COMEÇAR DE NOVO

(Texto e Power point)

Erros passados, tristezas contraídas, lágrimas choradas, desajustes crônicos!… Às vezes, acreditas que todas as bênçãos jazem extintas, que todas as portas se mostram cerradas à necessária renovação!…

Esqueces-te, porém, de que a própria sabedoria da vida determina que o dia se refaça cada amanhã. Começar de novo é o processo da Natureza, desde a semente singela ao gigante solar.

Se experimentaste o peso do desengano, nada te obriga a permanecer sob a corrente do desencanto.

Reinicia a construção de teus ideais, em bases mais sólidas, e torna ao calor da experiência, a fim de acalentá-los em plenitude de forças novas.

O fracasso visitou-nos em algum tentame de elevação, mas isso não é motivo para desgosto e autopiedade, porquanto, freqüentemente, o malogro de nossos anseios significa ordem do Alto para mudança de rumo, e começar de novo é o caminha para o êxito desejado.

Temos sido desatentos, diante dos outros, cultivando indiferença ou ingratidão; no entanto, é perfeitamente possível refazer atitudes e começar de novo a plantação da simpatia, oferecendo bondade e compreensão àqueles que nos cercam.

Teremos perdido afeições que supúnhamos inalteráveis; todavia, não será justo, por isso, que venhamos a cair em desânimo.

O tempo nos permite começar de novo, na procura das nossas afinidades autênticas, aquelas afinidades suscetíveis de insuflar-nos coragem para suportar as provações do caminho e assegurar-nos o contentamento de viver.

Desfaçamo-nos de pensamentos amargos, das cargas de angústia, dos ressentimentos que nos alcancem e das mágoas requentadas no peito!

Descerremos as janelas da alma para que o sol do entendimento nos higienize e reaqueça a casa íntima.

Tudo na vida pode ser começado de novo para que a lei do progresso e de aperfeiçoamento se cumpra em todas as direções.

Efetivamente, em muitas ocasiões, quando desprezamos as oportunidades e tarefas que nos são concedidas na Obra do Senhor, voltamos tarde a fim de revisá-las e reassumi-las, mas nunca tarde demais.

Emmanuel

(do livro “Alma e Coração”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Ed.Pensamento, SP).

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Acesse a mensagem em power point: https://www.youtube.com/watch?v=8WkoH8DbbEs

ESPÍRITAS NO EVANGELHO

Comenta o Evangelho, nas tarefas doutrinárias do Espiritismo; entretanto, diligencia exumar as sementes divinas da Verdade, encerradas no cárcere das teologias humanas, para que produzam os frutos da vida eterna no solo da alma.

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Exalta a glória do Cristo, mas elucida que Ele não transitou, nos caminhos humanos, usufruindo facilidades e, sim, atendendo aos desígnios de Deus, nas disciplinas de humilde servidor.

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Refere-te ao Céu, mas explica que o Céu é o espaço infinito, em cuja vastidão milhões de mundos obedecem às leis que lhe foram traçadas, a fim de que se erijam em lares e escolas das criaturas mergulhadas na evolução.

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Menciona os Guias Espirituais mas esclarece que eles não são Inteligências privilegiadas no Universo, mas, sim, Espíritos que adquiriram a sabedoria e a sublimação, à custa de amor e a preço de lágrimas.

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Reporta-te à redenção, mas observa que a bondade não exclui e que o Espírito culpado é constrangido ao resgate de si próprio, através da reencarnação, tantas vezes quantas sejam necessárias, porquanto, à frente da Lei, cada consciência deve a si mesma a sombra da derrota ou o clarão do triunfo.

Cita profetas e profecias, fenômenos e influências, mas analise os temas da mediunidade, auxiliando o entendimento comum, no intercâmbio entre encarnados e desencarnados, e ofertando adequado remédio aos problemas da obsessão.

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Salienta os benefícios da fé, mas demonstra que a oração sem as boas-obras assemelha-se a dolosa atitude nos negócios da alma, de vez que, se a prece nos clareia o lugar de trabalho, é preciso apagar o mal para que o mal nos esqueça e fazer o bem para que o bem nos procure.

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Define a excelência da virtude, mas informe que o crédito moral não é obtido em deserção da luta que nos cabe travar com as tentações acalentadas por nós mesmos, a fim de que a nossa confiança nas Esferas Superiores não seja pura ingenuidade, à distância da experiência.

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Expõe o Evangelho, mas não faça dele instrumento de hipnose destrutiva das energias espirituais daqueles que te escutem.

Mostra que Jesus não lhe plasmou a grandeza, operando sem amor e sem dor, e nem distraias a atenção dos semelhantes, encobrindo-lhes a responsabilidade de pensar e servir, que a Boa Nova nos traça a todos, de maneira indistinta. O Espiritismo te apóia o raciocínio para que lhe reveles a luz criadora e a alegria contagiante, auxiliando-te a despertar os ouvintes da verdade na compreensão do sofrimento e na felicidade do dever, nos tesouros do bem e nas vitórias da educação.

Emmanuel

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Contesse Diane, “Maximes de la vie”: Le bonheur se donne pas; il s’échange. Notre bonheur vient toujours d’autrui. A felicidade não é coisa que se dê; nós a trocamos. Nossa felicidade procede sempre de outro alguém.

(Xavier, Francisco Cândido, por Emmanuel. Escrínio de Luz. Ed. O Clarim) 

CONSIDERAÇÕES

Devemos guardar o evangelho na cabeça?

Sim, porque precisamos orientar o pensamento para o bem…

Cabe-nos a obrigação de imprimir o Evangelho nos olhos?

Sim, porque é indispensável permaneça a nossa visão identificada com o ensinamento divino, que transparece de todos os lugares.

Compete-nos conservar o Evangelho nos ouvidos?

Sim, porque é imprescindível registrar a mensagem de bondade que o Alto nos reserva, em todas as particularidades da senda a percorrer.

É imperioso guardar o Evangelho nas mãos?

Sim, porque nossos braços são os instrumentos com os quais criaremos o mundo de nossas boas-obras, na direção do Paraíso.

Será necessário respeitar o Evangelho com os nossos pés? Sim, porque a reta diretriz é imperativo comum.

Justo, porém, antes de tudo, é situar o Evangelho no coração, para que o ensino de Jesus aplicado em nós mesmos resplandeça através de nossa mente, de nosso olhar, de nossa audição, de nossas mãos e de nossos pés, a fim de que não sejamos aprendizes fragmentários, subestimando o serviço do Divino Mestre.

É imprescindível trazer a Boa-Nova, em todos os nossos pensamentos e aspirações, potências e atividades, salientando-se, contudo, o impositivo da lição de Jesus, no imo dos nossos sentimentos, para que estejamos ligados, primeiramente, ao Senhor, e não ao nosso “eu”, de vez que, segundo as velhas e sempre jovens palavras na Escritura Celeste, onde guardamos o coração aí se encontrará o tesouro de nossa vida.

Evangelho no coração será, portanto, a plenitude do Cristo em nós.

Emmanuel

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Quinto Curcio em “De rebus gesti Alexandri, V”: Fortunati semper pacem quaerunt. Os felizes sempre buscam a paz.

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Escrínio de Luz. Ed. O Clarim)

FELIZ ANO-BOM

            Desde a mais remota antiguidade, o velho Cronos, que guarda a prerrogativa de gerar caminhos e transformar coisas e pessoas, vem sendo saudado, de ciclo a ciclo, como se fora, magicamente, capaz de se fracionar, consoante o homem concebe ao interpretar-lhe o poder intocável mas objetivo sobre tudo.

            Das esferas espirituais, nós, os Espíritos que amamos o Brasil e operamos, consoante nos é possível, em favor da iluminação moral de seu povo, também lamentamos a onda de violência surda que, acima da média habitual, caracterizou este inesquecível 2015 da era cristã.

            Todavia, fazendo valer o entendimento de nossa condição de “libertos da carne”, em grupos imensos de servidores espirituais que enfeixam religiosos de todas as denominações, educadores de valor, políticos conscientes e ardorosos, artistas notáveis, ex-escravos com suas histórias de heroísmo e bondade e também índios que dão corpo ao programa da caridade, nos unimos para louvar o coração de Jesus e agradecer a Ismael por não termos visto, no solo da Pátria do Cruzeiro, as insatisfações e os muitos temores se transfigurando em guerra civil, de lamentáveis consequências…

            No período em que se deu a Abolição da escravatura, os ânimos estiveram tão exaltados quanto agora e temos o dever de reverenciar a Misericórdia do Cristo e enaltecer o símbolo sagrado de seu martírio, estampado no Céu deste gigante americano, pois em mais de quinhentos anos de cultura do Evangelho, em nenhum momento de profundas transformações de nossa história o sangue coletivo jamais foi derramado, cumprindo-nos a intensificação da obra educativa e espiritual mais intensiva, de coração para coração, a fim de alcançarmos, como Nação, como povo convertido ao Cristianismo, a legítima expressão da Fraternidade!

            O Ano-Novo é novamente uma promessa e, considerando que neste ano que agoniza, o Brasil das esperanças de Jesus, em movimentos espirituais, conheceu a libertação de milhares de Espíritos viciosos e perversos que, durante todo o ano, de modo ativo, atuaram sobre a sociedade, como instrumentos de aferição dos valores cívicos e morais da família brasileira, sobrevivemos todos, com nossa capacidade de renovar esperanças e exercitar o bem legítimo. E não se diga que isso ocorreu à revelia do Poder Divino, pois embora o mal seja fogo-fátuo, ele queima, arde e ameaça, mas a benefício do amadurecimento de nossas possibilidades individuais e coletivas, no rumo do grande amanhã, para cumprimento da sublime profecia: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho redentor!

IRMÃO X

(Mensagem psicografada pelo médium Wagner G. Paixão durante reunião pública do Grupo Espírita da Bênção, no dia 28 de dezembro de 2015, em Mário Campos, MG, Brasil) 

Carta de Ano Novo

Ano Novo é também oportunidade de aprender, trabalhar e servir. O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para necessária ascensão.

Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para a execução de velhas promessas que ainda não tivestes a coragem de cumprir.

Se tens inimigos, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.

Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.

Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.

Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência tranquila no dever bem cumprido.

Ano Novo! Novo Dia!

Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.

Recorda que há mais ignorância que maldade em torno de teu destino.

Não maldigas nem condenes.

Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.

Não te desanimes nem te desconsoles.

Cultiva o bom ânimo com os que te visitam dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.

Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora: Ama e auxilia sempre. Ajuda aos outros amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

 

EMMANUEL

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Vida e Caminho. Ed.GEEM)

ORAÇÃO DO NATAL

Rei Divino, na palha singela, porque te fizeste criança, diante dos homens, quando podias ofusca-los com a grandeza do Teu Reino?

Soberano da Eternidade, porque estendeste braços pequerruchos e tenros aos pastores humildes, mendigando-lhes proteção, quando o próprio firmamento te saudava com uma estrela sublime, emoldurada de melodias celestes?

Certamente, vinhas ao encontro de nosso coração, para libertá-lo.

Procuravas o asilo de nossa alma, para convertê-la em harpa nas tuas mãos.

Preferias esmolar segurança e carinho, para que, em te amando, de algum modo, na manjedoura esquecida, aprendêssemos a amar-nos uns aos outros.

Tornavas-Te pequenino para que a sombra do orgulho se desfizesse, em torno de nossos passos, e pedias compaixão, porque não nos buscavas por adornos do Teu carro de triunfo, como vassalos de Tua Glória, mas, sim, por amigos espontâneos de Tua causa e por tutelados de Tua bênção…

E modificaste assim, o destino das nações. Colocaste o trabalho digno, onde a escravidão gerava a miséria, acendeste a claridade do perdão, onde a noite do ódio assegurava o império do crime, e ensinaste-nos a servir e a morrer, para que a vida se tornasse mais bela…

É por isso que, ajoelhados em espírito, recordando-Te o berço pobre, ofertamos-Te o coração…

Arranca-o, Senhor, da grade do nosso peito, enferrujado de egoísmo, e faze-o chorar de alegria, no deslumbramento de Tua luz!… Conduze-nos, ainda, aos tesouros da humildade, para que o poder sem amor não nos enlouqueça a inteligência, e deixa-nos entoar o cântico dos pastores, quando repetia, em prantos jubilosos, a mensagem dos anjos:

– Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens!…

MEIMEI

(Xavier, Francisco Cândido. ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL. Cap. 26. Ed.FEB)

 

Atenção:

Acesse esta mensagem lida por Chico Xavier:

https://www.youtube.com/watch?v=nnhpFdfXynY

José da Galiléia

“E projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: – José, filho de David, não temas receber a Maria.” – Mateus: 1-20

 

Em geral, quando nos referimos aos vultos masculinos que se movimentam na tela gloriosa da missão de Jesus, atendemos para a precariedade dos seus companheiros, fixando, quase sempre, somente os derradeiros quadros de sua passagem no mundo.

É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes, de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem mácula e a consciência pura.

José da Galiléia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às analises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.

Já pensaste no cristianismo sem ele?

Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.

Entretanto, embora honrado pela solicitação de um anjo, nunca se vangloriou de dádiva tão alta.

Não obstante contemplas a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria.

O mundo não tem outras notícias de suas atividades senão aquelas de atender às ordenações humanas, cumprindo um édito de César e as que no-lo mostram no templo e no lar, entre a adoração e o trabalho. Sem qualquer situação de evidencia, deu a Jesus tudo quanto podia dar.

A ele deve o cristianismo à porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Levantar e Seguir.  Ed.GEEM)

O selo do amor

Pelo caminho da ascensão espiritual, denominado “cada dia”, encontrarás variados recursos de aprimoramento, a cada passo.

É o trabalho que te espera a noção de responsabilidade no devotamento ao dever.

É a oportunidade de praticar o bem, incessantemente.

É o companheiro da parentela consanguínea que te não compreende ainda e, junto do qual, podes exercer o ministério do auxílio e do perdão.

É o adversário que te combate os propósitos de melhoria com quem a luta te possibilita a hora de paciência e aprendizado.

É o espinho que te fere ou a pedra que te maltrata, que se fazem benfeitoras de tua jornada, por te descerrarem o santuário da prece e da humildade, se a tua mente vive acordada à luz do Senhor.

É a dificuldade que, muitas vezes, te surpreende nos lábios dos mais queridos, constrangendo-te à consolidação de virtudes imprecisas.

Segue, pois, adiante, amando, crendo, esperando e servindo sempre.

Cada obstáculo e cada amargura guardam raízes no processo educativo de nossa própria regeneração.

Cada ensinamento tem o seu lugar, a sua hora e a sua finalidade.

Aproveitar semelhantes bençãos, de conformidade com os padrões de Jesus, que passou entre nós fazendo o bem, que nos ama desde o princípio e que permanecerá conosco, até o fim dos séculos.

Dirás, talvez, diante de nosso apelo: – “Não compreendo, não me lembro, não posso”.

O Senhor, entretanto, não nos impõe fardos que não possamos suportar, não nos endereça problemas que não estejamos aptos a resolver e jamais esqueçamos de que a reencarnação traz o selo do amor divino, em benemérito esquecimento, enriquecendo-nos de bênçãos de reaproximação, fraternidade e serviço, a fim de executarmos, sem percalços invencíveis, o trabalho de nossa própria redenção.

 

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Taça de Luz. Lição nº 06. Ed. LAKE)

A ESTRANHA CRISE

O mundo vem criando soluções adequadas para a generalidade das crises que o atormentam.

A carência do pão, em determinados distritos, é suprida, de imediato, pela superprodução de outras faixas de terra.

Corrige-se a inflação, podando a despesa.

O desemprego desaparece pela improvisação de trabalho.

A epidemia é sustada pela vacina.

Existe, porém, uma crise estranha – e das que mais afligem os povos – francamente inacessível à intervenção dos poderes públicos, tanto quanto aos recursos da ciência nas conquistas modernas.

Referimo-nos à crise da intolerância que, desde o travo de amargura, que sugere o desânimo, à violência do ódio, que impele ao crime, vai minando as melhores reservas morais do Planeta, com a destruição conseqüente de muitos dos mais belos empreendimentos humanos.

Para a liquidação do problema que assume tremendo vulto em todas as coletividades terrestres, o remédio não se forma de quaisquer ingredientes políticos e financeiros, por ser encontrado tão-somente na farmácia da alma, a exprimir-se no perdão puro e simples.

O perdão é o único antibiótico mental suscetível de extinguir as infecções do ressentimento no organismo do mundo.

Perdão entre dirigentes e dirigidos, sábios e ignorantes, instrutores e aprendizes, benevolência entre o pensamento que governa e o braço que trabalha, entre a chefia e a subalternidade.

Consultem-se nos foros – autênticos hospitais de relações humanas – os processos por demandas, questões salariais, divórcios e desquites baseados na intransigência doméstica ou na incompatibilidade de sentimentos, reclamações, indenizações e reivindicações de toda ordem, e observe-se, para além dos tribunais de justiça, a animosidade entre pais e filhos, a luta de classes, as greves de múltiplas procedências, as queixas de parentela, os duelos de opinião entre a juventude e a madureza, as divergências raciais e os conflitos de guerra, e verificaremos que, ou nos desculpamos uns aos outros, na condição de espíritos frágeis e endividados que ainda somos quase todos, ou a nossa agressividade acabará expulsando a civilização dos cenários terrestres.

Eis por que Jesus, há quase vinte séculos, nos exortou perdoarmos aos que nos ofendam setenta vezes sete, ou melhor, quatrocentos e noventa vezes.

Tão só nessa operação aritmética do Senhor, resolveremos a crise da intolerância, sempre grave em todos os tempos.

Repitamos, no entanto, que a preciosidade do perdão não se adquire nos armazéns, por que, na essência, o perdão é uma luz que irradia, começando de nós.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Mãos Unidas. Lição nº 37. Ed. IDE)