América – da descoberta ao futuro

América – da descoberta ao futuro

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Há algumas décadas, o dia 12 de outubro era lembrado também como o da descoberta da América.

Quando se fala em “descobrimento da América”, 12 de outubro de 1492, rememora-se a expedição comandada por Cristóvão Colombo que chegou a uma ilha do Caribe e financiada pelos reis católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão.

Recordo-me dessas evocações nos nossos primeiros tempos de escolaridade e depois em viagens por países das Américas e Espanha.

Provavelmente motivados por várias interpretações ideológicas e identitárias, o fato histórico foi obscurecido pelas narrativas relacionadas com as ideias negativas de colonização e do extermínio de nativos.

Todavia, fato marcante e histórico que não pode ser esquecido independentemente de ações perpetradas a posteriori por conquistadores.

Interessante uma visão espiritual oferecida por Emmanuel na obra “A Caminho da Luz”.

O autor espiritual anota que “O Cristo localiza, então, na América as suas fecundas esperanças. O século XVI alvorece com a descoberta do novo continente, sem que os europeus, de modo geral, compreendessem, na época, a importância de semelhante acontecimento.”

Passa a comentar que no “campo de lutas novas e regeneradoras, todos os espíritos de boa-vontade poderiam trabalhar pelo advento da paz e da fraternidade do futuro humano, e foi por isso que, laborando para os séculos porvindouros, definiram o papel de cada região no continente, localizando o cérebro da nova civilização no ponto onde hoje se alinham os Estados Unidos da América do Norte, e o seu coração nas extensões da terra farta e acolhedora onde floresce o Brasil, na América do Sul. Os primeiros guardam os poderes materiais; o segundo detém as primícias dos poderes espirituais, destinadas à civilização planetária do futuro.”

Focaliza os colonizadores liberados das “lutas europeias, no intuito de criar no Novo Mundo um outro sentido de evolução” e anota que os colonizadores da região americana, nos primeiros tempos, eram os degredados ou os proscritos das sociedades europeias.

Evidentemente que surgiram erros cometidos nas várias regiões das Américas, mas não apenas isso. Por isso Emmanuel destaca que “para o hemisfério do Novo Mundo afluíam todas as entidades conclamadas à organização do progresso futuro.”

Fato muito significativo foi a independência dos Estados Unidos e a constituição de uma República, o que influenciou a Revolução Francesa e os movimentos no Brasil, conhecidos como Inconfidência Mineira.

Há múltiplos aspectos relacionados com o desenvolvimento científico e alguns esforços para se manter povos livres, como nos episódios da 1ª. e 2ª. Guerras Mundiais.

Nas anotações de Emmanuel, o Brasil tem tarefas como celeiro do mundo e o desenvolvimento das “primícias dos poderes espirituais”.

Face as análises espirituais seria sempre oportuno não nos fixarmos apenas em momentos e episódios inadequados, e que são fruto das ações humanas, resultantes do uso do livre arbítrio.

Há um planejamento de ordem espiritual: “nos campos exuberantes do continente americano estão plantadas as sementes de luz da árvore maravilhosa da civilização do futuro.”

Para tanto é cabível o esforço das pessoas procurando uma sintonia vibratória com os agentes espirituais que sejam vinculados às hostes de Jesus.

Fonte:

Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. A caminho da luz. FEB.

Biografia da “Dama da Caridade” com relançamento em Araçatuba

Biografia da “Dama da Caridade” com relançamento em Araçatuba

A desencarnação de Benedita

“Companheiras de trabalho dela relataram-nos que Benedita sentiu-se mal às 23 horas do dia 08 de outubro de 1947. Antevendo seu destino, conversou com as crianças, aconselhando-as. De¬sencarnou pouco tempo depois, às 1h30 do dia 09 de outubro de 1947, vítima de um colapso por insuficiência cardíaca, na sede da Asso¬ciação das Senhoras Cristãs, em Araçatuba. O Atestado de Óbito está assinado pelo Dr. Orlando Ramalho e o declarante foi Joaquim Franco da Rocha. Contemporâneos dela nos relataram que o féretro para sepultamento de Benedita foi um dos maiores já ocorridos, até então, em Araçatuba, seguindo a pé desde a sede da Associação até o Cemitério Municipal.

Nos primeiros tempos, o túmulo dela era dos mais visitados no cemitério localizado na Avenida da Saudade. Em 2025, fotografamos o seu túmulo, localizado próximo ao portal principal do Cemitério, onde consta uma placa de gratidão: “Da Benedita – agradeço a uma graça recebida. 19/02/2012. JLP”; desconhecemos a pessoa anotada com a sigla.”

DE: Carvalho, Antonio Cesar Perri. Benedita Fernandes. A dama da caridade. 4.ed. São Paulo: CCDPE. 2026.

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Matérias na midia de Araçatuba:

"Nos 79 anos do falecimento de Benedita Fernandes, biografia da “Dama da Caridade” é relançada em Araçatuba

O escritor e pesquisador Antonio Cesar Perri de Carvalho lança nesta sexta-feira (9), em Araçatuba (SP), a quarta edição do livro "Benedita Fernandes: A dama da caridade". A nova versão é atualizada e ampliada. O lançamento será no Centro de Psicologia e Terapias Integrativas Psico Benedita Fernandes, com noite de autógrafos. A data marca os 82 anos da morte de Benedita Fernandes, personagem ligada à história social da cidade. O livro foi publicado pela primeira vez em 1982 e teve reimpressões ao longo dos anos. A tiragem mais recente chegou a 5 mil exemplares. A nova edição traz fatos recentes e registros de ações de preservação da memória da personagem. O autor é professor titular aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e tem dezenas de livros e artigos publicados. A Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes foi fundada em 1932. A entidade manteve um hospital psiquiátrico até 2015 e serviços de saúde mental encerrados em 2023. Atualmente, atua por meio do centro de psicologia que recebe o lançamento.”

(O Liberal Regional, Araçatuba. 07/10/26).

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“O escritor e pesquisador Antonio Cesar Perri de Carvalho lança nesta sexta-feira (9), a quarta edição, atualizada e ampliada, do livro Benedita Fernandes – A dama da caridade. O evento será realizado no Centro de Psicologia e Terapias Integrativas Psico Benedita Fernandes, em Araçatuba (SP), com a presença do autor para uma noite de autógrafos. A data do lançamento marca os 79 anos da morte de Benedita Fernandes, personagem cuja trajetória está profundamente ligada à história social de Araçatuba”.

(Portal TH+ SBT, Araçatuba. 07/10/26).

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018 News, Araçatuba, 07/10/26:

Link (copie e cole):

https://018news.com.br/materia/livro-sobre-benedita-fernandes-sera-lancado-no-proximo-dia-9+

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Jornal da Rádio TH+Cultura Fm, na manhã de 07/10/2026: repórteres comentam o lançamento da nova edição de “Benedita Fernandes. A dama da caridade”, em Araçatuba.

Link (copie e cole):

https://youtu.be/6AKY7ZKpT5A

 

 

Repercussões sobre Kardec: logradouros, filmes e eventos

Repercussões sobre Kardec: logradouros, filmes e eventos

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Momentos diversificados de homenagens a Allan Kardec são assinalados em eventos, filmes, periódicos e livros espíritas.

Conhecido pelo pseudônimo Kardec, Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon a 03 de outubro de 1804. Nunca lá residiu e foi criado com a família em Bourg en Bresse e Saint Denis les Bourg, próximas a Lyon; estudou em Yverdon (Suíça) com Pestalozzi e atuou como professor em Paris, onde depois veio a executar seu papel como Codificador do Espiritismo.

Por ocasião das evocações sobre sua data de nascimento e durante o mês de outubro, no Brasil há continuados eventos em homenagem a Kardec.

Na França, anualmente há um encontro nacional tradicional. Neste ano a “Jornada Kardec 2026”, acontece no dia 03 de outubro, na cidade Le Passage d’Agen, localizada entre Toulouse e Bordeaux.

Em Lyon há monumento em homenagem a Kardec, próximo ao local onde ele nasceu, à rua Sala; estivemos presentes na inauguração em 2005.

Registro histórico é seu túmulo no Cemitério Père Lachaise, em Paris, dos mais visitados e florido com renovações diárias.

Inúmeros logradouros públicos têm seu nome em nosso país.

Identificamos cerca de 20 praças Allan Kardec: várias cidades do Estado de São Paulo, como Guarulhos, Ribeirão Preto, Santos, Bauru, Piracicaba e, entre outras, nossa terra natal Araçatuba; ruas e avenidas com o nome do Codificador em centenas cidades do Brasil, inclusive na Capital Paulista.

Há vários filmes e documentários sobre o vulto, disponíveis nos canais por assinatura.

O filme “Kardec”, dirigido por Wagner de Assis, fundamenta-se no livro Kardec (de Marcel Souto Maior, Editora Record). Divulgou nas telas dos cinemas os momentos iniciais do trabalho e das lutas de Kardec.

O documentário “Em busca de Kardec”, produzido por diretor francófono, exibe entrevistas com os antropólogos franceses; dirigentes e lideranças da França e do Brasil, destacando a proliferação do espiritismo em nosso país.

A Revue Spirite, fundada por Kardec, editada por Le Mouvement Spirite Francophone, exibe o desenvolvimento atual do espiritismo em nações francofônicas; o editor Jean-Paul Evrard define o objetivo: “a Revue Spirite seguindo a linha traçada por Allan Kardec”. Mantém a edição e divulgação de obras de Kardec, Léon Denis, Camille Flammarion, Gabriel Delanne e de outros autores da atualidade.

No entanto, marcante é a disseminação dos livros de Kardec editados em nosso país, cada um deles com milhões de exemplares. Sem dúvida é o autor francês mais editado no Brasil.

Fontes:

Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021; São Paulo: CCDPE; edição eBook Kindle na Amazon.

Carvalho, Antonio Cesar Perri; Kempf, Charles; Rossi, Elsa. Movimento espírita internacional. Origens, ideais, experiências. São Paulo: CCDPE. 2025; edição eBook Kindle na Amazon.

Divulgação e ensino de Espiritismo na atualidade

Divulgação e ensino de Espiritismo na atualidade

Antonio Cesar Perri de Carvalho

As alterações sociais e prenúncios de uma nova ordem mundial mostram que há grandes transformações no mundo e o movimento espírita não está isento desses impactos.

Há necessidade de se avaliar a realidade do movimento espírita, segundo Kardec, providência dos encarnados: "[…] a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem" (A Gênese, Cap.1).

Em seu último discurso realça: "O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral […] O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas" (Revista Espírita, dezembro de 1868).

A primeira psicografia de Chico Xavier sobre união, “Em nome do Evangelho” (1o Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, São Paulo, 1948), contém o convite de Emmanuel:

“[…] orientem no Evangelho quaisquer princípios de unificação […] O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora” e sugere: “unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens…”

Na atualidade, há necessidade de se superar a fase das ideias missionárias, salvacionistas e exclusivistas, características de outras religiões. Deve-se abrir espaço para avaliações, empregando instrumentos propostos por Kardec como a “fé raciocinada” e o exemplo dele, como homem inserido no conhecimento social, cultural e político de seu país, observador atento, que recorria a consultores citados em seus livros, valorizava as opiniões de leitores da Revue Spirite e de seus editores; não adotava médiuns exclusivos; verificava a coerência de conteúdos com O Livro dos Espíritos.

Por essas razões, Camille Flammarion designou-o de “bom senso”. O ideal será um ambiente de diálogo racional e franco entre as lideranças e dirigentes, superando-se ideias personalistas e de preponderância de instituições, evitando-se a elaboração de programas padronizados.

Com a suspensão das reuniões públicas durante a pandemia COVID-19, utilizou-se os recursos da internet e as palestras e reuniões virtuais surgiram como uma opção para se manter atividades doutrinárias e de apoio.

Nesse contexto foram desenvolvidas amplas atividades on line, autênticos congressos virtuais e sem exigência de taxas de inscrição. A “Rede Amigo Espírita” (web RAETV) produziu uma autêntica façanha em agosto de 2020, pelos 110 anos de nascimento de Chico Xavier, com dezenas de expositores convidados. No final do evento, havia quase 500 mil visualizações. Evento inédito foi o “Mês Espírita Mundial”, virtual e efetivado em abril de 2022, com atuação de 120 expositores de 36 países e em 10 vários idiomas, com traduções legendadas. Objetivou comemorar os 165 anos de O livro dos espíritos, com o slogan: "O que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa!", com apoio da Fundação Espírita André Luiz.

Outra ilustração são os anuais Symposium pour la Francophonie, promovido por Le Mouvement Spirite Francophone, reunindo espíritas dos países que adotam o idioma francês, e divulgados pela Revue Spirite, fundada por Kardec.

Ultimamente há substancial transformação nas formas de comunicação.

Urge o atendimento a todas faixas etárias e urgentemente conhecendo-se melhor a realidade e as necessidades das crianças e jovens.

As obras de Kardec devem ser a base – notadamente temas de O evangelho segundo o espiritismo -, com linguagem simples, objetiva, inserida no contexto atual, inclusive estimulando o acesso direto a elas, sem apostilas.

Na área virtual, o importante será a conscientização dos espíritas sobre a seleção de conteúdos, como: nas palestras, seminários, eventos; as reuniões híbridas nos centros espíritas: presenciais e transmitidas simultaneamente; os periódicos e informativos digitais; a ampliação da disponibilidade de livros digitais; o comércio de livros, predominantemente efetivado e com praticidade pela internet.

Enfatizamos recomendação do espírito William James (vulto americano nas pesquisas sobre mediunidade): “Temos aprendido que não surgem construções estáveis ao impulso do improviso. […] Cada companheiro, cada agrupamento e cada país terão do espiritismo o que dele fizerem. Cremos seja possível sintetizar diretrizes para nós todos no seguinte programa: sentir em bases de equilíbrio, pensar com elevação, falar construtivamente, estudar sempre e servir mais” (Entre irmãos de outras terras. Cap. 5. FEB).

O NECESSÁRIO ACOLHIMENTO DOS SIMPLES

O NECESSÁRIO ACOLHIMENTO DOS SIMPLES

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Na trajetória do movimento espírita sempre foi muito marcante a ação dos espíritas no atendimento dos socialmente carentes.

Esta dedicação contribuiu significativamente para se assegurar a respeitabilidade dos espíritas junto à comunidade, aos poderes públicos e à mídia.

Todavia, se historicamente esse é um fato inconteste, a simples observação mais ampla dos frequentadores dos Centros Espíritas e alguns dados estatísticos sobre o perfil dos espíritas apontam para a realidade de que, usualmente, a frequência às reuniões espíritas está concentrada em pessoas da faixa social média e, em algumas regiões, com ligeira tendência para patamares superiores.

Ou seja, os integrantes das faixas sociais menos dotadas geralmente comparecem mais como assistidos e, proporcionalmente, são menos representativos até como espíritas declarados.

Essa realidade sugere algumas questões sobre o fluxo de pessoas dentro do Centro Espírita, que devem merecer reflexões e avaliações: a recepção e o atendimento fraterno aos novatos; os esclarecimentos sobre as atividades da instituição; o real acolhimento, como o enlaçamento fraterno aos frequentadores e colaboradores, propiciando, inclusive, eventuais visitas aos seus lares; orientação e apoio às reuniões de evangelho no lar; o nível das exposições nas reuniões públicas; o programa e a duração dos cursos oferecidos; as opções de atuação atendendo-se à diversidade das condições das pessoas que se dispõem a colaborar; o atendimento às necessidades de apoio, orientação e de equilíbrio a problemas mediúnicos; a disponibilidade de livros com conteúdo, redação e preço, compatíveis com as faixas sociais mais simples, e, algumas outras opções que se caracterizam como prática da fraternidade e da caridade de natureza espiritual.

Desde as obras da Codificação há considerações oportunas sobre o acolhimento e atendimento dos mais simples, como em “Missão dos Espíritas”: “Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão.”1

Sem qualquer ideia de proselitismo, entendemos que o acolhimento dos simples no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempos que vivemos.

Lembramos que o Espiritismo está no momento preciso para cumprir seu papel – de consolo, apoio, esclarecimento e contribuição para a libertação espiritual -, notadamente na etapa da grande transição que já vivemos2: “[…] o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito” (João 14, 26).

Com base nos estudos que empreendemos há décadas sobre O evangelho segundo o espiritismo, e, na interrelação com os participantes, consideramos que é oportuno pensar-se na sua utilização mais ampla nas reuniões espíritas: estudos, explanações, divulgação, e, modulando a abordagem de acordo com o público-alvo, de forma simples e objetiva2.

É a obra que consola e esclarece com base na compreensão do ensino moral de Jesus à luz dos princípios exarados em O livro dos espíritos.

Referências:

1. Kardec, Allan. Trad. Bezerra, Evandro Noleto. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. XX, item 4. Rio de Janeiro: FEB, 2008.

2. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Evangelho com simplicidade. Matão: O Clarim. 2024. 161p.

Encontro e novidades do movimento espírita europeu

Encontro e novidades do movimento espírita europeu

         

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A Revue Spirite (a revista fundada por Allan Kardec), na edição do 2o trimestre de 2026, traz significativas informações sobre o movimento espírita na Europa.1

Destaque para o 9o Encontro Espírita Europeu, programado para o período de 18 a 20/09/2026, promovido por Le Mouvement Spirite Francophone – LMSF e pela União Espírita Belga.1

O evento acontecerá no Castelo de Wégimont, Província de Liêge, na Bélgica. Será uma “Reunião sobre a filosofia de vida espírita” desenvolvido no idioma inglês. Reunirá espíritas de todas as gerações, adultos e adolescentes, provenientes da Finlândia, Polônia, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Espanha, Bélgica, etc. O programa compreenderá exposições e relatos de experiências concernentes a atividades espíritas, bem como momentos para discussão e perguntas entre os participantes. Na oportunidade acontecerão simultaneamente Encontros para crianças e jovens da Europa.

O local do evento, o Castelo de Wégimont é um imponente edifício que se destaca pelas suas belas formas arquitetônicas; localiza-se no meio de um parque arborizado na Província de Liège (Bélgica). Tem origens desde a Idade Média, passando por reformas e ampliações. Mantém estilo renascentista mosano, isto é, um estilo de arte que se desenvolveu na Idade Média na região do rio Mosa, que corre da França para Alemanha, Bélgica e Holanda. Há alguns anos tivemos oportunidade de atuar em evento espírita efetivado nesse Castelo, que hospedou todos os participantes.2

A Revue Spirite também informa sobre outro evento, a jornada “Medicina e Espiritualidade” programada para o dia 11 de outubro, e promovida pelo Le Mouvement Spirite Francophone – LMSF.1

Inclusive, recentemente, o Castelo de Wégimont sediou tradicional evento, o 26o Simpósio para a Francofonia, nos dias 22-24 de maio, tendo como tema “O espiritismo posto à prova da ciência”. Essas informações demonstram que o movimento espírita em vários países europeus se encontra em intensas atividades e propiciando a interação entre eles. Após diferentes experiências de ações desde o século XX, o movimento espírita europeu vivencia uma ação inovadora.

O movimento francofônico, o LMSF, tem mantido de maneira dinâmica e interativa uma nova experiência de convivência entre grupos espíritas. Na essência, sem estrutura organizacional e hierarquização, sem preponderância de nenhum país, com respeito a diversidade de contextos, tendo as obras de Kardec como base fundamental, reúne grupos espíritas de países que adotam o idioma francês, e tem patrocinado ações amplas como o próximo Encontro Espírita Europeu.2,3

Particularmente, desperta a nossa atenção a partir de outra visão ampla e abrangente com base em rememorações históricas sobre o Continente Europeu, ou seja, todos os sonhos e projetos políticos de várias épocas que somente se viabilizaram há poucas décadas com o estabelecimento da União Européia. Mantém-se os Estados-nações, romperam-se várias barreiras de separatividade, evita-se controles centralizados e padronizações e foram definidos objetivos comuns que favoreceram a união de esforços indutores de muitos progressos. Guardadas as devidas proporções, talvez o Le Mouvement Spirite Francophone seja uma experiência embrionária de nova forma de união e em linha de ação parecida com a União Européia. Em realidade uma libertação da tradição de controle e de regras impostas pela Igreja Católica ao longo de séculos, mas, sem dúvida ainda muito arraigada nos espíritos encarnados.4

Interessante que tal vivência poderá vir a ser desenvolvida em países que o povo é oriúndo de várias matrizes raciais e, numa tendência marcante do mundo atual, recebem continuados afluxos imigratórios e a multiversidade é uma realidade.

Entendemos que o desenvolvimento do pensamento e das práticas com base em princípios das obras de Kardec não devem olvidar os diferentes contextos de sociedade. Outro aspecto é que o citado movimento francofônico mantém a edição trimestral da Revue Spirite, fundada por Allan Kardec em 1858. Com oportunos conteúdos, diagramação e impressão bem elaboradas e coloridas, busca ser inovadora, acompanhando os tempos de transformações, sem deixar de lado o rigor e os princípios fundamentais.

Torna-se oportuno assinalarmos que depois de um período de restabelecimento dessa Revista histórica, em parceria da União Espírita Francesa e Francofônica com o Conselho Espírita Internacional, e com significativa participação da Casa Editora O Clarim, a importante responsabilidade para a realização da Revue Spirite foi oficialmente transferida ao Le Mouvement Spirite Francophone – LMSF em 2010, que a edita desde 2011.2,4

O editor Jean-Paul Évrard reitera homenagens e com fotos a Roger Perez (1928-2019) e Nestor João Masotti (1937-2014) por terem transferido a realização para Le Mouvement Spirite Francophone – LMSF.1,2

Referências:

1) Acesso à última resenha sobre a Revue Spirite: https://grupochicoxavier.com.br/revista-francesa-noticia-encontro-espirita-europeu/

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri; Kempf, Charles; Rossi, Elsa. Movimento espírita internacional. Origens, ideais, experiências. São Paulo: CCDPE. 2025. 246p.

3) Acesso a Le Mouvement Spirite Francophone: https://www.lmsf.org/lire/revue-spirite/

4) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Entre vidas. Cá e lá. Matão: O Clarim. 2026. 223p.

Síntese de artigo publicado pelo autor na Revista Internacional de Espiritismo – RIE, setembro de 2026, p.

Humberto de Campos: de Parnaíba para a notoriedade

Humberto de Campos: de Parnaíba para a notoriedade

      

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Um dos mais conhecidos escritores brasileiros, Humberto de Campos Veras, nasceu em Miritiba – hoje Humberto de Campos – no Maranhão, aos 25 de outubro de 1886; desencarnou no Rio de Janeiro em 05/12/1934.

Na então Capital da República, Humberto de Campos tornou-se famoso como brilhante jornalista e cronista; suas páginas foram "colunas" em todos os jornais importantes do País. Dedicou-se inteiramente à arte de escrever. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1919. Exerceu o mandato de deputado federal pelo seu Estado natal, tendo seus mandatos sucessivamente renovados até ser cassado com a Revolução de 1930.

Escritor extremamente popular por atender a perguntas de missivistas e visitantes. Fez-se amado por todo o Brasil, especialmente na Bahia e São Paulo. Adotou vários pseudônimos, como o Conselheiro XX, que depois veio a ser adaptado para os livros espíritas, como Irmão X. Quando adoeceu, modificou completamente o estilo literário.

A obra O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos1, oferece excelente oportunidade para se conhecer o escritor Humberto de Campos, com base em seus livros como encarnado e como espírito pela psicografia de Chico Xavier, e ainda com lances sobre sua vida desde a infância. O autor Cláudio Bueno da Silva focaliza momentos da vida de Humberto de Campos e relaciona suas obras como encarnado com as escritas pela psicografia de Chico Xavier.

Cláudio Bueno da Silva destaca que Humberto de Campos sempre focalizou a questão da morte: “Eu sou, ordinariamente, um homem que tem medo da morte” e o dilema “a certeza de que os outros aqui ficam e o morto não sabe para onde vai”. Num crônica sobre Finados, anotou: “Parece que a Morte, neste momento, se acha confundida com a Vida”. De outra feita, registrou o medo de “ter a sua memória enterrada com seu corpo”, e, ainda “espiando a morte, conhecer o engano da vida”.1

O autor citado não considera Humberto de Campos um materialista clássico: “se dizia cético, é curiosa a sua insistência em tratar dos assuntos transcendentais, místicos, religiosos, cuidando da vida e da morte. […] usava a ironia para disfarçar certo interesse recôndito. […] O ceticismo em Humberto de Campos talvez não tivesse raízes tão profundas”. O autor destaca que as crônicas do livro Sombras que sofrem, publicado no ano da desencarnação de Humberto de Campos, em 1934, mostram este último “preocupado em ajudar o próximo com as melhores ‘armas’ de que dispunha e que manejava muito bem: as palavras e as ideias”.1

Com frequência, o escritor maranhense fazia referência a textos bíblicos e casos relacionados com a Judeia. Escreve crônicas em forma de parábolas, com fundo moral e instrutivo e enaltece a caridade. Em Mealheiro de Agripa adverte: “Homens ricos e poderosos que vos banqueteais sobre miséria de Lázaro, escutai, se tendes ouvidos, a palavra dos profetas”. Em Notas de um diarista, comenta versículos de Mateus (19, 16-24): “Bom Mestre, que boas obras devo praticar para conseguir a vida eterna?”1

Fato interessante é que Humberto de Campos era amigo pessoal – de fazer visitas constantes -, do romancista Coelho Neto, maranhense e membro da Academia Brasileira de Letras. Soube que seu amigo quando se encontrava abatido era tratado, enquanto dormia, pela esposa e por uma doméstica que o “defumava com ervas prestigiosas”. Coelho Neto veio a se convencer do Espiritismo após um fato inusitado em que teve a certeza da sobrevivência espiritual de sua filha.

Passadas mais de nove décadas da desencarnação, a notoriedade de Humberto de Campos aumentou com as obras “do lado de lá”.

Após o lançamento das primeiras obras assinadas por Humberto de Campos surgiu o rumoroso processo movido por seus familiares, reclamando direitos autorais, em 1944. Chico Xavier e a FEB ganharam a causa no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O assunto ganhou destaque na imprensa leiga da época e transformou-se no tema do livro A psicografia ante os Tribunais, de Miguel Timponi, editado pela FEB. Em função disso que passou a adotar o pseudônimo Irmão X. Algumas preocupações e focos desenvolvidos em textos pelo escritor Humberto de Campos são identificáveis e são ampliados nas obras psicografadas por Chico Xavier.

Como espírito escreveu diversas obras pela psicografia do médium Chico Xavier, doze publicadas pela FEB (entre 1937 e 1969): Crônicas de além-túmulo; Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho; Novas mensagens; Boa nova; Reportagens de além túmulo; Lázaro redivivo; Luz acima; Pontos e contos; Contos e apólogos; Contos desta e doutra vida; Cartas e crônicas; Estante da vida; pela Editora CEU: Relatos da vida (1988), e, pela Editora Boa Nova: Histórias e anotações (2010).

Sempre admirador do notável literato, ficamos sensibilizados pelas repercussões de sua obra, depois de nossas continuadas visitas à cidade de Parnaíba (Piauí), onde há vários familiares pelo lado paterno.

Na cidade, na rua com o nome dele, existe a casa onde ele residiu a partir de 1894, com sua genitora viúva dona Ana. Ali viveu alguns anos de sua meninice e plantou um cajueiro, muito citado em seus livros como encarnado. O cajueiro, mais que centenário, originou um logradouro público e passou a ser um monumento vivo da cidade.

Na sede da Academia Parnaibana de Letras, há o Memorial Humberto de Campos que contém vários materiais do escritor: fardão como membro da Academia Brasileira de Letras; máquina de datilografia, bengalas de final de vida, textos originais, livros originais, fotos e caricaturas, e, jornais de época do Rio de Janeiro.2

Em livro que ofertamos àquela comunidade em 2018, Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba3, adotamos como símbolo os frutos do cajueiro, relacionando com o movimento espírita de Parnaíba, com marcantes obras sociais, e, em função de visitas, reunimos textos de nossas palestras e entrevistas em eventos espíritas em Parnaíba, pois sempre enfatizamos a repercussão de suas obras espirituais, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier; destacamos um retrato de Humberto de Campos com carinhosa dedicatória de sua genitora, Ana de Campos Veras, que ainda vivia naquela cidade em 1938, endereçada a Chico Xavier – “dedicado intérprete espiritual de meu saudoso Humberto”.

As obras de Humberto de Campos – de cá e de lá – merecem estudos em nossos dias!

Referências:

1. Silva, Cláudio Bueno. O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos. 1.ed. Araras: IDE. 2018. 319p.

2. Entrevista na Academia Parnaibana de Letras. Acesso em 02/09/2026 (copie e cole): https://youtu.be/Q00ddJ00AtE?is=t3v_hEfX4msJK_ZL

3. Carvalho, Antonio Cesar Perri. Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba. Parnaíba: Ed. Centro Espírita Caridade e Fé. 2018. 94p.

Imortalidade significa “Amor sem adeus”

Imortalidade significa “Amor sem adeus”

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O título de livro – Amor sem adeus -, é muito sugestivo. Obra psicográfica de Chico Xavier reúne cartas escritas por um jovem desencarnado que, ao vencer a barreira da morte, voltou a conversar com entes queridos que ficaram na Terra.

Entre as dezenas de livros psicografados por Chico Xavier contendo as chamadas “cartas familiares”, essa obra reúne mensagens de Walter Peronne, com organização de Hércio Arantes, lançado pela editora IDE, de Araras, em 1979.

A tônica das mensagens espirituais e que identificam o espírito comunicante assinalam claramente que no contexto da imortalidade da alma caracteriza um típico amor sem adeus.

A certeza da imortalidade da alma propiciada pelo Espiritismo é fundamentada nas informações trazidas pelo intercâmbio mediúnico e que demonstram não apenas a sobrevivência espiritual após a morte do corpo, mas a preservação de sua individualidade e condições de identificação.

Desde o pioneiro estudo de casos efetuado por Allan Kardec na obra O céu e o inferno, esses aspectos são assegurados e sinalizam as diversas condições dos desencarnados, com diferentes estados de alma.

O Espiritismo assegura que os espíritos não estão condenados, mas estão submetidos à misericórdia de Deus, o Pai bom e justo.

Portanto as diversas gradações de conhecimento e de compreensão de seus estados de alma são suscetíveis a mecanismos de progresso espiritual.

Esses fatos claramente alteram o cenário alimentado por diversas tradições religiosas de cultuar os chamados mortos, como nas tradições do dia de Finados, com choros e lamentações muitas vezes em desequilíbrio. A melhor maneira de cultuar e homenagear os espíritos é com a oferta de preces, de pensamentos bons e harmonizados. E, sem dúvida, oferecendo o esforço vivo de melhoria de pensamentos, de intenções e de ações.

É a maneira mais gratificante para se lembrar de espíritos que mantém alguma relação conosco, inclusive no contexto familiar. Isso porque os elos familiares e de amizades não são interrompidos, apenas há uma transformação para as interrelações entre as dimensões corpóreas e as espirituais.

Os laços de amor não desaparecem, por isso que não há o adeus. Pelas alterações de dimensão – entre a corpórea e a incorpórea -, seria um até breve. Em lembranças sobre os que se foram, como em qualquer dia do ano, não nos fixemos na ideia do adeus, do choro e das lamentações.

Procuremos nos esforçar para ofertar pensamentos e sentimentos de gratidão, de homenagem sincera, de doação vibratória e de paz.

Esse conjunto supera o adeus e amplifica a ideia do amor real.

Bezerra de Menezes – cidadão do bem

Bezerra de Menezes – cidadão do bem

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O dia 29 de agosto assinala 195 anos do nascimento do dr. Adolfo Bezerra de Menezes (1831-1900), notável vulto espírita, nascido no Ceará, e que se destacou no Rio de Janeiro.
Na então Capital foi médico reconhecido, vereador, deputado, dirigente de empresas públicas e líder espírita. Durante dois mandatos curtos foi presidente da Federação Espírita Brasileira. Autor de artigos publicados na imprensa da Capital, também em periódicos espíritas, e, de vários livros.
Destacamos um livro significativo de Bezerra de Menezes: A loucura sob novo prisma, tendo como subtítulo: “Estudo psíquico-fisiológico”. Surgiu em forma de livro editado pela FEB, 20 anos após sua desencarnação.
No final dos anos 1880, como médico e membro da Academia Imperial de Medicina, consta que Bezerra escreveu esse trabalho, em forma de tese, direcionado à instituição. Aborda tema complexo, a 'loucura por obsessão', isto é, por ação fluídica de agentes inteligentes e extraterrenos sobre a criatura encarnada. Em pleno século XIX, contemporâneo de notáveis colegas de profissão, voltados à procura de respostas extra orgânicas nas chamadas 'pesquisas psíquicas, Bezerra escreveu o trabalho inédito para os contextos médico e espírita.
Nessa obra, comenta sobre a postura tradicional "de que toda perturbação do estado fisiológico do ser humano procede invariavelmente de uma lesão orgânica, os homens da ciência têm até hoje, como verdade incontroversa, que a alienação mental, conhecida pelo nome de loucura, é efeito de um estado patológico do cérebro…” Propõe-se "a preencher essa lacuna, demonstrando, com fatos de rigorosa observação: que o pensamento é pura função da alma ou Espírito, e, portanto, que suas perturbações, em tese, não dependem de lesão do cérebro, embora possam elas concorrer para o caso, pela razão de ser o cérebro instrumento das manifestações, dos produtos da faculdade pensante." Relaciona com obras de Allan Kardec e relata seus estudos de casos, citando testemunhas que se curaram da chamada alienação mental com o tratamento espiritual incluindo o atendimento de espíritos envolvidos pela ideia de perseguição e de vingança.
Aí inclui o caso de um de seus filhos, inteligente e bem formado, subitamente tomado de alienação mental. Relata diálogos durante o atendimento do espírito que atuava como obsessor do filho. A vivência desse caso familiar foi um dos fatores que estimularam Bezerra a escrever o trabalho. A loucura sob novo prisma, revela estudo criterioso do autor.
No seu perfil, o “médico dos pobres” é reconhecido pela benemerência, honestidade e seriedade: um autêntico homem de bem!
Em 2021 veio a lume portentosa pesquisa sobre a vida e obra de Bezerra, o livro Bezerra de Menezes: o homem, seu tempo e sua missão, de autoria de Luciano Klein, editado pela Federação Espírita do Estado do Ceará (FEEC) e pelo Memorial Bezerra de Menezes (MEBEM).

Bet’s, jogos e viciações – óticas psiquiátrica e espírita

Bet’s, jogos e viciações – óticas psiquiátrica e espírita

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O Programa "Roda Viva" da TV Cultura, de São Paulo, do dia 27/07/2026, entrevistou o psiquiatra e professor Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico do Hospital das Clínicas da USP.

O Programa teve como tema "O Jogo Patológico, em especial a Pandemia das Bet's"1 destacando o comprometimento de muitas famílias na sociedade brasileira e mundial.

O entrevistado considerou que as chamadas Bet’s agora representam uma autêntica onda, tipo pandemia mundial. As Bet’s são casas específicas e plataformas de apostas, muitas vezes relacionadas com ligadas ao esporte. Sem dúvida, é um tipo de jogo. O entrevistado alerta sobre o grande risco porque agora o apostador não precisa sair de casa, acessa as plataformas pela internet. O dr. Tavares, com base em sua experiência no atendimento de viciados/vítimas do jogo, abordou nuances importantes, desmitificando propagandas de "jogo responsável", que ele considera uma contradição. Considera que o vício do jogo está associado a desvantagens sociais, a ganância, informações e sugestões inverídicas. Destacou a responsabilidade governamental na regulação do jogo e da propaganda, dos responsáveis por plataformas, das redes sociais que divulgam, do provedor e do usuário/apostador.

O psiquiatra entrevistado e o Instituto do Jogo Patológico do Hospital das Clínicas da USP oferecem sugestões práticas de como resolver os problemas: – do apostador, – da família, – da nossa escolha política nas próximas eleições, – da proibição ou não das Bet's, – o lado financeiro.

Na ótica espírita há várias nuances a serem consideradas. Em O livro dos espíritos, em questão sobre o jogo, há a resposta: “Alguns Espíritos escolheram previamente determinados tipos de prazer, e com isso, a sorte que os favorece é uma tentação. Aquele que ganha como homem perde como Espírito: é uma provação para o seu orgulho e para a sua cupidez.”2 Na mesma obra, em outra vertente de raciocínio, à pergunta: “Quando o homem está de algum modo mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se torna para ele um arrastamento quase irresistível?”, há a resposta espiritual: “Arrastamento, sim; irresistível, não; pois mesmo dentro dessa atmosfera de vício às vezes você encontra grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, tiveram como missão exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes.” 2

Outro aspecto é a consideração de que nossa mente é como uma antena que envia e capta vibrações. As motivações que induzem o apostador a jogar, favoreceriam que tipo de vibrações e sintonias espirituais? A orientação espírita fundamental é que devemos escolher as vibrações de equilíbrio. Cabível a rememoração da obra de André Luiz Mecanismos da mediunidade que analisa vários tipos de reflexo condicionado, de onde destacamos o trecho: “reflexo condicionado de caráter doentio, automatizando-nos a capacidade de transmitir tais agentes mórbidos, responsáveis por largo acervo de enfermidade e desequilíbrio”.3

As relações entre mentes de encarnados e desencarnados e, em várias condições, sendo geradoras de alguns tipos de enfermidades e de desequilíbrios mentais são focalizadas na obra No mundo maior, do mesmo autor espiritual.

Sem dúvida, essas considerações complementam com a visão espiritual os comentários do psiquiatra dr. Tavares ao abordar a questão do vício de jogar.

Por outro lado, sem nenhuma ligação com as Bet’s, existem jogos digitais saudáveis e pedagógicos até com temáticas espíritas adequados para instrução, seja no celular ou no computador.

As opiniões, alertas e recomendações do psiquiatra entrevistado pela TV Cultura de São Paulo são extremamente oportunas e devem merecer as reflexões na ótica espírita.

Referências:

1) Acesso à entrevista com dr. Hermano Tavares, TV Cultura (copie e cole): https://www.youtube.com/live/6QyBVMzWd-g?is=FUxrsRYf89mxeO2F

1) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Q. 645 e 865. Rio de Janeiro: FEB. 1989.

2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. Mecanismos da mediunidade. Cap. 16. Brasília: FEB.