O EXEMPLO DA FONTE

O EXEMPLO DA FONTE

Um estudante da sabedoria, rogando ao seu instrutor lhe explicasse qual a melhor maneira de livrar-se do mal, foi por ele conduzido a uma fonte que deslizava, calma e cristalina, e, seguindo-lhe o curso, observou:

— Veja o exemplo da fonte, que auxilia a todos, sem perguntar, e que nunca se detém até alcançar a grande comunhão com o oceano.

Junto dela crescem as plantas de toda a sorte, e em suas águas dessedentam-se animais de todos os tipos e feitios.

Enquanto caminhavam, um pequeno atirou duas pedras à corrente e as águas as engoliram em silêncio, prosseguindo para diante.

— Reparou? — disse o mentor amigo — a fonte não se insurgiu contra as pedradas. Recebeu-as com paciência e seguiu trabalhando.

Mais à frente, viram grosso canal de esgoto arremessando detritos no corpo alvo das águas, mas a corrente absorvia o lodo escuro, sem reclamações, e avançava sempre.

O professor comentou para o aprendiz:

— A fonte não se revolta contra a lama que lhe atiram à face.

Recolhe-a sem gritos e transforma-a em benefícios para a terra necessitada de adubo. Adiante ainda, notaram que, enquanto andorinhas se banhavam, lépidas, feios sapos penetravam também a corrente e pareciam felizes em alegres mergulhos.

As águas amparavam a todos sem a mínima queixa.

O bondoso mentor discípulo e terminou:

— Assinalemos o exemplo da fonte e aprenderemos a libertar-nos de qualquer cativeiro, porque, em verdade, só aqueles que marcham para diante, com o trabalho que Deus lhes confia, sem se ligarem às sugestões do mal, conseguem vencer dignamente na vida, garantindo, em favor de todos, as alegrias do Bem Eterno.

Meimei

(Xavier, Francisco Candido. Pelo espírito Meimei. Pai nosso. Cap. 37, FEB)

 

DE MADRUGADA

De madrugada

“E no primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro, de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra removida do sepulcro.” — (JOÃO, CAPÍTULO 20, VERSÍCULO 1.)

Não devemos esquecer a circunstância em que Maria de Magdala recebe a primeira mensagem da ressurreição do Mestre.

No seio de perturbações e desalentos da pequena comunidade, a grande convertida não perde tempo em lamentações estéreis nem procura o sono do esquecimento.

Os companheiros haviam quebrado o padrão de confiança.

Entre o remorso da própria defecção e a amargura pelo sacrifício do Salvador, cuja lição sublime ainda não conseguiam apreender, confundiam-se em atitudes negativas.

Pensamentos contraditórios e angustiados azorragavam-lhes os corações.

Madalena, contudo, rompe o véu de emoções dolorosas que lhe embarga os passos.

É imprescindível não sucumbir sob os fardos, transformando-os, acima de tudo, em elemento básico na construção espiritual, e Maria resolve não se acovardar, ante a dor.

Porque o Cristo fora imolado na cruz, não seria lícito condenar-lhe a memória bem-amada ao olvido ou à indiferença.

Vigilante, atenta a si mesma, antes de qualquer satisfação a velhos convencionalismos, vai ao encontro do grande obstáculo que se constituía do sepulcro, muito cedo, precedendo o despertar dos próprios amigos e encontra a radiante resposta da Vida Eterna.

Rememorando esse acontecimento simbólico, recordemos nossas antigas quedas, por havermos esquecido o “primeiro dia da semana”, trocando, em todas as ocasiões, o “mais cedo” pelo “mais tarde”.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 168. FEB)

 

Em favor da alegria

Em favor da alegria

“Assim também não é vontade de vosso Pai que está nos Céus, que um destes pequeninos se perca.” — JESUS — Mateus, 18.14.

“A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo.” — ESE, Cap. XI, 14.

Muito grande no mundo o cortejo das moléstias que infelicitam as criaturas, no entanto, maior é o fardo de inquietação que lhes pesa nos ombros.

Onde haja sinal de presença humana, aí se amontoam os supliciados morais, lembrando legiões de sonâmbulos, fixados ao sofrimento.

Não apenas os que passeiam na rua a herança de lágrimas que trouxeram ao renascer… Esmagadora percentagem dos aflitos carrega temerosos no refúgio doméstico que, levantado em louvor da alegria familiar, se transforma, não raro, em clausura flagelante.

Daí procede o acervo dos desalentados que possuem tão somente a fria visão da névoa para o dia seguinte.

São pessoas desacoroçoadas na luta pela aquisição de suprimento à exigências primárias:

pais e mães transidos de pesar, diante de filhos que lhes desdouram a existência;

mulheres traumatizadas em esforço de sacrifício; 8 crianças e jovens desarvorados nos primeiros passos da vida;

companheiros encanecidos em rijas experiências, atrelados à carga de labores caseiros, quando não são acolhidos nos braços da caridade pública, de modo a não perturbarem o sono dos descendentes…

Somemos semelhantes desgostos às tribulações dos que clamam por equilíbrio nas grades dos manicômios:

dos que sonham liberdade na estreiteza do cárcere;

dos que choram manietados em leitos de expiação

e dos milhares de Espíritos desencarnados, ainda em pesadelos indescritíveis, que comunicam à Esfera Física os rescaldos do próprio desespero, e verificaremos que a tristeza destrutiva é comparável à praga fluídica, prejudicando todos os flancos da evolução na Terra.

Ponderando tudo isso, respeitemos a dor, mas plantemos a alegria e a esperança, onde nossa influência logre chegar.

Falemos de otimismo, cultivemos serviço, ensinemos confiança e exercitemos serenidade.

Ninguém espera sejamos remédio a toda angústia e rio a toda sede, entretanto, à frente da sombra e da secura que atormentam os homens, cada um de nós pode ser a consolação do raio de luz e a bênção do copo d’água.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Livro da esperança. Cap. 31. Uberaba: CEC).

MONTURO

MONTURO

“Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” — Jesus. (LUCAS, CAPÍTULO 14, VERSÍCULO 35.)

Segundo deduzimos, Jesus emprestou significação ao monturo.

Terra e lixo, nesta passagem, revestem-se de valor essencial.

Com a primeira, realizaremos a semeadura, com a segunda é possível fazer a adubação, onde se faça necessária.

Grande porção de aprendizes, imitando a atitude dos fariseus antigos, foge ao primeiro encontro com as “zonas estercorárias” do próximo; entretanto, tal se verifica porque lhes desconhecem as expressões proveitosas.

O Evangelho está cheio de lições, nesse setor do conhecimento iluminativo.

Se José da Galiléia ou Maria de Nazaré simbolizam terras de virtudes fartas, o mesmo não sucede aos apóstolos que, a cada passo, necessitam recorrer à fonte das lágrimas que escorrem do monturo de remorsos e fraquezas, propriamente humanos, a fim de fertilizarem o terreno empobrecido de seus coraçoes.

De quanto adubo dessa natureza precisaram Madalena e Paulo, por exemplo, até alcançarem a gloriosa posição em que se destacaram?

Transformemos nossas misérias em lições. Identifiquemos o monturo que a própria ignorância amontoou em torno de nós mesmos, convertamo-lo em adubo de nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema de nossos grandes males.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Ennanuel. Pão nosso. Cap. 121. FEB)

Espiritismo na fé

Espiritismo na fé

“E estes sinais seguirão aos que crerem; em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas.” – Jesus. (Marcos, 16:17.)

Permanecem as manifestações da vida espiritual em todos os fundamentos da Revelação Divina, nos mais variados círculos da fé.

Espiritismo em si, portanto, deixa de ser novidade, dos tempos que correm, para figurar na raiz de todas as escolas religiosas.

Moisés estabelece contacto com o plano espiritual no Sinai.

Jesus é visto pelos discípulos, no Tabor, ladeado por mortos ilustres.

O colégio apostólico relaciona-se com o Espírito do Mestre, após a morte d'Ele, e consolida no mundo o Cristianismo redentor.

Os mártires dos circos abandonam a carne flagelada, contemplando visões sublimes.

Maomé inicia a tarefa religiosa, ouvindo um mensageiro invisível.

Francisco de Assis percebe emissários do Céu que o exortam à renovação da Igreja.

Lutero registra a presença de seres de outro mundo.

Teresa d’Ávila recebe a visita de amigos desencarnados e chega a inspecionar regiões purgatoriais, através do fenômeno mediúnico do desdobramento.

Sinais do reino dos Espíritos seguirão os que crerem, afirma o Cristo.

Em todas as instituições da fé, há os que gozam, que aproveitam, que calculam, que criticam, que fiscalizam…

Esses são, ainda, candidatos à iluminação definitiva e renovadora.

Os que crêem, contudo, e aceitam as determinações de serviço que fluem do Alto, serão seguidos pelas notas reveladoras da imortalidade, onde estiverem.

Em nome do Senhor, emitindo vibrações santificantes, expulsarão a treva e a maldade, e serão facilmente conhecidos, entre os homens espantados, porque falarão sempre na linguagem nova do sacrifício e da paz, da renúncia e do amor.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 174. FEB)

AGRADECER

AGRADECER

“E sede agradecidos.” — Paulo. (COLOSSENSES, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 15.)

É curioso verificar que a multidão dos aprendizes está sempre interessada em receber graças, entretanto, é raro encontrar alguém com a disposição de ministrá-las.

Os recursos espirituais, todavia, em sua movimentação comum, deveriam obedecer ao mesmo sistema aplicado às providências de ordem material.

No capitulo de bênçãos da alma, não se deve receber e gastar, insensatamente, mas recorrer ao critério da prudência e da retidão, para que as possibilidades não sejam absorvidas pela desordem e pela injustiça.

É por isso que, em suas instruções aos cristãos de Colossos, recomenda o apóstolo que sejamos agradecidos.

Entre os discípulos sinceros, não se justifica o velho hábito de manifestar reconhecimento em frases bombásticas e laudatórias.

Na comunidade dos trabalhadores fiéis a Jesus, agradecer significa aplicar proveitosamente as dádivas recebidas, tanto ao próximo, quanto a si mesmo.

Para os pais amorosos, o melhor agradecimento dos filhos consiste na elevada compreensão do trabalho e da vida, de que oferecem testemunho.

Manifestando gratidão ao Cristo, os apóstolos lhe foram leais até ao último sacrifício; Paulo de Tarso recebe o apelo do Mestre e, em sinal de alegria e de amor, serve à Causa Divina, através de sofrimentos inomináveis, por mais de trinta anos sucessivos.

Agradecer não será tão-somente problema de palavras brilhantes; é sentir a grandeza dos gestos, a luz dos benefícios, a generosidade da confiança e corresponder, espontaneamente, estendendo aos outros os tesouros da vida.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 163. FEB).

Mensagem de Sirlei Nogueira

Queridos amigos, familiares e a todos os corações que me envolveram em apoio, ternura e compaixão, recebei minha eterna gratidão.

A experiência da desencarnação surpreendeu-me. O AVC abalou profundamente meu equilíbrio emocional e físico. Embora jamais temesse a morte, a dor maior não foi o fim da existência corporal, mas a constatação da fragilidade do corpo: ver-me imobilizado, privado da fala, impossibilitado de agir, foi para minha alma uma tempestade silenciosa. Não houve revolta, apenas a tristeza serena de quem se despede da Terra sem conseguir concluir os projetos que o coração acalentava, especialmente os da Estação Dama da Caridade.

Quando o corpo, já exaurido do fluido vital, cessou sua função, não senti dor. Um torpor suave envolveu-me, semelhante a um sono profundo. Percebia-me sendo lentamente desprendido do casulo físico inerte. Mãos generosas amparavam-me com extremo cuidado; lágrimas eram derramadas em abundância, e presenças queridas aproximavam-se para acolher-me e agradecer-me pelo trabalho realizado. Envergonhava-me diante de tais palavras, pois, em minha consciência, pouco havia feito.

A emoção, porém, alcançou seu ápice quando ouvi uma voz doce a chamar-me. Era minha mãe biológica, tomada por pranto e alegria, envolvendo-me em um abraço que atravessava mundos, enquanto sussurrava, entre lágrimas: “Meu filho querido…”

Logo depois, fui surpreendido por uma presença ainda mais profunda. Mãe Dita estava ali. Diante dela, toda resistência caiu, e chorei como uma criança, em pranto convulsivo. Suas palavras ecoam em mim até hoje: “Meu filho, sou eternamente grata pela homenagem que me prestaste, sem que eu a merecesse. Tão pouco fiz; apenas cumpri os deveres que me resgataram das quedas do passado.”

Meus irmãos, a visão veneranda de Benedita Fernandes confrontava-me com minhas próprias imperfeições e com o sentimento de não merecimento. Julguei, por instantes, estar sonhando. Contudo, seu amor envolveu-me de tal forma que dissipou qualquer dúvida. Com ternura infinita, disse-me apenas: “Vem, meu filho.”

Eram duas mães a me resgatar do limiar entre os mundos. Sentia-me profundamente confortado, mas a emoção embargava-me a voz; palavras tentavam nascer, mas se perdiam no silêncio do coração transbordante.

A candura, a humildade e a grandeza moral de Mãe Dita ultrapassam os limites do vocabulário humano. Aqueles instantes foram de felicidade indizível e de gratidão profunda a Deus, que nunca abandona Seus filhos. Fui então conduzido a um hospital espiritual localizado nas imediações espirituais da cidade de São Paulo.

Todo o processo de recuperação é cuidadoso, delicado e repleto de misericórdia. O amor divino, constante e silencioso, cobre nossas mazelas e nos reconstrói pacientemente. Hoje sinto-me melhor, gradualmente adaptando-me à nova dimensão da vida, embora a saudade da convivência terrena ainda pulse forte em meu coração.

Meus amigos e irmãos, permito-me agora um apelo sincero. Minha maior preocupação é que os projetos da Estação Dama da Caridade se enfraqueçam ou se percam com o tempo. Não permitais que essa obra adormeça. Empenhai-vos ainda mais, por amor a Mãe Dita.

Percebo, com pesar, o esfriamento de alguns confrades. Benedita Fernandes não pode ser esquecida. Por tudo o que fez e continua fazendo, na Terra e no plano espiritual, merece de nós dedicação, fidelidade e trabalho perseverante.

Rogo aos queridos confrades: ela merece muito mais. Sua obra é gigantesca, sustentada no amor e na caridade sem limites. Sinto-me profundamente honrado por ter participado, ainda que modestamente, de seu legado luminoso. Ela é nossa Mãe Dita — bendita Mãe da Caridade, farol de esperança para tantos corações.

Recebei, pois, meus sinceros agradecimentos. Meu abraço fraterno, repleto de afeto e saudade, do amigo de sempre.

Sirlei Nogueira

(Psicografia do médium José Francisco Gomes, em Ipatinga-MG, 16 de janeiro de 2026).

VÓS, QUE DIZEIS?

VÓS, QUE DIZEIS?

“E perguntou-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou?” — (LUCAS, CAPÍTULO 9, VERSÍCULO 20.)

Nas discussões propriamente do mundo, existirão sempre escritores e cientistas dispostos a examinar o Mestre, na pauta de suas impressões puramente intelectuais, sob os pruridos da presunção humana.

Esses amigos, porém, não tiveram contacto com a alma do Evangelho, não superaram os círculos acadêmicos e nem arriscam títulos convencionais, numa excursão desapaixonada através da revelação divina; naturalmente, portanto, continuarão enganados pela vaidade, pelo preconceito ou pelo temor que lhes são peculiares ao transitório modo de ser, até que se lhes renove a experiência nas estradas da vida imperecível.

Entretanto, na intimidade dos aprendizes sinceros e fiéis, a pergunta de Jesus reveste-se de singular importância.

Cada um de nós deve possuir opiniões próprias, relativamente à sabedoria e à misericórdia com que temos sido agraciados.

Palestras vãs, acerca do Cristo, quadram bem apenas a espíritos desarvorados no caminho da vida.

A nós outros, porém, compete o testemunho da intimidade com o Senhor, porque somos usufrutuários diretos de sua infinita bondade.

Meditemos e renovemos aspirações em seu Evangelho de Amor, compreendendo a impropriedade de mútuas interpelações, com respeito ao Mestre, porque a interrogação sublime vem d'Ele a cada um de nós e todos necessitamos conhecê-lo, de modo a assinalá-lo em nossas tarefas de cada dia.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 161. FEB)

Combate interior

Combate interior

“Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim.” – Paulo. (Filipenses, 1:30.)

Em plena juventude, Paulo terçou armas contra as circunstâncias comuns, de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça.

Pelejou por sobrepujar a inteligência de muitos jovens que lhe foram contemporâneos, deixou colegas e companheiros distanciados.

Discutiu com doutores da Lei e venceu-os.

Entregou-se à conquista de situação material invejável e conseguiu-a.

Combateu por evidenciar-se no tribunal mais alto de Jerusalém e sobrepôs-se a velhos orientadores do povo escolhido.

Resolveu perseguir aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida e multiplicou adversários em toda parte.

Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas inocentes a inquietações inomináveis, guerreou pecadores e santos, justos e injustos…

Surgiu, contudo, um momento em que o Senhor lhe convoca o espírito a outro gênero de batalha – o combate consigo mesmo.

Chegada essa hora, Paulo de Tarso cala-se e escuta…

Quebra-se-lhe a espada nas mãos para sempre.

Não tem braços para hostilizar e sim para ajudar e servir.

Caminha, modificado, em sentido inverso.

Ao invés de humilhar os outros, dobra a própria cerviz.

Sofre e aperfeiçoa-se no silêncio, com a mesma disposição de trabalho que o caracterizava nos tempos de cegueira.

É apedrejado, açoitado, preso, incompreendido muitas vezes, mas prossegue sempre, ao encontro da Divina Renovação.

Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço.

Ora e vigia, prepara-te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência.

Lembra-te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar.

Emmanuel

(Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 178. FEB)

Sob a tempestade

Sob a tempestade

Meus amigos, muita paz!

O tempo nos descerra panoramas, tanto quanto revela consequências oriundas das experiências vividas…

O movimento da Lei de Causa e Efeito é inestancável, porque é graças a esse movimento que as almas gravitam entre si e em ciclos definidos de aprendizado, sob cujas malhas de impregnação magnética essas mesmas almas são projetadas a novos padrões de vida interior e de experiências promotoras.

O tempo presente é o tempo proclamado desde muito, para revisão aferidora de feitos e usufrutos.

Parece confuso para muitos, embora permita a licença e os comportamentos dantes inibidos, cerceados…

É ao mesmo tempo perturbação e abertura, é checagem obrigatória e campo fértil, de acordo com as possibilidades dos que, encarnados ou desencarnados, avançam – em programas pessoais ou através das diretrizes do Mais Alto.

Quantos irmãos nossos, nesse torvelinho de possibilidades em eclosão, se emaranham pesadamente, por força do personalismo deprimente?!… quantos, também, aplicam, por deliberação inteligente e mais sensata, os valores que receberam dos Emissários do excelso Pai?!…

O tempo é de emancipação, e esta poderá comprometer-se em razão do próprio egoísmo ou dar-se segundo os anseios de elevação.

Em meio à dignidade e à honradez de caráter, emergem também as fantasias e leviandades de quantos fogem à Verdade, tantas vezes buscando desfigurá-la, entre vaidade e presunção, entre zombaria e agressividade banal…

Amigos, de todas as expressões que a história do mundo vos apresenta, desde prístinas eras, a mensagem do Evangelho, em Jesus, é o roteiro efetivo, tanto para os homens, quanto para nós, os Espíritos livres do corpo carnal.

Será, sim, com o Mestre e Senhor, que lograremos o amor santificado e a imortal sabedoria, que regem e regerão sempre, o progresso e a evolução dos mundos e dos seres que os habitam, pelo infinito de Deus!

HONÓRIO ABREU

(Mensagem psicografada pelo médium Wagner Gomes da Paixão durante reunião pública no Grupo Espírita da Bênção, em Mário Campos, MG, no dia 29 de dezembro de 2025).