O lado sombrio dos que buscam a luz no meio espírita

O lado sombrio dos que buscam a luz no meio espírita

Vladimir Alexei

Para todo argumento que evidencia as idiossincrasias do movimento de divulgação espírita, surge um contra-argumento — na maioria das vezes religioso e, em tantas outras, sem base alguma.

A internet abriu um leque infinito de oportunidades para a divulgação doutrinária. É possível, inclusive, que os meios convencionais, como cursos e encontros presenciais, passem a ter sua eficácia questionada. Contudo, essa liberdade trouxe excessos. Existem canais cujo conteúdo resume-se a apontar erros alheios, focando especialmente em divulgadores que geram mais "ibope" (likes).

É uma posição tentadora: do conforto do lar, com tempo para editar e confrontar o conteúdo criticado com as obras de Kardec, o crítico passa para os incautos a imagem de um baluarte da doutrina. Mas restaria saber: diante de uma plateia real, entre encarnados e desencarnados, esse crítico manteria a mesma habilidade ou estaria livre de erros? O problema é que tais canais pouco contribuem, pois apenas escancaram interpretações subjetivas e pessoais. Tentar mudar palestrantes e blogueiros é um erro quase doutrinário; eles já são conhecidos pelo que entregam.

No outro extremo, vemos casas espíritas geridas com "mão de ferro", onde toda decisão — da reforma do telhado à nova tarefa — é pautada em "orientações dos Espíritos". Embora digam que a decisão final é dos encarnados, criam um ambiente de insegurança onde todos aguardam sinais místicos para agir. Há casos de interpretação de sonhos que fariam Freud rolar no mundo espiritual. Questiona-se: o propósito nobre de construir ou ampliar justifica essa dependência mediúnica para questões administrativas? Recentemente, entre 2025 e 2026, acompanhamos polêmicas sobre a mediunidade.

É curioso notar: a maioria dos que ditam regras sobre o tema não são médiuns, não estudaram a fundo ou sequer leram O Livro dos Médiuns. Por outro lado, há quem conheça a letra da obra, mas não consegue acrescentar em vivência, porque como indivíduos conhecem, mas como membros de um time, se perdem.

O ponto central é o excesso.

A divulgação do Espiritismo, para muitos, tornou-se uma profissão: coaches financeiros, médiuns cobrando por "cartas do além", palestrantes que misturam o Evangelho com autopromoção profissional e o uso persistente dos Espíritos para validar agendas políticas.

Como dizem os especialistas: todo excesso esconde uma falta. Há uma inversão clara de valores. A ordem natural deveria ser: aprender (como fez Ernesto Bozzano), internalizar, transformar informação em conhecimento e, só então, divulgar. Como diria a máxima: "Pregue o Evangelho; se for preciso, use palavras". Infelizmente, vemos a era do "espírita polímata". Autoproclamar-se ou aceitar tal título — ostentado por gênios como Da Vinci ou Santos Dumont — revela uma falta de autocensura e de humildade.

Onde vamos parar? Médiuns cobrando por consolo e divulgadores em pedestais de vaidade combinam com o que o Espiritismo ensina?

A "Luz" tem sido ofuscada pela névoa densa da ignorância e do personalismo. Não se trata de julgar a moral alheia, mas de um pedido de atenção. Precisamos rever o planejamento de nossas casas e programas de estudo. Falta humildade. Nem tudo o que é "bem produzido" é feito na luz; muitas vezes, é apenas a sombra do orgulho projetada por quem busca os holofotes, mas esqueceu-se da transformação interior.

O movimento espírita não ficou "bagunçado" após a pandemia; ele enfrenta desafios de sustentabilidade desde que saiu das mãos de Kardec. Frequentemente criticado por suas origens nas elites francesas, o Espiritismo sobreviveu graças ao prestígio de quem o abraçou, mas hoje o cenário é outro.

O meio está repleto de intelectuais que estudam a fisiologia da glândula pineal, mas ignoram o aspecto moral da doutrina, tratando-o como algo de foro íntimo e interpretativo. A conta chegará para todos nós que batemos no peito dizendo-nos espíritas, mas que praticamos a doutrina mais para os outros do que para o nosso próprio aperfeiçoamento.

Divulgar o Espiritismo sem iluminar a própria sombra é carregar o peso de respostas que não se vivem. Ninguém é missionário sozinho. Trabalhar em conjunto não é buscar consenso absoluto, mas unir diferentes aptidões para, coletivamente, travar o "bom combate".

(Transcrição de matéria divulgada pelo articulista em redes sociais, em 18/01/2026, reside e atua em Belo Horizonte, MG)

O surpreendente Léon Denis

O surpreendente Léon Denis

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Janeiro assinala, entre outras efemérides, a data de nascimento de Léon Denis, dia 1o/01/1846 em Tours, e que teve uma longa e muita ativa existência corpórea até 1927.

Denis é o grande vulto do movimento espírita, autêntico continuador de Allan Kardec e consolidador do espiritismo na França. Suas ações, palestras e livros produziram influências e repercussões marcantes no seu país natal e em vários outros, como no Brasil. Autor de marcantes obras, entre outras. como: O problema do ser, do destino e da dor, No invisível, Cristianismo e espiritismo, Depois da morte.

Neste mês de janeiro de 2026, surgem citações e artigos interessantes que realçam alguns aspectos surpreendentes da personalidade de Denis.

Recebemos de um amigo, a solicitação de confirmação de um texto que seria de Denis. Contando com o apoio de Charles Kempf (Federação Espírita Francesa e Le Mouvement Spirite Francophone), esclarece-se que a frase não aparece em livros de Denis. Mas são trechos do discurso pronunciado por Léon Denis no Congresso Espírita e Espiritualista de Paris na sessão de 11 de setembro de 1889.

No referido Congresso, Denis responde ao Sr. Fauvety, após comentar o propósito de Allan Kardec de valorizar o cristianismo primitivo: “[…] ele lutou com lógica rigorosa contra tudo o que constitui o catolicismo moderno. […] “Não vos viemos dizer que devamos ficar confinados ao círculo, por mais vasto que seja, do Espiritismo kardequiano. Não; o próprio mestre vos convida a avançar nas vias novas, a alargar a sua obra”. Destaca princípios espíritas e afirma: […] nestas condições, estendemos as mãos a todos os inovadores, a todos os de boa vontade, a todos os que têm no coração o amor da Humanidade.”1

Charles Kempf lembra observações do Eduardo Carvalho Monteiro (1950-2005), de São Paulo, pesquisador do espiritismo e da maçonaria, que Charles Fauvety era maçom, e que naquela época, os maçons do Grande Oriente da França tinham retirado a noção de Deus em nome da liberdade de crença, o que motivou a saída de Léon Denis da Loja Maçônica Demófilos de Tours, alguns anos antes.

Verificamos que Charles Fauvety (1813-1894), era originário do protestantismo liberal e maçom, autor de livros e criador da "Religião Secular", que visava encontrar harmonia entre religião e razão, mantendo Deus apenas em um sentido panteísta e a imortalidade da alma apenas como uma probabilidade.

O pensamento de expresso por Denis no Congresso citado de 1889 poderia, durante praticamente um século, ser alvo de muitas críticas em razão de muita rigidez da então chamada “pureza doutrinária” e de uma compreensão provavelmente estreita dos objetivos dos princípios espíritas.

Daí a razão da necessidade de muita reflexão sobre o último discurso de Kardec: "O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. […] No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza. […] Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.”2

Nas primeiras décadas do século XXI há ares de inovações nas relações entre religiões, até com eventos interreligiosos. A frase de Léon Denis no seu discurso de 1889 merece ser bem refletida na atualidade!

Por outro lado, em artigo divulgado neste mês de janeiro “Entre o grito de Léon Denis o silêncio da Europa”, Wilson Garcia traz à tona pensamento desse vulto, relacionado com o atual contexto político, econômico e social da Europa.3 O articulista focaliza pensamentos de Denis desenvolvidos no livro Depois da morte4 sobre o que ele chamava de decadência moral ao escrever logo após o contexto histórico marcado pela humilhação nacional francesa após a Guerra Franco-Prussiana (1870–1871).

Anota Wilson Garcia: “A inquietação, porém, ultrapassava o campo militar ou diplomático. O que Denis denunciava era a erosão do ânimo coletivo, a perda do sentimento de pertença e de responsabilidade histórica. Para ele, quando uma sociedade deixa de acreditar em si mesma, a derrota já se consumou no plano moral, antes mesmo de qualquer agressão externa”. Oportuno destacarmos que Denis era estudioso da cultura celta e autêntico nacionalista francês interessado em temas do contexto em que vivia.

Por oportuno, destacamos que Denis é autor de livros como: O mundo invisível e a guerra (1919), Socialismo e Espiritismo (1924), O gênio céltico e o mundo invisível (1927).

Portanto, é interessante o artigo de Wilson Garcia, considerando que mais de um século depois, o diagnóstico de Léon Denis encontra ressonância inquietante na Europa contemporânea. Nessas condições, o articulista comenta que “entre o grito de Léon Denis e o silêncio europeu atual há mais do que um século de distância: há a passagem de sociedades que ainda acreditavam em destinos comuns para sociedades que administram a própria insegurança. O silêncio, porém, não é neutro. Ele corrói a ação, normaliza a paralisia e transforma prudência em resignação”.

Léon Denis, marcante vulto histórico do espiritismo, alvo de nossa admiração e respeito, registrou pensamentos que merecem reflexões na atualidade.

Referências:

1) Congrés Spirite et Spiritualiste. Paris. 11 de setembro de 1889, p. 156 [Ata].

2) Kardec, Allan. Trad. Noleto, Evandro Bezerra. O Espiritismo é uma religião? Revista Espírita. Dezembro de 1868. Brasília: FEB.

3) Garcia, Wilson. Entre o grito de Léon Denis o silêncio da Europa. Expediente-on-line – Blog do WGarcia, 13jan.2026: https://expedienteonline.com.br/entre-o-grito-de-leon-denis-e-o-silencio-da-europa/

4) Denis, Léon. Trad. sem identificação. Depois da morte. Brasília: FEB, 358p.

A pioneira espírita britânica Janet Duncan

A pioneira espírita britânica Janet Duncan

 

            

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Janet Duncan (1928-2026) fundou a primeira instituição espírita na Inglaterra, o Allan Kardec Study Group, em 1983.

Antes desse Centro pioneiro fundado por Janet Duncan em Londres, existiam as tradicionais “Spiritualists Churches”, ligadas à histórica “Spiritualist Association of Great Britain”, editora de vários livros sobre fatos espirituais e do jornal “Psychic News”, e, a “Society for Psychical Research” que reuniu acadêmicos e pesquisadores para a pesquisa de fatos espirituais.

Foi essa realidade que constatamos em viagens à Inglaterra em 1971 e 1973.1,2

Janet conheceu o espiritismo no período em que residiu em São Paulo, em atividades profissionais. Foi colaboradora do Grupo Espírita Batuíra, e, visitou várias vezes Chico Xavier. Ao retornar ao seu país. fundou o citado centro em Londres e criou a Allan Kardec Publishing Ltd, que editou em inglês os livros Agenda cristã, Nosso lar e O evangelho segundo o espiritismo.

Conhecemos pessoalmente Janet durante o 1o Congresso Espírita Internacional, realizado em Brasília em outubro de 1989.1,3

De 18 a 20 de outubro de 1991, realizou-se em São Paulo o Congresso Espírita Internacional – FEESPIRITA 91, no qual participaram muitos representantes do movimento espírita da Espanha, França, Bélgica, Portugal, Estados Unidos, Colômbia, Argentina e Janet Duncan do Reino Unido.1,3

Como presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo participamos desse Congresso em São Paulo e das reuniões dos visitantes estrangeiros que preparavam a criação de um Órgão Internacional, com o apoio da FEB. Naquela oportunidade, oferecemos um jantar de confraternização aos visitantes, na da sede da USE-SP.

Como desdobramento de reuniões realizadas em Liège e em São Paulo, foi fundado o Conselho Espírita Internacional, durante Congresso Espírita Espanhol-CEI, em Madrid, em novembro de 1992. Na fundação do CEI estavam presentes nove países, sendo Janet Duncan representante do Reino Unido.3

Estivemos com Janet em vários Congressos e eventos promovidos pelo CEI. No período de 30 de março a 1o de abril de 2001 comparecemos ao 4o Encontro da Coordenadoria de Apoio ao Movimento Espírita da Europa, efetivado em Berlim (Alemanha). A reunião foi presidida por Roger Perez (da França) que era o coordenador deste órgão regional do Conselho Espírita Internacional. Estavam presentes representantes da Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Suécia, Suíça e Reino Unido, e alguns membros da Comissão Executiva do CEI. Comparecemos como representante de Nestor João Masotti, secretário geral do CEI – que não pode comparecer porque havia sido eleito presidente da FEB havia 15 dias -, e com a tarefa de lançar La revue spirite, que passava a ser editada pelo CEI, o exemplar do 2o Trimestre de 2001, impressa na Casa Editora O Clarim.1,3

Nesse evento de Berlim aconteceu um fato histórico com o depoimento pessoal que nos fez Janet Duncan, representando o Reino Unido. Repentinamente ela nos confidenciou que se preparou psicologicamente, fez muitas preces antes de viajar a Berlim, comentando conosco sobre um trauma que viveu há muitos anos. Na condição de britânica nascida em 1928, como adolescente viveu os momentos terríveis da 2a Grande Guerra e os efeitos dos bombardeios aéreos praticados pelo regime nazista em Londres e outras cidades de seu país. Em maio de 1945 ela participou exultante com familiares das comemorações do final da Guerra, sendo inesquecível a cena do aparecimento do Rei Jorge VI, seus familiares e Winston Churchill, na sacada do Palácio de Buckingham. Passados mais de cinco décadas ela estava na cidade que havia simbolizado o grande risco ao seu país. Agora como espírita, rendia graças a Deus porque ela vinha a Berlim superando as cismas do passado, em paz e em tarefa de apoio ao movimento espírita.1

Desdobraram-se outros encontros com Janet juntamente com nossa esposa Célia e a visitamos em várias oportunidades. Extrapolando a formalidade britânica, fomos convidados duas vezes para o tradicional chá em sua residência. Até ela nos relatou sobre ramo escocês de sua família e mostrou-nos fotos antigas, e, também comentou sobre as transformações do bairro tradicional em que residia em Londres, após a chegada de imigrantes.

Em abril de 2005, juntamente com Nestor Masotti, desenvolvemos um seminário e acompanhamos em Londres a reunião em que se definia a alteração da entidade representativa do Reino Unido junto ao CEI. Desde a fundação do CEI, o Reino Unido foi representado pelo Allan Kardec Study Group, fundado e representado pela pioneira Janet Duncan. Com o aparecimento de novos centros e a fundação da British Union of Spiritist Societies (BUSS) a definição interna para a alteração da representação britânica junto ao CEI aconteceu em reunião que presenciamos naquela oportunidade. Ocorreram outros eventos em Londres e diversos países onde nos encontramos com Janet.3

Mesmo não mais representando o Reino Unido Janet Duncan prosseguiu em atividades no Allan Kardec Study Group e no início de 2020 teve editado pelo British Union of Spiritist Societies, sua tradução para o inglês da obra O evangelho segundo o espiritismo.

Com respeito e admiração tivemos amizade com Janet Duncan.

Por ocasião de sua desencarnação em Londres no dia 07/01/2026, Janet deixa um legado de muitos esforços, renúncias e dedicação ao movimento espírita: autêntica pioneira do espiritismo no Reino Unido!

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri; Kempf, Charles; Rossi. Elsa. Movimento espírita internacional. Origens, ideais e experiências. São Paulo: CCDPE-SP. 2025. 246p.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Anotações de viagem. Revista internacional de espiritismo. Dezembro de 1973, p.327-330.

3) Carvalho, Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p.

Recordações de datas marcantes

Recordações de datas marcantes

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O primeiro dia do ano nos leva a algumas lembranças de ordens históricas e sentimentais.
Inicialmente o registro da data de nascimento de Léon Denis, o grande vulto do movimento espírita, autêntico continuador de Allan Kardec e consolidador do espiritismo na França. Suas ações, palestras e livros produziram influências e repercussões marcantes no seu país natal e em vários outros, como no Brasil.
Denis nasceu no dia 1o/01/1846 em Tours e teve uma longa e muita ativa existência corpórea até 1927. Autor de marcantes obras, entre outras. como: “O problema do ser, do destino e da dor”, “No invisível”, “Cristianismo e espiritismo”, “Depois da morte”.
Mantemos grande admiração e respeito pelo vulto histórico do espiritismo!
Em nossa vivência, o dia 1o de janeiro nos remete a recordações sobre a médium Emília Santos, assinala o nascimento dela, no ano de 1896, no interior da Bahia.
Emília Santos teve profunda influência nos contatos iniciais que juntamente com a família tivemos com o espiritismo, nos tempos de Araçatuba (SP). E tudo num período curto e intenso de apenas sete anos, pois ela desencarnou em 1964. Ela foi a responsável pelo fortalecimento espiritual de nossa genitora e de tio, e, em nossa juventude, pela nossa introdução em ações práticas na Instituição Nosso Lar.
Em homenagem e gratidão a ela nosso tio Rolandinho criou a Casa da Sopa Emília Santos, como dependência da obra matriz, a Instituição Nosso Lar, esta fundada por ela, pela médium e nossa genitora Bebé.
A inauguração da Casa da Sopa Emília Santos ocorreu na data do natalício da médium: 1o de janeiro de 1966. Foi um evento marcante com a presença de convidados e colaboradores na campanha para a construção.
A inauguração dessa Casa nos remete a duas recordações sobre nossa participação. Na época, éramos presidente de Mocidade Espírita da Instituição que fundamos por sugestão dessa médium. Mantínhamos várias ações na Instituição Nosso Lar e dentro de pendores e habilidades que desenvolvíamos, elaboramos a capa do livrinho “Gotas espirituais”, com conteúdo organizado por José Rubens Braga da Silva, colaborador e expositor da Instituição. Esse livrinho foi utilizado como parte da campanha para a construção da obra. Outro detalhe, foi a incumbência que recebemos na época de organizar o jardim da Casa da Sopa.
Além das tradicionais reuniões nas passagens de ano, sempre valorizadas em nossa família, ficou muito marcada a evocação que ora registramos.
Fonte:
Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021.

Os homens de boa vontade no ano novo

Os homens de boa vontade no ano novo

Antonio Cesar Perri de Carvalho

A passagem para um novo ano sempre motivou o homem e enseja esperanças de melhorias e expectativas de num mundo melhor.

Na realidade, um novo ano é uma mudança formal no calendário e naturalmente, na prática, é uma sequência de fatos e compromissos que vêm se desenrolando.

No contexto social há busca de soluções nas áreas políticas, econômicas, sociais, educacionais, de saúde, e, sem dúvida, com repercussões no próprio movimento espírita, que faz parte da sociedade.

Em todos os cenários, são homens encarnados os responsáveis pelas decisões e ações e vale a pena se recordar da obra “A Gênese”, de Allan Kardec, que no Cap. I encontra-se o registro: “Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem”.

Nessa mesma obra de Kardec, no Cap. XVIII, há considerações sobre a longa etapa que vivemos, os “Sinais dos tempos”. O Codificador destaca: “A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres.”

Para o Espiritismo fica claro que o livre-arbítrio e o real compromisso de aprimoramento moral e espiritual dos homens estão na base das esperadas transformações que poderão se fortalecer num novo e melhor ano.

A propósito, recordamos da pioneira psicografia de Chico Xavier sobre união: “Em nome do Evangelho” (Emmanuel, 1948), de onde destacamos os trechos: “O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora. […] unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens, servindo e esperando o futuro, em seu exemplo de abnegação, para que todos sejamos um…” (Carvalho, Antonio Cesar Perri. Emmanuel. Trajetória espiritual e atuação com Chico Xavier. O Clarim). Nesse “mundo conturbado”, deve haver esforço para a disseminação do roteiro preconizado pelo Cristo, inclusive com o empenho dos espíritas.

É o apelo para os “homens de boa vontade” com que os espíritos anunciaram as “novas de grande alegria” por ocasião do nascimento de Jesus (Lucas 2: 10, 14).

O espírito Casimiro Cunha escreveu o poema “Carta de Ano Bom” (Xavier, Francisco Cândido. Espírito Casimiro Cunha. Cartas do Evangelho. São Paulo: Lake), de onde extraímos alguns trechos:

“Entre um ano que se vai

E outro que se inicia,

Há sempre nova esperança,

Promessas de Novo Dia…

 

[…] Considera, meu amigo,

Nesse pequeno intervalo,

Todo o tempo que perdeste

Sem saber aproveitá-lo.

 

[…] Ano Novo!… Pede ao Céu

Que te proteja o trabalho,

Que te conceda na fé

O mais sublime agasalho.

 

[…] Ano Bom!… Deus te abençoe

No esforço que te conduz

Das sombras tristes da Terra

Para as bênçãos de Jesus.”

Que o ano novo seja melhor para todos nós!

NATAL

NATAL

Meus irmãos,

 

Natal à vista, e começa a correria, 

fazem bazar,

fazem lista,

para a festa da alegria.

 

Uma faz louça bonita,

outra borda uma sacola

que se transforma em Pedrita,

em peteca ou numa bola.

 

Outra ainda faz vestidinho,

short, camisa, avental,

tudo com muito carinho,

com ternura fraternal.

 

Meus irmãos, ao dar aos pobres,

uma roupinha, um pão-doce,

estamos dando “migalhas”,

pelo que Jesus nos trouxe.

 

E, Ele, nos trouxe a Verdade,

nos deu da vida o Caminho,

ainda hoje nos aquece,

com Seu amparo e carinho.

 

E todos nós nos lembramos,

de que Ele nos disse assim:

o que fizerdes a eles,

estareis fazendo a mim.

 

Continuemos, portanto,

na tarefa fraternal

e teremos festa e tanto

meus irmãos, neste Natal.

Noel Rosa

Mensagem recebida no Culto do Evangelho no Lar de Martha, médium que a recebeu, em São Paulo, no dia 20 de setembro de 1968. Acreditamos que esta poesia não tenha sido publicada. Em setembro de 1967 foi fundado em Araçatuba o Coral Espírita Noel Rosa por iniciativa do Departamento de Mocidades da União Municipal Espírita de Araçatuba e estímulo da Professora Luiza Cardoso (da FEESP, de São Paulo). Esta, numa das viagens a Araçatuba, trouxe a poesia manuscrita endereçada aos integrantes do grupo. A médium Martha Gallego Thomaz desencarnou com 99 anos aos 4 de setembro de 2014. (DE: https://www.noticiasespiritas.com.br/2025/DEZEMBRO/18-12-2025.htm)

Na foto, de setembro de 1968, está o Coral Espírita Noel Rosa, em dia de apresentação em Araçatuba (SP). Entre os integrantes, jovens das famílias Rey, Rosa, Gobbi, Pagan, Bizzo. Entre estes, atuantes no movimento na atualidade: Célia Maria Rey de Carvalho, Maria Luzia de Almeida Rosa, Ismael Gobi. Na época, Cesar Perri era o diretor do Departamento de Mocidades da União Municipal Espírita de Araçatuba.

Os cultos a Maria e o modelo de Jesus

Os cultos a Maria e o modelo de Jesus

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Nos primeiros meses à frente da Igreja Católica, o papa Leão XIV aprovou documentos que reacendem debates dentro e fora da Igreja Católica.

Entre os documentos recentes, abordou temas como o papel de Maria. O Vaticano impôs limites para veneração a Maria, com o objetivo de evitar interpretações equivocadas sobre a devoção mariana, na tentativa de encerrar um debate que divide teólogos há décadas.

A nova orientação papal reforça que “Jesus é o único Salvador” e desaconselhou o uso do título “corredentora” para Maria, destacando que "Esse título… (pode) criar confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã."1

Por mera coincidência o recente documento papal surge dias após as intensas comemorações no Brasil da “padroeira Nossa Senhora da Aparecida” na Basílica de mesmo nome e do tradicional “círio de Nazaré” de Belém do Pará.

Todavia não é apenas no Brasil, entre muitos outros, há os tradicionais santuários de Fátima (Portugal), de Lourdes (França), de Guadalupe (México)… Além das celebrações e igrejas com estes nomes no Brasil também há muitas designações de “nossas senhoras”, como a da Conceição e outras, e, a veneração de suas imagens, procissões, promessas, novenas etc.

Aliás, é pouco divulgado que antes da proclamação oficial de Nossa Senhora Aparecida como “padroeira” do Brasil, a partir de decreto assinado no Vaticano em 16 de julho de 1930, durante o pontificado do Papa Pio XI, havia um outro “padroeiro” do país. Era São Pedro de Alcântara, por solicitação de Dom Pedro I ao papa Leão XII em 1826.2

Fica claro que as decisões de “padroeiros” são decisões humanas, algumas loco-regionais e outras do Vaticano.2

O fato é que as chamadas “Nossas Senhoras” – com aparições espirituais em várias partes do mundo e que foram identificadas como sendo a mãe de Jesus, devem ser aparições de espíritos, alguns com traços de luminosidade e os espectadores, não conhecendo o fenômeno e imbuídos pelo misticismo de religiões tradicionais, logo inferem como sendo a mãe de Jesus.2

Evidentemente que não estamos questionando o mérito do notável espírito, a personalidade sublimada de Maria.

Na literatura espírita há inúmeras referências sobre o papel de Maria como mãe de Jesus e sobre suas ações espirituais. Inclusive há um livro Maria, a mãe de Jesus3, uma antologia que reúne vários textos sobre Maria, incluindo preces, depoimentos de encarnados e desencarnados. Trata-se de textos psicografados por Chico Xavier, Yvonne Pereira e outros médiuns. Há temas como a figura maternal de Maria e suas atividades na espiritualidade.

Isso posto, parece-nos claro que o papa Leão XIV põe limites na chamada “mariolatria”, caracterizada pelos tradicionais cultos, peregrinações e procissões em torno de imagens criadas pelos homens a partir, provavelmente, de aparições e visões espirituais não compreendidas e com venerações às suas imagens que ornam os templos religiosos e dão nome a eles.

Na base do espiritismo, em O livro dos espíritos, esclarece-se que “a adoração verdadeira é do coração”, e, que Jesus é “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”.4

Ao ensejo da proximidade das comemorações do Natal, que assinala o episódio do nascimento de Jesus, é oportuna a reflexão em torno do vulto marcante e da mensagem de Jesus.

Que o Natal represente mais uma oportunidade para que a mensagem de Jesus se desenvolva nos corações e seja um efetivo roteiro.

Bibliografia:

1) Internet: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/12/05/papel-de-maria-poliamor-e-sexo-no-casamento-leao-xiv-inicia-papado-com-declaracoes-polemicas-do-vaticano-veja-lista.ghtml

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Padroeiros do Brasil: história e reflexões. Revista internacional de espiritismo. Ano C. No 11. Dezembro de 2025. Site GEECX: https://grupochicoxavier.com.br/padroeiros-do-brasil/

3) Xavier, Francisco Cândido; Pereira, Yvonne Amaral; Carneiro, Edison (org.). Maria, mãe de Jesus. 2ª e. São Paulo: Ed. Aliança. 2011.

4) Kardec, Allan. (Trad. Ribeiro, Guillon). O livro dos espíritos. Q. 625 e 653. Brasília: FEB.

Concílio de Niceia completa 1700 anos: a homenagem do Papa e a visão espírita

Concílio de Niceia completa 1700 anos: a homenagem do Papa e a visão espírita

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Na primeira viagem ao exterior desde sua posse em maio, o papa Leão XIV visitou a Turquia. O roteiro papal começou com a comemoração dos 1.700 anos do Concílio de Niceia. A novidade na viagem do Papa estendendo pelo Líbano foi a interação interreligiosa, solicitando coexistência pacífica entre as religiões.

A efeméride evocada sobre o histórico Concílio nos remete ao evento coordenado pelo imperador romano Constantino que reuniu centenas de lideranças cristãs do Império Romano na cidade de Niceia, atualmente a cidade turca Iznik.

O fato merece visões históricas e espíritas.

A decisão firmada em Milão no ano 313 pelos imperadores Constantino (período 306-337 d.C.), pessoalmente convertido, e Licínio concedeu “aos cristãos, como a todos, a liberdade de poder praticar a religião de sua escolha de modo que o que há de divino na morada celeste possa ser benévolo e propício”.1

O imperador Constantino foi chamado por representantes cristãos para interferir nas polêmicas das lideranças cristãs e resolveu reunir todos os bispos em Niceia (hoje Iznik) no ano 325. A sessão de abertura ocorreu no dia 20 de maio de 325 no palácio imperial de Niceia, onde Constantino presidiu a sessão inaugural e este se reservava o direito de intervir diretamente nos trabalhos da assembleia. Até sua conclusão, provavelmente por volta do dia 25 de julho, o Imperador se manteve como papel destacado da assembleia. Foi encerrado com as celebrações pelos vinte anos do reinado de Constantino.1

A proposta de Constantino visava conseguir a pacificação entre as facções de cristãos e a nova organização da Igreja, que já se tornara importante instituição de apoio ao Império Romano. Constantino conferiu aos decretos do concílio validade de leis do Estado.

Com o Concílio de Niceia, inicia-se claramente a nova etapa do cristianismo, de institucionalização da Igreja Católica Apostólica Romana. A rigor, seria a data real de nascimento dessa religião que o Papa comemorou 1700 anos.

Os exemplos marcantes vividos pelos cristãos idealistas sofreram alguns comprometimentos a partir dos momentos em que a religião cristã se ligou ao Estado Romano, tendo como marco o Concílio de Niceia.

Léon Denis comenta que: “[…] a concepção trinitária, tão obscura e tão incompreensível, oferecia, entretanto, grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus-Cristo um Deus. Conferia ao poderoso Espírito, a que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor sobre ela recaía e assegurava o seu poder. Nisso está o segredo da sua adoção pelo concílio de Niceia”.2

As alterações no desenvolvimento do cristianismo, a partir de decisões desse Concílio e de outros que se seguiram, são analisadas em obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier – A caminho da luz - que focaliza a trajetória da Civilização: “[…] Os primeiros dogmas católicos saem, com força de lei, desse parlamento eclesiástico de 325. […] O Cristianismo, porém, já não aparecia com aquela mesma humildade de outros tempos. Suas cruzes e cálices deixavam entrever a cooperação do ouro e das pedrarias, mal lembrando a madeira tosca, da época gloriosa das virtudes apostólicas. Seus concílios, como os de Niceia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia, não eram assembleias que imitassem as reuniões plácidas e humildes da Galileia. A união com o Estado era motivo para grandes espetáculos de riqueza e vaidade orgulhosa, em contraposição com os ensinos d'Aquele que não possuía uma pedra para repousar a cabeça dolorida.”3

Em outra obra, intitulada Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier há comentários relacionados com fatos imediatos ao Concílio de Niceia: “A história da Igreja cristã nos primitivos séculos está cheia de heroísmos santificantes e de redentoras abnegações. Nas dez principais perseguições aos cristãos, de Nero a Diocleciano, vemos, pelo testemunho da História, gestos de beleza moral, dignos de monumentos imperecíveis. […] Nos primitivos movimentos de propaganda da nova fé, não possuíam nenhuma supremacia os bispos romanos entre os seus companheiros de episcopado e a Igreja era pura e simples, como nos tempos que se seguiram ao regresso do seu divino fundador às regiões da Luz. As primeiras reformas surgiram no quarto século da vossa era, quando Basílio de Cesareia e Gregório Nazianzeno instituíram o culto aos santos. Os bispos romanos sempre desejaram exercer injustificável primazia entre os seus coirmãos; […] desde o primeiro concílio ecumênico de Niceia, convocado para condenação da cisma de Ário, continuaram as reuniões desses parlamentos eclesiásticos, onde eram debatidos todos os problemas que interessavam ao movimento cristão. Datam dessas famosas reuniões as inovações desfiguradoras da beleza simples do Evangelho; ainda aí, contudo, nesses primeiros séculos que sucederam à implantação da doutrina de Jesus, destinada a exercer tão acentuada influência na legislação de todos os povos, não se conhecia, em absoluto, a hegemonia da Igreja de Roma entre as outras congêneres.”4

O intelectual e jornalista espírita paulista, Wallace Leal Valentim Rodrigues escreveu a obra A esquina de pedra5, contendo relatos históricos e descrições inspiradas sobre fatos que se passam em momentos próximos ao Concílio de Niceia, época de muitos sacrifícios de cristãos no período (284 a 305 d.C.) do imperador Diocleciano. O autor focalizou situações e polêmicas em que ocorreram as descaracterizações do cristianismo primitivo e puro.

A rememoração do Concílio de Niceia deve ser motivo para o estudo e reflexão, para se evitar recidivas históricas em situações enganosas do passado, para a profilaxia de novas "pedras de tropeço" (1 Pedro 2, 8).

Allan Kardec foi muito lúcido ao trazer e defender os laços morais do Evangelho de Jesus para o Espiritismo, utilizando-os como religião natural, de comunhão de pensamentos e fraternidade, que deve ser a tônica de atuação do "Consolador prometido por Jesus"!

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Cristianismo nos séculos iniciais. Análise histórica e visão espírita. Matão: O Clarim. 2018. 286p.

2) Denis, Léon. Trad. Cirne, Leopoldo. Cristianismo e espiritismo. Cap. Alteração do cristianismo. Os dogmas. Rio de Janeiro: FEB. 2013.

3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. A caminho da luz. Cap. 16. Brasília: FEB. 2013.

4) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Emmanuel. Cap. 3.2 e 3.3. Brasília: FEB. 2013.

5) Rodrigues, Wallace Leal V. A esquina de pedra. Matão: Ed. O Clarim. 2003. 411p.

Interesse internacional iniciou-se em Araçatuba

Interesse internacional iniciou-se em Araçatuba

 

      

Antonio Cesar Perri de Carvalhos

Um mês após o lançamento do livro Movimento Espírita Internacionali. Origens, ideais e experiências em evento público e concorrido na sede do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo (em São Paulo), que o editou, o evento presencial seguinte de apresentação da nova obra aconteceu em Araçatuba (SP).
A mera coincidência (seria isso mesmo?) do segundo evento publico acontecer em nossa terra natal realmente tem significados e recordações.
Naquela cidade iniciamos nossas atividades no movimento espírita há 61 anos. Entre compromissos diversos, desde a juventude acompanhávamos as notícias internacionais publicadas em Anuário Espírita (do IDE) e na Revista Internacional de Espíritismo (de O Clarim).
Por essas publicações soubemos da histórica viagem de Chico Xavier e Waldo Vieira aos Estados Unidos e alguns países da Europa, em 1965. Logo depois adquirimos a 1ª edição do livro Entre irmãos de outras terras, contendo mensagens psicografadas pelos dois médiuns nesta viagem e editado pela FEB em 1966.
Logo depois, já mantendo amizade com Divaldo Pereira Franco passamos a acompanhar as viagens internacionais que ele empreendeu, iniciando pela Argentina.
Em viagens particulares em 1971 e 1973 procuramos conhecer locais relacionados com o Espiritismo e pesquisas mediúnicas na Inglaterra e na França. Assim, surgiu nosso primeiro artigo sobre essas visitas, publicado na Revista Internacional de Espiritismo (dezembro de 1973).
Tarefa que nos marcou foi a responsabilidade pela seção “Periódicos Estrangeiros” na Revista Internacional de Espiritismo, a partir de 1980. A Casa Editora O Clarim nos enviava pelo correio para nossa residência em Araçatuba todas as publicações estrangeiras que recebiam e, mensalmente, fazíamos a resenha delas para a citada seção da RIE.
Na condição de docente e depois Pró-Reitor da Universidade Estadual Paulista, empreendemos diversas viagens profissionais e acadêmicas e aproveitamos para manter contato com movimentos espíritas dos Estados Unidos, Cuba, Venezuela.
Em decorrência dessas viagens, contatos e aquisição de obras especializadas, é que elaboramos os livros Os sábios e a senhora Piper. Provas da comunicabilidade dos espíritos e Entre a matéria e o espírito, ambos editados por O Clarim, respectivamente, em 1986 e 1991.
Num crescendo de leituras e contatos, atuamos no 1o Congresso Espírita Internacional (Brasília, 1989) e passamos a acompanhar os preparativos para a fundação do Conselho Espírita Internacional. A partir daí, já residindo em São Paulo e depois em Brasília, acompanhamos os esforços e ações de Nestor Masotti e vivenciamos intensamente as atividades do Conselho Espírita Internacional durante 16 anos.
Esses fatos, ora sintetizados, integram nossos relatos e depoimentos no livro recente Movimento Espírita Internacional.
Assim, nosso interesse ações iniciais pelas atividades internacionais iniciaram-se no período em que residíamos em Araçatuba.
Nada mais natural que após o lançamento oficial na sede da Editora, o CCDPE, em São Paulo, num preito de reconhecimento e gratidão, fizéssemos lançamento presencial em nossa terra natal.
Acesso ao livro (copie e cole):

https://ccdpe.org.br/produto/movimento-espirita-internacional-origens-ideais-e-experiencias/

A ciência, as escolhas e a moral da vida

A ciência, as escolhas e a moral da vida

Djalma Santos

A Terra passa por uma profunda transformação, em que tudo será remodelado: as leis, os costumes, as religiões, as ciências, as artes, a filosofia e a organização das nações, passando pelo livre arbítrio, que é um instrumento divino concedido por Deus para que o homem terrestre possa escolher livremente o seu próprio destino, mas que é apenas a liberdade de escolher e não a capacidade de escolhas.

E é exatamente por isso que as pessoas se confundem e pensam que são sábias e seguras, sem se dar conta de que, todas vezes que pensamos ou falamos, estamos nos comprometendo com o bem ou com o mal, numa troca incessante de energias com os nossos semelhantes.

A vida é um processo eterno de escolhas; escolhemos todos os dias, desde a hora em que levantamos após o sono, até a hora de dormir; e até mesmo dormindo, escolhemos as nossas companhias, que aparecem em nossos sonhos, e é exatamente por isso que precisamos ser criteriosos em nossas escolhas; porque vive melhor quem aprende a escolher.

De um modo geral, gostamos das escolhas erradas, porque são as que dão maior prazer e, consequentemente, satisfazem os nossos instintos grosseiros; mas chegará uma hora em que teremos de refletir sobre o que estamos fazendo e sobre o que já fizemos, porque no fundo de nossa consciência sabemos perfeitamente o que é certo e o que é errado, mas ainda assim continuamos na prática do mal, devido ao enraizamento do mal em nossos corações, e isso é tão real, que o Apóstolo Paulo confessou em uma de suas Epistolas aos gentios:

[…] “o bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço, porque não é o mal que está em mim, mas o pecado que está dentro de mim”.

Paulo, o maior seguidor do Cristo de todos os tempos, confessa humildemente que é muito difícil se afastar dos vícios, desejos e paixões, que nos acompanham há séculos e só mesmo um desejo forte, aliado a uma fé inabalável, pode estancar essa sangria de erros e equívocos, aos quais estamos acostumados e viciados.

Todo esse acervo de pecados nos leva ao sofrimento e à dor, deixando-nos tristes e desesperados, sem saber o que fazer diante das tempestades, que nós mesmos desencadeamos; mas chegará a hora em que teremos que, obrigatoriamente, ouvir a voz da nossa consciência imortal, nosso advogado, nosso promotor e, principalmente o juiz, que estará sempre conosco, aqui ou no além, julgando, punindo ou absolvendo faltas leves, médias ou graves, provocadas pela nossa intemperança mental.

Aproxima-se o dia que vem raiando de sublime redenção, já aparecendo os primeiros clarões dessa alvorada de luz, de paz, de alegria e felicidade; dessa manhã de risos e esperanças, despontando sob um sol radiante a luz do espiritismo, que vem consolar as almas e iluminar as consciências terrestres, e aproximar a humanidade de Deus.

Está chegando o momento da libertação, que só irá com o trabalho, com a prece, silêncio, recolhimento, leitura edificante e o culto no lar.

Precisamos voltar nosso pensamento para Jesus, e o nosso olhar para o alto, pedindo a Deus que nos dê a luz necessária para que possamos compreender suas Leis e seus desígnios, e analisar as luminosas palavras contidas no Evangelho de Jesus.

A Terra se aproxima do mundo de Regeneração, sob a supervisão do querido mestre Jesus, apoiando aqueles que se sacrificam para remodelar o Planeta, em especial os que se empenham em divulgar a Doutrina do Consolador, propagando seus ensinamentos.

Estamos terminando o ciclo de planeta de provas e expiações, caminhando para a ascensão a mundos superiores.

Referências:

Evolução em dois Mundos, André Luiz – psicografia Chico Xavier.

Evolução para o Terceiro Milênio, Carlos Toledo Rizzini.

A Gênese, Allan Kardec.

Transcrito de Correio Fraterno, Agosto 2020 (copie e cole):

https://www.correioespirita.org.br/categorias/ciencia-e-espiritismo/4031-a-ciencia-as-escolhas-e-a-moral-da-vida