EVANGELIZAÇÃO DAS CRIANÇAS E JOVENS ESPECIAIS
A evangelização para todos é um compromisso que a instituição espírita cristã deve assumir, não podendo deixar de lado os espíritos que nascem portando algum transtorno psicoemocional, mental ou físico.
Nos dias atuais, inúmeros espíritos reencarnam trazendo as consequências de seu passado insculpido em seu corpo físico, realçando os conflitos íntimos que lhes assolam a alma, decorrentes das provas mal sucedidas na escola da vida.
Outros escolhem missões, reencarnando em corpos com certas limitações, visando o avanço científico e tecnológico para lhes ofertar recursos no cumprimento de seus deveres em prol da humanidade.
Entre eles, estão os portadores do Espectro Autista, cuja presença vem crescendo no cenário social. Apesar do grande avanço tecnológico, científico e da indústria farmacêutica, os autistas têm sofrido a incompreensão da sociedade.
Devido à sua forma de relação e comunicação diferir das formalidades comuns, eles são incompreendidos e sofrem preconceitos daqueles insensíveis ao sofrimento alheio.
Negar-lhes educação adequada é crime perante as leis civis e divinas; deixá-los à margem da sociedade é abandono de incapaz, dada a sua condição de assimilar as experiências sociais.
Devemos abrir espaço nas escolas formais, com educação de qualidade e acompanhamento responsável, favorecendo-lhes o aprendizado.
Os centros espíritas também têm a responsabilidade de acolher estas almas e seus familiares, oferecendo-lhes consolo, acolhimento e esclarecimento à luz da Doutrina Espírita, com os recursos dos passes, água fluidificada e a evangelização.
Para os deficientes visuais, aplicamos Braille; para os surdos e mudos, os sinais de comunicação, onde lhes é apresentado o alfabeto.
Aos autistas, os educadores precisam conhecer suas limitações, respeitando a forma própria deles de se relacionar com os outros.
Portadores de hipersensibilidade frequentemente têm o intelecto avançado, dificuldade de fixar o olhar e o toque físico. São sensíveis ao som alto e outras formas de expressão dos seus sentimentos.
Todavia, os esforços empreendidos para auxiliar esses espíritos têm sido intensos; no entanto, o despreparo de muitos tem causado incompreensão, dificultando a inclusão social e gerando aflição a esses espíritos.
Cabe aos educadores espíritas se prepararem para recebê-los nas escolas de educação espírita cristã.
São eles espíritos comuns, sedentos de paz e harmonia, que mergulharam no oceano do mundo por via reencarnatória, visando o reajustamento físico-psíquico.
Confiantes na divina misericórdia, esperam encontrar apoio e sustentação espiritual para cumprir com os deveres assumidos perante as leis da vida.
Todavia, inúmeros sentem-se desprotegidos e estranhos no mundo, onde tem leis faltando afeto e carinho, sendo vistos como estranhos e diferentes, e recebendo, quase sempre, deboche e escárnio, a zombaria movida pelo preconceito social.
Jesus Cristo acolhe todas as ovelhas com dedicação, sem excluir qualquer que seja do seu rebanho.
A metodologia educacional para eles requer paciência, tolerância e muito amor, onde se sentirão acolhidos e amados. O processo pedagógico se baseia no método lúdico, respeitando o meio de comportamento de cada educando.
Eles precisam de um roteiro prático para se sentirem seguros e confiar em seus educadores.
É importante relembrar que cada espírito é um universo; mesmo sendo autistas, há intensa diferença no comportamento, no sentir e no expressar.
Sempre devemos olhar para eles com compaixão, confiança e amor, devido à sensibilidade deles à captação das ondas eletromagnéticas.
Toda vibração desarmônica gera neles crises, devido a abrirem as janelas da alma ou do inconsciente, trazendo à tona seus conflitos internos.
A insegurança que sentem é o medo de serem punidos.
Somente com a pedagogia do amor lograremos a verdadeira educação.
Outro ponto importante, que às vezes gera incompreensão e crítica por aqueles que desconhecem o mundo íntimo do ser espiritual, é que as salas de evangelização devem ser adequadas para recebê-los, fazendo com que se sintam acolhidos em seu universo íntimo.
As turmas devem ser separadas conforme os ciclos, facultando maior desempenho, e sempre realizando, após as aulas, uma união com as outras turmas, criando vínculos salutares e harmônicos.
Não devemos descuidar de ensinar as outras turmas a como se comportar e acolher estas almas, o que exige adequação e esclarecimento.
Temos muito a aprender com eles, assim como aprenderão conosco. Nessa troca de experiências, vamos enriquecendo nosso psiquismo no aprendizado de novas maneiras de comunicar, evitando a rotulação.
Sendo autistas, são espíritos imortais em processo redentor, escalando a ascensão espiritual. Abraçar essa causa é servir em nome do amor. Jesus conta conosco neste mister educacional à luz do evangelho.
Espíritas, amai-vos; espíritas, instrui-vos. Todo espírito tem uma missão a cumprir, seja grande ou pequena. É no cumprimento das missões que logramos a felicidade e afastamos da natureza animal, avançando para a natureza espiritual.
O autista nem sempre é uma alma calceta que carrega na consciência erros escabrosos, como muitos os definem. Inúmeros trazem em sua bagagem espiritual intenso avanço intelecto-moral, estando a serviço do progresso físico-mental das novas gerações de almas que irão reencarnar, facilitando a manifestação do superconsciente, onde os espíritos transitam do homem animal racional para as esferas elevadas do homem angelical.
Todo esse processo é lento, todavia, será concluído conforme a vontade de Jesus.
Queridos evangelizadores e evangelizadoras, nossos sinceros votos de paz e harmonia.
Benedita Fernandes
(Gomes, José Francisco. Pelo espírito Benedita Fernandes. Desafios da educação nos tempos de regeneração. Araçatuba: Cocriação. 2025).