Nos passos espíritas iniciais

Nos passos espíritas iniciais

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Ao participarmos das comemorações dos 65 anos de inauguração da Instituição Nosso Lar, em Araçatuba – nossa terra natal -, sintetizamos nas palestras alusivas à efeméride, os nossos primeiros passos espíritas.

Eis trechos de nosso livro Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões(*):.

“Com a inauguração da Instituição Nosso Lar aos 02 de junho de 1961, passamos a acompanhar o tio Rolandinho e nossa genitora que levava os três filhos nas atividades domingueiras naquele local: reunião pública sobre O livro dos espíritos, sobre o Evangelho com a participação, respectivamente, de Francisco Martins Filho e Lauro Bittencourt, manifestações espirituais pela médium Emília Santos e passes, seguindo-se a sopa para todos os frequentadores do bairro e para os residentes na Instituição que funcionava como um lar transitório para famílias de desempregados.

Naquele local, conhecemos muitos espíritas visitantes, da cidade, […] Inclusive, Divaldo Pereira Franco, que era um dos oradores convidados da 15a Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo (COMBESP), que aconteceu em Araçatuba, de 19 a 22 de abril de 1962. A partir daí passamos a nos corresponder com Divaldo.

Mas foi no início do ano de 1964 que nos engajamos em ações específicas. A médium e também uma das fundadoras da Instituição Nosso Lar, Emília Santos, embora sexagenária, era responsável pelas Aulas de Moral Cristã Neio Lúcio. Dona Emília sabendo de nosso gosto pelo estudo e facilidade de desenho solicitou que elaborássemos mapas sobre as regiões bíblicas do Oriente Médio, para que ela utilizasse nas aulas. Quando entregamos os mapas ela nos surpreendeu: “- Agora peço que você mesmo apresente às crianças!”

Em março de 1964, ainda não havíamos completado 16 anos de idade, e apresentamos duas exposições sobre os mapas, para o público infanto-juvenil. E o desafio prosseguiu por parte dela: “- Você tem facilidade, precisa me ajudar…” E assim foi feito. Como se diz: “mordemos a isca…”

Repentinamente, em setembro do mesmo ano ela sofreu um enfarte e não sobreviveu. Acabamos substituindo-a como responsável pelas Aulas de Moral Cristã. Adquiríamos o Catecismo espírita, de autoria de Cairbar Schutel (Ed. O Clarim), para distribuir às crianças e adolescentes.

Como identificamos que vários jovens frequentavam a Instituição, acompanhando seus pais, a pedido de nosso tio Rolandinho, fundamos e organizamos a Mocidade Espírita Irma Ragazzi Martins, como uma atividade departamental de “Nosso Lar”. […] Era a segunda Mocidade Espírita da cidade e a primeira de natureza departamental, pois a pioneira era autônoma, não era vinculada a nenhum centro.

A citada Mocidade efetivou durante muitos anos a “Campanha do Quilo”, em ruas da cidade, angariando gêneros alimentícios para a Instituição Nosso Lar. Criamos o jornalzinho Mocidade, que duplicávamos em mimeógrafo caseiro a tinta, que montamos em nossa residência seguindo instruções da revista Diversões escolares, depois levado para copiadores profissionais. Era distribuído para as Mocidades da cidade e da região.

[…] Simultaneamente, nosso tio Rolandinho solicitou que começássemos a fazer rápidas exposições sobre O livro dos espíritos nas reuniões públicas de domingo, e rapidamente acabamos substituindo o Sr. Francisco Martins Filho que tinha esta incumbência. As explanações sobre o Evangelho eram feitas pelo Sr. Lauro Bittencourt e depois por José Rubens Braga da Silva e finalmente pelo tio Rolandinho.

(*) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Pelos caminhos da vida. Memórias e reflexões. Araçatuba: Cocriação. 2021. 632p.