O NECESSÁRIO ACOLHIMENTO DOS SIMPLES
Antonio Cesar Perri de Carvalho
Na trajetória do movimento espírita sempre foi muito marcante a ação dos espíritas no atendimento dos socialmente carentes.
Esta dedicação contribuiu significativamente para se assegurar a respeitabilidade dos espíritas junto à comunidade, aos poderes públicos e à mídia.
Todavia, se historicamente esse é um fato inconteste, a simples observação mais ampla dos frequentadores dos Centros Espíritas e alguns dados estatísticos sobre o perfil dos espíritas apontam para a realidade de que, usualmente, a frequência às reuniões espíritas está concentrada em pessoas da faixa social média e, em algumas regiões, com ligeira tendência para patamares superiores.
Ou seja, os integrantes das faixas sociais menos dotadas geralmente comparecem mais como assistidos e, proporcionalmente, são menos representativos até como espíritas declarados.
Essa realidade sugere algumas questões sobre o fluxo de pessoas dentro do Centro Espírita, que devem merecer reflexões e avaliações: a recepção e o atendimento fraterno aos novatos; os esclarecimentos sobre as atividades da instituição; o real acolhimento, como o enlaçamento fraterno aos frequentadores e colaboradores, propiciando, inclusive, eventuais visitas aos seus lares; orientação e apoio às reuniões de evangelho no lar; o nível das exposições nas reuniões públicas; o programa e a duração dos cursos oferecidos; as opções de atuação atendendo-se à diversidade das condições das pessoas que se dispõem a colaborar; o atendimento às necessidades de apoio, orientação e de equilíbrio a problemas mediúnicos; a disponibilidade de livros com conteúdo, redação e preço, compatíveis com as faixas sociais mais simples, e, algumas outras opções que se caracterizam como prática da fraternidade e da caridade de natureza espiritual.
Desde as obras da Codificação há considerações oportunas sobre o acolhimento e atendimento dos mais simples, como em “Missão dos Espíritas”: “Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão.”1
Sem qualquer ideia de proselitismo, entendemos que o acolhimento dos simples no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempos que vivemos.
Lembramos que o Espiritismo está no momento preciso para cumprir seu papel – de consolo, apoio, esclarecimento e contribuição para a libertação espiritual -, notadamente na etapa da grande transição que já vivemos2: “[…] o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito” (João 14, 26).
Com base nos estudos que empreendemos há décadas sobre O evangelho segundo o espiritismo, e, na interrelação com os participantes, consideramos que é oportuno pensar-se na sua utilização mais ampla nas reuniões espíritas: estudos, explanações, divulgação, e, modulando a abordagem de acordo com o público-alvo, de forma simples e objetiva2.
É a obra que consola e esclarece com base na compreensão do ensino moral de Jesus à luz dos princípios exarados em O livro dos espíritos.
Referências:
1. Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. XX, item 4. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
2. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Evangelho com simplicidade. Matão: O Clarim. 2024. 161p.
