ENTENDAMOS SERVINDO

ENTENDAMOS SERVINDO

“Porque também nós éramos noutro tempo insensatos.” — Paulo. (TITO, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 3.)

O martelo, realmente, colabora nos primores da estatuária, mas não pode golpear a pedra, indiscriminadamente.

O remédio amargo estabelece a cura do corpo enfermo, no entanto, reclama ciência na dosagem.

Nem mais, nem menos.

Na sementeira da verdade, igualmente, é indispensável não nos desfaçamos em movimento impensado.

Na Terra, não respiramos num domicílio de anjos.

Somos milhões de criaturas, no labirinto de débitos clamorosos do passado, suspirando pela desejada equação.

Quem ensina com sinceridade, naturalmente aprendeu as lições, atravessando obstáculos duros.

Claro que a tolerância excessiva resulta em ausência de defesa justa, entretanto, é inegável que para educarmos a outrem, necessitamos de imenso cabedal de paciência e entendimento.

Paulo, incisivo e enérgico, não desconhecia semelhante realidade.

Escrevendo a Tito, lembra as próprias incompreensões de outra época para justificar a serenidade que nos deve caracterizar a ação, a serviço do Evangelho Redentor.

Jamais atingiremos nossos objetivos, torturando chagas, indicando cicatrizes, comentando defeitos ou atirando espinhos à face alheia.

Compreensão e respeito devem preceder-nos a tarefa em qualquer parte. Recordemos nós mesmos, na passagem pelos círculos mais baixos, e estendamos braços fraternos aos irmãos que se debatem nas sombras.

Se te encontras interessado no serviço do Cristo, lembra-te de que Ele não funcionou em promotoria de acusação e, sim, na tribuna do sacrifício até à cruz, na condição de advogado do mundo inteiro.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 179. FEB)

Como testemunhar

Como testemunhar

“Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samária, e até aos confins da Terra.” – (Atos, 1:8.)

Realmente, Jesus é o Salvador do Mundo, mas não libertará a Terra do império do mal, sem a contribuição daqueles que lhe procuram os recursos salvadores.

O Divino Mestre, portanto, precisa de auxiliares com atribuições de prepostos e testemunhas, em toda parte.

É impraticável o aprimoramento das almas, sem educação, e a educação exige legiões de cooperadores.

Contudo, para desempenharmos a tarefa de representantes do Senhor, na obra sublime de elevação, não basta o título externo, com vistas à escola religiosa.

Indispensável é a obtenção de bênçãos do Alto, por intermédio da execução de nossos deveres, por mais difíceis e dolorosos.

Até agora, conhecemos à saciedade, na Terra, o poder de dominar, governar, recusar e ferir, de fácil acesso no campo da vida.

Raras criaturas, porém, fazem por merecer de Jesus o poder celeste de obedecer, ensinando, de amar, construindo para o bem, de esperar, trabalhando, de ajudar desinteressadamente.

Sem a recepção de semelhantes recursos, que nos identificam com o Trabalhador Divino, e sem as possibilidades de refleti-Lo para o próximo, em espírito e verdade, através do nosso esforço constante de aplicação pessoal do Evangelho, podemos personificar excelentes pregadores, brilhantes literatos ou notáveis simpatizantes da doutrina cristã, mas não testemunhas dEle.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 173. FEB)

Contra a insensatez

Contra a insensatez

“Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” – Paulo. (Gálatas, 3:3.)

Um dos maiores desastres no caminho dos discípulos é a falsa compreensão com que iniciam o esforço na região superior, marchando em sentido inverso para os círculos da inferioridade.

Dão, assim, a idéia de homens que partissem à procura de ouro, contentando-se, em seguida, com a lama do charco.

Semelhantes fracassos se fazem comuns, nos vários setores do pensamento religioso.

Observamos enfermos que se dirigem à espiritualidade elevada, alimentando nobres impulsos e tomados de preciosas intenções; conseguida a cura, porém, refletem na melhor maneira de aplicarem as vantagens obtidas na aquisição do dinheiro fácil.

Alguns, depois de auxiliados por amigos das esferas sublimadas, em transcendentes questões da vida eterna, pretendem atribuir a esses mesmos benfeitores a função de policiais humanos, na pesquisa de objetivos menos dignos.

Numerosos aprendizes persistem nos trabalhos do bem; contudo, eis que aparecem horas menos favoráveis e se entregam, inertes, ao desalento, reclamando prêmio aos minguados anos terrestres em que tentaram servir na lavoura do Mestre Divino e plenamente despreocupados dos períodos multimilenários em que temos sido servidos pelo Senhor.

Tais anomalias espirituais que perturbam consideravelmente o esforço dos discípulos procedem dos filtros venenosos compostos pelos pruridos de recompensa.

Trabalhemos, pois, contra a expectativa de retribuição, a fim de que prossigamos na tarefa começada, em companhia da humildade, portadora de luz imperecível.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 155. FEB)

O Trabalho Renova

O Trabalho Renova

Sem sombra de dúvida, o trabalho renova.

E os doentes da alma, aqueles que padecem de males para os quais não há remédio na Terra, o encontram no trabalho de amor ao próximo, acham o alívio e, se persistirem neste proceder, aportam nas águas tranquilas do refúgio em Deus.

O porto chamado de "consciência tranquila" é atingível por aqueles que saem do castelo de torres altas – o "refúgio do ócio" – e, abraçando o trabalho caridoso, nunca mais saem da faixa mental da cura real que procede de Jesus.

Permaneçamos, pois, neste ideal e uma nova fase da vida, triunfante, brilhará em nossos caminhos.

Que Deus nos abençoe.

Benedita Fernandes

(Mensagem psicografada recebida pelo médium Hélio Ribeiro Loureiro na reunião mediúnica na Casa de Batuíra, São Gonçalo-RJ, em 30/05/2026)

EVANGELIZAÇÃO DAS CRIANÇAS E JOVENS ESPECIAIS

EVANGELIZAÇÃO DAS CRIANÇAS E JOVENS ESPECIAIS

A evangelização para todos é um compromisso que a instituição espírita cristã deve assumir, não podendo deixar de lado os espíritos que nascem portando algum transtorno psicoemocional, mental ou físico.

Nos dias atuais, inúmeros espíritos reencarnam trazendo as consequências de seu passado insculpido em seu corpo físico, realçando os conflitos íntimos que lhes assolam a alma, decorrentes das provas mal sucedidas na escola da vida.

Outros escolhem missões, reencarnando em corpos com certas limitações, visando o avanço científico e tecnológico para lhes ofertar recursos no cumprimento de seus deveres em prol da humanidade.

Entre eles, estão os portadores do Espectro Autista, cuja presença vem crescendo no cenário social. Apesar do grande avanço tecnológico, científico e da indústria farmacêutica, os autistas têm sofrido a incompreensão da sociedade.

Devido à sua forma de relação e comunicação diferir das formalidades comuns, eles são incompreendidos e sofrem preconceitos daqueles insensíveis ao sofrimento alheio.

Negar-lhes educação adequada é crime perante as leis civis e divinas; deixá-los à margem da sociedade é abandono de incapaz, dada a sua condição de assimilar as experiências sociais.

Devemos abrir espaço nas escolas formais, com educação de qualidade e acompanhamento responsável, favorecendo-lhes o aprendizado.

Os centros espíritas também têm a responsabilidade de acolher estas almas e seus familiares, oferecendo-lhes consolo, acolhimento e esclarecimento à luz da Doutrina Espírita, com os recursos dos passes, água fluidificada e a evangelização.

Para os deficientes visuais, aplicamos Braille; para os surdos e mudos, os sinais de comunicação, onde lhes é apresentado o alfabeto.

Aos autistas, os educadores precisam conhecer suas limitações, respeitando a forma própria deles de se relacionar com os outros.

Portadores de hipersensibilidade frequentemente têm o intelecto avançado, dificuldade de fixar o olhar e o toque físico. São sensíveis ao som alto e outras formas de expressão dos seus sentimentos.

Todavia, os esforços empreendidos para auxiliar esses espíritos têm sido intensos; no entanto, o despreparo de muitos tem causado incompreensão, dificultando a inclusão social e gerando aflição a esses espíritos.

Cabe aos educadores espíritas se prepararem para recebê-los nas escolas de educação espírita cristã.

São eles espíritos comuns, sedentos de paz e harmonia, que mergulharam no oceano do mundo por via reencarnatória, visando o reajustamento físico-psíquico.

Confiantes na divina misericórdia, esperam encontrar apoio e sustentação espiritual para cumprir com os deveres assumidos perante as leis da vida.

Todavia, inúmeros sentem-se desprotegidos e estranhos no mundo, onde tem leis faltando afeto e carinho, sendo vistos como estranhos e diferentes, e recebendo, quase sempre, deboche e escárnio, a zombaria movida pelo preconceito social.

Jesus Cristo acolhe todas as ovelhas com dedicação, sem excluir qualquer que seja do seu rebanho.

A metodologia educacional para eles requer paciência, tolerância e muito amor, onde se sentirão acolhidos e amados. O processo pedagógico se baseia no método lúdico, respeitando o meio de comportamento de cada educando.

Eles precisam de um roteiro prático para se sentirem seguros e confiar em seus educadores.

É importante relembrar que cada espírito é um universo; mesmo sendo autistas, há intensa diferença no comportamento, no sentir e no expressar.

Sempre devemos olhar para eles com compaixão, confiança e amor, devido à sensibilidade deles à captação das ondas eletromagnéticas.

Toda vibração desarmônica gera neles crises, devido a abrirem as janelas da alma ou do inconsciente, trazendo à tona seus conflitos internos.

A insegurança que sentem é o medo de serem punidos.

Somente com a pedagogia do amor lograremos a verdadeira educação.

Outro ponto importante, que às vezes gera incompreensão e crítica por aqueles que desconhecem o mundo íntimo do ser espiritual, é que as salas de evangelização devem ser adequadas para recebê-los, fazendo com que se sintam acolhidos em seu universo íntimo.

As turmas devem ser separadas conforme os ciclos, facultando maior desempenho, e sempre realizando, após as aulas, uma união com as outras turmas, criando vínculos salutares e harmônicos.

Não devemos descuidar de ensinar as outras turmas a como se comportar e acolher estas almas, o que exige adequação e esclarecimento.

Temos muito a aprender com eles, assim como aprenderão conosco. Nessa troca de experiências, vamos enriquecendo nosso psiquismo no aprendizado de novas maneiras de comunicar, evitando a rotulação.

Sendo autistas, são espíritos imortais em processo redentor, escalando a ascensão espiritual. Abraçar essa causa é servir em nome do amor. Jesus conta conosco neste mister educacional à luz do evangelho.

Espíritas, amai-vos; espíritas, instrui-vos. Todo espírito tem uma missão a cumprir, seja grande ou pequena. É no cumprimento das missões que logramos a felicidade e afastamos da natureza animal, avançando para a natureza espiritual.

O autista nem sempre é uma alma calceta que carrega na consciência erros escabrosos, como muitos os definem. Inúmeros trazem em sua bagagem espiritual intenso avanço intelecto-moral, estando a serviço do progresso físico-mental das novas gerações de almas que irão reencarnar, facilitando a manifestação do superconsciente, onde os espíritos transitam do homem animal racional para as esferas elevadas do homem angelical.

Todo esse processo é lento, todavia, será concluído conforme a vontade de Jesus.

Queridos evangelizadores e evangelizadoras, nossos sinceros votos de paz e harmonia.

Benedita Fernandes

(Gomes, José Francisco. Pelo espírito Benedita Fernandes. Desafios da educação nos tempos de regeneração. Araçatuba: Cocriação. 2025).

NINGUÉM SE RETIRA

NINGUÉM SE RETIRA

“Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? tu tens as palavras da vida eterna.” — (JOÃO, CAPÍTULO 6, VERSÍCULO 68.)

A medida que o Mestre revelava novas características de sua doutrina de amor, os seguidores, então numerosos, penetravam mais vastos círculos no domínio da responsabilidade.

Muitos deles, em razão disso, receosos do dever que lhes caberia, afastaram-se, discretos, do cenáculo acolhedor de Cafarnaum.

O Cristo, entretanto, consciente das obrigações de ordem divina, longe de violar os princípios da liberdade, reuniu a pequena assembléia que restava e interrogou aos discípulos: – Também vós quereis retirar-vos? – Foi nessa circunstância que Pedro emitiu a resposta sábia, para sempre gravada no edifício cristão.

Realmente, quem começa o serviço de espiritualidade superior com Jesus jamais sentirá emoções idênticas, a distância d'Ele. A

sublime experiência, por vezes, pode ser interrompida, mas nunca aniquilada.

Compelido em várias ocasiões por impositivos da zona física, o companheiro do Evangelho sofrerá acidentes espirituais submetendo-se a ligeiro estacionamento, contudo, não perderá definitivamente o caminho.

Quem comunga efetivamente no banquete da revelação cristã, em tempo algum olvidará o Mestre amoroso que lhe endereçou o convite.

Por este motivo, Simão Pedro perguntou com muita propriedade: — Senhor, para quem iremos nós?

É que o mundo permanece repleto de filósofos, cientistas e reformadores de toda espécie, sem dúvida respeitáveis pelas concepções humanas avançadas de que se fazem pregoeiros; na maioria das situações, todavia, não passam de meros expositores de palavras transitórias, com reflexos em experiências efêmeras.

Cristo, porém, é o Salvador das almas e o Mestre dos corações e, com Ele, encontramos os roteiros da vida eterna.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 151. FEB).

 

Compreendamos

Compreendamos

Sacrifícios, e ofertas, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram” – Paulo. (Hebreus, 10:8.)

O mundo antigo não compreendia as relações com o Altíssimo, senão através de suntuosas oferendas e pesados holocaustos.

Certos povos primitivos atingiram requintada extravagância religiosa, conduzindo sangue humano aos altares.

Tais manifestações infelizes vão-se atenuando no cadinho dos séculos; no entanto, ainda hoje se verificam lastimáveis pruridos de excentricidade, nos votos dessa natureza.

O Cristianismo operou completa renovação no entendimento das verdades divinas; contudo, ainda em suas fileiras costumam surgir absurdas promessas, que apenas favorecem a intromissão da ignorância e do vício.

A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no santuário do espírito é aquela que Jesus nos apresentou, em no-Lo revelando Pai amoroso e justo, à espera dos nossos testemunhos de compreensão e de amor.

Na própria Crosta da Terra, qualquer chefe de família, consciencioso e reto, não deseja os filhos em constante movimentação de ofertas inúteis, no propósito de arrefecer-lhe a vigilância afetuosa.

Se tais iniciativas não agradam aos progenitores humanos, caprichosos e falíveis, como atribuir semelhante falha ao Todo Misericordioso, no pressuposto de conquistar a benemerência celeste?

É indispensável trabalhar contra o criminoso engano.

A felicidade real somente é possível no lar cristão do mundo, quando os seus componentes cumprem as obrigações que lhes competem, ainda mesmo ao preço de heróicas decisões.

Com o Nosso Pai Celestial, o programa não é diferente, porque o Senhor Supremo não nos pede sacrifícios e lágrimas e, sim, ânimo sereno para aceitar-lhe a vontade sublime, colocando-a em prática.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 48. FEB)

Falsos discursos

Falsos discursos

“E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” – (Tiago, 1:22.)

Nunca é demasiado comentar a importância e o caráter sagrado da palavra.

O próprio Evangelho assevera que no princípio era o Verbo, e quem examine atentamente a posição atual do mundo reconhecerá que todas as situações difíceis se originam do poder verbalista mal aplicado.

Falsos discursos enganaram indivíduos, famílias e nações.

Acreditaram alguns em promessas vãs, outros em teorias falaciosas, outros, ainda, em perspectivas de liberdade sem obrigações.

E raças, agrupamentos e criaturas, identificando a ilusão, atritam-se, mutuamente, procurando a paternidade das culpas.

Muito sangue e muita lágrima tem custado a criação do verbo humano. Impossível, por agora, computar esse preço doloroso ou determinar quanto tempo se fará necessário ao resgate preciso.

No turbilhão de lutas, todavia, o amigo do Cristo pode valerse do tesouro evangélico, em proveito de sua esfera individual.

Cumprir a palavra do Mestre em nós é o programa divino.

Sem a execução desse plano de salvação, os demais serviços sob nossa responsabilidade constituirão sublimada teologia, raciocínios brilhantes, magnífica literatura, muita admiração e respeito do campo inferior do mundo, mas nunca a realização necessária.

Eis o motivo pelo qual é sempre perigoso estacionar, no caminho, a ouvir quem foge à realidade de nossos deveres.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 165. FEB)

Na revelação da vida

Na revelação da vida

“E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. – (Atos, 4:33.)

Os companheiros diretos do Mestre Divino não estabeleceram os serviços da comunidade cristã sobre princípios cristalizados, inamovíveis.

Cultuaram a ordem, a hierarquia e a disciplina, mas amparavam também o espírito do povo, distribuindo os bens da revelação espiritual, segundo a capacidade receptiva de cada um dos candidatos à nova fé.

Negar, presentemente, a legitimidade do esforço espiritista, em nome da fé cristã, é testemunho de ignorância ou leviandade.

Os discípulos do Senhor conheciam a importância da certeza na sobrevivência para o triunfo na vida moral.

Eles mesmos se viram radicalmente transformados, após a ressurreição do Amigo Celeste, ao reconhecerem que o amor e a justiça regem o ser além do túmulo.

Por isso mesmo, atraíam companheiros novos, transmitindo-lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso, para lá do sepulcro.

Em razão disso, o ministério apostólico não se dividia tão-somente na discussão dos problemas intelectuais da crença e nos louvores adorativos.

Os continuadores do Cristo forneciam, “com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” e, em face do amor com que se devotavam à obra salvacionista, neles havia “abundante graça”.

O Espiritismo evangélico vem movimentar o serviço divino que envolve em si, não somente a crença consoladora, mas também o conhecimento indiscutível da imortalidade.

As escolas dogmáticas prosseguirão alinhando artigos de fé inoperante, congelando as idéias em absurdos afirmativos, mas o Espiritismo cristão vem restaurar, em suas atividades redentoras, o ensinamento da ressurreição individual, consagrado pelo Mestre Divino, que voltou, Ele mesmo, das sombras da morte, para exaltar a continuidade da vida.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 176. FEB)

É PARA ISTO

É PARA ISTO

“Não retribuindo mal por mal, nem injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados.” — (1ª EPÍSTOLA A PEDRO, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 9.)

A fileira dos que reclamam foi sempre numerosa em todas as tarefas do bem. No apostolado evangélico, reparamos, igualmente, essa regra geral.

Muitos aprendizes, em obediência ao pernicioso hábito, preferem o caminho dos atritos ou das dissidências escandalosas.

No entanto, mais algum raciocínio despertaria a comunidade dos discípulos para a maior compreensão.

Convidar-nos-ia Jesus a conflitos estéreis, tão-só para repetir os quadros do capricho individual ou da força tiranizante?

Se assim fora, o ministério do Reino estaria confiado aos teimosos, aos discutidores, aos gigantes da energia física.

É contra-senso desfazer-se o servidor da Boa Nova em lamentações que não encontram razão de ser.

Amarguras, perseguições, calúnias, brutalidade, desentendimento?

São velhas figurações que atormentam as almas na Terra. A fim de contribuir na extinção delas é que o Senhor nos chamou às suas fileiras.

Não as alimentes, emprestando-lhes excessivo apreço.

O cristão é um ponto vivo de resistência ao mal, onde se encontre.

Pensa nisto e busca entender a significação do verbo suportar.

Não olvides a obrigação de servir com Jesus.

É para isto que fomos chamados.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. cap. 118. FEB)