Epístolas de Paulo, O Livro dos Espíritos e a atualidade

Epístolas de Paulo, O Livro dos Espíritos e a atualidade

Na noite do dia 22 de junho Antonio Cesar Perri de Carvalho proferiu a palestra on line “Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo”, com base no seu livro editado por "O Clarim", e relacionando com “O Livro dos Espíritos” e com cenários da atualidade. Foi evento virtual alusivo aos 71 anos de fundação da Associação Espírita Paulo de Tarso, do bairro Penha, de São Paulo.

Link (copie e cole):

https://youtu.be/yN-8c7Aq6Vs

Lembranças das datas de Benedita e Chico Xavier

Lembranças das datas de Benedita e Chico Xavier

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No dia 27 de junho transcorrem 137 anos de nascimento de Benedita Fernandes (1883-1947), pioneira da assistencial social espírita em Araçatuba e região.

Acometida da chamada “loucura”, perdeu contato com a família e vagou pelo Estado até chegar em Penápolis. Em função dos temores que ela provocava na população acharam prudente colocá-la numa cela da Cadeia Pública. Por coincidência o carcereiro era espírita e observou que ela seria portadora de uma cruel obsessão espiritual. O carcereiro Padial e o dirigente espírita João Marchezi se dispuseram a tratá-la espiritualmente e ela recobrou a consciência.

Em meados dos anos 1920 Benedita se estabeleceu em Araçatuba e começou a trabalhar como lavadeira no então Patrimônio de Dona Ida, atual bairro Santana. Grata pela cura obtida resolveu se dedicar com as companheiras lavadeiras a atender crianças abandonadas e aqueles que eram rotulados de “loucos”. A todos atendia com carinho e autoridade e, como médium, conseguia equilibrá-los. Aos 06/03/1932 ela fundou a Associação das Senhoras Cristãs. Dessa Associação, contando com o apoio dos espíritas, maçons, autoridades e população em geral, surgiram várias obras assistenciais e principalmente o Sanatório, depois conhecido como Hospital Psiquiátrico Benedita Fernandes.

Benedita tornou-se um ícone, como pioneira da assistencial social espírita e merecendo o respeito da comunidade. Era muito prestativa, atendendo as pessoas com a aplicação do chamado passe. Nessa condição certa feita foi levada à residência de uma bisavó nossa, atendendo-a e suscitando respeito e admiração em nossa família.

Em função de mudanças na política governamental de saúde mental, o Hospital foi encerrado e substituído pelos CAPS, sendo que o Centro de Apoio Psicossocial, com o nome dela e contando com o apoio de voluntários vinculados à Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes. Com Contratos de Gestão com a Prefeitura Municipal de Araçatuba surgiram: CAPS I – Centro de Atenção Psicossocial Infantil, CAPS III – Centro de Atenção Psicossocial Adulto e duas Residências Terapêuticas.

No final de 2020, será lançado o filme “Benedita: uma heroína invisível. O legado da superação”, com roteiro e direção de Sirlei Nogueira (de Araçatuba, SP); co-produção: Lalucci Filme e Cocriação Editora; direção de produção Samuel Lalucci. O filme se baseia nosso livro Benedita Fernandes. A dama da caridade (Ed.Cocriação/USE Regional de Araçatuba). Conta com um clipe especial, com música tema de Paula Zampp e maestro Mário Henrique; intérpretes Paula Zampp e Gabriel Rocha. Atua como atriz principal Sílvia Tiodoro, que interpreta Benedita. Há entrevistas e depoimentos de várias pessoas, inclusive conosco como autor do livro.

No dia 30 de junho completa-se 18 anos da desencarnação de Chico Xavier (1910-2002). Com uma longa vida dedicada ao próximo e intermediário de centenas de espíritos, tornou-se o principal médium da história do Espiritismo.

Mais de quatro centenas de livros psicográficos em vários estilos. Podemos destacar: os romances históricos, comentários doutrinários, sobre as obras de Kardec, descrições sobre o mundo espiritual, comentários sobre o Novo Testamento, crônicas, poesias e as famosas cartas familiares. As obras de Chico Xavier ensejaram a elaboração de peças teatrais, filmes, documentários e pesquisas. Inúmeras entrevistas estão disponíveis em textos e gravações.

O exemplo de vida e suas obras mediúnicas representaram um autêntico “divisor de águas” no movimento espírita brasileiro e Chico Xavier passou a ser uma referência para o povo brasileiro. Ao longo de duas décadas nós tivemos o privilégio de visitá-lo e de acompanhar suas atividades na Comunhão Espírita Cristã e no Grupo Espírita da Prece. Sempre atencioso conosco e familiares, entre outros comentários, com constância fazia referência ao espírito Benedita Fernandes.

Aliás, uma mensagem que muito nos marcou na nossa juventude, foi a de autoria do espírito Hilário Silva intitulada “Num domingo de calor”. Eis uns trechos:

"Benedita Fernandes, abnegada fundadora da Associação das Senhoras Espíritas Cristãs, de Araçatuba, no Estado de São Paulo, foi convidada para uma reunião de damas consagradas à caridade, para exame de vários problemas ligados a obras de assistência. E porque se dedicava, particularmente, aos obsidiados e doentes mentais, não pode esquivar-se. […] Entretanto, a presença da conhecida missionária causava espécie. O domingo era de imenso calor e Benedita ostentava compacto mantô de lã, apenas compreensível em tempo de frio. Benedita Fernandes, embora constrangida, obedeceu com humildade e só aí as damas presentes puderam ver que a mulher admirável, que sustentava em Araçatuba dezenas de enfermos, com o suor do próprio rosto, envergava singelo vestido de chitão com remendos enormes.” (Psicografia pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da noite de 27/7/1963).

Fontes:

- Carvalho, Antonio Cesar. Benedita Fernandes. A dama da caridade. Araçatuba: Ed.Cocriação/USE Regional de Araçatuba. 2017.

- Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e as repercussões. 1.ed. Capivari: EME; São Paulo: USE-SP. 2019. 224p.

(Foi dirigente espírita em Araçatuba, presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e da Federação Espírita Brasileira).

Fardo leve com exemplos de vidas

Fardo leve com exemplos de vidas

Na reunião virtual da tarde do dia 25 de junho, a equipe mediúnica IV do Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo, contou com exposição evangélica por Cesar Perri que abordou trecho do cap. “O Cristo Consolador” de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, sobre o “jugo leve”: “Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo” (Mateus, 11: 28 a 30). Ilustrou com exemplos de vida de superação de Benedita Fernandes (pioneira de Araçatuba) e o atual maestro João Carlos Martins. As vibrações foram feitas por Helena Silveira; a coordenação por Glória Martins Miranda e com números de piano por Margarida Helena Garabedian.

As mensagens do Espírito de Verdade no estudo do Evangelho

As mensagens do Espírito de Verdade no estudo do Evangelho

Em prosseguimento ao estudo a distância de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, no Cap. VI – O Cristo Consolador, na noite do dia 23 de junho foram estudadas as mensagens do Espírito de Verdade. Trata-se do grupo de estudo do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita, de São Paulo. Mirna Nakano focalizou trecho do livro “O Espírito e o Tempo” de Herculano Pires que destacou o papel de predecessores do Espiritismo e com base em “História do Espiritualismo” de Conan Doyle, focalizou Swedenborg e Andrew Jackson Davis. Em seguida Maria José e Caroline analisaram o conteúdo das mensagens do Espírito de Verdade. A reunião foi coordenada por Cesar Perri, com apoio técnico de André Fernandes.

A pandemia e suas repercussões na Casa Espírita

A pandemia e suas repercussões na Casa Espírita

Palestra a distância de Antonio Cesar Perri de Carvalho promovida pela Fraternidade Espírita Recanto de Paz, de Diadema, em conjunto com as USEs Distritais de Diadema e de São Bernardo do Campo. Na noite do dia 24 de junho e coordenada por Fredson Ribeiro.

Acesse o link:

A PANDEMIA E SUAS REPERCUSSÕES NO CENTRO ESPÍRITA

Cesar Perri, Ex presidente da FEB e da USE estadual de SP, estará conosco na nossa Centésima Live e compartilhará valiosas reflexões sobre as repercussões da pandemia nas nossas casas espíritas, quando estiverem reabrindo.

Publicado por Recanto de PAZ em Quarta-feira, 24 de junho de 2020

“Páginas de Gratidão”, de Chico Xavier

Páginas de Gratidão, de Chico Xavier

O livro Páginas de Gratidão, inédito e lançado pelo Grupo Espírita Emmanuel – GEEM, de São Bernardo do Campo, traz os discursos de Chico Xavier ao receber nos anos 1970 títulos de cidadania em seis cidades: São Bernardo do Campo, o então Estado da Guanabara (Rio de Janeiro), São Paulo, Campinas, Araguari e Belo Horizonte. O organizador Caio Ramacciotti, destaca que inspirado por Emmanuel, em cada solenidade legislativa Chico fazia revelações surpreendentes. Por exemplo, várias informações sobre o padre Manuel da Nóbrega e João Ramalho, no evento público de São Paulo; em Campinas destacou Carlos Gomes. Sobre esta última foi incluído no livro comentários do reconhecido historiador de Campinas-SP, Jolumá Britto, que na época enviou uma apreciação confirmatória de episódios citados por Chico, ao dr, Mário Tamassía, que era uma referência espírita de Campinas. O novo livro traz subsídios para os estudiosos da vida de Chico Xavier e contribuiu para a compreensão espiritual de episódios históricos das cidades citadas.

Informações (copie e cole):

http://www.geem.com.br/paginas-de-gratidao

Reunião virtual destaca pensamento e harmonia

Reunião virtual destaca pensamento e harmonia

No horário habitual das reuniões mediúnicas semanais, a equipe fez uma reunião a distância de vibrações, no dia 18 de junho. Comentários evangélicos por Maristela Harada, que focalizou a força do pensamento e a harmonia para distribuição do amor. Entre outras obras, citou: “Imaginar é criar. E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos receber” – André Luiz (“Nos Domínios da Mediunidade”, Cap. Pensamento e mediunidade). A coordenação foi feita por: Glória Martins Miranda; vibrações: Maria Alice Vaquero; pianista: Margarida Helena Garabedian. Essa é uma das equipes do Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo, onde atua a família Perri.

Estudo sobre Cristo Consolador

Estudo sobre Cristo Consolador

“O Cristo Consolador” é um tema oportuno para o momento. Foi o foco do estudo virtual realizado na noite do dia 16 de junho, com base no cap.VI de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, pelo grupo que semanalmente se dedica a essa obra de Kardec no Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita, de São Paulo. Os versículos de João sobre o Consolador Prometido foram analisados por Flávio Rey de Carvalho, seguindo-se a participação dos integrantes desse estudo. A reunião foi dirigida por Cesar Perri. A parte técnica é de responsabilidade de André Fernandes. Haverá continuidade dessa análise.

O impacto emocional no fechamento das casas espíritas

Matéria para reflexão e estudo:

Entrevista

O impacto emocional no fechamento das casas espíritas

Eliana Haddad

Atuando como diretor do Departamento de Atendimento Espiritual no Centro Espírita, da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, o psicólogo Fernando Porto analisa este momento desafiador da história da humanidade. Ele destaca a importância da atenção dos dirigentes e lideranças espíritas sobre os impactos que sofrerão a participação e frequência nas casas espíritas e fala sobre as mudanças dos hábitos e os problemas emocionais e espirituais ocasionados pela crise. Acompanhe a entrevista.

1 – Como você analisa essa experiência do fechamento dos centros espíritas?

Fernando – Essa questão nos permite uma inadiável reflexão sobre o verdadeiro papel do centro espírita perante a sua comunidade e a sociedade. O saudoso filósofo Herculano Pires já havia nos alertado que “se os espíritas soubessem o que é o centro espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra”. A convivência autêntica se estabelece pela comunhão de pensamentos guiados a um propósito comum. A quantidade de pessoas não garante conexão com a espiritualidade superior, mas a ‘afinidade e sintonia’ no verdadeiro bem. Será que nós temos valorizado e aproveitado nosso tempo de convivência no centro espírita, ou buscado frequentá-lo apenas em benefício próprio? Ele tem sido um espaço para estudo e reforma íntima ou para uma atitude passiva, conforme hábitos religiosos antigos? Em relação ao fechamento das instituições, é preciso considerar a necessidade de respeitar as autoridades sanitárias perante a pandemia, e considerar a situação de cada região, para que não nos tornemos agentes de perturbação.

2 – Muitas atividades realizadas antes presencialmente estão sendo substituídas por lives, estudos online, encontros virtuais. Isso é bom ou ruim para nossa evolução?

Fernando – O benfeitor Emmanuel na obra Paulo e Estevão nos ensina que “o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida”. Assim como o ‘pastor conhece suas ovelhas’, o dirigente espírita precisa estar conectado às necessidades do público frequentador do centro espírita e, se os dispositivos tecnológicos são as ferramentas disponíveis no momento, cabe aos responsáveis se inteirarem de seu funcionamento e disponibilizarem alternativas para o público espírita. Nem a tecnologia ou a atividade presencial são os fatores determinantes para nossa evolução. Se não houver a internalização dos princípios espíritas e a sua aplicação na vida prática, de nada adianta o uso da tecnologia mais avançada disponível, pois esta apenas representa um recurso ou instrumento, dependendo a nossa evolução do seu bom uso ou não.

3 – O que traz mais danos emocionais? Este isolamento ou vivermos afastados de nós mesmos, voltados mais para os aspectos exteriores da vida?

Fernando – Existem duas atitudes possíveis por parte do ser humano diante do sofrimento. Enquanto uma parte das pessoas aproveitará a situação de isolamento social para uma reflexão sobre seu estilo de vida, suas prioridades e seus relacionamentos, outros, por já carregarem em seu íntimo conflitos e transtornos psicológicos, se encontrarão em uma condição de maior vulnerabilidade. Há uma crescente preocupação que fatores como decréscimo do poder aquisitivo, isolamento social, as restrições no acesso aos tratamentos de transtornos mentais e suporte religioso agravem os índices de depressão e suicídio. É difícil prever qual realidade encontraremos no pós-pandemia. Em um cenário otimista, as pessoas terão se adaptado a um novo modo de vida, no qual a realidade virtual suprirá as necessidades mais imediatas; no cenário pessimista, haverá um comprometimento físico e mental em parte da população, e precisaremos estar preparados para o acolhimento fraterno dos nossos irmãos mais necessitados de auxílio. A fé no futuro e a confiança em Deus são condições indispensáveis, em quaisquer circunstâncias para a superação desses transtornos.

4 – Como o centro espírita influencia no equilíbrio emocional de seus frequentadores e trabalhadores?

Fernando – Chegará um dia em que reconheceremos em toda a parte a presença de Deus. Que não se atribua ao dirigente espírita ou ao médium, pessoas falíveis, aquilo que nos compete realizar, afinal o reino dos céus nasce de fato nos corações. O centro espírita tem por missão atender à necessidade geral dos indivíduos, particularmente aos espíritos combalidos pelas angústias do mundo, aos pobres em espírito destituídos do esclarecimento superior e ainda aos necessitados do pão material e espiritual. E é para esses que ele se faz mais necessário.

5 – O afastamento temporário das casas espíritas nos faz pensar o quanto podemos desenvolver relações de dependência emocional com elas. Como podemos avaliar isso?

Fernando – O papel essencial do centro espírita deveria ser o de preparar os espíritas para não dependerem dele. Em outras palavras, em vez de simplesmente enxugarmos as lágrimas, precisamos ensinar o nosso semelhante a sorrir, reconhecer-se como ser imortal, estimular o desenvolvimento de suas potencialidades. A instituição espírita, como qualquer outra, é um meio e não um fim em si mesma.

6 – Você acha que podemos acabar enxergando como desnecessárias as atividades presenciais do centro espírita?

Fernando – O homem é um ser social e tem necessidade de afeto, de demonstrá-lo por meio de gestos e de receber o calor humano da mesma forma. O centro espírita não somente é a nossa escola e oficina de trabalho, como é um espaço que oferece uma atmosfera espiritual saneada para a realização de determinadas atividades específicas. Lembremos da reunião mediúnica na assistência aos desencarnados, das crianças ávidas de afeto e educação, dos idosos reféns da própria solidão, das pessoas que estão em desespero, ou em busca de um lugar onde encontrem paz, pois vivem o conflito constante em seus lares. Alguns podem até pensar que o centro espírita é totalmente desnecessário, pelo menos até o momento em que os problemas baterem em sua porta.

7 – Em sua opinião o que deveriam fazer os dirigentes espíritas ao retornarem as atividades do centro espírita?

Fernando – Deveríamos inicialmente refletir se é conveniente abrir de imediato, mesmo com a autorização das autoridades e pensar de que modo isso será feito e em quais condições as atividades serão desenvolvidas e as novas ações a serem implementadas. Há um ponto essencial a ser debatido no movimento espírita, um aspecto ‘positivo’ da crise que vivemos. Os objetivos principais do espiritismo são o combate à incredulidade e ao fanatismo, a superação das chagas humanas, o egoísmo e o orgulho. Será que o modelo atual vigente, baseado no método catequético no qual o frequentador é colocado em uma postura passiva e cômoda tem nos levado aos resultados que buscamos? Logo, o tempo de que dispomos para a convivência no centro espírita precisa ser suficientemente significativo, marcante e enriquecedor, fundado em relações autênticas, no estudo e na prática legitimamente espíritas. O nosso compromisso exige de nós ir ao encontro do sofrimento do outro, praticar a caridade, estimular os jovens para que se envolvam com centro espírita, compartilhando responsabilidades. A sabedoria diz que não se aplicam velhas soluções para problemas novos. Em outras palavras, o centro espírita necessita se transformar em ‘universidade do espírito’ para formar o cidadão do futuro sintonizado com a regeneração a ser instaurada no mundo.

8 – Sendo a religiosidade uma das caraterísticas do ser humano, você acredita que estamos passando por alguma mudança nessa relação de transcendência?

Fernando – Para que a religiosidade caminhe na direção da verdadeira espiritualidade, é fundamental a mudança de paradigma em relação à nossa compreensão sobre religião, entendendo-a como moralidade e comunhão de pensamentos, sem submissão aos aspectos exteriores. A religiosidade se baseia essencialmente no serviço ao próximo e na consciência reta do dever cumprido. Portanto, para que haja a mudança nessa relação de transcendência, precisamos abrir nossos corações para o amor, estabelecermos uma conexão autêntica com o Criador e nos tornarmos instrumentos de sua vontade pelo bem de todos. Somente assim se cumprirá a promessa do Cristo de que “haverá um só rebanho e um só pastor”.

9 – Quais os nossos maiores desafios emocionais e espirituais no momento?

Fernando – Quando as emoções se desestruturam, ocorrem as ‘perturbações neuróticas’, base de muitos transtornos mentais. As emoções negativas se ‘apoderam’ de nós de uma maneira involuntária. Infelizmente, a maioria das pessoas tem uma falsa impressão de que somos vítimas e não temos responsabilidade alguma sobre o processo. Acreditamos que a culpa pelo que sentimos se deve a fatores externos, aos acontecimentos da vida, ou aos atos e palavras das outras pessoas com as quais convivemos. Por outro lado, em um outro extremo, há aqueles que se culpabilizam e se martirizam, em um processo autodestrutivo, pelos acontecimentos considerados ‘negativos’, segundo seus pontos de vista. O primeiro cuidado a ser tomado é aprender a se responsabilizar pelos próprios sentimentos, combater a rebeldia que nos impede de aceitar a ordem natural das coisas. Faz-se necessário a autoaceitação, porque podemos estabelecer 7 exigências excessivas além da nossa capacidade. O autoconhecimento é o nosso maior desafio, pois ele possibilita a compreensão da exata dimensão de nossos compromissos, da nossa missão aqui na Terra. E, a partir de então, adotar a postura do equilíbrio, na emotividade e no pensamento, na palavra e na ação. Eduquemos nossa vida mental, evitando os fatores causadores de desequilíbrio e buscando a sustentação na meditação, na oração, na leitura edificante e, principalmente, cultivando pensamentos positivos e sentimentos elevados para obtenção de uma saúde mais plena e duradoura.

10 – O que diria para os que estão aflitos, querendo voltar à rotina das palestras, passes e estudos nos centros espíritas?

Fernando – É preciso que sobesem os prós e contras, tenham consciência dos riscos, procurem se informar em fontes fidedignas e sigam os procedimentos de segurança indicados. Pensamos que, se o frequentador pertencer aos grupos de risco, ele deve evitar se expor de modo desnecessário. Quanto aos demais, caso se sintam equilibrados, ponderem a pertinência ou não da participação presencial. O espiritismo é uma doutrina que promove a autonomia, a autoconsciência e a responsabilidade dos atos de cada um a partir de sua livre escolha.

Texto publicado no jornal Correio Fraterno – edição 493 – maio/junho 2020 – p 4 e 5.

Em busca de Kardec – Filme

Em busca de Kardec – Documentário

A morte de uma filha e a procura de uma resposta: da França do século XIX ao Brasil do século XXI.

LANÇAMENTO: Dia 1o de julho, quarta feira, às 20h30 no canal Prime Box Brasil, especializado em documentários.

As reprises serão às 3as feiras, às 12h; sextas, às 10he domingos, às 11h30.

O projeto Trata-se um documentário, rodado na França, na Suíça e no Brasil, cujo protagonista é um cineasta francês que está em busca de sua falecida filha. A narrativa é enriquecida com poemas de Victor Hugo, que a exemplo do cineasta Karim, também perdeu a sua filha. Vivemos com o personagem narrador um mergulho espiritual e filosófico no espiritismo, na França e no Brasil. Esse percurso é repleto de encontros, testemunhos, arquivos inéditos, guiando-nos nos passos de Allan Kardec e sua herança. Construído de modo investigativo, responde às questões essenciais que o filme levanta: a história de Kardec, a história do espiritismo na França, as razões da morte dessa corrente filosófica no velho mundo e sua sobrevivência religiosa no Brasil. Realizadores: Roteiristas: Dora Incontri e Karim Akadiri Soumaïla Diretor: Karim Akadiri Soumaïla Produção: Lighthouse produtora Produção executiva: NightShift Filmes Trilha Sonora: Maycon Ananias (PRS – Petersburg Recording Studio Orchestra).

Teaser: https://www.lighthouse-sp.com/film/em-busca-de-kardec/

ACESSOS PARA LANÇAMENTO:

• O documentário "Em Busca de Kardec" será exibido no canal Prime Box Brasil. Como acessar o canal Prime Box Brasil:

- Oi TV: Canal 85 (Satélite SES-6);

- Claro TV: Canal 156; Canal 656 (HD);

- CCS TV: Canal 41;

- Vivo TV: Canal 540 (satélite Amazonas); Canal 109 (satélite NET: Canal 156; Canal 656 (HD);

- Sky: Canal 157.

Para assistir pela internet é preciso assinar o canal Prime Box: https://boxbrazilplay.com.br/#/