Bet’s, jogos e viciações – óticas psiquiátrica e espírita
Antonio Cesar Perri de Carvalho
O Programa "Roda Viva" da TV Cultura, de São Paulo, do dia 27/07/2026, entrevistou o psiquiatra e professor Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico do Hospital das Clínicas da USP.
O Programa teve como tema "O Jogo Patológico, em especial a Pandemia das Bet's"1 destacando o comprometimento de muitas famílias na sociedade brasileira e mundial.
O entrevistado considerou que as chamadas Bet’s agora representam uma autêntica onda, tipo pandemia mundial. As Bet’s são casas específicas e plataformas de apostas, muitas vezes relacionadas com ligadas ao esporte. Sem dúvida, é um tipo de jogo. O entrevistado alerta sobre o grande risco porque agora o apostador não precisa sair de casa, acessa as plataformas pela internet. O dr. Tavares, com base em sua experiência no atendimento de viciados/vítimas do jogo, abordou nuances importantes, desmitificando propagandas de "jogo responsável", que ele considera uma contradição. Considera que o vício do jogo está associado a desvantagens sociais, a ganância, informações e sugestões inverídicas. Destacou a responsabilidade governamental na regulação do jogo e da propaganda, dos responsáveis por plataformas, das redes sociais que divulgam, do provedor e do usuário/apostador.
O psiquiatra entrevistado e o Instituto do Jogo Patológico do Hospital das Clínicas da USP oferecem sugestões práticas de como resolver os problemas: – do apostador, – da família, – da nossa escolha política nas próximas eleições, – da proibição ou não das Bet's, – o lado financeiro.
Na ótica espírita há várias nuances a serem consideradas. Em O livro dos espíritos, em questão sobre o jogo, há a resposta: “Alguns Espíritos escolheram previamente determinados tipos de prazer, e com isso, a sorte que os favorece é uma tentação. Aquele que ganha como homem perde como Espírito: é uma provação para o seu orgulho e para a sua cupidez.”2 Na mesma obra, em outra vertente de raciocínio, à pergunta: “Quando o homem está de algum modo mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se torna para ele um arrastamento quase irresistível?”, há a resposta espiritual: “Arrastamento, sim; irresistível, não; pois mesmo dentro dessa atmosfera de vício às vezes você encontra grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, tiveram como missão exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes.” 2
Outro aspecto é a consideração de que nossa mente é como uma antena que envia e capta vibrações. As motivações que induzem o apostador a jogar, favoreceriam que tipo de vibrações e sintonias espirituais? A orientação espírita fundamental é que devemos escolher as vibrações de equilíbrio. Cabível a rememoração da obra de André Luiz Mecanismos da mediunidade que analisa vários tipos de reflexo condicionado, de onde destacamos o trecho: “reflexo condicionado de caráter doentio, automatizando-nos a capacidade de transmitir tais agentes mórbidos, responsáveis por largo acervo de enfermidade e desequilíbrio”.3
As relações entre mentes de encarnados e desencarnados e, em várias condições, sendo geradoras de alguns tipos de enfermidades e de desequilíbrios mentais são focalizadas na obra No mundo maior, do mesmo autor espiritual.
Sem dúvida, essas considerações complementam com a visão espiritual os comentários do psiquiatra dr. Tavares ao abordar a questão do vício de jogar.
Por outro lado, sem nenhuma ligação com as Bet’s, existem jogos digitais saudáveis e pedagógicos até com temáticas espíritas adequados para instrução, seja no celular ou no computador.
As opiniões, alertas e recomendações do psiquiatra entrevistado pela TV Cultura de São Paulo são extremamente oportunas e devem merecer as reflexões na ótica espírita.
Referências:
1) Acesso à entrevista com dr. Hermano Tavares, TV Cultura (copie e cole): https://www.youtube.com/live/6QyBVMzWd-g?is=FUxrsRYf89mxeO2F
1) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Q. 645 e 865. Rio de Janeiro: FEB. 1989.
2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. Mecanismos da mediunidade. Cap. 16. Brasília: FEB.
