CHAMAMENTO DIVINO

            "… Disse ao servo: sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, os aleijados, mancos e cegos.” – Lucas, 14:21.

Muita gente alega incapacidade de colaborar nos serviços do bem, sob a égide do Cristo, relacionando impedimentos morais.

Há quem se diga errado em excesso; há quem se afirme sob fardos de remorsos e culpas; há quem se declare portador de graves defeitos, e quem assevere haver sofrido lamentáveis acidentes da alma…

Entretanto, a palavra de Jesus se dirige a todos, sem qualquer exceção. Pobres de virtude, aleijados do sentimento, coxos do raciocínio e cegos do conhecimento superior são chamados à edificação da era nova. Isso porque, em Jesus, tudo é novo para que a vida se renove.

Espíritos viciados, inibidos, desorientados e ignorantes de ontem, ao toque do Evangelho, fazem-se hoje cooperadores da Grande Causa, esquecendo ilusões, desfazendo cárceres mentais, suprimindo desequilíbrios e dissipando velhas sombras.

Se a realidade espiritual te busca, ofertando-te serviço no levantamento das boas obras, não te detenhas, apresentando deformidades e frustrações.

No clima da Boa Nova, todos nós encontramos recursos de cura e reabilitação, reerguimento e consolo.

Para isso, basta sejamos sinceros, diante da nossa própria necessidade de corrigenda, com o espírito espontaneamente consagrado ao privilégio de trabalhar e servir.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Palavras de vida eterna. Cap. 127. Uberaba: Ed. CEC)

 

Em nome do Evangelho – mensagem e evento

EM NOME DO EVANGELHO (*)

“Para que todos sejam um” – Jesus. (João, 17:22)

Reunindo-se aos discípulos, empreendeu Jesus a renovação do mundo.

Congregando-se com cegos e paralíticos, restituiu-lhes a visão e o movimento.

Misturando-se com a turba extenuada, multiplicou os pães para que lhe não faltasse alimento.

Ombreando-se com os pobres e os simples, ensinou-lhes as bem-aventuranças celestes.

Banqueteando-se com pecadores confessos, ensinou-lhes o retorno ao caminho de elevação.

Partilhando a fraternidade do cenáculo, prepara companheiros na direção dos testemunhos de fé viva.

Compelido a oferecer-se em espetáculo na cruz, junto à multidão, despede-se da massa, abençoando e amando, perdoando e servindo.

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Compreendendo a responsabilidade da grande assembléia de colaboradores do espiritismo brasileiro, formulamos votos ardentes para que orientem no Evangelho quaisquer princípios de unificação, em torno dos quais entrelaçam esperanças.

Cremos que a experiência científica e a discussão filosófica representam preparação e adubo no campo doutrinário, porque a semente viva do progresso real, com o aperfeiçoamento do homem interior, permanece nos alicerces divinos da Nova Revelação.

Cultivar o espiritismo, sem esforço espiritualizante, é trocar notícias entre dois planos diferentes, sem significado substancial na redenção humana.

Lidar com assuntos do céu, sem vasos adequados à recepção da essência celestial, é ameaçar a obra salvacionista.

Aceitar a verdade, sem o desejo de irradiá-la, através do propósito individual de serviço aos semelhantes, é vaguear sem rumo.

O laboratório é respeitável.

A academia é nobre.

O templo é santo.

A ciência convence.

A filosofia estuda.

A fé converte o homem ao Bem Infinito.

Cérebro rico, sem diretrizes santificantes pode conduzir à discórdia.

Verbo primoroso, sem fundamentos de sublimação, não alivia, nem salva.

Sentimento educado e iluminado, contudo, melhora sempre.

Reunidos, assim, em grande conclave de fraternidade, que os irmãos do Brasil se compenetrem, cada vez mais, do espírito de serviço e renunciação, de solidariedade e bondade pura que Jesus nos legou.

O mundo conturbado pede, efetivamente, ação transformadora. Conscientes, porém, de que se faz impraticável a redenção do Todo, sem o burilamento das partes, unamo-nos no mesmo roteiro de amor, trabalho, auxílio, educação, solidariedade, valor e sacrifício que caracterizou a atitude do Cristo em comunhão com os homens, servindo e esperando o futuro, em seu exemplo de abnegação, para que todos sejamos um, em sintonia sublime com os desígnios do Supremo Senhor.

Emmanuel

(*) Mensagem recebida em 14 de setembro de 1948, pelo médium Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo, Minas, destinada aos irmãos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, realizado em São Paulo (SP), no período de 31 de outubro a 5 de novembro de 1948.

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Evento comemorativo dos 70 anos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita a ser realizado em São Paulo, dias 20 e 21 de outubro de 2018, promovido pela USE-SP.

Informações – Copie e cole o acesso:

http://www.usesp.org.br/Eventos/Evento

 

CONSCIÊNCIA ESPÍRITA

Diz você que não compreende o motivo de tanta autocensura nas comunicações dos espíritas desencarnados.

Fulano, que deixou a melhor ficha de serviço, volta a escrever, declarando que não agiu entre os homens como deveria; sicrano, conhecido por elevado padrão de virtudes, regressa, por vários médiuns, a lastimar o tempo perdido…

E você acentua, depois de interessantes apontamentos:

– Tem-se a impressão de que os nossos confrades tornam, do Além, atormentados por terríveis complexos de culpa. Como explicar o fenômeno?

Creia, meu caro, que nutro pessoalmente pelos espíritas a mais enternecida admiração. Infatigáveis construtores do progresso, obreiros do Cristianismo Redivivo.

Tanta liberdade, porém, receberam para a interpretação dos ensinamentos de Jesus que, sinceramente, não conheço neste mundo pessoas de fé mais favorecidas de raciocínio, ante os problemas da vida e do Universo.

Carregando largos cabedais de conhecimento, é justo guardem eles a preocupação de realizar muito e sempre mais, a favor de tantos irmãos da Terra, detidos por ilusões e inibições no capítulo da crença.

Conta-se que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria O Livro dos Espíritos, recolheu-se ao leito, certa noite, impressionado com um sonho de Lutero, de que tomara notícias. O grande reformador, em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo informes em torno da felicidade celestial.

Comovido, o codificador da Doutrina Espírita, durante o repouso, viu-se também fora do corpo, em singular desdobramento…

Junto dele, identificou um enviado de Planos Sublimes que o transportou, de chofre, a nevoenta região, onde gemiam milhares de entidades em sofrimento estarrecedor.

Soluços de aflição casavam-se a gritos de cólera, blasfêmias seguiam-se a gargalhadas de loucura.

Atônito, Kardec lembrou os tiranos da História e inquiriu, espantado:

– Jazem aqui os crucificadores de Jesus? – Nenhum deles – informou o guia solícito. – Conquanto responsáveis, desconheciam, na essência, o mal que praticavam. O próprio Mestre auxiliou-os a se desembaraçarem do remorso, conseguindo-lhes abençoadas reencarnações, em que se resgataram perante a Lei.

– E os imperadores romanos? Decerto, padecerão nestes sítios aqueles mesmos suplícios que impuseram à Humanidade… – Nada disso. Homens da categoria de Tibério ou Calígula não possuíam a mínima noção de espiritualidade. Alguns deles, depois de estágios regenerativos na Terra, já se elevaram a esferas superiores, enquanto que outros se demoram, até hoje, internados no campo físico, à beira da remissão.

– Acaso, andarão presos nestes vales sombrios – tornou o visitante – os algozes dos cristãos, nos séculos primitivos do Evangelho? – De nenhum modo – replicou o lúcido acompanhante -, os carrascos dos seguidores de Jesus, nos dias apostólicos, eram homens e mulheres quase selvagens, apesar das tintas de civilização que ostentavam… Todos foram encaminhados à reencarnação, para adquirirem instrução e entendimento.

O codificador do espiritismo pensou nos conquistadores da Antiguidade, Átila, Anibal, Alarico I, Gengis Khan… Antes, todavia, que enunciasse nova pergunta, o mensageiro acrescentou, respondendo-lhe à consulta mental: – Não vagueiam, por aqui, os guerreiros que recordas… Eles nada sabiam das realidades do espírito e, por isso, recolheram piedoso amparo, dirigidos para o renascimento carnal, entrando em lides expiatórias, conforme os débitos contraídos… 

Então, dize-me – rogou Kardec, emocionado -, que sofredores são estes, cujos gemidos e imprecações me cortam a alma?

E o orientador esclareceu, imperturbável:

– Temos junto de nós os que estavam no mundo plenamente educados quanto aos imperativos do Bem e da Verdade, e que fugiram deliberadamente da Verdade e do Bem, especialmente os cristãos infiéis de todas as épocas, perfeitos conhecedores da lição e do exemplo do Cristo e que se entregaram ao mal, por livre vontade… Para eles, um novo berço na Terra é sempre mais difícil…

Chocado com a inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como sendo a Questão número 642, de O Livro dos Espíritos:

– Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? , indagação esta a que os instrutores retorquiram: – Não; cumpre-lhe fazer o bem, no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.

Segundo é fácil de perceber, meu amigo, com princípios tão claros e tão lógicos, é natural que a consciência espírita, situada em confronto com as idéias dominantes nas religiões da maioria, seja muito diferente.

Pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos).

(Xavier, Francisco Cândido. Cartas e Crônicas. Cap.7. Ed. FEB)

KARDEC E A ESPIRITUALIDADE

Todas as missões dignificadoras dos grandes vultos humanos são tarefas do Espírito.

Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade, através da radiotelefonia.

Apreciando, porém, o labor da inteligência humana, somos obrigados a reconhecer que nem todas essas missões têm naturalmente uma repercussão imediata e grandiosa no Mundo dos Espíritos.

Daí a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec.

Suas atividades requisitaram a atenção do planeta e, simultaneamente, repercutiram nas esferas espirituais, onde se formaram legiões de colaboradores, em seu favor.

Sua tarefa revelava ao homem um mundo diferente. A morte, o problema milenário das criaturas, perdia sua feição de esfinge. Outras vozes falavam da vida, além dos sepulcros.

Seu esforço espalhava-se pelo orbe como a mais consoladora das filosofias; por isso mesmo, difundia-se, no plano invisível, como vasto movimento de interesses divinos.

Ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo.

Este é de todos os tempos e situações da humanidade.

Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã.

Com esse título, conquistado a peso de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não morresse desesperado.

E, contribuindo com a sua coragem, desde o primeiro dia de labor, organizaram-se nos círculos da espiritualidade os mais largos movimentos de cooperação e de auxílio ao seu esforço superior.

Legiões de amigos generosos da humanidade alistaram-se sob a sua bandeira cooperando na causa imortal.

Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas dos homens, para que a ciência e a fé iniciassem a marcha da suprema união, em Jesus Cristo.

Não somente o orbe terrestre foi beneficiado.

Não apenas os homens ganharam esperanças.

O mundo invisível alcançou, igualmente, consolo e compreensão.

Os vícios da educação religiosa prejudicaram as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada. As idéias de um céu injustificável e de um inferno terrível formaram a concepção do espírito liberto, como sendo um ser esquecido da Terra, onde amou, lutou e sofreu.

Semelhante convicção contrariava o espírito de sequência da natureza. Quem atendeu as determinações da morte, naturalmente, continua, além, suas lutas e tarefas, no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestido, mas a alma, senhora da Vida Imortal.

Essa realidade fornece uma expressão do grandioso alcance “da missão de Allan Kardec”, considerada no Plano Espiritual.

É justo o reconhecimento dos homens e não menos justo o nosso agradecimento aos seus sacrifícios “de missionário”, ainda porque apreciamos a atividade de um apóstolo sempre vivo.

Que Deus o abençoe.

O Evangelho nos fala que os anjos se regozijam quando se arrepende um pecador.

E a tarefa santificada de Allan Kardec tem consolado e convertido milhares de pecadores, neste mundo e no outro.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Doutrina de Luz. Cap. 11. Ed.GEEM)

Ver

A visão não é exclusividade dos olhos físicos.
Refletir é ver com a consciência.

Imaginar é ver com o sentimento.
Calcular é ver com o raciocínio.
Recordar é ver com a memória.
Por isso mesmo, a visão é propriedade vasta e complexa do Espírito, que se dilata e se enriquece constantemente, à medida que nossos poderes e emoções se desenvolvem e se aprimoram.
Quem deseje, pois, realizar aquisições psíquicas de clarividência nos celeiros da vida, guarde a pureza no coração, a fim de que a pureza, em se exteriorizando através de nossos sentidos, nos regenere o mundo emocional, reajustando o nosso idealismo e equilibrando os nossos desejos na direção do Bem Infinito.
Quem procura o “lado melhor” dos acontecimentos, a “parte mais nobre das pessoas” e “expressão mais útil” das coisas, está conquistando preciosos acréscimos de Visão.
Enquanto nos confiamos às paixões perturbadoras, tateando nas trevas do egoísmo e do ódio, varando o gelo da indiferença e o enrijecimento espiritual, atravessando o incêndio da incompreensão e do desvario ou vencendo os pântanos do desregramento ou da intemperança, não poderemos senão ver com a carne os problemas inquietantes e dolorosos que à ela se ajustam.
Purifiquemos o Espírito e conseguiremos descobrir os horizontes da nossa gloriosa imortalidade.
Todos enxergam alguma coisa na vida comum, entretanto, raros sabem ver.
Ajustemo-nos aos princípios do Vidente Divino que soube contemplar as necessidades humanas, com amor e perdão, do Alto da Cruz e, por certo, começaremos, desde agora, a penetrar na claridade sublime de nossa própria ressurreição.

 

Emmanuel

 

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Alma e Luz. Cap.1. Araras: IDE)

APROVEITAMENTO

“Medita estas coisas; ocupa-te nelas para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos.” — PAULO (I TIMÓTEO, 4:15)

Geralmente, o primeiro impulso dos que ingressam na fé constitui a preocupação de transformar compulsoriamente os outros.

Semelhante propósito, às vezes, raia pela imprudência, pela obsessão. O novo crente flagela  quanto lhe ouvem os argumentos calorosos, azorragando costumes, condenando ideias alheias e violentando situações, esquecido de que a experiência da alma é laboriosa e longa e de que há muitas esferas de serviço na casa de Nosso Pai.

Aceitar a boa doutrina, demorar-lhe as fórmulas verbais e estender-lhe os preceitos são tarefas importantes, mas aproveitá-la é essencial.

Muitos companheiros apregoam ensinamentos valiosos, todavia, no fundo, estão sempre inclinados a rudes conflitos, em face da menor alfinetada no caminho da crença. Não toleram pequeninos aborrecimentos domésticos e mantêm verdadeiro jogo de máscara em todas as posições.

A palavra de Paulo, no entanto, é muito clara.

A questão fundamental é de aproveitamento.

Indubitável que a cultura doutrinária representa conquista imprescindível ao seguro ministério do bem; contudo, é imperioso reconhecer que se o coração do crente ambiciona a santificação de si mesmo, a caminho das zonas superiores da vida, é indispensável se ocupe nas coisas sagradas do espírito, não por vaidade, mas para que o seu justo aproveitamento seja manifesto a todos.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Vinha de Luz. FEB. Cap. 14)

SUICÍDIO

No suicídio intencional, sem as atenuantes da moléstia ou da ignorância, há que considerar não somente o problema da infração ante as Leis Divinas, mas também o ato de violência que a criatura comete contra si mesma, através da premeditação mais profunda, com remorso mais amplo.

Atormentada de dor, a consciência desperta no nível de sombra a que se precipitou, suportando compulsoriamente as companhias que elegeu para si própria, pelo tempo indispensável à justa renovação.

Contudo, os resultados não se circunscrevem aos fenômenos de sofrimento intimo, porque surgem os desequilíbrios consequentes nas sinergias do corpo espiritual, com impositivos de reajuste em existências próximas.

É assim que após determinado tempo de reeducação, nos círculos de trabalho fronteiriços da Terra, os suicidas são habitualmente reinternados no plano carnal, em regime de hospitalização na cela física, que lhes reflete as penas e angústias na forma de enfermidades e inibições.

Ser-nos-á fácil, desse modo, identificá-los, no berço em que repontam, entremostrando a expiação a que se acolhem.

Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram, renascem trazendo as afecções valvulares, os achaques do aparelho digestivo, as doenças do sangue e as disfunções endocrínicas, tanto quanto outros males de etiologia obscura;

os que incendiaram a própria carne amargam as agruras da ictiose ou do pênfigo;

os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de gás, exibem os processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do enfisema ou dos cistos pulmonares;

os que se enforcaram carreiam consigo os dolorosos distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a paralisia cerebral infantil;

os que estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria cabeça sob rodas destruidoras, experimentam desarmonias da mesma espécie, notadamente as que se relacionam com o cretinismo,

e os que se atiraram de grande altura reaparecem portando os padecimentos da distrofia muscular progressiva ou da osteíte difusa.

Segundo o tipo de suicídio, direto ou indireto, surgem as distonias orgânicas derivadas, que correspondem a diversas calamidades congênitas, inclusive a mutilação e o câncer, a surdez e a mudez, a cegueira e a loucura, a representarem terapêutica providencial na cura da alma.

Junto de semelhantes quadros de provação regenerativa, funciona a ciência médica por missionária da redenção, conseguindo ajudar e melhorar os enfermos de conformidade com os créditos morais que atingiram ou segundo o merecimento de que disponham.

Guarda, pois, a existência como dom inefável, porque teu corpo é sempre instrumento divino, para que nele aprendas a crescer para a luz e a viver para o amor, ante a glória de Deus.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Religião dos Espíritos. Ed.FEB. Cap.48)

O BRASIL NO CONCERTO DAS NAÇÕES

            Meus Amigos, que o Senhor dos Mundos vos encha o coração de muita paz. De novo regresso a esta Casa, a fim de confabular convosco. Isso é-me grato ao coração, de modo a examinarmos a complexidade de nossos deveres nos setores das atividades que nos foram conferidas dentro da vida.

            Se falamos, da última vez, na dolorosa situação dos tempos modernos, ante as tenebrosas perspectivas e os sinistros vaticínios que pesam sobre a Civilização Ocidental, falaremos hoje da missão do Brasil, no concerto dos povos, como detentor de grandioso trabalho espiritual, no quadro das nações. Como a individualidade humana, os países têm, igualmente, a sua missão definida. A História da Civilização no-lo comprova.

            Em cada período de tempo, determinadas nações do mundo são convocadas pelo Alto a essa ou àquela missão especializada, na estrada intérmina dos destinos humanos.

            Antigamente, era a Grécia organizando os símbolos democráticos com a sabedoria de Atenas, depois a família romana desempenhando um papel relevante na formação do Estado, com as profundas realizações políticas do Império. Em seguida, bastará uma digressão através de todos os caminhos históricos da Humanidade a fim de examinarmos as missões coletivas dentro da comunidade internacional. Ainda há alguns séculos, víamos a Península Ibérica com a tarefa singular dos descobrimentos, a França com o trabalho superior de definir os direitos do homem, a Grã-Bretanha com a missão educativa de colonizar, levantando as almas pela cultura. Sim, cada povo tem a sua hora gloriosa marcada no relógio do tempo.

            Dentro do colosso americano, onde há quase cinco séculos formava o Plano Espiritual o imenso organismo da liberdade, erguia-se o Brasil como o coração do mundo, pulsando pelo mais sublime idealismo dentro da comunidade continental. Bastará um exame superficial na sua história, a fim de que verifiquemos, em todas as circunstâncias, a excelência da missão do Brasil, no quadro dos valores políticos e econômicos do mundo. Desde o descobrimento, a sua existência vem sendo assinalada por fatos providenciais. É que, aqui dentro, na vastidão da terra generosa, forma-se uma nova mentalidade para o mundo. Mentalidade dos bens fraternos que sabem felicitar o coração de todas as criaturas. À sombra de seus vastos potenciais econômicos, o homem do Brasil dilata as suas concepções da vida, no estuário da liberdade bem compreendida e bem aplicada. Seus fatos históricos revestem-se de característicos quase sobrenaturais. Enquanto o minúsculo Portugal se distraía com as suas fabulosas conquistas da Índia, o Brasil, quase milagrosamente, conservou a sua integridade territorial, apesar das forças poderosas de outras nações do Velho Continente. Os princípios da força jamais conseguiram desagregar os seus patrimônios extraordinários e, em cada acontecimento de sua vida nacional, há um traço de luz fulgurante, a luz do Evangelho, compelindo-nos a refletir no que se refere aos seus deveres profundos. Seus próprios políticos são sempre grandes missionários da ordem social, que, através de todas as tormentas dos eventos humanos, sabem conservar as mãos no leme da tranqüilidade coletiva, organizando núcleos de paz e formando a confiança geral, no melhor senso de administração e de ordem, imprescindível a todas as realizações.

            Semelhantes conceitos chegam-nos à mente de desencarnado, satisfeito por cooperar, de algum modo, convosco, em virtude das derradeiras arremetidas das organizações dogmáticas e clericalistas, que, na atualidade, pretendem mobilizar os sindicatos médicos contra as florações luminosas do Espiritismo no Brasil, desconhecendo o extraordinário fator de segurança e iluminação interior, provindos de nossos postulados de consolação e de paz.

            O Brasil, antes de tudo, antes de qualquer campanha em favor da coletividade, nesse ou naquele setor, necessita de organizar, não as lutas religiosas com pretensões ao Santo Ofício, mas detonar as armas do alfabeto, criando em toda parte a base da cultura indispensável, a fim de que seja cumprida, em toda a sua intensidade emocional, a grandiosa missão das almas que vivem sob a luz do Cruzeiro. Basta o livro, a fim de que o país chegue a realizar a precisa consciência real indispensável ao desdobramento de seus esforços, nos valores do mundo.

            Acusa-se o Espiritismo quanto a todas as manifestações místicas das multidões delinqüentes, quando essas expressões doentias do organismo social são filhas de modalidades afro-católicas, que perseveram nas massas humildes, sequiosas por compreenderem o sentido de seus trabalhos, na solução dos problemas profundos do destino e do ser.

            Espiritismo é paz e instrução, amor e luz moral, conduzindo a criatura humana ao conhecimento dos enigmas de sua própria personalidade. As agremiações econômicas dos credos organizados temem-lhe a influência salutar, no sentido de extirpar todas as úlceras da ignorância do coração dos mais desfavorecidos da sorte. A necessidade do momento que passa não é de lutardes com armas destruidoras de nossos esforços espirituais, mas sim a de evangelizarmos o ambiente do país, em que se desdobram as atividades do profissionalismo especializado, de modo a não perdermos as mais belas conquistas do coração na atualidade da tecnocracia.

            Que os aparelhos judiciários da nação operem no assunto, com o descortino espiritual de quem vê mais claro e mais longe. O problema do mundo inteiro não é mais de ciência, mas de consciência; e, para atingirmos esse elevado desiderato, necessitamos colocar, como nas leis naturais, o coração generoso entre o estômago e o cérebro.

            A missão do Brasil, repetimos, é das mais vastas na organização dos valores espirituais da civilização do futuro. Para esse fim, os exércitos do Invisível se desdobram, em todas as direções, a fim de se consolidarem os melhores conceitos morais em nossa evolução política, para as realizações mais avançadas.

            Em nosso esforço, não guardamos outro propósito além daquele de reviver o Evangelho do Divino Mestre, na sua pureza primitiva, porquanto deste coração ciclópico da América e do mundo há de partir para o ambiente internacional um cântico de hosanas! Unamo-nos para ao advento desse dia novo. Esqueçamos os conciliábulos políticos que se lembram das conferências de paz sobre os despojos sangrentos. Dentro de sua posição elevada, no capítulo das edificações espirituais, o Brasil prestará ao mundo os mais altos serviços, buscando ensinar com fraternidade, implantando a verdadeira concórdia e defendendo os seus nobres patrimônios, morais, guardando, sobre todas as coisas, o princípio inelutável do Direito e da Justiça.

            Vós outros, os que me ouvis, sem jamais haverdes freqüentado os núcleos do Espiritismo, não vos impressioneis com as minhas assertivas. No Espaço, uma das modernas tradições é a de que, ultimamente, chegam às portas do céu somente os ateus e materialistas generosos que fazem o bem pelo bem, alheios às convenções e ao sentido das compensas. Com essa lembrança não desejo menosprezar os esforços da fé, mas quero lembrar a necessidade do trabalho sincero, perseverante, decidido e leal nas mais belas expressões de solidariedade real e de simplicidade na vida!

            Se puderdes, ajudai-nos! Unamos os esforços para o mesmo fim, estendendo as mãos uns aos outros para a mesma grandiosa tarefa. O homem vale pela sua expressão de sentimento e de consciência e é dentro desses valores profundos que precisamos viver para a consecução das finalidades mais elevadas e mais puras.

            Que o Divino Mestre vos conceda muita paz ao íntimo é a rogativa sincera do irmão e amigo de sempre,

EMMANUEL

 

Folheto impresso na Tipografia Aliança, em Belo Horizonte-MG, em 1939, encimado pelo nome do médium Francisco Cândido Xavier e a epígrafe genérica – “Do outro Mundo”! Divulgado por Cícero Pereira. Transcrito de: Reformador, junho, 1979, p. 208-211; Reformador, setembro, 2013, p.353-4.

MENSAGEM DO DR. BEZERRA DE MENEZES

…Quando nós conseguimos introjetar o Cristo em nosso coração, a vida muda de significado, nós mudamos de trajetória e surge,… em nosso mundo interior, uma emoção completamente nova em que a criatura humana agora se identifica com o Criador e pode manter o intercâmbio de Pai a filho e filho a Pai.
Não lamenteis as dificuldades que ora assolam na Terra. A crise de qualquer natureza é uma experiência evolutiva para o desenvolvimento intelecto-moral da criatura humana.

Examinai a vida do Mundo espiritual para a Terra e não dos efeitos para a causa.

Somente nos acontece aquilo de que temos necessidade para evoluir.
Enriqueçamos, filhos amados, a nossa alma, com a dúlcida paz que vem de Jesus e deixemos que Ele norteie os nossos passos que nos levem pelas estradas difíceis que devemos vencer até alcançar o calvário sublime da nossa cruz de redenção.
Não sofreis sem um motivo justo.

A dor é um divino buril que lapida as imperfeições da alma.
É claro que a benção da saúde, o equilíbrio orgânico, emocional, psíquico, fazem parte também do esquema da vida espiritual, mas é necessário compreender que saímos do instinto para a razão e ainda não conseguimos imprimir a razão no bom tom, no ádito dos corações nem das atividades.

E como consequência, erramos, enganamo-nos, equivocamo-nos a cada passo, com o direito sublime da reparação.

Arrependamo-nos do mal que nos fizemos, expiemos como recomenda o egrégio codificador e reparemos através do amor e da misericórdia.

Jesus, meus filhos, espera por nós.

Que cada um de nós cumpra com o seu dever.

Que cada um de nós realize o mínimo ao seu alcance, esse mínimo que seja, possivelmente, uma grande parte para quem recebe, nada tendo.

A nossa jornada na Terra é uma experiência de libertação.

Não mais tergiversemos, não nos permitamos mais tombar nos desfiladeiros da agonia pela presunção, pelo egotismo.

É ampla a estrada do amor embora a porta redentora seja estreita.

Entremos por ela, atentando para encontrarmos na casa do Pai o lugar de misericórdia que nos está reservado.

Servir é a honra que nos cabe.

Amai, é a oportunidade de autorredenção e confiai infinitamente no amor do Amado em nome do Pai Celestial para que as Suas bênçãos penetrem-nos a alma e libertem-nos das aflições.

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe, são os votos do humilde servidor paternal em nome dos amigos espirituais deste templo para todos vós.
Muita paz…

Bezerra (*)

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, no final da conferência realizada no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, na noite de 27 de agosto de 2015).

(*) Revista pelo Autor espiritual.

PEDRO, O APÓSTOLO

Enquanto a Capital dos mineiros, dirigida pelos seus elementos eclesiásticos, se prepara, esperando as grandes manifestações de fé do segundo Congresso Eucarístico Nacional, chegam os turistas elegantes e os peregrinos invisíveis.

[…] Foi nesse ambiente que a figura de um homem trajado à israelita, lembrando alguns tipos que em Jerusalém se dirigem, freqüentemente, para o lugar sagrado das lamentações, aguçou a minha curiosidade incorrigível de jornalista.

 – Um judeu?! – exclamei, aguardando as novidades de uma entrevista.

– Sim, fui judeu, há algumas centenas de anos – respondeu laconicamente o interpelado.

Sua réplica exaltou a minha bisbilhotice e procurei atrair a atenção da singular personagem.

– Vosso nome? – continuei.

– Simão Pedro.

– O Apóstolo?

E a veneranda figura respondeu afirmativamente, colando ao peito os cabelos respeitáveis da barba encanecida.

Surpreso e sedento da sua palavra, contemplei aquela figura hebraica, cheia de simplicidade e simpatia. Ao meu cérebro afluíam centenas de perguntas, sem que pudesse coordená-las devidamente.

– Mestre – disse-lhe, por fim -, Vossa palavra tem para o mundo um valor inestimável. A cristandade nunca vos julgou acessível na face da Terra, acreditando que vos conserváveis no Céu, de cujas portas resplandecentes guardáveis a chave maravilhosa. Não teríeis algumas mensagens do Senhor para transmitir à Humanidade, neste momento angustioso que as criaturas estão vivendo?

E o Apóstolo venerável, dentro da sua expressão resignada e humilde, começou a falar:

– Ignoro a razão por que revestiram a minha figura, na Terra, de semelhantes honrarias. Como homem, não fui mais que um obscuro pescador da Galiléia e, como discípulo do Divino Mestre, não tive a fé necessária nos momentos oportunos. O Senhor não poderia, portanto, conferir-me privilégios, quando amava todos os seus apóstolos com igual amor.

– É conhecida, na história das origens do Cristianismo, a vossa desinteligência com Paulo de Tarso. Tudo isso é verdadeiro?

 – De alguma forma, tudo isso é verdade – declarou bondosamente o Apóstolo. – Mas, Paulo tinha razão. Sua palavra enérgica evitou que se criasse uma aristocracia injustificável, que, sem ele, teria que desenvolver-se fatalmente entre os amigos de Jesus, que se haviam retirado de Jerusalém para as regiões da Batanéia.

– Nada desejais dizer ao mundo sobre a autenticidade dos Evangelhos?

– Expressão autêntica da biografia e dos atos do Divino Mestre, não seria possível acrescentar qualquer coisa a esse livro sagrado. Muita iniqüidade se tem verificado no mundo em nome do estatuto divino, quando todas as hipocrisias e injustiças estão nele sumariamente condenadas.

 – E no capítulo dos milagres?

– Não é propriamente milagre o que caracterizou as ações práticas do Senhor. Todos os seus atos foram resultantes do seu imenso poder espiritual. Todas as obras a que se referem os Evangelistas são profundamente verdadeiras.

E, como quem retrocede no tempo, o Apóstolo monologou:

– Em Carfanaum, perto de Genesaré, e em Betsaida, muitas vezes acompanhei o Senhor nas suas abençoadas peregrinações. Na Samaria, ao lado de Cesaréia de Felipe, vi suas mãos carinhosas dar vistas aos cegos e consolação aos desesperados. Aquele sol claro e ardente da Galiléia ainda hoje ilumina toda a minha alma e, tantos séculos depois de minhas lutas no mundo, ao lado de alguns companheiros procuro reivindicar para os homens a vida perfeita do Cristianismo, com o advento do Reino de Deus, que Jesus desejou fundar, com o seu exemplo, em cada coração…

[…] E, quando a figura venerada de Simão parecia prestes a prosseguir na sua jornada, inquiri, abruptamente:

– Qual o vosso objetivo, atualmente, no Brasil?

– Venho visitar a obra do Evangelho aqui instituída por Ismael, filho de Abraão e de Agar, e dirigida dos espaços por abnegados apóstolos da fraternidade cristã.

– E estais igualmente associado às festas do segundo Congresso Eucarístico Nacional? – perguntei.

Mas, o bondoso Apóstolo expressou uma atitude de profunda incompreensão, ao ouvir as minhas derradeiras palavras.

Foi quando, então, lhe mostrei o rico monumento festivo, as igrejas enfeitadas de ouro, os movimentos de recepção aos prelados, exclamando ele, afinal: – Não, meu filho!… Esperam-me longe destas ostentações mentirosas os humildes e os desconsolados. O Reino de Deus ainda é a promessa para todos os pobres e para todos os aflitos da Terra. A Igreja romana, cujo chefe se diz possuidor de um trono que me pertence, está condenada no próprio Evangelho, com todas as suas grandezas bem tristes e bem miseráveis. A cadeira de São Pedro é para mim uma ironia muito amarga… Nestes templos faustosos não há lugares para Jesus, nem para os seus continuadores…”

Humberto de Campos

Mensagem recebida no dia 25 de agosto de 1936.

(Transcrição parcial de: Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Humberto de Campos. Crônicas de além-túmulo. Cap.20. Rio de Janeiro: FEB, 2008)