As diversas expansões de alegria e o carnaval

As diversas expansões de alegria e o carnaval

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Em várias partes do mundo e em todas as épocas sempre aconteceram festejos populares e em vários diapasões e motivações: religiosos, políticos, militares, cívicos, datas memoráveis, comemorações de feitos marcantes e várias formas no estilo de carnaval.

No Brasil, as manifestações de carnaval tiveram um intenso desenrolar envolvendo clubes, salões aristocráticos, desfiles de rua – os antigos “corsos” como eram chamados -, blocos de ruas e shows variados. Músicas que se tornaram históricas.

Inquestionavelmente são dos poucos momentos de afrouxamentos de tensões e expressões de alegria do povo em geral.

Nesse ponto – da alegria – é que se pode refletir.

A alegria pode ser natural ou induzida por vários procedimentos.

É lamentável que nessas comemorações ocorram condições que facilitam várias formas de excesso. A mídia em geral alerta sobre contextos que favorecem diversos tipos de desrespeito ao próximo. Criam-se ambientes e formas oportunistas de se romper limites interpessoais e de aceitável convivência social. Em consequência podem advir algumas repercussões não adequadas à saúde, à economia pessoal e várias formas que podem interferir nas relações equilibradas.

No movimento espírita, em décadas passadas houve momentos em que os feriados prolongados eram aproveitados para eventos reflexivos, de estudo e de confraternização.

Houve época que um texto do espírito André Luiz com afirmações que eram sempre lembradas: “O espírita não se prende a exterioridades. […] Afastar-se de festas lamentáveis, como aquelas que assinalam a passagem do carnaval, inclusive as que se destaquem pelos excessos de gula, desregramento ou manifestações exteriores espetaculares. A verdadeira alegria não foge da temperança” (Vieira, Waldo. Pelo espírito André Luiz. Conduta espírita, cap. 37. FEB. 1960).

Com certeza, na atualidade, podem surgir opiniões críticas, resistentes a esse registro espiritual, e, utilizando várias adjetivações e jargões vinculadas a determinadas compreensões relacionadas com alguns conceitos de “liberdade”.

Sem dúvida, a liberdade individual termina quando se delineia a do próximo.

E isso nas relações entre os espíritos encarnados e os desencarnados. Aí emerge uma antiga frase popular: “diga-me com quem andas e direi quem és”.

Essa ideia tem fundamento em dizeres de Jesus e nos esclarecimentos espíritas sobre a sintonia vibratória, parâmetros válidos para qualquer ambiente.(*)

Cada pessoa, empregando o livre-arbítrio, é responsável por seus atos e repercussões.(*) São anotações que podem sugerir algumas reflexões na ótica espiritual.

Todavia, sem dúvida, como considerou André Luiz: “A verdadeira alegria não foge da temperança”…

Ponderação válida para qualquer ocasião da vida.

(*) Sugestões para leituras e estudos:

1) Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. VIII. FEB;

2) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Caminho, verdade e vida. Cap. 93. FEB;

3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. No mundo maior. Cap. A casa mental. FEB.

4) Franco, Divaldo Pereira. Pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. Sexo e obsessão. Posfácio – Cidade estranha. FEB;

5) Xavier, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Pelo espírito André Luiz. Sexo e destino. 1ª parte: Cap. 8 e 12. FEB.