Agenda Chico Xavier

Agenda Chico Xavier para 2020

Agenda com mensagens e textos do médium Chico Xavier. Agora com um dia por página, exceto sábado e domingo. Opções com capa dura e espiralada.

Informações – Editora EME:

https://editoraeme.com.br

Atendimento: (19) 3491-7000;

WhatsApp: (19) 99983-2575

The Spiritist Magazine

The Spiritist Magazine

 

Versão em inglês, em continuidade da Revista Espírita criada por Allan Kardec.

Na edição Janeiro-março de 2020, esta revista tem como matéria de capa artigo sobre a imigração.

Aborda temas sobre Chico Xavier, mediunidade, mensagem de Joanna de Angelis, Espiritismo para crianças.

Acesse:

https://www.spiritistmagazine.org/

ATUALIDADE DO ESPIRITISMO COMO RELIGIÃO

ATUALIDADE DO ESPIRITISMO COMO RELIGIÃO

Por Flávio Rey de Carvalho (*)

Com a proposta de fornecer subsídios passíveis de enunciar a atualidade do espiritismo como religião, o presente estudo objetiva tecer algumas considerações ligadas ao surgimento da doutrina espírita, em meados do Oitocentos, e refletir sobre seu aspecto religioso, utilizando-se, para isso, a categoria “religião pessoal”, apreendida da obra As variedades da experiência religiosa, de William James.

Sob essa perspectiva, que considera aquilo que parte do “interior” das pessoas ‒ seus “sentimentos”, sua “consciência” e seus “atos” ‒, sustenta-se a hipótese de que o espiritismo é uma religião baseada no estabelecimento do laço moral entre os indivíduos, isto é, no desenvolvimento dos sentimentos mútuos de fraternidade, solidariedade, indulgência e benevolência. Assim, baseando-se na divisão do campo religioso proposta por William James, o espiritismo, caso fosse considerado sob a perspectiva formal (manifesta em protocolos, rituais, cerimônias, hierarquias, etc.), própria da “religião institucional”, não seria, de fato, uma religião. Por outro lado, caso seja levado em conta o viés da “religião pessoal” (que envolve, em suma, o sentimento religioso dos indivíduos), o espiritismo é uma religião.

Para fazer um balanço final, retoma-se, oportunamente, a constatação feita pela cientista social Maria Angela Vilhena, segundo a qual para “certas lideranças espíritas” a questão de o espiritismo ser considerado como uma religião seria “complexa e controversa” ‒ todavia, o que estaria motivando isso?

Kardec foi bastante claro quando afirmou, na Revista espírita de 1868, que o espiritismo é ‒ “sem dúvida” ‒ uma religião: baseada, pura e simplesmente, no estabelecimento do laço moral entre os indivíduos, isto é, pautada pelo desenvolvimento dos sentimentos mútuos de fraternidade, solidariedade, indulgência e benevolência. Frente a esse posicionamento de Kardec, a sua simples rejeição, por parte de algumas lideranças espíritas, já não seria um indício de que poderia estar ocorrendo um desvirtuamento na sua proposta basilar? Poderiam as noções de culto, forma, hierarquias, cerimônias ou privilégios terem se imiscuído em setores do meio espírita, distanciando-os do ideal doutrinário delineado por Kardec? Não seria esse, possivelmente, o motivo da falta de consenso em se considerar o espiritismo como uma religião? Tratam-se de questões complexas e controversas, porém, devemos nos guiar pelos posicionamentos de Kardec, que, quando bem interpretados, não deixam dúvidas, pois, como ele afirmou na conclusão de O livro dos espíritos: “O Espiritismo se apóia sobre as próprias bases da religião […].”

Portanto, considera-se que essa esfera de atuação religiosa do espiritismo, a despeito de consistir em uma proposta elaborada em meados do século XIX, mantém-se adequada aos desafios suscitados pela atualidade ‒ vista como uma época marcada pela relação e pelo diálogo entre as culturas, conforme esta síntese feita pelo pesquisador da religião Aldo Natale Terrin: “Num tempo em que as culturas se fragmentam e se entrecruzam, se constroem e se dissolvem, as religiões têm o dever de tentar um caminho paralelo de ecumenismo e de globalização de forças, caminho indicado pelo próprio mundo atual, mas têm também o dever de realizar esse percurso em sentido unitário e convergente para ainda servirem de ponto de referência e de farol de luz para a humanidade.”

Síntese do capítulo de livro digital:

Carvalho, Flávio Rey. Atualidade do Espiritismo como religião. In: Purificação, Marcelo Máximo; Catarino, Elisângela Maura (Org.). Teologia e ciência da religião: agenda para discussão. Cap. 9. Ponta Grossa: Atena Editora. 2019. P. 71-78.

Disponível em:

https://www.atenaeditora.com.br/post-artigo/26224

(*) Doutor em Ciência da Religião pela PUC-SP; Mestre em História pela UnB; colaborador em São Paulo do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita Eduardo de Carvalho Monteiro.

Os livros dos espíritos

Resenha

Os livros dos espíritos

A Editora EME acaba de lançar Os livros dos espíritos, de autoria de Luís Jorge Lira Neto, e, contando com parceria editorial do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita e do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita Eduardo Carvalho Monteiro, ambos de São Paulo. O autor atua em Recife e antes dessa edição completa, apresentou seu estudo em dois ambientes de discussão e análise: no Centro de Pesquisas e Documentação Espírita (em São Paulo) e em encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, realizado em Fortaleza. O livro conta com Prefácio assinado por Wilson Garcia, que destaca “Kardec teve participação fundamental no seu desenvolvimento, estando muito acima de um simples repassador de pensamentos alheios, ainda que estes pensamentos tenham por origem os Espíritos Superiores”.

O autor fez um estudo detalhado das primeiras edições de O livro dos espíritos lançadas por Allan Kardec, efetivando uma análise comparativa entre as edições 1ª, 2ª até a 16ª e entende que “a participação de Kardec na elaboração da Codificação Espírita foi abrangente, o que contradita a opinião de considerar somente as respostas como ensino dos Espíritos Superiores, reduzindo as perguntas e os ‘comentários de Kardec’ a complemento desses ensinamentos”. Além da relação das Referências Bibliográficas, no final, o autor acrescenta Anexos, como: “Informes na Revista Espírita sobre as edições de O livro dos espíritos”, “Breve biografia dos espíritos que assinaram O livro dos espíritos”, “Correlação entre as perguntas da 1ª e 2ª edição” e ainda um Quadro Geral sobre estas duas edições iniciais.

Trata-se importante livro para estudo, num época em que se valorizam as pesquisas de documentos sobre a vida e obra de Kardec, favorecendo a compreensão sobre a amplitude que o pensamento do Codificador foi progredindo à medida que recolhia informações e aprofundava reflexões a partir de novas mensagens oferecidas pelos espíritos.

(Lira Neto, Luís Jorge. Os livros dos espíritos. Uma análise comparativa entre as edições 1ª, 2ª até a 16ª. Capivari: Ed. EME. 2019. 144p)

Contatos: (19) 3491-7000.

Indo além do luto

Resenha

Indo além do luto

Livro de autoria de Deusa M. Samú, espírita militante radicada em São Paulo e que atua profissional como psicóloga clínica e hospitalar, pós-graduada em Tanatologia.

Lembrando que Tanatologia é o estudo da morte e do morrer. E a autora comenta: "sempre que você vivenciar uma perda, qualquer perda, de qualquer tipo, estará entrando no processo de luto". 

O livro Indo além do luto se divide em duas partes: Falando do luto enquanto processo e suas fases, explicando-as de maneira didática; Casos clínicos variados, sendo alguns ilustrativos, do processo de luto.

A autora considera também o luto por alguém não falecido e o luto na Síndrome do ninho vazio. E entra em detalhes sobre a criança e o luto, pertences do falecido, o velório, a questão do cremar ou enterrar. Aborda também as visões de leito de morte, e, as várias fases do luto. O livro é enriquecido com os comentários de casos clínicos.

Em 127 páginas, Deusa Samú compartilha "a experiência diária, atendendo a irmãos em sofrimento. Sou só gratidão". Em vários momentos a autora enfatiza a frase de Emmanuel: "Se não compreenderes a dor do teu irmão, fatalmente terás que passar por ela" (psicografia de Chico Xavier).

No Prefácio, Ercília Zilli – presidente da ABRAPE -, recomenda: "livro vai proporcionar momentos de grande reflexão e aprimoramento!". 

Informações:

https://www.facebook.com/institutodeusasamu;

www.deusasamu.com.br

 

 

De Volta a Nosso Lar

De Volta a Nosso Lar: autores falando sobre a obra

 

Almir Del Prette (*)

De Volta a Nosso Lar é de autoria de Aylton Paiva e Sidney Fernandes. A obra divide-se em uma breve introdução realizada por Sidney Fernandes e, na sequência, seguem 12 capítulos, totalizando 163 páginas.

Em uma nota da editora, na terceira página, o leitor fica sabendo que os capítulos com numeração arábica são de autoria de Aylton Paiva e os de número romano de Sidney Fernandes. O livro foi publicado pela Editora CEAC, de Bauru (SP).

Descrição sucinta do conteúdo:

– O livro não pode ser relacionado na categoria de romance, nem propriamente de obra técnica (por exemplo), estudo da mediunidade, ou análise literária da obra de André Luiz. Trata-se, em nosso entendimento, de um livro doutrinário-didático sobre o primeiro volume da coleção André Luiz. Os espíritas mais antigos se recordam do impacto que a obra Nosso Lar, de André Luiz, causou em nosso meio. Entretanto, essa não é a questão que motivou os autores a esse empreendimento. Espíritas e espiritualistas em geral aceitam a sobrevivência da alma. Tomando essa premissa como verdadeira, a questão que se segue é sobre o que nos acontece após a morte. Quem estaria em melhores condições de nos dar informações sobre o tal “outro lado da vida”, senão aqueles que viveram essa experiência? Parece-nos, pois, que essa é a motivação dos autores: a de analisar cuidadosamente as informações contidas no primeiro livro de André Luiz e refletir como a vida presente impacta nesse futuro. Para alcançar tal intento, eles criaram um enredo bem articulado que se inicia no primeiro capítulo (A morte não é o fim), no qual ficamos conhecendo Eduardo e Alex.

Eduardo, ainda sob o impacto da morte e velório do tio, indaga a Alex sobre a imortalidade. Alex recorre a um trecho de O Livro dos Espíritos para responder à pergunta e, após isso, convida Eduardo para participar das reuniões do Centro, onde José Giani irá discorrer sobre o assunto, analisando as informações do Nosso Lar. A partir da aceitação de Eduardo, o enredo se desloca para as reuniões do Centro Espírita, com novos personagens. Nesse espaço, uma sala de um Centro Espírita, os personagens provocam os expositores Giani e Ney, algumas vezes desafiando-os em seus argumentos. Dessa forma, o leitor vai, aos poucos, conhecendo os personagens e pode até imaginar suas características físicas e comportamentais. Essa estratégia dos autores é bem-sucedida, pois prende a atenção do leitor, que identifica, nas características dos personagens, pessoas com as quais convive no ambiente espírita. Com isso, ficamos sabendo um pouco sobre Joana e Ângela, bastante inquiridoras, algumas vezes impulsivas; sobre Lucas, um pouco tímido, mas bem atento; Alex e Acácio, com questões relevantes… E, também, sobre Ney e Giani, bem-humorados e eficientes na condução das aulas. No entanto, o mais importante é o conjunto de conteúdos e possibilidade de reflexões que o livro enseja.

Considerações finais – Para concluir, acrescento que De Volta a Nosso Lar tem uma redação agradável, estrutura lógica de enredo, continuísmo correto, o que nos leva a recomendá-lo como excelente contribuição para o entendimento do primeiro livro da série André Luiz e do mundo espiritual, bem como das questões que André Luiz nos trouxe. Os autores recorrem a outros pensadores espíritas e não espíritas em defesa dos seus argumentos, a começar por Allan Kardec, León Denis, Francisco de Assis, Emmanuel, Richard Simonetti, Irmão Jacó, Dante Alighieri e outros.

Entrevista – A nosso pedido, os autores do livro, Aylton Paiva e Sidney Fernandes, concederam-nos a entrevista seguinte:

- Vocês em De Volta a Nosso Lar criaram um enredo com personagens frequentadores de um centro espírita e dois outros como expositores. Os frequentadores apresentavam dúvidas sobre o livro de André Luiz, e os outros dois esclareciam. Esse resumo que faço é bastante simplificado, pois, no momento, queremos que nos digam como chegaram a esse formato para o livro.

Sidney: Em sua juventude, Aylton Paiva acompanhava, com muito interesse, as narrativas do senhor José Giovanini, pioneiro condutor da Juventude Espírita Amor e Caridade, de Bauru, em torno dos romances espíritas mais expressivos. Daí surgiu o Senhor Giani, que fazia a releitura da magnífica obra Nosso Lar para um grupo de jovens interessados em aprender o Bê a Bá da Coleção A Vida no Mundo Espiritual, de André Luiz.

Aylton: Os Mentores Espirituais trouxeram os informes básicos contidos em O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec, sobre o mundo espiritual, na Parte Segunda – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos, na referida obra. O espírito André Luiz, pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, detalha, sob a sua vivência, essa realidade. Sempre achei de suma importância esse relato e sempre desejei que ele se tornasse o mais possível acessível às pessoas. Também seria uma forma de despertar o interesse para a leitura da obra original. A materialização da ideia o Sidney no-la apresenta.

- Chico Xavier e Herculano Pires tiveram publicação conjunta, porém a parceria na produção de textos não é comum no movimento espírita. Qual foi a história dessa associação para De Volta a Nosso Lar e que critérios adotaram na divisão das tarefas?

Sidney: Tudo surgiu com um “coincidente” encontro entre eu e Aylton, num shopping de Bauru, quando conversamos sobre a possibilidade da publicação de uma obra acessível ao grande público, que comentasse o primeiro livro de André Luiz. Sua esposa, Maria Eny, manifestou seu cepticismo quanto à concretização do projeto. Tomamo-nos de brios e iniciamos a troca de correspondências que corporificou o livro, que foi surgindo gradativamente.

Aylton: Quando me surgiu a ideia, mais propriamente, a intuição para o estudo de Nosso Lar, como é apresentada em nosso livro De Volta a Nosso Lar, eu não estava desejoso de escrever outro livro. À época, por generosidade de Sidney Fernandes, e por sua solicitação, eu fazia a revisão doutrinária de um dos seus livros. Então pensei: Sidney, em seu estilo simples, elegante e objetivo, está em condições de escrever o livro. Por “coincidência”, como ele relata, nos encontramos. Fiz-lhe a proposta, mas ele desejou que eu escrevesse o primeiro capítulo e ele faria o comentário sobre o tema estudado. A partir daí Giani e Ney iniciaram seus estudos. – Um dos personagens do livro questiona sobre o tempo (cerca de oito anos) que André Luiz permaneceu nas chamadas “zonas inferiores”.

- Nas experiências de vocês esse questionamento é frequente?

Sidney: Em programa que mantenho na TV CEAC de Bauru, onde, semanalmente, respondo a perguntas do grande público, é muito comum surgirem dúvidas relacionadas com o tempo além da Terra. As orientações transmitidas se resumem aos estados de desequilíbrios por que, geralmente, desencarnados passam, depois da morte e, além disso, à permanência da mesma contagem de tempo, nas cercanias do planeta Terra.

Aylton: Para os profissionais que atendem pessoas em desequilíbrio social ou psicológico há um princípio de que “cada caso é um caso”. Também assim é no retorno à vida espiritual. André Luiz esteve sob a proteção da mãezinha desencarnada e dos amigos espirituais, desde o início da sua doença até sua chegada à zona espiritual do sofrimento. Todavia, quem não se sintonizava com a ajuda espiritual era ele, por seu modo de viver. Vivera no mundo físico apenas preocupado com o bem-estar material. Nas poucas vezes que se aproximara da religião fora de maneira superficial e descompromissada. Não cultivara a visão espiritual da vida, então permanecera na cegueira espiritual até ele mesmo, pela prece, romper o véu e em sua frente surgir o iluminado mensageiro espiritual Clarêncio.

- Vocês relatam no livro sobre a surpresa e desconforto do Chico Xavier com alguns detalhes trazidos por André Luiz. Considerando isso, se o Chico, que tinha familiaridade com o mundo espiritual, teve dúvidas, não é justificado tal sentimento nas demais pessoas?

Sidney: Sem dúvida. Embora o esquecimento das novas encarnações deva ser considerado uma bênção, para que determinados ajustes pessoais ocorram de maneira menos penosa, ele nos provoca a sensação do “novo” em várias situações, certamente já vivenciadas no passado. Recordações inatas nos auxiliam no enfrentamento dessas “novidades”.

Aylton: Acho que é compreensível a existência dessa dúvida. A vida espiritual, por outras religiões é apresentada de forma nebulosa e quando surge relato de um mundo espiritual organizado, real, concreto, isso é surpreendente. Então varia a vivência espiritual de cada um. Conheço pessoas que, de imediato, aceitaram e se encantaram, outras, mesmo espíritas, estudiosas das obras codificadas por Allan Kardec, tiveram dificuldades em assimilar essa “concretude”. Outras, ainda, estudiosas do Espiritismo, não as aceitam. É o livre-arbítrio e a maturidade norteando a receptividade.

- Durante o tempo em que trabalharam nesse empreendimento, vocês receberam alguma comunicação espiritual relacionada a essa tarefa, ou alguma forma de ajuda espiritual?

Sidney: O personagem Ney surgiu, sem dúvida, da inspiração do plano espiritual. A minha intenção era, simplesmente, de elaborar texto introdutório para a obra. Aylton encantou-se com o personagem e sugeriu sua criação.

Aylton: Ostensiva, não. Porém, desde que a ideia inicial em mim surgiu, senti que era uma tarefa espiritual que chegava. Depois, a ideia de partilhar o projeto com Sidney, em seguida o encontro “casual” em um shopping, na cidade de Bauru. Mesmo na facilidade e a fluência para escrever, não posso negar a ação da espiritualidade.

- Para finalizar, solicito que informem se possuem planos para novas tarefas conjuntas e, como de praxe, apresentem suas despedidas ao leitor.

Sidney: Os autores sempre estão e estarão dispostos a novos empreendimentos. Aproveito este momento para agradecer a confiança da Editora CEAC – do Centro Espírita Amor e Caridade de Bauru –, à assistência da espiritualidade, que jamais faltou durante o desenvolvimento do projeto e à generosa aceitação do público leitor, que absorveu a primeira edição do livro no primeiro dia de seu lançamento.

Aylton: Para mim esse primeiro livro faz parte de um projeto. Já estou iniciando as reflexões sobre o livro Os Mensageiros, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Penso que é preciso estimular o estudo e a divulgação dessa série esclarecedora e iluminativa que nos trouxe esse mensageiro espiritual, com o apoio de grande equipe espiritual. Todavia, como Sidney está com muito trabalho no Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, produzindo outros livros e periodicamente faz ciclos de palestras por várias cidades, não sei se ele terá disponibilidade para outra empreitada nesse campo. Ele fará o máximo que lhe seja possível. É um dedicado e competente trabalhador da Seara de Jesus e do Movimento Espírita. Leitor amigo: Encontre De Volta a Nosso Lar, depois siga até “Nosso Lar”, em companhia de André Luiz e do querido Chico Xavier.

(*) Transcrito de:

Revista digital O Consolador, Ano 13 – N° 644 – 10 de Novembro de 2019.:

http://www.oconsolador.com.br/ano13/644/especial2.html

Resenha em site acadêmico de livro sobre Espiritismo e Espiritualidade 

Resenha em site acadêmico de livro sobre Espiritismo e Espiritualidade 

Novas perspectivas nos estudos do espiritismo e da espiritualidade

Lucas Baccetto (*) 

http://orcid.org/0000-0003-4367-6839

Universidade Estadual de Campinas – Campinas – SP – Brasil.

SOUZA, André Ricardo; SIMÕES, Pedro; TONIOL, Rodrigo. (org.), Espiritualidade e Espiritismo: reflexões para além da religiosidade. São Paulo: Porto de Ideias, 2017. 244p. pp.,

Resultado de uma mesa redonda do II Simpósio Internacional da Associação Brasileira de História da Religião (ABHR), realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2016, o livro Espiritualidade e Espiritismo: reflexões para além da religiosidade propõe uma atualização dos debates acadêmicos sobre o espiritismo no Brasil e a noção de “espiritualidade”. Organizado por André Ricardo de Souza, Pedro Simões e Rodrigo Toniol, a obra divide-se entre estes dois eixos temáticos: enquanto o primeiro, intitulado “Questões do espiritismo no Brasil”, apresenta uma unificação temática mais concisa relativa ao espiritismo, o segundo, intitulado “A espiritualidade sob olhares que cruzam fronteiras”, privilegia a análise da espiritualidade como categoria analítica e como fenômeno empírico.

O primeiro capítulo, escrito por Marcelo Ayres Camurça, Jacqueline Amaro e André Pereira Neto, aborda a figura de Luiz Mattos, fundador do grupo Espiritismo Racional e Científico Cristão na década de 1910, e seu trabalho de liderança na produção de diferenças em relação ao espiritismo consolidado e às religiões de matriz afro-brasileira. Esse grupo advogava por uma interpretação de cunho científico das obras de Allan Kardec e das experiências e instrumentos espíritas, considerada pelos autores como uma abordagem comum dentro do panorama histórico da época.

O texto em seguida, de autoria de Flávio Rey de Carvalho e Antonio Cesar Perri de Carvalho, debruça-se sobre o contexto da aparição do espiritismo na França e sobre os textos fundadores de Allan Kardec para tentar responder à pergunta já clássica em torno das práticas espíritas: seria o espiritismo uma religião? Retomando a obra de William James, os autores utilizam a divisão “religião institucional” versus “religião pessoal” para analisar os textos de Kardec e argumentam que o espiritismo, para James, só pode ser considerado uma religião quando entendido do ponto de vista pessoal. No entanto, ao recuperarem o desenvolvimento institucional do espiritismo no Brasil e o papel assumido pela Federação Espírita Brasileira (FEB), os autores constatam que existe um desenvolvimento da “religião institucional” do espiritismo.

Na esteira da questão das organizações espíritas no país, o capítulo da socióloga Célia da Graça Arribas centraliza sua análise nas lideranças e autoridades espíritas kardecistas e nas suas relações com a produção da crença. Para isso, a autora constrói tipologias para os tipos de autoridades desempenhadas por sujeitos formadores do que ela denomina de clericato, isto é, “um modo de exercício de um poder religioso a partir de um saber específico”. Assim, as autoridades são repartidas em: 1) institucional, que se articula através da legitimidade de uma posição ocupada pelo agente; 2) carismática, “de caráter emocional” e vinculada à ruptura com a tradição; e 3) intelectual, ordenadora da crença espírita.

Já o capítulo escrito por Pedro Simões, apresentado na sequência, investiga a assistência social praticada por grupos espíritas no estado de Santa Catarina. Por meio de uma pesquisa quantitativa, o texto procura estabelecer perfis e mapear o que identifica como a prática de caridade nessa região. Partindo do lema “fora da caridade não há salvação” como referencial organizador da prática espírita, Simões enquadra o trabalho assistencialista como uma forma institucionalizada da realização de ações de caridade e, portanto, um meio para a salvação espiritual do sujeito caridoso. Desse modo, os atores caracterizam a assistência tanto através da salvação do agente caridoso quanto da incorporação da ação evangelizadora nela, identificando os sujeitos assistidos como necessitados espiritualmente. O autor conclui que a assistência possui características religiosas e endógenas, pois sua prática visa tanto à salvação espiritual daquele que a realiza quanto à integração no interior do grupo espírita daquele que é assistido.

O sociólogo André Ricardo de Souza realiza uma análise do médium João Berbel, praticante de cirurgias espirituais e líder do Instituto Medicina do Além (IMA). Devido ao passado turbulento da prática mediúnica, Berbel relata ao autor o receio existente nas instituições espíritas perante as cirurgias promovidas por ele, sendo a expressão desse receio a não filiação do IMA a alguma outra instituição de maior porte. No entanto, através da comparação com outros dois personagens – o médium João de Deus e a escritora Zíbia Gasparetto -, Souza defende a hipótese de que a legitimação de Berbel diante do movimento espírita decorre da destinação para a caridade dos recursos financeiros obtidos nas cirurgias.

A segunda parte do livro inicia-se com o capítulo escrito pelos antropólogos Emerson Giumbelli e Gustavo Chiesa a respeito dos fenômenos de materialização de espíritos realizados pela médium Anna Prado, entre os anos de 1918 e 1921 em Belém do Pará. Embora presente na segunda seção do livro, o capítulo funciona como um texto de ligação entre as duas partes da obra na medida em que analisa um fenômeno considerado espírita ao mesmo tempo que problematiza as fronteiras entre religião e ciência articuladas na definição do fenômeno. Para tanto, a atenção dos autores direciona-se para os agenciamentos desempenhados pelos objetos nas sessões em questão. De fato, é através dos objetos que as disputas entre as fronteiras da religião e da ciência se fazem latentes, uma vez que os moldes em parafina produzidos pelos espíritos eram entendidos como evidências científicas e religiosas.

O sétimo capítulo é de autoria do antropólogo Rodrigo Toniol e trata do processo de mobilização da categoria espiritualidade como uma questão de saúde. O caso analisado é o da implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) na cidade de Severino de Almeida (RS) e, especificamente, da contratação e atuação de dois parapsicólogos no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Assim, sua abordagem prioriza a maneira pela qual a espiritualidade foi acionada pelos diferentes agentes engajados no projeto, tratando tanto da atuação dos parapsicólogos na condição de experts da espiritualidade quanto de suas práticas clínicas que permitem instituir a espiritualidade.

O capítulo seguinte é escrito pela antropóloga Diana Espírito Santo e aborda as experiências oníricas de visão experimentadas por praticantes da religião afro-cubana Santeria. A chave de análise articulada pela autora concentra-se na questão do sujeito mesmo que sonha. Esta escolha lhe permite pensar os sonhos em sua relação com o processo no qual os espíritos internos – guias espirituais legítimos – são defendidos de espíritos externos relacionados à bruxaria, sendo estes potencialmente maléficos e desestabilizadores para a religião afro-cubana. Considerando que a noção do “eu” em operação entre os adeptos da religião entende os espíritos como potencialidades virtuais para o desenvolvimento da pessoa, os sonhos atuariam, assim, na qualidade de tecnologias de constituição do sujeito. Isso porque, ao desvelarem o mundo dos espíritos através das visões, explicitariam esses dois conjuntos de agentes que se colocariam como possibilidades conflitivas para a identidade. Em um contexto de medo da bruxaria, o sonho assume uma posição na configuração do processo de autorrepresentação do sujeito na sua vida religiosa que, sendo informado por esta, atua como uma espécie de mecanismo de defesa contra a dissolução do “eu” diante da visão e da possessão dos espíritos estranhos ao sujeito.

Por fim, o livro encerra-se com o capítulo escrito pela socióloga Courtney Bender, baseado no trabalho de campo realizado por ela na cidade de Cambridge, em Massachusetts (EUA), entre grupos de praticantes metafísicos das crenças de reencarnação. Através de uma reconstrução das discussões norte-americanas da segunda metade do século XIX, a autora busca compreender como as práticas contemporâneas de reencarnação se encontram ligadas a seu passado histórico, ainda que de modo não consciente por parte dos atores. Dessa forma, é através do acompanhamento do caso de Cathy que a socióloga afirma que as práticas contemporâneas de tomada de conhecimento das vidas passadas não fazem simplesmente uma substituição do tempo histórico por um tempo mítico, mas complexificam essas noções de tempo e história.

De fato, o livro entrega discussões importantes. Na primeira parte, os textos percorrem temas caros ao campo espírita na Academia brasileira – como o papel das lideranças e o confronto entre definições religiosas e científicas. Na segunda, o título em questão dá a tônica dos capítulos: uma ampla variedade de temas que orbitam em torno de diversas noções de espiritualidade, passando desde praticantes metafísicos da crença da reencarnação nos Estados Unidos até políticas assistenciais estatais à dimensão espiritual da saúde da população. São as multiplicidades temáticas e as perspectivas originais da segunda parte que apresentam o maior valor da obra, introduzindo novidades teóricas e temáticas importantes ao campo da Antropologia.

Assim, o ponto de maior fôlego criativo se dá no rastro deixado pelo subtítulo, que indica a possibilidade de colocar a religião e a espiritualidade em perspectiva, pensando-as para fora de seus limites aparentes a partir de suas relações com a variedade de campos (ciência, políticas estatais, etc.) presentes nos casos trabalhados. Trata-se de reflexões para além da religiosidade.

REFERÊNCIAS:

SOUZA, André Ricardo; SIMÕES, Pedro. Espiritualidade e Espiritismo: reflexões para além da religiosidade. São Paulo: Porto de Ideias, 2017, 244pp.

[ Links ] Recebido: 11 de Maio de 2018; Aceito: 22 de Julho de 2019.

(*) Contato:lucas.baccetto@gmail.com Mestrando em Antropologia Social na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil.

DO SITE DA SCIELO (copie e cole):

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872019000200222&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir

Resenha

Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir

Clara Lila Gonzalez de Araújo lançou pela Editora CEAK, de Campinas, a obra “Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir". Trata-se do segundo livro da autora pela CEAK, pois em 2018, foi editado “Alerta aos Pais”.

O novo livro conta com Prefácio de Elsa Rossi, presidente do BUSS, entidade federativa do Reino Unido.

Em 318 páginas Clara Lila desenvolve a análise espírita sobre o tema momentoso, pois tem aumentado a frequência desse lamentável ato. A autora destaca no Preâmbulo que “são esses os verdadeiros sinais dos tempos…” e a prefaciadora considera que o livro “é um apoio ideal a ser lido e meditado”.

Em vários capítulos a autora discorre sobre: a depressão na infância e na adolescência, conflitos graves existentes nos relacionamentos com os filhos; causas diversas do suicídio infantojuvenil; narrativas e observações de experiências suicidas vivenciadas por crianças e adolescentes; implicações espirituais; assistência espiritual e educação espírita-cristã para crianças e adolescentes; “o amor é o eterno fundamento da educação”. Todos os temas são desenvolvidos com base em obras vinculadas à educação e à psicologia e sob a ótica espírita, todas arroladas nas referências bibliográficas.

Destacamos o aspecto inédito do capítulo “narrativas e observações de experiências suicidas vivenciadas por crianças e adolescentes” que reúne depoimentos sobre estudo de quatro casos, que inclui a análise dos problemas morais e espirituais dos suicidas.

O último capítulo “o amor é o eterno fundamento da educação”, focaliza o método pestalozziano, a pedagogia do amor e a educação como ciência, com contribuições muito significativas para a compreensão da educação e da prevenção.

O livro traz também uma história infantil, de autoria de Ademar Lopes Júnior.

No final Clara Lila faz a relação dos participantes, educadores espíritas de crianças e jovens, pois o livro é resultado também de estudos de um grupo que reuniu no Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas, desde o primeiro semestre de 2016. Foi este grupo que apoiou o projeto da autora de estudar a questão do suicídio em crianças e adolescentes, tão logo ela se mudou para Campinas.

Clara Lila foi diretora da FEB, tendo atuado na sede em Brasília e na Sede Histórica do Rio de Janeiro; residiu durante três anos em Campinas, integrando-se no Centro Espírita Allan Kardec, oportunidade em que recebeu o apoio e estímulo para a publicação de duas marcantes obras.

A autora faz um importante e oportuno alerta aos pais, educadores e instituições espíritas, sobre um tema grave, com recomendações para se tomar providências preventivas com relação ao suicídio.

A obra:

Título: Comportamento Suicida na Infância e na Adolescência. Conhecer para Prevenir;

Autora: Clara Lila Gonzalez de Araújo;

Lançamento: outubro de 2019.

Editora: Editora Allan Kardec (Centro Espírita Allan Kardec), de Campinas.

Contato: editora@allankardec.org.br

Resenha por: Antonio Cesar Perri de Carvalho

Convite ao Futuro – Pesquisa junto aos Centros Espíritas do Estado do Espírito Santo

Convite ao Futuro – Pesquisa junto aos Centros Espíritas do Estado do Espírito Santo

O projeto “Convite ao Futuro – Diagnóstico e Prognóstico do Movimento Espírita Capixaba” é um marcante trabalho realizado pela Federação Espírita do Estado do Espírito Santo no ano de 2018 e concluído em 2019 para conhecer “mais profundamente seu público: dirigentes, trabalhadores e frequentadores das Casas Espíritas – com o objetivo de construir cenários que vão ao encontro de suas expectativas e demandas”.

O Documento/Relatório final do “Convite ao Futuro” conta com Introdução esclarecedora pelo presidente da FEEES Fabiano Santos e apresentação de Simoni Privato. Os resultados da pesquisa foram analisados por uma equipe de 15 especialistas do movimento espírita nacional, de vários Estados, escolhidos pela FEEES.

Os vários temas contam com os resultados da pesquisa estadual e as análises feitas pelos convidados. Eis os temas tratados:

GESTÃO DOUTRINÁRIA: 1. Abordagem de temas da atualidade à luz da Doutrina Espírita 2. O papel da Casa Espírita como escola, oficina de trabalho e hospital 3. Estudo continuado da Doutrina Espírita 4. Divulgação da Doutrina Espírita para o público não-espírita 5. Auxílio específico a dependentes químicos, alcoólatras e pessoas com ideação suicida.

GESTÃO DE PESSOAS: 1. Acolhimento de novos trabalhadores 2. Engajamento de trabalhadores 3. Família na Casa Espírita 4. Gestão de conflitos 5. Protagonismo infanto-juvenil.

GESTÃO ADMINISTRATIVA: 1. Inserção da Casa Espírita na Comunidade 2. Formação Inicial e Continuada de Trabalhadores 3. Sustentabilidade Financeira 4. Gestão Integrada da Casa Espírita 5. Processo de sucessão na Casa Espírita

Vale a pena conhecer-se a experiência marcante da FEEES, que reúne um material muito rico e atualizado, e, também se pensar como anda o centro e movimento espírita em atuamos.

O arquivo pdf completo da pesquisa está disponível na página eletrônica da Federação Espírita do Estado do Espírito Santo.

ACESSE (copie e cole): https://www.dropbox.com/s/cs6nfbqh6fyaaf3/Convite%20ao%20futuro.pdf?dl=0