D.Cida, de Uberaba, amiga dos doentes e de Chico

D.Cida, de Uberaba, amiga dos doentes e de Chico

Aparecida Conceição Ferreira (Dona Cida) (*)

A cidade de Uberaba, além de sua beleza e prosperidade, abriga, em seu seio, importantes personagens do movimento espírita brasileiro. Uma delas, que trabalhou ao lado de Chico Xavier, é Dona Aparecida Conceição Ferreira, que se projetou nacionalmente pela fundação do "Hospital do Fogo Selvagem", especializado no tratamento dos portadores do "Pênfigo Foliáceo", uma doença cujos sintomas se assemelham a labaredas que percorrem o corpo e deixam na pele verdadeiras marcas de queimadura.

"Dona Cida" começou esse trabalho no ano de 1957, quando trabalhava como enfermeira no Isolamento da Santa Casa de Uberaba. Como o tratamento do Pênfigo era difícil e dispendioso, o hospital acabou por suprimi-lo. A abnegada servidora de Jesus não titubeou: levou os doentes para a sua própria casa. Pedindo esmolas nas vias públicas e recorrendo aos meios de comunicação, sobretudo com a ajuda dos jornalistas Moacir Jorge e Saulo Gomes, este, através da extinta TV Tupi, e contando com o irrestrito apoio de Chico Xavier, Dona Cida ergueu o grande complexo hospitalar destinado ao tratamento da insidiosa enfermidade. Depois, com a alteração dos estatutos surgiu o "Lar da Caridade", que chegou a abrigar mais de trezentos desamparados ao mesmo tempo.

Embora conhecesse Chico Xavier, e dele recebesse ajuda desde o início, tornou-se espírita somente em 1964. Foi o Chico quem a incentivou a fundar o Centro Espírita "Deus e Caridade", onde ele comparecia para transmitir passes e receber mensagens psicografadas, grande parte delas assinadas por Maria Dolores e Jesus Gonçalves. Em visita à abençoada seareira, agraciada com o título de Cidadã Uberabense por seus méritos, a "Folha Espírita" dela obteve longa entrevista, da qual destaca alguns lances de sua maravilhosa existência.

As origens: "De acordo com os assentamentos nasci em Igarapava, Estado de São Paulo, filha de Maria Abadia de Almeida, às 4 horas da manhã, no dia 19 de maio de 1917. Meus avós maternos foram Manoel Inocêncio Ferreira e Joaquina Angélica de Jesus. Pelos registros tenho a idade de 82 anos, mas acredito que tenha 86. Nunca vi meu pai e fui criada por avô e tio. Casei-me em Igarapava, no dia 14 de junho de 1934, com Clarimundo Emidio Martins. Lá fiquei até a idade de 36 anos, onde tive meus cinco filhos. De Igarapava fui para Nova Ponte, onde exerci o magistério na zona rural."

Em Uberaba: "De Nova Ponte, vim para Uberaba, onde fiz de tudo para manter minha família. Até limpeza de cisternas, porque quando cheguei na chácara onde fui morar não havia o que comer. Então, saía limpando cisternas. Eu descia no fundo dos poços, e eles puxavam o barro. Depois, me dediquei à horta. Os médicos da Beneficência Portuguesa vinham comprar as verduras e com isso não precisava sair vendendo."

Enfermeira: "O dono da chácara foi candidato a Prefeito e perdeu a eleição. Dizia ele que gostava do meu trabalho, mas não daqueles que vinham à minha casa. Verdade seja dita, eu não trabalhei na campanha dele. E eu lhe falava: "Quem vem na minha casa é melhor que eu", e procurei um jeito de sair de lá. Foi uma cabeçada, sofri bastante. Certo dia, o Dr. Jorge me convidou para trabalhar no hospital. Relutei muito, porque o quadro que eu presenciei no Isolamento era terrível: doentes com tuberculose, tétano, febre amarela… Mas acabei aceitando porque a oferta ia subindo, subindo… Afinal, me oferecerem três mil e trezentos, enquanto meu marido ganhava cento e oitenta."

Problemas: "Eu trabalhava no hospital havia dois anos e alguns meses. Venceu o mandato daquela diretoria, e entrou outra. A eleição foi dia 4, e dia 6 eles tomaram posse. Os novos diretores parece que tinham alguma rixa com nosso médico, que era irmão do Pedro Aleixo e partidário da UDN. A turma que ganhou era do PTB. Falaram para mim: "Olha, hoje não tem almoço para os doentes, pode mandar todos pra casa". "Como?" , eu disse, "eles não têm dinheiro, estão ruins." "Ordem dada, ordem executada", replicaram. Ou seja, não havia apelação, os doentes estavam na rua."

Em busca de socorro: "Eu procurava consolar os doentes dizendo-lhes: "Não chorem, não, nós vamos fazer uma passeata e o povo vai nos ajudar" . Fui a uma rádio pediram-me para "refrescar a cabeça", noutra, a mesma coisa, no jornal, igual. Eu não sabia que estava brigando com a nata da cidade: Prefeito, Escola de Medicina, Saúde Pública. Me mandaram pra casa e fui muito triste, nervosa, matutando como fazer. Eram doze doentes. Fomos para minha casa."

Momento de decisão: "Em casa, um de meus filhos me disse: "A senhora escolhe, ou nós ou os doentes". Não vacilei e respondi: "Hoje, fico com os doentes, porque eles têm Deus e eu por eles, vocês estão crescidos e vão se virar". Chamei todos eles para dentro, e entraram chorando. E aí os vizinhos me davam um caixote; o outro, um colchão; outro uma tábua; e eu agasalhei os doze. Fui fazer o almoço, eram três ou quatro horas da tarde. A gente estava só com o café da manhã. Enquanto fazia comida, gritava para minhas filhas esquentarem água para eles tomarem banho na lata de querosene e assim permanecemos ali por dois dias."

Asilo São Vicente de Paulo: "No fim de dois dias, chegaram os diretores da Escola de Medicina e da Saúde Pública para ver as condições, que eram precárias. E aí arrumaram o Asilo São Vicente de Paulo, para que ficássemos dez dias porque, no final de dez dias, como prometiam, iriam arrumar alguma coisa melhor. Foram dez anos, nunca mais vi eles. Foi o tempo que eu levei para construir isso aqui, com a graça de Deus e a ajuda do povo."

Preconceitos: "Havia muito preconceito para com os doentes. Eu saía para pedir esmolas com três deles. Muita gente nos via e descia da calçada. Eu falava: "Não saiam não, porque se vocês saírem, apanham". Se nós entrávamos nos ônibus, o pessoal descia. Fomos pedir em uma casa daqui, cuja dona se dizia espírita e os meninos tocaram no portão. Antes que subíssemos, ela mandou passar álcool no portão para desinfetar. A doença do pênfigo é triste, é horrorosa, o doente na primeira fase é um pedaço de carne podre. E o povo tinha medo, porque ninguém conhecia, nós vencemos. Para fazer esta casa aqui foi uma luta, tantos foram os abaixo-assinados para que não fosse feita…"

Oito dias no xadrez: "Aqui não tem um grão de areia dado pela Prefeitura, nem pelo Estado ou a União. Foi o povo quem me ajudou. O pessoal espírita daqui fazia a campanha "Auta de Souza" e traziam as coisas para mim. Mas não dava para manter a casa, porque no final de um mês eu tinha trinta e cinco doentes. Fui para São Paulo e ficava no Viaduto do Chá, em frente da Light. Punha um lençol, as meninas segurando, e eu com um sino dizia: "Me dêem uma esmola pelo amor de Deus, para os doentes do Fogo Selvagem de Uberaba". E aí o povo ia jogando níqueis. Na época, foram dois vereadores daqui passear em São Paulo: um advogado e um médico. Achando que eu estava desmoralizando Uberaba, fizeram Ofícios para o Chateaubriand (**) e para a Delegacia. Fiquei oito dias no xadrez, até que uma advogada, Doutora Izolda, me tirou. Quem mandou ela me tirar, não sei até hoje, pois ela já morreu."

No Palácio dos Campos Elíseos com Scheilla: "Um dia, eu e o Lauro (**) estávamos andando na Avenida Rio Branco, nos Campos Elíseos, e eu o convidei para entrar. Atônito, ele disse: "Você está doida, nós estamos sujos, fedendo a suor, entrar aí no palácio do governador?". Mostrei as fotos dos doentes ao policial da portaria, ele ficou muito revoltado e me mandou segui-lo. … Passamos por saguões, escadas e tapetes vermelhos. Dona Leonor (**) estava conversando com um senhor. Em outra poltrona, estava sentado Don Evaristo e na terceira, nós. Ela acabou de conversar com os dois, e chegou nossa vez. Quando ela ia fazer menção de se sentar eu disse: "A Scheilla quebrou um vidro de perfume". Entre nós e a Dona Leonor ficou igual neblina e aquele perfume sufocando. Precisamos procurar ar. Quando melhorou, ela perguntou o que queríamos e lhe disse que pedia ajuda para o Hospital do Pênfigo. Ela disse: "Eu não posso ajudar, porque a senhora mora em Minas, e eu sou de São Paulo". Mas acabou me dando uma máquina de costura, duas peças de cretone e dez contos. Mas fiquei pensando: "O Chico não está aqui, como é que veio aquele perfume?"

O primeiro passe: "No mesmo dia em que estivemos com Dona Leonor, à noite, eu e o Lauro fomos a um Centro Espírita, uma casa velha, com muita gente. Logo que começou, o presidente da mesa falou: "A pessoa do fogo selvagem que estiver aí faça o favor de se dirigir à mesa". Não fui. Quando acabaram os trabalhos, todos foram saindo, menos aqueles da mesa. O presidente tornou a falar sobre a pessoa do "Fogo Selvagem". Eu me apresentei, e ele pediu-me desculpas porque não sabia quem eu era e falou que o "Mentor da Casa" tinha dito que era para eu dar um passe na Presidente do Centro, que já fazia três meses estava entrevada. Eu nunca tinha dado passe, mas agüentei firme. Subimos aquela escada de madeira em caracol e lá chegamos. Ela se chamava Mafalda, uma portuguesa. Estava sob um cortinado "chic", a turma rodeou a cama dela, e me puseram frente-a-frente. Eu iniciei a oração, senti algo estranho e pensei: "Nossa Senhora, agora vai sair bobagens aqui". Dei o passe e fomos embora. Dizem que em três dias ela andou. Aí, eu falei: "Preciso ser Espírita, porque a coisa está me apertando. A comida, ganhamos do povo espírita, agora a Scheilla me deu essa permissão, esse passe". Dona Mafalda me ajudou muito, fazia bingos, rifas, jantares, até quando morreu de câncer."

Chico Xavier: "Tantos e tantos foram os episódios interessantes que pude vivenciar com Chico Xavier. Certa vez, eu estava fazendo campanha em São Paulo, a situação estava difícil, e aquele dia não estava bom para pedir esmolas. Estava na Avenida Paulista, em frente da Televisão, amargurada, fazendo minha oração, triste, porque não estava rendendo nada. De repente, eu olho e vejo o Chico na outra calçada. Até que eu procurasse um lugar para passar e ir de encontro com o Chico, cadê o Chico? Que Chico, nada… Mas, daquela hora em diante, as coisas melhoraram para mim, desci a Brigadeiro e fui para o Anhangabaú, e ali a mina nasceu… Meu primeiro encontro com o Chico foi quando eu tinha uma doente muito obsediada; na época, eu dizia que ela estava doida. Fazia quinze dias que ela não dormia e nem deixava ninguém dormir. O Chico tinha acabado de chegar aqui. Um acadêmico de Medicina, Aldroaldo, me convidou para levar a doente ao Chico. Eu disse: "Sou católica, não queria ser espírita, porque tinha comigo que para servir a Deus não precisava mudar de seita, em qualquer delas se pode servir". Então, o Aldroaldo apareceu com uma "chimbica" junto com outro estudante. A doente queria saltar pela janela, a colocamos no meio. Chegamos lá no Chico, o quarto era pequeno e estava repleto de gente. O Chico estava de pé, escrevendo. Mas eu não vi o Chico, eu vi o Castro Alves. Nem me lembrei que Castro Alves tinha morrido. Falei: "Que Chico, que nada, é Castro Alves, com cabelo à " la garçon", grisalho". Por fim, eu disse: "Vamos embora, vamos embora". Na volta, a doente veio moderada, entrou dentro do carro sozinha e dormiu a noite toda…"

O Espiritismo: "Eu detestava o Espiritismo. Só a partir de 1964 é que me aproximei do Espiritismo, quando estava fazendo a campanha de tijolos para esta casa. Como já disse, fiquei pensando, não é possível, o povo faz campanhas de mantimentos e os trazem para mim, o povo me agrada, me dão dinheiro, a Scheilla me aparece em São Paulo. Naquela noite, eu não dormi, matutando: "Eu vou lá na mulher, nunca tinha dado passe na vida, me mandam dar passe, só virando espírita". E o Espiritismo não é brincadeira, é coisa muito séria, não se pode brincar com o Espiritismo. Às vezes, você vai em um Centro pensando que vai levar e você volta carregada. Eu não brinco".

Uma mensagem aos Espíritas: "Aos que buscam desenvolver algum trabalho, a minha mensagem é de que tenham muito amor, muita sinceridade e que façam as coisas para si e não para os outros verem. Porque a maioria faz as coisas para os outros verem. E não importa o que os outros falam, porque todas as pessoas que vão fazer a caridade levam o título de "ladrona". Meu título era de ladrona. Alguém foi perguntar para o Chico, porque todos diziam que eu estava roubando. Porque quando eu comprava um terreno, diziam: "Comprou mais um terreno para o filho". Comprava outro, era a mesma coisa. Então, o Chico disse àqueles que foram lhe falar: "Me digam onde ela roubou, que eu vou ajudar ela a roubar". A partir daí, o povo foi parando de falar que eu roubava."

(*) D. Aparecida C. Ferreira (19-05-1917/22-12-2009).

(**) Lauro (acompanhante de campanha); Leonor (primeira dama, esposa do governador Ademar de Barros); Chateaubriand (jornalista Assis Chateaubriand).

(Sobre a vida e obra de Aparecida Conceição Ferreira sugerimos a leitura do excelente livro: "Uma Vida de Amor e Caridade", de Izabel Bueno, Editora Espírita Cristã Fonte Viva, Belo Horizonte-MG.)

Texto publicado originalmente no jornal Folha Espírita, São Paulo, 09/1999. Transcrito do Boletim Eletrônico “Notícias do Movimento Espírita”, São Paulo, SP, quarta-feira, 28 de novembro de 2018; Compiladas por Ismael Gobbo.

Fogo Selvagem, Alma Domada

Fogo Selvagem, Alma Domada

Obra organizada por Nádia Marcondes Luz e Cléria Bittar, Volume 4 da Coleção Espiritismo na Universidade, editado pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa Espírita Eduardo Carvalho Monteiro (CCDPE), de São Paulo, em parceria com a Capes.

As organizadoras reuniram num estudo acadêmico através de variadas fontes, como os registros do Hospital do Pênfigo de Uberaba, Câmara Municipal da mesma cidade, jornais, artigos médicos, entrevistas e depoimentos cruza todas as informações, reconstruindo o drama de doentes pobres e figuras santas, como Dona Aparecida Conceição Ferreira, conhecida como dona Cida e mais uma intrincada rede de médicos, políticos, jornalistas e religiosos, emocionando e levando explicações espirituais para as doenças humanas. Há dados interessantes sobre a doença “pênfigo foliáceo”, popularmente chamado de “fogo selvagem”.

O livro é uma publicação referente à Tese de Doutorado:

LIMA, Nadia Rodrigues Alves Marcondes Luz. Fogo selvagem, alma domada: a doença e o Hospital do Pênfigo de Uberaba – história e psicografia. 2010. 330 f. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, 2010.

A Tese tem como tema central a história da doença pênfigo foliáceo endêmico e do Hospital do Pênfigo de Uberaba (MG), fundado no ano de 1957 e ainda em atividade. O hospital recebe pacientes portadores desta doença, popularmente conhecida como fogo selvagem, provenientes de diversas regiões do Brasil. Considerada como uma das únicas doenças autoimunes com características endêmicas, classifica-se cientificamente como sendo uma dermatose bolhosa, comumente presente em regiões geográficas de climas tropicais, cuja etiologia, a despeito do empenho em pesquisas científicas, ainda permanece desconhecida. No Brasil, seu tratamento vem sendo realizado desde o final da década de 1960, com medicamentos à base de corticosteróides, potente anti-inflamatório descoberto no final da década de 1950. O Hospital do Pênfigo, em Uberaba, é a única instituição remanescente que se dedica de modo específico, com exclusividade, ao tratamento do pênfigo foliáceo endêmico. Instituição considerada pelo Estado como de utilidade pública, o hospital é administrado e parcialmente mantido por integrantes do segmento cultural espírita e oferece, além da terapêutica tradicional, também outras, integrativas, tais como o passe magnético, a desobsessão e a fluidificação da água. Ao registrar a história deste hospital, esta pesquisa traz também subsídios para a compreensão da evolução da doença e de seu tratamento, no Brasil. Destacamos a história da fundadora Aparecida Conceição Ferreira, da peculiar maneira por ela desenvolvida de tratar a doença e da sua amizade com o médium Francisco Cândido Xavier, desde os começos da construção e edificação do hospital, cujas raízes se fundam nos preceitos morais e na filosofia da história que sustentam a teoria doutrinária espírita do francês Allan Kardec.

Informações:

https://repositorio.unesp.br/handle/11449/103100?show=full

NO SERVIÇO DO SENHOR

NO SERVIÇO DO SENHOR

Se aspiras o título de obreiro do Senhor, não olvides que o mundo é um campo imenso de trabalho para a lavoura do bem.

Não esperes facilidades na plantação.

Suportarás, naturalmente, obstáculos e perigos de toda sorte na preparação da colheita futura.

Repare ao redor de ti. Melindre e susceptibilidades são pragas e vermes roedores, destruindo-te a sementeira.

Cólera e irritação constituem granizo e vento arrazando-te as leiras frágeis.

Compromissos com a sombra simbolizam vigorosos cipoais, asfixiando-te os esforços. Indolência e desânimo, são ervas parasitárias, aniquilando-te a produção.

Leviandade e maledicência, representam enxurro e detritos sufocando-te as melhores promessas.

Perversidade e crítica expressam aridez e secura capazes de arruinar-te a esperança.

Lembra, pois, que cada dia é tempo abençoado de trabalhar e não confies a enxada de tua oportunidade à ferrugem da negação.

Recorda que o tempo voa, que tudo se transforma e que a própria Terra, onde se alonga a sua esfera de ação, turbilhona em pleno Céu à procura da perfeita comunhão com a Grande Luz.

Não relaciones desapontamento e mágoas, não te percas nas pedras do caminho e nem te fixes no espinheiro, que te servem por medida à fé e à serenidade.

Se te candidatas a servir com Jesus, tomemo-Lo por nosso padrão vivo e incessante, buscando-Lhe a Vontade para que nossos caprichos sejam esquecidos.

E, pautando nossas atividades sobre as normas que Lhe caracterizaram o exemplo, contemplaremos, ditosos, a colheita farta, a surgir da lama terrestre, colheita essa que nos enriquecerá de bênçãos o celeiro do coração para a Vida Eterna.

Emmanuel

 

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Alvorada do reino. Cap. 1. São Paulo: IDEAL)

NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO – Parte 1

NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO – Parte 1 (20/11/2018)

É um versículo bastante significativo. Havia uma expectativa do retorno da vinda dos profetas e isto transparece no diálogo de Jesus com seus discípulos. A palavra ressurreição tem várias conotações. Uma delas é de vida infinita. Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo. Qual a diferença entre reencarnação e ressurreição? Por que as pessoas confundiam João Batista com Elias e Jeremias? Descubra agora no programa “Evangelho e Espiritismo em sua mais simples expressão”. Todas as 3as feiras às 15 horas pela TV Mundo Maior. Também disponível no Facebook e no Youtube. Programa coordenado por Antonio Cesar Perri de Carvalho, com atuação de Célia Maria de Carvalho e Flávio Rey de Carvalho.

ACESSE:

NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO – Parte 2

NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO – Parte 2 (20/11/2018)

É um versículo bastante significativo. Havia uma expectativa do retorno da vinda dos profetas e isto transparece no diálogo de Jesus com seus discípulos. A palavra ressurreição tem várias conotações. Uma delas é de vida infinita. Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo. Qual a diferença entre reencarnação e ressurreição? Por que as pessoas confundiam João Batista com Elias e Jeremias? Descubra agora no programa “Evangelho e Espiritismo em sua mais simples expressão”. Todas as 3as feiras às 15 horas pela TV Mundo Maior. Também disponível no Facebook e no Youtube. Programa coordenado por Antonio Cesar Perri de Carvalho, com atuação de Célia Maria de Carvalho e Flávio Rey de Carvalho.

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Importante Carta de Emmanuel

Importante Carta de Emmanuel

 

Essa carta de Emmanuel bem como outras relíquias que fazem parte da história do espiritismo estão no acervo histórico do Centro de Documentação e Obras Raras da FEAL, em função da absorção da documentação do Instituto Canuto Abreu, acervo de Silvino Canuto Abreu (1892 – 1980) contendo 740 manuscritos de cartas enviadas por Kardec à esposa, colaboradores diretos e diversos correligionários. Mais ainda: cartas entre Canuto e Chico Xavier, milhares de livros sobre espiritismo, magnetismo, cristianismo e outros assuntos. Esses manuscritos contêm informações muito relevantes tanto doutrinárias como da história da Doutrina na França e no Brasil. Projeto feito em parceria com a FEAL – Fundação Espírita André Luiz e o Instituto Canuto Abreu, conduzido por Paulo Henrique de Figueiredo escritor e pesquisador espírita por meio do CDOR – Centro de Documentação e Obras Raras. O objetivo de o projeto é preservar e divulgar todo esse material, mas isso requer grande investimento para o trabalho remunerado de diversos especialistas em várias áreas de atuação na preservação documental, digitalização, tradução e indexação. Duas casas já estão ocupadas com especificações exigidas de controle de iluminação, umidade e temperatura, mobiliário e acondicionamento apropriados.

Essa memória precisa ser restaurada e conhecida de todo o público. Pelos contatos digitais da FEAL podem ser obtidas informações sobre o andamento do projeto “Cartas de Kardec” e como colaborar com a manutenção do Projeto.

Copie e cole o link:

https://www.catarse.me/cartasdekardec?utm_source=MailingList&utm_medium=email&utm_campaign=Cartas+de+Kardec+-+Emmanuel

Feiras beneficentes natalinas

Feiras beneficentes natalinas

Com a proximidade do Natal muitas instituições promovem eventos para comercialização de produções artesanais em benefício de suas atividades assistenciais. Dias 1 e 2, 8 e 9 de dezembro a Fundação Espírita André Luiz, o Centro Espírita Nosso Lar e as Casas André Luiz promovem o Feirão de Natal André Luiz, em São Paulo. Em Araçatuba, acontece o 10º. Bazar de Natal da Instituição Nosso Lar.

Jornal Especial sobre Simonetti e o CEAC

Jornal Especial sobre Simonetti e o CEAC

 

O jornal digital Momento Espírita, editado pelo Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru (SP), em sua edição de dezembro de 2018 – uma Edição Especial – dedica-se a homenagens ao recém desencarnado Richard Simonetti (ex-presidente e que desencarnou aos 3/10/2018) e aos 99 anos de fundação do CEAC. Traz uma linha do tempo sobre Simonetti – Uma vida dedicada à Doutrina Espírita -, várias notas e manifestações sobre o destacado vulto.

Informações:

www.ceac.org.br;

momento_espirita@hotmail.com

O projeto “Cartas de Kardec”

O projeto “Cartas de Kardec”

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Fomos distinguidos pela Fundação Espírita André Luiz – FEAL com dois honrosos convites ao longo do ano de 2018.

Em 26 de maio de 2018 para comparecer e usar da palavra no evento realizado no Centro Espírita Nosso Lar, bairro de Santana, em São Paulo, sobre o Centro de Documentação e Obras Raras da FEAL quando foi apresentado o “Projeto Cartas de Kardec”, inaugurado o Instituto Canuto Abreu junto à FEAL e lançada a tradução da 1ª. edição francesa de A gênese, editada pela FEAL. Na oportunidade, recebemos alguns esclarecimentos sobre o descumprimento de contrato anterior firmado pelo Instituto Canuto Abreu, neto de Canuto Abreu, e também sobre um acidente havido com o acervo de Canuto Abreu no local onde estavam depositados. Em consequência, Lian de Abreu Duarte passou oficialmente a guarda do acervo do Instituto Canuto Abreu para a FEAL. Registramos que estavam presentes ao evento além de lideranças de São Paulo, como a presidente da USE-SP Júlia Nezu, Simoni Privato Goidanich, autora do livro O legado de Allan Kardec, Jussara Korngold, presidente do United States Spiritist Council e Elsa Rossi, presidente da British Union of Spiritist Societies.

Outro fato marcante foi o convite para sermos um dos entrevistados no programa especial dedicado ao projeto “Cartas de Kardec”, relacionado com o Instituto Canuto Abreu, levado ao ar pela Rede Boa Nova (Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior), vinculada à Fundação Espírita André Luiz, no dia 21 de novembro de 2018.1 O Instituto Canuto Abreu é depositário de muitos manuscritos e documentos de Allan Kardec obtidos na França por Silvino Canuto Abreu antes da 2a Guerra Mundial. Também contém as históricas correspondências entre Canuto Abreu e Chico Xavier e um riquíssimo acervo de livros e periódicos.

Com a passagem da guarda do riquíssimo acervo para a FEAL é que surge o “Projeto Cartas de Kardec”.2 A FEAL reuniu equipe de especialistas contratados e voluntários para proceder à recuperação, identificação, estudo grafotécnico, tradução e catalogação dos manuscritos e documentos. Estes serão paulatinamente disponibilizados ao público por meio digital.

A nossa admiração por Silvino Canuto Abreu (1892-1980) foi precoce em função da tradução que o mesmo fez da 1ª edição de O livro dos espíritos, lançada em exemplar bi-lingue: O primeiro livro dos espíritos de Allan Kardec – 1857 (Companhia Editora Ismael, 1957). Outras obras do autor que muito me impressionaram foram: Bezerra de Menezes (Ed.FEESP) e O livro dos espíritos e sua tradição histórica e lendária (Ed. Lar da Família Universal).

Posteriormente em nossa trajetória de ações no movimento espírita pela amizade e apoio às gestões de Nestor João Masotti na USE-SP, FEB e CEI; pelos contatos com o casal Paulo Machado e Elza Mazzonetto desde antes deles fundarem o Museu Espírita de São Paulo; e com Oceano Vieira de Melo; na condição de presidente da FEB mantivemos muitos contatos com o neto de Canuto Abreu, Lian de Abreu Duarte.

Durante nossa presidência na FEB houve a passagem do Museu Espírita de São Paulo para a FEB, a criação do Espaço Cultural da FEB e a assinatura de contratos com Lian, como representante do Instituto Canuto Abreu. Lamentavelmente, após deixarmos a presidência, surgiram percalços depois de 2015 e os citados contratos não foram integralmente cumpridos.3,4,5

O movimento espírita vive momentos de resgates históricos neste ano de 2018. Iniciaram-se com as pesquisas e os documentos sobre as edições de A Gênese na França, bem registrados no livro O legado de Allan Kardec, de Simoni Privato Goidanich6, culminando com a tradução da 1a edição francesa de A gênese pela FEAL; prosseguem pesquisas na França sobre fatos do século XIX, com apoio de Le Mouvement Spirite Francophone; o filme-documentário "Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita Francês pós-Kardec"7, produção da Luz Espírita/Autores Espíritas Clássicos, focalizando o enfraquecimento e desaparecimento quase absoluto do Espiritismo, tanto na França, seu berço, quanto na Europa logo após a desencarnação de Allan Kardec; o lançamento da edição bi-lingue e digital do livro Beaucoup Lumière/Muita luzde Berthé Fropo, amiga do casal Kardec; e, agora com as pesquisas sobre manuscritos inéditos de Kardec e correspondências entre Canuto Abreu e Chico Xavier.

Nossa expectativa é que todo esse movimento redundará na redação de nova página da história do Espiritismo, mas completando e/ou revisando páginas anteriores!

Referências:

1) Link para acesso ao programa: https://www.youtube.com/watch?v=nqA5u5Moa3o;

2) Link para acesso ao Projeto: https://www.catarse.me/cartasdekardec;

3) FEB assume Museu Espírita de São Paulo. Reformador. Ano 131. N. 2.211. Junho de 2013. P. 234.

4) Inaugurações de Espaços iniciam as comemorações dos 130 anos da FEB. Reformador. Ano 132. N. 2.218. Janeiro de 2014. P. 49-51.

5) Aberta Exposição sobre Chico Xavier na FEB-Rio. Reformador. Ano 132. N. 2.225. Agosto de 2014. P. 503.

6) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE. 2018. 446p.

7) Link para acesso ao documentário: https://www.youtube.com/watch?v=Ywf8Ftu2eUo;

8) Fropo, Berthé. Trad. Lopes, Ery & Miguez, Rogério. Muita luz. Ed.digital Autores Espíritas Clássicos, 2017: http://luzespirita.org.br/leitura/pdf/L158.pdf

(*) Presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (1990-1994 e 1997-2000); diretor e vice-presidente da FEB (2004-2012); presidente interino e presidente da Federação Espírita Brasileira (2012-2015); membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional (2007-2016).