Riscos e enganos com a inteligência artificial

Riscos e enganos com a inteligência artificial

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Está crescente o emprego de inteligência artificial nas diversas áreas de atuação.

Sem dúvida, em geral, há contribuições significativas com os acessos à inteligência artificial.

No movimento espírita, notamos sua utilização dando movimento e falas a vultos espíritas do passado, e, até os “sem graça” risos montados em figuras históricas; muitas falsidades e/ou interesse em denegrir imagens colocadas na boca de Chico Xavier; textos com incorreções de conceitos, emprego e citações erradas de bibliografias.

Deve existir um cuidado muito grande e até alerta para se evitar compartilhamentos indiscriminados antes de adequada análise de informações e imagens.

Sempre oportuna a consideração sobre o método que Allan Kardec empregou para seleção de mensagens: “O primeiro exame comprobativo é, pois, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. […] A concordância no que ensinem os Espíritos é, pois, a melhor comprovação. […] Prova a experiência que, quando um princípio novo tem de ser enunciado, isso se dá espontaneamente em diversos pontos ao mesmo tempo e de modo idêntico, senão quanto à forma, quanto ao fundo.”1

Por outro lado, é oportuno ter-se uma ideia de onde surgem dados e imagens na inteligência artificial: do Google e do You Tube, plataformas são “varridas” pela IA.

Quem alimenta publicações essas plataformas? Livremente qualquer pessoa. Nessas condições há matérias adequadas, deturpadas e até fruto de elocubrações… Há até detratores do espiritismo e pessoas interessadas em comprometer a imagem de vultos espíritas. Ou seja, é um arco enorme de fontes, sem barreiras e sem compromisso ético.

A propósito, consideramos oportuna a matéria de Melissa Heikkilä2, repórter sênior do MIT Technology Review, comenta assuntos ligados à Inteligência Artificial .

Essa repórter esclarece que “a inteligência artificial (IA) é fundamentalmente baseada em dados. Quantidades gigantescas de dados são necessárias para treinar algoritmos para realizarem as tarefas desejadas, e os dados inseridos nos modelos de IA determinam os resultados obtidos. Contudo, há um problema: os desenvolvedores e pesquisadores de IA sabem muito pouco sobre as fontes dos dados que estão utilizando. As práticas de coleta de dados da IA são imaturas em comparação com o nível avançado de desenvolvimento dos modelos. Conjuntos de dados massivos frequentemente carecem de informações claras sobre o que eles contêm e de onde vieram. Nos últimos anos, surgiram modelos generativos multimodais, que podem criar vídeos e imagens. Como os modelos de linguagem, eles precisam de grandes volumes de dados, e a principal fonte para isso tem sido o YouTube. Em modelos de vídeo, mais de 70% dos dados vêm de uma única fonte, beneficiando enormemente o Google, proprietário da plataforma. […] há uma discrepância massiva entre o mundo que vemos e o que está invisível para esses modelos, […] A origem dos dados utilizados em modelos de IA é frequentemente desconhecida, dificultando a conformidade com restrições legais e levantando questões éticas significativas”.2

Portanto, há necessidade de cuidados, análise cuidadosa, checagem de fontes nas contribuições advindas da inteligência artificial. Uma forte justificativa para se adotar o método de Kardec para análise de mensagens, que destacamos acima.1

Referências:

1) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Apresentação, Cap. XI e XVII. Brasília: FEB.

2) Acesso (copie e cole): https://mittechreview.com.br/origem-dados-inteligencia-artificial/

 

A fraternidade no diálogo espiritual

A fraternidade no diálogo espiritual

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo, tem promovido estudos continuados em que o seminário “papel dos esclarecedores nos grupos mediúnicos” tem sido repetido e aprofundado. Trata-se de tema que deve merecer muita atenção nesses grupos dos centros espíritas.

O tema nos remete, de início, a Chico Xavier que atuou no Centro Espírita Luiz Gonzaga desde a fundação em 1927 até sua mudança para Uberaba, no início de 1959. Nesse local atendeu semanalmente muitos milhares de pessoas que o procuravam sedentos de consolo e esclarecimento espiritual. A partir desses diálogos com Chico Xavier com as pessoas, sempre solícito e fraternal, iniciava-se um atendimento que, sem dúvida, envolvia o tratamento espiritual dos encarnados e dos desencarnados que eram por eles atraídos. Alguns desses espíritos eram encaminhados para postos de acolhimento do Mundo Espiritual, outros eram envolvidos na esfera de atendimento do próprio Centro em função de suas reuniões. Nas reuniões mediúnicas Chico Xavier atuava não apenas como médium de espíritos esclarecidos e orientadores, mas também para manifestação de espíritos enfermiços. Ademais, um grupo de colaboradores do Centro Espírita Luiz Gonzaga, incluindo Chico Xavier, constituíu o Grupo Meimei, voltado ao atendimento de espíritos enfermiços.

O inesquecível médium mineiro transmitiu a Arnaldo Rocha, que era o coordenador desse Grupo, algumas recomendações:

“[…] porque se deve dialogar com os Espíritos sem qualquer ideia de doutrinação. […] transmitiu-me as orientações iniciais de Emmanuel: nunca discutir com a entidade comunicante e nem falar que ela já ‘morreu’…”1 De início, a compreensão e a tradição religiosa do espírito comunicante deve ser respeitada. Entre muitos exemplos há a série de cartas familiares de espírito que desencarnou convicto das tradições do judaísmo.2,3

Há muitas obras que tratam da prática do diálogo com os espíritos enfermiços. Iremos nos restringir apenas a alguns, resultantes da mediunidade de Chico Xavier. Entre estes, Instruções psicofônicas, que é resultado das transcrições das gravações do já citado Grupo Meimei, coordenado por Arnaldo Rocha. Deste livro e da entrevista com Arnaldo destacamos a mensagem de Emmanuel:

“Sem o carinho e a receptividade do coração, sofreremos o império do desespero. Sem o devotamento e a decisão do braço, padeceremos a inércia. Contudo, para que o trio funcione com eficiência, são necessários três requisitos na máquina de ação em que se expressam: Confiança. Boa-vontade. Harmonia.”4

Em outra obra que relaciona a prática mediúnica com a moral ensinada por Jesus, Emmanuel orienta: “Cultivar o tato psicológico, evitando atitudes ou palavras violentas, mas fugindo da doçura sistemática que anestesia a mente sem renová-la.”5 A essa altura cabem dois comentários sintéticos do espírito Emmanuel sobre o atendimento de espíritos enfermiços: “[…] com a mediunidade esclarecida, é fácil aliviá-los e socorrê-los.”5 “[…] Reunamo-nos nas bases a que nos referimos, sob a inspiração do Cristo, Nosso Mestre e Senhor, e as nossas reuniões mediúnicas serão sempre um santuário de caridade e um celeiro de luz.”4

Os livros do Espírito André Luiz, conhecidos como série Nosso Lar, esclarecem magistralmente os processos de libertação espiritual. Todavia, em Desobsessão estão disponíveis várias recomendações práticas para uma reunião: “O médium de incorporação, como também o médium esclarecedor, não podem esquecer, em circunstância alguma, que a entidade perturbada se encontra, para eles, na situação de um doente ante o enfermeiro. […] O esclarecimento não será, todavia, longo em demasia”.6

Deve ficar claro que os espíritos citados em vários locais empregam as expressões: espíritos enfermiços; como parentes nossos enfermos; doente ante o enfermeiro… O membro da equipe mediúnica que atua como dialogador tem um papel muito importante e os orientadores espirituais comparam-no a um enfermeiro ante um doente, referindo-se aos espíritos necessitados, como enfermiços, como se fossem parentes nossos enfermos…

Ou seja, o tom da fraternidade deve prevalecer no diálogo com os espíritos necessitados de acolhimento, apoio e esclarecimento.

 A resultante dos esclarecimentos espirituais nos remete a um episódio significativo. No dia 2 de abril de 2010, exatamente no dia do Centenário de nascimento de Chico Xavier, houve a inauguração do Memorial do Luiz Gonzaga, anexo a centro de mesmo nome, em Pedro Leopoldo, a terra natal do médium. Na oportunidade representamos o presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) e estavam presentes representantes da Municipalidade, Banda da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, dirigentes da União Espírita Mineira (UEM), Arnaldo Rocha, Oceano Vieira de Melo, Terezinha de Oliveira (de Campinas), parentes e amigos de Chico Xavier. No final da cerimônia assistimos a um fato inesquecível e emocionante: o mestre de cerimônias solicitou que abrissem uns engradados cobertos, que se encontravam cheios de pombas, e estas iniciaram voos. Em comentário do cerimonial, fez-se uma comparação ao voo livre das pombas, em um belo bailado aéreo: “[…] a libertação das almas iluminadas pelo Evangelho à luz do Espiritismo, que por aqui estiveram, ao se desprenderem do corpo físico”.3

Essa frase é muito marcante! O exemplo no bem persistente de Chico Xavier, o seu amor em ação, fizeram dele um valoroso intermediário para a libertação de almas.

Referências:

1) Livros pioneiros obtidos de gravações de psicofonias. Reformador. Ano 129. N.2.190. Setembro de 2011. P. 329-331.

2) Xavier, Francisco Cândido; Muszkat, Roberto; Muszkat, David. Quando se pretende falar da vida. São Bernardo do Campo: GEEM. 1983.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e repercussões. Cap. 2.7. Capivari: Ed. EME. 2019.

4) Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Instruções psicofônicas. Cap. 59. Rio de Janeiro. FEB.

5) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Seara dos médiuns. Cap. 55. FEB.

6) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. Desobsessão. Cap. 37. FEB.

Artigo transcrito de artigo do autor: Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIV. N.3. Abril de 2019. P.140-141.

Guerras e paz

Guerras e paz

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Nos últimos anos o mundo acompanha estarrecido o que seria inimaginável nesse século: invasões de países e bombardeios generalizados com terríveis atrocidades. O direito internacional e as tradicionais posições diplomáticas andam enfraquecidas e é evidente o desrespeito à soberania de países.

Em que pesem as justificativas de combates a terrorismo e a tráfico de drogas, os meios adotados são questionáveis.

Em meio a um turbilhão de pensamentos para se buscar a explicação espiritual sobre os tristes episódios de nossos tempos, veem à nossa mente a trajetória do destacado literato russo Lev Nikolaievitch Tolstoi, conhecido apenas como Leon Tolstoi (1828-1910). Esse carismático escritor tornou-se conhecido com seu romance Guerra e paz, onde focaliza a invasão da Rússia por Napoleão Bonaparte, entremeando enredo de amores e aventuras de alguns personagens. Inicialmente foi publicado em série em periódico entre 1865 e 1869.

Torna-se interessante pinçarmos alguns lances da linha de pensamento desenvolvida por Tolstoi. Os analistas do escritor comentam que na década de 1870, ele viveu uma profunda crise moral, em seguida caminhando para interesses espirituais. No romance Ressurreição (1899) defende idéias ligadas à justiça social, fundamentando-se em filosofia econômica do intelectual Henry George. Tolstoi critica a injustiça das leis humanas e as posições falsas e hipócritas das igrejas cristãs.

Sua vida foi marcada por protagonismos políticos e religiosos e nos seus últimos anos defendia o amor e a não-violência. Seria uma resistência ou ação não violenta para se atingir uma meta sociopolítica através de protestos simbólicos, de não cooperação econômica ou política, até a desobediência civil, mas sem o uso da violência. Tolstoi baseia-se em frase de Cristo sobre o oferecimento da “outra face”, para se evitar a violência e a vingança. Nessa nova etapa de sua existência, deteve-se no estudo do Sermão da Montanha e se transformou numa espécie de anarquista cristão e pacifista. Ao longo de sua vida na conturbada Rússia dos Czares, claramente se nota uma evolução na sua visão sobre a sociedade. No fundo procurava entender a essência da “lei áurea” ensinada pelo Cristo.

Como espírito liberto, utilizando a mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira, elaborou a obra Ressurreição e vida1, publicada em 1964. O autor espiritual desenvolve seis contos ou mini-romances, que seriam reais, ambientados na Rússia dos czares Romanov. A temática ressurreição é tratada em referência às aparições de Jesus. Destacamos que o autor espiritual acrescenta ao título de sua obra como encarnado Ressurreição, o verbete “vida”, no sentido amplo de vida espiritual.

Nessa obra mediúnica, o espírito Tolstoi realça que apenas uma sólida educação moral-intelectual com base nos ensinos de Jesus poderá encaminhar o homem para o cultivo das virtudes e relata o encontro espiritual com um luminar do cristianismo e a aceitação de seus ensinos: “Foi esse um dos mestres que encontrei aquém do túmulo. Seus ensinamentos, os exemplos de ternura em favor do próximo, que me deu, revigoraram minhas forças. Sob seus conselhos amorosos orientei-me, dispondo-me a realizações conciliadoras da consciência…”1 Trata-se de uma alusão a registros de Mateus (22, 37-39).

As ideias de Tolstoi sobre não-violência e, depois, do “lado de lá”, são claramente vinculadas ao amor ao próximo e oferecem subsídios para algumas considerações doutrinárias sobre os preocupantes episódios da atualidade.

Em O livro dos espíritos há o esclarecimento porque o homem é impelido à guerra:

“Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem — o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos frequente se torna a guerra…”2

“Que se deve pensar daquele que suscita a guerra para proveito seu? – Grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.”2

Após a citação dessa obra do Codificador, destacamos que habitamos um mundo chamado de provas e expiações, onde ocorrem constantes embates entre luz e trevas. Há muitas expectativas, mas o mundo de regeneração somente se estabelecerá com um longo processo de transformação, com base na real educação fundamentada em valores e senso espiritual.

Essa caminhada – com uma cultura de paz – começa pela transformação do indivíduo e a profilaxia das várias formas de violência (verbal, física, social e vibratória), mas precisa ser elaborada desde os lares – alicerces da sociedade -, nas instituições de ensino, nas relações sociais em geral para que reflitam nas propostas, ações e decisões político-partidárias.

A cultura da não-violência deve ser trabalhada desde as bases da sociedade.

Referências:

1) Pereira, Yvonne Amaral. Pelo espírito Léon Tolstoi. Ressurreição e vida. Cap. Conclusão. Brasília: FEB.

2) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Q. 742-745. Brasília: FEB.

Associação Benedita Fernandes completa 94 anos

Associação Benedita Fernandes completa 94 anos

          


Antonio Cesar Perri de Carvalho

Benedita Fernandes (1883-1947) ao fundar a Associação das Senhoras Cristãs em Araçatuba, aos 06/03/1932, foi a pioneira na cidade e região em iniciar uma instituição assistencial espírita.
Num período de 15 anos essa Associação originou Hospital, Casa da Criança, Albergue e, em parceria com o Município, uma Escola. Veio a ser a ter¬ceira sociedade fundada por espíritas em Araçatuba.
A dedicação, o dinamismo e a simplicidade de Benedita Fernandes transformaram-se marcas de reconhecimento, gratidão e de exemplos.
Os tempos passaram e muitas alterações na legislação ocorreram em nosso país, notadamente na área da saúde mental.
A instituição mantenedora por ela fundada em 1932, transformou-se em organização social da saúde e teve o acréscimo de seu nome: Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes.
Entre as novas formas de ação com apoio da Associação, de 2009 a 2023, funcionou o CAPS-ad Benedita Fernandes (Centro de Atenção Psicossocial – álcool e drogas), próximo ao Hospital. No final do ano 2015, em atendimento à legislação de Saúde Mental, houve readequação na questão da internação de doentes, e o Hospital entra em fase de desativação. No ano de 2016 a Associação das Senhoras Cristãs passou a atuar no CPAS i – Centro de Atenção Psicossocial Infantil e no CPAS III Adulto – Centro de Atenção Psicossocial Adulto e dois SRT Tipo II – Serviços residenciais terapêuticos. Em 2017 os pacientes foram transferidos para residências terapêuticas.
Em 2025, parte da estrutura do antigo Hospital Psiquiátrico foi locado para uma empresa de plano de saúde. Outras dependências com coordenação da Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes prosseguem para utilização de reuniões espíritas; também com reformas e construção, para instalação de um serviço de psicologia. Este serviço – Centro de Psicologia & Terapias Alternativas (Psico Benedita Fernandes) -, em convênio com o Município já vinha funcionando desde 2019, em local no bairro Paraíso, oferecendo atendimento individual 60% gratuidade/SUS, à população do Município.
No ano de 2025 a sede da Associação recepcionou dois eventos marcantes.
Na tarde do dia 05 de junho, o médium José Francisco Gomes (de Ipatinga, MG) que psicografou o livro “Desafios da educação”, de autoria do espírito Benedita Fernandes, participou de evento no local para lançamento do livro, acompanhado de Cesar Perri (de São Paulo), prefaciador dessa obra e autor da biografia “Benedita Fernandes. A dama da caridade”, e, de Sirlei Nogueira responsável pela editora que lançou o novo livro, a Cocriação Editorial. Os visitantes foram recebidos pela diretoria e colaboradores da Associação, seguindo-se uma reunião de bate-papo com o médium e o prefaciador, e, ao final José Francisco psicografou mensagem de Benedita. Em seguida houve um lanche de confraternização e visita às dependências da Associação em fase de reforma e de ampliação para instalação do Centro de Psicologia, em funcionamento em outro bairro.
Poucos dias depois, 28 de junho de 2025, a Associação sediou a comemoração dos cinco anos da Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes, webTV criada e mantida por Sirlei Nogueira. Houve uma transmissão especial assinalando também a homenagem pelos 142 anos de nascimento de Benedita Fernandes. Presencialmente falaram o presidente da Associação Paulo Boscaro e Cesar Perri (de São Paulo), contando com a presença de diretores e colaboradores da Associação. Virtualmente, no bate-papo, Roberto César dos Santos (Araçatuba) foi o âncora, com participações de José Francisco Gomes (Ipatinga, MG), Ilza Godinho (Blumenau, SC) e Luiz Carlos Barros Costa (Fernandópolis, SP). A técnica da transmissão foi conduzida por Sirlei Nogueira, criador da webtv Estação Dama da Caridade.
Em virtude da desencarnação de Sirlei Nogueira (12/09/2025) e da desativação da Cocriação Editorial, o livro biográfico “Benedita Fernandes. A dama da caridade” será brevemente reeditado – ampliado e atualizado – pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro, de São Paulo.
Informações (copie e cole):

https://ascbeneditafernandes.com.br/asc/quem-somos/

 

O ESPÍRITA E O ANO ELEITORAL

O ESPÍRITA E O ANO ELEITORAL

Aylton Paiva

Neste ano haverá eleições para os cargos de deputados estaduais, deputados federais e senadores, no Poder Legislativo; governadores e presidente do Brasil no Poder Executivo.

O panorama no campo dos eleitores está complicado e confuso. Há candidatos, postulantes a esses cargos, cuja ideologias vão da extrema direita à extrema esquerda.

O que significa isso?

Os valores da extrema direita estão impressos no Fascismo, cujo representante mais conhecido foi Mussolini, na Itália, e mais radical que este foi o Nazismo, na Alemanha, com Adolfo Hitler. Por outro lado, há o Comunismo, implantado nas Republicas Socialistas da União Soviética, por Vladimir Lenin.

Nessa gradação de valores das duas correntes, há pessoas que se dizem espíritas e optam pela extrema direita ou extrema esquerda. Então, há que se indagar: o espírita pode ser fascista ou comunista?

Para responder é necessário conhecer os valores Éticos dessas duas corrente e os valores Ética Espírita. Os valores da Doutrina Espírita estão contidos em O livro dos espíritos, de Allan Kardec, na sua 3ª Parte – Das Leis Morais.

Alguns desses valores éticos: ·

"Adoração a Deus é fazer o bem e evitar o mal (questão nº 654). · Trabalho é toda ocupação útil. (questão nº 675). · Uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens. (questão nº 711) · O relaxamento dos laços de família é uma recrudescência do egoísmo. ( questão nº 775). · O maior obstáculo ao progresso são o orgulho e o egoísmo. (questão 785) · Perante Deus todas as pessoas são iguais. Deus fez suas Leis para todos. (questão nº 803) · A desigualdade das condições sociais não é obra de Deus, mas das pessoas (questão nº 806) · A desigualdade das riquezas é fruto da diversidade das faculdades e da velhacaria e do roubo. ( questão nº 808). · São iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos. Deus outorgou a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir. ( questão nº 817) · Desde que estejam juntas duas pessoas haverá entre elas direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar, portanto não gozam de liberdade absoluta. ( questão nº 826) · A Justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais. (questão nº 875) · Os direitos são estabelecidos pela lei humana e a natural (Divina). (questão nº 875 a) · A legítima propriedade é a que foi adquirida sem prejuízo de outrem. (questão nº 884)".

Os valores da Ética Espírita, acima listados, devem ser analisados no comportamento daquelas pessoas, que se dizem espíritas, e que se candidatam a cargos eletivos, nos Poderes: Legislativo e Executivo.

Não só pelo que falam, sobretudo, pela conduta que têm em todas as situações da vida em sociedade.

O Mestre Jesus disse:” Amai-vos uns aos outros”.

Então esse compromisso não será apenas entre as pessoas, também, como amor solidário à sociedade. Fora desse parâmetro a pessoa, mesmo que se diga espírita, terá opiniões pessoais em sua análise sobre os candidatos, às vezes até opostas a Ética Espírita.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

O livro dos espíritos, de Allan Kardec, Ed. FEB.

Após 50 anos da ‘vida triunfante’ de Lourival Perri Chefaly

Após 50 anos da ‘vida triunfante’ de Lourival Perri Chefaly

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Dia 20 de fevereiro assinala os 50 anos (1976) da desencarnação de Lourival Perri Chefaly, na cidade do Rio de Janeiro.

Quando preparei a primeira redação do livro Em louvor à vida1, onde o tio Lourival foi o foco, comentei pessoalmente com Chico Xavier sobre o texto, em 1980. Ele se interessou e comentou: “Seu tio foi um grande inspirado… Foi uma vida gloriosa! Mas esse termo anda desgastado… Foi uma vida triunfante!”1

Conhecido pelo diminutivo Lolo, nasceu aos 06/08/1927 em São Carlos, filho de Antonieta Perri e de Diogo Cefaly, mas foi criado pelos tios avós Tida e Ernesto Perri vivendo em Porto Alegre, São Paulo e, em definitivo no Rio de Janeiro, onde trabalhou como médico. Casou-se em 1955 com a prima Suzi (Suzette). O casal teve quatro filhos, três netos e alguns bisnetos.

Como médico atuou plantonista do antigo SAMDU, em atendimentos familiares e passou por etapas como pediatra, cardiologista e finalmente cancerologista. Sempre manteve clínica particular e foi médico do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Teve intensa atuação na Campanha Nacional de Combate ao Câncer e foi presidente do Centro de Estudos do Instituto Nacional de Câncer. Como membro do Lyons Club-Gávea, fazia palestras educativas sobre saúde.

Atuou intensamente na Igreja Episcopal (Anglicana) de Botafogo. Ao ser acometido da enfermidade que era o foco de suas atividades profissionais recebeu de seu irmão Rolandinho O livro dos espíritos e O evangelho segundo o espiritismo e pouco tempo depois escreveu-lhe informando que estava convencido do conteúdo.

Como espírita, juntamente com a esposa, colaborou com a Seara dos Servos de Deus, no bairro Botafogo, que era dirigida pela médium Dolores Bacelar que inclusive, recebia mensagens de Benedita Fernandes.

Na época colocamos nosso tio em contato com Divaldo Pereira Franco e estiveram juntos em atividades do orador no Rio de Janeiro e em Araçatuba.

Em viagem que o levamos a Uberaba, em atividades e residência de Chico Xavier, foi alvo de muita atenção por parte do médium, e depois de lembranças em todas as vezes que retornávamos à cidade. No final de 1974, estando adoentado em seu apartamento no Rio de Janeiro, surpreendentemente recebeu a visita de Chico Xavier, estando presentes os irmãos Bebé, Rolandinho e Walter.

Lutou durante 10 anos contra insidiosa enfermidade, demonstrando fé e serenidade. Ficamos muito sensibilizados com a doença e até acompanhamos os tios Lolo e Suzy durante um longo período de tratamento cirúrgico realizado em Manchester (Inglaterra), em 1971.

Desde a infância sentíamos uma grande afinidade com o tio e claramente aurimos suas influências benfazejas, visitando-o com constância ao longo dos anos e rotineiramente passando as férias em suas residências no Rio de Janeiro e no Rio das Ostras.

Muitas vezes acompanhávamos as tarefas de nosso tio como médico, em hospitais, no seu consultório particular, em palestras que proferia, em congressos médicos, e em cultos na Igreja Episcopal de Botafogo. Certa feita, o acompanhamos juntamente com o reverendo Kurt Kleeman em visita a um núcleo dessa Igreja na favela de Dona Marta.

O casal manteve intercâmbio e receberam apoio de muitos dirigentes e médiuns do Rio de Janeiro.

Seu nome designa a Sala de Leitura e o Centro de Estudos do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, com inauguração realizada em 2013.

Em função da admiração e gratidão pelo tio organizamos o livro Em louvor à vida1 contendo textos dele como encarnado e como desencarnado, estas pela psicografia de Divaldo Pereira Franco. Também temos uma orientação dele, a nós dirigida, psicografada por Chico Xavier.

Em obras recentes, incluímos comentários e análises sobre nossa relação com o tio e suas mensagens espirituais.2,3

Referências:

1) Franco, Divaldo Pereira; Chefaly, Lourival Perri; Carvalho, Antonio Cesar Perri. Em louvor à vida. 2.ed. Salvador: LEAL. 2016.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Cap. 1.10. Araçatuba: Cocriação. 2021.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Entre vidas. Cá e lá. Matão: O Clarim. 2026.

As diversas expansões de alegria e o carnaval

As diversas expansões de alegria e o carnaval

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Em várias partes do mundo e em todas as épocas sempre aconteceram festejos populares e em vários diapasões e motivações: religiosos, políticos, militares, cívicos, datas memoráveis, comemorações de feitos marcantes e várias formas no estilo de carnaval.

No Brasil, as manifestações de carnaval tiveram um intenso desenrolar envolvendo clubes, salões aristocráticos, desfiles de rua – os antigos “corsos” como eram chamados -, blocos de ruas e shows variados. Músicas que se tornaram históricas.

Inquestionavelmente são dos poucos momentos de afrouxamentos de tensões e expressões de alegria do povo em geral.

Nesse ponto – da alegria – é que se pode refletir.

A alegria pode ser natural ou induzida por vários procedimentos.

É lamentável que nessas comemorações ocorram condições que facilitam várias formas de excesso. A mídia em geral alerta sobre contextos que favorecem diversos tipos de desrespeito ao próximo. Criam-se ambientes e formas oportunistas de se romper limites interpessoais e de aceitável convivência social. Em consequência podem advir algumas repercussões não adequadas à saúde, à economia pessoal e várias formas que podem interferir nas relações equilibradas.

No movimento espírita, em décadas passadas houve momentos em que os feriados prolongados eram aproveitados para eventos reflexivos, de estudo e de confraternização.

Houve época que um texto do espírito André Luiz com afirmações que eram sempre lembradas: “O espírita não se prende a exterioridades. […] Afastar-se de festas lamentáveis, como aquelas que assinalam a passagem do carnaval, inclusive as que se destaquem pelos excessos de gula, desregramento ou manifestações exteriores espetaculares. A verdadeira alegria não foge da temperança” (Vieira, Waldo. Pelo espírito André Luiz. Conduta espírita, cap. 37. FEB. 1960).

Com certeza, na atualidade, podem surgir opiniões críticas, resistentes a esse registro espiritual, e, utilizando várias adjetivações e jargões vinculadas a determinadas compreensões relacionadas com alguns conceitos de “liberdade”.

Sem dúvida, a liberdade individual termina quando se delineia a do próximo.

E isso nas relações entre os espíritos encarnados e os desencarnados. Aí emerge uma antiga frase popular: “diga-me com quem andas e direi quem és”.

Essa ideia tem fundamento em dizeres de Jesus e nos esclarecimentos espíritas sobre a sintonia vibratória, parâmetros válidos para qualquer ambiente.(*)

Cada pessoa, empregando o livre-arbítrio, é responsável por seus atos e repercussões.(*) São anotações que podem sugerir algumas reflexões na ótica espiritual.

Todavia, sem dúvida, como considerou André Luiz: “A verdadeira alegria não foge da temperança”…

Ponderação válida para qualquer ocasião da vida.

(*) Sugestões para leituras e estudos:

1) Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. VIII. FEB;

2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. Cap. 93. FEB;

3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. No mundo maior. Cap. A casa mental. FEB.

4) Franco, Divaldo Pereira. Pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. Sexo e obsessão. Posfácio – Cidade estranha. FEB;

5) Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Pelo espírito André Luiz. Sexo e destino. 1ª parte: Cap. 8 e 12. FEB.

A SACRALIZAÇÃO DOS CARGOS

A SACRALIZAÇÃO DOS CARGOS

Artigo de Jorge Hessen (DF): "A SACRALIZAÇÃO DOS CARGOS DO “ÓRGÃO MÁXIMO” DO MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO"

O Espiritismo nasceu como projeto de emancipação moral e intelectual. Allan Kardec estruturou a doutrina sobre bases de liberdade de exame, controle racional e participação fraterna.

Nada mais distante desse ideal do que o cenário atual, em que parcelas do movimento espírita passaram a tratar dirigentes de órgãos federativos como se fossem autoridades sagradas, intocáveis e — pior — vitalícias. Forma-se uma casta administrativa que, em nome da “tradição”, converte serviço em poder.

Kardec advertiu com clareza que a doutrina não comportaria chefes permanentes e infalíveis: “o Espiritismo não terá pontífices; sua autoridade será a da razão e do controle universal” (1).

Em O Livro dos Médiuns o Codificador reforça que toda instituição espírita deve submeter-se ao crivo do bom senso e à rotatividade natural das funções (2).

No entanto, multiplicam-se diretorias que atravessam décadas, estatutos moldados para reconduções sucessivas e um vocabulário eclesiástico incompatível com a proposta kardeciana. O cargo, que deveria ser encargo transitório, converte-se em título honorífico.

Essa sacralização produz efeitos corrosivos.

O primeiro é o culto à personalidade. Médiuns e diretores passam a ser vistos como “eleitos da espiritualidade”, quando a doutrina ensina que mediunidade é prova e serviço, não certificado de elevação. Emmanuel recorda que “na obra cristã não há lugar para dominadores; somos todos servos imperfeitos em aprendizado” (3). Apesar disso, questionar decisões administrativas tornou-se quase heresia, e a crítica fraterna é confundida com perturbação espiritual.

O segundo efeito é o imobilismo doutrinário. Instituições capturadas por grupos perenes temem a renovação e repelem os mais jovens pensantes. Léon Denis já alertava que “toda ideia que se cristaliza em mãos de homens transforma-se em dogma morto” (4). Quando o movimento prefere preservar cadeiras a formar consciências, deixa de ser escola de almas para tornar-se cartório clerical.

O terceiro dano é o desvio metodológico. O Espiritismo avançou graças ao método kardequiano de comparação, debate e universalidade do ensino dos Espíritos. Substituí-lo por decisões de gabinete federativo é negar a própria gênese da doutrina. Kardec foi categórico: “melhor rejeitar dez verdades que aceitar uma mentira” (5). Hoje, porém, muitas deliberações federativas são acolhidas sem exame, apenas pelo peso do timbre institucional. Não se trata de negar a relativa importância da organização, mas de recordar que autoridade moral não nasce de eleição nem de carimbo. Emmanuel observa que “o poder que não serve converte-se em sombra para quem o detém” (6).

A instituição espírita deveria ser oficina de trabalho anônimo e não palanque de biografias. Urge resgatar medidas simples e kardecianas: urgente limitação de mandatos, prestação pública de contas, participação efetiva das bases, estudo rigoroso das obras fundamentais e separação entre gestão administrativa e direção doutrinária. Sem isso, continuaremos assistindo à metamorfose do movimento em vaticanismos inócuos com “igreja burocrática”, lotados de “bispos leigos” e carreiras “eclesiais”.

O maior inimigo do Espiritismo sempre foi o mesmo: orgulho e desejo de mando. Denis preveniu que “a verdade se obscurece quando os homens pretendem administrá-la como propriedade” (7).

Permaneceremos fiéis a Kardec apenas quando nenhum trabalhador se julgar dono da obra — e quando todo cargo voltar a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: simples oportunidade de servir.

Referências Bibliográficas:

1 KARDEC, Allan. Revista Espírita. Paris: 1864.

2 KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Paris: 1861. 3 .

XAVIER, Francisco C.; EMMANUEL. Fonte Viva. Rio de Janeiro: FEB, 1956.

4 DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Paris: 1919.

5 KARDEC, Allan. A Gênese. Paris: 1868

6 XAVIER, Francisco C.; EMMANUEL. Pão Nosso. Rio de Janeiro: FEB, 1950.

7 DENIS, Léon. Depois da Morte. Paris: 1905.

DE (copie e cole): https://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2026/02/a-sacralizacao-dos-cargos-do-orgao.html?m=1

São Paulo: 472 anos e homenagens ao Apóstolo

São Paulo: 472 anos e homenagens ao Apóstolo

Antonio Cesar Perri de Carvalho 

Neste ano completou-se 472 anos da fundação da cidade de São Paulo.

Fundada no dia 25 de janeiro de 1554, pelo padre Manuel da Nóbrega. Este veio à então Colônia de Portugal acompanhando o primeiro governador Tomé de Souza, designado pelo rei Dom João III e com a missão específica de instalar o processo educacional no Brasil. Foi autor do primeiro livro escrito no país: “Cartas do Brasil”. Nóbrega (1517-1570) era bacharel em filosofia e direito canônico pelas Universidades de Salamanca e de Coimbra, antes de ingressar no jesuitismo.

O marco inicial da cidade foi o Colégio São Paulo, onde atualmente se localiza o Pátio do Colégio, no centro antigo da cidade, e funciona um museu alusivo à fundação da cidade e homenageando Manuel da Nóbrega e seu noviço José de Anchieta, considerados os dois primeiros evangelizadores do país. Em registros históricos de conhecimento público sabe-se que Nóbrega, que atuava em São Vicente, subiu ao Planalto de Piratininga e resolveu fundar uma escola, escolhendo o dia 25 de janeiro, que era a data comemorativa da conversão do apóstolo Paulo.

Assim, surgiu a cidade de São Paulo, significativamente a partir de uma escola e homenageando a apóstolo da gentilidade.

Esse episódio histórico foi evocado por Chico Xavier durante o 2o Pinga-Fogo, a longa entrevista na TV Tupi de São Paulo em dezembro de 1971, ao comentar que Manuel da Nóbrega foi uma das reencarnações do espírito Emmanuel. O médium também comentou que o espírito Paulo de Tarso esteve presente em missa realizada na região pelo padre Manoel de Paiva. Chico fez estas referências na cerimônia pública e televisada ao vivo da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 19/5/1973, quando recebeu o título de “Cidadão Paulistano”.[1,2]

Mas essa revelação já havia sido feita por Chico Xavier e foi registrada em livro de Clóvis Tavares – amigo de Chico Xavier – e publicado com apoio deste enquanto encarnado: “Amor e Sabedoria de Emmanuel”, lançado em 1970 pela Editora Calvário e atualmente editado pelo IDE. [3]

O filósofo espírita paulista Herculano Pires comentou a missão de Nóbrega junto aos indígenas e aos portugueses que aqui vieram, e estabeleceu a relação entre Paulo e Nóbrega: “Dura foi a luta pela conversão do gentio. […] Paulo exerceu o apostolado dos gentios para o Cristianismo. Nóbrega foi o Apóstolo dos Gentios no Brasil nascente, preparando o terreno para o seu apostolado espírita do futuro.” [4]

Nóbrega era admirador de Paulo de Tarso. Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier elaborou o monumental romance histórico “Paulo e Estêvão” e analisou versículos das epístolas de Paulo em diversas obras. As relações entre o espírito Emmanuel e Paulo de Tarso comentamos em livros de nossa autoria, sobre as epístolas de Paulo, Chico Xavier e Emmanuel. [1,2,5]

O fundador Manuel da Nóbrega é homenageado não apenas no Pátio do Colégio, mas também em dois marcos e rua da cidade de São Paulo, como no Monumento à Fundação de São Paulo localizado em uma pequena praça da Rua Manoel da Nóbrega, bem próximo ao Parque do Ibirapuera, e uma rodovia no litoral paulista. Há um monumento em homenagem a Paulo de Tarso na Praça da Sé, próximo ao “marco zero”, aliás, o vulto segurando um pergaminho com a frase: “Senhor, que queres que eu faça”. Por ocasião do 4o Centenário de São Paulo, em 1954, foi divulgado cartaz evocando seu fundador.

O nome do Apóstolo designa a maior cidade do país e do Hemisfério Sul e o Estado!

A cidade do trabalho, de oportunidades, estudo, pesquisa, cultura, multiculturalidade, diversidade e do progresso – “a que nunca para” – há 472 anos homenageia o apóstolo Paulo!

Referências:

1. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo. Matão: O Clarim. 2016.

2. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier – o homem, a obra e as repercussões. Capivari: EME. 2019.

3. Tavares, Clóvis. Amor e sabedoria de Emmanuel. São Paulo: Ed. Calvário. 1970.

4. Xavier, Francisco Cândido; Pires, José Herculano; Espíritos diversos. Diálogo dos vivos. Cap.23. São Bernardo do Campo: GEEM. 1974.

5. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier. Matão: O Clarim. 2020.

Publicado no dia 25/01/2026 em: https://www.facebook.com/cesar.perridecarvalho/ 

O lado sombrio dos que buscam a luz no meio espírita

O lado sombrio dos que buscam a luz no meio espírita

Vladimir Alexei

Para todo argumento que evidencia as idiossincrasias do movimento de divulgação espírita, surge um contra-argumento — na maioria das vezes religioso e, em tantas outras, sem base alguma.

A internet abriu um leque infinito de oportunidades para a divulgação doutrinária. É possível, inclusive, que os meios convencionais, como cursos e encontros presenciais, passem a ter sua eficácia questionada. Contudo, essa liberdade trouxe excessos. Existem canais cujo conteúdo resume-se a apontar erros alheios, focando especialmente em divulgadores que geram mais "ibope" (likes).

É uma posição tentadora: do conforto do lar, com tempo para editar e confrontar o conteúdo criticado com as obras de Kardec, o crítico passa para os incautos a imagem de um baluarte da doutrina. Mas restaria saber: diante de uma plateia real, entre encarnados e desencarnados, esse crítico manteria a mesma habilidade ou estaria livre de erros? O problema é que tais canais pouco contribuem, pois apenas escancaram interpretações subjetivas e pessoais. Tentar mudar palestrantes e blogueiros é um erro quase doutrinário; eles já são conhecidos pelo que entregam.

No outro extremo, vemos casas espíritas geridas com "mão de ferro", onde toda decisão — da reforma do telhado à nova tarefa — é pautada em "orientações dos Espíritos". Embora digam que a decisão final é dos encarnados, criam um ambiente de insegurança onde todos aguardam sinais místicos para agir. Há casos de interpretação de sonhos que fariam Freud rolar no mundo espiritual. Questiona-se: o propósito nobre de construir ou ampliar justifica essa dependência mediúnica para questões administrativas? Recentemente, entre 2025 e 2026, acompanhamos polêmicas sobre a mediunidade.

É curioso notar: a maioria dos que ditam regras sobre o tema não são médiuns, não estudaram a fundo ou sequer leram O Livro dos Médiuns. Por outro lado, há quem conheça a letra da obra, mas não consegue acrescentar em vivência, porque como indivíduos conhecem, mas como membros de um time, se perdem.

O ponto central é o excesso.

A divulgação do Espiritismo, para muitos, tornou-se uma profissão: coaches financeiros, médiuns cobrando por "cartas do além", palestrantes que misturam o Evangelho com autopromoção profissional e o uso persistente dos Espíritos para validar agendas políticas.

Como dizem os especialistas: todo excesso esconde uma falta. Há uma inversão clara de valores. A ordem natural deveria ser: aprender (como fez Ernesto Bozzano), internalizar, transformar informação em conhecimento e, só então, divulgar. Como diria a máxima: "Pregue o Evangelho; se for preciso, use palavras". Infelizmente, vemos a era do "espírita polímata". Autoproclamar-se ou aceitar tal título — ostentado por gênios como Da Vinci ou Santos Dumont — revela uma falta de autocensura e de humildade.

Onde vamos parar? Médiuns cobrando por consolo e divulgadores em pedestais de vaidade combinam com o que o Espiritismo ensina?

A "Luz" tem sido ofuscada pela névoa densa da ignorância e do personalismo. Não se trata de julgar a moral alheia, mas de um pedido de atenção. Precisamos rever o planejamento de nossas casas e programas de estudo. Falta humildade. Nem tudo o que é "bem produzido" é feito na luz; muitas vezes, é apenas a sombra do orgulho projetada por quem busca os holofotes, mas esqueceu-se da transformação interior.

O movimento espírita não ficou "bagunçado" após a pandemia; ele enfrenta desafios de sustentabilidade desde que saiu das mãos de Kardec. Frequentemente criticado por suas origens nas elites francesas, o Espiritismo sobreviveu graças ao prestígio de quem o abraçou, mas hoje o cenário é outro.

O meio está repleto de intelectuais que estudam a fisiologia da glândula pineal, mas ignoram o aspecto moral da doutrina, tratando-o como algo de foro íntimo e interpretativo. A conta chegará para todos nós que batemos no peito dizendo-nos espíritas, mas que praticamos a doutrina mais para os outros do que para o nosso próprio aperfeiçoamento.

Divulgar o Espiritismo sem iluminar a própria sombra é carregar o peso de respostas que não se vivem. Ninguém é missionário sozinho. Trabalhar em conjunto não é buscar consenso absoluto, mas unir diferentes aptidões para, coletivamente, travar o "bom combate".

(Transcrição de matéria divulgada pelo articulista em redes sociais, em 18/01/2026, reside e atua em Belo Horizonte, MG)