Benedita – mensagem e livro – de Araçatuba a Mato Grosso

Benedita – mensagem e livro – de Araçatuba a Mato Grosso

Antonio Cesar Perri de Carvalho


O vulto Benedita Fernandes que se notabilizou em Araçatuba com a fundação da Associação das Senhoras Cristãs em 1932, gerando várias obras como o antigo Hospital Psiquiátrico Benedita Fernandes, tem sido homenageada em vários locais.
Em roteiro na região próxima a Cáceres (MT), nos dias 31 de maio e 01 de junho, cumprimos roteiro de palestra no Centro Espírita Allan Kardec, de São José dos Quatro Marcos (MT), sobre o tema “Benedita Fernandes. A dama da caridade”; seguindo-se programação na Sociedade Espírita Allan Kardec, de Mirassol do Oeste (MT). Com o mesmo tema fundamentado em nosso livro biográfico sobre Benedita Fernandes, foi apresentado o filme “Benedita – legado de superação” (Cocriação e Lalucci Filmes), com nossos comentários e desenvolvido um seminário.
Durante o desenvolvimento do seminário o médium Paulo Henrique dos Anjos, psicografou mensagem do espírito Benedita Fernandes.
Eis o texto, tendo por título “Evangelizando almas”:
“Estamos além da evangelização do Evangelho, vivemos momentos para a caminhada dos passos da bondade em nossas vidas.
As almas começam a ser evangelizadas em cada lar, pois é neste espaço que se dá o começo da harmonia de uma família, surgindo um ambiente de saúde espiritual para a evolução familiar.
Criamos espaços para a educação verdadeira, através do verbo e da comunicação amorosa entre os entes encarnados, espíritos da caminhada da vida eterna. Além de falar, devemos também escutar cada sentimento que busca a orientação em tempos da colaboração de cada ser; a voz que emite todos os sentimentos é de amor.
Em busca da vivência do Evangelho em nossos passos, evangelizar é colocar o amor à frente dos ensinamentos do materialismo. É buscar ensinar a colaboração da amorosidade por todos.
Que encontremos em nosso ser uma vida para as almas caridosas. Somos instrumentos do Evangelho vivo. Benedita Fernandes.”
(Mensagem psicografadas por Paulo Henrique dos Anjos, durante o seminário "Benedita Fernandes – a dama da caridade", desenvolvido por Cesar Perri na Sociedade Espírita Allan Kardec, em Mirassol do Oeste – MT, no dia 01/06/2025).
Nesses dias, entre 04 e 08 de junho, as cidades de Araçatuba, Penápolis e Fernandópolis recebem a visita do médium José Francisco Gomes, de Ipatinga (MG), que psicografou o livro “Desafios para a educação”, da autora espiritual Benedita Fernandes. É publicação da editora local Cocriação. Em palestras – em Araçatuba com nossa presença, como prefaciador do livro -, José Francisco estará lançando o livro citado e realizando autógrafos.
O médium visitante já tem outros livros psicografados, inclusive do espírito Benedita Fernandes.
O novo livro contém considerações espirituais sobre a realidade atual da infância e traz oportunas contribuições aos pais, professores e a todos que atuam nos espaços das instituições espíritas nas relações com as várias faixas etárias.

Benedita Fernandes e os Desafios da Educação

Benedita Fernandes e os Desafios da Educação

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O vulto araçatubense Benedita Fernandes que se notabilizou por ter fundado na cidade a Associação das Senhoras Cristãs, aos 06/03/1932, um marco histórico, a primeira entidade assistencial espírita em toda a região Noroeste do Estado de São Paulo.

Essa Associação pioneira, contando com a liderança, dinamismo e extrema dedicação ao próximo da pioneira, congregou diversas áreas de atuação: o antigo Asilo, depois Sanatório, e Hospital Psiquiátrico; a Casa da Criança, albergando infantes abandonados e órfãos; o Albergue Noturno; e uma Escola Municipal para o chamado ensino primário. Os focos principais de atenção de Benedita eram os doentes mentais e as crianças, e em consequência conquistou o respeito da população e de autoridades. Em Araçatuba é nome de rua e designa instituição espírita.

Após essas recordações rápidas sobre Benedita Fernandes, registramos que em espírito ela prossegue na vida plena e imortal, a se preocupar com as crianças.

Em nosso livro biográfico Benedita Fernandes. A dama da Caridade (Araçatuba, Ed. Cocriação) reproduzimos várias mensagens desse espírito através de alguns médiuns, principalmente Divaldo Pereira Franco. Destacamos que a primeira mensagem espiritual dela psicografada por Divaldo ocorreu em reunião familiar na residência de meus genitores Bebé e Rodolfo, em Araçatuba, aos 24/04/1973, e é intitulada “Emergência para a criança”.

Em nossas atividades espíritas pelo Brasil sempre temos informações sobre a atuação espiritual de Benedita.

Recentemente, o espírito Benedita Fernandes tem escrito utilizando o médium José Francisco Gomes (de Ipatinga, MG). Portanto não nos surpreende o fato dela estar se utilizando das condições mediúnicas de um ativo seareiro do interior de Minas Gerais e focalizando questões sobre a infância.

Agora, está disponível o livro Desafios da educação1, do médium citado, em que a autora espiritual transmite novos aprendizados dela, numa vertente profundamente espiritual e relata explanações de espíritos luminares. O espírito Benedita Fernandes relata ambientes espirituais voltados à recepção, ao atendimento de desencarnados e à educação espiritual. O texto culmina com as considerações espirituais sobre a realidade atual da infância, com o nascimento de crianças que requerem atenções especiais e especificamente com a maior frequência de diagnósticos no espectro do autismo.

A nosso ver, o livro traz oportunas contribuições aos pais, professores e a todos que atuam nos espaços das instituições espíritas nas relações com as várias faixas etárias.

1) Editora Cocriação, Araçatuba (WZ 18-99709-4684).

 

Rumos novos na religiosidade

Rumos novos na religiosidade

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Há evidentes sinais de mudanças na relação entre as pessoas e as religiões.

O mundo acompanha as transformações em andamento no seio da Igreja Católica.

O papa Francisco foi um concretizador de premissas do histórico Concílio Vaticano II (1962-1965), um continuador do papa reformista João XXIII. Este Concílio definiu novos rumos, com ênfase pastoral, sem imposição de normas rígidas e sanções disciplinares; reavivou o retorno às fontes primeiras do Cristianismo. A palavra “aggiornamento”, um termo italiano que significa atualização, renovação, foi a orientação chave para este Concílio. Iniciou-se um processo complexo e lento de adequação da Igreja Católica aos tempos atuais. O pontificado de Francisco enfatizou uma nova forma de vida na sociedade, a defesa das várias formas de vida, um horizonte da esperança e a opção de amplo diálogo com a sociedade, incluindo os “não-crentes”. Em suma, respaldado na mensagem de Jesus. Nesses 12 anos de pontificado de Francisco, avulta a figura nobre, simples, fraterna, de grande coragem e desafiadora por reformas desse valoroso vulto do século XXI.

O papa Leão XIV, eleito em maio de 2025, aparece como um continuador de propostas básicas de Francisco. Tem ampla vivência como bispo no interior do Peru e vinculado à ordem agostiniana. Esta valoriza o exemplo e o envolvimento em especial com atividades de educação e de assistência social, sendo mantenedora de diversas instituições educacionais, especialmente na América Latina. Essa ordem se inspira em Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), conhecido como Santo Agostinho, um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros séculos do cristianismo, cujas obras influenciaram o desenvolvimento do cristianismo e filosofia. Interessante que há várias mensagens desse espírito incluídas nas obras de Allan Kardec. Outro detalhe é que o novo Papa homenageia Leão XIII, autor da encíclica Rerum Novarum, a primeira voltada às questões sociais.

Nessas rápidas anotações transparecem processos de mudanças e indícios de repercussões num cenário geral. Simultaneamente há expansão das religiões vinculadas às igrejas reformadas e as chamadas pentecostais.

O contexto atual nos remete a uma pesquisa do Datafolha1 do ano de 2022 mostra que no Rio de Janeiro e São Paulo, cresce a quantidade de brasileiros que se dizem "sem religião" é ainda mais marcante, particularmente entre os jovens. Alguns especialistas sobre esse tema comentaram: "Então esse sujeito é sem religião porque não está vinculado a uma igreja, porque não frequenta, mas pode ter crenças relacionadas a alguma religião que já teve ou ter uma dimensão mais pluralista da religiosidade".1 Há o aumento de famílias plurirreligiosas e a ampla rede de múltiplas fontes de informação, completamente diferente das faixas etárias, por exemplo, dos idosos, “cuja sociabilidade muitas vezes é restrita à família e à igreja”. Há a hipótese de que "A maior parcela dos sem religião tem a ver com uma desinstitucionalização, o que quer dizer que o sujeito está afastado das instituições religiosas, mas ele pode ter uma visão de mundo e até mesmo práticas pessoais informadas por crenças religiosas".1

Nas análises de especialistas sobre a pesquisa do Datafolha parece-nos claro que "há uma trajetória de busca e experimentação que foi colocada para as novas gerações que não era colocada para as antigas"; o afastamento de instituições religiosas, e que há “outros modos de ter fé".

Esses dados da atualidade devem representar um estímulo para oportunas e rápidas análises e avaliações no contexto do movimento espírita, com destaque para as formas de atuação dentro dos centros espíritas; o nítido afastamento da faixa etária jovem que foi um dos principais objetos da pesquisa do Datafolha que, especificamente, sobre a faixa jovem no segmento espírita, já vínhamos apontando resultados preocupantes do censo do IBGE de 2010.2

Há necessidade de preparo e adequações necessárias para se lidar com as famílias dos frequentadores, notadamente das faixas etárias jovens, que parecem não estar muito presentes ou ativas no seio do movimento espírita.2 E, sem dúvida, para o estímulo ao enlaçamento fraterno e à movimentação dentro da seara espírita com interatividade, dinamismo e meios atualizados para viabilizar a difusão do estudo e prática do Espiritismo. Os princípios espíritas, revigorados na vivência dentro da seara espírita, podem contribuir para a melhoria do bem-estar moral e espiritual dos homens.

Recordamos de uma das frases inseridas em obra básica de Kardec: “[…] este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a Lei de Deus (Santo Agostinho, Paris, 1862).”3

Referências:

1) Jovens sem religião superam católicos e evangélicos: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/05/09/jovens-sem-religiao-superam-catolicos-e-evangelicos-em-sp-e-rio.ghtml; consulta em 12/05/2025.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p.

3) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. 3. Brasília: FEB.

Divaldo – gratidão e homenagem

Divaldo – gratidão e homenagem

              

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Há poucos dias – 05 de maio – em artigo, parabenizamos Divaldo Pereira Franco que completava 98 anos.

Agora, em seguida à sua partida para o mundo espiritual, ocorrida na noite do dia 13 de maio, reiteramos as homenagens, eivadas de gratidão e reconhecimento pela sua profícua existência de divulgação da mensagem espírita.

No período do velório público no Ginásio de Esportes da Mansão do Caminho, milhares de pessoas ali passaram, mas a distância, milhões de pessoas do Brasil e de várias partes do mundo vibram paz, reconhecimento e gratidão ao vulto que cumpriu longa missão marcante no campo do bem.

Até final de outubro passado manteve um ritmo incansável na difusão espírita, apesar dos limites de enfermidades e da idade, superando desafios.

Ao longo de 63 anos, desde visita que ele fez à Instituição Nosso Lar em Araçatuba, acompanhamos inúmeros momentos da trajetória de Divaldo incluindo muitas de suas dificuldades seguidas de superações.

Em nossa memória desfilam como flashes de um filme os panoramas sobre inúmeros encontros que mantivemos com o orador ao longo dessas décadas, nas regiões do Brasil e em diversos países. A começar no convívio familiar, pois durante 30 anos foi hóspede de nossos genitores e de nosso lar com Célia, nos tempos de seus roteiros por Araçatuba e região. Para os nossos filhos, que ele viu crescerem, ele era o tio. Bons tempos da vivência com ele no ambiente familiar e descontraído.

Em várias oportunidades fomos seu hóspede na Mansão do Caminho e em muitos outros momentos, desde 1972, visitamos essa obra por ele fundada em Salvador.

Em incumbências nossas na União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, na Federação Espírita Brasileira e no Conselho Espírita Internacional, Divaldo era presença continuada e amiga.

Em nossa gestão como presidente da Federação Espírita Brasileira, durante reunião do Conselho Federativo Nacional (novembro de 2014), ocorreram várias atividades com Divaldo: palestras, promoção do “Movimento Você e Paz” em solenidade no plenário da Câmara dos Deputados, e inauguração de Exposição sobre a Mansão do Caminho e a obra de Divaldo no Espaço Cultural na sede FEB em Brasília.

Atualmente como colaborador do Grupo Espírita Casa do Caminho, em São Paulo, fomos o intermediário para um vídeo gravado por Divaldo em homenagem aos 50 anos desse centro em 03/10/2021. Igualmente, gravações para a webtv Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes, de Araçatuba.

Divaldo foi responsável por mais de 20 mil conferências, realizadas em mais de 2.500 cidades e 71 países ao redor do mundo. Com mais de 260 obras publicadas que abrange mais de 200 autores espirituais nos mais diversos temas e gêneros textuais. Suas obras foram traduzidas para 17 idiomas.

Além de privarmos de amizade e de continuados contatos, pudemos participar de publicações, como organizador, como: “Repositório de sabedoria” e “Em louvor à vida”, ambos da Ed.LEAL; “Diálogo. Diálogo com dirigentes e trabalhadores espíritas” e “Laços de família”, editados pela USE-SP; “Em nome do amor. A mediunidade com Jesus” (Ed.FEB). Em nossa obra biográfica “Benedita Fernandes. A dama da caridade” (Ed.Cocriação), há contribuições mediúnicas de Divaldo.

Até sua recente enfermidade, mantivemos continuados contatos, em trocas de e-mails, ele sempre fraterno e atencioso.

Eis alguns, como o e-mail de Divaldo em 2020: “[…] Tenho prosseguido com destemor e fiel a Jesus-Kardec. […] Sou muito grato a você e família que me receberam desde jovem até hoje.” Em outra mensagem: “[…] Naquele lindo tempo éramos muito felizes. […] Sigamos, erguendo o mundo novo.” Em e-mail do mesmo ano: “Carinho à amada família.”

Sobre nosso livro Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões (Ed.Cocriação, 2021), que conta com um prefácio dele: “Acabo de ler o seu maravilhoso trabalho sobre nossa longa e abençoada convivência. Não pude deixar de chorar. […] sobrevivemos e continuamos”.

Ainda em outubro de 2024 informou-nos em e-mail que estaria presente na exibição do filme “Benedita Fernandes – legado da superação” na Mansão do Caminho, “embora a saúde insegura”. Divaldo é participante do citado filme.

Aliás na divulgação que ele fez publicamente e gravada pela TV Mansão do Caminho, Divaldo exibe a mensagem “Emergência para a criança”, em folheto de divulgação da União Municipal Espírita de Araçatuba. Essa foi a primeira assinada por Benedita que ele psicografou, e em reunião familiar na residência de nossos genitores em Araçatuba, no dia 24/04/1973.

Episódio interessante ocorreu na madrugada do dia 12 de maio, véspera da desencarnação de Divaldo. Tivemos um sonho muito nítido em que ele repentinamente surgiu com aspecto mais jovem e conversou alegre e rapidamente conosco em tom de gratidão pelo apoio que sempre dispensamos a ele. Ao despertarmos, relatamos à nossa esposa e de imediato ela comentou: “Ih, ele está mesmo partindo e se despedindo…”

Em nossas lembranças há instantes proveitosos e alegres na convivência com Divaldo, desde os tempos de Araçatuba e em inúmeros locais do país e do exterior, momentos significativos e inspiradores para a prática espírita, estímulo ao bem e à paz!

Nossas homenagens e gratidão ao marcante seareiro que retorna ao mundo espiritual!

Kardec na atualidade

Kardec na atualidade

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Atualmente sabe-se que Hippolyte Léon Denizard Rivail apenas nasceu na histórica cidade francesa e nunca lá residiu.

Foi criado com a família de sua genitora em Bourg en Bresse e Saint Denis les Bourg, duas cidades do Departamento de Ain, próximas a Lyon. Já se esclareceu que seu genitor, Jean-Baptiste Antoine Rivail, não desapareceu em guerras napoleônicas, mas, após estas, constituiu outra família no oeste da França e desencarnou aos 75 anos em 1834.

Rivail estudou em Yverdon com Pestalozzi e depois atuou como professor em Paris, casou-se com Amélie Boudet, destacada companheira como professora e depois nas lides espíritas. Ambos criaram e educaram uma menina chamada Jeanne Louise, provavelmente adotiva e que desencarnou bem jovem.

Após viver a experiência de professor, tradutor, interessado em temas emergentes na época como o magnetismo, entrou em contato com os fenômenos das chamadas “mesas girantes”. Em seguida, o ilustre professor onde veio a executar seu papel como Codificador do Espiritismo.

Como intelectual, portador de uma dose de ceticismo, e visão de arguto observador, rapidamente superou a etapa inicial de envolvimento com os fenômenos e passou a centralizar sua atenção na análise do conteúdo das informações que emanavam dos chamativos fatos ou efeitos pois, necessariamente “haveriam de ter uma causa”…

A partir da publicação de O livro dos espíritos, rapidamente se sucedem outras obras, naturalmente, um desdobramento aprofundado e com sentido prático, a partir das quatro grandes partes da obra pioneira. Do conjunto se destacam aquelas que são consideradas as obras básicas do Espiritismo: O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese.

Simultaneamente, o lúcido Kardec, dá início à Revista espírita, funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e empreende viagens para intercâmbio com grupos espíritas nascentes pelo interior da França e da Bélgica. Num prazo curto de tempo, com atividades múltiplas e muito intensas,

Allan Kardec deu início à Doutrina, à imprensa, a uma instituição e a uma movimentação de intercâmbio e compartilhamento de ideias e de experiências.

Todas essas ações fazendo juz à adjetivação “espírita”, no conceito por ele caracterizado. Kardec realmente foi o começo! A propósito da palavra e do enunciado acima citados, lembramos que neste ano completa-se 50 anos da aprovação inicial da “Campanha Comece pelo Começo”. Esta foi idealizada pelo publicitário muito dedicado ao Espiritismo Merhy Seba e tem por foco a valorização das obras da Codificação Espírita, de Allan Kardec. Historicamente, a Campanha “Comece pelo Começo” foi aprovada no final do ano de 1971 pelo Conselho Metropolitano Espírita da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (atual USE Regional de São Paulo). No início de 1972 essa Campanha já foi implementada em nível da Capital.

Naquela época assistimos exposição de Merhy Seba sobre o tema na II Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Estado de São Paulo (COMJESP), em Marília, em abril de 1972.

A referida Campanha nos interessou porque à época éramos presidente da União Municipal Espírita de Araçatuba (atual USE Intermunicipal de Araçatuba) e reforçaria nossos esforços de divulgação. Depois de aprovada pelo Conselho Deliberativo Estadual da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, a marcante Campanha foi lançada em nível estadual no ano de 1975, com a divulgação de cartazes e folderes definindo o objetivo da mesma e apresentando uma síntese sobre as obras de Kardec. Em nível nacional essa Campanha foi aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, durante nossa gestão como presidente, em reunião de novembro de 2014.

À vista da proliferação de livros espíritas – e com a influência de vários modismos -, criando desfocagens sobre a literatura básica e nas ações a ela relacionadas, e também pelo fato de que muitos cursos se basearem em material apostilado, torna-se muito importante que os centros e o Movimento Espírita dêem prioridade para a divulgação e o estímulo à leitura e ao estudo das Obras Básicas do Espiritismo.

É sempre oportuna a valorização ao estímulo pelo estudo de suas obras, ou seja, “comece pelo começo”!

Nos últimos anos com a disponibilização por instituições oficiais da França de documentos digitalizados muitos detalhes estão vindo à tona e outros poderão ser acrescentados aos momentos pós-Kardec em Paris. As biografias clássicas de Kardec estão desatualizadas.

Em nosso país, os documentos que estavam em poder da família do dr. Canuto Abreu, estão sendo trabalhados na Fundação Espírita André Luiz, de São Paulo, e em convênio com pesquisadores do NUPES da Universidade Federal de Juiz de Fora. Na atualidade, há várias páginas eletrônicas que disponibilizam informações sobre a vida e obra de Allan Kardec, como: Autores Espíritas Clássicos; CSI Imagens e Registros Históricos do Espiritismo; ECK – Espiritismo com Kardec; GEAE – Grupo de Estudos Avançados Espíritas; Grupo Espírita Amélie Boudet; IPEAK – Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec; Jornal de Estudos Espíritas; Kardecpedia; Liga de Pesquisadores do Espiritismo; NUPES – Núcleo de Pesquisa e Espiritualidade em Saúde da UFJF.

Bibliografia:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. Cap. 6.2. São Paulo: USE. 2016.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Caps. 2.16 e 5.11. Araçatuba: Cocriação. 2021.

3) Página eletrônica: https://www.allankardec.online/

Divaldo – exemplo de superações

Divaldo – exemplo de superações

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Dia 05 de maio Divaldo Pereira Franco completa 98 anos. Nos últimos meses tem passado por algumas situações complexas de saúde, mas tem superado e se mostra otimista.

Até final de outubro passado manteve um ritmo incansável na difusão espírita, apesar dos limites de enfermidades e da idade, superando desafios.

Ao longo muitas décadas acompanhamos momentos da trajetória de Divaldo incluindo muitas dificuldades seguidas de superações.

Desde 1962 mantemos amizade com Divaldo, quando o conhecemos em visita que ele fez à Instituição Nosso Lar em Araçatuba, durante sua atuação em evento jovem interestadual.

Nessa cidade nossa genitora e em nosso lar, hospedamos durante 30 anos o amigo visitante. Recebeu o título de “Cidadão Araçatubense” em 1984, e, três anos depois lançou o livro Em Louvor à Vida (Ed. LEAL), como psicógrafo do espírito Lourival Perri Chefaly e em parceria conosco.
Entre 1978 e 1980 presenciamos reencontros históricos de Divaldo com Chico Xavier, em Uberaba.
Em nossa memória desfilam panoramas sobre inúmeros encontros que mantivemos com o orador ao longo dessas décadas, nas regiões do Brasil e em diversos países.

Em nossa gestão como presidente da Federação Espírita Brasileira, durante reunião do Conselho Federativo Nacional (novembro de 2014), ocorreram várias atividades com Divaldo: palestras, promoção do “Movimento Você e Paz” em solenidade no plenário da Câmara dos Deputados, e inauguração de Exposição sobre a Mansão do Caminho e a obra de Divaldo no Espaço Cultural na sede FEB em Brasília.

Até sua recente enfermidade, mantivemos continuados contatos, em trocas de e-mails, ele sempre fraterno e atencioso.

Eis alguns, como o e-mail de Divaldo em 2020:

“[…] Tenho prosseguido com destemor e fiel a Jesus-Kardec. […] Sou muito grato a você e família que me receberam desde jovem até hoje.” Em outra mensagem: “[…] Naquele lindo tempo éramos muito felizes. […] Sigamos, erguendo o mundo novo.” Em e-mail do mesmo ano: “Carinho à amada família.”

Sobre nosso livro Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões (Ed.Cocriação, 2021), que conta com um prefácio dele: “Acabo de ler o seu maravilhoso trabalho sobre nossa longa e abençoada convivência. Não pude deixar de chorar. […] sobrevivemos e continuamos”.

Em 2024, Divaldo comentou os recentes: nosso livro Leopoldo Cirne. Vida e propostas por um mundo melhor (Ed.Cocriação/CCDPE) e o filme “Benedita Fernandes. Legado da Superação”, produzido por Sirlei Nogueira. Divaldo é personagem convidado do filme e tem mensagens psicografadas, do espírito Benedita, incluídas no nosso livro Benedita Fernandes. A dama da caridade (Ed.Cocriação), base para o enredo do filme.

Ainda em outubro de 2024 informou-nos em e-mail que estaria presente na exibição do filme sobre Benedita “embora a saúde insegura”.

Pouco tempo depois, quando estivemos na Mansão do Caminho em novembro de 2024, para apresentação e palestra sobre o filme “Benedita Fernandes – legado da superação”, ele se encontrava internado em hospital, mas deixou tudo programado e contamos com excelente recepção e apoio do presidente da Mansão do Caminho e da TV Mansão do Caminho. Divaldo é participante do citado filme.

Em nossas lembranças há instantes proveitosos e alegres na convivência com Divaldo, desde os tempos de Araçatuba e em inúmeros locais do país e do exterior, momentos significativos e inspiradores para a prática espírita, estímulo ao bem e à paz!

A Divaldo, nossas homenagens pelo seu natalício!

Partida de Francisco – exemplo de simplicidade e solidariedade

Partida de Francisco – exemplo de simplicidade e solidariedade

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A desencarnação do papa Francisco, aos 88 anos, no dia 21 de abril gera evidentes situações de comoção e de muito respeito pelo seu vulto.

Como observador externo do catolicismo, nutrimos interesse e consideração por Francisco, pelas transformações já impressas no Vaticano e nas ações do movimento católico.

A nosso ver, parece-nos um autêntico concretizador de premissas aprovadas no histórico Concílio Vaticano II, um continuador do papa reformista João XXIII.

A sugestiva escolha do nome, em homenagem a Francisco de Assis, assinala a inspiração para a simplicidade, humildade e dedicação ao próximo.

O cardeal de Buenos Aires, Jorge Mário Bergoglio, desde a sua apresentação pública após a eleição como papa, quando pediu ao povo que orassem por ele, e durante seu pontificado com continuados exemplos de espontaneidade, simplicidade, preocupação com o próximo, repetidas exortações pela paz, fraternidade e esperança, assinalaram profundas marcas de renovações.

Nesse perfil renovador ficou clara a orientação para que a Igreja saísse para fora, com ênfase nas ações junto à comunidade e o respeito à diversidade. No encontro com as realidades e as pessoas, o papa Francisco encarna o humanismo em sua acepção mais humanizadora. Há um livro de título inspirador, que reúne biografia e propostas desse Papa: Novo Humanismo: Paradigmas civilizatórios para o século XXI.

Favoreceu-se o incremento das chamadas ações interreligiosas.

No período em exercemos a presidência da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, representamos essa instituição em diversas reuniões interreligiosas sobre questões ligadas à assistência e promoção social e, inclusive, uma delas na sede da FEB, em fevereiro de 2014, com a presença do secretário geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil1, bispo Leonardo Ulrich Steiner, que na oportunidade teceu considerações elogiosas às mudanças impressas pelo papa Francisco. Esse bispo depois foi nomeado por Francisco cardeal e arcebispo de Manaus.

Na cidade de São Paulo, temos conhecimento de continuadas reuniões e atividades interreligiosas, várias com a presença do Cardeal de São Paulo.

Em algumas reuniões com a presença da presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, Júlia Nezu. Atuação constante e marcante nesses eventos interreligiosos é o dirigente e expositor espírita Afonso Moreira Junior. Inclusive, este companheiro mantém o programa "Conviver", transmitido semanalmente pela TV Mundo Maior e Rádio Boa Nova, onde o foco é mostrar a importância do diálogo interreligioso na construção de uma sociedade mais tolerante e pacífica, com estímulo à coexistência em harmonia.

Em julho de 2024, participamos de evento promovido por programas de Pós-Graduação em Ciência da Religião da PUC/SP e de Sociologia da UFSCar, na Catedral Anglicana de São Paulo, oportunidade em que o padre representando uma Pastoral de São Paulo, teceu considerações sobre o significado daquele encontro, valorizando as ações de João XXIII, continuadas pelo papa Francisco.2

Na consulta aos textos do Programa “Pinga Fogo”, com Chico Xavier, pela antiga TV Tupi de São Paulo (1971) há registros de respostas do médium a João de Scantiburgo e Reali Júnior, demonstrando respeito à Igreja Católica e destacando o trabalho social que esta vinha executando.3

Nessas rápidas considerações apresentamos uma visão superficial e geral de um espectador externo que sentiu transformações nas relações interreligiosas.

No contexto amplo, oferecido pela mídia nesses 12 anos de pontificado, avulta a figura nobre, simples, fraterna e de grande coragem desse valoroso vulto do século XXI.

Referências:

1) FEB: Reunião do Coletivo Inter-religioso. Reformador. Março de 2014. P. 184.

2) Site do GEECX (copie e cole): https://grupochicoxavier.com.br/cristianismo-brasileiro-contemporaneo-em-evento-e-livro/

3) Gomes, Saulo (Org.). Pinga-Fogo com Chico Xavier. Cap. 26-28. Catanduva: Intervidas.2010.

Data de origem do Espiritismo – O Livro dos Espíritos

Data de origem do Espiritismo – O Livro dos Espíritos

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A obra inaugural do Espiritismo – O livro dos espíritos – foi lançada por Allan Kardec a 18 de abril de 1857, em Paris. Esse memorável lançamento representa o registro de nascimento do Espiritismo.

A Livraria Dentu, no interior do Palais Royal, foi muito visitada naquele dia, um sábado pela manhã, porque era um local de expressão cultural e muito freqüentado na capital francesa.

O lançamento da obra inicial de Kardec provocou muitas repercussões em Paris, com matérias jornalísticas e resenhas nos folhetins da capital; o interesse do imperador Napoleão III e de sua esposa; e as difusões feitas por intelectuais como o dramaturgo Victorien Sardou, a escritora George Sand e o escritor e crítico Théophile Gautier. Sabe-se também que Victor Hugo realizava reuniões mediúnicas. Gautier até escreveu a peça teatral “Espírita”; considerado o primeiro romance espírita da história, traduzido e publicado pela Casa Editora O Clarim como O ignorado amor.

Os antropólogos franceses Marion Aubrée e François Laplantine publicaram importante obra em 1990, em que analisam o “objeto espiritismo” em vários níveis: histórico, sociológico e antropológico e consideram que o aparecimento de O livro dos espíritos foi um “sucesso na França do Segundo Império, do que chamaríamos de ‘best seller’…” Anotam que “Kardec transforma o ‘modern spiritualism’ num movimento social extremamente francês, devedor do nosso racionalismo e de nosso positivismo…” e destacam que Paris transformou-se na “capital internacional do Espiritismo”.

Interessante é a observação dos autores sobre o desenvolvimento do Espiritismo no interior da França, na época das viagens de Kardec: “O Espiritismo abandona então a direção puramente experimental para entrar na da moral e das obras sociais”.

O livro inicial de Kardec, contou com a primeira tradução do texto considerado definitivo para o português apenas 18 anos após seu lançamento em Paris. Em 15 de janeiro de 1875, o Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, já anunciava a primeira versão de O livro dos Espíritos em português, traduzida pelo médico Joaquim Carlos Travassos que adotou o pseudônimo de “Fortúnio” e publicada pela Editora B. L. Garnier, do Rio de Janeiro. Trata-se de tradução da 20a edição francesa. Doutor Travassos integrava a diretoria da Sociedade de Estudos Espiríticos – Grupo Confúcio.

Ao se completar 168 anos da publicação de O livro dos espíritos, e após fazermos uma síntese sobre as épocas do aparecimento dessa obra pioneira na França e de suas primeiras traduções no Brasil, reiteramos que é momento de se estimular a leitura, o estudo e a difusão dessa obra que assinala o início do Espiritismo.

(Artigo do autor publicado em: Folha da Região, Araçatuba, 18/04/2025, p.2).

A PRESERVAÇÃO DA VIDA

A PRESERVAÇÃO DA VIDA

Aylton Paiva

“Porque todos têm que concorrer para o cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente sem disso se aperceberem.” – (1) “O uso dos bens da terra é um direito de todos os homens? – Esse direito é consequente da necessidade de viver. Deus não imporia um dever sem dar ao homem o meio de cumpri-lo”. – (2)

Na atualidade muito se fala em preservar a vida no planeta Terra.

Isso é indispensável e urgente. O planeta Terra é um organismo que tem vida ao agasalhar milhares de vidas que estão interligadas para poderem existir. Há planetas e corpos celestes que não existe vida em suas superfícies, embora sendo planetas com crostas rochosas, como, por exemplo, as vastas extensões da superfície lunar, na crosta do planeta Marte, próximo e semelhante ao nosso.

Então a vida sobre a superfície de um planeta pode nunca ter existido, como pode ter existido e desaparecido. Será o caso da nossa Casa Planetária se ela não for devidamente cuidada. A Filosofia Espiritualista Espírita, desde o seu início, em 18 de abril de 1857, com O livro dos espíritos, organizado e sistematizado por Allan Kardec, já claramente assinalava a necessidade imperiosa desse cuidado planetário. As orientações e advertências, mediunicamente, traçadas pelos Mentores Espirituais, constam da referida obra, em sua 3ª Parte – Das Leis Morais, nos Capítulos IV – Da lei da reprodução e V – Da lei de conservação e VI -Da lei de destruição.

Portanto, nessas leis já eram apresentados os princípios básicos da Ecologia. A Ecologia é a ciência que estuda a interação entre os seres vivos e o ambiente em que vivem. O termo "ecologia" foi utilizado pela primeira vez em 1866, na obra "Morfologia Geral do Organismo", pelo biólogo alemão Ernst Haeckel. A Ecologia é a ciência que estuda a interação entre os seres vivos e o ambiente em que vivem.

Essa interação deve ser equilibrada, como já afirmavam os Mentores Espirituais:

“ Essa é a razão por que faz (Deus) que a Terra produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é”. (3)

Então, é fundamental o respeito ao meio ambiente e às fontes que produzem o necessário a fim de que os seres vivos possam existir. “ O homem ainda não aprendeu a retirar do solo apenas o que lhe é necessário. Sua ganância traduzida pelo desejo do lucro fácil, leva-o a dilapidar o patrimônio do qual o Senhor da vida permitiu-lhe o usufruto. Destrói sem maiores preocupações florestas imensas, polui as fontes e os rios, contamina os mares. Isso em nome do progresso que, na verdade, mascara a sanha egoística de pessoas e grupos que colocam os próprios interesses acima do bem-estar da própria humanidade”. (4 )

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

(1) O livro dos espíritos, de Allan Kardec, questão nº703.

(2) Idem, questão 711.

(3) Idem, questão 704.

(4) Espiritismo e Política – Contribuições para a evolução do ser e da sociedade, Aylton Paiva, pág. 49, parágrafo 2º, Ed. Feb

Data de Chico Xavier e a aprendizagem e influência

Data de Chico Xavier e a aprendizagem e influência

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A 02 de abril de 1910, nascia Chico Xavier em Pedro Leopoldo (MG).

Nessa cidade fundou o Centro Espírita Luiz Gonzaga, iniciou sua romagem mediúnica e durante três décadas assinalou marcantes exemplos de dedicação ao próximo. Completou 75 anos de labores mediúnicos já em Uberaba, onde residiu a partir de 1959.

Nossa homenagem ao vulto aniversariante se expressa por gratidão pelas oportunidades de aprendizagem que aurimos em suas obras e nos contatos pessoais.

Desde nossa adolescência, à distância acompanhávamos as notícias sobre Chico Xavier e tivemos contato com suas obras psicográficas.

Durante cerca de vinte anos, juntamente com a esposa Célia visitamos Chico Xavier com assiduidade, nas reuniões da Comunhão Espírita Cristã, do Grupo Espírita da Prece e nas peregrinações, em Uberaba. Em vários momentos nos comovemos, como na conversa coloquial quando nos conhecemos, nas dedicatórias de livros que nos redigia de maneira bem informal, em gentilezas e oferta de mimos por ocasião do nascimento de nossos filhos, no atendimento carinhoso que dispensou a vários familiares e amigos e as correspondências, Nos seus atendimentos, principalmente na "peregrinação" assistimos a cenas muito humanas e cristãs. São aspectos de Chico Xavier como pessoa.

Quando obtivemos um exemplar da histórica 1a edição de Parnaso de além túmulo, solicitamos seu autógrafo. Sempre gentil, anotou de forma bem humorada um agradável registro histórico:

"Aos queridos amigos Cesar Perri de Carvalho e Célia entrego, afetuosamente, este livro, pedindo-lhes desculpas pelo atraso de cinquenta e três anos. Sempre reconhecidamente, Chico Xavier. Uberaba, 16/11/85".

A figura de Chico Xavier como pessoa é muito pouco conhecida. Tende-se a idolatrá-lo, esquecendo-se de reações mais simples e naturais do ser humano e que, no caso dele, são muito ricas e interessantes. Quando Chico Xavier completou 50 anos de labores mediúnicos, ele humildemente declarou a um jornal espírita: "Sou sempre um Chico Xavier lutando para criar um Chico Xavier renovado em Jesus e, pelo que vejo, está muito longe de aparecer como espero e preciso…”

O nosso livro Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões, não é biográfico. Trata-se de uma contribuição aos inúmeros subsídios sobre o conceituado médium. Cremos que nossos relatos, envolvendo nuances de Chico como pessoa, a análise de aspectos e das repercussões de sua obra, no conjunto, oferecem matérias para nossas reflexões como indivíduos e como dirigentes espíritas.

Como médium, destacamos a sua dedicação e persistência ao labor por tempo tão prolongado. Portador de vários dons mediúnicos, soube dar prioridade à sua tarefa maior, a psicografia.

A simplicidade e a espontaneidade de Chico Xavier assumem grande realce e fazem destacar sua ímpar figura humana.

Fontes:

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. Capivari: EME; São Paulo: USE-SP. 2019. 224p.

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p.