A valorização do roteiro de Kardec

A valorização do roteiro de Kardec

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

No desenvolvimento do estudo virtual “Espiritismo: das obras básicas às vivências e visão de futuro” – que coordenamos semanalmente por transmissões do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – CCDPE-SP -, em várias reuniões abordamos temas sobre Allan Kardec.1

As experiências de vida e o pensamento de Kardec foram focalizados em lives: Contexto social e religioso na França de Kardec; Kardec e a elaboração do espiritismo, origem e significado da palavra Espiritismo, conceito de revelação espírita; Espiritismo cristão e humanitário; Papel da Revista espírita; Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; A experiência de Kardec com suas viagens.1

No conjunto dos estudos fundamentados em pesquisa bibliográfica concernente aos temas, emergem dados que contribuem para termos uma visão mais abrangente sobre o perfil, as propostas e as lutas do Codificador.

O experiente professor Rivail – culto, ativo e formulador de propostas educacionais -, canalizou sua experiência de vida, aos 50 anos de idade, para os estudos dos fenômenos espirituais, culminando com a elaboração: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações”.2

O marco fundante é O livro dos espíritos. Kardec é chamado o codificador do Espiritismo, e, para algumas referências francesas é considerado o fundador do Espiritismo. Com ele surgiu o Espiritismo, o primeiro veículo de informação espírita – a Revista espírita -, o primeiro centro espírita do mundo – a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas -, e o movimento espírita com a prática de suas viagens pela França e Bélgica.

Destacamos que as análises das comunicações espirituais registradas na 2ª parte de O céu e o inferno, fazem dessa obra o marco histórico de conter o primeiro estudo de casos de manifestações espirituais, caracterizando-se como estudo sobre estados de alma.

No perfil do bem-preparado professor destacam-se: a autonomia intelectual, independência com relação aos contextos de sua época, o pensamento racional, a seriedade, a dedicação e amor à proposta nascente. A propósito, o jovem astrônomo Camille Flammarion em marcante discurso por ocasião do sepultamento de Kardec enaltece sua “razão reta e judiciosa”, definindo-o como o “bom senso encarnado” e destacou: “assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. […] Assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. Quem poderia prever a que consequências conduziria, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta psicologia nova?”3

Aí fica claro como o movimento espírita precisa se debruçar mais para a compreensão do pensamento expresso por Kardec em suas obras.

Há necessidade de se valorizar, estudar, divulgar as obras de Kardec: as obras básicas e a Revista Espírita por ele fundada.

Uma antiga campanha da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo – Comece pelo Começo -, é extremamente pertinente e necessária sua adoção. Estimula o estudo e valorização pelo “começo”, ou seja, as obras básicas de Kardec.

Referências:

1) Acessos para as gravações dos estudos (copie e cole): https://www.youtube.com/@ccdpe-ecm

2) Kardec, Allan. Tradução redação de Reformador. O que é o espiritismo. Preâmbulo. Brasília: FEB. 2013.

3) Flammarion, Camille. In: Discursos pronunciados sobre o túmulo. Revista espírita. Ano 12. N.5. Maio de 1869. Trad. Gentile, Salvador. Araras: IDE. 2001. P. 05-11. Disponível em (copie e cole): https://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1869.pdf

Datas espíritas marcantes do mês de abril

Datas espíritas marcantes do mês de abril

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O mês de abril assinala algumas efemérides significativas relacionadas com episódios e vultos espíritas.

No dia 1o de abril de 1858, Allan Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas que, dias depois, foi autorizada a funcionar pelo Ministério da Justiça da França.

Em 11 de abril desencarnava Bezerra de Menezes, no ano de 1900, no Rio de Janeiro. Conhecido como o “médico dos pobres” e na época era presidente da Federação Espírita Brasileira.

Bezerra foi substituído pelo seu jovem vice-presidente Leopoldo Cirne, nascido em abril de 1870, na Paraíba.

No dia 12 abril de 1927 desencarna em Tours, Léon Denis, orador e autor de vários livros clássicos e um consolidador do Espiritismo na França.

Destacamos que Denis manteve correspondências com Bezerra e Cirne, sendo que este último traduziu os livros Cristianismo e Espiritismo e No Invisível, de autoria do notável líder francês.

Data histórica é o dia 18 de abril de 1857 que assinala o lançamento de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec, na Livraria Dentu, em Paris.

No Brasil, esse dia é muitas vezes chamado de “dia do livro espírita”, e, oficialmente designado por várias Câmaras Municipais como “dia dos espíritas”. Com a Lei n. 14.354 aprovada pelo Congresso Nacional no ano de 2022, foi designado “dia dos espíritas”.

Outra obra de Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, teve sua primeira edição designada Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo, anunciada pela Revista Espírita em abril 1864.

Há vários vultos espíritas brasileiros nascidos nesse mês, mas a data marcante é o 02 de abril de 1910 que assinala o nascimento de Chico Xavier, em Pedro Leopoldo.

Aí estão sugestões para leituras e releituras relacionadas com os fatos assinalados pelo calendário destacado.

Um traço comum entre essas efemérides de abril é a relação com estudo, livros e difusão. Isso nos traz à lembrança frases espirituais que bem refletem os esforços associados aos vultos e episódios citados.

Trata-se de final do capítulo 40 do livro Estude e viva, em que Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier, anota: “O Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação”.

Ainda Emmanuel destaca em Pensamento e vida (FCX, cap. 14): “A prática do bem, simples e infatigável, pode modificar a rota do destino”.

No desenvolvimento desses textos o autor espiritual deixa claro que não se trata apenas de difusão das ideias espíritas, mas do exemplo de vida que, sem dúvida, é uma placa sinalizadora de divulgação do bem.

O MOVIMENTO ESPÍRITA FRANCÊS QUANDO DA DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC

O MOVIMENTO ESPÍRITA FRANCÊS QUANDO DA DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC

 

Charles Kempf (*)

Kardec estava preparando um plano para o futuro do movimento espírita: depois da Constituição do Espiritismo, na ata sobre o caixa do espiritismo na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 5 de maio de 1865, Kardec publicou o Projeto 1868 na Revue Spirite de dezembro de 1868.

Allan Kardec desencarnou “de pé”, subitamente, em pleno trabalho. Ele estava terminando de liberar o local no Passage Sainte-Anne, cujo contrato de aluguel terminava no mesmo dia 31 de março de 1869.

A Livraria tinha sido mudada para a rue de Lille, e os pertences pessoais, bem como o birô da Revue Spirite, foram mudados para a Villa Ségur.

Kardec nos legou as cinco obras da Codificação, incluindo os clichés e as impressões das folhas das revisões das duas últimas, além das obras complementares e a Revue Spirite até abril de 1869. Manuscritos encontrados recentemente mostram que ele ainda planejava outras obras, incluindo: O livro dos magnetizadores, com as relações entre o magnetismo e o espiritismo, e O estado social segundo o espiritismo. Também mencionou um curso de espiritismo.

Porém, a espiritualidade maior determinou que a missão estava cumprida e que ele podia regressar à Pátria espiritual. Kardec estava preparando um plano para o futuro do movimento espírita: depois da Constituição do Espiritismo, na ata sobre o caixa do espiritismo na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em 5 de maio de 1865, Kardec publicou o Projeto 1868 na Revue Spirite de dezembro de 1868.

Uma versão revisada foi publicada por Pierre-Gaëtan Leymarie em Obras póstumas, 20 anos depois, em 1889. Esses textos e os princípios que eles contêm são conhecidos pelo movimento espírita, mas até hoje, não foram colocados em prática.

Em 1868, Kardec fez uma consulta junto a espíritas de confiança, solicitando ideias, opiniões, sugestões e comunicações dos Espíritos sobre esse plano. Nessa base, nos últimos dias da vida dele, Kardec estava refinando e detalhando seu plano: fragmentos foram encontrados em manuscritos, hoje do acervo AKOL Allan Kardec Online, e dos quais uma transcrição e análise foi feita por Júlio Nogueira no apêndice 4 do livro Nem céu, nem inferno, de Paulo Henrique de Figueiredo e Lucas Sampaio.

O plano de Kardec correspondia a uma fundação, com aporte em capital, a propriedade da Villa Ségur, e como fonte de renda, a Livraria Espírita, financiando as atividades e o desenvolvimento da Doutrina Espírita segundo as atribuições do “Comitê Central” a ser instalado na Villa Ségur.

Kardec publicou na Revue Spirite de abril de 1869, que incluía em anexo a primeira versão do Catalogue raisonné, os motivos para a fundação da Livraria Espírita, indicando que “não é uma empresa comercial; foi criada por uma sociedade de espíritas, tendo em vista os interesses da Doutrina, e que renunciam, pelo contrato que os ligam, a toda especulação pessoal. […] É administrada por um gerente, simples mandatário, e todos os lucros constatados pelos balanços anuais serão por ele lançados na Caixa Geral do Espiritismo.”

Mas Amélie e os fiéis que ela escolheu (Monvoisin, Joly, Desliens, Bittard, Tailleur e Guilbert) não entenderam bem esse plano, e criaram em junho de 1869 para a livraria uma Sociedade anônima puramente comercial, sem vínculo com a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Isto ocasionou uma divisão entre ambas as Sociedades e no movimento espírita, com a demissão do Sr Malet da presidência da SPEE, que tinha provavelmente entendido melhor o plano de Kardec. Como foi mostrado em vários relatos, essa divisão só foi aumentando nos anos seguintes, e no final do século 19, a Livraria e os direitos autorais de Allan Kardec acabaram sendo patrimônio da família Leymarie.

A visão de Kardec sobre o Movimento Espírita era bem ampla: na Revue Spirite de janeiro de 1868, publicou as Estatísticas do Espiritismo, indicando 4 a 10 milhões de espíritas nos EUA, e 1 milhão na Europa, dos quais 600 mil na França. Somente em Paris foram identificados em 1869 mais de dez grupos organizados, além dos grupos familiares. Obviamente, Kardec incluía entre os espíritas os espiritualistas americanos e ingleses.

Publicou na Revue Spirite de abril de 1869 a “Profissão de Fé Espírita Americana”, comentando que a diferença entre as duas escolas se reduz a bem pouca coisa, embora não se tenham copiado, chegando quase ao mesmo resultado pela observação dos fenômenos. Kardec acrescentou: “Os espíritas do mundo inteiro terão princípios comuns, que os ligarão à grande família pelo laço sagrado da fraternidade, mas cuja aplicação poderá variar conforme as regiões, sem que, por isto, seja rompida a unidade fundamental, sem formar seitas dissidentes que se atirem a pedra e o anátema, o que seria antiespírita em alto grau. […] O espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria uma puerilidade indigna da grandeza do assunto. Eis por que os diversos centros, que estiverem no verdadeiro espírito do espiritismo, deverão estender-se a mão fraterna e se unirem no combate aos seus inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.”

Flammarion, aos 27 anos, aceitou o convite de pronunciar o discurso em homenagem a Allan Kardec no funeral no cemitério Montmartre. Ele elogiou “o bem senso encarnado” e seu trabalho pioneiro pelo estudo racional da espiritualidade e das forças naturais que agem ao nosso redor, constituindo um antídoto ao materialismo, ao ateísmo e as superstições religiosas. Ele destacou o papel consolador que o espiritismo já tinha realizado, mas também a necessidade de investigações científicas dos fenômenos de efeito físico. Flammarion recusou o convite para suceder a Allan Kardec na presidência da SPEE, alegando que a maioria dos espíritas viam no espiritismo uma religião, e não uma ciência.

Allan Kardec foi muito claro, mas qual é a situação do movimento espírita hoje, quase 160 anos depois?

Continua dividido, com personalismos, apego aos cargos, veleidades de hegemonia, quase sem contato com os espiritualistas modernos, com muita pouca pesquisa séria sobre os fenômenos, com muito pouca abertura aos dois terços da humanidade que não são cristãos. Fora da caridade, não há salvação. Acrescentaremos que fora da caridade, não haverá movimento digno da Doutrina Espírita.

(*) Charles Kempf é engenheiro, ex-presidente da Federação Espírita Francesa, ex-secretário-geral do Conselho Espírita Internacional e trabalhador no Mouvement Spirite Francophone.

DE: Dirigente Espírita, março/abril de 2026, USE-SP (copie e cole): https://usesp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/rdDE-211.pdf

 

DuBEM: Uma trajetória de fé, arte e perseverança na divulgação espírita

DuBEM: Uma trajetória de fé, arte e perseverança na divulgação espírita

    

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Em 12 de janeiro de 2007, nascia a Rádio Espírita DuBEM e se expandiu da rádio à produção multimídia promovendo a Arte Espírita.

Embora contando com apoios de amigos, instituições espíritas e da espiritualidade, a iniciativa persistente é de Lirálcio Ricci, dedicado difusor da arte espírita e ele próprio excelente cantor, que se apresenta em vários eventos espíritas. É também diretor de artes da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo.

Além do Canal DuBEM, consolidaram-se outras frentes de trabalho: Rádio Espírita DuBEM: programação contínua voltada à música e mensagens edificantes; DuBEM Records and Books: produção e distribuição de conteúdo musicais e literários; DuBEM Produções Artísticas: incentivo e realização de projetos culturais espíritas.

De 2019 até o final de 2025 manteve um estúdio no bairro da Mooca. Recentemente montaram e inauguram um novo estúdio, e funciona no bairro da Penha, em São Paulo. O novo espaço permite a presença de público, comportando cerca de 40 pessoas sentadas.

Lirálcio Ricci informou que atualmente, há programas diários: – Despertar da Consciência, segunda-feira, às 21h; – Evangelho DuBEM, terça-feira, às 21h; – Espiritismo com Arte, quarta-feira, às 21h; – Lirálcio canta ao vivo, quinta-feira, às 21h; – Sexta Musical, sexta-feira, às 21h; – Fonte Cristalina, sábado, às 20h; – Evaluir Feliz, 1º e 3º domingos, às 19h; – A Recuperação, 2º e 4º domingos, às 19h; – Revista Visão DuBEM, última quinta-feira do mês, às 21h; – Unilux, terceiro sábado do mês, às 15h.

A Rádio Espírita DuBEM, funciona 24 horas com músicas e mensagens espíritas.

Em março de 2026, completou seu terceiro ano de vida a revista digital mensal Visão DuBem. A coordenação e apresentação é de Sirlaine Ayala. Essa revista digital conta com participações gravadas de diversos expositores e autores espíritas e também apresenta grupos musicais.

No número 24, do dia 26/03/2026, essa Revista destacou o tema DOENÇAS E CURAS SEGUNDO O ESPIRITISMO, e os colunistas mergulham nos aspectos físicos, emocionais e espirituais das enfermidades, refletindo sobre como a Doutrina Espírita nos auxilia na busca da cura — ou na compreensão das dores e desafios que enfrentamos.

Nessa recente edição há a participação de:

- Marco Milani aborda os aspectos científicos, lembrando que, além das causas orgânicas, existem influências morais e reflexos de existências passadas no nosso equilíbrio atual.

- André Siqueira reforça a importância do cuidado com o corpo como instrumento do espírito em sua jornada evolutiva.

- Astrid Sayegh destaca a renovação espiritual como caminho para o fortalecimento e a cura integral.

- Quadro CAUSOS DE CHICO, com Francisco Cardec, trazendo uma emocionante mensagem mediúnica de Chico Xavier (1948): “Receita para melhorar”.

- Quadro MOVIMENTO 21, com Thiago Ariel, no tema: “EU NÃO CURTO A MINHA SKIN” — uma reflexão atual sobre autoestima e os desafios da autoaceitação no mundo hiperconectado.

- Cesar Perri – Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo.

- Bárbara Bezerra – Comunicação não-violenta.

- Roberto Beletati – Prevenção ao consumo de álcool.

Informações sobre o canal DuBem:

#CanalDuBEM #Espiritismo #DoutrinaEspírita #Evangelho #Jesus #AllanKardec #FéRaciocinada #EstudoEspírita #ArteEspírita #RevistaVisãoDuBEM #SaúdeEspiritual #Cura #Autoconhecimento #Espiritualidade;

Site: canaldubem@gmail.com;

O novo estúdio funciona à Rua Enéas de Barros, 490 – casa 2, Penha, São Paulo.

Acesso à revista digital Visão DuBem (copie e cole):

https://www.youtube.com/live/VRO3si60SO0

 

Três condições sobre vida imortal

Três condições sobre vida imortal

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Neste ano, na passagem de março para abril, rememoramos três condições relacionadas com a vida imortal.

Dia 31 de março assinala a desencarnação de Allan Kardec ocorrida no ano de 1869, em Paris. Suas obras e ações consolidam a certeza na imortalidade da alma, destacando-se o livro “O céu e o inferno” que contém dezenas de mensagens espirituais, obtidas principalmente na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e por ele analisadas com o critério de “estados de alma”. No seu túmulo no Cemitério de Pére Lachaise, em Paris, está gravada frase sintética e profunda: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, esta é a lei”.

No dia 02 de abril de 1910, nasceu Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo (MG). Médium natural desde os cinco anos de idade, passou a psicografar aos 17 anos de idade. Em sua longa existência, e de 75 anos de atividades mediúnicas, Chico Xavier psicografou cerca de 450 livros, assinados por centenas de espíritos desencarnados. Destaca-se a série do espírito André Luiz, iniciada com o livro “Nosso Lar”, descrevendo as atividades dos espíritos desencarnados e suas relações com os encarnados. Na rotina dos atendimentos públicos de Chico Xavier, em Pedro Leopoldo e depois em Uberaba, ele acolheu centenas de famílias angustiadas pela “perda” de entes queridos, oportunidades em que ele psicografou inúmeras mensagens chamadas de “cartas familiares”. Os familiares que as recebiam identificavam o familiar desencarnado. Há muitos estudos sobre estas cartas, comprovando a identidade do espírito comunicante. Entre esses livros há títulos muito sugestivos, como: “Amor sem adeus”, “Viajaram mais cedo”, “Correio do além”, “Caravana do amor”, “Claramente vivos” e muitos outros.

E na tradição da chamada “semana santa”, há o dia de “aleilua”, seguido da crença da ressurreição!

Após a crucificação, Jesus apareceu onze vezes num período de 40 dias. No passado e em registros antigos e tradicionais chamam de “ressurreição”, palavra inadequada e que não expressa a realidade, pois não há condições de reviver um corpo comprovadamente morto. Kardec analisa a questão e as opções em seu livro “A gênese”, esclarecendo que foram casos de “aparição”, e, sabidamente há aparições espirituais que chegam a dar condições de tangibilidade, e, as comprovadas materializações pesquisadas por acadêmicos no início no século XX. Jesus deu mostras de imortalidade! Exatamente as demonstrações de imortalidade de Jesus é que asseguraram condições para se chamar atenção pelos seus ensinos e exemplos nos primeiros tempos de disseminação do cristianismo primitivo.

Por quê a reincidência em ritos religiosos representando Jesus “morto”??? Jesus vive!

Na obra inaugural de Kardec – “O livro dos espíritos” -, Jesus é considerado “o único espírito e perfeito que habitou a Terra”.

Jesus é o “Sol das almas”, “caminho, verdade e vida”!

Progressos e enganos com a inteligência artificial

Progressos e enganos com a inteligência artificial

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Está crescente o emprego de inteligência artificial nas diversas áreas de atuação.

Sem dúvida, em geral, há contribuições significativas com os acessos à inteligência artificial.

No movimento espírita, notamos sua utilização dando movimento e falas a vultos espíritas do passado, e, até os “sem graça” risos montados em figuras históricas; muitas falsidades e/ou interesse em denegrir imagens colocadas na boca de Chico Xavier; textos com incorreções de conceitos, emprego e citações erradas de bibliografias.

Deve existir um cuidado muito grande e até alerta para se evitar compartilhamentos indiscriminados antes de adequada análise de informações e imagens.

Quem alimenta publicações essas plataformas que alimentam a inteligência artificial? Em geral surgem de dados e imagens do Google e do You Tube, plataformas são “varridas” pela IA. Livremente qualquer pessoa faz postagens nas redes.

Na área espírita há matérias adequadas, deturpadas e até fruto de elocubrações… Há até detratores do espiritismo e pessoas interessadas em comprometer a imagem de vultos espíritas. Ou seja, é um arco enorme de fontes, sem barreiras e sem compromisso ético.

A propósito, consideramos oportuna a matéria de Melissa Heikkilä1, repórter sênior da MIT Technology Review; ela comenta assuntos ligados à inteligência artificial . Essa repórter esclarece que “a inteligência artificial (IA) é fundamentalmente baseada em dados. Quantidades gigantescas de dados são necessárias para treinar algoritmos para realizarem as tarefas desejadas, e os dados inseridos nos modelos de IA determinam os resultados obtidos. Contudo, há um problema: os desenvolvedores e pesquisadores de IA sabem muito pouco sobre as fontes dos dados que estão utilizando. As práticas de coleta de dados da IA são imaturas em comparação com o nível avançado de desenvolvimento dos modelos. Conjuntos de dados massivos frequentemente carecem de informações claras sobre o que eles contêm e de onde vieram. Nos últimos anos, surgiram modelos generativos multimodais, que podem criar vídeos e imagens. Como os modelos de linguagem, eles precisam de grandes volumes de dados, e a principal fonte para isso tem sido o YouTube. Em modelos de vídeo, mais de 70% dos dados vêm de uma única fonte, beneficiando enormemente o Google, proprietário da plataforma. […] há uma discrepância massiva entre o mundo que vemos e o que está invisível para esses modelos, […] A origem dos dados utilizados em modelos de IA é frequentemente desconhecida, dificultando a conformidade com restrições legais e levantando questões éticas significativas”.1

Portanto, é sempre oportuna a consideração sobre o método que Allan Kardec empregou para seleção de mensagens: “O primeiro exame comprobativo é, pois, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. […] A concordância no que ensinem os Espíritos é, pois, a melhor comprovação. […] Prova a experiência que, quando um princípio novo tem de ser enunciado, isso se dá espontaneamente em diversos pontos ao mesmo tempo e de modo idêntico, senão quanto à forma, quanto ao fundo.”2

Há necessidade de cuidados, análise cuidadosa, checagem de fontes nas contribuições advindas da inteligência artificial. Uma forte justificativa para se adotar o método, que destacamos, de Kardec para análise de mensagens.

Referências:

1) Acesso (copie e cole): https://mittechreview.com.br/origem-dados-inteligencia-artificial/

2) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O evangelho segundo o espiritismo. Apresentação, Cap. XI e XVII. Brasília: FEB.

 

A fraternidade no diálogo espiritual

A fraternidade no diálogo espiritual

Antonio Cesar Perri de Carvalho

O Grupo Espírita Casa do Caminho, de São Paulo, tem promovido estudos continuados em que o seminário “papel dos esclarecedores nos grupos mediúnicos” tem sido repetido e aprofundado. Trata-se de tema que deve merecer muita atenção nesses grupos dos centros espíritas.

O tema nos remete, de início, a Chico Xavier que atuou no Centro Espírita Luiz Gonzaga desde a fundação em 1927 até sua mudança para Uberaba, no início de 1959. Nesse local atendeu semanalmente muitos milhares de pessoas que o procuravam sedentos de consolo e esclarecimento espiritual. A partir desses diálogos com Chico Xavier com as pessoas, sempre solícito e fraternal, iniciava-se um atendimento que, sem dúvida, envolvia o tratamento espiritual dos encarnados e dos desencarnados que eram por eles atraídos. Alguns desses espíritos eram encaminhados para postos de acolhimento do Mundo Espiritual, outros eram envolvidos na esfera de atendimento do próprio Centro em função de suas reuniões. Nas reuniões mediúnicas Chico Xavier atuava não apenas como médium de espíritos esclarecidos e orientadores, mas também para manifestação de espíritos enfermiços. Ademais, um grupo de colaboradores do Centro Espírita Luiz Gonzaga, incluindo Chico Xavier, constituíu o Grupo Meimei, voltado ao atendimento de espíritos enfermiços.

O inesquecível médium mineiro transmitiu a Arnaldo Rocha, que era o coordenador desse Grupo, algumas recomendações:

“[…] porque se deve dialogar com os Espíritos sem qualquer ideia de doutrinação. […] transmitiu-me as orientações iniciais de Emmanuel: nunca discutir com a entidade comunicante e nem falar que ela já ‘morreu’…”1 De início, a compreensão e a tradição religiosa do espírito comunicante deve ser respeitada. Entre muitos exemplos há a série de cartas familiares de espírito que desencarnou convicto das tradições do judaísmo.2,3

Há muitas obras que tratam da prática do diálogo com os espíritos enfermiços. Iremos nos restringir apenas a alguns, resultantes da mediunidade de Chico Xavier. Entre estes, Instruções psicofônicas, que é resultado das transcrições das gravações do já citado Grupo Meimei, coordenado por Arnaldo Rocha. Deste livro e da entrevista com Arnaldo destacamos a mensagem de Emmanuel:

“Sem o carinho e a receptividade do coração, sofreremos o império do desespero. Sem o devotamento e a decisão do braço, padeceremos a inércia. Contudo, para que o trio funcione com eficiência, são necessários três requisitos na máquina de ação em que se expressam: Confiança. Boa-vontade. Harmonia.”4

Em outra obra que relaciona a prática mediúnica com a moral ensinada por Jesus, Emmanuel orienta: “Cultivar o tato psicológico, evitando atitudes ou palavras violentas, mas fugindo da doçura sistemática que anestesia a mente sem renová-la.”5 A essa altura cabem dois comentários sintéticos do espírito Emmanuel sobre o atendimento de espíritos enfermiços: “[…] com a mediunidade esclarecida, é fácil aliviá-los e socorrê-los.”5 “[…] Reunamo-nos nas bases a que nos referimos, sob a inspiração do Cristo, Nosso Mestre e Senhor, e as nossas reuniões mediúnicas serão sempre um santuário de caridade e um celeiro de luz.”4

Os livros do Espírito André Luiz, conhecidos como série Nosso Lar, esclarecem magistralmente os processos de libertação espiritual. Todavia, em Desobsessão estão disponíveis várias recomendações práticas para uma reunião: “O médium de incorporação, como também o médium esclarecedor, não podem esquecer, em circunstância alguma, que a entidade perturbada se encontra, para eles, na situação de um doente ante o enfermeiro. […] O esclarecimento não será, todavia, longo em demasia”.6

Deve ficar claro que os espíritos citados em vários locais empregam as expressões: espíritos enfermiços; como parentes nossos enfermos; doente ante o enfermeiro… O membro da equipe mediúnica que atua como dialogador tem um papel muito importante e os orientadores espirituais comparam-no a um enfermeiro ante um doente, referindo-se aos espíritos necessitados, como enfermiços, como se fossem parentes nossos enfermos…

Ou seja, o tom da fraternidade deve prevalecer no diálogo com os espíritos necessitados de acolhimento, apoio e esclarecimento.

 A resultante dos esclarecimentos espirituais nos remete a um episódio significativo. No dia 2 de abril de 2010, exatamente no dia do Centenário de nascimento de Chico Xavier, houve a inauguração do Memorial do Luiz Gonzaga, anexo a centro de mesmo nome, em Pedro Leopoldo, a terra natal do médium. Na oportunidade representamos o presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) e estavam presentes representantes da Municipalidade, Banda da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, dirigentes da União Espírita Mineira (UEM), Arnaldo Rocha, Oceano Vieira de Melo, Terezinha de Oliveira (de Campinas), parentes e amigos de Chico Xavier. No final da cerimônia assistimos a um fato inesquecível e emocionante: o mestre de cerimônias solicitou que abrissem uns engradados cobertos, que se encontravam cheios de pombas, e estas iniciaram voos. Em comentário do cerimonial, fez-se uma comparação ao voo livre das pombas, em um belo bailado aéreo: “[…] a libertação das almas iluminadas pelo Evangelho à luz do Espiritismo, que por aqui estiveram, ao se desprenderem do corpo físico”.3

Essa frase é muito marcante! O exemplo no bem persistente de Chico Xavier, o seu amor em ação, fizeram dele um valoroso intermediário para a libertação de almas.

Referências:

1) Livros pioneiros obtidos de gravações de psicofonias. Reformador. Ano 129. N.2.190. Setembro de 2011. P. 329-331.

2) Xavier, Francisco Cândido; Muszkat, Roberto; Muszkat, David. Quando se pretende falar da vida. São Bernardo do Campo: GEEM. 1983.

3) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Chico Xavier. O homem, a obra e repercussões. Cap. 2.7. Capivari: Ed. EME. 2019.

4) Xavier, Francisco Cândido. Espíritos diversos. Instruções psicofônicas. Cap. 59. Rio de Janeiro. FEB.

5) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Seara dos médiuns. Cap. 55. FEB.

6) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito André Luiz. Desobsessão. Cap. 37. FEB.

Artigo transcrito de artigo do autor: Revista Internacional de Espiritismo. Ano XCIV. N.3. Abril de 2019. P.140-141.

Guerras e paz

Guerras e paz

Antonio Cesar Perri de Carvalho

Nos últimos anos o mundo acompanha estarrecido o que seria inimaginável nesse século: invasões de países e bombardeios generalizados com terríveis atrocidades. O direito internacional e as tradicionais posições diplomáticas andam enfraquecidas e é evidente o desrespeito à soberania de países.

Em que pesem as justificativas de combates a terrorismo e a tráfico de drogas, os meios adotados são questionáveis.

Em meio a um turbilhão de pensamentos para se buscar a explicação espiritual sobre os tristes episódios de nossos tempos, veem à nossa mente a trajetória do destacado literato russo Lev Nikolaievitch Tolstoi, conhecido apenas como Leon Tolstoi (1828-1910). Esse carismático escritor tornou-se conhecido com seu romance Guerra e paz, onde focaliza a invasão da Rússia por Napoleão Bonaparte, entremeando enredo de amores e aventuras de alguns personagens. Inicialmente foi publicado em série em periódico entre 1865 e 1869.

Torna-se interessante pinçarmos alguns lances da linha de pensamento desenvolvida por Tolstoi. Os analistas do escritor comentam que na década de 1870, ele viveu uma profunda crise moral, em seguida caminhando para interesses espirituais. No romance Ressurreição (1899) defende idéias ligadas à justiça social, fundamentando-se em filosofia econômica do intelectual Henry George. Tolstoi critica a injustiça das leis humanas e as posições falsas e hipócritas das igrejas cristãs.

Sua vida foi marcada por protagonismos políticos e religiosos e nos seus últimos anos defendia o amor e a não-violência. Seria uma resistência ou ação não violenta para se atingir uma meta sociopolítica através de protestos simbólicos, de não cooperação econômica ou política, até a desobediência civil, mas sem o uso da violência. Tolstoi baseia-se em frase de Cristo sobre o oferecimento da “outra face”, para se evitar a violência e a vingança. Nessa nova etapa de sua existência, deteve-se no estudo do Sermão da Montanha e se transformou numa espécie de anarquista cristão e pacifista. Ao longo de sua vida na conturbada Rússia dos Czares, claramente se nota uma evolução na sua visão sobre a sociedade. No fundo procurava entender a essência da “lei áurea” ensinada pelo Cristo.

Como espírito liberto, utilizando a mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira, elaborou a obra Ressurreição e vida1, publicada em 1964. O autor espiritual desenvolve seis contos ou mini-romances, que seriam reais, ambientados na Rússia dos czares Romanov. A temática ressurreição é tratada em referência às aparições de Jesus. Destacamos que o autor espiritual acrescenta ao título de sua obra como encarnado Ressurreição, o verbete “vida”, no sentido amplo de vida espiritual.

Nessa obra mediúnica, o espírito Tolstoi realça que apenas uma sólida educação moral-intelectual com base nos ensinos de Jesus poderá encaminhar o homem para o cultivo das virtudes e relata o encontro espiritual com um luminar do cristianismo e a aceitação de seus ensinos: “Foi esse um dos mestres que encontrei aquém do túmulo. Seus ensinamentos, os exemplos de ternura em favor do próximo, que me deu, revigoraram minhas forças. Sob seus conselhos amorosos orientei-me, dispondo-me a realizações conciliadoras da consciência…”1 Trata-se de uma alusão a registros de Mateus (22, 37-39).

As ideias de Tolstoi sobre não-violência e, depois, do “lado de lá”, são claramente vinculadas ao amor ao próximo e oferecem subsídios para algumas considerações doutrinárias sobre os preocupantes episódios da atualidade.

Em O livro dos espíritos há o esclarecimento porque o homem é impelido à guerra:

“Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem — o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos frequente se torna a guerra…”2

“Que se deve pensar daquele que suscita a guerra para proveito seu? – Grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.”2

Após a citação dessa obra do Codificador, destacamos que habitamos um mundo chamado de provas e expiações, onde ocorrem constantes embates entre luz e trevas. Há muitas expectativas, mas o mundo de regeneração somente se estabelecerá com um longo processo de transformação, com base na real educação fundamentada em valores e senso espiritual.

Essa caminhada – com uma cultura de paz – começa pela transformação do indivíduo e a profilaxia das várias formas de violência (verbal, física, social e vibratória), mas precisa ser elaborada desde os lares – alicerces da sociedade -, nas instituições de ensino, nas relações sociais em geral para que reflitam nas propostas, ações e decisões político-partidárias.

A cultura da não-violência deve ser trabalhada desde as bases da sociedade.

Referências:

1) Pereira, Yvonne Amaral. Pelo espírito Léon Tolstoi. Ressurreição e vida. Cap. Conclusão. Brasília: FEB.

2) Kardec, Allan. Trad. Ribeiro, Guillon. O livro dos espíritos. Q. 742-745. Brasília: FEB.

Associação Benedita Fernandes completa 94 anos

Associação Benedita Fernandes completa 94 anos

          


Antonio Cesar Perri de Carvalho

Benedita Fernandes (1883-1947) ao fundar a Associação das Senhoras Cristãs em Araçatuba, aos 06/03/1932, foi a pioneira na cidade e região em iniciar uma instituição assistencial espírita.
Num período de 15 anos essa Associação originou Hospital, Casa da Criança, Albergue e, em parceria com o Município, uma Escola. Veio a ser a ter¬ceira sociedade fundada por espíritas em Araçatuba.
A dedicação, o dinamismo e a simplicidade de Benedita Fernandes transformaram-se marcas de reconhecimento, gratidão e de exemplos.
Os tempos passaram e muitas alterações na legislação ocorreram em nosso país, notadamente na área da saúde mental.
A instituição mantenedora por ela fundada em 1932, transformou-se em organização social da saúde e teve o acréscimo de seu nome: Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes.
Entre as novas formas de ação com apoio da Associação, de 2009 a 2023, funcionou o CAPS-ad Benedita Fernandes (Centro de Atenção Psicossocial – álcool e drogas), próximo ao Hospital. No final do ano 2015, em atendimento à legislação de Saúde Mental, houve readequação na questão da internação de doentes, e o Hospital entra em fase de desativação. No ano de 2016 a Associação das Senhoras Cristãs passou a atuar no CPAS i – Centro de Atenção Psicossocial Infantil e no CPAS III Adulto – Centro de Atenção Psicossocial Adulto e dois SRT Tipo II – Serviços residenciais terapêuticos. Em 2017 os pacientes foram transferidos para residências terapêuticas.
Em 2025, parte da estrutura do antigo Hospital Psiquiátrico foi locado para uma empresa de plano de saúde. Outras dependências com coordenação da Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes prosseguem para utilização de reuniões espíritas; também com reformas e construção, para instalação de um serviço de psicologia. Este serviço – Centro de Psicologia & Terapias Alternativas (Psico Benedita Fernandes) -, em convênio com o Município já vinha funcionando desde 2019, em local no bairro Paraíso, oferecendo atendimento individual 60% gratuidade/SUS, à população do Município.
No ano de 2025 a sede da Associação recepcionou dois eventos marcantes.
Na tarde do dia 05 de junho, o médium José Francisco Gomes (de Ipatinga, MG) que psicografou o livro “Desafios da educação”, de autoria do espírito Benedita Fernandes, participou de evento no local para lançamento do livro, acompanhado de Cesar Perri (de São Paulo), prefaciador dessa obra e autor da biografia “Benedita Fernandes. A dama da caridade”, e, de Sirlei Nogueira responsável pela editora que lançou o novo livro, a Cocriação Editorial. Os visitantes foram recebidos pela diretoria e colaboradores da Associação, seguindo-se uma reunião de bate-papo com o médium e o prefaciador, e, ao final José Francisco psicografou mensagem de Benedita. Em seguida houve um lanche de confraternização e visita às dependências da Associação em fase de reforma e de ampliação para instalação do Centro de Psicologia, em funcionamento em outro bairro.
Poucos dias depois, 28 de junho de 2025, a Associação sediou a comemoração dos cinco anos da Estação Dama da Caridade Benedita Fernandes, webTV criada e mantida por Sirlei Nogueira. Houve uma transmissão especial assinalando também a homenagem pelos 142 anos de nascimento de Benedita Fernandes. Presencialmente falaram o presidente da Associação Paulo Boscaro e Cesar Perri (de São Paulo), contando com a presença de diretores e colaboradores da Associação. Virtualmente, no bate-papo, Roberto César dos Santos (Araçatuba) foi o âncora, com participações de José Francisco Gomes (Ipatinga, MG), Ilza Godinho (Blumenau, SC) e Luiz Carlos Barros Costa (Fernandópolis, SP). A técnica da transmissão foi conduzida por Sirlei Nogueira, criador da webtv Estação Dama da Caridade.
Em virtude da desencarnação de Sirlei Nogueira (12/09/2025) e da desativação da Cocriação Editorial, o livro biográfico “Benedita Fernandes. A dama da caridade” será brevemente reeditado – ampliado e atualizado – pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro, de São Paulo.
Informações (copie e cole):

https://ascbeneditafernandes.com.br/asc/quem-somos/

 

O ESPÍRITA E O ANO ELEITORAL

O ESPÍRITA E O ANO ELEITORAL

Aylton Paiva

Neste ano haverá eleições para os cargos de deputados estaduais, deputados federais e senadores, no Poder Legislativo; governadores e presidente do Brasil no Poder Executivo.

O panorama no campo dos eleitores está complicado e confuso. Há candidatos, postulantes a esses cargos, cuja ideologias vão da extrema direita à extrema esquerda.

O que significa isso?

Os valores da extrema direita estão impressos no Fascismo, cujo representante mais conhecido foi Mussolini, na Itália, e mais radical que este foi o Nazismo, na Alemanha, com Adolfo Hitler. Por outro lado, há o Comunismo, implantado nas Republicas Socialistas da União Soviética, por Vladimir Lenin.

Nessa gradação de valores das duas correntes, há pessoas que se dizem espíritas e optam pela extrema direita ou extrema esquerda. Então, há que se indagar: o espírita pode ser fascista ou comunista?

Para responder é necessário conhecer os valores Éticos dessas duas corrente e os valores Ética Espírita. Os valores da Doutrina Espírita estão contidos em O livro dos espíritos, de Allan Kardec, na sua 3ª Parte – Das Leis Morais.

Alguns desses valores éticos: ·

"Adoração a Deus é fazer o bem e evitar o mal (questão nº 654). · Trabalho é toda ocupação útil. (questão nº 675). · Uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens. (questão nº 711) · O relaxamento dos laços de família é uma recrudescência do egoísmo. ( questão nº 775). · O maior obstáculo ao progresso são o orgulho e o egoísmo. (questão 785) · Perante Deus todas as pessoas são iguais. Deus fez suas Leis para todos. (questão nº 803) · A desigualdade das condições sociais não é obra de Deus, mas das pessoas (questão nº 806) · A desigualdade das riquezas é fruto da diversidade das faculdades e da velhacaria e do roubo. ( questão nº 808). · São iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos. Deus outorgou a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir. ( questão nº 817) · Desde que estejam juntas duas pessoas haverá entre elas direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar, portanto não gozam de liberdade absoluta. ( questão nº 826) · A Justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais. (questão nº 875) · Os direitos são estabelecidos pela lei humana e a natural (Divina). (questão nº 875 a) · A legítima propriedade é a que foi adquirida sem prejuízo de outrem. (questão nº 884)".

Os valores da Ética Espírita, acima listados, devem ser analisados no comportamento daquelas pessoas, que se dizem espíritas, e que se candidatam a cargos eletivos, nos Poderes: Legislativo e Executivo.

Não só pelo que falam, sobretudo, pela conduta que têm em todas as situações da vida em sociedade.

O Mestre Jesus disse:” Amai-vos uns aos outros”.

Então esse compromisso não será apenas entre as pessoas, também, como amor solidário à sociedade. Fora desse parâmetro a pessoa, mesmo que se diga espírita, terá opiniões pessoais em sua análise sobre os candidatos, às vezes até opostas a Ética Espírita.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

O livro dos espíritos, de Allan Kardec, Ed. FEB.