande, Vitória, João Pessoa e Manaus foram sedes do Congresso nos mesmo período.

O tema central “150 anos de esclarecimento e consolação” foi comum para os quatro eventos. Previamente, nas reuniões das Comissões Regionais do CFN, foram coletadas sugestões para o rol de expositores atuarem em suas regiões. Assim, foram valorizados expositores provenientes das regiões do país. Nas quatro cidades sedes, no dia anterior ao Congresso, ocorreram as reuniões regionais do Conselho Federativo Nacional, coordenadas por vice-presidentes da FEB. O presidente da FEB compareceu nas quatro cidades. Em Manaus acompanhou a abertura da reunião da Comissão Regional Norte do CFN. No dia 11 de abril, pela manhã, em Campo Grande (MS) fez abertura simultaneamente, on line, de todos os locais do Congresso Brasileiro e proferiu a palestra local de abertura. No dia 12, compareceu ao evento em Vitória (ES) onde proferiu palestra à tarde. Finalmente, na manhã do dia 13 de abril proferiu a palestra de encerramento do Congresso em João Pessoa (Pb). Os quatro eventos contaram com número muito expressivo de participantes, superando muito o número de inscritos, como nos eventos anteriores, de forma centralizada em Brasília.

Um fato inovador em congressos brasileiros é que todos os inscritos receberam de volta o numerário investido nas inscrições, reavendo o mesmo valor em livros editados pela FEB e disponibilizados nas livrarias montadas nos Congressos. Na oportunidade, a FEB lançava edições especiais de O Evangelho Segundo o Espiritismo e, inclusive, uma edição histórica bi-língue da 1a edição – Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo, a de abril de 1864, com tradução feita por Evandro Noleto Bezerra1; o livro O Evangelho segundo o Espiritismo. Orientações para o estudo2 e O evangelho por Emmanuel (Vol.1).

Por decisão do CFN da FEB atuou como coordenador geral do 4o Congresso Brasileiro, o assessor do presidente da FEB e ex-presidente da USE-SP José Antonio Luiz Balieiro (desencarnou em 2018), que coordenou numerosa equipe. Este companheiro se esmerou e compareceu previamente ao Congresso nas quatro cidades sedes, dialogando e colaborando com as Federativas Estaduais. Uma das orientações era a racionalização de gastos com auditórios, buffets e detalhes que oneram as atividades. Um trabalho hercúleo que foi possível com o envolvimento de uma equipe disposta e sintonizada, envolvendo as Federativas Estaduais das sedes. Ao final do evento e tudo funcionou a contento, o coordenador Balieiro, prestou contas na reunião do CFN de novembro de 2014; estava exultante pois os eventos foram auto-suficientes, gerando ainda um saldo, e com isso superou a situação de eventos anteriores que eram mantidos pela Instituição.

A revista Reformador, em agosto de 2014 trouxe informações gerais sobre o evento nacional3 e sobre as Comissões Regionais, e, em janeiro de 2015, trouxe a síntese da Reunião do CFN da FEB, com aprovação do Relatório sobre o 4o Congresso Espírita Brasileiro.4

Entre os esforços para o estímulo à difusão e estudo da importante Obra Básica de Kardec, o livro de estudo sobre o Evangelho2, lançado naquela oportunidade, com vários co-autores que refletem as ações em equipe implementadas pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas do Evangelho da FEB (NEPE), desde março de 2013, como reuniões de estudo, seminários e vídeo aulas. Uma resenha completa sobre a obra foi publicada na revista Reformador.5 Essas ações foram encerradas após março de 2015.

Passados seis anos das comemorações do Sesquicentenário de O evangelho segundo o espiritismo, por onde viajamos encontramos repercussões agradáveis sobre aqueles momentos históricos, e, até pesquisa acadêmica sobre o estudo do Evangelho.6

Aos 156 anos de O evangelho segundo o espiritismo é indispensável que seu conteúdo seja sempre estudado e valorizado. Para atendimento das reais finalidades dos centros espíritas, nas tarefas de acolhimento, consolo, esclarecimento e orientação, essa obra do Codificador é fundamental. E, sem dúvida, precisa ser levada aos frequentadores, ao nível do público alvo de cada instituição.

Referências:

1) Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. Imitação do evangelho segundo o espiritismo. Ed.Hist.Bilingue. Brasília: FEB. 2014.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri; Carvalho, Célia Maria Rey (Org.). O evangelho segundo o espiritismo: orientações para o estudo. 1.ed. Brasília: FEB. 2014.

3) 4o Congresso Espírita Brasileiro. Reformador. Ano 132. N. 2223. Junho de 2014. P.371-375.

4) FEB sediou reuniões simultâneas do CFN, de jovens e de cursos de gestão. Reformador. Ano 133. N. 2230. Janeiro de 2015. P. 56-59.

5) Oliveira, Jorge Leite. O evangelho segundo o espiritismo: orientações para o estudo. Reformador. Ano 132. N. 2224. Julho de 2014. P. 423-425.

6) Torres, Natália Cannizza. “Jesus a porta, Kardec a chave”: a apropriação do Novo Testamento pelo segmento espírita. Dissertação (Mestrado em Sociologia). Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. 2019. 91p. Disponível no site: https://repositorio.ufscar.br (*)

Foi presidente da Federação Espírita Brasileira (interino, 2012/2013 e efetivo 2013/2015) e da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (1990/1994 e 1977/2000).

Uma Páscoa diferente

Uma Páscoa diferente

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Em meio ao isolamento social adotado com medida preventiva em tempos de pandemia, têm ocorrido profundas alterações nas relações familiares e sociais em geral. Esse cenário mudou a forma de se comemorar a tradicional Páscoa.

As famílias não puderam realizar grandes reuniões ou refeições comemorativas. Estas ficaram fisicamente circunscritas ao ambiente de cada lar.

Em que pesem os danos para o comércio, a ênfase na troca de presentes, de ovos de Páscoa e do marketing envolvendo o “coelhinho”, provavelmente diminuíram drasticamente.

As tradicionais comemorações religiosas formais que envolviam a presença de multidões foram suspensas.

Nas novas condições da sociedade, também tem havido apelos variados para orações nos lares e até em sintonia com grupos a distância em horários pré-combinados.

Jesus tem sido lembrado nos mais variados tipos de orações e até de apelos.

Para nós, espíritas, a substituição da tradicional imagem de Jesus crucificado pela evocação de suas aparições seguidas nos quarenta dias após o sacrifício, abre um horizonte completamente diferenciado para a compreensão do Mestre e seus ensinos.

Enfim, nessa Páscoa, valoriza-se o momento da família que pode estar fisicamente junta, e, dos familiares a distância, em contatos on line, mas, sem dúvida, vibratoriamente próximos. A lembrança da figura e dos exemplos de Jesus e o emprego da oração tem sido revigorados.

Entendemos que nessa Páscoa, sem a preponderância da tradição de meras formalidades e do consumismo, está ocorrendo uma comemoração mais voltada à nuance espiritual.

Talvez após a superação dos isolamentos sociais, quarentenas e de todas consequências sociais e econômicas, a pandemia do coronavírus possa vir a ser um marco na história da Humanidade, não necessariamente apenas pelos danos causados, mas, quiçá por induzir a muitas análises e reflexões sobre a sociedade, como revisão de valores e de prioridades de vida.

A certeza da imortalidade da alma fortalece a essência e a praticidade dos ensinos morais de Jesus.

Em momentos tormentosos e com a visão espiritual, podemos refletir mais na profundidade do Sermão da Montanha, sem dúvida, a “carta magna” do Cristianismo, cujo conteúdo poderá influir na elaboração de uma nova proposta para o convívio na sociedade, como parâmetro para uma Nova Era.

Allan Kardec trata sobre os chamados “sinais dos tempos” e sobre a expectativa de uma nova era, no capítulo XVIII de sua última obra – A gênese. Os milagres e as predições segundo o Espiritismo.

Há inúmeras mensagens espirituais sobre o tema disponíveis na literatura espírita. Transcrevemos apenas um trecho final de manifestação histórica e marcante do espírito Bittencourt Sampaio:

“Espíritas! Com Allan Kardec, retomastes o facho resplendente da Boa-Nova, que jazia eclipsado nas sombras da Idade Média! Compreendamos nossa missão de obreiros da luz, cooperando com o Senhor na construção do mundo novo!… Não ignorais que a civilização de hoje é um grande barco sob a tempestade… Mas, enquanto mastros tombam oscilantes e estalam vigas mestras, aos gritos da equipagem desarvorada, ante a metralha que incendeia a noite moral do mundo, Cristo está no leme! Servindo-o, pois, infatigavelmente, repitamos, confortados e felizes: Cristo ontem, Cristo hoje, Cristo amanhã!…”1

Referência:

Xavier, Francisco Cândido. Por espíritos diversos. Instruções psicofônicas. Cap. 64. Brasília: FEB. 2013.

(*) Foi presidente da FEB e da USE-SP, e membro da Comissão Executiva do CEI.

Reflexões sobre a pandemia, fé e ciência

Reflexões sobre a pandemia, fé e ciência 

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Estamos reunindo algumas informações e transcrições que podem servir de reflexões para os momentos críticos que estamos vivendo.

É verdade que as redes sociais estão divulgando aos borbotões mensagens, transcrições e lives.

Numa época de proliferação de fake news há necessidade de se analisar sobre conteúdos, conferindo-os com os parâmetros da Codificação Espírita. Portanto, deve haver muito cuidado antes de se “compartilhar” as matérias.

De início, lembramos que Allan Kardec conviveu com epidemias e as comentou em Revista Espírita (Novembro de 1865, Edicel), no artigo “O Espiritismo e o Cólera”. Nesse texto, o “bom senso encarnado” pondera que “seria absurdo crer que a fé espírita seja um ‘brevet’ de garantia contra o cólera”, e destaca que o conhecimento espírita “tendente a fortificar o moral é um preservativo”.

Na terrível epidemia da “gripe espanhola” nos anos 1918 e 1919, entre milhões de vítimas no mundo, em nosso país, desencarnou o pioneiro Eurípedes Barsanulfo e o presidente da República Rodrigues Alves.

Até a primeira metade do século XX, antes do aparecimento das vacinas Salk e Sabin, o risco de “paralisia infantil” atemorizava as famílias. E surgiram outras epidemias em nosso país tropical, como a febre amarela, cólera, deng…

Particularmente, no seio da família, vivemos antes das vacinas, os cuidados e fugas de surtos de “paralisia infantil”. Vivenciamos as dedetizações maciças nas cidades do interior contra a febre amarela e a deng. As caminhonetes ligadas a serviços de saúde eram conhecidas por produzirem o popularmente chamado “fumacê”.

Em viagens internacionais também surgiram cuidados. Em 1973, não pudemos chegar até ao Sul da Itália, porque havia surto de cólera. Logo depois para viagens a alguns Estados do Brasil, países e Continentes havia a exigência de Atestado de algumas vacinações que eram obrigatórias.

Como profissional da área da saúde, em meados dos anos 1980, convivemos com as contaminações dos vírus da hepatite B e da AIDS. Até chegamos a realizar uma grande campanha de esclarecimento junto a profissionais, ao povo em geral, e publicações especializadas, para se estimular a profilaxia dessas enfermidades.

Agora, estamos frente a uma situação completamente nova, pois o COVID-19 é um vírus ainda não bem conhecido, e, num mundo globalizado tem provocado situações e prejuízos inimagináveis, mas já se tendo a certeza da velocidade e facilidade com que se dissemina e dos riscos enormes, principalmente na faixa etária da chamada 3a idade.

Para nós, espíritas, não há nenhuma dúvida sobre os compromissos que temos com a vida em geral e, especificamente, com nosso organismo, desde as Obras Básicas de Allan Kardec.

Claramente nos alerta André Luiz: “O corpo é o primeiro empréstimo recebido pelo Espírito trazido à carne” (Conduta Espírita, capítulo 34).

Daí a razão para atendermos às orientações e recomendações emanadas das autoridades da área da Saúde.

Como Kardec chamou atenção em nota acima destacada da Revista Espírita de 1865, não é apenas com a fé que resolvemos as questões corpóreas e sociais. Por oportuno, precisamos empregar a “fé raciocinada” e relermos trechos do item “Aliança do Espiritismo com a Ciência” (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap.1) e os últimos capítulos da derradeira obra de Kardec: A Gênese.

Aliás, no livro citado, o lúcido Codificador desenvolveu uma linha de raciocínio muito inspirada. Destacamos apenas um trecho que pode sugerir reflexões sobre os momentos que a Humanidade está vivendo, quais as razões, os porquês e para onde vamos: “[…] a fraternidade será a pedra angular da nova ordem social, mas não há fraternidade real, sólida e efetiva sem estar apoiada sobre uma base inabalável. Essa base é a fé; não a fé em tais ou quais dogmas particulares que mudam com o tempo e os povos e que se apedrejam mutuamente…” (A Gênese, Cap. XVIII).

Vacinas e tratamentos específicos surgirão, mas o impacto da atual pandemia poderá levar a Humanidade a buscar novos valores, com bases humanitárias, e, quiçá, assentados na “carta magna” do Cristianismo: no Sermão da Montanha.

o0o

“Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” – Paulo (1 Cor. 6, 20).

(*) O autor é ex-presidente da FEB e da USE-SP.

Existem efeitos positivos na pandemia?

Existem efeitos positivos na pandemia?

Almir Del Prette (*)

Não obstante o título, não adotamos um otimismo ingênuo, do personagem Panglos de Cândido/Voltaire. Entretanto, governos e sociedades se mobilizam para enfrentar na atualidade, os graves efeitos causados pela disseminação do covid-19. A OMS, após estudos sobre a propagação do covid-19 comunicou a todos os países que o mundo vive situação de pandemia. A China havia sido o primeiro país afetado e se valeu de medidas drásticas, controlando rigidamente o ir e vir, objetivando diminuir os efeitos da propagação viral. Sabe-se hoje, que o mundo inteiro será afetado e que a propagação do vírus ocorre em progressão geométrica.

Para se ter ideia da propagação geométrica basta recordarmos da história de Malba Tahan, em “O homem que calculava”. Vamos resumi-la: um monarca, grato pelo jogo de xadrez que lhe foi ofertado por um visitante (Sassa), lhe ofereceu, como recompensa, um grande prêmio à sua escolha. Entretanto, a oferta foi polidamente recusada, mas o monarca insistiu, pois era senhor de grande riqueza e se sentiria ofendido com a recusa. O visitante, seguindo as regras, aceitou o presente, desde que lhe fosse dado em trigo. Para selar o acordo pediu que considerassem o tabuleiro de xadrez como recurso para calcular o montante, disposto: a grão na primeira casa (à esquerda), dois logo na de cima, quatro grãos de trigo na terceira casa, oito na sequência e assim sucessivamente, O montante foi: 18.446.744.073.709 toneladas. Impossível de ser honrado pelo monarca.

O covid-19 também se espalha, conforme os especialistas, de forma geométrica, porém não exatamente como no cálculo para o trigo, uma vez que existem pessoas auto imunes, as que praticam excelente medidas higiênicas e aquelas com maior ou menor número de contatos. As medidas de higienização pessoal e do ambiente, o isolamento social e o distanciamento mínimo de 1,5 metro em caso de contato, podem exercer algum controle sobre o contágio. Entretanto, existem setores de serviços que precisam funcionar e lidam com pessoas contaminadas ou suspeitas de contaminação, caso dos médicos, enfermeiros e pessoal de apoio. Além desses, temos os que atuam nas farmácias, supermercados etc. E os garis que realizam trabalhos muito importante.

Em vários países, as pessoas, ainda que perplexas e amedrontadas buscam estratégias de autocuidado e igualmente de solidariedade. Na Itália por exemplo, os moradores das cidades turísticas, agora esvaziadas, abrem as janelas de suas casas e conversam com os outros. Também cantam suas árias, para acalmar e demostrar otimismo. Aqui, entre nós, são formados grupos de apoios à idosos ajudando-os em suas compras. Na imprensa e redes sociais verifica-se um aumento considerável de programas com especialistas visando esclarecimentos sobre o problema. Além dessas estratégias é importante ainda a divulgação de providencias para a diminuição do estresse, que acometem pessoas que são retiradas de suas rotinas e não sabem como ocupar o tempo repentinamente disponível.

O sofrimento social pelo isolamento é porta escancarada para a depressão e conflitos domésticos. As pessoas precisam aprender a usar de maneira produtiva o tempo, adotando algumas formas de ocupações por exemplo:

(a) costurar, fazer jardinagem, experimentar novos pratos e trocar de receitas;

(b) praticar jogos à distância como o xadrez;

(c) completar leituras deixadas de lado ou reler livros encontrados na própria residência; (d) selecionar e assistir novos filmes ou series dando preferência para conteúdos construtivos para evitar estresse e recomendar para amigos via internet;

(e) fazer distribuição das tarefas domésticas, para não sobrecarregar um ou outro;

(f) injetar nos grupos de redes sociais dos quais participa, uma boa dose de bom ânimo;

(g) fazer buscas localizando antigos contatos, provendo informações sobre o paradeiro de outros…

Lembramos que estamos no começo do isolamento social. Conforme relato de uma brasileira que viveu essa situação na Itália, as duas primeiras semanas são mais toleráveis. Ela recomenda uma alternativa bem interessante a de planejar e executar atividades mais duradouras que envolvam uma rotina. Por exemplo, os pais proverem, atividades escolares das crianças de maneira organizada, com horário, tarefas, avaliações etc.

Outra possibilidade para os espíritas, mas não somente é a de se inscrever em um curso sobre espiritismo, on line. São várias as opções nesse sentido. Pode ser um bom momento para ler A Gênese, baseada na terceira edição. E, finalmente, exercitar a prece como remédio salutar em benefícios de todos. Pensemos nisso!

(*) Da Sociedade Espírita Obreiros do Bem, São Carlos (SP); Grupo Relações Interpessoais e Habilidades Sociais da Universidade Federal de São Carlos (Website: www.rihs.ufscar.br)

Extraído do "Boletim Notícias do Espiritismo":

http://www.noticiasespiritas.com.br/2020/MARCO/28-03-2020.htm