Significado espírita do pão

Significado espírita do pão

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Meses atrás fomos convidados para o programa “Gotas de Esperança" do Instituto de Difusão Espírita Allan Kardec – IDEAK, para desenvolver tema com base no capítulo “Pão de cada dia”, do livro Caminho, Verdade e Vida (Cap. 174, Emmanuel/FCX).

O autor espiritual induz ao raciocínio e interpretação espiritual sobre o significado do pão: “O servo trabalha e o Altíssimo lhe abençoa o suor. É nesse processo de íntima cooperação e natural entendimento que o Pai espera colher, um dia, os doces frutos da perfeição no espírito dos filhos”.

Naquela oportunidade, tivemos condição de divagarmos sobre o tema e extrapolarmos a visão estrita de alimento material.

Historicamente, o pão sempre foi considerado marcante nos textos bíblicos.

Em todos os tempos, mesmo nos mais remotos, foi o pão o principal alimento dos hebreus. Era um elemento essencial nas ofertas e nos rituais de adoração.

O pão é mencionado em várias passagens no Antigo e Novo Testamento e seu significado vai além do aspecto físico do alimento.

Com base em João (6, 35) Jesus se identificou como o “pão da vida”: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”.

Ele se apresenta como fonte de vida espiritual e que aqueles que creem nele encontrarão satisfação e plenitude.

Na Última Ceia, disse Jesus: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lucas 22, 19).

Nesse contexto, o pão também representa o corpo de doutrina, de pensamentos e ensinos, para que seja incorporado entre as pessoas. É a melhor memória!

Em festas judaicas a celebração da refeição é iniciada com o pão.

O pão também simboliza o reforço de laços familiares ao se reunirem para comê-lo.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo (Cap. 28), Kardec analisa cada frase da prece do Pai Nosso, e, sobre “Dá-nos o pão de cada dia”, destaca a ideia que deve animar o sentimento de quem a profere: “Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo; mas dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito”.

Em obra formidável – Pai Nosso – o espírito Meimei, pela psicografia de Chico Xavier tem um capítulo sobre a frase: “pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. A mensageira espiritual destaca que “O pão nosso de cada dia não é somente o almoço e o jantar, o café e a merenda. É também a ideia e o sentimento, a palavra e a ação.” E encerra o capítulo anotando: “Em Jesus temos o pão que desceu do Céu.

E, ainda hoje, o Mestre continua alimentando o pensamento da Humanidade, por intermédio de um Livro — o Evangelho Divino, em que ele nos ensina, através da bondade e do amor, o caminho de nossa felicidade para sempre”.

Portanto, o “pão da vida”, os ensinos de Jesus representam o verdadeiro e inextinguível alimento para o espírito imortal!

Nas estradas

Nas estradas

“E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada.” Jesus (Marcos, 4:15)

Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor.

Junto dele seguem, esperançosos, todos os espíritos de boa vontade, aderentes sinceros ao roteiro santificador.

Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz Celestial para os homens comuns.

Faz-se imprescindível muita observação das criaturas, para que o tesouro não lhes passe despercebido.

A semente santificante virá sempre, entre as mais variadas circunstâncias.

Qual ocorre ao vento generoso que espalha, entre as plantas, os princípios de vida, espontaneamente, a bondade invisível distribui com todos os corações a oportunidade de acesso à senda do amor.

Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos vulgares de cada dia, num livro, numa particularidade insignificante do trabalho, na prestimosa observação de um amigo.

Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas e se já recebeste o princípio celeste, cultiva-o, com devotamento, abrigando-o nas leiras de tua alma.

O verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é imperecível.

Aceita-a e cumpre-a, porque, se te furtas ao imperativo da vida eterna, cedo ou tarde o anjo da angústia te visitará o espírito, indicando-te novos rumos.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 25. FEB)

Divaldo anuncia o filme “Benedita uma heroína invisível” para a Mansão do Caminho

Divaldo anuncia o filme “Benedita uma heroína invisível” para a Mansão do Caminho

Em programa da TV Mansão do Caminho, Divaldo Pereira Franco anuncia a apresentação do filme “Benedita uma heroína invisível. O legado da superação” na Mansão do Caminho (Salvador), no dia 19 de novembro de 2024. Inclusive mostra a primeira mensagem que ele psicografou, assinada pelo espírito Benedita Fernandes, em Araçatuba (1973).

Esse filme, produzido por Sirlei Nogueira (Cocriação/Lalucci), tem enredo baseado em biografia sobre Benedita Fernandes, elaborada por Cesar Perri, e entre os entrevistados focalizados no filme, destaca-se a participação de Divaldo Pereira Franco.

Informações sobre agendamento do filme: Whatzapp 18-99709-4684.

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Decepções, ingratidão e o “a César e a Deus”

Decepções, ingratidão e o “a César e a Deus”

Na reunião pública da Instituição Nosso Lar (Araçatuba), domingo pela manhã, no dia 27 de outubro, Osvaldo Magro Filho expôs, seguindo “O Livro dos Espíritos”, sobre “Decepções. Ingratidão. Afeições Destruídas”; Carlos Alberto de Souza, com base em “O Evangelho segundo o Espiritismo” abordou o tema “dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. A reunião também é transmitida pela Instituição e pela Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes.

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Espíritos da Terra e destinos

Espíritos da Terra e destinos

No estudo virtual do livro “Emmanuel” (psicografado por Chico Xavier), no dia 29 de outubro foram analisados os capítulos XXXI e XXXII – Os espíritos da Terra – Dos destinos. Há anotações significativas de Emmanuel: “Está cheio o vosso mundo de Espíritos atrasados em sua evolução, encarnados e desencarnados, em cujas mentes ainda não se fixaram nitidamente as noções do dever em todos os seus prismas. […] A luta é o meio para o êxito na conquista da vida”. A exposição foi feita por Cesar Perri; no final, ocorreram diálogos dos participantes. A reunião foi coordenada por Pedro Nakano. Essa programação promovida pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo-CCDPE (São Paulo), é coordenada por Perri e se desenvolve às terças-feiras, às 20h.

Inscrições pelo link: bit.ly/CCDPE-Trajetoria

A Prática do Evangelho no Lar em quatro idiomas

A Prática do Evangelho no Lar em quatro idiomas

A série A Prática do Evangelho no Lar busca oferecer um bate-papo informal sobre a importância pacificadora do Evangelho no Lar para o templo doméstico e a convivência familiar, como realizá-lo de maneira simples e dinâmica, como criar uma ambiência agradável na família, dentre outros tópicos. Serão 9 episódios em quatro idiomas: espanhol, francês, inglês e português.

As LIVES serão realizadas no nosso canal do Youtube e gostaríamos de recomendar que façam a subscrição para receberem a notificação das próximas LIVES (copie e cole):  https://www.youtube.com/@sembradoresdeluz3303/streams

Lembramos que em nosso canal vocês poderão ter acesso aos episódios já realizados. Aproveitamos para também convidá-los a visitarem nossa Webpage, Instagram e Facebook.

Esperamos vocês! Sembradores de Luz – Instituição Espírita Virtual de apoio aos educadores, a infância, a juventude e a família.

Mais informações (copie e cole):

contacto@sembradoresluz.org

Como testemunhar

Como testemunhar

“Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser­me­eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samária, e até aos confins da Terra.” (Atos, 1:8)

Realmente, Jesus é o Salvador do Mundo, mas não libertará a Terra do império do mal, sem a contribuição daqueles que lhe procuram os recursos salvadores.

O Divino Mestre, portanto, precisa de auxiliares com atribuições de prepostos e testemunhas, em toda parte.

É impraticável o aprimoramento das almas, sem educação, e a educação exige legiões de cooperadores.

Contudo, para desempenharmos a tarefa de representantes do Senhor, na obra sublime de elevação, não basta o título externo, com vistas à escola religiosa. Indispensável é a obtenção de bênçãos do Alto, por intermédio da execução de nossos deveres, por mais difíceis e dolorosos.

Até agora, conhecemos à saciedade, na Terra, o poder de dominar, governar, recusar e ferir, de fácil acesso no campo da vida.

Raras criaturas, porém, fazem por merecer de Jesus o poder celeste de obedecer, ensinando, de amar, construindo para o bem, de esperar, trabalhando, de ajudar desinteressadamente.

Sem a recepção de semelhantes recursos, que nos identificam com o Trabalhador Divino, e sem as possibilidades de refleti-­Lo para o próximo, em espírito e verdade, através do nosso esforço constante de aplicação pessoal do Evangelho, podemos personificar excelentes pregadores, brilhantes literatos ou notáveis simpatizantes da doutrina cristã, mas não testemunhas d’Ele.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão Nosso. Cap. 173. FEB)

Educação com valores e sentimentos

Educação com valores e sentimentos

 

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O assunto educação à luz do espiritismo, ao longo do século XX, contou com variados momentos: de implantação de programas para crianças e jovens, depois para adultos; a criação de instituições de ensino espíritas e as propostas para as orientações básicas nos ambientes familiares.

Por razões legais, surgiu um novo cenário para as instituições de ensino, com a promulgação da Constituição Brasileira, em 1988 e a vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394, de 20/12/1996). Além da premissa da laicidade, cabem aos Conselhos de Educação Municipais, Estaduais e o Nacional, a definição de requisitos para a autorização e para a avaliação de instituições de ensino e para oferta de seus cursos.

Nesse contexto, e por cenários mercadológicos, a maioria das instituições de educação espíritas não subsistiram. Todavia, além da vertente formal há imenso campo de atuação. Aí ressalta-se a necessidade de se priorizar as atenções e apoios às instituições espíritas que, sem preocupação do ensino formal e profissional, têm um amplo espectro de atuação no conceito de “escola de espíritos”, de orientação de encarnados, nas várias faixas etárias, e de desencarnados.1

Evidentemente que tudo tem seu momento e dosagem. Os cursos no ambiente espírita foram e são necessários, mas é notório um excesso de “escolarização”: programas padronizados, visão infantilizada da adolescência e juventude, exigências de requisitos e de pré-requisitos para cursos e atividades. O potencial trabalhador tem dificuldade de se integrar com espontaneidade nos centros espíritas. A própria mediunidade está “engessada” e há espíritas e centros que nem contam com a atuação de médiuns porque estes se tornaram “especializados” ou raros. O evidente decréscimo da atuação de adolescentes e jovens. A soma da quantidade de anos desde os momentos iniciais dos ciclos de infância e juventude, até os demais cursos, ultrapassa-se o tempo de formação de um profissional de nível superior. É hora de se fazer um reestudo sensato e sério de todo o processo.1

Na ótica espiritual, a educação é um processo abrangente e continuado e, que Emmanuel, aponta desde a base: “a melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem”.2 Também Emmanuel – em livro homônimo –, desde 1938 oferece diretrizes para um “plano pedagógico que implica esse grandioso problema tem de partir ainda do simples para o complexo. Ele abrange atividades multiformes e imensas”.3

Esses parâmetros devem nortear as ações espíritas.

[…] De nossa parte, valorizamos as propostas vivenciadas por Mário da Costa Barbosa (1936-1990), um bom e prudente visionário, com desdobramentos de sua ação bem-marcados principalmente nos Estados do Pará e de São Paulo. Trata-se da Metodologia do Espaço de Convivência, Criatividade e Educação pelo Trabalho (ECCET).4 Em síntese, Mário da Costa Barbosa insistia: “[…] a metodologia não deveria ser apreendida com um receituário ou modelo para ser aplicado e, sim, uma maneira de viabilizar o trabalho Assistencial Espírita, a Evangelização (de crianças, jovens e adultos), e a própria convivência no dia a dia da casa espírita. A compreensão e prática das categorias favorece a relação entre os ideais cristãos e as possibilidades reais de viver a mensagem no contexto em que se está inserido.”4

No livro Conviver para amar e servir que registra essa proposta, os organizadores concluem: “Essa proposta metodológica para os espíritas é uma forma de lembrar que em nossas práticas a caridade verdadeira deve presidir o agir e o pensar, logo convidando evangelizadores/trabalhadores/assistentes a buscar a vivência da mensagem, do que ideias de catequizar mentes. Dando sentido prático e essencial ao “amar ao próximo como a si mesmo”1,4. Tudo dentro de uma ação tangenciadora e integradora, sem delimitações em departamentos e hierarquias.1

[…] Numa série de quatro seminários intitulados “Educação & Atividades Espíritas” realizados na sede da Federação Espírita Brasileira, durante nossa gestão, entre 2014 e início de 2015, atuaram expositores espíritas convidados, com efetiva ação na docência em vários níveis de ensino. Temas centrais: Mudança para transformação? Mudar equivale a transformar? Como ensinar a Doutrina Espírita com sentido e prazer, de forma a contribuir com a felicidade, a realização pessoal e profissional de cada participante de estudo e para a construção de uma sociedade mais justa, humana e socialmente viável? Ao final, concluiu-se que há necessidade de algumas mudanças que possam levar a transformações, como: “criar espaços interativos e dialógicos nos encontros de aprendizagem (mais conversa, menos exposição; os participantes têm muito com que contribuir); organizar espaços de aprendizagem atrativos e diversificados (jardins, excursões, visitas culturais e assistenciais); promover mais momentos informais de confraternização; conhecer o perfil do grupo e considerá-lo na escolha de abordagens didático-pedagógicas, as quais devem ser criativas e diversas; desenvolver acolhimento e zelo nas relações interpessoais; abordar o conhecimento doutrinário como apoio à transformação moral e social e não como um fim em si mesmo; considerar os saberes anteriores e atuais dos participantes no desenvolvimento do conteúdo; desenvolver acolhimento e zelo nas relações interpessoais; abordar o conhecimento doutrinário como apoio à transformação moral e social e não como um fim em si mesmo; considerar os saberes anteriores e atuais dos participantes no desenvolvimento do conteúdo; trabalhar com problemas e não somente com temas”.1,5

[…] Em síntese, entendemos que há necessidade de se trabalhar não apenas em nível cognitivo, mas com os valores e sentimentos.

Referências:

1) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. Cap. 1.1 e 5.2.4. São Paulo: USE. 2016.

2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. O consolador. Perg. 110. Brasília: FEB. 2013.

3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Emmanuel. Cap. XXXV. Brasília: FEB. 2013.

4) Sarmento, Helder Boska de Moraes; Pontes, Reinaldo Nobre; Parolin, Sonia Regina Hierro (Org). Conviver para amar e servir. Baseado em Mário da Costa Barbosa. Brasília: FEB. 2013. 166p.

5) FEB discute educação e atividades espíritas. Brasil Espírita. In: Reformador. Ano 133. No 2.232. Março de 2015. p.187.

Síntese de artigo do autor publicado em:

Revista Educação Espírita. Ano 1. Número 5. Novembro /Dezembro de 2024. P.14-17. Acesso (copie e cole): Educação Espírita – 5 | Juventude Espírita

 

Dirigente Espírita alcança 35 anos de proposta inovadora

Dirigente Espírita alcança 35 anos de proposta inovadora

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Ao se chegar ao 35o ano de circulação de Dirigente Espírita, numa retrospectiva sobre seu lançamento, há necessidade de situarmos o contexto em que surgiu como uma proposta inédita.

No segundo semestre de 1990, ocorriam as intersecções de tendências que vivíamos como recém-empossado presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE-SP) e com a experiência concomitante de gestor universitário. Em nossa gestão na presidência da USE-SP coordenávamos uma equipe que propunha novos rumos à Instituição.

Como linha mestra propunha-se a modernização da USE-SP adequando-a às necessidades do movimento e em apoio aos dirigentes espíritas.

Concomitantemente na área acadêmica, estávamos incumbidos de implantar na Universidade Estadual Paulista um fato novo na época: os conselhos de cursos que, diferente da estrutura departamental já viciada em corporativismos e ações “cartoriais”, apresentava-se como uma ação integrada para melhor se gerir os cursos de graduação.

De certa forma havia similitude de ideias básicas entre as duas vivências simultâneas.

Entre os companheiros de direção da USE-SP alguns nos traziam as experiências inovadoras dos meios empresarial e de comunicação e comentava-se muito em se superar a tradição de ações que no conjunto é chamada de “cartorial”, com uma organização tipo “caixas” e “gavetas”, que caracterizavam os departamentos e setores estanques nas instituições espíritas.

Nas reuniões iniciais daquela diretoria executiva da USE-SP, no 2o semestre de 1990, discutiu-se sobre a necessidade de reanálise sobre o órgão oficial da Instituição, o tradicional jornal Unificação. Esse órgão há alguns anos padecia de dificuldades de indefinições editoriais e, alguns momentos, com lapsos de circulação. Em avaliação e decisão rápida a nova diretoria da USE-SP definiu que seria o momento de se enfrentar um enorme desafio, de transformar o antigo periódico em um veículo moderno e direcionado aos dirigentes espíritas. Entre as ideias que surgiam é que não seria um órgão, comum na época, efetivando meras transcrições de trechos de livros psicográficos ou de divulgação de mensagens espirituais. Haveria ênfase em matérias de companheiros com colocações objetivas, com base em vivências e tendo como público-alvo a equipe de dirigentes e colaboradores dos centros.

Nessas condições, foi aceito o título para o novo jornal e a proposta apresentada por Wilson Garcia, um dos colaboradores daquela diretoria. Dois meses após a posse da nova diretoria circulou o novo veículo, o Dirigente espírita, mantendo como sub-título “Unificação”, mas renumerando-o: Ano I, No 1, Setembro/Outubro de 1990. Integraram a equipe do jornal: Editor – Wilson Garcia; Secretário – Ivan René Franzolim; Redação – Luiz Antonio Fuchs, Éder Fávaro e Antonio Cesar Perri de Carvalho; Assinaturas – Carlos Teixeira Ramos.

Da edição inaugural, destacamos trechos do editorial da presidência da USE: “Em que pese toda a tradição e valor do jornal ´Unificação´, entendemos ser necessária uma urgente e oportuna alteração de rota. É momento da USE inovar e imprimir ´novos rumos’ no campo da comunicação. Como entidade unificadora e coordenadora do movimento espírita estadual, não seria ideal utilizar um veículo de informação igual a muitos outros ou até competidor com periódicos de inúmeras sociedades unificadas. Nada mais natural, pois, que disponha de um veículo voltado ao dirigente espírita. Surge ‘Dirigente Espírita’, inicialmente, de circulação bimestral. Que sua mensagem dirigida enseje orientação, intercâmbio e fortalecimento do Centro e do movimento espírita, estabelecendo uma constante via de mão dupla entre o jornal e seus leitores”. O editor Wilson Garcia anota na apresentação: “Dirigente espírita é fruto do desejo de preencher uma lacuna existente na imprensa espírita brasileira, qual seja de produzir um veículo exclusivo para dirigentes espíritas. […] A proposta editorial de Dirigente espírita é bastante clara: será um jornal destinado ao centro espírita. Não pretende ensinar ou corrigir situações doutrinárias, mas falar aos responsáveis pelos trabalhos de igual para igual, ouvindo suas opiniões, levantando seus interesses, nos mesmos moldes de qualquer veículo da imprensa que sabe que o importante é o leitor”.

No exemplar inaugural há matérias sobre: organização dos passes, de nossa autoria; entrevista com Hermínio Miranda: a ciência espírita é uma realidade que está aí; imprensa e centro espírita, e, as casas espíritas não se envolvem em política partidária, ambos artigos de autoria de Wilson Garcia; a ciência e o centro espírita (Luiz Fuchs); o centro espírita e seus colaboradores (Ivan René Franzolim); muitas notícias das várias regiões do movimento espírita paulista, inclusive sobre os preparativos para o VIII Congresso Espírita Estadual com proposta inovadora voltada ao centro espírita, e, a seção da USE Editora, também vinculada à mesma orientação.

O objetivo do novo órgão: “o centro é nossa meta”, se inseria na coluna mestra das ações daquela diretoria executiva da USE-SP. A inovação não foi exclusivamente na linha editorial, mas também na forma: tipo de papel, tamanho e composição.

A circulação inicial provocou impactos. As reações favoráveis foram imediatas, em correspondências e até referências em outros periódicos. Outras, contrárias, vinculadas à manutenção do jornal tradicional e até eloquentes, foram expressas em reuniões do Conselho Deliberativo Estadual. Com esclarecimentos, paciência e persistência a proposta inovadora foi mantida e com o tempo o Dirigente espírita consolidou-se, sendo muito bem aceito pelo seu público-alvo.

Fica claro que o surgimento de Dirigente espírita estava inserido num projeto global de alterações no modus operandi da USE-SP, que se efetivou ao longo dos anos 1990.

Depois dessas décadas, reconhecemos que o jornal Dirigente espírita nasceu em um momento de ousadia para a época, como uma proposta inédita, inovadora e para melhor atender as necessidades do movimento espírita. Esse periódico, agora transformado em revista digital, em nossa ótica mantém seu diferencial na imprensa espírita e tem atendido aos seus objetivos.

Extraído de: Dirigente Espírita, setembro-outubro 2024. Ano 35:

Acesso (copie e cole): reDE-200-abril-a-junho-2024.pdf

A grande luta

A grande luta

“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Paulo (Efésios, 6:12)

Segundo nossas afirmativas reiteradas, a grande luta não reside no combate com o sangue e a carne, propriamente, mas sim com as nossas disposições espirituais inferiores.

Paulo de Tarso agiu divinamente inspirado, quando escreveu sua recomendação aos companheiros de Éfeso.

O silencioso e incessante conflito entre os discípulos sinceros e as forças da sombra está vinculado em nossa própria natureza, porquanto nos acumpliciávamos abertamente com o mal, em passado não remoto.

Temos sido declarados participantes das ações delituosas nos lugares celestiais.

E, ainda hoje, entre os fluidos condensados da carne ou nas esferas que lhes são próximas, agimos no serviço de autorestauração em pleno paraíso.

A Terra é, igualmente, sublime degrau do Céu. Quando alguém se reporta aos anjos caídos, os ouvintes humanos guardam logo a impressão de um palácio soberbo e misterioso, de onde se expulsam criaturas sábias e luminosas.

Não se verifica o mesmo, quando um homem culto se entrega ao assassínio, à frente de uma universidade ou de um templo?

Geralmente o observador terrestre relaciona o crime, não se detendo, porém, no exame do lugar sagrado e venerável em que se consumou.

A grande luta, a que o Apóstolo se refere, prossegue sem descanso. As cidades e as edificações humanas são zonas celestiais.

Nem elas e nem as células orgânicas que nos servem, constituem os poderosos inimigos, e, sim, as “hastes espirituais da maldade”, com as quais nos sintonizamos através dos pontos inferiores que conservamos desesperadamente conosco, vastas arregimentações de seres e pensamentos sombrios que obscurecem a visão humana, e que operam com sutileza, de modo a não perderem os ativos companheiros de ontem.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Càndido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 160. FEB)