Queridos amigos, familiares e a todos os corações que me envolveram em apoio, ternura e compaixão, recebei minha eterna gratidão.
A experiência da desencarnação surpreendeu-me. O AVC abalou profundamente meu equilíbrio emocional e físico. Embora jamais temesse a morte, a dor maior não foi o fim da existência corporal, mas a constatação da fragilidade do corpo: ver-me imobilizado, privado da fala, impossibilitado de agir, foi para minha alma uma tempestade silenciosa. Não houve revolta, apenas a tristeza serena de quem se despede da Terra sem conseguir concluir os projetos que o coração acalentava, especialmente os da Estação Dama da Caridade.
Quando o corpo, já exaurido do fluido vital, cessou sua função, não senti dor. Um torpor suave envolveu-me, semelhante a um sono profundo. Percebia-me sendo lentamente desprendido do casulo físico inerte. Mãos generosas amparavam-me com extremo cuidado; lágrimas eram derramadas em abundância, e presenças queridas aproximavam-se para acolher-me e agradecer-me pelo trabalho realizado. Envergonhava-me diante de tais palavras, pois, em minha consciência, pouco havia feito.
A emoção, porém, alcançou seu ápice quando ouvi uma voz doce a chamar-me. Era minha mãe biológica, tomada por pranto e alegria, envolvendo-me em um abraço que atravessava mundos, enquanto sussurrava, entre lágrimas: “Meu filho querido…”
Logo depois, fui surpreendido por uma presença ainda mais profunda. Mãe Dita estava ali. Diante dela, toda resistência caiu, e chorei como uma criança, em pranto convulsivo. Suas palavras ecoam em mim até hoje: “Meu filho, sou eternamente grata pela homenagem que me prestaste, sem que eu a merecesse. Tão pouco fiz; apenas cumpri os deveres que me resgataram das quedas do passado.”
Meus irmãos, a visão veneranda de Benedita Fernandes confrontava-me com minhas próprias imperfeições e com o sentimento de não merecimento. Julguei, por instantes, estar sonhando. Contudo, seu amor envolveu-me de tal forma que dissipou qualquer dúvida. Com ternura infinita, disse-me apenas: “Vem, meu filho.”
Eram duas mães a me resgatar do limiar entre os mundos. Sentia-me profundamente confortado, mas a emoção embargava-me a voz; palavras tentavam nascer, mas se perdiam no silêncio do coração transbordante.
A candura, a humildade e a grandeza moral de Mãe Dita ultrapassam os limites do vocabulário humano. Aqueles instantes foram de felicidade indizível e de gratidão profunda a Deus, que nunca abandona Seus filhos. Fui então conduzido a um hospital espiritual localizado nas imediações espirituais da cidade de São Paulo.
Todo o processo de recuperação é cuidadoso, delicado e repleto de misericórdia. O amor divino, constante e silencioso, cobre nossas mazelas e nos reconstrói pacientemente. Hoje sinto-me melhor, gradualmente adaptando-me à nova dimensão da vida, embora a saudade da convivência terrena ainda pulse forte em meu coração.
Meus amigos e irmãos, permito-me agora um apelo sincero. Minha maior preocupação é que os projetos da Estação Dama da Caridade se enfraqueçam ou se percam com o tempo. Não permitais que essa obra adormeça. Empenhai-vos ainda mais, por amor a Mãe Dita.
Percebo, com pesar, o esfriamento de alguns confrades. Benedita Fernandes não pode ser esquecida. Por tudo o que fez e continua fazendo, na Terra e no plano espiritual, merece de nós dedicação, fidelidade e trabalho perseverante.
Rogo aos queridos confrades: ela merece muito mais. Sua obra é gigantesca, sustentada no amor e na caridade sem limites. Sinto-me profundamente honrado por ter participado, ainda que modestamente, de seu legado luminoso. Ela é nossa Mãe Dita — bendita Mãe da Caridade, farol de esperança para tantos corações.
Recebei, pois, meus sinceros agradecimentos. Meu abraço fraterno, repleto de afeto e saudade, do amigo de sempre.
Sirlei Nogueira
(Psicografia do médium José Francisco Gomes, em Ipatinga-MG, 16 de janeiro de 2026).