Riscos e enganos com a inteligência artificial
Antonio Cesar Perri de Carvalho
Está crescente o emprego de inteligência artificial nas diversas áreas de atuação.
Sem dúvida, em geral, há contribuições significativas com os acessos à inteligência artificial.
No movimento espírita, notamos sua utilização dando movimento e falas a vultos espíritas do passado, e, até os “sem graça” risos montados em figuras históricas; muitas falsidades e/ou interesse em denegrir imagens colocadas na boca de Chico Xavier; textos com incorreções de conceitos, emprego e citações erradas de bibliografias.
Deve existir um cuidado muito grande e até alerta para se evitar compartilhamentos indiscriminados antes de adequada análise de informações e imagens.
Sempre oportuna a consideração sobre o método que Allan Kardec empregou para seleção de mensagens: “O primeiro exame comprobativo é, pois, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. […] A concordância no que ensinem os Espíritos é, pois, a melhor comprovação. […] Prova a experiência que, quando um princípio novo tem de ser enunciado, isso se dá espontaneamente em diversos pontos ao mesmo tempo e de modo idêntico, senão quanto à forma, quanto ao fundo.”1
Por outro lado, é oportuno ter-se uma ideia de onde surgem dados e imagens na inteligência artificial: do Google e do You Tube, plataformas são “varridas” pela IA.
Quem alimenta publicações essas plataformas? Livremente qualquer pessoa. Nessas condições há matérias adequadas, deturpadas e até fruto de elocubrações… Há até detratores do espiritismo e pessoas interessadas em comprometer a imagem de vultos espíritas. Ou seja, é um arco enorme de fontes, sem barreiras e sem compromisso ético.
A propósito, consideramos oportuna a matéria de Melissa Heikkilä2, repórter sênior do MIT Technology Review, comenta assuntos ligados à Inteligência Artificial .
Essa repórter esclarece que “a inteligência artificial (IA) é fundamentalmente baseada em dados. Quantidades gigantescas de dados são necessárias para treinar algoritmos para realizarem as tarefas desejadas, e os dados inseridos nos modelos de IA determinam os resultados obtidos. Contudo, há um problema: os desenvolvedores e pesquisadores de IA sabem muito pouco sobre as fontes dos dados que estão utilizando. As práticas de coleta de dados da IA são imaturas em comparação com o nível avançado de desenvolvimento dos modelos. Conjuntos de dados massivos frequentemente carecem de informações claras sobre o que eles contêm e de onde vieram. Nos últimos anos, surgiram modelos generativos multimodais, que podem criar vídeos e imagens. Como os modelos de linguagem, eles precisam de grandes volumes de dados, e a principal fonte para isso tem sido o YouTube. Em modelos de vídeo, mais de 70% dos dados vêm de uma única fonte, beneficiando enormemente o Google, proprietário da plataforma. […] há uma discrepância massiva entre o mundo que vemos e o que está invisível para esses modelos, […] A origem dos dados utilizados em modelos de IA é frequentemente desconhecida, dificultando a conformidade com restrições legais e levantando questões éticas significativas”.2
Portanto, há necessidade de cuidados, análise cuidadosa, checagem de fontes nas contribuições advindas da inteligência artificial. Uma forte justificativa para se adotar o método de Kardec para análise de mensagens, que destacamos acima.1
Referências:
1) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Apresentação, Cap. XI e XVII. Brasília: FEB.
2) Acesso (copie e cole): https://mittechreview.com.br/origem-dados-inteligencia-artificial/