Star wars ou “Nosso Lar 3”

Star wars ou “Nosso Lar 3”

  

Vladimir Alexei

Em reportagem da revista Veja (digital, 15/08/25*), que invariavelmente é sensacionalista, embora tenha sido durante muito tempo uma revista comprometida com a verdade, a manchete desperta o interesse dos internautas: “Sabres de luz e energização: os bastidores da saga espírita Nosso Lar 3”.

Em seguida, a reportagem em seu primeiro parágrafo diz que no Espiritismo, fundado por Kardec, “os humanos têm dois destinos básicos após a morte: viver junto aos Espíritos de Luz, numa dimensão celestial pura e livre da maldade, ou pelejar com as almas não evoluídas nas trevas do Umbral.”

Incautos dirão que o problema é da ficção científica e da “arte” em torno do Espiritismo. Uma coisa é a ficção, cultura e arte. A outra é o que realmente diz a Doutrina Espírita sobre a vida após a morte e aqui vemos uma oportunidade de espaço para esclarecimentos ao público leigo.

A reportagem tem o foco na produção científica, contudo, não faz jus ao que a Doutrina Espírita preconiza, na nossa singela opinião. Nossa reflexão segue na maneira como o Espiritismo tem sido vinculado às obras de ficção e a distância entre a ficção e o aspecto moral adotado pelo Espiritismo e divulgado pelas entidades do movimento espírita. Com recursos tecnológicos mais aprimorados, o visual está ganhando contornos cada vez mais avançados e, quiçá, realista em relação ao “umbral”.

Contudo, o conhecimento do Espiritismo está cada vez mais em segundo plano. A compreensão da vida depois da morte não se limita a “seres de luz” e “seres umbralinos”. Isso é a reedição do “Céu e do Inferno” adotados por religiões convencionais. Será que as casas espíritas e as instituições federativas concordam com essa abordagem?

Embora cada vez mais lindo de se ver, mais distante de se sentir o que seja realmente Espiritismo. Naufragamos para uma reedição religiosa de erros grotescos cometidos no passado. Ainda que a obra ficcional tenha no enredo a tentativa de Zenóbia resgatar sua “paixão da vida” (as expressões não condizem com o conteúdo doutrinário, por isso a oportunidade de se gerar informações adicionais nas casas espíritas e federativas).

O propósito não é censura. Apoiamos toda manifestação artística e com essa obra de ficção não é diferente. Contudo, seria oportuno as instituições espíritas (casas e federativas) prepararem material de divulgação complementar que pode, tanto auxiliar na divulgação da obra de ficção, quanto esclarecer à população sobre o que a Doutrina Espírita realmente diz, amparado nos ensinamentos de Allan Kardec e com isso até ganhar nova projeção.

Todavia, o movimento espírita está entregue a derrotistas que, infelizmente, preferem debater entre si, divergir entre si, do que se abrir para o mundo. Talvez seja medo de como as máscaras de religiosos estão caindo mundo afora, como o caso recente de um Pastor flagrado usando roupas femininas e em situação estranha (poderia render outra reflexão, mas uma polêmica de cada vez).

(*) Matéria completa de Veja no Link: https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/sabres-de-luz-e-energizacao-os-bastidores-da-saga-espirita-nosso-lar-3/

(Transcrição de matéria divulgada pelo articulista em redes sociais, em 15/08/25; reside em Belo Horizonte).

120 anos das “clarinadas” de Cairbar Schutel

120 anos das “clarinadas” de Cairbar Schutel

     


Antonio Cesar Perri de Carvalho

No dia 15 de agosto o jornal O Clarim, fundado por Cairbar Schutel, completou 120 anos de circulação ininterrupta.
No ano de 1905 Cairbar Schutel fundou em Matão o Centro Espírita Amantes da Pobreza e no 15 de agosto daquele ano, o jornal O Clarim.
A edição de agosto de 2025 de O Clarim, no Editorial “Meus 120 anos”, registra-se as lembranças significativas para a Casa Editora O Clarim, com a publicação mensal na Revista Internacional de Espiritismo, de artigos alusivos ao Centenário desse órgão, e, agora com os 120 anos de fundação do Centro Espírita Amantes da Pobreza, hoje C.E. O Clarim, e do tradicional jornal O Clarim.(1)
Quando definia um nome para seu jornal, houve o diálogo: "Não queremos um jornal para gritar de alto e bom som que nossa profissão de fé agora é a espírita?" obtemperou alguém – "Então chamá-lo-emos O Clarim. Que clarinadas seriam? Aquelas originárias do pioneirismo de Cairbar Schutel na Casa Editora O Clarim, de Matão, que apresenta um clarim do Espiritismo sobre o mundo.(2)
Cairbar de Souza Schutel (1868-1938) foi destacado cidadão radicado em Matão (SP), tendo atuado como farmacêutico, primeiro Prefeito Municipal da cidade, histórico pioneiro e divulgador espírita. Era conhecido com o título de "O pai dos pobres", pelo fato de doar remédio de graça aos carentes e utilizava sua própria casa para acolher doentes. Conquistou o respeito da população da cidade e região, superando muitas perseguições de natureza religiosa.
Em 1925 lançou a Revista internacional de espiritismo. A RIE desde os tempos iniciais divulgou textos de autoria de lideranças espíritas de várias partes do mundo. Cairbar Schutel mantinha correspondência com Léon Denis, Gabriel Delanne, Oliver Lodge e outros luminares dos estudos e pesquisas espíritas. Editou dezenas de livros e foi autor de outro tanto.
Representantes de O Clarim viajavam pelo interior do Estado de São Paulo, inclusive para Araçatuba, nossa terra natal, nos tempos de Benedita Fernandes, para propagação do Espiritismo e divulgação dos livros e periódicos editados em Matão.(2)
Pelas páginas do jornal pode-se acompanhar as polêmicas que mantinha com adversários do Espiritismo; as distribuições de O Clarim por ocasião de “finados”; resenhas de livros; noticiário bem variado.
A centenária “dona Ziza” (Adalgisa de Lourdes Antunes), que completou 100 anos em julho de 2023, relatou contatos que teve com Cairbar Schutel, em Matão:
“ ‘Seu’ Schutel, abrindo-me as portas para que, no verdor dos meus 13 ou 14 anos, logo após minha formatura no Colégio São José, eu tivesse meu nome recomendado para trabalhar na Editora, mais especificamente na Redação (aliás, ‘Redacção’, conforme consta na antiga placa ainda afixada à entrada do prédio, hoje Memorial Cairbar Schutel, em Matão), em atividade burocrática utilizando a datilografia e os demais conhecimentos adquiridos no Colégio”.(3)
De nossa parte, colaborador como articulista de O Clarim e da RIE, há mais de 50 anos, reconhecemos que as atividades de Matão fundadas por Cairbar Schutel representam um marco na história do Espiritismo.
Por ocasião das comemorações do Centenário do jornal O Clarim, de 12 a 14 de agosto de 2005, tivemos inesquecível oportunidade de participar do evento histórico em Matão. Compareceram representantes de três países, 112 cidades de 14 Estados do país. Integraram a mesa de abertura do evento com palestra de Divaldo Pereira Franco, dirigentes da Casa Editora O Clarim, do presidente da USE-SP, várias instituições paulistas, o presidente da FEB Nestor João Masotti e nós representando o Conselho Espírita Internacional.(4)
Muitas vezes recorremos a O Clarim para obter registros históricos e informações sobre ações de vários vultos.
Inclusive nosso livro Benedita Fernandes. A dama da caridade, contém muitas informações que obtivemos do tradicional jornal criado por Schutel. Graças a O Clarim, obtivemos valiosas informações que foram utilizadas nessa biografia.(2)
Esse fato aponta sobre a importância de registros escritos.
Além de divulgar a Doutrina Espírita, Schutel alimentava os leitores com notícias do movimento espírita do Brasil e de vários países.
Daí nosso respeito, homenagem e gratidão ao nobre vulto, às suas obras e os veículos de informação pioneiros.
Fontes:
1) Editorial. Meus 120 anos. O clarim. Ano CXX. N.1. Agosto de 2025. P. 2.
2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p.
3) Entrevista com Dona Ziza Rosito – Trechos extraídos de: Boletim de Notícias do Movimento Espírita – Ismael Gobbo: https://www.noticiasespiritas.com.br/2023/JULHO/19-07-2023.htm;
4) Carvalho, Antonio Cesar Perri. As influências marcantes do legado de Divaldo Pereira Franco. Revista internacional de espiritismo. Ano C. N.6. Julho de 2025. P. 269-271.
 

Entre o céu e o inferno

Entre o céu e o inferno

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Há 160 anos, o livro O céu e o inferno, tendo por sub-título de “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”, foi lançado por Allan Kardec em agosto de 1865, em Paris.

Trata-se de livro histórico e inédito, pois para fundamentar a nova visão, analisa estados de alma com base nas comunicações de espíritos desencarnados.

Kardec viveu no Século XIX – época das luzes, marcantes descobertas e teorias que modificaram o modo de vida do homem; um período de polêmicas com choques políticos, convivendo com o surgimento de diversas propostas sociais e impasses no âmbito da religião.

O autor esclarece: “O título desta obra indica claramente o seu objetivo. Nela reunimos todos os elementos destinados a esclarecer o homem quanto ao seu destino. Como em nossas publicações anteriores sobre a Doutrina Espírita, nada colocamos neste livro que seja produto de um sistema preconcebido ou de concepção pessoal, que aliás, não teria nenhuma autoridade. Tudo foi deduzido da observação e da concordância dos fatos”.

A 1a Parte do livro trata de Doutrina, com o exame comparado de diversas crenças sobre: o porvir e o nada; temor da morte; céu; inferno; purgatório; as penas futuras segundo o Espiritismo; anjos; demônios; intervenção dos demônios nas manifestações. No ítem “código penal da vida futura”, esclarece que não “formula um código de fantasia no que respeita ao futuro da alma”, mas deduz “das observações de fatos”. Nessa visão caem naturalmente as justificativas de penas eternas, a adoção de penitências, indulgências e os complexos de culpa. Pelo mecanismo das vidas sucessivas – a reencarnação -, o homem constrói seu próprio “destino”. Quando se desvia da Lei Divina, terá chances de reacertos em outras vidas, à semelhança de um processo escolar sequencial. O roteiro serão os ensinos morais do Cristo, que espelham a Lei de Deus. Ele nos trouxe a lei do amor, a compreensão de Deus Único, acrescida da visão do Deus Pai, bom e misericordioso: “Deus é amor” (I João 4, 8).

Na 2a Parte, o livro contém análise de exemplos. Segue-se o estudo pioneiro das manifestações espirituais e da identidade do comunicante, cotejando-as com dados sobre a existência do manifestante, enquanto encarnado. O estudo de casos elaborado por Kardec, faz de O céu e o inferno um livro de comprovações, contribuindo para a identificação dos espíritos comunicantes e oferecendo evidências para a compreensão da imortalidade da alma. Os diferentes estados de alma podem dar a sensação de “céu” e de “inferno”: espíritos felizes; espíritos em condições medianas; espíritos sofredores; criminosos arrependidos; espíritos endurecidos; expiações terrestres; em sofrimento pelo suicídio.

O entendimento desses estados de espíritos desencarnados afasta ideias dogmáticas e até pueris sobre o mundo espiritual. O Espiritismo responde às dúvidas existenciais e à pergunta insistente: “para onde vou após a morte?”, o livro O céu e o inferno indica a resposta clara e fundamentada!

Publicado em: Folha da região. Araçatuba, 27/07/2025, fl.2.

PROBLEMAS DA ATUALIDADE E DO ESPIRITISMO

PROBLEMAS DA ATUALIDADE E DO ESPIRITISMO

Aylton Paiva

Nos tempos atuais muito são os problemas que a sociedade enfrenta: violência física e moral, sexo irresponsável, droga, egoísmo, injustiça social e muitos outros.

Teria o Espiritismo visão e compreensão sobre esses fatos e ocorrência?

Sim, a Filosofia Espiritualista Espírita, consubstanciada em O livro dos espíritos, codificada por Allan Kardec, na sua Parte 3 – Das leis morais oferece a visão e compreensão sobre esses terríveis fenômenos e porque Deus e Jesus o permitem. Nessas reflexões são apresentados os vários problemas e a visão que a Doutrina Espírita oferece sobre eles.

Violência, guerras, terrorismo, assassinatos (Parte 3, Cap. VI – Lei da destruição)

Apologia ao sexo e à beleza física a qualquer preço (Parte 3, Cap. IV – Lei da reprodução)

Aborto, pena de morte, assassinatos, suicídios, feminicídio (Parte 3, Cap. VI Lei da destruição)

Como equilibrar o necessário e o supérfluo e reduzir o desperdício de tempo e de recursos naturais (Parte 3, Cap. V – Lei da conservação)

A banalização do uso de drogas – (Parte 3, Cap. XII – Da perfeição moral: as virtudes e os vícios)

Laços de família – educação de filhos – dificuldade com relação a esses temas (Parte 3, Cap. IV – Lei da reprodução)

Vida em sociedade X individualismo (Parte 3, Cap. VII – Lei de sociedade)

Síndromes como autismo, down, TDH e tantas outras variáveis (Parte 2, Cap. VI – Da vida espiritual)

Justiça social (Parte 3, Cap. XI Lei de justiça, de amor e de caridade)

Envelhecimento da população mundial e controle da natalidade (Parte 3, Cap. IV – Lei de reprodução)

Pandemias, endemias, miséria. – (Parte 3, Cap. VI – Lei de destruição – Flagelos)

Aumento do número de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade social (Parte 3, Cap. VII – Lei de sociedade)

Materialismo – (Parte 2, Cap. II – Materialismo) Individualismo – (Parte 2, Cap. VII, Lei de Sociedade)

Agressividade – (Parte 2, Cap. XI – Lei de Justiça, amor e de caridade)

Indiferença – (Parte 3, Cap. XII, item O Egoísmo)

Destaque do Mal – (Parte 3, Cap. I – O Bem e o Mal)

Exaltação dos animais como seres da família – "prefiro viver com animal do que com gente" – (Parte 2, Cap. XI – Os animais e os homens)

Preconceitos em geral Idolatria a pessoas – artistas em geral e religiosos como pastores, padres, pensadores em geral, jogadores de futebol etc. – (Parte 3, Cap. II, Lei da adoração)

Jovens problemáticos, neuroses, psicoses, automutilação, baixa autoestima (Parte 2, Cap. VI, item Escolhas das provas.)

Como lidar com a morte de entes queridos (Parte 4ª, Cap. I, Perda dos entes queridos)

Revivescência de seitas como xamanismo, uso de chá alucinógenos etc. (Parte2, Cap. IX Poder oculto, talismãs, feiticeiros. Como manter o equilíbrio frente aos problemas que assolam a humanidade – Conhecimento e aceitação dos ensinos do Espiritismo e do Evangelho de Jesus.

OBSERVAÇÃO: As indicações e citações para o entendimento dos problemas são de O livro dos espíritos, por Allan Kardec. Edição da FEB.

Publicação espírita brasileira pioneira

Publicação espírita brasileira pioneira

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Agora em julho transcorrem 156 anos do lançamento da primeira publicação espírita brasileira com idioma totalmente em português.

Em julho de 1869 – doze anos após a publicação de O livro dos espíritos, em Salvador, na Bahia, foi lançado O Écho d’Além-Túmulo – Monitor do Espiritismo no Brasil.

O periódico tinha como responsável o jornalista Luís Olympio Telles de Menezes e contava com 56 páginas cada edição. Foi pioneiro na imprensa espírita brasileira, chegando a circular, inclusive, em Nova Iorque, Londres, Paris, Lyon, Madrid, Barcelona, Sevilha, Bolonha e Catânia.

Luís Olympio Telles de Menezes (1828-1893), professor primário, estenógrafo, funcionário da Assembleia Legislativa e Oficial da Biblioteca Pública da Bahia. Falava inglês, francês, castelhano e latim. Colaborou com os periódicos: Diário da Bahia, Jornal da Bahia, A Época Literária, como redator e diretor. Escreveu o romance Os dois rivais; foi membro do Instituto Histórico da Bahia. Em 1857, fundou o Conservatório Dramático da Bahia, onde teve contato com os fenômenos espíritas e, na busca de entendimento, passou a se corresponder com espíritas franceses, entre eles, o Codificador Allan Kardec. Fundou em 17 de setembro de 1865, em Salvador, o Grupo Familiar do Espiritismo, o primeiro ligado à Doutrina Espírita, no Brasil. Em 1866, publicou Filosofia Espiritualista, tradução da parte inicial de O Livro dos Espíritos, tendo sido impressos mil exemplares, que se esgotaram nos primeiros meses.

De conteúdo didático, O Écho d’Além-Túmulo transcrevia artigos da Revue Spirite, páginas de O Livro dos Espíritos, e tinha por objetivo apresentar e desmistificar a visão errônea que se tinha da Doutrina Espírita. Seus pilares eram o lema da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Não possuía fins lucrativos e parte das suas vendas destinava-se à causa abolicionista.

O Écho d’Além-Túmulo foi citado duas vezes na Revue Spirite. Em outubro de 1869, na seção “Novos jornais estrangeiros”: “O Eco D’Além-Túmulo, monitor do Espiritismo no Brasil, publicado mensalmente na Bahia, em língua portuguesa, em cadernos de 60 páginas in-octavo, sob a direção do Sr. Luiz Olympio Telles de Menezes, membro do Instituto Histórico da Bahia”.1

Na edição seguinte, em novembro de 1869, na seção “Bibliografia: O ECO DE ALÉM-TÚMULO Monitor do Espiritismo na Bahia (Brasil) Diretor: Sr. Luiz Olympio Telles de Menezes”, com o texto (trechos): “Num dos últimos números da Revista anunciamos o aparecimento de uma nova publicação espírita em língua portuguesa, na Bahia (Brasil), sob o título de L’Écho Spirite d’Outre-Tombe (O Eco de Além-Túmulo, monitor do Espiritismo no Brasil). Mandamos traduzir o primeiro número desse jornal, a fim de que os nossos leitores dele se inteirem com perfeito conhecimento de causa. As passagens seguintes, extraídas de O Eco de Além Túmulo, provarão, melhor do que longos comentários, o ardente desejo do Sr. Luiz Olympio, de concorrer eficaz e rapidamente para a propagação dos nossos princípios, […] ao qual nos apressamos imediatamente a endereçar vivas felicitações, pela iniciativa corajosa de que nos dá prova. Com efeito, é preciso grande coragem de opinião para criar num país refratário como o Brasil, um órgão destinado a popularizar os nossos ensinamentos. A clareza e a concisão do estilo, a elevação dos sentimentos ali expressos, são para nós uma garantia do sucesso dessa nova publicação. A introdução e a análise que o Sr. Luiz Olympio faz, do modo pelo qual os Espíritos nos revelaram a sua existência, pareceram-nos bastante satisfatórias”.2

A seção com a longa resenha é assinada por A. Desliens, Secretário-Gerente do Comitê de Administração da Revue spirite. Trata-se de Armand Theodore Desliens.

Nas informações biográficas de Luís Olympio, consta que apesar de ter formação católica, ele via no Espiritismo uma forma de resgate do cristianismo primitivo dentro da própria Igreja Católica. Por isso, surgiram entraves e inconvenientes ao associar sua proposta com o surgimento do jornal espírita, o que causou problemas pois, à época, o Catolicismo era a religião oficial do Estado, conforme estabelecido pela Constituição brasileira de 1824. Cedendo às pressões, o jornalista encerrou as atividades de O Écho d'Álem-Túmulo e mudou-se para o Rio de Janeiro.

Todavia com o Grupo familiar de Espiritismo e com o periódico, Luís Olympio lançou as bases para a chegada e a sedimentação da Doutrina Espírita no Brasil.

Em expressiva homenagem caracterizada por emissão de selo postal, no ano de 1969, os Correios do Brasil emitiram selo em homenagem ao centenário da imprensa espírita no Brasil, com estampa do fundador Luís Olympio Telles de Menezes.

Bibliografia:

1) Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. Bibliografia – Novos jornais estrangeiros. Revista espírita: Jornal de estudos psicológicos. Ano XII, n. 10, out. 1869. Rio de Janeiro: FEB.

2) Idem. Op. cit. ano XII, n. 11, nov. 1869.

Minha boa amiga

“Minha boa amiga”

Adair Ribeiro*

Quando indagado se o espiritismo era uma religião, Allan Kardec disse que o laço estabelecido por uma religião deveria ser essencialmente moral, responsável por ligar os corações, identificar os pensamentos e as aspirações, e não questão de simples compromisso material que pudesse ser rompido à vontade.

Explicou Kardec que o efeito desse laço moral seria o de estabelecer entre as pessoas que ele une a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas.

Para ele, seria justamente com base nessa comunhão de vistas e sentimentos que poderíamos dizer: a ’religião’ da amizade, a ’religião’ da família.

A aplicação prática por Kardec desse conceito pode ser encontrada em muitas cartas e textos dos diferentes acervos disponíveis no Projeto Allan Kardec da UFJF-MG.

Neles verificamos, por exemplo, que ele se referia a sua esposa, Amélie Gabrielle Boudet, como “minha querida amiga” ou “minha boa amiga”. Vale lembrar que, na França, em meados do século 19, a mulher tinha a sua presença restrita à maioria dos espaços públicos e com direitos civis reduzidos.

Para acesso à universidade, o sistema cultural francês disponibilizava estabelecimentos de ensino quase exclusivamente aos rapazes, preparando-os para as profissões liberais, enquanto as jovens eram educadas para se tornarem boas donas de casa, com aulas de costura, música e canto.

Com o casal Kardec era diferente. A comunhão de pensamentos também sobre o papel da mulher já era perceptível entre eles nos anos 1840, afinal Amélie Boudet esteve ao lado do marido, na Escola de Comércio e Pensionato para meninas, preparando jovens para que pudessem trabalhar em diferentes profissões, estimulando-as a continuarem seus estudos.

A documentação histórica nos mostra Amélie secundando e auxiliando o esposo a todo momento durante a construção e divulgação do corpo doutrinário espírita. Nas viagens de Kardec, ela assumiu papel central no gerenciamento dos negócios particulares da família e no trato com os assuntos ligados ao espiritismo.

Após a desencarnação do marido, assumiu função central para a continuidade do espiritismo. Foi ela a responsável pela fundação da Sociedade Anônima, como maior acionista, dando sequência à publicação das obras espíritas. Também ocupou importante cargo no Conselho Fiscal da nova entidade, fiscalizando suas operações e emitindo relatórios fiscais e contábeis, além de participar do Comitê de Leitura, órgão criado para autorizar o conteúdo do que seria publicado na Revista Espírita e escolhendo os livros que seriam editados pela sociedade.

A “boa amiga” esteve envolvida com assuntos ligados ao espiritismo até desencarnar, ocupando posição de destaque no movimento espírita francês. Documentos atestam sua lucidez e o equilíbrio de sua razão no final de sua vida corporal.

Tudo indica ter sido esse mesmo ‘laço moral’, empregado para conceituar a religião como união de propósitos, que também ligou o coração de Amélie ao de Kardec e ao espiritismo, uma mulher à frente de seu tempo e que merece o devido reconhecimento e destacado lugar na historiografia do espiritismo.

*Adair Ribeiro Jr. é curador do Museu AKOL – AllanKardec.online.

DE: Correio News, 09/06/2025, copie e cole: https://correio.news/curiosidades/minha-boa-amiga

 

Livros de Chico Xavier relacionados com o mês de julho

Livros de Chico Xavier relacionados com o mês de julho

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Interessante é que o mês de julho assinala alguns episódios históricos relacionados com a psicografia de Chico Xavier.

A começar pela sua primeira psicografia em Pedro Leopoldo (MG). Aos 17 anos de idade, poucos dias após fundar o Centro Espírita Luiz Gonzaga, repentinamente, no dia 08 de julho de 1927, na reunião do novel Centro, Chico psicografa pela primeira vez, deixando todos atônitos. Mensagem assinada por um espírito amigo. Iniciava-se a profícua tarefa psicográfica de Chico Xavier.

Cinco anos depois, no dia 08 de julho de 1932, a Federação Espírita Brasileira lança sua primeira obra mediúnica: Parnaso de além túmulo. Esta foi um marco histórico e gerou impactos no meio espírita e no ambiente literário do país pelo fato de reunir poemas assinados por grandes poetas brasileiros e portugueses.

O orientador espiritual de Chico, Emmanuel, no dia 8 de julho de 1941, escreve a apresentação da monumental obra Paulo e Estêvão. Nesse texto de abertura do livro, considerado obra prima da psicografia do médium, o autor espiritual registra observações importantes que definem o objetivo da obra e oferecem rápida visão sobre a tarefa do apóstolo e do primeiro mártir do Cristianismo: “Nosso escopo essencial não poderia ser apenas rememorar passagens sublimes dos tempos apostólicos, e sim apresentar, antes de tudo, a figura do cooperador fiel, na sua legitima feição de homem transformado por Jesus Cristo e atento ao divino ministério. […] Paulo de Tarso foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, […] Sem Estêvão, não teríamos Paulo de Tarso”. O livro Paulo e Estêvão representa um registro histórico diferenciado, pois sua leitura oferece mentalmente uma visão cinematográfica.

Momento que presenciamos desde eventos prévios, aconteceu nos últimos dias de julho de 1983 com o lançamento em Uberaba do livro "…E o amor continua", contendo mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Divaldo Pereira Franco. Nesse livro, editado pela LEAL, foram incluídas cartas familiares recebidas por ambos, em reuniões públicas no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba.

Há poucos dias comentamos os 23 anos da desencarnação de Chico Xavier e fatos significativos que ocorrem como repercussão de seu exemplo de vida e de sua vasta literatura psicográfica.

Sem dúvida, além das respeitáveis homenagens que se sucedem, o mais importante é a valorização do profícuo conteúdo das obras que ele foi intermediário. Nessas obras, compreende-se claramente as abordagens relacionadas com as palavras chaves que sintetizem seu perfil e que alimentaram as divulgações sobre seu Centenário de nascimento, em 2010: espírito, saber, fé, caridade, amor!

Nossa sugestão é a leitura, estudo, valorização da literatura psicográfica de Chico Xavier.

(*) Autor do livro: Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. São Paulo: USE-SP e Capivari: EME. 2019. 223p.

Artigo sobre Divaldo na RIE e revista americana

Artigo sobre Divaldo na RIE e em revista americana

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Cinquenta dias após a desencarnação de Divaldo Pereira Franco tornam-se públicos os registros de nossas homenagens ao vulto.

Simultaneamente artigo nosso com algumas adequações, mas na essência valorizando o legado de Divaldo, foram publicados na Revista Internacional de Espiritismo1 (Casa Editora O Clarim) e em The Spiritist Magazine2 (editada por Spiritist Society of Virginia, EUA).

Em ambos destacamos a longa amizade que mantivemos com Divaldo, desde o ano de 1962, nos tempos de nossa atuação em Araçatuba (SP), passando pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, Federação Espírita Brasileira e Conselho Espírita Internacional. Em função das atividades dessas instituições presenciamos centenas de palestras dele em várias partes do Brasil e em diversos países.

Realçamos o valor das beneméritas atividades do Centro Espírita Caminho da Redenção e da Mansão do Caminho que visitamos inúmeras vezes, desde 1972 até novembro de 2024.

Sem dúvida, a profícua produção literária psicográfica, desde os iniciais do espírito Joanna de Ângelis a esclarecimentos doutrinários de Manoel Filomeno de Miranda.

Do artigo estampado pela RIE, realçamos matéria publicada pelo jornal O Clarim:

“A nosso ver, a presença mais significativa de Divaldo em Matão, e que tivemos oportunidade de presenciar, aconteceu nas comemorações do Centenário do jornal O Clarim, de 12 a 14 de agosto de 2005. Naquele evento histórico compareceram representantes de três países, 112 cidades de 14 Estados do país. Integraram a mesa de abertura do evento com palestra de Divaldo, dirigentes da Casa Editora O Clarim, de várias instituições paulistas, o presidente da FEB Nestor João Masotti e nós representando o Conselho Espírita Internacional”.

Na revista The Spiritist Magazine, acrescentamos sobre a disponibilidade de livros psicográficos disponíveis em vários idiomas, inclusive inglês.

Em ambos os artigos anotamos:

“Episódio interessante ocorreu na madrugada do dia 12 de maio, véspera da desencarnação de Divaldo. Tivemos um sonho muito nítido em que ele repentinamente surgiu com aspecto mais jovem e conversou alegre e rapidamente conosco em tom de gratidão pelo apoio que sempre dispensamos a ele. Ao despertarmos, relatamos à nossa esposa e de imediato ela comentou: “Ih, ele está mesmo partindo e se despedindo…” Em nossas lembranças há instantes proveitosos e alegres na convivência com Divaldo, desde os tempos de Araçatuba e em inúmeros locais do país e do exterior, momentos significativos e inspiradores para a prática espírita, estímulo ao bem e à paz! Nossas homenagens e gratidão ao marcante seareiro que retornou ao mundo espiritual!”

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. As influências marcantes do legado de Divaldo Pereira Franco. Revista internacional de espiritismo. Ano C. N.6. Julho de 2025. P. 269-271.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Gratitude and tribute to Divaldo Pereira Franco. The spiritist magazine. Vol. 17. N.70. Julho-setembro de 2025. P. 24-27.

Chico Xavier – Há 23 anos…

Chico Xavier – Há 23 anos…

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Há 23 anos, no dia 30 de junho de 2002 desencarnava Chico Xavier. Nesse período ocorreram várias repercussões relacionadas com a vida e obra do médium.

Há cinco palavras-chave que o caracterizam e que foram utilizadas durante as comemorações de seu Centenário de nascimento, em 2010: espírito, saber, fé, caridade e amor.

Durante estes anos, vários eventos e homenagens foram feitas ao médium , como: o nome na rodovia federal entre a divisão com o Estado de São Paulo e Uberlândia; tributo a Chico Xavier na ONU; comemorações em todo o país por ocasião do Centenário de seu nascimento no ano de 2010; filmes com seu nome e sobre suas obras com enorme frequência; homenagens no Congresso Espírita Mundial em Valencia (Espanha); homenagens no Congresso Nacional; a Medalha da Paz/Chico Xavier, do Governo do Estado de Minas Gerais; registro no Panteão da Pátria, da Liberdade e da Democracia Tancredo Neves; o título de “maior brasileiro de todos os tempos” pela TV SBT; designação de centros espíritas, praças e ruas, e, inúmeros eventos presenciais e virtuais focalizando sua vida e obra.

A marcante película “Chico Xavier – O Filme”, lançada aos 02 de abril de 2010, data em que Chico Xavier completaria 100 anos, estreou, baseado na biografia As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior. Dirigido e produzido pelo cineasta Daniel Filho, com roteiro de Marcos Bernstein, Chico Xavier é retratado pelos atores Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier, respectivamente, em três fases de sua vida. Na época, o filme alcançou a marca de mais de 3,5 milhões de espectadores nos cinemas. Seguiram-se filmes sobre obras do espírito André Luiz e sobre cartas familiares.

No dia 14 de outubro de 2022, cinemas de várias capitais e cidades do país começaram a exibir o documentário “Chico Para Sempre”. Um longa-metragem, com 2h20 de duração, dirigido por Wagner de Assis, da Cinética e com marcante participação do jornalista e colaborador no roteiro Marcel Souto Maior, autor de biografia do médium. Atualmente, todos os filmes sobre Chico Xavier e suas obras encontram-se disponíveis na internet, nos provedores dos chamados streamings.

Há muitas homenagens e reconhecimentos significativos, mas é cabível a análise sobre como a experiência de vida e a profícua obra psicográfica de Chico Xavier vem sendo valorizados no ambiente do movimento espírita.

Parece-nos pertinente recordarmos alguns aspectos sobre as linhas de pensamento desenvolvidas nas centenas de livros do médium. O conteúdo dos livros, que se concretizaram em ações, exemplos de vida de Chico Xavier, são fontes de inspiração e de roteiro para nossas trajetórias de vida.

Desde o ano de 2005, por iniciativa do Conselho Espírita Internacional e durante os dez anos consecutivos, foram traduzidos dezenas de obras do médium para diversos idiomas. Interessante que a Revue spirite, a Revista espírita fundada por Kardec (http://www.revue-spirite.org), trimestralmente editada na França, comenta o livro Pão nosso (de Emmanuel), e durante muito tempo, analisou as cartas familiares estudadas no livro A vida triunfa (pesquisa original de Paulo Rossi Severino). Também a revista The spiritist magazine (https://www.spiritistmagazine.org/), trimestralmente editada nos Estados Unidos, em todos os números traz artigos sobre obras do médium ou psicografias vertidas para o inglês.

Independentemente de se apreciar, participar ou não das festas carnavalescas, nelas surgem manifestações que são interpretadas como reconhecimentos populares. No desfile em 2023, a escola de samba Gaviões da Fiel, de São Paulo, apresentou enredo com componentes religiosos das mais diversas crenças, destacando as mais populares. Uma delas foi o espiritismo, contando com um carro alegórico homenageando Chico Xavier.

Recentemente, Vladimir Alexei ao analisar dados do Censo do IBGE de 2022, questiona se “seria coincidência a redução de espíritas no censo após o desencarne de Chico Xavier”. Considera que “Chico Xavier não apenas era um médium missionário, como também um aglutinador capaz de agregar pessoas de diversas crenças em torno dos ensinamentos do Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita. […] Chico exalava um amor maduro. O perfume do carisma toca a face, o amor maduro do Chico penetra corações.” Assim, admite que “é preciso amadurecer o movimento de divulgação do Espiritismo de forma a conseguirmos colocar o archote para o alto e unir os pontos de luz para que haja harmonia na diversidade; respeito nas diferenças; e amor. Muito amor, que é o que o Evangelho de Jesus nos convida a sentir: o amor genuíno” (https://salakardec.blogspot.com/2025/06/seria-coincidencia-reducao-de-espiritas.html).

A nosso ver, em que pese o valor das homenagens e reconhecimentos públicos, a maior e continuada homenagem que devemos propugnar será o aproveitamento dos exemplos da experiência de vida, o profícuo e profundo conteúdo das obras psicográficas de Chico Xavier e sua fidelidade a Jesus e a Kardec.

Aos 23 anos após a partida espiritual de Chico Xavier, a nossa sugestão é que seja divulgada e valorizada a literatura psicográfica do notável médium, que foi um autêntico “divisor de águas” na trajetória do Espiritismo no Brasil.

(*) Autor do livro: Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. São Paulo: USE-SP e Capivari: EME. 2019. 223p.

DE: https://grupochicoxavier.com.br/chico-xavier-ha-23-anos/

Chico Xavier – Há 23 anos…

Chico Xavier – Há 23 anos…

     

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Há 23 anos, no dia 30 de junho de 2002 desencarnava Chico Xavier.

Nesse período ocorreram várias repercussões relacionadas com a vida e obra do médium.

Há cinco palavras-chave que o caracterizam e que foram utilizadas durante as comemorações de seu Centenário de nascimento, em 2010: espírito, saber, fé, caridade e amor.

Durante estes anos, vários eventos e homenagens foram feitas ao médium , como: o nome na rodovia federal entre a divisão com o Estado de São Paulo e Uberlândia; tributo a Chico Xavier na ONU; comemorações em todo o país por ocasião do Centenário de seu nascimento no ano de 2010; filmes com seu nome e sobre suas obras com enorme frequência; homenagens no Congresso Espírita Mundial em Valencia (Espanha); homenagens no Congresso Nacional; registro no Panteão da Pátria, da Liberdade e da Democracia Tancredo Neves; o título de “maior brasileiro de todos os tempos” pela TV SBT; designação de centros espíritas, praças e ruas, e, inúmeros eventos presenciais e virtuais focalizando sua vida e obra.

A marcante película “Chico Xavier – O Filme”, lançada aos 02 de abril de 2010, data em que Chico Xavier completaria 100 anos, estreou, baseado na biografia As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior. Dirigido e produzido pelo cineasta Daniel Filho, com roteiro de Marcos Bernstein, Chico Xavier é retratado pelos atores Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier, respectivamente, em três fases de sua vida. Na época, o filme alcançou a marca de mais de 3,5 milhões de espectadores nos cinemas.

Seguiram-se filmes sobre obras do espírito André Luiz e sobre cartas familiares.

No dia 14 de outubro de 2022, cinemas de várias capitais e cidades do país começaram a exibir o documentário “Chico Para Sempre”. Um longa-metragem, com 2h20 de duração, dirigido por Wagner de Assis, da Cinética e com marcante participação do jornalista e colaborador no roteiro Marcel Souto Maior, autor de biografia do médium.

Atualmente, todos os filmes sobre Chico Xavier e suas obras encontram-se disponíveis na internet, nos provedores dos chamados streamings.

Há muitas homenagens e reconhecimentos significativos, mas é cabível a análise sobre como a experiência de vida e a profícua obra psicográfica de Chico Xavier vem sendo valorizados no ambiente do movimento espírita.

Parece-nos pertinente recordarmos alguns aspectos sobre as linhas de pensamento desenvolvidas nas centenas de livros do médium. O conteúdo dos livros, que se concretizaram em ações, exemplos de vida de Chico Xavier, são fontes de inspiração e de roteiro para nossas trajetórias de vida.

Desde o ano de 2005, por iniciativa do Conselho Espírita Internacional e durante os dez anos consecutivos, foram traduzidos dezenas de obras do médium para diversos idiomas.

Interessante que a Revue spirite, a Revista espírita fundada por Kardec (http://www.revue-spirite.org), trimestralmente editada na França, comenta o livro Pão nosso (de Emmanuel), e durante muito tempo, analisou as cartas familiares estudadas no livro A vida triunfa (pesquisa original de Paulo Rossi Severino).

Também a revista The spiritist magazine (https://www.spiritistmagazine.org/), trimestralmente editada nos Estados Unidos, em todos os números traz artigos sobre obras do médium ou psicografias vertidas para o inglês.

Independentemente de se apreciar, participar ou não das festas carnavalescas, nelas surgem manifestações que são interpretadas como reconhecimentos populares. No desfile em 2023, a escola de samba Gaviões da Fiel, de São Paulo, apresentou enredo com componentes religiosos das mais diversas crenças, destacando as mais populares. Uma delas foi o espiritismo, contando com um carro alegórico homenageando Chico Xavier.

Recentemente, Vladimir Alexei ao analisar dados do Censo do IBGE de 2022, questiona se “seria coincidência a redução de espíritas no censo após o desencarne de Chico Xavier”. Considera que “Chico Xavier não apenas era um médium missionário, como também um aglutinador capaz de agregar pessoas de diversas crenças em torno dos ensinamentos do Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita. […] Chico exalava um amor maduro. O perfume do carisma toca a face, o amor maduro do Chico penetra corações.” Assim, admite que “é preciso amadurecer o movimento de divulgação do Espiritismo de forma a conseguirmos colocar o archote para o alto e unir os pontos de luz para que haja harmonia na diversidade; respeito nas diferenças; e amor. Muito amor, que é o que o Evangelho de Jesus nos convida a sentir: o amor genuíno” (https://salakardec.blogspot.com/2025/06/seria-coincidencia-reducao-de-espiritas.html).

A nosso ver, em que pese o valor das homenagens e reconhecimentos públicos, a maior e continuada homenagem que devemos propugnar será o aproveitamento dos exemplos da experiência de vida, o profícuo e profundo conteúdo das obras psicográficas de Chico Xavier e sua fidelidade a Jesus e a Kardec.

Aos 23 anos após a partida espiritual de Chico Xavier, a nossa sugestão é que seja divulgada e valorizada a literatura psicográfica do notável médium, que foi um autêntico “divisor de águas” na trajetória do Espiritismo no Brasil.

(*) Autor do livro: Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. São Paulo: USE-SP e Capivari: EME. 2019. 223p.