A valorização do roteiro de Kardec
Antonio Cesar Perri de Carvalho
No desenvolvimento do estudo virtual “Espiritismo: das obras básicas às vivências e visão de futuro” – que coordenamos semanalmente por transmissões do Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo – CCDPE-SP -, em várias reuniões abordamos temas sobre Allan Kardec.1
As experiências de vida e o pensamento de Kardec foram focalizados em lives: Contexto social e religioso na França de Kardec; Kardec e a elaboração do espiritismo, origem e significado da palavra Espiritismo, conceito de revelação espírita; Espiritismo cristão e humanitário; Papel da Revista espírita; Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; A experiência de Kardec com suas viagens.1
No conjunto dos estudos fundamentados em pesquisa bibliográfica concernente aos temas, emergem dados que contribuem para termos uma visão mais abrangente sobre o perfil, as propostas e as lutas do Codificador.
O experiente professor Rivail – culto, ativo e formulador de propostas educacionais -, canalizou sua experiência de vida, aos 50 anos de idade, para os estudos dos fenômenos espirituais, culminando com a elaboração: “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações”.2
O marco fundante é O livro dos espíritos. Kardec é chamado o codificador do Espiritismo, e, para algumas referências francesas é considerado o fundador do Espiritismo. Com ele surgiu o Espiritismo, o primeiro veículo de informação espírita – a Revista espírita -, o primeiro centro espírita do mundo – a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas -, e o movimento espírita com a prática de suas viagens pela França e Bélgica.
Destacamos que as análises das comunicações espirituais registradas na 2ª parte de O céu e o inferno, fazem dessa obra o marco histórico de conter o primeiro estudo de casos de manifestações espirituais, caracterizando-se como estudo sobre estados de alma.
No perfil do bem-preparado professor destacam-se: a autonomia intelectual, independência com relação aos contextos de sua época, o pensamento racional, a seriedade, a dedicação e amor à proposta nascente. A propósito, o jovem astrônomo Camille Flammarion em marcante discurso por ocasião do sepultamento de Kardec enaltece sua “razão reta e judiciosa”, definindo-o como o “bom senso encarnado” e destacou: “assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. […] Assistimos à aurora de uma ciência desconhecida. Quem poderia prever a que consequências conduziria, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta psicologia nova?”3
Aí fica claro como o movimento espírita precisa se debruçar mais para a compreensão do pensamento expresso por Kardec em suas obras.
Há necessidade de se valorizar, estudar, divulgar as obras de Kardec: as obras básicas e a Revista Espírita por ele fundada.
Uma antiga campanha da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo – Comece pelo Começo -, é extremamente pertinente e necessária sua adoção. Estimula o estudo e valorização pelo “começo”, ou seja, as obras básicas de Kardec.
Referências:
1) Acessos para as gravações dos estudos (copie e cole): https://www.youtube.com/@ccdpe-ecm
2) Kardec, Allan. Tradução redação de Reformador. O que é o espiritismo. Preâmbulo. Brasília: FEB. 2013.
3) Flammarion, Camille. In: Discursos pronunciados sobre o túmulo. Revista espírita. Ano 12. N.5. Maio de 1869. Trad. Gentile, Salvador. Araras: IDE. 2001. P. 05-11. Disponível em (copie e cole): https://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/revista-espirita-1869.pdf

