Oração nossa

Senhor,

ensina-nos a orar sem esquecer o trabalho,

a dar sem olhar a quem,

a servir sem perguntar até quando,

a sofrer sem magoar seja a quem for,

a progredir sem perder a simplicidade,

a semear o bem sem pensar nos resultados,

a desculpar sem condições,

a marchar para a frente sem contar os obstáculos,

a ver sem malícia,

a escutar sem corromper os assuntos,

a falar sem ferir,

a compreender o próximo sem exigir entendimento,

a respeitar os semelhantes sem reclamar consideração,

a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever

sem cobrar taxas de reconhecimento.

Senhor,

fortalece em nós a paciência para com as dificuldades

dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros

para com as nossas próprias dificuldades.

Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo

que não desejamos para nós.

Auxilia-nos sobretudo a reconhecer que a nossa

felicidade mais alta será invariavelmente

aquela de cumprir os desígnios, onde e

como queiras, hoje, agora e sempre.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. A Luz da Oração. FEB)

Materialismo e atualidade

Nos mais diversos grupos religiosos temos companheiros que se confessam desolados por desenganos e se retiram da fé, asseverando-se dispostos a viver sem Deus. Viver sem Deus para eles significa a demissão das disciplinas e obrigações que nos frenam os impulsos inferiores e nos impõem os deveres da educação própria.

Livres tais quais somos, procedem assim acreditando que se farão mais felizes pela adoção de semelhante atitude. No entanto, não se sabe de nenhum deles que haja chegado com isso à paz íntima, alicerce fundamental da felicidade.

É que a consciência ocupa em nós muito mais espaço que todas as estruturas que nos constituem o corpo e a alma.

Na Terra de hoje, em nos reportando ao veículo físico, transplantam-se peças determinadas e até mesmo certos órgãos podem ser extraídos sem prejuízo para a existência da criatura. Não existe, porém, qualquer cirurgia que atinja as forças da consciência. Será possível alterar ou anestesiar funções do cérebro que serve-lhes de moradia, impedindo-se-lhes temporariamente as manifestações, mas todo processo de sedação do campo mental, que não se filie ao critério científico para efeito de tratamento ou de cura, resultará sempre em desequilíbrio do qual a vítima voltará à revisão de si mesma para o necessário reajustamento.

Nenhum de nós foi criado para a irresponsabilidade. Urge observar ainda que não somos tão ingênuos a ponto de admitir que basta crer em Deus para que nos sintamos anjos, ao invés de criaturas humanas.

Justamente por isso é que nos conhecemos nos débitos, defeitos, imperfeições, deficiências e inclinações menos felizes que ainda nos caracterizem a individualidade. Entretanto, vale muito mais aceitarmo-nos como somos e aceitarmos os outros como ainda são, trabalhando pelo bem de todos, sob a inspiração da confiança em Deus, do que, a pretexto de virtude ou superioridade, nos declararmos contra Deus, caindo na rebeldia ou no ódio, na violência ou na sovinice, na inveja ou na criminalidade, no alcoolismo ou na toxicomania, na sexualidade descontrolada ou nos desvarios da inteligência.

Há quem diga, e com razão, que milhões de companheiros da Humanidade se bandeiam neste século para o materialismo. Todos eles, porém, permanecem no tumulto e na insegurança, procurando a paz e a alegria que não encontram. E isso ocorre, inelutavelmente, porque toda vez que nos arvoramos contra Deus optamos pela desorientação de nossa própria vida.

Diante dos irmãos que se afastam dos templos e oficinas da fé religiosa, oremos pela tranquilidade deles, porquanto se escolhem fugir de Deus, alegando obstáculos e tribulações na estrada real para a Vida Superior, muito maiores serão as dificuldades com que se observarão defrontados no terreno desconhecido em que se marginalizam.

E prossigamos atentos nas obrigações que nos cabem, claramente convencidos de que todos aqueles companheiros nossos que pretendem a fuga de Deus continuam em Deus, ante a impossibilidade de viverem sem a própria consciência. Sofrem com a ausência de mais profunda intimidade com as tarefas alusivas à inspiração de Deus, suspiram pelo retorno à fé e se atormentam com a sede de harmonia interior, motivos pelos quais à disciplina das Leis de Deus todos eles voltarão.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido; Pires, Herculano; Espíritos diversos. Diálogo dos vivos. Cap. 4. São Bernardo do Campo: GEEM).

Oração de Paz 

Em tudo o que ames

Deus te conduza.

Com quem vivas

Deus te aperfeiçoe.

No que saibas,

Deus te aproveite.

Onde fales

Deus te inspire.

No que faças

Deus te esclareça.

Em tudo o que peças,

Deus te dê o melhor.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Busca e Acharás. Ed. GEEM)

TRIO ESSENCIAL

Na reunião da noite de 28 de abril de 1955, foi Emmanuel quem senhoreou as faculdades psicofônicas do médium, transmitindo-nos instruções acerca da constituição de elementos para o êxito nas tarefas de intercâmbio com o mundo espiritual.

"Meus amigos.

O êxito da reunião mediúnica, como corpo de serviço no plano terrestre, exige três elementos essenciais: O orientador. O médium. O assistente.

Nesse conjunto de recursos tríplices, dispomos de comando, obediência e cooperação. O primeiro é o cérebro que dirige. O segundo é o coração que sente. O terceiro é o braço que ajuda.

Sem a segurança e a ponderação do cérebro, seremos arremessados, irremediavelmente, ao desequilíbrio. Sem o carinho e a receptividade do coração, sofreremos o império do desespero. Sem o devotamento e a decisão do braço, padeceremos a inércia.

Contudo, para que o trio funcione com eficiência, são necessários três requisitos na máquina de ação em que se expressam: Confiança. Boa-vontade. Harmonia. Harmonia que traduza disciplina, ordem e respeito. Confiança que signifique fé, otimismo e sinceridade. Boa-vontade que exprima estudo, compreensão e serviço espontâneo ao próximo.

Não podemos esquecer, ainda, que essa máquina deve assentar-se em três alicerces distintos: Aperfeiçoamento interior. Oração com vigilância. Dever bem cumprido.

Obtida a sintonia nesse triângulo de forças, poderá, então, a Espiritualidade Superior, através de fatores humanos, empreender entre os homens encarnados a realização dos seus três grandes objetivos: A elevação moral da ciência. O esclarecimento da filosofia. A liberdade da religião.

Com a ciência dignificada, não trairemos no mundo o rítmo do progresso. Com a filosofia enobrecida, clarearemos os horizontes da alma. Com a religião liberta dos grilhões que lhe encadeiam o espírito glorioso às trevas da discórdia e do fanatismo, poderemos distender o socorro e a beneficência, a fraternidade e a educação.

Reunamo-nos nas bases a que nos referimos, sob a inspiração do Cristo, Nosso Mestre e Senhor, e as nossas reuniões mediúnicas serão sempre um santuário de caridade e um celeiro de luz."

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Instruções Psicofônicas. Cap.59. FEB)

OPINIÕES

“Ai de vós, quando todos os homens de vós disserem bem,
 porque assim faziam seus pais aos falsos profetas” – Jesus (Lucas, 6: 26)

Indubitavelmente, muitas pessoas existem de parecer estimável, às quais podemos recorrer nos momentos oportunos, mas que ninguém despreze a opinião da própria consciência, porquanto a voz de Deus, comumente, nos esclarecerá nesse santuário divino.

Rematada loucura é o propósito de contar com a aprovação geral ao nosso esforço.

Quando Jesus pronunciou a sublime exortação desta passagem de Lucas, agiu com absoluto conhecimento das criaturas.

Sabia o Mestre que, num plano de contrastes chocantes como a Terra, não será possível agradar a todos simultaneamente.

O homem da verdade será compreendido apenas, em tempo adequado, pelos espíritos que se fizerem verdadeiros.

O prudente não receberá aplauso dos imprudentes.

O Mestre, em sua época, não reuniu as simpatias comuns.

Se foi amado por criaturas sinceras e simples, sofreu impiedoso ataque dos convencionalistas.

 Para Maria de Magdala era Ele o Salvador; para Caifás, todavia, era o revolucionário perigoso.

O tempo foi a única força de esclarecimento geral.

Se te encontras em serviço edificante, se tua consciência te aprova, que te importam as opiniões levianas ou insinceras?

Cumpre o teu dever e caminha.

Examina o material dos ignorantes e caluniadores como proveitosa advertência e recorda-te de que não é possível conciliar o dever com a leviandade, nem a verdade com a mentira.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. Cap. 80. FEB)

Corpo

Abstendo-nos de qualquer digressão científica, porquanto os livros técnicos de educação usual são suficientemente esclarecedores no que reporta aos aspectos exteriores do corpo humano, lembremo-nos de que o Espírito, inquilino da casa física, lhe preside à formação e à sustentação, consciente ou inconscientemente, desde a hora primeira da organização fetal, não obstante quase sempre sob os cuidados protetores de Mensageiros da Providência Divina.

Trazendo consigo mesmo a soma dos reflexos bons e menos bons de que é portador, segundo a colheita de méritos e prejuízos que semeou para si mesmo no solo do tempo, o Espírito incorpora aos moldes reduzidos do próprio ser as células do equipamento humano, associando-as à própria vida, desde a vesícula germinal.

Amparado no colo materno, estrutura-se-lhe o corpo mediante as células referidas, que, em se multiplicando ao redor da matriz espiritual, como a limalha de ferro sobre o ímã, formam, a principio, os folhetos blastodérmicos de que se derivam o tubo intestinal, o tubo nervoso, o tecido cutâneo, os ossos, os músculos, os vasos.

Em breve, atendendo ao desenvolvimento espontâneo, achase o Espírito materializado na arena física, manifestando-se pelo veículo carnal que o exprime.

Esse veículo, constituído por bilhões de células ou individuações microscópicas, que se ajustam aos tecidos sutis da alma, partilhando-lhes a natureza eletromagnética, lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas, em comprimento de onda específica, emitindo irradiações próprias e assimilando as irradiações do plano em que se encontram, tudo sob o comando de um único diretor: a mente.

Desde a fase embrionária do instrumento em que se manifestará no mundo, o Espírito nele plasma os reflexos que lhe são próprios.

Criaturas existem tão conturbadas além-túmulo com os problemas decorrentes do suicídio e do homicídio, da delinquência e da viciação, que, trazidas ao renascimento, demonstram, de imediato, os mais dolorosos desequilíbrios, pela disfunção vibratória que os cataloga nos quadros da patologia celular.

As enfermidades congênitas nada mais são que reflexos da posição infeliz a que nos conduzimos no pretérito próximo, reclamando-nos a internação na esfera física, às vezes por prazo curto, para tratamento da desarmonia interior em que fomos comprometidos.

Surgem, porém, outras cambiantes dos reflexos do passado na existência do corpo, da culpa disfarçada e dos remorsos ocultos. São plantações de tempo certo que a lei de ação e reação governa, vigilante, com segurança e precisão.

É por isso que, muitas vezes, consoante os programas traçados antes do berço, na pauta da dívida e do resgate, a criatura é visitada por estranhas provações, em plena prosperidade material, ou por desastres fisiológicos de comovente expressão, quando mais irradiante se lhe mostra a saúde.

Contudo, é imperioso lembrar que reflexos geram reflexos e que não há pagamento sem justos atenuantes, quando o devedor se revela amigo da solução dos próprios débitos.

A prática do bem, simples e infatigável pode modificar a rota do destino, de vez que o pensamento claro e correto, com ação edificante, interfere nas funções celulares, tanto quanto nos eventos humanos, atraindo em nosso favor, por nosso reflexo melhorado e mais nobre, amparo, luz e apoio, segundo a lei do auxílio.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e vida. Cap.14. FEB)

Cruzada de amor

Os altos índices da atual delinquência infanto juvenil, cada dia mais afligentes, atestam o malogro da cultura, diante do problema desafio, que se converte em látego, vigorosamente aplicado na criatura humana.

O menor carente, que assume um comportamento anti-social, é a pungente vítima dos desequilíbrios que sacodem as estruturas da comunidade terrestre.

Os estudos sinceros que pesquisam as causas da criança em abandono, não se deveriam deter apenas nos fatores sócioeconômicos, sócio-políticos, encarregados dos despovoamentos dos campos e a consequente densificação massificadora dos centros urbanos; os sub-empregos e biscates; as favelas, promíscuas e insalubres; a ignorância; o sexo sem responsabilidade, senão, também, o desamor que grassa em toda parte, tomando as criaturas indiferentes aos problemas e necessidades mais primárias e mais urgentes do seu próximo.

Este drama não é apenas de um povo, senão da maior parte dos países que constituem a Humanidade.

Não é uma resultante exclusiva da miséria econômica, desde que o menor em desvalimento moral é encontrado nas chamadas sociedades abastadas, apresentando as chagas decorrentes da situação em que se encontram.

Certamente, a questão requer mais profundo exame, a fim de que se encontrem as soluções adequadas. Todavia, enquanto não se podem aplicar os iecursos especializados, deve-se tentar a experiência do amor, considerando-se a grave ocorrência como de todos, conforme o é, antes que somente dos administradores e governos.

Toda e qualquer aplicação em favor da criança carente faz-se um investimento de multiplicadas bênçãos.

Inutilmente se tomarão medidas saneadoras contra a violência e a agressividade, sem que se incorram em infelizes atitudes idênticas, nada se conseguindo em relação ao futuro, que se delineia sombrio.

A terapêutica deverá ser preventiva, impedindo- se o contágio pelo crime, antes que a punição irada contra quem se apresente visceralmente enfermo.

A obra não pode ser realizada sob a comoção dos torpes acontecimentos que enxameiam nos periódicos sensacionalistas e se multiplicam nas ruas e domicílios do mundo. Antes, examinada com os sentimentos da piedade fraternal e da solidariedade que todos nos devemos uns aos outros e que é um grave compromisso para com as gerações novas.

A superabundância de uns, que se responsabiliza pela miséria de muitos, não deve esperar que as suas vítimas se rebelem, tomando pela fúria do ódio o que lhes é devido pelo natural impositivo do amor, sem que derruam, nas suas bases, os patrimônios culturais, éticos e sociais louváveis da atualidade, adquiridos a penates, no suceder demorado dos milênios vencidos.

O mais valioso empreendimento humano é o amor, e a mais elevada conquista da vida é o homem no seu processo de engrandecimento, na direção da Vida.

Em cada delinquente de agora se encontra, desesperado, o menor que foi relegado ontem à própria sorte.

O porvir da Humanidade futura decorrerá do tratamento que seja deferido à criança de hoje.

Não somente é justo profligar o crime, senão trabalhar para erradicá-lo nas suas nascentes; nem apenas invectivar contra os erros da sociedade, deixando de contribuir efetivamente para impedir-lhes a proliferação, até extirpá-los do organismo social.

A quota a oferecer ao menor carente é parte da dívida que todos temos para com a floração do porvir.

Todos cidadãos, religiosos ou não, encontram-se convocados para a cruzada de amor, em favor da criança carente e ninguém se pode escusar, pretextando não dispor de recursos para contribuir.

O simples querer ajudar já é de relevante valia, iniciando-se pelo ato simpático de sorrir para uma criança e dignificá-la com atenção, oferecendo-lhe uma palavra amiga, ao mesmo tempo esforçando-se por fomentar nas consciências o respeito pelo homem do futuro, trabalhando, a sós ou em grupo, a fim de que logo chegue o dia em que o culto do amor ao próximo não seja exercido pelo receio de ser vitimado por aqueles que a negligência e o egoísmo tenham vitimado.

Amor hoje e socorro também.

Prevenção do mal agora com ação positiva simultânea.

O menor, na miséria, que espia o adulto, na opulência, cedo ou tarde buscará, infelizmente por métodos errados, o que nos cumpre doar-lhe pelo sentimento correto do bem.

Todos têm direito, na comunidade humana, ao mínimo que seja, para viver com decência e liberdade. Negar tal concessão é conspirar contra e felicidade do próximo e a própria paz, agora ou depois.

Façamos a nossa parte, por menor que pareça, iniciando esta cruzada de amor, que vem sendo postergada, e que não realizada, levar-nos-á aos roteiros do sofrimento e da soledade por incúria e insensatez.

Hoje brilha a luz da formosa oportunidade que se transformará em abençoado sol do amanhã, a fim de que as trevas do mal se afastem, em definitivo, da Terra, havendo perene claridade de paz nas mentes e nos corações.

BENEDITA FERNANDES

(Página psicografada por Divaldo Pereira Franco, em Araçatuba, SP, na residência de Célia e Cesar Perri, no dia 20/11/1979. Publicada em "Dama da caridade", de autoria de Antonio Cesar Perri de Carvalho, 1a.ed., 1982).

NO RECINTO DOMÉSTICO

Bondade no campo doméstico é a caridade começando de casa.

Nunca fale aos gritos, abusando da intimidade com os entes queridos.

Utilize os pertences caseiros sem barulho, poupando o lar a desequilíbrio e perturbação.

Aprenda a servir-se, tanto quanto possível, de modo a não agravar as preocupações da família.

Colabore na solução do problema que surja, sem alterar-se na queixa.

A sós ou em grupo, tome a sua refeição sem alarme.

Converse edificando a harmonia.

É sempre possível achar a porta do entendimento mútuo, quando nos dispomos a ceder, de nós mesmos, em pequeninas demonstrações de renúncia a pontos de vista.

Quantas vezes um problema aparentemente insolúvel pede tão somente uma palavra calmante para ser resolvido?

Abstenha-se de comentar assuntos escandalosos ou inconvenientes.

Em matéria de doenças, fale o estritamente necessário.

Procure algum detalhe caseiro para louvar o trabalho e o carinho daqueles que lhe compartilham a existência.

Não se aproveite da conversação para entretecer apontamentos de crítica ou censura, seja a quem seja.

Se você tem pressa de sair, atenda ao seu regime de urgência com serenidade e respeito, sem estragar a tranquilidade dos outros.

André Luiz

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo Espírito André Luiz. Sinal Verde. Lição nº 04. CEC)

 

No lar

Começar na intimidade do templo doméstico a exemplificação dos princípios que esposa, com sinceridade e firmeza, uniformizando o próprio procedimento, dentro e fora dele.

Fé espírita no clima da família, fonte do espiritismo no campo social. 

Calar todo impulso de cólera ou violência, amoldando-se ao Evangelho de modo a estabelecer a harmonia em si mesmo perante os outros.

A humildade constrói para a Vida Eterna. 

Proporcionar às crianças os fundamentos de uma educação sólida e bem orientada, sem infundir-lhes medo ou fantasias, começando por dar-lhes nomes simples e naturais, evitando a pompa dos nomes famosos, suscetíveis de lhes criar embaraços futuros.

O lar é a escola primeira. 

Sempre que possível, converter o santuário familiar em dispensário de socorro aos menos felizes, pela aplicação daquilo que seja menos necessário à manutenção doméstica.

A Seara do Cristo não tem fronteira. 

Se está sozinho com a sua fé, no recesso do próprio lar, deve o espírita atender fielmente ao testemunho de amor que lhe cabe, lembrando-se de que responderá, em qualquer tempo, pelos princípios que abraça.

A ribalta humana situa-nos sempre no papel que devamos desempenhar. 

Ao menos, uma vez por semana, formar o culto do Evangelho com todos aqueles que lhe co-participam da fé, estudando a Verdade e irradiando o Bem, através de preces e comentários em torno da experiência diária à luz dos postulados espíritas.

Quem cultiva o Evangelho em casa, faz da própria casa um templo do Cristo. 

Evitar o luxo supérfluo nos aposentos, objetos e costumes, imprimindo em tudo características de naturalidade, desde os hábitos mais singelos até os pormenores arquitetônicos da própria moradia.

Não há verdadeiro clima espírita cristão sem a presença da simplicidade conosco. 

"Aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus." Paulo. (I Timóteo, 5:4.) 

​​André Luiz

(Vieira, Waldo. Conduta Espírita, cap. 5, FEB) 

 

O NOVO MANDAMENTO

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameia uns aos outros, como eu vos amei.”
Jesus (JOÃO, 13:

A leitura despercebida do texto induziria o leitor a sentir nessas palavras do Mestre absoluta identidade com o seu ensinamento relativo à regra áurea. Entretanto, é preciso salientar a diferença.

O “ama a teu próximo como a ti mesmo” é diverso do “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”.

O primeiro institui um dever, em cuja execução não é razoável que o homem cogite da compreensão alheia.

O aprendiz amará o próximo como a si mesmo. Jesus, porém, engrandeceu a fórmula, criando o novo mandamento na comunidade cristã.

O Mestre refere-se a isso na derradeira reunião com os amigos queridos, na intimidade dos corações.

A recomendação “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” assegura o regime da verdadeira solidariedade entre os discípulos, garante a confiança fraternal e a certeza do entendimento recíproco.

Em todas as relações comuns, o cristão amará o próximo como a si mesmo, reconhecendo, contudo, que no lar de sua fé conta com irmãos que se amparam efetivamente uns aos outros.

Esse é o novo mandamento que estabeleceu a intimidade legítima entre os que se entregaram ao Cristo, significando que, em seus ambientes de trabalho, há quem se sacrifique e quem compreenda o sacrifício, quem ame e se sinta amado, quem faz o bem e quem saiba agradecer.

Em qualquer círculo do Evangelho, onde essa característica não assinala as manifestações dos companheiros entre si, os argumentos da Boa Nova podem haver atingido os cérebros indagadores, mas ainda não penetraram o santuário dos corações.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Caminho, verdade, vida. Cap. 179. FEB)